segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Master: Vorcaro terá que entregar Flávio Bolsonaro em delação negociada por ex-advogados de Michelle

Classificado como “irmão” no áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) cobra parte do 24 milhões de dólares prometidos ao clã, supostamente para financiar o filme Dark Horse, Daniel Vorcaro terá que entregar a relação com o filho “01” de Jair Bolsonaro e com o presidente do PP, o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), na terceira proposta de delação premiada sobre o escândalo do caso Master.

Para retomar as negociações com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o banqueiro contratou o escritório Bialski Advogados Associados, comandado por Daniel Bialski, que já atuou na defesa de figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro.

A nova proposta, que pretende tirar Vorcaro da cela no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha, terá que incluir novos nomes em relação às outras duas tentativas de acordo, que foram rejeitadas pelos investigadores.

Nos acordos anteriores, Vorcaro tentou blindar Flávio Bolsonaro. No entanto, o áudio e a visita do senador após a primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado, revelaram a relação íntima, tal qual a que o dono do Master mantinha com Ciro Nogueira, a quem tratava como “amigo da vida”.

A exposição da relação com Flávio Bolsonaro e a abertura da investigação sobre o envio de cerca de 10 milhões de dólares para o fundo Havengate, controlado por operadores de Eduardo Bolsonaro nos EUA, obrigam o banqueiro a colocar o senador e o clã Bolsonaro no novo acordo.

<><> Escritório que defendeu Michelle

A divulgação da contratação do escritório Bialski Advogados Associados, comandado por Daniel Bialski, aconteceu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro (PL-SP) anunciou como vice o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que atuou como relator na CPMI do INSS e que, juntamente com o presidente da comissão Carlos Viana (Podemos-MG), manobrou para evitar a convocação de Vorcaro e do pastor da Igreja da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro que aparece como doador de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro e de R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022.

Segundo o jornal Valor Econômico, do grupo Globo, “o objetivo da nova equipe de defesa, formada pelos sócios Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, é organizar todos os elementos para apresentar uma proposta robusta de colaboração” após duas tentativas frustradas do banqueiro de fazer um acordo de delação.

O escritório da tradicional família Bialski tem uma relação próxima com bolsonaristas e defendeu uma figura central do clã, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no caso em ela foi acusada de se apropriar das joias dadas pela Arábia Saudita ao governo brasileiro e que teriam sido vendidas pelo clã.

Daniel Bialski deixou o caso em agosto de 2023, oito dias depois de ser contratado, quando advogados de Jair Bolsonaro assumirem a defesa de Michelle. A PF concluiu em 2024 que Bolsonaro cometeu os crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos na investigação.

No caso de Carla Zambelli, o escritório atuou em diferentes processos, como a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual ela foi condenada.

Já em relação ao ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o escritório fez a defesa no caso em que ele foi acusado de comandar um “gabinete paralelo” de pastores, que teria pago propina em ouro e dentro de Bíblia em um esquema de corrupção na pasta.

Nesse caso, o Ministério Público Federal apontou que houve indícios de vazamento da operação da Polícia Federal contra o ex-ministro da Educação e “possível interferência ilícita por parte do presidente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações”.

•        Protegido por Mendonça, Flávio Bolsonaro acusa alta cúpula do Judiciário de “roubalheira”. Por Antonio Mello

Em evento com líderes empresariais, Flávio Bolsonaro acusou a alta cúpula do Judiciário de "roubalheira" enquanto segue sem responder a questionamentos sobre rachadinhas, mansões e notas fiscais.

eguindo os passos do pai, que acusava a cúpula do Judiciário de persegui-lo, o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro, em discurso num almoço com líderes empresariais amigos foi além e disse textualmente que é perseguido, embora na verdade venha sendo protegido por André Mendonça desde 2020, “porque está divulgando a roubalheira que acontece na mais alta cúpula do Judiciário brasileiro“.

Provavelmente, mais adiante, quando vier a julgamento pelos incontáveis crimes de que já é acusado, dirá como o pai que não tinha como provar a tal “roubalheira”, que era figura de linguagem ou ainda “você sabe como eu sou”… Está arriscado a ainda chamar o ministro relator de seu caso para vice, já que teve tanta dificuldade para encontrar um, a ponto de ter de aceitar um deputado acusado de corrupção e estupro de vulnerável…

O homem que acusa o Judiciário de roubalheira ainda não conseguiu explicar por que funcionários de seu gabinete tinham que entregar 90% dos salários que recebiam.

Não conseguiu explicar como sua loja de chocolates chegava a faturar mais em meses comuns do que na Páscoa, como é usual em todas as lojas de chocolates.

Não conseguiu explicar como conseguiu comprar uma mansão declaradamente por R$6 milhões, mas que vale o dobro pelo menos em avaliação do mercado, com o salário de deputado e senador.

Não conseguiu explicar por que mantinha em seu gabinete a mãe e a mulher do maior matador do Escritório do Crime, gangue miliciana de matadores no Rio de Janeiro.

Não conseguiu explicar o destino dos R$61 milhões de Vorcaro, pretensamente para um filme sobre a vida de seu criminoso pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Não conseguiu explicar o que foi fazer na casa de Vorcaro um dia após ele ser liberto provisoriamente da cadeia, com tornozeleira eletrônica. Por que um senador se arriscaria tanto numa visita comprometedora dessas se não fosse por dinheiro — como afirmou o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto —   ou por, talvez, ameaçar Vorcaro para que não abrisse o bico sobre o dinheiro que acabou vindo à tona pela apreensão dos celulares do dono do banco Master?

Não conseguiu explicar a nota emitida e depois cancelada de R$500 mil para uma empresa chamada Copenhage. A alegação de que não aceitara a proposta de trabalho não se sustenta. Ninguém emite nota por um trabalho que não vai realizar.

Não explicou ainda qual tipo de trabalho exerceu como advogado para receber os R$500 mil da outra nota. Nem para quem foram emitidas e com que finalidades as demais 38, das 41 notas emitidas por seu escritório de advocacia.

Não explicou ainda por que contratou como sua administradora a irmã do sócio e contador do Careca do INSS, acusado de ser o cabeça do sistema de corrupção no Instituto.

Flávio parece seguir à risca a orientação de Steve Bannon: “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é“.

Faz sentido.

•        Com vice alvo de acusação de estupro, Flávio se diz “preparado” em encontro com mulheres

lávio Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (8), em São Paulo, estar “mais do que preparado” para assumir a Presidência da República. A declaração foi feita durante um encontro voltado ao eleitorado feminino, três dias depois de anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice.

“Fui quatro vezes deputado, sou senador há quase oito anos, sendo quatro deles ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Estou mais do que preparado para assumir o comando desse País”, afirmou.

A tentativa de transmitir experiência e segurança ocorre, porém, em um momento em que a candidatura está cercada por investigações e controvérsias envolvendo tanto Flávio quanto seu companheiro de chapa.

Um dos principais focos de desgaste é o caso Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro financiado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio participou diretamente da captação do dinheiro para a produção e admitiu ter procurado Vorcaro em busca dos recursos.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a investigar os repasses, que chegaram a R$ 61 milhões. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção e também deverá verificar se emendas parlamentares de Flávio beneficiaram interesses relacionados ao Banco Master.

O senador nega qualquer irregularidade e sustenta que buscou financiamento privado para um projeto privado.

A escolha de Alfredo Gaspar para a vice também levou uma crise para dentro da chapa. O deputado foi alvo, em março, de uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal por Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), que pediram a apuração de uma acusação de estupro de vulnerável.

Gaspar nega a acusação e reagiu apresentando medidas judiciais contra os dois parlamentares. Também divulgou exames de DNA para contestar a alegação de que seria pai de uma jovem citada no caso.

É nesse cenário que Flávio tenta deslocar o debate para suas propostas de campanha. No evento deste sábado, prometeu declarar “guerra ao narcotráfico”, classificar organizações criminosas como terroristas e colocar o Brasil entre as sete maiores economias do mundo.

O senador também fez acenos às mulheres, com promessas de ampliar o acesso ao microcrédito para empreendedoras e criar uma “central da mulher”, com atendimento presencial e digital para vítimas de violência.

As propostas vieram acompanhadas de ataques ao governo Lula e da promessa de “tirar o Brasil do vermelho”. O discurso busca reforçar sua imagem como alternativa de poder enquanto a chapa enfrenta questionamentos políticos e jurídicos que ameaçam ocupar espaço crescente na campanha.

•        Lula pode escalar Datena para expor denúncias contra Flávio Bolsonaro na campanha

Aliados do presidente Lula estão sugerindo à campanha de reeleição o uso do apresentador José Luiz Datena nos programas eleitorais de 2026, com foco em denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A proposta, ainda sem decisão formal, prevê que Datena explore sua trajetória em programas policiais para apresentar casos negativos envolvendo o candidato bolsonarista ao eleitorado.

A movimentação é uma resposta à intenção da campanha de Flávio de escalar o deputado Alfredo Gaspar (PL) para atacar Lula e pessoas de seu entorno.

Um dos temas que Datena abordaria é a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por fraudes. Vorcaro financiou o filme Dark Horse, o que gerou uma crise no núcleo bolsonarista.

No entorno de Lula, a avaliação é que o apresentador tem credibilidade junto ao público para tratar dessas denúncias de forma convincente nos programas eleitorais.

<><> Resposta à estratégia bolsonarista

A proposta de usar Datena é uma reação direta à articulação da campanha de Flávio Bolsonaro de dar protagonismo ao deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa, durante a propaganda eleitoral.

A ideia dos bolsonaristas é usar o histórico de Gaspar como relator da CPMI do INSS para dar peso a acusações envolvendo pessoas próximas a Lula.

Datena está afastado das telas desde junho, quando deixou a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) para concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PSB de São Paulo nas eleições de 2026.

A sugestão de incluí-lo nos programas eleitorais de Lula ainda não representa uma decisão oficial da campanha, mas já circula entre aliados como uma das apostas para enfrentar a ofensiva bolsonarista na TV.

 

Fonte: Fórum

 

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