terça-feira, 11 de agosto de 2026

Grupo neonazista planejava explodir o Palácio do Planalto com Lula dentro

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), desarticulou na última terça-feira (4) um grupo neonazista que planejava atentados contra o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o edifício onde ocorreria o debate do 2º turno das eleições, em Brasília. Os integrantes se articulavam exclusivamente pela internet, em grupos do Telegram com conteúdo de ódio e instruções para fabricação de explosivos, sem jamais terem se encontrado presencialmente. A operação, batizada de Operação Rede Interrompida, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados, apreendendo dispositivos eletrônicos, materiais nazistas e armas. O ministro Wellington César Lima e Silva foi categórico: “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios.”

<><> Plano de atentados em Brasília

O grupo não se limitava a trocar ideias radicais: planejava ataques concretos contra o coração institucional do país. As conversas monitoradas pelas autoridades revelam que o principal objetivo era invadir e explodir prédios públicos em Brasília, com o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, como alvo prioritário. Os investigadores suspeitam que o objetivo dos criminosos seria assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os planos discutidos, estava também a explosão do edifício onde ocorreria o debate do 2º turno das eleições. A intenção declarada nas mensagens era “mandar a partir de Brasília um recado violento e antidemocrático para todo o país”.

A articulação ocorria em dois grupos do Telegram. O maior reunia mais de 600 integrantes e usava a foto de Adolf Hitler como imagem de perfil. Quem demonstrava maior radicalização era recrutado para um grupo restrito, com 46 integrantes, onde não se trocavam apenas manifestações de apoio à violência, mas instruções operacionais. Os investigados compartilhavam manuais de fabricação de explosivos e coquetéis Molotov, calculavam quantidades de material e estimavam custos dos ataques. Tinham ainda mapas dos ministérios, do Congresso Nacional e do STF. O delegado Maurílio Coelho, coordenador de Inteligência da PCDF, afirmou que o grupo chegou a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto para discutir rotas de entrada e saída: “A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui.”

<><> Ação das autoridades e o Ciberlab

A investigação foi conduzida pela PCDF em parceria com o MJSP, por meio do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos que funciona em uma sala de acesso restrito em Brasília. O laboratório monitorou as comunicações do grupo e produziu um relatório que concluiu pelo elevado grau de periculosidade do conteúdo: planejamento de atos violentos com artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incitação à violência. Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos tentavam ativamente identificar integrantes dispostos a matar.

Na terça-feira (4), a polícia cumpriu oito mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos computadores, celulares, materiais de propaganda nazista, facas e armas de fogo. A prioridade da operação foi recolher dispositivos eletrônicos capazes de indicar o estágio de execução do plano e verificar se os suspeitos já haviam obtido explosivos. O ministro Wellington César Lima e Silva destacou que o caso expõe a dimensão do problema: “A internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais”, afirmou, ressaltando que o Ciberlab existe justamente para monitorar e desarticular esse tipo de ameaça antes que se concretize.

<><> Perfil do grupo e ideologia

Os investigados são homens jovens, com idades entre 19 e 31 anos, que nunca haviam se encontrado pessoalmente e construíram toda a sua articulação no ambiente digital. O relatório do Ciberlab descreveu o conteúdo disseminado nos grupos como de elevado grau de periculosidade, com planejamento de atos violentos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia, racismo e homofobia. As mensagens incluíam discursos de ódio contra mulheres e minorias, e os administradores trabalhavam para identificar quais integrantes estariam dispostos a ir além das palavras.

Um delegado envolvido na investigação afirmou que o grupo se dizia “contra o sistema político como um todo”, sem manifestar apoio explícito a partidos ou lideranças específicas. Essa autodefinição, porém, não apaga o que o próprio relatório das autoridades documenta: a ideologia neonazista, o culto à violência e o ódio sistematizado contra grupos vulneráveis são o núcleo organizador dessas redes, não um detalhe periférico. O fato de jovens sem contato presencial chegarem a compartilhar plantas arquitetônicas de prédios públicos e calcular custos de ataques com explosivos é a medida mais concreta da radicalização que o ambiente digital pode produzir quando não há monitoramento e resposta do Estado.

<><> Implicações e próximos passos

Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. Nesta fase da Operação Rede Interrompida, não foram expedidos mandados de prisão: a estratégia das autoridades foi concentrar esforços na coleta de provas digitais para mapear a estrutura completa do grupo e sua capacidade operacional real. Os computadores e celulares apreendidos seguem sob análise para determinar se os suspeitos já haviam avançado da fase de planejamento para a obtenção de explosivos ou outros materiais.

•        Advogado de Filipe Martins diz que Força Delta dos EUA já está no Brasil para invasão do país

advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor de Jair Bolsonaro Filipe Martins, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que integrantes da Delta Force, unidade de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, já estariam em território brasileiro. Ele não apresentou provas nem revelou a origem da suposta informação.

“Ontem eu recebi uma informação quentíssima que forças Delta já estão em território brasileiro com inteligência americana”, afirma Chiquini.

O advogado relacionou a informação que diz ter recebido a uma postagem feita no domingo (9) pelo deputado republicano estadunidense Carlos Gimenez, aliado de Donald Trump. O congressista publicou uma montagem em que o rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece no lugar do venezuelano Nicolás Maduro em uma fotografia feita após sua sequestro por forças dos Estados Unidos.

“O que o espera… #Brasil”, escreveu Gimenez.

Pouco antes do vídeo, Chiquini já havia escrito nas redes que a postagem reforçava a informação que recebera.

“Agora, vendo essa publicação de um deputado americano fazendo uma montagem do Lula preso, como Maduro foi, faz ainda mais sentido. Não sabemos quando, mas é muito possível que Lula tenha o mesmo fim de Maduro. Não é de se duvidar”, afirmou.

<><> Chiquini fala em repetição do caso Maduro

No vídeo, Chiquini tenta estabelecer uma sequência entre a atuação dos Estados Unidos contra Maduro e o que, segundo ele, estaria começando a ocorrer no Brasil.

“Isso aqui não é teoria da conspiração não, tá? Essa daqui é a mesma cronologia do que aconteceu na Venezuela com o Maduro”, diz.

O advogado cita a decisão do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirma que isso abriria caminho para tropas norte-americanas atuarem em território brasileiro.

“É o que vai começar a acontecer aqui no Brasil. E eu recebi informação que Serviços de Inteligência americanos já estão em território brasileiro”, declara.

Chiquini afirma ainda que Washington passaria a combater diretamente PCC e CV no Brasil e poderia posteriormente agir contra autoridades que, na interpretação dos Estados Unidos, protegessem essas organizações.

“Foi por isso que o Trump declarou o PCC e Comando Vermelho organizações terroristas. Para que pela lei americana ele possa vir com tropas aqui no Brasil, combater aqui dentro PCC e Comando Vermelho. E se o Lula e qualquer autoridade der proteção a essas organizações, vai terminar assim ó, igual Maduro”, afirma.

O advogado também ironiza a defesa da soberania nacional feita pelo governo e pela esquerda diante da pressão dos EUA.

“Por isso que a esquerda está esperneando pela defesa da nossa soberania. Porque eles sabem que o governo americano virá em território brasileiro”, diz.

Assista:

<><>O que é fato e o que não foi comprovado

Um dos elementos citados por Chiquini é que o governo Trump anunciou, em maio, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida formalizada em junho.

Isso, entretanto, não comprova a conclusão apresentada pelo advogado.

A classificação permite aos Estados Unidos adotar medidas como bloqueio de bens, restrições migratórias e punições contra pessoas que forneçam apoio material aos grupos. Não representa, por si só, uma autorização automática para que tropas estadunidenses entrem em outro país.

Chiquini também não apresentou documentos, imagens, nomes, registros oficiais ou qualquer outro elemento verificável que sustente sua afirmação de que integrantes da Delta Force já estejam no Brasil.

A comparação com a Venezuela, porém, ocorre após um precedente recente. Em janeiro deste ano, forças especiais dos EUA realizaram uma operação em Caracas que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua retirada da Venezuela. A ação contou com integrantes da Delta Force e provocou forte reação de governos latino-americanos pela violação da soberania venezuelana.

Lula condenou a operação e alertou para o precedente representado pela intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina.

<><> Aliado de Trump coloca Lula no lugar de Maduro

Como mostrou a Fórum, o deputado estadunidense Carlos Gimenez utilizou justamente uma imagem da captura de Maduro para ameaçar Lula.

Na montagem publicada no X, o presidente brasileiro aparece vendado no lugar do venezuelano. A publicação provocou um “vampetaço”, com brasileiros inundando as respostas ao deputado com imagens do famoso ensaio nu do ex-jogador Vampeta.

Horas antes, Gimenez já havia chamado Lula de “corrupto e criminoso” e responsabilizado o presidente pela deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos.

O ataque foi compartilhado pelo presidente argentino Javier Milei, aliado do bolsonarismo e apoiador de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira.

<><> Escalada de Trump contra o Brasil

As declarações de Chiquini surgem no momento de maior tensão entre Brasília e Washington desde a volta de Trump à Casa Branca.

O governo dos EUA vem acumulando medidas políticas, comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto Lula colocou a defesa da soberania nacional no centro da reação brasileira.

Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou publicamente parte da ofensiva ao processo contra Jair Bolsonaro. Washington também adotou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última semana, a crise atingiu novamente o terreno diplomático. Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos EUA e afirmou que dois funcionários norte-americanos que tiveram vistos negados pretendiam atuar para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, o que Brasília classificou como tentativa de interferência no processo político nacional.

 

Fonte: Fórum

 

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