segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Crise de 1929: Quando o mundo econômico se choca(Parte II)

CONTINUAÇÃO...

<><> 1934 – Nacionalismos econômicos e blocos monetários antagônicos

O sistema monetário internacional encontrava-se, em 1934, dividido em três áreas distintas, em consequência do abandono definitivo de uma gestão multilateral da crise: o Bloco do Ouro, liderado pela França e integrado por Bélgica, Holanda, Suíça e Itália; a Zona da Libra Esterlina, vinculada ao Reino Unido e aos seus domínios imperiais; e a Zona do Dólar, concentrada principalmente no continente americano e subordinada às políticas de desvalorização cambial e reflacionamento interno dos Estados Unidos.

Enquanto os países que haviam abandonado a paridade-ouro começaram a apresentar os primeiros sinais de recuperação produtiva, as nações pertencentes ao Bloco do Ouro permaneceram vinculadas a uma política de defesa da conversibilidade que impôs sacrifícios significativos às respectivas economias nacionais.

O custo da defesa do ouro traduziu-se, para esses países, em um processo contínuo de deflação e de estagnação da atividade econômica. Sem poder recorrer ao instrumento da desvalorização cambial, os governos desse agrupamento procuraram reequilibrar seus balanços de pagamentos por meio da redução compulsória dos preços internos e dos salários.

Na França, a sobrevalorização do franco em relação às moedas já desvalorizadas atingiu níveis particularmente elevados, provocando uma contração das exportações — que já eram reduzidas — e uma nova queda da renda real. Esse desequilíbrio alimentou a instabilidade financeira e especulativa, obrigando as autoridades monetárias a manter elevadas taxas de juros para impedir a saída de reservas de ouro, agravando, assim, a paralisação dos investimentos industriais.

Nas economias coloniais e periféricas, a evolução econômica foi marcada pela persistência da crise no setor agrícola e pelo agravamento dos termos de troca. Na Índia, a produção de algodão e juta sofreu os efeitos da fraqueza da demanda internacional e da concorrência dos produtos manufaturados estrangeiros, provocando uma queda da renda dos produtores rurais, que continuaram a vender o chamado “ouro da família” para pagar dívidas e impostos, permitindo ao Reino Unido estabilizar suas reservas de ouro às custas da população rural indiana.

Na Austrália, as autoridades promoveram uma complexa reestruturação da dívida agrícola, buscando apoiar os produtores de trigo atingidos pela queda das cotações internacionais e pela impossibilidade de obter novos empréstimos nos mercados de Londres e Nova York.

Na Itália, ao longo de 1934, completou-se a transição para um regime de controle estatal dos câmbios e de centralização das operações cambiais. A contínua perda de reservas do Banco da Itália, que se aproximaram perigosamente do limite de seis bilhões de liras, levou o governo a abandonar a política anterior de relativa liberdade de movimentação de capitais.

Em maio, o ministro Guido Jung introduziu medidas restritivas que condicionavam a compra de divisas estrangeiras à comprovação de necessidades comerciais efetivas, proibindo operações meramente especulativas e a exportação de liras.

Essas medidas foram ainda mais endurecidas em dezembro, quando o Estado instituiu o monopólio do comércio de moedas estrangeiras, confiando essa função ao Istituto Nazionale per i Cambi con l’Estero.

Essa evolução marcou a passagem definitiva para um comércio exterior administrado segundo critérios políticos e burocráticos, estabelecendo as bases do dirigismo econômico que caracterizaria, nos anos seguintes, a atuação do Ministério das Trocas e das Moedas.

A decisão de manter a paridade-ouro da lira obrigou o país a um isolamento crescente dos mercados internacionais, favorecendo a adoção de acordos bilaterais de compensação e o planejamento de uma estrutura produtiva orientada para a autarquia, mais desejada do que efetivamente alcançável, dada a crônica carência italiana de matérias-primas e, ao mesmo tempo, de bens de alta tecnologia para os padrões da época.

<><> 1935–1936 – A Guerra da Etiópia e o colapso definitivo do Bloco do Ouro

Ao longo de 1935, o sistema econômico internacional foi marcado pelo agravamento das tensões no interior do Bloco do Ouro, no qual França e Itália tiveram de suportar o peso da pressão deflacionária que dificultava a recuperação econômica.

As autoridades monetárias desses países encontravam-se impossibilitadas de corrigir os desequilíbrios das contas externas sem recorrer à desvalorização cambial, pois o elevado valor de suas moedas em relação ao dólar e à libra esterlina reduzia ainda mais a competitividade das exportações.

Na França, a sobrevalorização do franco atingiu níveis que provocaram uma nova contração da economia, levando o governo a adotar medidas adicionais de redução dos custos internos, especialmente dos salários, alimentando a instabilidade social.

Na Itália, a contínua perda de reservas do Banco da Itália impôs uma política de forte restrição do crédito, por meio da manutenção de algumas das taxas reais de juros mais elevadas da Europa, agravando, contudo, a estagnação dos investimentos.

O acontecimento que alterou profundamente a orientação da política econômica italiana ocorreu em outubro de 1935, com o início da agressão militar contra a Etiópia.

Essa iniciativa levou à aprovação de sanções econômicas pela Sociedade das Nações, que proibiram a exportação de material bélico para a Itália e a concessão de novos créditos ao país. Embora essas medidas tenham sido apenas parciais — devido à exclusão do petróleo das sanções e à não participação dos Estados Unidos, que não integravam a Sociedade das Nações —, elas provocaram uma redução de 28% das importações italianas ao longo de 1936.

O isolamento comercial acelerou a transição para um regime oficial de autarquia, apresentado pelo regime fascista como uma necessidade para assegurar a independência nacional diante dos bloqueios externos, sobretudo em situações de conflito militar.

A produção industrial e agrícola foi reorganizada em torno da busca de produtos substitutos, como as fibras têxteis artificiais, e da valorização das jazidas nacionais de alumínio e chumbo. Ao mesmo tempo, o Estado impôs o racionamento do consumo e passou a administrar centralizadamente as divisas estrangeiras, destinando-as prioritariamente às importações de interesse militar.

Os fluxos comerciais foram, assim, redirecionados para a Alemanha e para os países da região danubiano-balcânica, onde, por meio da utilização sistemática de acordos bilaterais de compensação, era possível importar matérias-primas, como o petróleo romeno e o carvão alemão, sem necessidade de pagamento em ouro ou em moedas fortes.

O colapso definitivo do Bloco do Ouro, em razão da insustentabilidade das políticas deflacionárias, ocorreu em 1936.

Na França, a vitória da Frente Popular liderada por Léon Blum, em abril, alterou profundamente o cenário político e sindical, caracterizado por greves e reivindicações salariais que aceleraram a fuga de capitais.

Apesar da resistência inicial à desvalorização, o esgotamento das reservas de ouro obrigou o governo francês a suspender a paridade-ouro em setembro de 1936.

Essa decisão arrastou os demais países do bloco, obrigando também a Itália a promover um realinhamento da lira em outubro. Essa medida, conhecida como desvalorização alinhada, ajustou a moeda italiana ao valor do dólar de 1934 por meio de uma redução de 40,94% de seu conteúdo em ouro.

Simultaneamente, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França firmaram o Pacto Tripartite, um acordo informal de estabilização cambial que buscava restabelecer alguma forma de cooperação monetária internacional após o fracasso da Conferência Econômica Mundial de 1933.

Paralelamente às mudanças na política monetária, a Itália promoveu reformas estruturais que transformaram profundamente a relação entre Estado e mercado, convertendo, em 1936, o Instituto da Reconstrução Indudstrial (IRI) em um órgão público permanente.

No mesmo ano foi aprovada a lei bancária que consagrou o fim definitivo do modelo do banco misto e estabeleceu a separação formal entre o crédito de curto prazo, confiado aos bancos de interesse nacional, e o crédito de longo prazo, reservado a instituições especializadas, como o IMI.

Esse novo ordenamento colocou definitivamente o Estado no centro do sistema de intermediação financeira italiano, fornecendo-lhe os instrumentos necessários para financiar a política autárquica.

No recém-criado Império da África Oriental, após o término vitorioso da guerra da Etiópia, foi lançado um amplo programa de investimentos em obras públicas e infraestrutura rodoviária, estimulando a demanda da indústria da construção civil, da indústria mecânica e do setor automobilístico da metrópole, embora à custa de um pesado ônus para o orçamento estatal e para as já precárias reservas nacionais de ouro e divisas.

Nas colônias e nas economias periféricas, o biênio foi marcado por uma recuperação parcial dos preços das matérias-primas.

Na América Latina e na Austrália, a melhora dos termos de troca foi favorecida pela expansão da atividade industrial mundial, relacionada também ao início do processo de rearmamento na Europa.

Os países exportadores de trigo, lã e metais registraram uma redução dos estoques acumulados durante a depressão, beneficiando-se do aumento da demanda, que permitiu estabilizar seus respectivos balanços de pagamentos.

Entretanto, a permanência de blocos comerciais fechados e a centralização das trocas no interior dos respectivos impérios coloniais continuaram a limitar o retorno a um sistema de comércio multilateral.

<><> 1937–1938 – A recessão de Roosevelt e o impulso da economia de guerra

O biênio de 1937–1938 caracterizou-se por uma nova fase de instabilidade que teve origem nos Estados Unidos, interrompendo o processo de recuperação iniciado nos anos anteriores. A desaceleração da economia norte-americana resultou de uma combinação de fatores monetários e fiscais. Ao longo de 1936 e do início de 1937, o Federal Reserve determinou um aumento das exigências de reservas bancárias para evitar excessos especulativos. Essa restrição monetária coincidiu com uma contração dos gastos públicos federais, agravada pelo término dos pagamentos extraordinários aos veteranos da Primeira Guerra Mundial, que haviam sustentado o consumo em 1936. A redução da liquidez provocou uma rápida queda das cotações das ações em Wall Street, em setembro de 1937, e uma forte retração da produção industrial, com os setores siderúrgico e automobilístico registrando reduções de atividade superiores a cinquenta por cento entre agosto e dezembro de 1937. A recessão norte-americana propagou-se aos mercados internacionais por meio de uma nova queda dos preços das matérias-primas extraeuropeias, como algodão, borracha e lã, que sofreram os efeitos da menor demanda dos Estados Unidos.

Enquanto a economia norte-americana recuava, as principais potências europeias registravam crescimento da produção impulsionado por políticas de rearmamento cada vez mais intensas. Na Alemanha, o maciço investimento público no setor bélico e em infraestrutura levou o país a uma condição de pleno emprego, com a taxa de desemprego reduzida para dois por cento em 1938. O Reino Unido iniciou, em 1937, um programa quinquenal de gastos com armamentos no valor de 1,5 bilhão de libras esterlinas, financiado em parte por meio do endividamento. Esse redirecionamento de recursos para a indústria pesada transformou a estrutura produtiva britânica, reduzindo a disponibilidade de recursos para os setores civis e estimulando a produção de carvão e aço. Também na França, após a crise política da Frente Popular, o governo Daladier eliminou as restrições à produção impostas pela semana de trabalho de quarenta horas para favorecer a indústria bélica, obtendo um aumento da atividade manufatureira e o retorno de boa parte dos capitais que estavam no exterior.

Nas economias coloniais e na América Latina, o biênio foi marcado pelo reajuste dos fluxos comerciais. O setor agrícola indiano sofreu os efeitos da nova queda dos preços internacionais, mas a indústria siderúrgica local beneficiou-se do aumento da demanda para fins militares, duplicando o valor das exportações de ferro-gusa. A estabilidade do balanço de pagamentos australiano permaneceu vinculada à melhora da economia da área da libra esterlina, embora tenha sido afetada pela redução da demanda norte-americana por lã. Na América Latina, o Brasil abandonou, em novembro de 1937, as tentativas de estabilização do preço do café, enquanto os processos de industrialização por substituição de importações prosseguiram tanto na Argentina quanto no México, como resposta à continuidade da fragmentação do mercado mundial.

Nesse período, na Itália, o regime deu continuidade a uma política de poder cada vez mais assertiva, manifestada sobretudo no dispendioso apoio militar às forças franquistas na Guerra Civil Espanhola. Beneficiaram-se desse processo os setores ligados à produção bélica e à autarquia, como a indústria pesada e a química de base, liderada pelo grupo Montecatini, que se tornaram os pilares da estrutura produtiva nacional, enquanto os setores voltados aos bens de consumo e às exportações tradicionais permaneceram em uma condição de relativo estancamento. A retomada da produção industrial foi acompanhada por um aumento dos gastos públicos, que levou o déficit efetivo do orçamento estatal a dezesseis por cento da renda nacional em 1937. Essa expansão fiscal, embora tenha favorecido a absorção do desemprego urbano, gerou pressões inflacionárias que corroeram parcialmente o poder de compra dos salários.

<><> 1939 e conclusão – O balanço da década e a transformação do capitalismo

O ano de 1939 representou o ato final de uma década marcada pela desarticulação definitiva da ordem econômica internacional.

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o volume do comércio mundial ainda não havia recuperado os níveis registrados em 1929, evidenciando uma redução da relação entre comércio exterior e produção doméstica em praticamente todas as nações industrializadas. Enquanto a produção manufatureira mundial em 1937 era 19% superior à de 1929, o comércio global permanecia ainda 3% abaixo daquele nível. Sobretudo, a economia mundial encontrava-se fragmentada em blocos monetários e comerciais antagônicos (a área da libra esterlina, o bloco do dólar e as zonas submetidas a regimes autárquicos), com uma parcela das transações reguladas de forma multilateral drasticamente reduzida em relação à década anterior, ao passo que os acordos bilaterais de compensação tornaram-se o principal instrumento de gestão do comércio, especialmente na Europa e na América Latina. A busca, por parte das nações sem grandes impérios coloniais, como Alemanha, Itália e Japão, por ampliar suas áreas de hegemonia econômica acrescentou, assim, mais um fator de conflito às tensões políticas mundiais, que se tornavam cada vez mais evidentes.

Nos Estados Unidos, o New Deal de Roosevelt introduziu formas inéditas de gasto público e de regulação federal, deslocando o centro das decisões econômicas dos mercados privados para os órgãos governamentais.

Na Itália, a transformação do IRI em órgão permanente, em 1937, e a aprovação da Lei Bancária de 1936 colocaram definitivamente o governo no centro do sistema econômico nacional.

Na Alemanha, a política de poder levou ao célebre Plano Quadrienal de Göring, de 1936, cujo objetivo era promover o rearmamento do país e torná-lo autossuficiente, ao mesmo tempo em que fortalecia sua hegemonia econômica na Europa Central e nos Bálcãs.

Também no restante da Europa, a necessidade de sustentar o emprego e acelerar o rearmamento levou os governos à gestão centralizada dos recursos, transformando os gastos militares no principal motor da recuperação produtiva do final da década.

No Japão, o sistema dos zaibatsu, os grandes conglomerados industrial-financeiros de base familiar, expandiu-se, e suas conexões entre si e com o Exército e a Marinha Imperiais intensificaram-se, configurando uma espécie de corporativismo voltado para a expansão territorial no Leste Asiático.

As periferias do sistema econômico global passaram por transformações que alteraram suas relações com os centros industriais. Na América Latina, o colapso das exportações tradicionais e a inadimplência da dívida externa favoreceram a adoção de processos de industrialização por substituição de importações. Países como Brasil, Argentina e México reduziram sua dependência de manufaturados estrangeiros, promovendo o surgimento de bases produtivas nacionais nos setores de bens de consumo e da indústria pesada. Paralelamente, nas colônias fortaleceram-se os movimentos em favor da autonomia econômica, alimentados pelo descontentamento das populações rurais atingidas pela queda dos preços agrícolas. Na Índia, a crise agrária proporcionou uma base social mais ampla ao Congresso Nacional, que, sob a liderança de Nehru, passou a reivindicar o direito de conduzir as políticas fiscal e monetária em função das necessidades internas, e não das do Império Britânico.

A crise de 1929 marcou, portanto, o declínio do capitalismo liberal de matriz oitocentista, fundamentado na livre circulação de mercadorias e capitais e no automatismo do padrão-ouro. Essa arquitetura, que havia garantido a estabilidade econômica no período anterior a 1914, mostrou-se incapaz de resistir às tensões nacionalistas e aos desequilíbrios estruturais decorrentes da Primeira Guerra Mundial. A desglobalização foi resultado do colapso do mercado internacional de capitais e da adoção sistemática de barreiras alfandegárias destinadas a proteger os mercados internos, enquanto o ideal de um mercado único orientado pelos preços e pela concorrência foi substituído por políticas de regulação e controle que buscavam transferir, tanto quanto possível, para o exterior os custos do ajuste econômico.

O legado mais duradouro desse período foi a afirmação da intervenção direta do Estado na economia, que deixou de ser uma medida emergencial para assumir uma função estrutural, desenvolvendo-se plenamente nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial: de um lado, no interior de uma nova estrutura de regras e organismos internacionais criada pela potência vencedora norte-americana na Conferência de Bretton Woods; de outro, no sistema planificado do socialismo real do bloco soviético.

Observando, porém, os dados da tabela apresentada acima, é possível arriscar uma afirmação: em alguns países, a recuperação econômica foi efetivamente impulsionada pela corrida ao rearmamento no final da década de 1930. Os países neutros, como Bélgica, Suíça e Países Baixos, registraram ao final do período aumentos do PIB em relação a 1929 extremamente modestos; os Estados Unidos, apesar das obras públicas do New Deal, permaneceram inclusive abaixo daquele nível. Em contrapartida, Itália e, sobretudo, Alemanha conseguiram alcançar um crescimento do PIB de dois dígitos, embora à custa de economias exauridas e profundamente desequilibradas, razão pela qual foram quase obrigadas a expandir sua hegemonia. A Grã-Bretanha e a França ingressaram mais tarde nessa corrida, mas a primeira pôde contar com a exploração de seu vasto império colonial para superar a crise — império que Hitler pretendia, de fato, “replicar” no Leste Europeu.

Isso suscita uma questão: a Guerra Fria, que começou poucos anos após o término da Segunda Guerra Mundial, foi realmente uma necessidade político-ideológica ou também teve fortes motivações econômicas? As ambições expansionistas de Stalin foram amplamente exageradas pelo “Medo Vermelho” norte-americano, como também indicam os próprios documentos soviéticos posteriormente desclassificados.

As célebres palavras de Eisenhower sobre o complexo militar-industrial levam à reflexão.

 

Fonte: La Storia e le Idee | Tradução: Lucas Scatolini, em Outras Palavras

 

Nenhum comentário: