quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Sarampo: Brasil enfrenta risco de reintrodução com fluxo da copa

O Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em junho deste ano, impulsionado pelo intenso fluxo de viajantes que se preparam para a Copa do Mundo de 2026. A preocupação é reforçada pelo cenário de alta transmissibilidade da doença nas Américas, com a pasta prevendo a chegada de estrangeiros infectados ou o retorno de viajantes brasileiros portadores do vírus. Em resposta, recomendou-se a aplicação da dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 a 11 meses para reforçar a proteção contra o sarampo, considerada a faixa etária mais suscetível à infecção e a formas graves.

O risco de reintrodução do sarampo no Brasil acende alerta do Ministério da Saúde devido ao fluxo de viajantes da Copa do Mundo 2026.

•        A pasta federal recomendou a aplicação da dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 a 11 meses.

•        São Paulo já registra 23 casos da doença em 2026, com parte dos pacientes sem histórico vacinal.

“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados.”

No mesmo mês, a pasta recomendou a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 meses a 11 meses. O objetivo era reforçar a proteção contra o sarampo na faixa etária considerada mais suscetível à infecção e a formas graves.

À época, a zona norte de São Paulo registrava três casos da doença em crianças menores de 2 anos. Atualmente, a Secretaria de Saúde de São Paulo já confirma pelo menos 23 casos em 2026. Em meio a esse cenário de alerta, paulistanos enfrentam filas para vacinação em SP, buscando proteção contra a doença, enquanto a rede de vigilância é considerada essencial para evitar sua propagação. Da mesma forma, a febre maculosa matou 18 pessoas em São Paulo este ano, ressaltando a constante necessidade de atenção à saúde pública e à vigilância epidemiológica de diversas enfermidades.

<><> O que é o sarampo e como ele se manifesta?

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já figurou como uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços significativos no controle e na prevenção por meio da vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, sobretudo em regiões com baixas taxas de imunização.

Caracterizado por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, o sarampo exige atenção e conhecimento para ser identificado e tratado adequadamente.

<><> Transmissão, prevenção e sintomas

A transmissão do vírus acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das conhecidas manchas vermelhas pelo corpo.

Os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas (exantema) e febre alta (acima de 38,5 graus), acompanhados de um ou mais dos seguintes sintomas:

•        tosse seca;

•        irritação nos olhos (conjuntivite);

•        mal-estar intenso.

Entre três a cinco dias, é comum aparecer manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo.

A febre persistente é considerada sinal de alerta e pode indicar gravidade, sobretudo em crianças menores de 5 anos.

<><> Complicações e diagnóstico da doença

O sarampo é considerado uma doença grave, que pode deixar sequelas por toda a vida ou, até mesmo, causar a morte. Algumas complicações associadas ao sarampo incluem:

•        pneumonia (infecção no pulmão): cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas;

•        otite média aguda (infecção no ouvido): ocorre em cerca de 1 em cada 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente;

•        encefalite aguda (inflamação no cérebro): entre 1 e 4 de cada mil crianças podem desenvolver essa complicação e 10% podem morrer em decorrência do quadro;

•        morte: entre 1 e 3 de cada mil crianças infectadas pelo sarampo podem morrer em decorrência de complicações da doença.

O diagnóstico do sarampo pode ser feito de forma clínica, com base em sinais e sintomas apresentados pelo paciente, mas o diagnóstico considerado ideal é o laboratorial, por meio de amostra de sangue e também por meio de amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe e urina.

<><> Tratamento e a importância da vacinação

Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos utilizados têm como objetivo reduzir o desconforto causado pelos sintomas.

A orientação é não fazer uso de nenhum medicamento sem antes passar pelo médico e procurar o serviço de saúde mais próximo caso apresente sintomas.

O uso de antibióticos é contraindicado, exceto se houver indicação médica pela ocorrência de infecções secundárias. Para os casos sem complicação, devem-se manter a hidratação e o suporte nutricional e diminuir a hipertermia (elevação da temperatura corporal). Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional.

O sarampo é uma doença prevenível por meio da vacinação. Os critérios para indicação da dose levam em conta características clínicas, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida e a ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.

A vacinação contra o sarampo está disponível em apresentações diferentes, sendo que todas previnem a doença.

Cabe ao profissional de saúde aplicar a dose adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica.

<><> Tipos de vacinas

•        dupla viral: protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto.

•        tríplice viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba e da rubéola.

•        tetra viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba, da rubéola e da varicela (catapora).

Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo.

Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.

Nos postos de saúde, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A depender da situação epidemiológica de cada localidade, há necessidade de estabelecer outras estratégias – além das doses de rotina, a vacina contra o sarampo pode ser indicada para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, em localidades com o surto da doença, por exemplo.

<><> Esquema vacinal contra o sarampo: quando se vacinar?

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera protegido todo indivíduo que tomou duas doses contra o sarampo na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade.

Em situação de risco para o sarampo — surtos ou exposição domiciliar, por exemplo – a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses.

A dose não deve ser considerada como dose válida para o cumprimento do esquema de rotina: continuam sendo necessárias duas doses a partir dos 12 meses, com intervalo mínimo de 1 mês.

>> Veja como é o esquema vacinal por faixa etária:

•        12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

•        15 meses: segunda dose, por meio da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

•        5 anos a 29 anos: duas doses da vacina, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, caso não tenham sido vacinados no período recomendado.

•        30 anos a 59 anos: se não tiver comprovação de vacinação prévia deve receber uma dose da vacina.

A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina durante o puerpério.

Em casos de surto de sarampo, pode ser considerada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo.

Indivíduos com história pregressa de sarampo são considerados imunizados contra a doença, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, a recomendação é a vacinação.

•        Sarampo em São Paulo: Casos revelam risco de surtos e baixa vacinação

O sarampo em São Paulo apresenta risco iminente de novos surtos, com a concentração de casos de sarampo na capital paulista revelando uma cobertura vacinal inferior a 95%, patamar mínimo para interromper a transmissão da doença. O infectologista Renato Kfouri alerta que a chegada contínua de pessoas de diversas partes do mundo à metrópole torna a entrada de novos casos uma ocorrência esperada. A situação exige atenção redobrada das autoridades de saúde.

Renato Kfouri, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, explicou à Agência Brasil que o ciclo de incubação e transmissão da doença é de cerca de 20 dias, com sintomas aparecendo após dez dias, e o período de transmissão se estendendo por 14 dias após o início da febre.

O sarampo em São Paulo expõe o risco de novos surtos devido à baixa cobertura vacinal, atualmente em 75% na capital, muito abaixo dos 95% necessários.

•        O infectologista Renato Kfouri destaca que uma pessoa completamente imunizada não transmite o vírus, mas a entrada de novos casos é esperada em São Paulo, um hub internacional.

•        Cadeias de transmissão foram identificadas em áreas como Vila Medeiros e Vila Maria, na Grande São Paulo, com destaque para escolas de educação infantil e crianças menores de um ano como as mais vulneráveis.

Segundo Kfouri, uma pessoa completamente imunizada não se torna um transmissor, mas para aqueles que não completaram o ciclo de vacinação, o risco é real e diretamente ligado à dinâmica de transmissão. O vírus do sarampo se propaga por gotículas de saliva liberadas ao falar ou espirrar. A imunização da população é eficaz para prevenir essa transmissão quando atinge 95%, mas na capital paulista, a cobertura está em torno de 75%. Em meio a essa realidade, paulistanos enfrentam filas para tomar vacina contra sarampo, evidenciando a busca por imunização.

“Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância. Na vigilância, temos de estar atentos, fazer o isolamento e a vacinação dos contatos. Não é algo simples, pois São Paulo é um hub, uma cidade onde há eventos internacionais diários. A entrada de sarampo vai ocorrer, e por isso precisamos voltar a manter altos índices vacinais para evitar a transmissão de casos, mas também mantê-la homogênea”, continuou Kfouri.

<><> Por que a homogeneidade da vacinação é crucial?

Para o especialista, a importância da homogeneidade da cobertura vacinal não pode ser subestimada. Um bairro ou comunidade com índices baixos torna-se um bolsão vulnerável e um local propenso a novos surtos da doença. A estratégia de reforço vacinal indiscriminado é considerada eficaz, pois alcança tanto aqueles que eventualmente não receberam alguma das doses, quanto os poucos em que a imunização não foi efetiva, já que toda vacina possui uma margem de pessoas que não são protegidas com o ciclo normal.

Para o sarampo, essa margem é estimada em cinco por cento, segundo o infectologista, mas se aproxima de zero quando uma terceira dose é aplicada. Identificar essas exceções em uma população massiva é inviável devido ao tempo e aos custos, mas a dose de reforço resolve o problema a um custo significativamente menor, complementa Kfouri.

<><> Cadeias de transmissão e importação de casos

Na Grande São Paulo, onde se concentraram 23 dos 24 casos confirmados nesta temporada, houve casos importados e uma ocorrência importante de cadeia de transmissão, com novos casos surgindo dentro de um grupo ou comunidade. Na zona norte da capital, isso levou a sete casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, bairros próximos, tendo como principal cenário uma escola de educação infantil.

Ao menos um dos dois casos de Guarulhos também está relacionado a esse grupo. As crianças com menos de um ano não recebem imunização para o sarampo e são a maior parte dos infectados e hospitalizados. Há possibilidade de esses casos estarem relacionados a alguns dos casos importados confirmados pela prefeitura da capital, que informou que um caso veio da Bolívia, em fevereiro, e outro da Guatemala, em março. A transmissão, segundo Kfouri, ocorre apenas entre aqueles que não estão imunizados, geralmente por não terem tomado uma ou ambas as doses da vacina.

“Infelizmente é esperado. Chegam todo dia ao país milhares de pessoas, a trabalho ou a turismo, além dos brasileiros que estiveram no exterior recentemente. Como nossos vizinhos têm sofrido com surtos recentes, isso vai nos influenciar”, definiu Kfouri.

A dinâmica é a mesma do ano passado, quando o país teve 39 casos notificados, a maioria relacionados a casos importados da Bolívia, que chegaram através de caminhoneiros. Os estados mais atingidos foram Mato Grosso do Sul e Tocantins. Segundo Kfouri, as equipes de saúde estão treinadas para reconhecer os sintomas, os testes estão disponíveis na rede e as ações de vigilância têm ocorrido em tempo adequado.

 

Fonte: IstoÉ

 

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