O
arsenal Trump-bolsonarista na guerra contra a reeleição de Lula
Está
amplamente documentada a atuação dos EUA nos golpes, nos momentos de rupturas
institucionais e de desestabilização do nosso país desde, pelo menos, meados do
século passado. Esse intervencionismo continua no presente.
O
inventário resumido da intromissão estadunidense abarca circunstâncias como: a
oposição à campanha “O petróleo é nosso” e à criação da Petrobrás, a derrubada
e suicídio de Getúlio, a resistência à posse do Jango em 1961, o golpe
cívico-militar e implantação da ditadura em 1964, a ambientação da crise que
culminou na derrubada da Dilma, a cooptação e apoio a agentes da Lava Jato e da
mídia na prisão farsesca do Lula – para citar os eventos mais marcantes.
Não há,
portanto, ineditismo na tentativa de interferência dos Estados Unidos na
soberania brasileira.
O
inédito, contudo, é o modo truculento, escancarado e até espalhafatoso como
Donald Trump, Marco Rubio e extremistas republicanos atacam nosso país com o
auxílio interno da família de gângsteres.
Nas
agressões perpetradas contra o Brasil, o governo Trump e os Bolsonaro não
adotam nenhuma discrição ou parcimônia. Ao contrário, fazem questão de dar
publicidade e produzir enorme repercussão midiática com base em mentiras
deslavadas.
Assim
ocorreu no tarifaço, nas sanções a autoridades, na classificação de facções
criminosas como terroristas, na retirada do visto da embaixadora do Brasil nos
EUA.
O
Departamento de Estado não esconde o plano para interferir e criar confusão na
eleição brasileira.
Sem
designar embaixador no Brasil desde o início do seu mandato, Trump agora quer
acelerar a designação de Daniel Perez de olho no calendário eleitoral, para que
seu representante se associe aos bolsonaristas na avacalhação das urnas e do
resultado da eleição.
Na
sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Perez declarou
sem cerimônia: “defenderei condições que permitam eleições livres e justas e a
liberdade de expressão, pois um Brasil estável e democrático é um parceiro
melhor”.
O
jornal Washington Post reportou que Marco Rubio pretendia enviar ao Brasil
funcionários com a missão de lançar dúvidas e questionamentos sobre a lisura do
sistema eleitoral brasileiro.
Numa
iniciativa atrevida, que viola totalmente a Convenção de Viena sobre relações
diplomáticas, o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo promove encontros com
ativistas e influenciadores de direita e extrema-direita para organizar ações
criminosas no esgoto digital.
É
bastante plausível se supor que o desenvolvimento destas ações espalhafatosas
integra uma estratégia para desviar a atenção de iniciativas operadas em
camadas secretas, no subterrâneo, com ações clandestinas, de sabotagem, de
terror e guerra híbrida por meio das big techs, das agências de inteligência
estadunidenses e emprego de Inteligência Artificial.
É
evidente que além dos ataques visíveis e escancarados, Trump e os bolsonaristas
dispõem, também, de um arsenal oculto e poderoso na guerra contra a reeleição
do presidente Lula.
Os
achados nas pesquisas eleitorais podem ser sintomas da eficiência dessa ação
“invisível”, porém, persistente, da extrema-direita no Brasil para fraudar a
soberania popular e golpear a democracia.
Mesmo
com a exploração diuturna do ódio antipetista, não é crível Lula manter um teto
baixo de intenção de votos e de aprovação do governo, apesar das realizações do
seu governo, ao passo que Flávio Bolsonaro consegue preservar, sustentar
índices elevados de intenção de votos em meio à enxurrada de revelações sobre a
trajetória corrupta e criminosa dele e da família.
Está em
curso um processo brutal de deformação da opinião pública com técnicas
sofisticadas de manipulação, inteligência artificial e propagação de fake news
em escala industrial.
Trump
adota uma ofensiva agressiva e brutal na América Latina, variando as formas de
ação de país a país, e conforme cada realidade específica.
Na
Venezuela, com invasão militar e sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua
esposa. Na Colômbia, Peru e Honduras, com bombardeios semióticos via redes
digitais para eleger aliados de extrema-direita. Em Cuba, a CIA criou uma
força-tarefa secreta para desestabilizar o país e tentar operar a mudança de
regime.
A
eleição brasileira deste ano está tão ou mais ameaçada que a de 2022. Em artigo
publicado em junho passado, Trump escreveu que a eleição no Brasil será “como
um grande teste para o ressurgimento conservador na América Latina”.
A
descoberta de grupo extremista que disseminava conteúdos neonazistas, racistas
e misóginos e planejava ataques terroristas durante o período eleitoral
confirma que a democracia está em perigo.
• PT, PV e PCdoB querem apurar se
plataforma ‘Direita Já’ faz uso ilegal de Fundo Partidário
O
Partido dos Trabalhadores, o PV e o PCdoB, que integram a Federação Brasil Fé
da Esperança, pedem à Justiça Eleitoral que investigue, com urgência, a
plataforma direitaja.com, criada pelo PL, por disseminar, em larga escala,
conteúdos mentirosos, deep fakes e propaganda eleitoral negativa contra o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Com uma detalhada e robusta
argumentação jurídica, a Federação questiona se o PL, sigla do candidato à
Presidência Flávio Bolsonaro, está utilizando, de forma ilícita e irregular,
recursos do Fundo Partidário para produzir e distribuir “materiais prontos para
influenciadores selecionados, com o objetivo principal de atacar o presidente
Lula e o PT”.
Além da
suspeita de que o PL esteja usando dinheiro público para bancar ataques
degradantes a Lula, a representação eleitoral levanta a hipótese de que a
“replicação apresentada como espontânea pode encobrir disparo em massa vedado”,
financiado indiretamente com recursos do Fundo Partidário”. A Justiça Eleitoral
veda “qualquer tipo de disparo em massa, inorgânico, proveniente de partidos e
candidatos”.
Os
partidos pedem ao TSE que o PL seja obrigado a explicar quais recursos
financeiros foram usados na plataforma, apresentando contratos, notas fiscais e
financiamento, além de serem identificados os influenciadores e colaboradores
envolvidos na produção de conteúdos. PT, PCdoB e PV também pedem a suspensão
imediata dos materiais já reconhecidos como desinformação pelo TSE, e a
proibição de qualquer novo impulsionamento pago enquanto o processo tramita.
A maior
parte dos materiais da plataforma são conteúdos fartamente usados em 2022 e que
o Tribunal Superior Eleitoral já carimbou como “fatos notoriamente inverídicos
ou gravemente descontextualizados” que comprometem a integridade do processo
eleitoral, aponta a equipe jurídica da Federação Brasil da Esperança. São, por
exemplo, deep fakes e conteúdos de IA que associam Lula ao PCC, ao Comando
Vermelho e ao narcotráfico — teses que o próprio TSE já reconheceu como
desinformação em decisões anteriores.
<><>
Programa Creators, influenciadores e pouca transparência
A
plataforma criada pela extrema direita, uma central de produção de propaganda
negativa contra Lula e o PT, oferta posts prontos para serem publicados por
quaisquer usuários na internet – são liberados até 50 posts por semana. Nela
funciona o “Programa de Creators”, definido como uma “parceria” com mais de 200
influenciadores e que permite 50 milhões de visualizações nos conteúdos.
“Em
outras palavras, o sistema de parceria com influenciadores estabelecido pelo
Partido Liberal pode fomentar uma parcela do mercado digital com base na
disponibilização de propaganda eleitoral negativa contra Luiz Inácio Lula da
Silva e o Partido dos Trabalhadores. Deixa-se de lado, portanto, a
espontaneidade da manifestação política à medida em que o lucro se insere na
equação deste fluxo comunicacional”, aponta o questionamento da Federação.
<><>
Rede paralela de distribuição coordenada
A
Federação Brasil da Esperança alerta que esse hub digital da extrema direita,
na essência, é “uma forma alternativa ao impulsionamento (ou impulsionamento
indireto)”. Ou seja, é uma forma de driblar a exigência legal de anúncios pagos
e transparentes de conteúdos impulsionados.
“Em
síntese, substitui-se o mecanismo tradicional de compra de anúncios junto ao
provedor de aplicação por uma rede paralela de distribuição coordenada, que
produz efeito de alcance e repercussão artificialmente amplificado — até mesmo
superior ao de campanhas pagas de mídia —, sem se submeter a nenhum dos
controles de transparência, rotulagem e responsabilização que a Justiça
Eleitoral exige do impulsionamento regular”, denunciam os partidos.
Como
ocorre uma distribuição segmentada dos conteúdos na plataforma, outro ponto de
alerta é que se trata de uma disseminação opaca, que “escapa do escrutínio
público e da fiscalização eleitoral, já que cada grupo recebe uma narrativa
diferente e ninguém vê o quadro completo da campanha”.
<><>
Estrutura profissional
Apesar
de se apresentar como uma iniciativa do PL com apoio de voluntários, o material
disponibilizado tem segmentação para várias mídias, de forma visivelmente
profissional.
“Nesse
ponto específico, é extremamente improvável que a manutenção de uma plataforma
que produz dezenas de peças profissionais por semana, em múltiplos formatos e
com padrão gráfico apurado, se concilie com essa afirmação de trabalho
inteiramente não remunerado, traduzindo incompatibilidade que sinaliza, em
tese, a existência de estrutura profissional e de custos subjacentes não
revelados”, questiona a representação.
A
agência Magic Beans, que tem clientes corporativos de grande porte, assina como
desenvolvedora da plataforma. Mas o PL e o direitaja.com não são listados como
seus clientes.
Outro
ponto levantado diz respeito ao domínio do site, “registrado internacionalmente
sob serviço de privacidade prestado pela Domains By Proxy, LLC, no dia
24.09.2025, com registro renovado em 30.05.2026”.
A
equipe jurídica destaca ainda o fato de terem sido feitos 14 (quatorze)
anúncios pagos sobre o direitaja.com, veiculados na página do PL no Facebook,
que totalizam R$ 39.897,00 em investimento na plataforma da Meta.
<><>
Sobre o Fundo Partidário
O uso
do Fundo Partidário é regulamentado por lei e não pode, frisam os partidos,
financiar “uma central de produção de conteúdo, em escala industrial, cujo
objeto declarado e sistemático é o ataque ao pré-candidato adversário e ao
partido que integra”.
O Fundo
Partidário, destaca a representação, “constitui ferramenta útil ao
desenvolvimento da democracia brasileira ao fomentar a atividade partidária”,
sendo inconcebível “cogitar que no escopo de atividade dos partidos políticos
se encontre a promoção coordenada de ataques, falsidades e enganos contra
adversários políticos”.
<><>
Os pedidos
Em
resumo, os partidos pedem na representação que:
1.
sejam apresentados ao TSE contrato, nota fiscal, recibos, comprovantes de
pagamento do desenvolvimento da plataforma, produção de conteúdos e todos os
serviços para realização do site;
2. que
seja detalhada a origem dos recursos financeiros para custear o site, com
apresentação de documentos de comprovação;
3. que
sejam fornecidas informações sobre os colaboradores aprovados para produzir
conteúdos, para garantir a plena transparência sobre a autoria;
4. que
o TSE seja informado sobre grupos de WhatsApp, Telegram, Discord, E-mail,
enfim, qualquer canal de mensagens ou transmissão de conteúdos ou materiais
eletrônicos utilizados para fornecer os materiais do Direita Já aos usuários
cadastrados, bem como identifique os responsáveis por esses grupos e suas
regras de participação e fornecimento de conteúdo;
5. a
identificação dos influenciadores beneficiados pelo Programa Creators;
6. a
suspensão imediata, na plataforma e em todos os perfis de participantes, de
conteúdos, materiais, vídeos, tweets, imagens estáticas ou áudios que propaguem
ou divulguem qualquer dos “fatos notoriamente inverídicos ou gravemente
descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral” já
reconhecidos pelo TSE.
Fonte:
Por Jeferson Miola, no Viomundo/Rede PT de Comunicação

Nenhum comentário:
Postar um comentário