Terapia
com testosterona pode causar infertilidade?
A
função da testosterona é, em grande parte, a produção de espermatozoides. É por
isso que é um tanto paradoxal quando um homem que não precisa começa a tomá-la
mesmo assim: seu cérebro registra um nível excepcionalmente alto do hormônio no
sangue, conclui que o corpo produziu em excesso e envia a ordem para
interromper a produção, o que faz com que os testículos fiquem inativos e a
quantidade de espermatozoides diminua.
A
testosterona está em alta, presente em todas as redes sociais, na cultura das
academias e nos fóruns de bem-estar pela internet, sendo vendida por
laboratórios online, contatos de academias e serviços de saúde por telefone.
As
informações a respeito, no entanto, variam de simplistas demais a totalmente
perigosas. Os homens estão tomando mais testosterona do que nunca, para se
sentirem mais viris. Mas, ao fazerem isso, podem estar dizendo ao próprio corpo
para parar de produzi-la naturalmente.
O que a
testosterona faz, quem realmente precisa de tratamento e quais podem ser os
custos para os homens que a tomam sem necessidade? A ciência responde.
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Testosterona versus produção de espermatozoides
O corpo
regula a testosterona da mesma forma que um termostato regula o calor. Quando o
cérebro detecta níveis anormais elevados do hormônio na corrente sanguínea, ele
envia um sinal aos testículos para que parem de produzi-lo naturalmente.
Os
testículos, na prática, entram em inatividade e, como a produção de
espermatozoides depende do que ocorre em seu interior, ela também é
interrompida.
Alguns
homens que se automedicam com testosterona elevam seus níveis a mais de quatro
vezes o limite clínico inferior. As consequências incluem distúrbios de
coagulação sanguínea, estresse cardiovascular, instabilidade de humor e, em
alguns casos, danos irreversíveis à fertilidade. O que é vendido como um atalho
para a força e a libido pode, sem supervisão, custar a um homem sua
fertilidade.
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Níveis normais por faixa etária
A
testosterona atinge seu pico durante a puberdade, geralmente entre os 13 e os
15 anos. Depois disso, diminui lentamente pelo resto da vida do homem. Um nível
mais baixo de testosterona aos 40 anos em comparação aos 15 não é um distúrbio,
mas, sim, o envelhecimento.
O
limite utilizado pelos médicos é de 300 nanogramas por decilitro de sangue. Mas
esse limite vem com uma condição: ele deve ser confirmado por pelo menos dois
exames de sangue realizados em momentos diferentes do dia, pois os níveis
variam.
Abaixo
desse valor, o especialista pode considerar a possibilidade de um tratamento.
Acima de 300, não há base clínica para intervenção.
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Como aumentar a testosterona naturalmente?
Antes
de se considerar qualquer tratamento médico, quatro fatores-chave do estilo de
vida devem ser analisados: sono, consumo de álcool, drogas e tabagismo, além do
estresse crônico: cada um desses itens têm um impacto mensurável nos níveis de
testosterona. Lidar com eles pode ser o necessário e não traz riscos como a
terapia hormonal.
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O que é e quem precisa?
A
terapia de reposição de testosterona (TRT) trata uma deficiência hormonal
diagnosticada. É um procedimento médico legítimo, envolvendo injeções,
comprimidos e cremes, que funciona para os homens que precisam dela.
O
problema é que muitos que a utilizam não têm deficiência alguma: homens com
níveis normais de testosterona estão cada vez mais buscando a TRT, e não como
tratamento, mas como um potencializador de desempenho – e obtêm o tratamento
por meio de laboratórios não regulamentados na internet, contatos em academias
e serviços de telessaúde que emitem receitas sem avaliação médica adequada.
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Tratamento pode causar infertilidade?
Em
alguns casos, sim: ainda que muitos homens que param de tomar testosterona
recuperem sua própria produção em poucos meses. Mas nem todos. Dependendo da
dose e do tempo de uso, as pesquisas estimam que a proporção daqueles que nunca
recuperam a produção própria fica entre um em cada dez e um em cada cinco.
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TRT funciona ou é placebo?
Muitos
homens que administram a própria testosterona relatam sentir-se mais fortes,
mais alertas e com mais energia.
Parte
disso pode refletir uma mudança fisiológica genuína. Por outro lado, uma outra
parte significativa é o efeito placebo – a tendência humana de se sentir melhor
quando acredita-se que que se está sendo tratado.
Isso
não torna a sensação menos real. Significa, porém, que a intervenção hormonal
sem supervisão é uma jogada de alto risco por um benefício que pode existir
apenas na mente da pessoa.
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Siga as orientações
A
recomendação dos médicos é certeira: faça o teste, saiba o valor e trate todo o
resto – sites, influenciadores, contatos da academia – como anedotas, não como
medicina.
Muitos
homens não estão esperando. Em busca da masculinidade máxima vista e divulgada
na internet, estão recorrendo à única substância capaz de fazer com que seus
próprios corpos parem de produzi-la.
Fonte:
DW Brasil

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