segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Trump retoma a velha estratégia de estrangular a Revolução Cubana para impor uma mudança de regime

Donald Trump voltou a apertar o cerco contra Cuba. Não se trata de um episódio isolado nem de uma simples divergência diplomática. A nova ofensiva faz parte de uma estratégia de reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos sobre a América Latina e o Caribe, retomando a velha política de sufocar qualquer país que insista em trilhar um caminho independente.

Ao mesmo tempo em que recrudesce o bloqueio econômico, Trump anunciou a criação de uma força-tarefa da CIA dedicada a Cuba. A iniciativa remete imediatamente aos primeiros anos da Revolução Cubana, quando Washington organizou operações destinadas a derrubar o novo governo, culminando na fracassada invasão mercenária da Praia Girón, em 1961. Mudam os métodos, muda a linguagem, mas permanece o objetivo: impor uma mudança de regime em Havana.

Paralelamente, a Casa Branca anunciou um novo pacote de sanções contra Cuba, atingindo oito generais e cinco entidades estatais. Entre os sancionados está o general Álvaro López Miera, ministro das Forças Armadas Revolucionárias.

Também foram incluídos o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, os responsáveis pelos departamentos de Relações Exteriores e de Economia do Exército, além dos adidos militares cubanos na Rússia e na China.

O pretexto é a cooperação militar de Cuba com Rússia e China e a aquisição de equipamentos militares. O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, acusa Havana de utilizar suas Forças Armadas e seus serviços de inteligência para espionar os Estados Unidos e servir de plataforma para operações da Rússia, da China e do Irã.

As sanções seguem o relatório do Departamento de Estado, divulgado em 20 de julho, intitulado Cuba: a capital do comunismo do século XXI, que procura justificar o endurecimento das medidas ao alegar que a ilha mantém parcerias estratégicas com Rússia e China para obtenção de equipamentos militares, tecnologia de vigilância e outras capacidades de defesa.

Mas é inevitável perguntar: de que ameaça estamos falando?

Cuba mal consegue enfrentar seus próprios problemas econômicos. Convive com apagões frequentes, escassez de combustíveis, dificuldades no transporte público e enormes limitações para importar alimentos, medicamentos e matérias-primas. O próprio bloqueio imposto pelos Estados Unidos impede a chegada de petróleo para abastecer e movimentar a economia cubana.

Fica evidente que a suposta ameaça cubana não é militar. Trata-se de uma ameaça ideológica. O que Washington não aceita é a existência, a poucas milhas de seu território, de um país que insiste em preservar sua soberania e seu sistema político apesar de mais de seis décadas de bloqueio.

Sem condições políticas ou militares para uma invasão direta — que teria consequências imprevisíveis e elevado custo internacional —, a estratégia passa a ser outra: estrangular economicamente a ilha até provocar o colapso de sua economia e forçar uma mudança de regime.

Esse bloqueio ultrapassa, há muito tempo, qualquer justificativa política. Ele pune indiscriminadamente toda a população cubana. Ao impedir transações financeiras, intimidar empresas e ameaçar qualquer país que mantenha relações comerciais com Cuba, transforma alimentos, medicamentos, combustíveis e equipamentos essenciais em instrumentos de pressão política.

Trata-se de uma política que atinge diretamente milhões de pessoas e que, por seus efeitos sobre a população civil, pode ser caracterizada como uma grave violação dos direitos humanos. É uma forma de punição coletiva incompatível com os princípios do direito internacional e reiteradamente condenada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Diante dessa nova escalada, cabe aos povos do mundo reforçar a solidariedade internacional com Cuba. Da voz de Silvio Rodríguez ao cidadão comum, a resistência do povo cubano continua sendo um símbolo de dignidade.

É hora de ampliar a mobilização internacional para exigir o fim desse bloqueio implacável. As Nações Unidas já condenaram essa política inúmeras vezes. Falta transformar essa condenação moral em ação política efetiva. O bloqueio deve terminar. Não apenas em defesa de Cuba, mas em defesa do direito dos povos à soberania, à autodeterminação e à paz.

¨      CIA cria ‘força-tarefa secreta’ em Cuba para influenciar povo e derrubar governo, diz jornal

A agência de espionagem norte-americana CIA tem criado secretamente uma força-tarefa para impulsionar o envio de mais agentes, além de recursos financeiros, humanos e técnicos para Cuba, tendo como objetivo exercer ainda mais pressão sobre a ilha, refém de uma das maiores crises humanitárias devido às históricas sanções dos Estados Unidos, além do cerco energético imposto pelo presidente Donald Trump. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times nesta quarta-feira (05/08).

“A força-tarefa começou a adicionar oficiais de caso que recrutam e gerenciam espiões, analistas de inteligência, oficiais que conduzem operações cibernéticas e oficiais especializados em operações de influência secreta”, informou o veículo, de acordo com fontes informadas sobre a ação.

Já de acordo com o site Politico, as movimentações “podem prenunciar ações que vão desde uma operação militar dos Estados Unidos em Cuba até esforços intensificados para virar oficiais cubanos ou cidadãos comuns contra o regime” do presidente Miguel Díaz-Canel, em meio a um descontentamento local provocado por uma crise que, por sua vez, é fomentada por Washington.

O NYT recordou que em 1960, a CIA promoveu uma invasão fracassada à ilha, mais conhecida como Baía dos Porcos. No entanto, desta vez, em vez de contar com parceiros cubanos organizados, trata-se, a priori, de um trabalho norte-americano que adota a tática de “criar fissuras entre a elite política cubana”, pressionar as pessoas a substituírem os políticos antiamericanos por “líderes mais práticos e mais receptivos às exigências de Trump”.

“As intenções aqui não são surpresa, já que Cuba há muito tempo é alvo dos esforços da CIA em espionagem, subversão e desestabilização, incluindo terrorismo”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, ao The Times

A ação da CIA coincide com os esforços intensificados das agências de inteligência dos EUA para obter uma melhor compreensão da situação em Cuba, conforme o NYT. Recentemente, Washington tem enviado mais recursos de inteligência à ilha socialista. No documento conhecido como Marco Nacional de Prioridades de Inteligência (NIPF, na sigla em inglês), cada gestão norte-americana tende a estabelecer as prioridades de coleta de inteligência.

No caso da recente, a gestão Trump designa Cuba como uma “Prioridade 1” da NIPF. Nessa mesma categoria, estão outros países como China, Irã e Rússia. Por essa razão, as agências de inteligência norte-americanas começaram a direcionar mais ativos de coleta de inteligência, incluindo satélites, conforme a NYT.

“A inteligência ajudará o exército dos EUA a atualizar suas opções para uma possível ação militar contra Cuba, caso Trump opte por esse caminho. Antes do aumento de informações, oficiais militares e de inteligência dos EUA reclamavam de informações desatualizadas; a nova inteligência lhes dará uma melhor noção das intenções, capacidades militares e defesas cubanas”, relata o veículo.

Por sua vez, oficiais da força-tarefa contra Cuba podem buscar informações internas sobre as atividades dos líderes cubanos e, eventualmente, a agência pode divulgar publicamente dados para tentar influenciar a opinião pública local.

Em maio deste ano, Trump enviou seu diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana para se encontrar com Raúl G. Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro. Na ocasião, Washington advertiu a liderança cubana a realizar reformas estruturais para não virar “a próxima Venezuela” que, em 3 de janeiro, foi invadida pelas forças norte-americanas, o que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro.

¨      China entrega cinco mil sistemas fotovoltaicos a Cuba em meio ao bloqueio energético dos EUA

A China entregou na última sexta-feira (07/08) a Cuba um novo lote de cinco mil sistemas fotovoltaicos, destinados principalmente ao abastecimento de residências rurais e serviços considerados essenciais. A iniciativa busca ampliar a geração de energia solar e contribuir para a transição energética da ilha.

Durante a cerimônia realizada no Ministério do Comércio Exterior e do Investimento Estrangeiro, em Havana, o embaixador chinês Hua Xin afirmou que Pequim pretende manter o apoio ao setor energético cubano.

“A China continuará apoiando Cuba no caminho para alcançar a soberania energética e trabalhará lado a lado para construir uma comunidade de futuro compartilhado mais estreita entre China e Cuba”, declarou.

O embaixador chinês afirmou que os equipamentos são um presente do povo chinês para contribuir com o bem-estar da população e fortalecer a geração de energia em 169 municípios cubanos. Xin afirmou ainda que a iniciativa é uma homenagem ao líder histórico da Revolução, Fidel Castro.

Este é o segundo lote de equipamentos fotovoltaicos enviado por Pequim à ilha. Em novembro de 2025, os dois países anunciaram a doação de outros cinco mil sistemas, elevando para 10 mil o total de estruturas entregues.

A nova remessa chega em um momento de forte deterioração do sistema elétrico cubano. A ilha registrou seis apagões nacionais em 2026, enquanto enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento de combustíveis necessários à geração de eletricidade. Segundo autoridades cubanas, a crise é agravada pelas restrições impostas pelo embargo dos Estados Unidos.

¨      Gustavo Porras: Nicarágua terá eleições, mas golpistas e defensores de sanções não poderão disputar cargos

O presidente da Assembleia Nacional da Nicarágua, Gustavo Porras, reafirmou que o país continuará realizando eleições com a participação de diferentes partidos políticos, dentro de um sistema definido pelas leis nacionais e pelos interesses do povo nicaraguense.

“Vai haver eleições, sim. Há diferentes partidos políticos”, afirmou Porras durante entrevista à TN8, na qual explicou os principais alcances das reformas constitucionais relacionadas ao modelo eleitoral.

O presidente do Parlamento esclareceu que a proposta não limita a participação por razões ideológicas, mas estabelece impedimentos para aqueles que tenham atuado contra a ordem constitucional, a soberania e a estabilidade do país.

“Mas os nicaraguenses honestos, independentemente de seu pensamento político, podem participar”, afirmou.

<><> Reformas para preservar a paz na Nicarágua

Porras explicou que as mudanças buscam impedir que pessoas vinculadas a ações golpistas, a pedidos de intervenção estrangeira ou a campanhas por sanções contra a Nicarágua utilizem os processos eleitorais para tentar chegar ao poder.

“Os que já começaram a lançar suas candidaturas são golpistas, traidores da pátria, vivem pedindo intervenção em nosso país e aplaudem as sanções contra o Estado, contra as instituições e contra os cidadãos nicaraguenses. Ou seja, esses não podem ser candidatos. Como isso poderia acontecer?”, declarou.

Nessa perspectiva, as reformas pretendem fortalecer um modelo eleitoral soberano, no qual a participação política permaneça aberta aos nicaraguenses que atuem dentro da Constituição e respeitem a independência e a autodeterminação nacional.

“Porque precisamos de estabilidade, precisamos de segurança e precisamos de paz. E vai haver democracia, obviamente. Há democracia. A democracia do povo nicaraguense”, sustentou Porras.

A proposta reafirma, assim, a continuidade das eleições e do pluralismo político, ao mesmo tempo em que estabelece limites para aqueles que apoiem ações que afetem o Estado, suas instituições e a população nicaraguense.

¨      Keiko usa pior crise de segurança do Peru em 25 anos para aproximar o país do Escudo de Trump

O Peru atravessa sua pior crise de segurança desde o conflito armado interno vivido entre 1980 e 2000, com números que refletem um alarmante agravamento da situação: os homicídios passaram de 1.000 em 2018 para 2.600 em 2025, enquanto as denúncias de extorsão — um dos crimes que mais afetam a população — saltaram de 3.200 para 26.500 no mesmo período.

Diante desse cenário, a nova presidente, Keiko Fujimori, que tomou posse em 28 de julho com a promessa de adotar uma política de mão dura contra o crime, manifestou sua intenção de incorporar o país ao Escudo das Américas, a aliança regional impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O chanceler Carlos Espá, durante uma cerimônia na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Lima, confirmou que “continuaremos os avanços alcançados com nossa incorporação ao Escudo das Américas” e destacou que uma de suas prioridades será “o combate frontal à insegurança pública e à corrupção”.

Espá, que anteriormente atuou como funcionário da embaixada dos Estados Unidos em Lima, acrescentou que o governo aprofundará “as excelentes relações com os Estados Unidos, um parceiro, aliado e amigo estratégico”, e fortalecerá a cooperação com os países vizinhos e outros parceiros para combater a criminalidade.

O Peru, com 34 milhões de habitantes, é um dos principais produtores mundiais de cocaína e território de atuação de organizações internacionais do narcotráfico. No âmbito do Escudo das Américas, os países-membros coordenam o intercâmbio de informações e a cooperação judicial e policial para enfrentar o crime organizado transnacional.

O embaixador dos Estados Unidos em Lima, Bernie Navarro, apoiou a iniciativa:

“A presidente foi clara. Ela quer que o país seja membro do Escudo das Américas e, com isso, enfrentaremos a criminalidade, os grupos transnacionais e os cartéis que assolam o país.”

Além disso, o chanceler Espá lembrou a assinatura, em maio passado, em Santiago do Chile, de um compromisso regional com Argentina, Chile, Bolívia e Equador para combater a criminalidade transfronteiriça, em um contexto no qual todos esses países enfrentam o avanço de organizações criminosas internacionais, como o Tren de Aragua.

Fujimori, por sua vez, prepara “uma série de medidas para fortalecer a segurança pública”, segundo um comunicado da Presidência, e anunciou em seu discurso de posse que os militares liderarão o combate ao crime para recuperar o controle interno em áreas afetadas por extorsão, narcotráfico e mineração ilegal.

¨      Kast amplia poder repressivo do Estado sob discurso de combate ao crime no Chile

José Antonio Kast, o presidente ultradireitista do Chile, anunciou em 5 de agosto que promoverá uma “agenda contra o crime organizado e o terrorismo” (ACOT), com 30 projetos de lei para dar ao Estado mais poder no combate à criminalidade, constitucionalizando que a segurança é um dever do Estado, endurecendo as penas, o controle migratório e o regime penitenciário para impedir que as quadrilhas operem a partir das prisões.

“Hoje damos um passo adicional para recuperar a segurança em nosso país, que marcará um antes e um depois, tal como nos comprometemos durante a campanha.

Vamos perseguir, capturar, julgar e condenar todos aqueles que buscam destruir nossa sociedade. Seremos implacáveis. Não haverá desculpas nem tréguas”, disse em pronunciamento em cadeia nacional.

Mantendo seu habitual discurso punitivista, continuou dizendo que “a mensagem é clara e direta: os chilenos vão recuperar sua liberdade, e os criminosos e narcotraficantes a perderão para sempre.

Pela primeira vez, o Estado dirá em sua própria Constituição que proteger seu povo não é apenas mais uma opção, mas uma obrigação. Será um mandato que nenhum governo, de qualquer orientação política, poderá ignorar”.

Também prometeu uma espécie de impunidade para a atuação repressiva, ao afirmar que “o carabineiro, o policial, o agente penitenciário ou integrante de qualquer um dos ramos das Forças Armadas que atue em legítima defesa, protegendo sua própria vida ou a de terceiros, não será tratado pela lei como se fosse o criminoso”.

Fiel a essa postura, na manhã de 6 de agosto compareceu a uma operação policial, onde disse aos agentes: “vocês são o que há de mais importante em nossa pátria, sempre foram e isso foi reconhecido pela população”.

“Quero dizer a vocês que a situação mudou. (…) O Chile descansa sobre suas forças policiais e eu queria agradecer por fazerem bem o trabalho, de acordo com a lei, mas sempre com a força da lei. Sintam o apoio de todos nós; estaremos ao lado de vocês e, juntos, vamos recuperar nossa pátria.”

No país vigora uma lei que estabelece a “defesa privilegiada” para os policiais que fazem uso de armas de fogo, presumindo que agiram de forma justificada e com necessidade racional de defender sua própria vida ou a de terceiros diante de uma agressão.

A agenda inclui tipificar como crime a participação em uma organização criminosa, com penas agravadas; e buscará atingir o patrimônio dessas organizações por meio do confisco e da destruição de seus bens.

Ele falou em “perseguir sem descanso”, para o que haverá um efetivo policial permanente nos 50 bairros mais críticos do país.

“Vamos perseguir aqueles que comandam uma quadrilha, seus auxiliares, encobridores, cúmplices e testas de ferro, um por um. Ninguém vai se esconder atrás de um menor de idade, de um advogado ou de um endereço falso”, afirmou.

Continua após o anúncio

Também buscará ampliar o prazo de flagrante de 12 para 24 horas, período durante o qual a polícia poderá deter suspeitos sem ordem judicial, além de “ampliar a detenção de imigrantes em situação irregular e a capacidade de expulsão efetiva de quem não tem direito de permanecer no Chile”.

 

Fonte: Por Paulo Cannabrava Filho, em Diálogos do Sul Global/Cubadebate

 

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