A
56 dias da eleição, o desafio de cumprir a lei contra o clã Bolsonaro
Quantas
vezes o ministro Alexandre de Moraes já não ouviu o conselho de fazer vista
grossa para os sucessivos atos de desrespeito dos Bolsonaro às medidas
restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao chefe do clã?
Julgado, condenado e preso em sua residência por tentativa de golpe de Estado,
abolição violenta do Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio
histórico, ele segue sob a mira da Corte.
Punir
tais atos, a essa altura, só beneficiará a candidatura de Flávio Bolsonaro à
Presidência da República — é o que Moraes escuta em silêncio e, às vezes,
rebate. Em tese, não cabe a ele, nem a nenhum juiz na aplicação de penas, levar
em conta a conjuntura política. Se algo, à luz das leis, requer punição, não o
fazer beneficiaria diretamente o infrator.
Ao ser
autorizado a cumprir em regime domiciliar parte dos seus 27 anos e três meses
de prisão, Jair Bolsonaro ficou sujeito a medidas cautelares determinadas pelo
tribunal. As principais e mais recentes são:
# Uso
obrigatório de tornozeleira eletrônica;
#
Obrigação de permanecer em tempo integral em sua residência oficial em
Brasília;
#
Impedimento absoluto de utilizar qualquer rede social, seja por contas
próprias, de terceiros ou por meio de canais de seus filhos;
#
Proibição de portar ou utilizar aparelhos celulares, diretamente ou por
intermédio de assessores, o que resultou na busca e apreensão de aparelhos em
seu endereço;
#
Proibição de receber visitas sem autorização prévia do STF, abrindo exceção
apenas para seus advogados constituídos, médicos e moradores da própria
residência;
#
Obrigação de entregar todas as armas registradas em seu nome às autoridades.
Apesar
das ordens, Bolsonaro valeu-se de uma solda para livrar-se da tornozeleira
eletrônica. Além disso, manifestou-se diversas vezes sobre assuntos políticos
nas redes sociais por meio de perfis de terceiros. Ele também guardava em casa
uma arma com defeito, que acabou apreendida pela polícia quando foi enviada
para reparos. Para completar, um vídeo feito com Inteligência Artificial
mostrou o político pedindo votos para Flávio na convenção do Partido Liberal
(PL).
Em
resposta às transgressões, Moraes suspendeu as visitas a Bolsonaro durante 30
dias e, no caso de Flávio, até o fim das eleições. Ontem, sua decisão foi
reafirmada ao ser provocado por um pedido da defesa para que o condenado
recebesse a visita dos filhos no Dia dos Pais.
Moraes
fez bem ou mal ao agir assim? Flávio se beneficiará politicamente disso? É o
que mais importa a 56 dias do primeiro turno das próximas eleições? Ou as leis
valem para todos, ou elas simplesmente não deveriam existir.
• Sem Jair, família Bolsonaro terá 5 nomes
na disputa nas Eleições 2026
A
família Bolsonaro estará em peso nas urnas para a disputa eleitoral de 2026.
Com exceção de Jair e Eduardo Bolsonaro, ambos inelegíveis, cinco integrantes
do clã vão concorrer ao pleito, para cargos na Presidência da República, Senado
Federal e Câmara dos Deputados.
Todos
os postulantes são filiados ao Partido Liberal. Neste pleito, as novidades são
os nomes da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que disputará uma vaga no
Senado pelo Distrito Federal, e de Rogéria Bolsonaro (RJ), mãe de Flávio
Bolsonaro, que tentará uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Jair
Renan Bolsonaro, que é vereador de Balneário Camboriú (SC), vai concorrer, pela
primeira vez, a um cargo de âmbito nacional. Ele se lançou como candidato a
deputado federal por Santa Catarina.
Outros
velhos conhecidos da família tentarão alcançar voos maiores. O senador Flávio
Bolsonaro (RJ) é o candidato do PL à Presidência. Ele é o principal adversário
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A
pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (5/8) mostra o petista com 44%
das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o parlamentar, que
tem 39%.
A
diferença entre os dois é de 5 pontos percentuais. Em julho, o atual presidente
tinha 45%, e Flávio, 37%, uma vantagem de oito pontos para o chefe do Planalto.
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Veja
quem da família Bolsonaro irá concorrer
• Flávio Bolsonaro — Senador é o candidato
do PL à Presidência da República. Ele está em segundo lugar nas pesquisas.
• Michelle Bolsonaro — Ex-primeira-dama
concorrerá a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
• Rogéria Bolsonaro — Mãe de Flávio
Bolsonaro entrou na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
• Carlos Bolsonaro — Ex-vereador, o filho
03 do ex-presidente disputará o Senado pelo PL-SC.
• Renan Bolsonaro — Vereador de Balneário
Camboriú, ele tentará uma cadeira na Câmara.
Além de
familiares, outra pessoa ligada diretamente à família que estará na disputa é o
cunhado de Bolsonaro:
• Carlos Eduardo Torres — Irmão de criação
de Michelle Bolsonaro se candidatou a deputado distrital.
• Flávio Bolsonaro reúne aliados e prepara
onda de críticas ao STF
O
pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, realiza nesta
terça-feira (11), em Brasília, uma reunião com candidatos ao Senado apoiados
por ele para alinhar diretrizes estratégicas da disputa eleitoral. O principal
objetivo do encontro é orientar os aliados a levarem e intensificarem, em suas
campanhas estaduais, o discurso de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF),
uma das principais bandeiras do grupo político liderado por seu pai, Jair
Bolsonaro (PL), segundo reportagem do jornal O Globo.
A
ofensiva sobre a composição do Congresso Nacional é tratada como prioridade
pelo grupo do PL. No ano passado, antes de ser preso, Jair Bolsonaro chegou a
defender publicamente que a eleição para o Poder Legislativo era, para o seu
grupo político, até mais importante do que a disputa pela Presidência da
República. O foco estratégico baseia-se no fato de o Senado Federal ser a Casa
responsável por processar e julgar eventuais pedidos de impeachment de
ministros da Corte Suprema.
A
expectativa da campanha de Flávio Bolsonaro é reunir cerca de 50 candidatos,
englobando nomes do próprio PL e de siglas do centrão. No encontro na capital
federal, o presidenciável pretende alinhar estratégias, gravar conteúdos
individuais e em grupo para distribuição nas redes sociais e organizar agendas
conjuntas para o período de campanha.
Flávio
cobrará dos postulantes ao Senado que associem diretamente suas candidaturas à
disputa presidencial e atuem como multiplicadores de suas mensagens nos
estados. A intenção do comando da campanha é aproveitar a capilaridade e as
estruturas locais desses aliados para organizar viagens, reunir apoiadores e
manter a candidatura presidencial presente em regiões onde Flávio Bolsonaro não
conseguirá estar com frequência durante os pouco mais de 40 dias de campanha.
O
Senado adquiriu peso central na estratégia bolsonarista por ter 54 de suas 81
cadeiras em disputa no pleito deste ano, todas para mandatos de oito anos. Além
da prerrogativa constitucional de apreciar e votar as indicações para o Supremo
feitas pelo presidente da República, cabe exclusivamente ao Senado processar e
julgar ministros do tribunal em casos previstos na Constituição. Nos últimos
anos, aliados de Jair Bolsonaro têm defendido medidas para limitar os poderes
do STF e apresentado sucessivos pedidos de impeachment contra integrantes da
Corte, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes.
A
orientação de engajamento na campanha presidencial deverá alcançar também
candidatos de partidos que optaram por não integrar formalmente a coligação
nacional, mas que apoiam Flávio Bolsonaro individualmente. É o caso de
Guilherme Derrite, candidato ao Senado pelo PP em São Paulo. A federação
formada por PP e União Brasil optou pela neutralidade na corrida ao Palácio do
Planalto, mas Derrite estará presente no encontro com Flávio e incorporará a
candidatura presidencial à sua própria plataforma no estado.
Na
semana passada, Flávio Bolsonaro divulgou uma lista prévia com 47 candidatos ao
Senado que pretende apoiar, mas a expectativa do comando eleitoral é
ultrapassar 50 nomes na reunião desta terça-feira. Os materiais gravados no
evento servirão de insumo para serem veiculados na propaganda eleitoral e no
ambiente digital das campanhas estaduais.
• Novo marqueteiro de Flávio tira o
sobrenome “Bolsonaro” e cria novo slogan
A
campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República
ganhou uma nova identidade visual e um novo slogan. “O Brasil vai vencer” foi
criado pelo marqueteiro Duda Lima, que assumiu a comunicação da candidatura há
apenas 11 dias. Ele é o terceiro profissional a comandar o marketing da
campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo
Duda, o conceito do slogan foi desenvolvido a partir da letra “V”, presente no
nome Flávio. A identidade visual utiliza as cores verde e amarelo, em uma
referência à identidade nacional e ao discurso de compromisso com o país.
“O
Brasil vai vencer” deverá ser incorporado às peças de propaganda institucional
da campanha. Em materiais que circulam internamente no PL, o candidato aparece
apenas como “Flávio”. O sobrenome Bolsonaro é deixado de fora.
A
mudança ocorre após uma sequência de trocas na equipe responsável pela
comunicação da candidatura. Antes de Duda Lima, Alexandre Oltramari e Eduardo
Fischer comandaram o marketing de Flávio. Eles deixaram a equipe em julho, após
cerca de dois meses em meio a uma reconfiguração na estratégia de comunicação
do Partido Liberal (PL).
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Saída de Marcellão foi marcada por crise
O
primeiro marqueteiro da campanha, Marcello Lopes, conhecido como Marcellão,
deixou a equipe em maio de 2026, em meio a uma crise de comunicação relacionada
ao chamado “Caso Dark Horse”, além de pressões internas no PL e de um episódio
de descontrole ocorrido no quartel-general da campanha.
A crise
ganhou força após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de áudios e
mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro nos quais o senador teria pedido
recursos ao então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o
filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A
atuação de Marcellão na resposta à crise passou a ser criticada por aliados do
candidato. Segundo relatos de bastidores, integrantes da campanha consideraram
a reação demorada e a estratégia de comunicação insuficiente para conter os
efeitos políticos das revelações.
Outro
fator de desgaste foi a existência de documentos que apontavam Marcellão como
estrategista de uma campanha digital anteriormente contratada por Vorcaro para
fazer críticas ao Banco Central. A relação levantou questionamentos sobre um
possível conflito de interesses no momento em que o nome de Vorcaro passou a
ocupar o centro de uma crise envolvendo a campanha.
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Pressão dentro do PL
A saída
de Marcellão também ocorreu em um ambiente de crescente pressão interna. A ala
mais pragmática do Partido Liberal, sob coordenação nacional de Rogério
Marinho, já defendia mudanças na estrutura de comunicação da candidatura antes
mesmo de o caso envolvendo o filme ganhar maiores proporções.
O
marqueteiro também enfrentava dificuldades de integração com a estrutura
oficial da campanha. Segundo relatos de bastidores, sua proximidade pessoal e
política com Flávio contribuía para disputas internas por espaço e para
divergências com setores da organização eleitoral.
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Episódio no QG teria selado demissão
O
episódio que teria precipitado a saída de Marcellão ocorreu no Lago Sul, em
Brasília. A versão divulgada inicialmente era de que o publicitário havia
deixado a campanha para se dedicar a questões familiares.
Posteriormente,
porém, relatos publicados pela revista Veja apontaram que a saída teria sido
provocada por um episódio de descontrole no quartel-general da campanha.
Segundo
esses relatos, Marcellão teria ficado irritado com suspeitas de que integrantes
da própria equipe estariam repassando informações negativas sobre seu currículo
e sobre a campanha à imprensa. Durante o episódio, ele teria gritado com
integrantes da equipe, apontado o dedo para assessores, dado socos em uma mesa
de vidro e quebrado objetos.
Diante
da situação, Flávio Bolsonaro teria decidido pela demissão imediata do
publicitário.
• Apoio de Milei a Flávio Bolsonaro
aumenta chance de voto em Lula, aponta Quaest
apoio
do presidente da Argentina, Javier Milei, à candidatura de Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) à Presidência da República aumenta a possibilidade de voto em Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) para 34% dos brasileiros. O dado faz parte de um novo
recorte da pesquisa Genial/Quaest divulgado na última semana.
Segundo
o levantamento, 27% dos entrevistados afirmaram que o endosso de Milei aumenta
a possibilidade de votarem em Flávio Bolsonaro. Outros 17% disseram que a
manifestação do presidente argentino eleva a chance de escolherem outro
candidato que não seja nem Lula nem o senador do PL.
Para
16%, o apoio de Milei não altera a preferência eleitoral. Outros 6% não
souberam responder ou não responderam.
O
impacto do apoio argentino também varia entre grupos de eleitores. Entre
aqueles que não votaram, votaram em branco ou anularam o voto no segundo turno
de 2022, 35% afirmaram que o posicionamento de Milei aumenta a possibilidade de
escolherem um candidato diferente de Lula e Flávio Bolsonaro.
Nesse
mesmo grupo, 22% disseram que o apoio do presidente argentino aumenta a
possibilidade de votarem em Lula, enquanto 15% afirmaram que a manifestação
eleva a chance de optarem por Flávio Bolsonaro.
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Maioria desconhece apoio de Milei
A
pesquisa também questionou os entrevistados sobre o conhecimento a respeito do
apoio de Javier Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro. A maioria, 55%,
afirmou não saber que o presidente argentino havia declarado apoio ao senador.
Outros 45% disseram estar cientes do endosso.
O
desconhecimento foi maior no Nordeste, onde chegou a 64%, e nas regiões
Centro-Oeste e Norte, com 58%.
No Sul,
50% dos entrevistados disseram saber do apoio de Milei, enquanto no Sudeste o
índice foi de 49%.
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Discurso durante convenção do PL
Milei
declarou apoio a Flávio Bolsonaro durante a convenção partidária do PL
realizada em 25 de julho, quando a legenda oficializou a candidatura do senador
à Presidência.
Na
ocasião, o presidente argentino fez críticas ao presidente Lula e ao ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Milei chamou Lula de
“ladrão” e “presidiário” e se referiu a Moraes como “lixo careca”.
As
declarações ocorreram no contexto da tentativa de Milei de visitar Jair
Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O argentino criticou as
restrições impostas à visita.
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Metodologia
A
pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 31 de
julho e 3 de agosto. As entrevistas foram realizadas presencialmente, em
domicílios.
A
margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com
nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Fonte:
Metrópoles/Fórum

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