Crise
de 1929: Quando o mundo econômico se choca(Parte II)
CONTINUAÇÃO...
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1934 – Nacionalismos econômicos e blocos monetários antagônicos
O
sistema monetário internacional encontrava-se, em 1934, dividido em três áreas
distintas, em consequência do abandono definitivo de uma gestão multilateral da
crise: o Bloco do Ouro, liderado pela França e integrado por Bélgica, Holanda,
Suíça e Itália; a Zona da Libra Esterlina, vinculada ao Reino Unido e aos seus
domínios imperiais; e a Zona do Dólar, concentrada principalmente no continente
americano e subordinada às políticas de desvalorização cambial e
reflacionamento interno dos Estados Unidos.
Enquanto
os países que haviam abandonado a paridade-ouro começaram a apresentar os
primeiros sinais de recuperação produtiva, as nações pertencentes ao Bloco do
Ouro permaneceram vinculadas a uma política de defesa da conversibilidade que
impôs sacrifícios significativos às respectivas economias nacionais.
O custo
da defesa do ouro traduziu-se, para esses países, em um processo contínuo de
deflação e de estagnação da atividade econômica. Sem poder recorrer ao
instrumento da desvalorização cambial, os governos desse agrupamento procuraram
reequilibrar seus balanços de pagamentos por meio da redução compulsória dos
preços internos e dos salários.
Na
França, a sobrevalorização do franco em relação às moedas já desvalorizadas
atingiu níveis particularmente elevados, provocando uma contração das
exportações — que já eram reduzidas — e uma nova queda da renda real. Esse
desequilíbrio alimentou a instabilidade financeira e especulativa, obrigando as
autoridades monetárias a manter elevadas taxas de juros para impedir a saída de
reservas de ouro, agravando, assim, a paralisação dos investimentos
industriais.
Nas
economias coloniais e periféricas, a evolução econômica foi marcada pela
persistência da crise no setor agrícola e pelo agravamento dos termos de troca.
Na Índia, a produção de algodão e juta sofreu os efeitos da fraqueza da demanda
internacional e da concorrência dos produtos manufaturados estrangeiros,
provocando uma queda da renda dos produtores rurais, que continuaram a vender o
chamado “ouro da família” para pagar dívidas e impostos, permitindo ao Reino
Unido estabilizar suas reservas de ouro às custas da população rural indiana.
Na
Austrália, as autoridades promoveram uma complexa reestruturação da dívida
agrícola, buscando apoiar os produtores de trigo atingidos pela queda das
cotações internacionais e pela impossibilidade de obter novos empréstimos nos
mercados de Londres e Nova York.
Na
Itália, ao longo de 1934, completou-se a transição para um regime de controle
estatal dos câmbios e de centralização das operações cambiais. A contínua perda
de reservas do Banco da Itália, que se aproximaram perigosamente do limite de
seis bilhões de liras, levou o governo a abandonar a política anterior de
relativa liberdade de movimentação de capitais.
Em
maio, o ministro Guido Jung introduziu medidas restritivas que condicionavam a
compra de divisas estrangeiras à comprovação de necessidades comerciais
efetivas, proibindo operações meramente especulativas e a exportação de liras.
Essas
medidas foram ainda mais endurecidas em dezembro, quando o Estado instituiu o
monopólio do comércio de moedas estrangeiras, confiando essa função ao Istituto
Nazionale per i Cambi con l’Estero.
Essa
evolução marcou a passagem definitiva para um comércio exterior administrado
segundo critérios políticos e burocráticos, estabelecendo as bases do dirigismo
econômico que caracterizaria, nos anos seguintes, a atuação do Ministério das
Trocas e das Moedas.
A
decisão de manter a paridade-ouro da lira obrigou o país a um isolamento
crescente dos mercados internacionais, favorecendo a adoção de acordos
bilaterais de compensação e o planejamento de uma estrutura produtiva orientada
para a autarquia, mais desejada do que efetivamente alcançável, dada a crônica
carência italiana de matérias-primas e, ao mesmo tempo, de bens de alta
tecnologia para os padrões da época.
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1935–1936 – A Guerra da Etiópia e o colapso definitivo do Bloco do Ouro
Ao
longo de 1935, o sistema econômico internacional foi marcado pelo agravamento
das tensões no interior do Bloco do Ouro, no qual França e Itália tiveram de
suportar o peso da pressão deflacionária que dificultava a recuperação
econômica.
As
autoridades monetárias desses países encontravam-se impossibilitadas de
corrigir os desequilíbrios das contas externas sem recorrer à desvalorização
cambial, pois o elevado valor de suas moedas em relação ao dólar e à libra
esterlina reduzia ainda mais a competitividade das exportações.
Na
França, a sobrevalorização do franco atingiu níveis que provocaram uma nova
contração da economia, levando o governo a adotar medidas adicionais de redução
dos custos internos, especialmente dos salários, alimentando a instabilidade
social.
Na
Itália, a contínua perda de reservas do Banco da Itália impôs uma política de
forte restrição do crédito, por meio da manutenção de algumas das taxas reais
de juros mais elevadas da Europa, agravando, contudo, a estagnação dos
investimentos.
O
acontecimento que alterou profundamente a orientação da política econômica
italiana ocorreu em outubro de 1935, com o início da agressão militar contra a
Etiópia.
Essa
iniciativa levou à aprovação de sanções econômicas pela Sociedade das Nações,
que proibiram a exportação de material bélico para a Itália e a concessão de
novos créditos ao país. Embora essas medidas tenham sido apenas parciais —
devido à exclusão do petróleo das sanções e à não participação dos Estados
Unidos, que não integravam a Sociedade das Nações —, elas provocaram uma
redução de 28% das importações italianas ao longo de 1936.
O
isolamento comercial acelerou a transição para um regime oficial de autarquia,
apresentado pelo regime fascista como uma necessidade para assegurar a
independência nacional diante dos bloqueios externos, sobretudo em situações de
conflito militar.
A
produção industrial e agrícola foi reorganizada em torno da busca de produtos
substitutos, como as fibras têxteis artificiais, e da valorização das jazidas
nacionais de alumínio e chumbo. Ao mesmo tempo, o Estado impôs o racionamento
do consumo e passou a administrar centralizadamente as divisas estrangeiras,
destinando-as prioritariamente às importações de interesse militar.
Os
fluxos comerciais foram, assim, redirecionados para a Alemanha e para os países
da região danubiano-balcânica, onde, por meio da utilização sistemática de
acordos bilaterais de compensação, era possível importar matérias-primas, como
o petróleo romeno e o carvão alemão, sem necessidade de pagamento em ouro ou em
moedas fortes.
O
colapso definitivo do Bloco do Ouro, em razão da insustentabilidade das
políticas deflacionárias, ocorreu em 1936.
Na
França, a vitória da Frente Popular liderada por Léon Blum, em abril, alterou
profundamente o cenário político e sindical, caracterizado por greves e
reivindicações salariais que aceleraram a fuga de capitais.
Apesar
da resistência inicial à desvalorização, o esgotamento das reservas de ouro
obrigou o governo francês a suspender a paridade-ouro em setembro de 1936.
Essa
decisão arrastou os demais países do bloco, obrigando também a Itália a
promover um realinhamento da lira em outubro. Essa medida, conhecida como
desvalorização alinhada, ajustou a moeda italiana ao valor do dólar de 1934 por
meio de uma redução de 40,94% de seu conteúdo em ouro.
Simultaneamente,
Estados Unidos, Grã-Bretanha e França firmaram o Pacto Tripartite, um acordo
informal de estabilização cambial que buscava restabelecer alguma forma de
cooperação monetária internacional após o fracasso da Conferência Econômica
Mundial de 1933.
Paralelamente
às mudanças na política monetária, a Itália promoveu reformas estruturais que
transformaram profundamente a relação entre Estado e mercado, convertendo, em
1936, o Instituto da Reconstrução Indudstrial (IRI) em um órgão público
permanente.
No
mesmo ano foi aprovada a lei bancária que consagrou o fim definitivo do modelo
do banco misto e estabeleceu a separação formal entre o crédito de curto prazo,
confiado aos bancos de interesse nacional, e o crédito de longo prazo,
reservado a instituições especializadas, como o IMI.
Esse
novo ordenamento colocou definitivamente o Estado no centro do sistema de
intermediação financeira italiano, fornecendo-lhe os instrumentos necessários
para financiar a política autárquica.
No
recém-criado Império da África Oriental, após o término vitorioso da guerra da
Etiópia, foi lançado um amplo programa de investimentos em obras públicas e
infraestrutura rodoviária, estimulando a demanda da indústria da construção
civil, da indústria mecânica e do setor automobilístico da metrópole, embora à
custa de um pesado ônus para o orçamento estatal e para as já precárias
reservas nacionais de ouro e divisas.
Nas
colônias e nas economias periféricas, o biênio foi marcado por uma recuperação
parcial dos preços das matérias-primas.
Na
América Latina e na Austrália, a melhora dos termos de troca foi favorecida
pela expansão da atividade industrial mundial, relacionada também ao início do
processo de rearmamento na Europa.
Os
países exportadores de trigo, lã e metais registraram uma redução dos estoques
acumulados durante a depressão, beneficiando-se do aumento da demanda, que
permitiu estabilizar seus respectivos balanços de pagamentos.
Entretanto,
a permanência de blocos comerciais fechados e a centralização das trocas no
interior dos respectivos impérios coloniais continuaram a limitar o retorno a
um sistema de comércio multilateral.
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1937–1938 – A recessão de Roosevelt e o impulso da economia de guerra
O
biênio de 1937–1938 caracterizou-se por uma nova fase de instabilidade que teve
origem nos Estados Unidos, interrompendo o processo de recuperação iniciado nos
anos anteriores. A desaceleração da economia norte-americana resultou de uma
combinação de fatores monetários e fiscais. Ao longo de 1936 e do início de
1937, o Federal Reserve determinou um aumento das exigências de reservas
bancárias para evitar excessos especulativos. Essa restrição monetária
coincidiu com uma contração dos gastos públicos federais, agravada pelo término
dos pagamentos extraordinários aos veteranos da Primeira Guerra Mundial, que
haviam sustentado o consumo em 1936. A redução da liquidez provocou uma rápida
queda das cotações das ações em Wall Street, em setembro de 1937, e uma forte
retração da produção industrial, com os setores siderúrgico e automobilístico
registrando reduções de atividade superiores a cinquenta por cento entre agosto
e dezembro de 1937. A recessão norte-americana propagou-se aos mercados
internacionais por meio de uma nova queda dos preços das matérias-primas
extraeuropeias, como algodão, borracha e lã, que sofreram os efeitos da menor
demanda dos Estados Unidos.
Enquanto
a economia norte-americana recuava, as principais potências europeias
registravam crescimento da produção impulsionado por políticas de rearmamento
cada vez mais intensas. Na Alemanha, o maciço investimento público no setor
bélico e em infraestrutura levou o país a uma condição de pleno emprego, com a
taxa de desemprego reduzida para dois por cento em 1938. O Reino Unido iniciou,
em 1937, um programa quinquenal de gastos com armamentos no valor de 1,5 bilhão
de libras esterlinas, financiado em parte por meio do endividamento. Esse
redirecionamento de recursos para a indústria pesada transformou a estrutura
produtiva britânica, reduzindo a disponibilidade de recursos para os setores
civis e estimulando a produção de carvão e aço. Também na França, após a crise
política da Frente Popular, o governo Daladier eliminou as restrições à
produção impostas pela semana de trabalho de quarenta horas para favorecer a
indústria bélica, obtendo um aumento da atividade manufatureira e o retorno de
boa parte dos capitais que estavam no exterior.
Nas
economias coloniais e na América Latina, o biênio foi marcado pelo reajuste dos
fluxos comerciais. O setor agrícola indiano sofreu os efeitos da nova queda dos
preços internacionais, mas a indústria siderúrgica local beneficiou-se do
aumento da demanda para fins militares, duplicando o valor das exportações de
ferro-gusa. A estabilidade do balanço de pagamentos australiano permaneceu
vinculada à melhora da economia da área da libra esterlina, embora tenha sido
afetada pela redução da demanda norte-americana por lã. Na América Latina, o
Brasil abandonou, em novembro de 1937, as tentativas de estabilização do preço
do café, enquanto os processos de industrialização por substituição de
importações prosseguiram tanto na Argentina quanto no México, como resposta à
continuidade da fragmentação do mercado mundial.
Nesse
período, na Itália, o regime deu continuidade a uma política de poder cada vez
mais assertiva, manifestada sobretudo no dispendioso apoio militar às forças
franquistas na Guerra Civil Espanhola. Beneficiaram-se desse processo os
setores ligados à produção bélica e à autarquia, como a indústria pesada e a
química de base, liderada pelo grupo Montecatini, que se tornaram os pilares da
estrutura produtiva nacional, enquanto os setores voltados aos bens de consumo
e às exportações tradicionais permaneceram em uma condição de relativo
estancamento. A retomada da produção industrial foi acompanhada por um aumento
dos gastos públicos, que levou o déficit efetivo do orçamento estatal a
dezesseis por cento da renda nacional em 1937. Essa expansão fiscal, embora
tenha favorecido a absorção do desemprego urbano, gerou pressões inflacionárias
que corroeram parcialmente o poder de compra dos salários.
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1939 e conclusão – O balanço da década e a transformação do capitalismo
O ano
de 1939 representou o ato final de uma década marcada pela desarticulação
definitiva da ordem econômica internacional.
Às
vésperas da Segunda Guerra Mundial, o volume do comércio mundial ainda não
havia recuperado os níveis registrados em 1929, evidenciando uma redução da
relação entre comércio exterior e produção doméstica em praticamente todas as
nações industrializadas. Enquanto a produção manufatureira mundial em 1937 era
19% superior à de 1929, o comércio global permanecia ainda 3% abaixo daquele
nível. Sobretudo, a economia mundial encontrava-se fragmentada em blocos
monetários e comerciais antagônicos (a área da libra esterlina, o bloco do
dólar e as zonas submetidas a regimes autárquicos), com uma parcela das
transações reguladas de forma multilateral drasticamente reduzida em relação à
década anterior, ao passo que os acordos bilaterais de compensação tornaram-se o
principal instrumento de gestão do comércio, especialmente na Europa e na
América Latina. A busca, por parte das nações sem grandes impérios coloniais,
como Alemanha, Itália e Japão, por ampliar suas áreas de hegemonia econômica
acrescentou, assim, mais um fator de conflito às tensões políticas mundiais,
que se tornavam cada vez mais evidentes.
Nos
Estados Unidos, o New Deal de Roosevelt introduziu formas inéditas de gasto
público e de regulação federal, deslocando o centro das decisões econômicas dos
mercados privados para os órgãos governamentais.
Na
Itália, a transformação do IRI em órgão permanente, em 1937, e a aprovação da
Lei Bancária de 1936 colocaram definitivamente o governo no centro do sistema
econômico nacional.
Na
Alemanha, a política de poder levou ao célebre Plano Quadrienal de Göring, de
1936, cujo objetivo era promover o rearmamento do país e torná-lo
autossuficiente, ao mesmo tempo em que fortalecia sua hegemonia econômica na
Europa Central e nos Bálcãs.
Também
no restante da Europa, a necessidade de sustentar o emprego e acelerar o
rearmamento levou os governos à gestão centralizada dos recursos, transformando
os gastos militares no principal motor da recuperação produtiva do final da
década.
No
Japão, o sistema dos zaibatsu, os grandes conglomerados
industrial-financeiros de base familiar, expandiu-se, e suas conexões entre si
e com o Exército e a Marinha Imperiais intensificaram-se, configurando uma
espécie de corporativismo voltado para a expansão territorial no Leste Asiático.
As
periferias do sistema econômico global passaram por transformações que
alteraram suas relações com os centros industriais. Na América Latina, o
colapso das exportações tradicionais e a inadimplência da dívida externa
favoreceram a adoção de processos de industrialização por substituição de
importações. Países como Brasil, Argentina e México reduziram sua dependência
de manufaturados estrangeiros, promovendo o surgimento de bases produtivas
nacionais nos setores de bens de consumo e da indústria pesada. Paralelamente,
nas colônias fortaleceram-se os movimentos em favor da autonomia econômica,
alimentados pelo descontentamento das populações rurais atingidas pela queda
dos preços agrícolas. Na Índia, a crise agrária proporcionou uma base social
mais ampla ao Congresso Nacional, que, sob a liderança de Nehru, passou a
reivindicar o direito de conduzir as políticas fiscal e monetária em função das
necessidades internas, e não das do Império Britânico.
A crise
de 1929 marcou, portanto, o declínio do capitalismo liberal de matriz
oitocentista, fundamentado na livre circulação de mercadorias e capitais e no
automatismo do padrão-ouro. Essa arquitetura, que havia garantido a
estabilidade econômica no período anterior a 1914, mostrou-se incapaz de
resistir às tensões nacionalistas e aos desequilíbrios estruturais decorrentes
da Primeira Guerra Mundial. A desglobalização foi resultado do colapso do
mercado internacional de capitais e da adoção sistemática de barreiras
alfandegárias destinadas a proteger os mercados internos, enquanto o ideal de
um mercado único orientado pelos preços e pela concorrência foi substituído por
políticas de regulação e controle que buscavam transferir, tanto quanto
possível, para o exterior os custos do ajuste econômico.
O
legado mais duradouro desse período foi a afirmação da intervenção direta do
Estado na economia, que deixou de ser uma medida emergencial para assumir uma
função estrutural, desenvolvendo-se plenamente nas décadas posteriores à
Segunda Guerra Mundial: de um lado, no interior de uma nova estrutura de regras
e organismos internacionais criada pela potência vencedora norte-americana na
Conferência de Bretton Woods; de outro, no sistema planificado do socialismo
real do bloco soviético.
Observando,
porém, os dados da tabela apresentada acima, é possível arriscar uma afirmação:
em alguns países, a recuperação econômica foi efetivamente impulsionada pela
corrida ao rearmamento no final da década de 1930. Os países neutros, como
Bélgica, Suíça e Países Baixos, registraram ao final do período aumentos do PIB
em relação a 1929 extremamente modestos; os Estados Unidos, apesar das obras
públicas do New Deal, permaneceram inclusive abaixo daquele nível.
Em contrapartida, Itália e, sobretudo, Alemanha conseguiram alcançar um
crescimento do PIB de dois dígitos, embora à custa de economias exauridas e
profundamente desequilibradas, razão pela qual foram quase obrigadas a expandir
sua hegemonia. A Grã-Bretanha e a França ingressaram mais tarde nessa corrida,
mas a primeira pôde contar com a exploração de seu vasto império colonial para
superar a crise — império que Hitler pretendia, de fato, “replicar” no Leste
Europeu.
Isso
suscita uma questão: a Guerra Fria, que começou poucos anos após o término da
Segunda Guerra Mundial, foi realmente uma necessidade político-ideológica ou
também teve fortes motivações econômicas? As ambições expansionistas de Stalin
foram amplamente exageradas pelo “Medo Vermelho” norte-americano, como
também indicam os próprios documentos soviéticos posteriormente
desclassificados.
As
célebres palavras de Eisenhower sobre o complexo militar-industrial levam à
reflexão.
Fonte:
La Storia e le Idee | Tradução: Lucas Scatolini, em Outras Palavras

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