Colômbia:
A ascensão do populismo elitista
Desde a
contestada ascensão de Abelardo de la Espriella à presidência da Colômbia,
jamais o país parecera tão dividido, tendo a metade da população votado a favor
daquele que se apresentava como defensor de uma “Pátria Milagre” e que propunha
tanto a “bombardear e pulverizar com venenos os campos de coca” quanto a eliminar o “inimigo interno” que, em
sua visão, constituem o comunismo e o “petrismo” (em referência ao presidente
de esquerda Gustavo Petro), supostamente manchados pelo “sangue dos cidadãos
indefesos assassinados pelas bombas dos terroristas que Iván Cepeda [o
candidato de esquerda à sucessão de Petro, oposto a Abelardo de la Espriella na
eleição de 2026] e Petro protegeram […]”. “A democracia não perecerá diante do
terror dos exércitos de Cepeda e Petro”, brada a todo vapor o novo “presidente”
colombiano de extrema-direita. Durante uma conversa telefônica com o candidato
Abelardo, o presidente argentino populista libertário Javier Milei concordava a
respeito de Cepeda: “vamos com tudo, você tem que derrotar esse esquerdista
filho da puta”. Assim, o presidente recém-eleito tem como primeiro projeto
“desmembrar a esquerda” e declara que “aqueles que não quiserem se submeter ao
império da lei deverão cair sob o fogo das armas do Estado”.
A
ameaça é ainda mais grave porque, na Colômbia, a política do “inimigo interno”
já foi implementada nos anos 1960 como uma doutrina de segurança impulsionada
pelos Estados Unidos para justificar a perseguição a militantes de esquerda,
sindicalistas, líderes sociais, estudantes e defensores de direitos. Ela
reforçou o paramilitarismo, procedeu à eliminação de vários milhares de
militantes do partido político União Patriótica e de “falsos positivos” –
camponeses, estudantes (população civil) assassinados e disfarçados de
guerrilheiros para justificar seus homicídios –, perpetrou inúmeras violações
dos direitos humanos que resultaram em pelo menos 10.246 vítimas registradas, e
que continuaram através da política de “Segurança Democrática” do governo de
direita de Álvaro Uribe Vélez, em consequência da qual a Jurisdição Especial
para a Paz (JEP) contabilizou, entre 1990 e 2016, 7.837 mortes por “falsos
positivos”. É preciso recordar o slogan do “Centro Democrático”, partido de
Álvaro Uribe Vélez: “uma mão firme, um grande coração”. Ora, foi sob a égide
desse slogan que um grupo de cidadãos qualificados como “pessoasn de bem”,
entre os quais figuram cidadãos e a elite empresarial tradicional do país (o
clã Char, o GEA, o Grupo Empresarial de Antioquia, etc.), foi autorizado a se
apropriar ilegalmente de terras pela força.
A
sociedade colombiana atribui grande importância à imagem; a estética visual
chega a definir quase inteiramente as tendências políticas dos indivíduos. As
“pessoas de bem”, por exemplo, distinguiram-se em suas manifestações públicas
pelo uso de camisas brancas e chapéus brancos, característicos do imaginário do
“paisa” trabalhador, associado a demonstrações de poder e riqueza: cavalos,
aviões particulares e veículos blindados. Esse grupo heterogêneo, legitimado
pelo governo em exercício, ao usurpar as terras, é o responsável por um vasto
movimento de êxodo da população civil, com o apoio de grupos paramilitares
aliados ao governo — que existem desde os primórdios da independência da
Colômbia.
A
adesão popular ao discurso da violência, atestada pela eleição de 2026,
explica-se talvez pela constatação feita pelo presidente cessante Gustavo
Petro, segundo a qual, apesar dos esforços de seu governo, “… ainda não
transformamos a estrutura fundamental do poder na Colômbia hoje, um poder que
herda da oligarquia, de sua ilusão de aristocracia, mas que é, na realidade, um
poder mafioso e genocida”. Por que a estrutura de poder na Colômbia não
evoluiu? Esta questão é tão complexa que não poderemos respondê-la aqui.
Em
resumo, diremos que a Colômbia, que figura entre os 15 países mais desiguais do
mundo, assistiu ao surgimento de uma pequena burguesia em parte fundada no
império da droga e suas atividades derivadas (mineração ilegal, tráfico de
pessoas, prostituição, turismo de luxo, etc.), e ao desenvolvimento de
numerosos vínculos ocultos do Estado e da Igreja com o tráfico de
entorpecentes, acarretando uma subordinação da lei ao poder da violência e do
silêncio. A isso se soma a conivência do poder com a mídia nacional que, há
anos, veicula informações falsas; o estado de uma população entregue à dor, ao
rancor, ao ódio e/ou à cegueira, submetida à aliança narco-religiosa estatal.
Sem contar a cegueira do discurso purista e intelectualista de uma esquerda
distante do povo que ela, no entanto, pretende representar.
Essas
razões, entre outras, contribuem para a polarização de que sofre o país, que
opõe aos eleitores de Abelardo de la Espriella as 12.708.712 pessoas que
votaram em Cepeda e que acreditam, sem dúvida, que ainda é possível fazer
política de outra forma, superando os preconceitos de classe e as violências
históricas contra as mulheres, contra as populações afro-colombianas, os povos
indígenas, as comunidades LGBTIQ+, os ciganos, e coexistindo com as entidades
da natureza em um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Enquanto
que a outra metade do eleitorado parece sequer conseguir imaginar que a
hiperprodução capitalista não seja a única solução para suas expectativas. É em
parte essa batalha sociopolítica e cultural que acaba de sacudir o povo colombiano.
É dessa polarização que nasceu a linha de fuga mortal e espetacular, marcada
por uma masculinidade viril, que se impôs ao povo colombiano nas últimas
eleições, dando origem ao que chamamos de populismo de elite: um populismo que,
por um lado, explora a precariedade sociocultural e a capacidade de ação
política do povo para encarnar seu descontentamento frente às classes
“privilegiadas” — a Igreja, os governos e os partidos tradicionais — e que, por
outro lado, satisfaz essas elites ao encarnar suas prioridades sob a forma de
um poder político autoritário, capaz de subverter os mecanismos de exercício de
um poder transparente, democrático e legal. Esse populismo, no entanto,
encontra-se legitimado tanto pelas elites que favorece quanto pelo povo que justifica
todas as ações, mesmo que estas o conduzam à sua própria destruição.
Essa
nova via, que se pode qualificar, com Achille Mbembe, de “necropolítica”, isto
é, que confere ao Estado o poder de decidir quem deve viver e quem deve morrer,
apresenta-se como uma alternativa messiânica, inovadora, midiática, que confere
um toque ainda mais burguês à cultura visual ligada ao tráfico de drogas do
país – na qual é preciso incluir os “as pessoas de bem”. Essa cultura visual é
qualificada de “narcoestética”, ou seja, uma estética pela qual “se define um
belo barroco que tem por finalidade a reprodução e a proliferação de corpos
padronizados com proporções ampliadas pela cirurgia estética, cabelos alisados
e maquiagem excessiva”. O novo salvador é aquele que diz aos colombianos “vou
velar por vocês, vou defender pessoalmente suas vidas, suas casas, seus
filhos”, e que passeou publicamente pelas ruas do país exibindo seu colete à
prova de balas dentro de um carro com uma cúpula de vidro blindado. O “realismo
mágico”, conceito pelo qual Gabriel García Márquez descreve o povo colombiano,
estende-se para um populismo de elite que se manifesta na campanha presidencial
de Abelardo de la Espriella: “o tigre que ruge e morde”, aquele que representa
“os que nunca tiveram”, “os que nunca viveram às custas do Estado, os que nunca
roubaram nada, os que nunca se queixam, os que nunca darão as costas ao nosso
país em suas horas mais sombrias, os que nunca fizeram parte da panelinha
política, os que nunca são e nunca foram financiados pelos grandes capitais.
Será uma batalha dos ‘nunca’ contra os ‘sempre'”.
“O
tigre”, “o homem de negócios trabalhador” sobre quem “parece que ele chegou
tarde demais quando distribuíam o medo”, aquele que nunca faz política, que
desfila em seus ternos italianos criados por sua própria marca e que também os
presenteia àquele que ele continuava chamando de “Presidente” antes de lançar
sua campanha em 2025: Álvaro Uribe Vélez, a quem seu partido qualificou como
presidente “eterno”. Abelardo, aquele que nunca desiste, defensor “sem
escrúpulos” que nada teme, que aceita todos os casos que os outros advogados
recusam, incluindo os dossiês espinhosos relacionados à defesa de traficantes
de drogas e paramilitares; como quando criou a fundação (Fipaz), que favoreceu
a aproximação e a tomada de posição dos chefes paramilitares para sua defesa no
âmbito de um processo de desmobilização sem extradição. Abelardo, aquele que
nunca mudará, aquele que tampouco assumirá uma posição ética na política, já
que ele mesmo afirma: “como não sou político, não sou politicamente correto […]
a ética é um conjunto de normas pessoais”. Ao passo que, como advogado, em
matéria de direito, tudo depende, segundo ele, do ponto de vista sob o qual nos
colocamos. O Tigre, aquele que “nunca mente para você”, mas que, no espaço de
um único dia, passa do status de ateu a uma conversão espiritual que mudou
completamente sua vida. Aquele que um dia declara em campanha que não enviará
representantes à ONU, e no dia seguinte nomeia como representante o advogado
constitucionalista Mauricio Gaona. Que um dia adora Álvaro Uribe, e no dia
seguinte ataca todo o seu partido para vencer a batalha política, por exemplo:
durante a campanha, declarou que não criaria um partido, mas que, uma vez
eleito, pressiona o partido do “Eterno” ao lhe opor um candidato à presidência
do Senado da República, conseguindo assim unir dois partidos historicamente
opostos, o Centro Democrático e o Pacto Histórico, para vencer a presidência.
Abelardo de la Espriella, que não mente para você, mas se limita a interpretar
os fatos a seu favor, portanto, não sente nenhum desconforto ético pelo fato de
que, antes do início de sua campanha, ele descrevia, em suas crônicas, Donald
Trump como um líder “populista e barulhento” e alertava sobre os riscos
relacionados à indústria do petróleo”, ao passo que, uma vez em campanha, ele
exalta o extrativismo, afirma que a Colômbia será uma das estrelas da bandeira
dos Estados Unidos e, por fim, agradece ao presidente americano por sua
vitória, em uma carta em que se expressa assim: “você abriu o caminho para
vencer os poderes estabelecidos de sempre, em aliança com o povo. Na Colômbia,
começamos a trilhar esse mesmo caminho. Os Estados Unidos e a Colômbia são
nações irmãs, unidas pelo sangue dos heróis e pelo destino comum de defender a
civilização ocidental nestas terras das Américas. Juntos, somos
indestrutíveis”.
Esse
novo messianismo, que supostamente salvaria a Colômbia do inimigo interno,
insere-se em uma verdadeira campanha midiática sobre a qual o próprio Abelardo
declara: “Meu objetivo é acender a faísca vulcânica que fará a verdade circular
de forma viral nas redes sociais”.
Foi
assim que Abelardo, amplamente financiado pelo clã Char (um grupo de políticos
tradicionais e empresários manchados por escândalos de corrupção e ligados a
grupos fora da lei), de quem é próximo há muito tempo, desenvolveu, por um
lado, uma estratégia piramidal de captação de eleitores (uma prática, aliás,
ilegal, pois exerce coerção sobre o eleitorado) e, por outro, a construção de
um imaginário e de uma identidade de força e vigor simulados com o auxílio da
inteligência artificial. Seus modos de ação apoiam-se na rede de afetos e
paixões que animam a população e obedecem à emotividade humana manipulada por
um inconsciente maquínico, como diria Félix Guattari, e regidos por um
algoritmo “à maneira de mutação antropológica”, como diria o historiador colombiano
Alberto Castrillón Aldana.
A
campanha de Abelardo de la Espriella foi concebida desde o início para esses
inconscientes maquínicos controlados por algoritmos, para os quais o que se
chama de “memória histórica” tem pouco ou nenhum interesse. Uma campanha
midiática concebida para as redes sociais que os colombianos usam no dia a dia:
TikTok, WhatsApp, Instagram, Facebook e X. Seu programa de governo, que parece
ter sido redigido com o ChatGPT e tem três páginas, não fala apenas do tipo de
governo que ele propõe, mas também do povo que ele pretende governar. Como já
dizia Guattari: “Não se pode partir de uma vetorização simples que partisse de
um lugar de manipulação de produção de subjetividade e, em seguida, de uma
pobre população vítima da situação. Porque ela é vítima, mas, ao mesmo tempo,
ela é agente nesse assunto. Também temos a mídia e a quimioterapia que
merecemos”.
Dentre
os símbolos de sua campanha, destacam-se: o tigre como figura emblemática, um
animal erguido sobre duas patas, vestido com um terno de estilista italiano
(embora, como sabemos, o tigre não seja uma espécie endêmica da Colômbia). O
uso da camisa da seleção colombiana de futebol, a saudação militar, que é
claramente proibida fora de seu uso institucional (os órgãos encarregados de
regulamentar esses aspectos, a saber, o Conselho Nacional Eleitoral e o
Registro Nacional, não implementou medidas preventivas nem tomou medidas
corretivas para conter o uso desses símbolos). O capacete de vidro blindado e o
colete à prova de balas. Os escapulários de diversos santos e anjos com os
quais ele celebra toda uma iconografia religiosa à qual estão ligados pelo menos
45,3 milhões de colombianos católicos, sem falar dos símbolos judeus que ele
também ostenta. Durante sua campanha presidencial, ele fez, assim, uma
peregrinação religiosa amplamente divulgada nas redes sociais, na qual proferiu
discursos como: “… o povo judeu é o povo de Deus”. O que atesta a aliança com
Israel que o leva hoje a querer fechar 14 embaixadas e abrir uma embaixada da
Colômbia em Jerusalém.
Outros
discursos proferidos durante sua peregrinação demonstram o vínculo
indissociável entre política e religião, que ainda atua como um poderoso
catalisador para todos os fiéis. Durante sua peregrinação, ele declara ainda:
“Divino Menino Jesus, Filho eterno do Pai, rei dos reis e senhor dos senhores,
é diante de ti que concluímos esta peregrinação nacional, reconhecendo que toda
autoridade, toda nação e toda história estão sob tua senhoria. Hoje, levantamos
nossos olhos para ti, com gratidão, pelos dons que derramaste sobre a Colômbia,
e com confiança filial, entregamos em tuas mãos o presente e o futuro de nossa
pátria […] esta batalha não é apenas política, ela é também espiritual […]
estamos firmes pela pátria! E também firmes pela fé!”.
O
mandato de masculinidade também ocupa aqui um lugar fundamental no discurso de
Abelardo. Rita Segato descreve esse mandato como a violência de Estado exercida
por uma confraria masculina que exige lealdade a uma espécie de corporação
viril cuja ordem simbólica não deve ser alterada. Abelardo, que afirma ter uma
visão singular das mulheres, a quem qualifica de “tigresas”, explica que são
elas que sustentam e mantêm o lar, pois “as mulheres são o núcleo da família”.
Embora isso possa parecer “quase encantador”, o que vivemos durante a campanha
foi totalmente diferente: cenas públicas de machismo sem precedentes e, pior
ainda, com o apoio de uma parte da população feminina que não se preocupa com
os ataques às jornalistas e que, por sua vez, se torna cúmplice da confraria
masculina segundo a qual as mulheres são meros “adereços” e devem ocupar o
“lugar que lhes cabe” — o qual, claramente, não é o da expressão política. Ao
contrário, as mulheres seriam incapazes de votar guiadas pela razão; gênero
frágil e ignorante da política e do direito, só poderiam votar guiadas pelo
desejo ligado aos atributos sexuais do candidato.
O que
mais dizer sobre a “narcoestética” de sua campanha? Afinal, toda uma
iconografia da riqueza e do “bem-estar” se expressa nas alusões às suas duas
nacionalidades estrangeiras: americana e italiana, às suas marcas comerciais e
ao gozo do dinheiro evidenciado em inúmeros vídeos que mostram festas, viagens,
jatos particulares e restaurantes. Que as mulheres sejam o coração da família,
mas que sirvam de decoração em uma sala de estar, que o tigre não tenha nada a
ver com a Colômbia, que Abelardo se comprometa a cuidar pessoalmente dos
colombianos, mas que não compareça à cerimônia de posse presidencial, que não
tenha medo de nada, mas que se desloque em um carro blindado, etc., eis aí
detalhes que se pode qualificar de contraditórios e que permanecem sem explicação.
No
entanto, os eleitores de Abelardo parecem não precisar dessas explicações: o
importante é que o espetáculo seja grandioso e divertido e, nesse quesito,
Abelardo mostrou-se um expert. Seu espírito empreendedor não abandonou a
campanha, que ele aproveitou para criar uma marca intitulada “Defensores da
Pátria”, cujos produtos “milagrosos” estão disponíveis em seu site e incluem
camisas, bonés, moletons, jaquetas, óculos, esculturas, tênis, garrafas,
chaveiros e até panfletos para imprimir e fazer propaganda política. Da mesma
forma, em vários de seus vídeos criados para o TikTok, vê-se ele falando
enquanto saboreia seu vinho Fratelone ou seu rum “Defensores”, ou ainda
simplesmente promovendo seu novo relógio Trigris 1, que conta cada segundo do
destino de nosso país e do qual existem apenas 9 unidades que ele mesmo
entregará pessoalmente aos compradores.
Abelardo
e sua equipe souberam temperar e brincar com as emoções de um povo
desorientado, dilacerado por uma história de conflito armado em que não há
inocentes. Durante sua campanha, Abelardo, “o homem de negócios que decidiu
abandonar tudo por um dever que lhe queima a alma: salvar a Colômbia” , afirmou
não ter gasto um único peso em publicidade e ter contado com “o apoio do povo e
a graça de Deus” sem ser “financiado pelos grandes capitais” . Sabemos, no
entanto, que o custo real de sua campanha ultrapassou os 26 bilhões de pesos
colombianos. Quem a financiou? Já o mencionamos… Sua campanha presidencial,
sabemos, foi a campanha publicitária mais cara da história da Colômbia.
Hoje, 7
de agosto, toma posse aquele que, para muitos, jamais será um presidente digno
da Colômbia. Essa afirmação justifica-se pela decisão do grupo parlamentar do
Pacto Histórico de não comparecer à sua posse, pela declaração de desobediência
civil feita por esse mesmo partido e pela determinação dos 12.708.712 eleitores
que votaram contra Abelardo de la Espriella e que acompanharão seus atos com
absoluta desconfiança.
Entramos
hoje em uma era marcada por um populismo de elite ao qual esperamos resistir e
sobreviver. Temos medo, pois fomos abertamente ameaçados e sabemos que, na
Colômbia, não se brinca com os inimigos internos: eles são caçados, mortos e
enterrados. Hoje, somos colombianos que nos abraçamos à distância, buscando dia
após dia, em todas as frentes possíveis, não enfraquecer diante das raras
oportunidades que se nos oferecerão de pensar de forma diferente, de optar pela
vida em vez de nos vincularmos ao Estado necro.
Fonte:
Por Juliana Marín Taborda e Alejandro Giraldo Quintero, no Lundimatin |
Tradução: Rôney Rodrigues, para Outras Palavras

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