quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Diabetes pode afetar as artérias do coração sem dar sinais; cardiologista explica como evitar

O diabetes é uma doença metabólica, mas seus efeitos vão muito além do controle da glicemia. O cardiologista Luiz Francisco Ávila explica como a condição compromete o sistema cardiovascular e como esse processo pode avançar de forma silenciosa, sem dar sinais até um estágio avançado.

<><> Por que o diabetes prejudica as artérias

Segundo o especialista, quando a glicose não consegue entrar adequadamente nas células, o organismo recorre a vias alternativas para gerar energia. Esse mecanismo compensatório, no entanto, tem um custo: as vias alternativas prejudicam o sistema cardiovascular, e a presença de doença coronariana em pessoas com diabetes é proporcional ao nível de controle glicêmico que a pessoa mantém.

O resultado é um quadro de arteriopatia difusa. O paciente com diabetes costuma apresentar comprometimento vascular em diferentes regiões do corpo, não apenas no coração: as artérias coronárias, a aorta e os vasos cerebrais podem ser afetados, além da lesão em vasos pequenos, que altera o sistema nervoso periférico e contribui para o pé diabético, explica o cardiologista.

<><> Uma doença que não avisa

Para o cardiologista, um dos pontos mais importantes é o caráter silencioso da doença cardiovascular. Exames de rotina, segundo o ele, costumam ficar normais até que a obstrução já esteja em estágio avançado. Até 70% de obstrução do vaso, o paciente não sente nada, e exames como eletro, eco e teste de esforço permanecem normais. Ainda assim, a maior parte dos infartos ocorre com placas menores do que 70% — 68% dos infartos acontecem em placas menores que 50%, afirma o médico.

Ou seja, os exames tradicionais tendem a identificar apenas os casos mais avançados. Isso ocorre justamente quando o risco de infarto já é menor do que nas obstruções mais discretas, que passam despercebidas.

<><> Placa calcificada x placa mole: por que a tomografia faz diferença

Para o cardiologista, a tomografia coronária é uma ferramenta capaz de revelar o que outros exames não mostram, especialmente em pacientes de meia-idade. Segundo ele, o exame funciona como uma fotografia da vida do paciente até os 50 anos, reunindo o efeito da hereditariedade, da atividade física e da alimentação ao longo do tempo.

O exame permite diferenciar dois tipos de placa nas artérias. A calcificada tem comportamento mais previsível, obstruindo o vaso de forma gradual, como um cano que vai fechando aos poucos.

“Já a placa mole não: ela é uma placa dentro da artéria que, mesmo pequena, pode romper, e aí o sangue entra e entope a artéria, mesmo sendo uma placa de 20%. Por isso a associação da tomografia é importante: no paciente jovem, o escore de cálcio pode ser zero, e mesmo assim ele ter uma lesão importante.” - Dr. Luiz Francisco Ávila | — Cardiologista

<><> Tipo 1 e tipo 2: o mito de que só um tipo tem risco cardiovascular

O cardiologista também desfez uma percepção comum entre pessoas com diabetes: a de que as complicações cardiovasculares seriam uma preocupação exclusiva de quem tem diabetes tipo 2.

Para o médico, o diabetes tipo 1 é mais severo e aparece antes, o que resulta em maior tempo de doença. Por outro lado, o diabético tipo 1 costuma controlar melhor a condição, pois aprende a lidar com ela desde cedo, com o apoio da família. Já no tipo 2, muitas vezes a pessoa não sente nada e acredita estar tudo sob controle, o que, segundo o especialista, nem sempre corresponde à realidade, já que a doença cardiovascular é silenciosa.

<><> O que ajuda a identificar quem precisa investigar mais

Segundo o cardiologista, a seleção de pacientes de risco começa por um olhar clínico atento. Histórico familiar, alterações de colesterol, sedentarismo e tabagismo são fatores que justificam investigação mais aprofundada, mesmo na ausência de sintomas.

<><> O que você pode fazer hoje

•        Converse com seu cardiologista ou endocrinologista sobre a necessidade de exames de imagem, como a tomografia coronária.

•        Não se tranquilize apenas com eletro, eco ou teste de esforço normais — eles podem não detectar obstruções menores.

•        Se você tem diabetes tipo 1, saiba que o risco cardiovascular também existe e merece acompanhamento.

•        Informe seu médico sobre histórico familiar, colesterol, sedentarismo e tabagismo. São fatores que pesam na avaliação de risco.

•        Mantenha o controle glicêmico: quanto melhor o controle, menor a proporção de doença coronariana associada.

>>> Milho ou arroz: quem tem diabetes precisa escolher um dos dois?

Quem tem diabetes precisa considerar o milho como fonte de carboidrato ao montar uma refeição. Por isso, colocar ele e arroz juntos pode aumentar a quantidade total desse nutriente no prato.

A nutricionista especialista em diabetes Carol Netto explica que o milho tem quantidade de carboidrato semelhante à do arroz. Segundo a profissional, a pessoa pode reduzir o arroz para incluir milho ou fazer a substituição.

<><> Milho é carboidrato?

Ele não deve ser considerado apenas um acompanhamento vegetal. Ele fornece carboidrato e também contém proteína vegetal e fibras.

Segundo a explicação de Carol Netto, em 100 gramas têm, em média, 15 gramas de carboidrato. Por isso, quem tem diabetes precisa considerar essa quantidade ao organizar a refeição.

Além disso, ele pode influenciar o controle da glicemia. A forma de preparo e os outros alimentos consumidos junto também entram nessa avaliação.

<><> Qual escolher?

A escolha entre milho e arroz depende da quantidade de carboidrato presente na refeição. Segundo Carol Netto, os dois alimentos apresentam quantidade semelhante desse nutriente.

Por isso, colocar uma porção de arroz e acrescentar milho pode somar os carboidratos da refeição. Nesse caso, uma alternativa é reduzir a quantidade de arroz para incluir o milho.

Outra possibilidade é substituir o arroz por ele. Dessa forma, a pessoa evita acrescentar uma nova fonte de carboidrato ao prato.

O feijão aparece na explicação da nutricionista como outra opção para compor a refeição. A orientação apresentada considera a quantidade de carboidrato dos alimentos escolhidos.

<><> Aumenta a glicose?

Sim. O milho pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, mas a quantidade precisa ser considerada.

De acordo com a especialista, ele tem índice glicêmico alto. Ao mesmo tempo, o alimento contém fibras e proteína vegetal.

O efeito sobre a glicemia também pode variar conforme os alimentos consumidos na mesma refeição. Por isso, observar a resposta individual pode ajudar a entender o impacto do milho.

<><> O que acontece quando é consumido com manteiga?

A presença de gordura pode alterar o momento em que a glicose aumenta. Segundo a Carol Netto, a gordura pode retardar a subida inicial da glicose.

Nesse cenário, a glicemia pode apresentar elevação mais tarde, um período de duas a três horas após a refeição.

Por isso, uma glicemia que não sobe logo após o consumo não significa necessariamente que o alimento não terá efeito posteriormente.

<><> Pode ou não pode comer?

A orientação é consumir milho com moderação e considerar a quantidade de carboidrato da refeição.

Além disso, o monitoramento da glicemia pode ajudar a identificar como o organismo responde ao alimento.

A nutricionista recomenda observar a glicose antes da refeição e duas horas depois. Esse acompanhamento permite comparar os valores e verificar como ele interferiu no controle glicêmico.

A escolha também pode envolver a substituição de alimentos. Se o prato já tiver arroz, a pessoa pode reduzir sua quantidade ao incluir milho.

<><> 5 pontos para lembrar ao comer milho

1.       Considere como carboidrato: ele não deve entrar na refeição apenas como acompanhamento.

2.       Observe a quantidade: 100 gramas de milho têm, em média, 15 gramas de carboidrato, segundo a informação apresentada no conteúdo.

3.       Evite somar milho e arroz sem considerar as porções: os dois alimentos fornecem quantidades semelhantes de carboidrato.

4.       Observe o preparo: a adição de manteiga pode retardar a elevação inicial da glicose.

5.       Monitore a glicemia: acompanhar a glicose antes e duas horas depois ajuda a observar a resposta ao alimento.

 

Fonte: Um Diabético

 

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