quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Retrato da colonização acelerada da Cisjordânia

Na sexta-feira, 24 de julho, um grupo de colonos entrou na aldeia de Til, uma área de acesso restrito sob a administração israelense, com a intenção de atacar o território administrado pela Autoridade Palestina (AP). Depois que um grupo de moradores palestinos saiu em defesa da comunidade diante da ofensiva sionista, um tiroteio terminou com a morte de quatro palestinos e dois israelenses. Na noite seguinte, um novo grupo de colonos sionistas atacou outras aldeias palestinas vizinhas, chegando a incendiar duas mesquitas, queimar veículos e destruir plantações. Em resposta, o governo de Benjamin Netanyahu desencadeou uma operação militar de grande escala com incursões em Nablus e Til, confiscando residências, destruindo as históricas oliveiras e instalando postos de controle na região, que, legalmente, corresponde à administração de segurança palestina.

Diversos políticos israelenses mobilizaram a opinião pública em torno da narrativa de que os colonos foram mortos em um “ataque terrorista” palestino contra “excursionistas” israelenses. Dessa forma, o Estado de Israel encobre uma ação militar cujo objetivo é a ocupação total da região da Cisjordânia. Essa incursão reacendeu o debate sobre a formalização da colonização sionista do território palestino oriental, ao mesmo tempo em que mantém ativa sua ofensiva no oeste (em Gaza) e delimita novas linhas de fronteira, desconsiderando a existência de uma administração palestina no território histórico.

<><> Colonialismo de assentamento

A narrativa dominante tem estimulado a construção de um argumento que separa as ações dos colonos israelenses na Cisjordânia das ações do governo de Tel Aviv. No entanto, ambos os processos fazem parte de um mesmo plano sistemático de ocupação que tem como objetivo deslocar a população palestina. Desde o Plano Allon, de 1967, o Estado sionista construiu uma série de diretrizes que orientaram a estratégia de expulsão dos palestinos da Cisjordânia e que permanecem em vigor até os dias atuais.

O Plano Allon, elaborado após a Guerra dos Seis Dias, foi uma política de assentamentos proposta pelo então primeiro-ministro israelense, Yigal Alon. Com o objetivo de estruturar as ações militares do Exército e a anexação de zonas estratégicas, foi implementado um plano de divisão da Cisjordânia que evitava a concentração da população palestina na área demográfica que seria anexada pelo governo israelense.

O plano propunha:

– A anexação por Israel do Vale do Jordão, de Jerusalém Oriental e do bloco Etzion (assentamento de Ma’ale Adumim).

– Ceder ao controle do Reino da Jordânia o restante da Cisjordânia, reorganizando-o como um território palestino administrado por Amã.

– A devolução da Península do Sinai ao Egito, que estava sob controle de Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

– A criação de um Estado autônomo druso nas Colinas de Golã, também ocupadas por Tel Aviv no conflito recente.

Entretanto, a Jordânia rejeitou a administração da Cisjordânia (e posteriormente renunciou à sua reivindicação territorial), e o plano tornou-se obsoleto, embora tenha servido de base para uma nova configuração territorial da região.

Na década de 1980, período em que eclodiu a Primeira Intifada Palestina, a estrutura política da Cisjordânia estava articulada por meio da organização de partidos políticos, comitês locais, sindicatos de agricultores, associações de mulheres e organizações de assistência jurídica, que funcionavam como substitutos dos órgãos administrativos da ocupação que governavam os palestinos da Cisjordânia. Esses grupos informais, que em sua maioria atuavam com o respaldo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob a liderança de Yasser Arafat, permitiram reduzir o controle israelense sobre a vida da população.

Em 1993, sob os auspícios dos Acordos de Oslo, foi finalmente implementada a Autoridade Palestina. O organismo passou a exercer um autogoverno limitado na Cisjordânia, dividida em três zonas:

Zona A, que compreende aproximadamente 18% da Cisjordânia e abriga os principais centros urbanos, sob administração da Autoridade Palestina.

Zona B, correspondente a 22% do território, predominantemente rural, onde se localiza a maioria dos povoados e cidades. Foi estruturada sob controle civil palestino, mas com controle militar israelense.

Zona C, que corresponde aos 60% restantes, permaneceu sob total controle civil e militar israelense.

Nesse sentido, a distribuição desigual do território representou, por um lado, o reconhecimento do Estado israelense da administração palestina; por outro, o governo palestino desarticulou a construção da força cidadã que havia permitido deslegitimar a autoridade israelense no território.

Em 2002, em meio ao processo da Segunda Intifada Palestina, o governo de Ariel Sharon construiu um muro de separação que avançou para o interior da Cisjordânia. Mais de 80% de seu traçado não seguiu a Linha Verde do plano de partilha de 1947, mas separou as comunidades palestinas de suas terras agrícolas e de Jerusalém Oriental. O projeto decisivo de ocupação veio a público em 2015, quando o parlamentar de extrema direita Bezalel Smotrich propôs um plano de anexação total da Cisjordânia. O plano previa a consolidação da expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia por meio da redução do espaço habitável palestino a enclaves urbanos isolados, especialmente na Zona A, ao mesmo tempo em que impulsionava o deslocamento gradual da população das zonas B e C por meio da degradação deliberada de suas condições de vida, construindo uma narrativa de expulsão apresentada como voluntária.

Em agosto de 2025, Smotrich levou adiante, por meio do Knesset (o parlamento israelense), a aprovação do Projeto E1. Esse plano consiste na construção de mais de 3.400 moradias a leste de Jerusalém, com o objetivo de unir o assentamento de Ma’ale Adumim a Jerusalém Oriental (que pertence à Autoridade Palestina).

A implementação dessa infraestrutura dividiria a Cisjordânia em duas partes, fragmentando ainda mais o território palestino. O movimento dos colonos consolidou-se como um dos principais instrumentos para a execução desse projeto. Desde pelo menos 2020, a expansão de novos assentamentos na Cisjordânia conta com financiamento, respaldo político e facilidades administrativas por parte do governo israelense. Nesse contexto, a violência praticada pelos colonos intensificou-se, provocando, especialmente desde outubro de 2023, o deslocamento forçado e o desaparecimento de comunidades rurais palestinas inteiras.

<><> O movimento dos colonos como política de Estado

A construção de discursos contundentes e violentos por parte da autoridade máxima de um Estado repercute na sociedade como um estímulo à projeção de pensamentos alinhados com essa mensagem. A postura do governo sionista, ao afirmar a necessidade de expulsar os palestinos da Cisjordânia por qualquer estratégia, tornou-se uma doutrina de Estado, mas também uma tradição quase folclórica entre os colonos.

Em 26 de fevereiro de 2023, um morador palestino de Huwara reagiu à violência acumulada, às restrições à sua liberdade e à perseguição militar, matando dois irmãos israelenses que ocupavam um assentamento israelense na Cisjordânia.

Em resposta, mais de 400 colonos israelenses invadiram a localidade palestina armados com facas e armas de fogo, destruindo propriedades, plantações, matando um palestino e deixando outros 300 feridos. A cena das casas e dos veículos incendiados evidenciou a dimensão dos danos que ataques promovidos por um grupo organizado podem provocar. Antes de outubro de 2023, a maior parte da violência dos colonos limitava-se à Zona C (que está sob controle administrativo e militar israelense). Atualmente, os ataques contra a Zona B tornaram-se praticamente diários, enquanto Tel Aviv estabeleceu, no mês passado, uma base militar dentro da Zona A pela primeira vez em duas décadas. Após os acontecimentos de outubro de 2023 em Gaza, o primeiro-ministro Netanyahu conclamou os colonos do leste palestino ocupado a promover campanhas de vingança e punição coletiva contra as comunidades palestinas, provocando o deslocamento forçado de cerca de mil moradores apenas um mês após os acontecimentos de 7 de outubro.

Desde então, o Exército israelense também invadiu os campos de refugiados de Jenin, Tulkarem e Nur Shams, deslocando mais de 40 mil palestinos. Essas incitações continuaram se intensificando, culminando nos acontecimentos da aldeia de Til, ao sul de Nablus. Nesse contexto, Smotrich — que atualmente dirige a Administração Civil responsável pela gestão da vida palestina na Cisjordânia — afirmou que os palestinos das aldeias próximas a Nablus deveriam ter o mesmo destino dos habitantes de Jenin e Tulkarem. Dessa forma, projeta-se o plano de esvaziamento desses campos por parte de Israel como um modelo para despovoar as áreas rurais da Cisjordânia.

<><> A situação dos palestinos

Enquanto isso, a Autoridade Palestina perdeu influência ao longo dos anos, especialmente após o assassinato do histórico líder Yasser Arafat, em 2004, e com a perda da governança sobre Gaza para o Hamas — que venceu as eleições de 2006 e cujo resultado não foi reconhecido pela Autoridade Palestina.

A Autoridade Palestina, sob a liderança de Mahmoud Abbas, mantém uma estratégia baseada em negociações e na coordenação em matéria de segurança com Tel Aviv, enquanto o Hamas construiu sua própria trajetória de resistência na Faixa de Gaza.

A comunidade palestina da Cisjordânia enfrenta uma ofensiva abrangente que combina o estrangulamento econômico, a perseguição às estruturas de organização comunitária, a fragmentação da liderança política e o aprofundamento das operações militares israelenses, juntamente com o recrudescimento da violência praticada pelos colonos. Após 1967, Israel implementou uma série de políticas voltadas a subordinar a economia palestina às suas próprias necessidades, processo que os Acordos de Oslo de 1993 acabaram por institucionalizar por meio de um modelo econômico que consolidou a dependência financeira, comercial e trabalhista dos territórios palestinos. A destruição progressiva da base produtiva palestina desde a Segunda Intifada limitou as possibilidades de um desenvolvimento econômico autônomo. Essa estrutura de dependência aprofundou-se com a forte inserção da mão de obra palestina no mercado de trabalho israelense e com a crescente dependência da Autoridade Palestina em relação ao financiamento internacional e às receitas fiscais arrecadadas por Israel em virtude dos protocolos econômicos estabelecidos durante o período de Oslo.

Após 7 de outubro de 2023, Israel revogou as permissões de trabalho de centenas de milhares de trabalhadores palestinos, deixando cerca de 200 mil pessoas desempregadas de forma imediata. Paralelamente, a retenção das receitas alfandegárias — que representam mais de 60% do orçamento da Autoridade Palestina — aprofundou uma crise fiscal que afeta diretamente o funcionamento dos serviços públicos, especialmente os sistemas de educação e saúde. A isso somam-se as restrições à circulação, a proliferação de postos de controle, as incursões militares e os obstáculos ao comércio, que alteraram o funcionamento dos mercados internos, dificultando tanto o deslocamento dos trabalhadores quanto a circulação de mercadorias.

Segundo estimativas do Escritório Central de Estatísticas da Palestina (PCBS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego na Cisjordânia dobrou durante o quarto trimestre de 2023, alcançando 29% desde o início da ofensiva israelense sobre Gaza. A perda dos empregos em Israel, somada às restrições de mobilidade dentro do próprio território palestino, aumentou a competição pelas vagas disponíveis e favoreceu uma queda dos salários diários, configurando um mercado de trabalho marcado pela precarização e pela exploração. As perdas de renda dos trabalhadores da Cisjordânia chegam a 12,8 milhões de dólares por dia, situação que impulsionou um aumento contínuo da pobreza e da desigualdade. Por outro lado, as prisões israelenses funcionam no âmbito do sistema de colonização e eliminação dos palestinos. Segundo dados recentes, o número de habitantes da Cisjordânia detidos pelas forças de ocupação desde 2023 chegou a 6.500 pessoas. A esse número é preciso somar as dezenas de milhares de palestinos presos nos territórios ocupados desde 1948. Os detidos sobrevivem a situações de tortura e a condições extremamente desumanas. As medidas deliberadas do Serviço Prisional Israelense incluem submetê-los a espaços confinados, cortar seu acesso à água e aos alimentos, dificultar o atendimento médico e o direito de receber visitas. Soma-se a isso a prática de abusos e violência dentro das prisões, que posteriormente se refletem nas ações repressivas realizadas pelo Exército nos espaços “livres” da Palestina.

Os acontecimentos de Til condensam uma dinâmica que atravessa o plano de anexação da Cisjordânia, a partir da combinação entre a violência exercida pelos colonos, o respaldo institucional, as ofensivas militares e a transformação territorial. Esses elementos respondem a uma estratégia que busca consolidar o controle israelense sobre o território mediante a fragmentação da sociedade palestina e a expansão permanente dos assentamentos.

Cada novo assentamento, cada comunidade deslocada e cada quilômetro de território anexado à administração sionista alteram de maneira definitiva a geografia política da Palestina. São os cidadãos que sofrem as consequências, com a destruição de suas aldeias, de seus campos — que funcionam como seu principal meio de subsistência — e com o constante assédio à sua vida cotidiana. O mundo volta seus olhos para Gaza, mas a ofensiva sionista contra a Palestina se desenrola em dois cenários com lógicas distintas. Enquanto na Faixa predomina a destruição militar direta, na Cisjordânia a ocupação se aprofunda por meio da colonização do território, da violência dos colonos e da reorganização progressiva do mapa palestino.

¨      Orientalismo e seu autor. Por Emir Sader

Eu estava buscando outras obras do Edward Said, depois de me ter encantado com seu livro Orientalismo, na livraria da Universidade de Columbia, a principal universidade de Nova York, quando, para minha surpresa, olho e do meu lado estava simplesmente Edward Said! Ficamos muito amigos a partir dali. Nos comunicamos muito, eu o convidei para vir ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre, ele topou. Quando, tristemente, de repente, ele ficou doente e morreu, sem que pudéssemos realizar esse sonho nosso de trazê-lo ao Brasil e ao Fórum Social Mundial.

O subtítulo – O Oriente como invenção do Ocidente – já aponta para a sacada genial do livro. O Oriente é, simplesmente, o que não é o Ocidente. Ele e’ tão amplo e diferenciado, que não existe como tal, mas apenas como o Outro do Ocidente, o que não é Ocidente. O Oriente não é apenas adjacente à Europa; é também o lugar das maiores, mais ricas e mais antigas colônias europeias, a fonte de suas civilizações e línguas, seu rival cultural e uma de suas imagens mais profundas e mais recorrentes do Outro. Além disso, o Oriente ajudou a definir a Europa (ou o Ocidente) com sua imagem, ideia, personalidade, experiências contrastantes. Mas nada nesse Oriente é meramente imaginativo. O Oriente é uma parte integrante da civilização e da cultura material europeia.

O Orientalismo expressa e representa essa parte em termos culturais e mesmo ideológicos, num modo de discurso baseado em instituições, vocabulário, erudição, imagens, doutrinas, burocracias e estilos coloniais. Em contraste, a compreensão americana do Ocidente parecerá consideravelmente menos densa, embora nossas recentes aventuras em países asiáticos devem estar criando uma consciência “oriental” mais sóbria, mais realista.

Por Orientalismo quero dizer varias coisas, interdependentes, A designação mais prontamente aceita para Orientalismo é acadêmica, e certamente o rotulo ainda tem serventia em várias instituições acadêmicas. O Oriente não é um fato inerte da natureza, Ele não está meramente ali. Seria errado concluir que o Oriente foi essencialmente ou ideia ou uma criação sem realidade correspondente.

Os homens fazem a sua história, de que só podem conhecer o que eles mesmos fizeram, e estendê-la à geografia, como entidades geográfica e culturais, tais lugares, regiões, setores geográficos como o “Oriente” e o “Ocidente”, são criados pelo homem. Assim, tanto quanto o próprio Ocidente, o Oriente é uma ideia que tem uma história e uma tradição de pensamento, um imaginário e um vocabulário que lhe deram realidade e presença no e para o Ocidente. As duas entidades geográficas, portanto, sustentam e, em certa medida, refletem uma à outra.

As ideias, as culturas e as historias não podem ser seriamente compreendidas sem que sua força ou, mais precisamente, suas configurações de poder também sejam estudadas. A relação entre o Ocidente e o Oriente é uma relação de poder, de dominação, de graus variáveis de uma hegemonia complexa, o que está indicado no título de um livro clássico: A dominação ocidental na Ásia. O Oriente não foi orientalizado só porque se descobriu que era “oriental” em todos aqueles aspectos considerados lugares-comuns por um europeu comum do século XIX, mas também porque poderia ser transformado em oriental. Não se deve supor que a estrutura do Orientalismo não passa de uma estrutura de mentiras ou de mitos que simplesmente se dissipariam ao vento se a verdade a seu respeito fosse contada. Cada era e sociedade cria os seus “Outros”. É um processo histórico, social, intelectual e politico que ocorre como uma luta que envolve indivíduos e instituições em todas as sociedades.

Esses processos não são exercícios mentais, mas lutas sociais prementes que envolvem questões políticas concretas, como as leis da imigração, a legislação da conduta pessoal, a constituição da ortodoxia, a legitimação da violência e/ou insurreição, o caráter e o conteúdo da educação, os rumos da politica externa, o que muito frequentemente tem a ver com a designação de inimigos oficiais. Em suma, a construção da identidade está ligada com a disposição de poder e de impotência em cada sociedade, sendo portanto tudo menos meras abstrações acadêmicas. O destino do Orientalismo foi afortunado e desafortunado. Para aqueles no mundo árabe e islâmico que sentiam a opressão ocidental com ansiedade e tensão, parecia ser o primeiro livro a dar uma resposta séria a um Ocidente que nunca escutara realmente o oriental, nem o perdoara por ser afinal um oriental.

Lembro-me de uma primeira resenha do livro, que descrevia o autor como um paladino do arabismo, um defensor dos pisoteados e maltratados, cuja missão era envolver as autoridades ocidentais numa espécie de mano a mano épico e romântico. Apesar do exagero, transmitia uma sensação real da hostilidade duradoura do Ocidente experimentada pelos árabes, além de transmitir uma resposta que muito árabes educados sentiam ser apropriada. Há hoje pelo menos uma aceitação geral de que elas não representam uma orden eterna, mas uma experiência histórica cujo fim pode estar próximo. Orientalismo teve ao mesmo o mérito de se alistar abertamente na luta – que continua, é claro, tanto no “Ocidente” como no “Oriente”.

 

Fonte: Por Gianna Rosciolesi, no Periodismo Internacional Alternativo | Tradução: Lucas Scatolini/A Terra é Redonda

 

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