Grupo
neonazista planejava explodir o Palácio do Planalto com Lula dentro
Polícia
Civil do Distrito Federal (PCDF), em parceria com o Ministério da Justiça e
Segurança Pública (MJSP), desarticulou na última terça-feira (4) um grupo
neonazista que planejava atentados contra o Palácio do Planalto, o Supremo
Tribunal Federal (STF) e o edifício onde ocorreria o debate do 2º turno das
eleições, em Brasília. Os integrantes se articulavam exclusivamente pela
internet, em grupos do Telegram com conteúdo de ódio e instruções para
fabricação de explosivos, sem jamais terem se encontrado presencialmente. A
operação, batizada de Operação Rede Interrompida, cumpriu oito mandados de
busca e apreensão em cinco estados, apreendendo dispositivos eletrônicos,
materiais nazistas e armas. O ministro Wellington César Lima e Silva foi
categórico: “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado
eram atentados sérios.”
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Plano de atentados em Brasília
O grupo
não se limitava a trocar ideias radicais: planejava ataques concretos contra o
coração institucional do país. As conversas monitoradas pelas autoridades
revelam que o principal objetivo era invadir e explodir prédios públicos em
Brasília, com o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, como alvo
prioritário. Os investigadores suspeitam que o objetivo dos criminosos seria
assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre
os planos discutidos, estava também a explosão do edifício onde ocorreria o
debate do 2º turno das eleições. A intenção declarada nas mensagens era “mandar
a partir de Brasília um recado violento e antidemocrático para todo o país”.
A
articulação ocorria em dois grupos do Telegram. O maior reunia mais de 600
integrantes e usava a foto de Adolf Hitler como imagem de perfil. Quem
demonstrava maior radicalização era recrutado para um grupo restrito, com 46
integrantes, onde não se trocavam apenas manifestações de apoio à violência,
mas instruções operacionais. Os investigados compartilhavam manuais de
fabricação de explosivos e coquetéis Molotov, calculavam quantidades de
material e estimavam custos dos ataques. Tinham ainda mapas dos ministérios, do
Congresso Nacional e do STF. O delegado Maurílio Coelho, coordenador de
Inteligência da PCDF, afirmou que o grupo chegou a compartilhar a planta baixa
do Palácio do Planalto para discutir rotas de entrada e saída: “A planta deles
é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui.”
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Ação das autoridades e o Ciberlab
A
investigação foi conduzida pela PCDF em parceria com o MJSP, por meio do
Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos que funciona em uma
sala de acesso restrito em Brasília. O laboratório monitorou as comunicações do
grupo e produziu um relatório que concluiu pelo elevado grau de periculosidade
do conteúdo: planejamento de atos violentos com artefatos explosivos,
disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incitação à violência.
Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos tentavam
ativamente identificar integrantes dispostos a matar.
Na
terça-feira (4), a polícia cumpriu oito mandados de busca e apreensão em oito
cidades de cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio
Grande do Sul. Foram apreendidos computadores, celulares, materiais de
propaganda nazista, facas e armas de fogo. A prioridade da operação foi
recolher dispositivos eletrônicos capazes de indicar o estágio de execução do
plano e verificar se os suspeitos já haviam obtido explosivos. O ministro
Wellington César Lima e Silva destacou que o caso expõe a dimensão do problema:
“A internet representa um número muito expressivo das ocorrências criminais”,
afirmou, ressaltando que o Ciberlab existe justamente para monitorar e
desarticular esse tipo de ameaça antes que se concretize.
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Perfil do grupo e ideologia
Os
investigados são homens jovens, com idades entre 19 e 31 anos, que nunca haviam
se encontrado pessoalmente e construíram toda a sua articulação no ambiente
digital. O relatório do Ciberlab descreveu o conteúdo disseminado nos grupos
como de elevado grau de periculosidade, com planejamento de atos violentos,
disseminação de ideologia neonazista, misoginia, racismo e homofobia. As
mensagens incluíam discursos de ódio contra mulheres e minorias, e os
administradores trabalhavam para identificar quais integrantes estariam
dispostos a ir além das palavras.
Um
delegado envolvido na investigação afirmou que o grupo se dizia “contra o
sistema político como um todo”, sem manifestar apoio explícito a partidos ou
lideranças específicas. Essa autodefinição, porém, não apaga o que o próprio
relatório das autoridades documenta: a ideologia neonazista, o culto à
violência e o ódio sistematizado contra grupos vulneráveis são o núcleo
organizador dessas redes, não um detalhe periférico. O fato de jovens sem
contato presencial chegarem a compartilhar plantas arquitetônicas de prédios
públicos e calcular custos de ataques com explosivos é a medida mais concreta
da radicalização que o ambiente digital pode produzir quando não há
monitoramento e resposta do Estado.
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Implicações e próximos passos
Os
investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição
de material nazista e incitação ao crime. Nesta fase da Operação Rede
Interrompida, não foram expedidos mandados de prisão: a estratégia das
autoridades foi concentrar esforços na coleta de provas digitais para mapear a
estrutura completa do grupo e sua capacidade operacional real. Os computadores
e celulares apreendidos seguem sob análise para determinar se os suspeitos já
haviam avançado da fase de planejamento para a obtenção de explosivos ou outros
materiais.
• Advogado de Filipe Martins diz que Força
Delta dos EUA já está no Brasil para invasão do país
advogado
bolsonarista Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor de Jair Bolsonaro Filipe
Martins, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que integrantes da Delta
Force, unidade de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, já
estariam em território brasileiro. Ele não apresentou provas nem revelou a
origem da suposta informação.
“Ontem
eu recebi uma informação quentíssima que forças Delta já estão em território
brasileiro com inteligência americana”, afirma Chiquini.
O
advogado relacionou a informação que diz ter recebido a uma postagem feita no
domingo (9) pelo deputado republicano estadunidense Carlos Gimenez, aliado de
Donald Trump. O congressista publicou uma montagem em que o rosto do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva aparece no lugar do venezuelano Nicolás Maduro em uma
fotografia feita após sua sequestro por forças dos Estados Unidos.
“O que
o espera… #Brasil”, escreveu Gimenez.
Pouco
antes do vídeo, Chiquini já havia escrito nas redes que a postagem reforçava a
informação que recebera.
“Agora,
vendo essa publicação de um deputado americano fazendo uma montagem do Lula
preso, como Maduro foi, faz ainda mais sentido. Não sabemos quando, mas é muito
possível que Lula tenha o mesmo fim de Maduro. Não é de se duvidar”, afirmou.
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Chiquini fala em repetição do caso Maduro
No
vídeo, Chiquini tenta estabelecer uma sequência entre a atuação dos Estados
Unidos contra Maduro e o que, segundo ele, estaria começando a ocorrer no
Brasil.
“Isso
aqui não é teoria da conspiração não, tá? Essa daqui é a mesma cronologia do
que aconteceu na Venezuela com o Maduro”, diz.
O
advogado cita a decisão do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da
Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e afirma
que isso abriria caminho para tropas norte-americanas atuarem em território
brasileiro.
“É o
que vai começar a acontecer aqui no Brasil. E eu recebi informação que Serviços
de Inteligência americanos já estão em território brasileiro”, declara.
Chiquini
afirma ainda que Washington passaria a combater diretamente PCC e CV no Brasil
e poderia posteriormente agir contra autoridades que, na interpretação dos
Estados Unidos, protegessem essas organizações.
“Foi
por isso que o Trump declarou o PCC e Comando Vermelho organizações
terroristas. Para que pela lei americana ele possa vir com tropas aqui no
Brasil, combater aqui dentro PCC e Comando Vermelho. E se o Lula e qualquer
autoridade der proteção a essas organizações, vai terminar assim ó, igual
Maduro”, afirma.
O
advogado também ironiza a defesa da soberania nacional feita pelo governo e
pela esquerda diante da pressão dos EUA.
“Por
isso que a esquerda está esperneando pela defesa da nossa soberania. Porque
eles sabem que o governo americano virá em território brasileiro”, diz.
Assista:
<><>O
que é fato e o que não foi comprovado
Um dos
elementos citados por Chiquini é que o governo Trump anunciou, em maio, a
classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas
estrangeiras, medida formalizada em junho.
Isso,
entretanto, não comprova a conclusão apresentada pelo advogado.
A
classificação permite aos Estados Unidos adotar medidas como bloqueio de bens,
restrições migratórias e punições contra pessoas que forneçam apoio material
aos grupos. Não representa, por si só, uma autorização automática para que
tropas estadunidenses entrem em outro país.
Chiquini
também não apresentou documentos, imagens, nomes, registros oficiais ou
qualquer outro elemento verificável que sustente sua afirmação de que
integrantes da Delta Force já estejam no Brasil.
A
comparação com a Venezuela, porém, ocorre após um precedente recente. Em
janeiro deste ano, forças especiais dos EUA realizaram uma operação em Caracas
que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua retirada da Venezuela. A
ação contou com integrantes da Delta Force e provocou forte reação de governos
latino-americanos pela violação da soberania venezuelana.
Lula
condenou a operação e alertou para o precedente representado pela intervenção
militar dos Estados Unidos na América Latina.
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Aliado de Trump coloca Lula no lugar de Maduro
Como
mostrou a Fórum, o deputado estadunidense Carlos Gimenez utilizou justamente
uma imagem da captura de Maduro para ameaçar Lula.
Na
montagem publicada no X, o presidente brasileiro aparece vendado no lugar do
venezuelano. A publicação provocou um “vampetaço”, com brasileiros inundando as
respostas ao deputado com imagens do famoso ensaio nu do ex-jogador Vampeta.
Horas
antes, Gimenez já havia chamado Lula de “corrupto e criminoso” e
responsabilizado o presidente pela deterioração das relações entre Brasil e
Estados Unidos.
O
ataque foi compartilhado pelo presidente argentino Javier Milei, aliado do
bolsonarismo e apoiador de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial
brasileira.
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Escalada de Trump contra o Brasil
As
declarações de Chiquini surgem no momento de maior tensão entre Brasília e
Washington desde a volta de Trump à Casa Branca.
O
governo dos EUA vem acumulando medidas políticas, comerciais e diplomáticas
contra o Brasil, enquanto Lula colocou a defesa da soberania nacional no centro
da reação brasileira.
Trump
impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e vinculou publicamente parte
da ofensiva ao processo contra Jair Bolsonaro. Washington também adotou sanções
contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na
última semana, a crise atingiu novamente o terreno diplomático. Os Estados
Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza
Ribeiro Viotti.
O
governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos EUA e afirmou
que dois funcionários norte-americanos que tiveram vistos negados pretendiam
atuar para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, o que Brasília
classificou como tentativa de interferência no processo político nacional.
Fonte:
Fórum

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