Diabetes
pode afetar as artérias do coração sem dar sinais; cardiologista explica como
evitar
O
diabetes é uma doença metabólica, mas seus efeitos vão muito além do controle
da glicemia. O cardiologista Luiz Francisco Ávila explica como a condição
compromete o sistema cardiovascular e como esse processo pode avançar de forma
silenciosa, sem dar sinais até um estágio avançado.
<><>
Por que o diabetes prejudica as artérias
Segundo
o especialista, quando a glicose não consegue entrar adequadamente nas células,
o organismo recorre a vias alternativas para gerar energia. Esse mecanismo
compensatório, no entanto, tem um custo: as vias alternativas prejudicam o
sistema cardiovascular, e a presença de doença coronariana em pessoas com
diabetes é proporcional ao nível de controle glicêmico que a pessoa mantém.
O
resultado é um quadro de arteriopatia difusa. O paciente com diabetes costuma
apresentar comprometimento vascular em diferentes regiões do corpo, não apenas
no coração: as artérias coronárias, a aorta e os vasos cerebrais podem ser
afetados, além da lesão em vasos pequenos, que altera o sistema nervoso
periférico e contribui para o pé diabético, explica o cardiologista.
<><>
Uma doença que não avisa
Para o
cardiologista, um dos pontos mais importantes é o caráter silencioso da doença
cardiovascular. Exames de rotina, segundo o ele, costumam ficar normais até que
a obstrução já esteja em estágio avançado. Até 70% de obstrução do vaso, o
paciente não sente nada, e exames como eletro, eco e teste de esforço
permanecem normais. Ainda assim, a maior parte dos infartos ocorre com placas
menores do que 70% — 68% dos infartos acontecem em placas menores que 50%,
afirma o médico.
Ou
seja, os exames tradicionais tendem a identificar apenas os casos mais
avançados. Isso ocorre justamente quando o risco de infarto já é menor do que
nas obstruções mais discretas, que passam despercebidas.
<><>
Placa calcificada x placa mole: por que a tomografia faz diferença
Para o
cardiologista, a tomografia coronária é uma ferramenta capaz de revelar o que
outros exames não mostram, especialmente em pacientes de meia-idade. Segundo
ele, o exame funciona como uma fotografia da vida do paciente até os 50 anos,
reunindo o efeito da hereditariedade, da atividade física e da alimentação ao
longo do tempo.
O exame
permite diferenciar dois tipos de placa nas artérias. A calcificada tem
comportamento mais previsível, obstruindo o vaso de forma gradual, como um cano
que vai fechando aos poucos.
“Já a
placa mole não: ela é uma placa dentro da artéria que, mesmo pequena, pode
romper, e aí o sangue entra e entope a artéria, mesmo sendo uma placa de 20%.
Por isso a associação da tomografia é importante: no paciente jovem, o escore
de cálcio pode ser zero, e mesmo assim ele ter uma lesão importante.” - Dr.
Luiz Francisco Ávila | — Cardiologista
<><>
Tipo 1 e tipo 2: o mito de que só um tipo tem risco cardiovascular
O
cardiologista também desfez uma percepção comum entre pessoas com diabetes: a
de que as complicações cardiovasculares seriam uma preocupação exclusiva de
quem tem diabetes tipo 2.
Para o
médico, o diabetes tipo 1 é mais severo e aparece antes, o que resulta em maior
tempo de doença. Por outro lado, o diabético tipo 1 costuma controlar melhor a
condição, pois aprende a lidar com ela desde cedo, com o apoio da família. Já
no tipo 2, muitas vezes a pessoa não sente nada e acredita estar tudo sob
controle, o que, segundo o especialista, nem sempre corresponde à realidade, já
que a doença cardiovascular é silenciosa.
<><>
O que ajuda a identificar quem precisa investigar mais
Segundo
o cardiologista, a seleção de pacientes de risco começa por um olhar clínico
atento. Histórico familiar, alterações de colesterol, sedentarismo e tabagismo
são fatores que justificam investigação mais aprofundada, mesmo na ausência de
sintomas.
<><>
O que você pode fazer hoje
• Converse com seu cardiologista ou
endocrinologista sobre a necessidade de exames de imagem, como a tomografia
coronária.
• Não se tranquilize apenas com eletro,
eco ou teste de esforço normais — eles podem não detectar obstruções menores.
• Se você tem diabetes tipo 1, saiba que o
risco cardiovascular também existe e merece acompanhamento.
• Informe seu médico sobre histórico
familiar, colesterol, sedentarismo e tabagismo. São fatores que pesam na
avaliação de risco.
• Mantenha o controle glicêmico: quanto
melhor o controle, menor a proporção de doença coronariana associada.
>>>
Milho ou arroz: quem tem diabetes precisa escolher um dos dois?
Quem
tem diabetes precisa considerar o milho como fonte de carboidrato ao montar uma
refeição. Por isso, colocar ele e arroz juntos pode aumentar a quantidade total
desse nutriente no prato.
A
nutricionista especialista em diabetes Carol Netto explica que o milho tem
quantidade de carboidrato semelhante à do arroz. Segundo a profissional, a
pessoa pode reduzir o arroz para incluir milho ou fazer a substituição.
<><>
Milho é carboidrato?
Ele não
deve ser considerado apenas um acompanhamento vegetal. Ele fornece carboidrato
e também contém proteína vegetal e fibras.
Segundo
a explicação de Carol Netto, em 100 gramas têm, em média, 15 gramas de
carboidrato. Por isso, quem tem diabetes precisa considerar essa quantidade ao
organizar a refeição.
Além
disso, ele pode influenciar o controle da glicemia. A forma de preparo e os
outros alimentos consumidos junto também entram nessa avaliação.
<><>
Qual escolher?
A
escolha entre milho e arroz depende da quantidade de carboidrato presente na
refeição. Segundo Carol Netto, os dois alimentos apresentam quantidade
semelhante desse nutriente.
Por
isso, colocar uma porção de arroz e acrescentar milho pode somar os
carboidratos da refeição. Nesse caso, uma alternativa é reduzir a quantidade de
arroz para incluir o milho.
Outra
possibilidade é substituir o arroz por ele. Dessa forma, a pessoa evita
acrescentar uma nova fonte de carboidrato ao prato.
O
feijão aparece na explicação da nutricionista como outra opção para compor a
refeição. A orientação apresentada considera a quantidade de carboidrato dos
alimentos escolhidos.
<><>
Aumenta a glicose?
Sim. O
milho pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, mas a quantidade
precisa ser considerada.
De
acordo com a especialista, ele tem índice glicêmico alto. Ao mesmo tempo, o
alimento contém fibras e proteína vegetal.
O
efeito sobre a glicemia também pode variar conforme os alimentos consumidos na
mesma refeição. Por isso, observar a resposta individual pode ajudar a entender
o impacto do milho.
<><>
O que acontece quando é consumido com manteiga?
A
presença de gordura pode alterar o momento em que a glicose aumenta. Segundo a
Carol Netto, a gordura pode retardar a subida inicial da glicose.
Nesse
cenário, a glicemia pode apresentar elevação mais tarde, um período de duas a
três horas após a refeição.
Por
isso, uma glicemia que não sobe logo após o consumo não significa
necessariamente que o alimento não terá efeito posteriormente.
<><>
Pode ou não pode comer?
A
orientação é consumir milho com moderação e considerar a quantidade de
carboidrato da refeição.
Além
disso, o monitoramento da glicemia pode ajudar a identificar como o organismo
responde ao alimento.
A
nutricionista recomenda observar a glicose antes da refeição e duas horas
depois. Esse acompanhamento permite comparar os valores e verificar como ele
interferiu no controle glicêmico.
A
escolha também pode envolver a substituição de alimentos. Se o prato já tiver
arroz, a pessoa pode reduzir sua quantidade ao incluir milho.
<><>
5 pontos para lembrar ao comer milho
1. Considere como carboidrato: ele não deve
entrar na refeição apenas como acompanhamento.
2. Observe a quantidade: 100 gramas de milho
têm, em média, 15 gramas de carboidrato, segundo a informação apresentada no
conteúdo.
3. Evite somar milho e arroz sem considerar
as porções: os dois alimentos fornecem quantidades semelhantes de carboidrato.
4. Observe o preparo: a adição de manteiga
pode retardar a elevação inicial da glicose.
5. Monitore a glicemia: acompanhar a glicose
antes e duas horas depois ajuda a observar a resposta ao alimento.
Fonte:
Um Diabético

Nenhum comentário:
Postar um comentário