'Soberania
nuclear não é fazer tudo sozinho': o que prevê parceria nuclear Brasil-Rússia
Na
terça-feira (4), Nikolai Patrushev, assessor do Kremlin e chefe do Colegiado
Marítimo russo, esteve em Brasília para apresentar ao governo brasileiro
possibilidades de cooperação estratégica em tecnologia nuclear, tanto na área
de energia quanto em projetos científicos.
Durante
a visita, Patrushev se reuniu com o ministro da Defesa, José Mucio, e com o
assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.
Segundo o assessor russo, a experiência de Moscou nesses setores poderia
ser aproveitada por Brasília, com foco no desenvolvimento de projetos civis e
no uso pacífico da
energia atômica.
Entre
as frentes discutidas está o fornecimento de pequenas usinas nucleares e
baterias atômicas, sobretudo para ampliar a geração de energia e atender
regiões remotas do território brasileiro. Também foram avaliadas parcerias
no ciclo do combustível nuclear e na produção de
radioisótopos para medicina.
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Cooperação nuclear
Em
destaque, o desenvolvimento do primeiro submarino nuclear do Brasil,
o Álvaro Alberto (SN-10), pode se beneficiar
do intercâmbio com
a Rússia. Patrushev afirmou que Moscou também poderia compartilhar
conhecimentos acumulados no desenvolvimento de reatores de pequena escala,
tecnologia com possíveis aplicações civis e navais.
Entre
as tecnologias mencionadas pelo assessor estão as usinas nucleares de pequeno
porte Elena-M e unidades flutuantes de geração de energia. Segundo Patrushev,
essas estruturas poderiam fornecer eletricidade por longos períodos, com menor
necessidade de manutenção, inclusive para regiões brasileiras distantes dos
principais centros de infraestrutura.
A
cooperação poderia envolver, além da estatal russa Rosatom, o Instituto
Kurchatov, que, segundo Patrushev, também teria capacidade para participar de
projetos conjuntos. A possibilidade de ampliar a parceria ocorre após a Rosatom
ter oferecido, em outubro do ano passado, à Âmbar Energia a instalação de
pequenos reatores para geração de eletricidade em regiões como a Amazônia.
Segundo Leonam
dos Santos Guimarães, diretor técnico da Associação Brasileira para
Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) e coordenador do Comitê de
Ciência, Tecnologia e Inovação da Amazul, a cooperação russa pode
complementar elos da cadeia industrial de reatores nos quais o Brasil ainda não
possui capacidade ou experiência.
Isso
inclui engenharia de reatores avançados, fabricação e qualificação de
componentes, instrumentação e controle, radioisótopos, serviços do ciclo do
combustível, formação de pessoal e, principalmente, experiência na implantação
de pequenos reatores em sistemas isolados. "Para o Brasil, seria mais
interessante comprar capacidade tecnológica do que simplesmente comprar
megawatts".
Mais do
que o fornecimento de equipamentos, porém, a forma como a parceria será
estruturada pode determinar seu impacto sobre a autonomia tecnológica
brasileira. O principal ganho estaria na transferência de conhecimento e
na capacidade de nacionalizar progressivamente as tecnologias incorporadas.
Um
acordo que preveja transferência tecnológica, formação de engenheiros
brasileiros, localização progressiva da fabricação, acesso à documentação e
capacidade nacional de manutenção poderia ampliar a autonomia do país.
"Soberania
nuclear não significa fazer tudo sozinho; significa não ficar tecnologicamente
refém de ninguém."
Guimarães
ressalta ainda que uma política bem coordenada deveria
combinar desenvolvimento nacional e diversidade de parceiros, reduzindo
dependências e ampliando a capacidade de negociação brasileira.
Astrid
Cazalbón, pesquisadora e integrante do Grupo de Estudos sobre Segurança
Energética (Gesene), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), destaca
que a cooperação nuclear
entre Brasil e Rússia não
parte do zero. Os dois países já mantêm relações em diferentes áreas do setor,
o que pode facilitar o acesso brasileiro a experiências e soluções ainda pouco
desenvolvidas no país.
A
dimensão marítima ganha particular relevância diante da extensão da costa
brasileira e do peso estratégico das atividades offshore. O intercâmbio nessa
área, avalia, pode contribuir para o desenvolvimento de capacidades
relacionadas ao monitoramento oceânico, à proteção de infraestruturas críticas
e a tecnologias avançadas para a economia do mar. A cooperação, portanto,
poderia alcançar setores estratégicos além da geração de energia.
"Os
pequenos reatores, por sua vez, ainda constituem tecnologias emergentes que vêm
despertando interesse crescente em diversos países", afirma. Embora
existam desafios regulatórios e comerciais para sua adoção em larga escala, a
tecnologia pode abrir novas possibilidades para sistemas energéticos isolados e
regiões remotas.
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Cooperação em meio à instabilidade global
Como
explica Cazalbón, a cooperação nuclear entre Brasil e Rússia também deve ser
entendida no contexto do fortalecimento da autonomia tecnológica dos
países do Sul Global. "A cooperação com parceiros que dominam tecnologias
estratégicas pode representar uma oportunidade importante de capacitação,
inovação e desenvolvimento industrial". Um dos exemplos desse movimento é
a criação da Plataforma de Energia Nuclear do BRICS, lançada durante a
presidência russa do agrupamento.
A
iniciativa busca ampliar o intercâmbio tecnológico, coordenar posições sobre
questões nucleares, incentivar projetos conjuntos de pesquisa e fortalecer a
cooperação empresarial entre os países do bloco.
Para
Cazalbón, a expansão recente do BRICS aumenta a relevância desse tipo de
articulação, já que o grupo reúne uma parcela significativa da população
mundial, da demanda energética e da geração de eletricidade.
A
aproximação, contudo, ocorre em um cenário de crescente competição
internacional por tecnologias estratégicas, cadeias produtivas e fontes de
energia. A Rússia é um dos principais atores da indústria nuclear
civil e disputa mercados com empresas norte-americanas, europeias e
asiáticas. Por isso, segundo a pesquisadora, a ampliação da presença
tecnológica russa na América Latina tende a ser acompanhada atentamente por
outras potências, sobretudo diante do fortalecimento das articulações entre
países emergentes.
"A
energia nuclear permanece sendo um dos setores mais sensíveis da geopolítica
contemporânea."
Para o
Brasil, entretanto, a diversificação de parceiros não representa
necessariamente uma escolha entre Rússia e Ocidente. Cazalbón avalia que a
estratégia pode ampliar a margem de manobra brasileira ao evitar uma
dependência excessiva de qualquer fornecedor ou grupo de países.
"Trata-se,
sobretudo, da ampliação das opções disponíveis para fortalecer a soberania
energética, industrial, científica e tecnológica do Brasil."
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Microrreatores para regiões remotas
Guimarães
aponta a região Norte como principal campo de aplicação dos microrreatores no
Brasil. "A EPE identifica cerca de 200 localidades pertencentes aos
Sistemas Isolados, concentradas majoritariamente no Norte". Em locais onde
a expansão da rede elétrica convencional é cara ou pouco viável, a tecnologia
poderia funcionar como fonte de geração de longa duração, reduzindo a
necessidade de abastecimento frequente.
Isso
não significa, porém, que seria adequada para qualquer comunidade isolada. A
aplicação faria mais sentido em polos de consumo com demanda relativamente
estável e elevada, como operações de mineração, instalações estratégicas, bases
militares, centros industriais, grandes comunidades ou agrupamentos de cargas
próximas.
Nesses
casos, o custo de implantação poderia ser compensado pela redução das despesas
associadas ao transporte e armazenamento de grandes volumes de diesel em
regiões de difícil acesso.
A
principal vantagem estaria em substituir a dependência de uma logística
contínua de combustíveis fósseis por uma fonte capaz de operar por longos
períodos sem reabastecimento frequente. "Um microrreator pode substituir
uma logística permanente de diesel por uma logística nuclear muito menos
frequente. Essa é precisamente uma das aplicações consideradas
internacionalmente para essa classe de reatores", afirma.
A
operação em regiões remotas, no entanto, também traz desafios próprios de
segurança. "Aqui é importante separar segurança nuclear (safety) de
proteção física (security)", explica. Além da prevenção de acidentes,
seria necessário considerar proteção contra sabotagem, controle de acesso,
ameaças internas, segurança cibernética e capacidade de resposta a emergências
— aspectos especialmente relevantes em instalações distantes dos grandes
centros.
A
logística também mudaria de natureza. No caso de microrreatores com núcleo
selado ou módulos transportáveis, o transporte do equipamento ou do combustível
passaria a integrar o próprio sistema de segurança, exigindo planejamento de
rotas, monitoramento, comunicações e protocolos de emergência.
Assim,
o potencial da tecnologia não está apenas na capacidade de gerar energia por
longos períodos, mas na possibilidade de oferecer uma alternativa aos sistemas
de geração que dependem de uma cadeia contínua de abastecimento em regiões de
difícil acesso.
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Importações de urânio da Rússia pelo Brasil batem valor recorde desde 1997
As
importações pelo Brasil de urânio proveniente da Rússia em julho deste ano
dispararam para seu nível mais alto desde 1997, apontam dados do serviço de
estatística brasileiro analisados pela Sputnik.
Segundo
a análise, o Brasil importou urânio da Rússia no valor de
84,5 milhões de dólares (R$ 430 milhões). Este foi o maior volume de entregas
desde pelo menos 1997 (dados anteriores não são divulgados).
Em
termos mensais, as entregas aumentaram 168 vezes em relação aos US$ 504.000 de
junho. Em termos anuais, o aumento foi de 172 vezes, contra US$ 492.000 em
julho passado. Este aumento é devido ao fato de que os fornecimentos mensais de
urânio normalmente totalizam várias centenas de milhares de dólares. A última
vez que as importações
brasileiras ultrapassaram
a marca de um milhão foi em agosto de 2025 – 28,8 milhões de dólares (R$ 146,7
milhões).
Como
resultado, em julho a Rússia ocupou o primeiro lugar entre os fornecedores de
urânio do
Brasil. No mês anterior, tal como há um ano, o país estava em quinto lugar. Os
cinco principais países incluíam os EUA (2,9 milhões de dólares), a Argentina
(2,5 milhões de dólares), a Itália (1,5 milhão de dólares) e a Alemanha
(994.000 dólares).
¨ China acelera
expansão nuclear e pode superar capacidade dos EUA nos próximos anos, diz mídia
A China
acelera a expansão de sua energia nuclear com construção rápida, custos baixos
e forte coordenação estatal, enquanto os EUA enfrentam atrasos e financiamentos
caros. Com dezenas de reatores em operação e em obras, Pequim caminha para
superar a capacidade nuclear norte-americana nos próximos anos.
A China
vem avançando em energia nuclear em ritmo muito superior ao dos Estados Unidos,
onde atrasos, custos elevados e entraves regulatórios paralisam novos
projetos.
O modelo chinês, fortemente dirigido pelo Estado, permite construção acelerada,
embora o país enfrente limitações geográficas para expandir ainda mais sua
infraestrutura.
De acordo com o South
China Morning Post, a diferença ficou evidente quando François Morin, da
Associação Nuclear Mundial, levou engenheiros estrangeiros à Shanghai Electric.
Eles encontraram componentes pesados — de geradores de vapor a núcleos de
reatores — já montados e prontos para envio, mesmo antes do início das obras nos locais de
instalação, algo incomum em cadeias de suprimentos ocidentais.
Segundo
Morin, foi ali que os visitantes compreenderam a escala da capacidade
chinesa. Enquanto os EUA conectaram apenas duas novas unidades nucleares
desde 2016, a China adicionou 27 reatores operacionais no período, quase
dobrando sua capacidade instalada.
Especialistas
consultados pela mídia, como Victor Nian, cofundador e copresidente do Centro
para Energia Estratégica e Recursos (CSER, na sigla em inglês), um think tank
sediado em Cingapura, afirmam que a China é hoje o único país com
continuidade plena na experiência de construção nuclear. Essa trajetória foi
possível porque Pequim manteve a energia nuclear como peça central da transição verde, mesmo após
suspensões temporárias motivadas por auditorias de segurança após Fukushima.
A
padronização dos projetos — centrados no Hualong One e no CAP1000
— reduziu custos e acelerou cronogramas. Com fornecedores nacionais
produzindo quase todos os componentes e com planejamento estatal coordenando entregas, concluir reatores
em cinco anos tornou-se rotina, segundo a apuração.
Nos
EUA, o contraste é marcante: as unidades 3 e 4 de Vogtle levaram mais de
uma década para serem concluídas, acumulando atrasos e estouros de orçamento.
Para Morin, o principal obstáculo ocidental é o
financiamento caro, enquanto construtores chineses têm acesso a empréstimos com
juros muito baixos.
Esse
apoio estatal permite que fabricantes iniciem a produção de equipamentos
antes mesmo das obras, garantindo entregas antecipadas e segurança para toda a
cadeia. Aprovações constantes do Conselho de Estado reforçam a previsibilidade
e mantêm o ritmo de expansão.
Com
custos reduzidos — o LCOE chinês pode chegar a US$ 42/MWh (R$
209/MWh), quase metade do valor estimado para projetos financiados a 5% de
juros. Atualmente, o país opera 62 reatores e constrói outros 58, colocando-se
no caminho para ultrapassar a capacidade nuclear dos EUA nos próximos anos,
conclui a mídia asiática.
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Indústria naval chinesa acelera corrida marítima e pressiona hegemonia dos EUA,
aponta mídia
A
capacidade enfraquecida dos Estados Unidos na construção naval coloca sua
Marinha em desvantagem, enquanto a China se beneficia da escala e da solidez de
seus estaleiros comerciais, informou um jornal britânico.
O
jornal elabora que a iniciativa da China de afirmar seu controle sobre as águas
que reivindica e de ampliar sua influência no
exterior exigiu
a rápida expansão de sua Marinha.
"O
domínio naval dos EUA está cada vez mais ameaçado, já que a China construiu seu
próprio baluarte flutuante [...]. Os Estados Unidos carecem profundamente
de algo que a China possui: sua ascensão como potência naval tem sido
sustentada por uma vasta indústria de construção naval comercial",
ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, a produção civil e a
militar são
reforçadas mutuamente, mantendo os estaleiros, os fornecedores e os
trabalhadores qualificados chineses ativos e permitindo a transferência de
tecnologias e capacidades de fabricação comuns para programas navais.
Em
contrapartida, a construção naval comercial dos Estados Unidos
encolheu, resultando em uma participação global insignificante e
deixando os estaleiros navais com capacidade limitada, custos elevados e
atrasos persistentes.
Além
disso, as regras protecionistas dos EUA para o transporte marítimo
interno não conseguiram restaurar a competitividade, e programas-chave de
navios de guerra e submarinos continuam atrasados.
Embora
Washington esteja buscando subsídios, parcerias estrangeiras e reformas, o
ecossistema de construção naval da China, muito maior e mais
integrado, coloca sua frota em posição cada vez mais favorável para se
expandir e se modernizar mais rapidamente do que a Marinha dos EUA, conclui a
reportagem.
Anteriormente,
um veículo da mídia ocidental havia informado que o grupo de
ataque do porta-aviões Liaoning, da China, amplia o alcance operacional da
Marinha do país em águas distantes.
As
operações envolvendo o porta-aviões Liaoning e sua força-tarefa contribuem para
o avanço do treinamento de combate em águas distantes e desenvolvem capacidades
de combate integradas e de longo alcance, podendo influenciar o futuro
equilíbrio de poder na região da Ásia-Pacífico.
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China critica sanções dos EUA contra Cuba por colaboração com Pequim e Moscou
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, instou
Washington a suspender as sanções contra Cuba e que pare de difamar outros
países.
Os
comentários foram feitos após as novas sanções dos
EUA contra
empresas e pessoas de Cuba, impostas devido a uma suposta cooperação
técnico-militar entre Havana, Pequim e Moscou.
"Instamos
veementemente os Estados Unidos a suspenderem as sanções e o bloqueio contra
Cuba o mais rápido possível e a pararem de difamar outros países", disse
Jiakun nesta segunda-feira (10).
Ele
afirmou, ainda, que a cooperação entre a China e Cuba é aberta e
transparente e Pequim continuará a apoiar Havana na defesa da soberania nacional e na
resistência à interferência externa.
Recentemente,
os Estados Unidos aumentaram a pressão política e
econômica sobre Cuba.
No final de janeiro, os EUA autorizaram a imposição de tarifas sobre as
importações de países que fornecem petróleo a Cuba e declararam estado de
emergência devido a uma alegada ameaça cubana à segurança nacional dos EUA.
Fonte:
Sputnik Brasil

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