Guerra
com Irã leva militares dos EUA a pedir desligamento
O
médico militar Taylor Highland decidiu que deixaria as Forças Armadas dos Estados Unidos quando EUA e
Israel lançaram seus primeiros ataques contra o Irã, há quase seis meses. Para ele, o estopim foi o míssil
que atingiu uma escola de meninas no sul do país e que, segundo
Teerã, deixou mais de 150 mortos.
Em
entrevista à emissora pública alemã ARD, Highland, médico do Exército há dez
anos, afirmou que passou a questionar o papel de sua profissão dentro da atual
estrutura e estratégia militar americana. Agora, tenta obter o reconhecimento
formal como objetor de consciência para deixar a instituição. Trata-se do
direito legal de um cidadão de recusar o serviço militar com base em convicções
de natureza religiosa, moral ou ética.
Segundo
ele, os danos causados a civis e militares em conflitos armados passaram a ser
tratados de forma banal.
"Eu
ajudava as pessoas a se recuperarem, mas, no fim, o objetivo era que estivessem
aptas novamente para serem alvejadas ou para alvejar outras pessoas",
disse à ARD. O nome verdadeiro do militar foi omitido pela reportagem.
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EUA não divulgam números oficiais
A
legislação americana permite que integrantes das Forças Armadas deixem o
serviço como objetores de consciência, embora o processo costume ser demorado.
Trata-se de um caminho semelhante ao adotado por milhares de pessoas que
buscaram evitar o serviço militar durante a Guerra do Vietnã.
Os
números atuais não são divulgados oficialmente, mas Highland afirma conhecer ao
menos 12 pessoas que seguiram o mesmo caminho e diz que o tema tem se tornado
cada vez mais comum entre oficiais. Segundo a ARD, a organização americana GI
Rights Hotline, que orienta militares sobre seus direitos, registrou um aumento
expressivo na procura por informações sobre como deixar o serviço.
O que
antes se limitava a alguns telefonemas por semana se transformou em contatos
diários. Em março, primeiro mês do conflito, a entidade recebeu 80 novos casos,
o dobro do que costuma registrar em um ano inteiro.
"Quase
todos mencionam o ataque à escola de meninas e dizem: 'não quero fazer parte de
uma organização que faz algo assim'", afirmou à emissora Bill Galvin,
representante da entidade.
Além da
guerra contra o Irã, o uso de militares em operações controversas, como o amplo
emprego da Guarda Nacional em cidades americanas para proteger agentes e
prédios federais de manifestações contra as políticas migratórias da Casa
Branca, também tem sido citado entre as preocupações.
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Casa Branca vive impasse na guerra
Embora
os números identificados pela reportagem representem apenas uma pequena fração
do efetivo militar americano, que supera 1 milhão de integrantes, o movimento é
visto como um sinal do momento vivido pelas Forças Armadas dos EUA, divididas
entre ampliar as ofensivas contra o Irã ou consolidar um acordo.
Desde o
início da guerra, o presidente Donald Trump tem alternado ameaças de escalada
militar com sinais de abertura ao diálogo. Em diferentes momentos, prometeu
ataques mais duros contra o Irã e, pouco depois, sugeriu que uma solução
negociada estaria próxima.
Segundo
o jornal The New York Times, aliados dos Estados Unidos avaliam que
a guerra caminha para uma derrota estratégica. A preocupação é que Washington
tenha demonstrado dificuldade para converter sua superioridade militar em
ganhos concretos no campo político, ficando longe dos objetivos traçados para a
campanha.
Apesar
dos danos aos programas nuclear e de mísseis, o Irã mantém capacidade militar
relevante, continua influenciando o tráfego no Estreito de Ormuz e não alterou
sua estrutura de poder.
Reportagem
da CNN indica que o impasse levou um oficial do comando militar americano a
solicitar ideias "criativas e não
convencionais" a
outros integrantes das Forças Armadas.
"Estamos
procurando maneiras novas, criativas e não convencionais de pressionar e punir
o Irã", escreveu um integrante do setor de inteligência do Comando Central
dos EUA (Centcom) a um grupo de analistas militares, segundo fontes ouvidas
pela emissora.
De
acordo com a CNN, o militar criou uma lista de discussão por e-mail para
reavaliar a estratégia americana, iniciativa considerada incomum dentro da
estrutura do comando. Trump também tem sugerido novas operações controversas,
como a possibilidade de uma incursão terrestre em território iraniano.
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Esgotamento do estoque de mísseis
Nesta
semana, uma reportagem da agência de notícias
Reuters informou
que os Estados Unidos enfrentam um esgotamento de seus estoques de mísseis de
longo alcance e alta precisão. Duas fontes ouvidas pela agência disseram que
Washington utilizou "praticamente todos" os mísseis ATACMS e
Precision Strike Missile (PrSM) disponíveis para a campanha.
Já
segundo a CNN, os militares americanos teriam consumido quase 80% de seu
estoque de interceptadores THAAD. O Washington Post informou
ainda que a escassez de armamentos levou Trump a cancelar novos ataques contra
o Irã, apesar de ter ameaçado ampliar a ofensiva.
Os
números teriam sido debatidos internamente nos últimos dias, durante discussões
sobre por quanto tempo Washington conseguiria manter ataques ao Irã sem
comprometer sua capacidade militar.
Ainda
segundo o Post, Trump cobrou explicações do secretário de Defesa,
Pete Hegseth, sobre a falta de munições durante uma reunião de gabinete.
Na
quinta-feira, porém, o presidente afirmou que o país dispõe de grandes estoques
de armamentos e ameaçou com penas de prisão integrantes do governo que
divulgassem informações sobre uma suposta escassez de munições.
No
mesmo dia, Trump disse a jornalistas que acredita que a guerra com o Irã
terminará em breve, embora tenha reconhecido dificuldades no fornecimento de
alguns armamentos. Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano
negou que existam negociações em andamento com Washington.
Para
Highland, as incertezas em torno do conflito fazem com que muitos colegas
enxerguem a guerra com ceticismo. Pelo menos 18 militares americanos morreram
até o momento. "Eles não estão totalmente convencidos dos motivos que
levaram a essa guerra. Isso torna mais difícil justificar tudo o que está
ligado às ações de um conflito", disse o militar à ARD.
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Pentágono pede "ideias criativas" para derrotar
Irã
Com um
estoque cada vez mais limitado de armamentos, os Estados Unidos buscam novas
formas de pressionar o Irã na guerra que já dura cinco meses. Segundo uma
reportagem da CNN, um alto oficial do comando militar americano enviou um email
a seus pares pedindo ideias "criativas e não convencionais" para
resolver o impasse no conflito.
"Estamos
procurando maneiras novas, criativas e não convencionais de pressionar e punir
o Irã", escreveu um oficial do setor de inteligência do Comando Central
dos EUA (Centcom) a um grupo de analistas militares, segundo fontes ouvidas
pela emissora.
De
acordo com a CNN, o militar abriu um grupo de discussão por e-mail para
reavaliar a estratégia americana, algo incomum dentro da estrutura do comando.
À
emissora, o porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, afirmou que o órgão
"tem uma longa história de pensar e trabalhar de formas inovadoras".
"O almirante Cooper, em particular, busca contribuições de membros da
equipe independentemente da patente para alcançar os mais altos níveis de
desempenho operacional", disse.
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Entre a escalada e o acordo
A
revisão ocorre enquanto a Casa Branca oscila entre ampliar a ofensiva militar e tentar
alcançar um acordo. Desde o início da guerra, o presidente americano Donald Trump tem alternado ameaças de escalada com
sinais de abertura ao diálogo. Em diversos momentos, prometeu ataques mais
duros contra o Irã para, pouco depois, sugerir que uma saída negociada estaria
próxima.
Esse
movimento voltou a ficar evidente nos últimos dias. Após ameaçar novos ataques,
Trump passou a sustentar que um entendimento poderia ser alcançado rapidamente e
incluir a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos principais
focos da disputa. O padrão tem se repetido ao longo das últimas semanas, com
ataques e contra-ataques seguidos por declarações contraditórias sobre
cessar-fogo e negociações.
Na
terça-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à CNBC que
Washington mantinha conversas com Teerã e que um acordo poderia ser
alcançado em questão de dias. O governo iraniano, porém, nega que negociações
estejam em andamento. Na terça-feira, um projétil atingiu um navio cargueiro no
Estreito de Ormuz.
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Estoques de mísseis preocupam militares
A busca
por alternativas ocorre em meio ao desgaste do arsenal americano. Segundo a
agência de noticias Reuters, os Estados Unidos já consumiram grande parte de
seus estoques de mísseis de longo alcance e alta precisão durante os cinco
meses de guerra. Duas fontes ouvidas pela agência afirmaram que Washington
utilizou "praticamente todos" os mísseis ATACMS e Precision Strike
Missile (PrSM) disponíveis para a campanha.
O
esgotamento dos estoques preocupa setores do governo e das Forças Armadas
porque pode limitar a capacidade de resposta dos EUA em outras crises,
incluindo eventuais confrontos com Rússia ou China. Segundo a Reuters, os
números foram discutidos internamente nos últimos dias durante debates sobre
por quanto tempo Washington conseguiria manter ataques ao Irã sem comprometer
sua prontidão militar.
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Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza aceito pelo
Hamas
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou
publicamente neste domingo (09/08) o plano de 15 pontos anunciado pelo
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e
divulgado pelo Conselho de Paz para avançar para a segunda fase do cessar-fogo
com o Hamas.
Netanyahu
disse que Israel não vai retirar
suas tropas da Faixa de Gaza até que o grupo palestino seja de fato desarmado.
Nesta semana, o Hamas anunciou que havia aceitado o plano de Trump.
"Vou
ser claro: Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de
Israel (FDI) não se retirarão até que o Hamas se desarme. E quando digo
desarmar o Hamas, refiro-me a todas as suas armas: as pesadas, as menos
pesadas, todas. Estamos falando de um desarmamento real, não de um fictício”,
afirmou Netanyahu em uma mensagem em vídeo no início de uma reunião de
gabinete.
Além
disso, Netanyahu acrescentou que seus aliados americanos têm algumas
"ideias inaceitáveis" para Israel, às quais devem "se
opor", e disse estar dialogando com eles.
Após o
anúncio de Trump do plano de 15 pontos no último dia 30 de julho, um
membro da Casa Branca disse que o presidente americano ficaria "muito,
muito decepcionado" se Israel não cumprisse sua parte.
No
entanto, Netanyahu afirmou neste domingo que a "existência de Israel e a
segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação",
numa rara refutação pública contra Trump, com quem o israelense
mantém uma aliança estreita.
"Mantemo-nos
firmes nestes interesses", frisou Netanyahu, que enfrenta uma dura batalha
pela reeleição em outubro e uma rebelião de membros da ultradireita da sua base
contra o acordo sobre Gaza.
"Enquanto
eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino será criado, nem na
Cisjordânia nem em Gaza. Nem 'Fatahistão' nem 'Hamastão'", reiterou neste
domingo Netanyahu, numa referência às duas principais facções políticas
palestinas - o secular Fatah e o Hamas.
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Um golpe no acordo de "paz"
No dia
30 de julho, Trump anunciou que seu Conselho de Paz, organismo idealizado pelo
presidente para implementar o plano, havia chegado a um acordo para o
desarmamento total do Hamas e de outros grupos da Faixa de Gaza, algo que ele
classificou como um "acordo histórico" que permitiria avançar para a
segunda fase do cessar-fogo.
No dia
seguinte, o Hamas anunciou que havia aderido ao plano, mas que sua
implementação dependeria de Israel cumprir primeiro seus compromissos.
Esse
novo plano, baseado em um roteiro de 15 pontos, tinha como objetivo reativar o
plano inicial de "paz" de 20 pontos e obrigava Israel a se
comprometer com o que foi assinado em outubro de 2025 durante o Protocolo de
Sharm el-Sheikh (Egito), incluindo a "cessação das operações
militares" em Gaza.
O
documento, etapa final de um cessar-fogo impulsionado pelos Estados Unidos,
prevê que o Hamas entregue suas armas a uma autoridade palestina ainda
incipiente encarregada de governar o território.
O plano
ainda estabelecia que Israel começaria a retirar suas forças em paralelo ao
desarmamento, pelo menos, até o traçado original da chamada "linha
amarela", quando Israel controlava militarmente 53% da Faixa de Gaza e não
mais do que 65%, como ocorre atualmente.
Operações de Israel em Gaza mataram 1.257
palestinos desde outubro do ano passado, quando as duas partes chegaram a um
cessar-fogo respaldado por Trump, segundo o Ministério da Saúde do território,
que opera sob autoridade do Hamas e cujos dados são considerados confiáveis pela
ONU.
Embora
o Hamas tenha aceitado oficialmente o plano
de 15 pontos,
os líderes islâmicos condicionaram seu desarmamento à retirada total de Israel
da Faixa de Gaza e alertaram que, se Israel não cumprisse o acordado, eles
também não o fariam.
Esse
novo acordo se baseava em uma implementação gradual e recíproca, conforme
declarou o presidente Trump, mas no último dia 3 de agosto, após uma reunião
entre Netanyahu e o representante do Conselho de Paz, Nikolay Mladenov, o órgão
publicou na rede social X que, "ao contrário de relatos imprecisos, a
retirada das Forças de Defesa de Israel para além da linha amarela só ocorrerá
após a conclusão do desarmamento" do Hamas.
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Hamas pede para que Trump pressione Israel
Após a
negativa de Netanyahu, o Hamas apelou hoje a Washington para que pressione o
primeiro-ministro israelense a rever a rejeição.
"Esperamos
que os mediadores e o garantidor americano pressionem Netanyahu e o seu governo
para que respeitem o roteiro e não impeçam o processo por razões de política
interna ou eleitoral", afirmou um responsável do grupo à agência noticiosa
France-Presse (AFP).
O Hamas
ainda informou ao Conselho de Paz, liderado por Trump, que continuava
comprometido com a última fase do plano, pela qual os membros do grupo
entregariam as armas a um comitê de governo palestino no território.
"O
Hamas e outras facções confirmaram aos mediadores sua disposição de começar a
aplicar o acordo e passar à segunda fase, desde que recebam a aprovação
israelense e que Israel comece a implementar o acordo", disse uma
autoridade do grupo palestino.
Segundo
a mesma fonte, que falou sob condição de anonimato, o grupo islamista
"insta a administração americana a exercer pressão sobre Israel para
obrigá-lo a cumprir o acordo e passar à segunda fase”.
Fonte:
DW Brasil

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