quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Milei, o profeta detonado

O debate jurídico sobre uma lei de propriedade privada transformou-se em outro tipo de discussão: “A pátria não está à venda”, gritava uma multidão debaixo d'água. Esse golpe é significativo para Milei, que vê os limites de seu projeto libertário.

<<< Eis o artigo.

Em outubro de 2017, a coligação de centro-direita Cambiemos acabara de vencer as eleições legislativas por uma ampla margem, e Mauricio Macri sentiu-se no direito de proferir duas palavras que, vistas da perspectiva atual, soam como um epitáfio: "reformismo permanente". Ele derrotara o peronismo, os líderes empresariais comemoraram, as lideranças sindicais se submeteram, a grande mídia falava de uma nova era, e o governo começou a se comportar como se tivesse descoberto uma lei da história. A Argentina, enfim, havia se transformado, embarcando no caminho para um paraíso neoliberal. Essa projeção durou dois meses.

Nos dias 14 e 18 de dezembro, uma multidão cercou o Congresso para protestar contra a reforma da previdência. Houve arremesso de pedras, uso de gás lacrimogêneo, confrontos eclodiram e a praça se transformou, por horas, em algo completamente diferente: um campo de batalha. A lei foi aprovada. Mas Macri havia perdido algo que não consta em nenhum registro do Congresso: a sensação messiânica de que podia fazer qualquer coisa. Em seguida, vieram os eventos de sempre: uma corrida à moeda, o FMI, um resgate de US$ 50 bilhões, inflação de 47,6% e recessão. Em 2019, Macri perdeu a reeleição por uma margem esmagadora.

Na semana passada, Javier Milei recebeu seu próprio aviso.

Na quinta-feira, 6 de agosto, o Senado aprovou a Lei sobre a Inviolabilidade da Propriedade Privada por 37 votos a 33. Para alcançar esses 37 votos, duas partes importantes da lei foram retiradas. Primeiro, foi removida a flexibilização dos limites para a compra de terras por estrangeiros. Em seguida, a reforma da Lei de Gestão de Incêndios foi rejeitada. Lá fora chovia. No entanto, isso não impediu que organizações políticas e sociais, estudantes e milhares de pessoas sem qualquer filiação formal se reunissem nos arredores do Congresso. O debate jurídico sobre uma lei de propriedade privada havia se transformado, de uma maneira muito argentina, em outro debate: "A pátria não está à venda", gritava a multidão sob a chuva. Houve gás lacrimogêneo, balas de borracha, prisões e feridos. O governo venceu a votação, mas perdeu o dia político.

Como raramente acontecia há muito tempo, Milei deixou de escolher cuidadosamente as palavras ao abordar o tema da conversa ou a guerra. Ele queria falar sobre propriedade privada e acabou respondendo sobre as Malvinas, soberania, recursos naturais e capital estrangeiro. Ele havia chegado ao poder com uma capacidade surpreendente de forçar todos a discutir os assuntos em sua própria linguagem. Nas últimas semanas, ele teve que falar em uma linguagem estranha ao seu dogma. Aconteceu logo após a Copa do Mundo. Há momentos em que a política lida com materiais que ninguém controla totalmente. Após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, uma frase estampada em bandeiras, camisetas e muros ressurgiu: "As Ilhas Malvinas são argentinas". Algo antigo e primitivo havia sido ativado. Uma ferida aberta. No exato momento em que essa ferida começou a vibrar novamente nas mentes e nos corações de milhões de argentinos, o governo abriu o debate sobre quem pode comprar território nacional sem limites. Em seus primeiros anos, Milei parecia ter uma sensibilidade quase animalesca para detectar a origem da raiva. Desta vez, ele pisou num fio desencapado.

<><> Mais Laclau do que Gramsci

Durante a ascensão do libertarianismo, tornou-se comum dizer que Milei e seus seguidores haviam lido Gramsci "melhor" do que a esquerda. A ideia era sedutora: a nova direita supostamente havia compreendido as lições da esquerda, entendido a guerra cultural, vencido o senso comum e construído uma hegemonia. Infelizmente para os libertários, eles haviam escolhido o autor errado. A eficácia temporária de Milei é melhor explicada pelas teorias de Ernesto Laclau, aquele marxismo peculiar e diluído, com concessões teóricas e políticas em excesso à moda pós-moderna. A grande conquista política de Milei foi reunir queixas de origens diversas e fazê-las apontar todas na mesma direção. Inflação, desprezo pelos políticos profissionais, raiva do Estado e, ainda mais, de sua "imitação" (como o antropólogo Pablo Semán a definiu desde cedo), a frustração daqueles que trabalham, mas não progridem, certos privilégios irritantes, cansaço do peronismo. Tudo isso poderia ser resumido em duas palavras: "a elite".

Eram conflitos de naturezas diferentes. Milei deu-lhes um inimigo comum. É assim que se constroem momentos políticos poderosos. Alguém consegue dizer uma palavra, e milhões sentem que essa palavra estava à espera dentro de si. A dificuldade começa quando outra palavra (ou palavras) consegue fazer o caminho inverso. Educação universitária, pensões, invalidez, salários, dívidas familiares e soberania territorial são questões distintas. Durante muito tempo, permaneceram relativamente separadas. Cada setor pôde passar por seus próprios ajustes, enquanto a sociedade foi forçada a encarar os conflitos como incidentes isolados.

Na última quinta-feira, surgiu por algumas horas outra possibilidade. Ela conseguiu colocar diferentes problemas dentro do mesmo cenário. Essa mudança importa mais do que os artigos que sobreviveram no Senado. Um governo pode perder votos e ainda assim manter a iniciativa. Pode perder uma eleição e ainda assim preservar uma era. O perigo começa quando ele perde o direito de nomear as coisas.

<><> A queda lenta

As pesquisas indicavam que algo estava mudando. A mais recente pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel e Bloomberg entre 30 de julho e 3 de agosto, apontou uma aprovação presidencial de 37,1% e uma desaprovação de 62,4%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, apenas 23,1% aprovam o presidente. Entre os jovens de 25 a 34 anos, o índice é de 26,9%. Há uma pequena ironia nessa história. Os jovens foram uma das imagens mais marcantes da ascensão de Milei. Em 2023, havia lares argentinos onde um jovem de vinte anos convencia um pai, uma mãe ou um tio a votar em um economista que gritava na televisão com uma motosserra na mão. Eles eram ativistas não oficiais em uma rebelião eleitoral que entrou para a história pelo lado errado. Três anos depois, alguns olham para esse mesmo presidente com decepção. Esse desencanto ainda carece de direção. Pode terminar em abstenção, indiferença, outra direita, peronismo ou esquerda. A certeza que começa a ruir é mais antiga: aquela ideia, repetida até se tornar quase senso comum e escrita à exaustão em artigos acadêmicos, de que toda uma geração havia se deslocado para a direita para sempre.

<><> A igualdade que não morreu

A vitória de Milei marcou várias mortes. A esfera pública e o coletivo morreram. A igualdade morreu. As ruas morreram. Até mesmo uma certa Argentina morreu. Os países têm o péssimo hábito de sobreviver aos seus próprios atestados de óbito.

O sociólogo Juan Carlos Torre revisitou recentemente um antigo ditado gaúcho de origem obscura, mas universalmente reconhecido: “ninguém é melhor do que ninguém”. É difícil encontrar cinco palavras que expliquem melhor um aspecto persistente da cultura política argentina. A frase nunca teve a intenção de insinuar que este era um país igualitário. A desigualdade existe e vem crescendo há décadas. Ela revela algo mais: a dificuldade argentina em aceitar hierarquias com serenidade. O desconforto gerado por alguém que se considera superior demais. Uma tendência bastante plebeia de perguntar: "Quem você pensa que é?"

Muitos governos tentaram corrigir essa “falha nacional”. Milei é talvez a tentativa mais radical das últimas décadas. Seu programa econômico redistribui a renda para os mais ricos e desmantela as funções sociais do Estado. Sua batalha mais ambiciosa, no entanto, está sendo travada em outra frente. Ele precisa que a desigualdade deixe de ser percebida como uma injustiça, que a solidariedade pareça uma forma de suspeita e que a “justiça social” soe como uma aberração. Ele quer que todos olhem para suas próprias vidas e encontrem nelas apenas o resultado de suas escolhas pessoais — uma sociedade de indivíduos que são gratos quando vencem e se culpam quando perdem. Por um tempo, pareceu funcionar. Uma pessoa pode suportar uma queda no padrão de vida por um período se acreditar que está atravessando um túnel. Ela pode aceitar o sacrifício se houver algo do outro lado. A promessa libertária tinha um poder relativamente temporário: hoje dói, amanhã decola. O problema com os amanhãs é que um dia eles chegam.

O salário acaba. O emprego fica mais precário. Uma dívida parece quitar outra. O cartão de crédito substitui o salário nos últimos dias do mês. O salário parece estar diminuindo e o mês parece estar ficando mais longo. Então, um fenômeno político simples, porém perigoso, pode ocorrer: o sofrimento individual de cada pessoa começa a se assemelhar demais ao que acontece com seu vizinho. O drama individual se torna uma questão coletiva, e a questão coletiva se torna um problema político.

Milei sempre teve um talento especial para individualizar os fracassos e coletivizar a esperança. Agora, ele enfrenta a possibilidade oposta: que a frustração se torne coletivizada. A rua foi mais uma das mortes anunciadas. O protocolo antiproteto, as operações policiais, as prisões e a retórica que transformava o manifestante em suspeito buscavam produzir uma imagem precisa: a Argentina, assolada por conflitos, finalmente aprendera a ficar em casa. Na quinta-feira, sob chuva, surgiu um novo acontecimento. Durante algumas horas, pessoas que tinham chegado por diferentes motivos desmentiram aquele sonho molhado de todos os direitistas.

<><> Reação contra reação

Milei também era um produto de exportação. Ele subiu a palcos internacionais, abraçou líderes empresariais, recebeu prêmios, discursou sobre o Ocidente e se tornou uma espécie de profeta do sul para uma direita global que buscava demonstrar que era possível fazer no governo o que havia passado anos escrevendo no Twitter. A reação pareceu ter o rumo da história. Nos Estados Unidos, a eleição de Zohran Mamdani como prefeito da cidade de Nova York foi seguida, em 2026, por outras vitórias de candidatos identificados com o socialismo democrático nas eleições primárias e locais. A Reuters também observou o crescimento de veículos de mídia e comentaristas de esquerda que se conectam com o público jovem fora dos canais tradicionais do Partido Democrata. Esses são incidentes isolados, mas bastam para ilustrar um ponto: uma radicalização pode gerar outra.

A Argentina tem uma peculiaridade. A esquerda não precisa esperar que alguém a invente. Existe uma tradição política organizada, uma coligação eleitoral com representação parlamentar, envolvimento sindical e estudantil, e uma figura como a advogada Myriam Bregman, que nos últimos meses começou a ultrapassar os limites históricos da valorização da esquerda.

Uma pesquisa da Tendencias realizada no final de maio registrou uma avaliação positiva de imagem de 42,3% e uma intenção de voto de 14,6%. Mais da metade dos que a apoiavam tinham menos de 35 anos e dois terços eram mulheres. A AtlasIntel havia registrado uma avaliação positiva de imagem de 47%, a mais alta entre as empresas pesquisadas. Existe uma enorme diferença entre esses números e a disputa pelo poder. Essa enorme diferença é a política.

Durante anos, a esquerda argentina se viu em uma posição desconfortável: estar certa em muitas derrotas. Podia antecipar uma crise, apoiar uma greve, denunciar medidas de austeridade, ter representantes reconhecidos no Congresso e ainda assim permanecer eleitoralmente confinada a um perímetro familiar. Agora, o cenário está mais aberto. O desencanto com Milei será contestado. O peronismo tentará reconquistá-lo. Alguns na direita tentarão oferecer uma política ao estilo de Milei sem Milei, ou medidas de austeridade sem a mesma reação negativa. Uma parcela da direita poderá se retirar completamente da política. Existe ainda outra possibilidade: que aqueles que tiveram sua primeira experiência política sob a promessa libertária encontrem em seu fracasso razões para se radicalizarem na direção oposta.

Em 2017, Macri acreditava ter mudado a Argentina para sempre. Milei levou essa ilusão muito além. Ele se imaginava como o profeta de um país que finalmente havia deixado para trás a igualdade, os protestos e até mesmo uma certa ideia de nacionalidade.

Na semana passada, a profecia foi destruída. O governo deixou o Senado com os votos, mas com uma lei mutilada. Lá fora ainda chovia. A multidão ainda estava lá, encharcada, respirando gás lacrimogêneo e ocupando uma rua que o governo havia declarado pertencer ao passado. Talvez esse tenha sido o erro deles. Acreditar que tudo do passado estava morto. Às vezes o passado retorna. E às vezes se chama futuro.

¨      Alarme em relação ao projeto de lei de Milei sobre propriedade privada

O governo do líder de extrema-direita Javier Milei aprovou o projeto de lei sobre propriedade privada que tem gerado preocupação. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Igreja e organizações como o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (CELS) alertam que a medida facilitará a concentração e a propriedade estrangeira de terras e abrirá caminho para despejos. Este é um elemento-chave do plano de desregulamentação que o governo argentino enviou ao Congresso em 27 de março, cujo debate tem sido repetidamente adiado devido à falta de votos. O governo planeja que o projeto de lei seja debatido na sessão de 16 de julho. Antes disso, ele passará por uma reunião nesta quarta-feira da Comissão Parlamentar do Trabalho, considerada crucial, pois emendas podem ser apresentadas para angariar apoio. Por trás do pomposo nome de “Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada” reside o verdadeiro cerne da iniciativa, idealizada pelo Ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger: um desmantelamento regulatório que visa diretamente modificar diversas leis em favor de investidores, proprietários de terras e grandes proprietários de imóveis.

<><> Os riscos

Diego Morales, advogado responsável pela área contenciosa do CELS, explicou ao elDiario.es que, além de modificar a Lei de Terras Rurais, o projeto de lei do governo elimina as restrições da Lei de Gestão de Incêndios. “Essa lei impede a mudança de destinação de propriedades que foram destruídas por incêndio há 30 anos. Se essa propriedade é destinada à agricultura, ela deve permanecer destinada à agricultura. Se você quisesse construir um hotel naquela terra agora, não poderia. Com o projeto de lei atual, essa proibição seria eliminada.” Morales acrescenta que a iniciativa modifica a Lei de Desapropriação, obrigando o Estado a pagar o valor de mercado e os lucros cessantes, além de fornecer uma justificativa técnica para a desapropriação, o que aumentará o custo do processo. “O que o projeto de lei diz é que o preço do imóvel que o Estado compra para fins sociais, por exemplo, será determinado de acordo com seu valor de mercado. Pela lei atual, é diferente: o preço é definido por uma avaliação feita por um órgão estatal. Se o Estado precisar comprar um terreno para desenvolver um bairro de baixa renda, ou para adicionar uma área verde ou um pequeno campo de futebol, terá que pagar um preço alto.”

Por sua vez, o Relator Especial da ONU para o direito à moradia, Koldo Casla, enviou uma comunicação ao governo argentino expressando sua preocupação com os despejos. “Desconsiderando a função social da propriedade, o projeto de lei introduz um processo extremamente breve para a realização de despejos, sem uma avaliação de proporcionalidade, e concede um grau desequilibrado de proteção aos proprietários em detrimento do interesse geral da sociedade em casos de expropriação. Portanto, as alterações legais incluídas no projeto de lei podem levar a violações do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ratificado pela Argentina em 1986.” A respeito disso, o advogado do CELS destaca que a iniciativa “introduz uma redução nos prazos”. “Em três dias, o juiz tem que decidir se despeja uma família, mesmo sem uma ordem judicial. Essa é uma questão muito delicada, dado o contexto econômico argentino, que é marcado pela inadimplência: você pode ser despejado por dever uma única parcela ou um mês de aluguel. Após as críticas do Relator Especial da ONU, o governo sinalizou seu desejo de abordar essa questão”, afirma.

A Igreja Católica também se manifestou contra o projeto, declarando: “Ele ameaça a soberania de nossa terra, nossa alimentação, nossos bens comuns e o direito dos povos à autodeterminação”. Em um documento conjunto do Escritório de Pastoral Social, da Cáritas Argentina e da Equipe Nacional de Pastoral Indígena (Endepa), a instituição alertou sobre a propriedade estrangeira e a concentração de terras, advertindo ainda sobre o risco de conceder acesso irrestrito a corporações estrangeiras em áreas estratégicas ligadas a reservas de água doce e recursos naturais não renováveis.

<><> Recuo regulatório ambiental

Um mapa interativo desenvolvido no final de 2025 pelo Observatório da Terra, criado por cientistas do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet) e da Universidade de Buenos Aires, revela a situação atual: mais de 13 milhões de hectares já pertencem a capital estrangeiro. Esse número representa quase 5% do território nacional, uma área comparável ao tamanho total da Inglaterra. Os Estados Unidos lideram a lista de proprietários estrangeiros de terras, com 2,7 milhões de hectares. A nova lei alteraria essa porcentagem de propriedade. O Observatório da Terra destaca que a natureza da soberania territorial argentina sofreu um colapso irreversível em meados da década de 1990. “Em 1996, a recém-criada Secretaria de Segurança Interna (SSI) do governo Carlos Menem absorveu as competências da Superintendência Nacional de Fronteiras. Sob sua jurisdição, foi autorizada a venda de mais de oito milhões de hectares em áreas fronteiriças consideradas de segurança nacional. Essa manobra contornou o histórico Decreto 15.385 de 1944, uma norma protetiva que salvaguardava essas áreas para o uso exclusivo dos cidadãos locais. Por meio de triangulações e vendas irregulares, a proteção legal foi violada, abrindo caminho para a entrada icônica de capital estrangeiro na Patagônia, como a aquisição do Lago Escondido pelo magnata britânico Joe Lewis e as compras multimilionárias do italiano Luciano Benetton”, acrescenta o observatório.

A Lei de Terras de 2011 foi promulgada para impedir o uso de laranjas, a brecha legal que mantém a situação fundiária ligada ao Emir de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed, perto de Bariloche, no sul da Argentina, atolada em litígios. Segundo reportagens dos jornais PáginaI12 e Tiempo Argentino, os Emirados Árabes Unidos teriam se apropriado ilegalmente de vastas extensões de terra nas regiões andinas e costeiras de Río Negro desde 2017, por meio de uma rede de laranjas argentinos, conselhos administrativos interligados e fundos fiduciários que criam uma falsa aparência de legalidade. A iniciativa promovida pelo Poder Executivo não opera isoladamente. Ela faz parte de um ecossistema de flexibilização da regulamentação ambiental, complementado pela reforma já aprovada da Lei das Geleiras e pelo Regime de Incentivos para Grandes Investimentos (RIGI).

 

Fonte: Por Fernando Rosso, no El Salto/elDiário.es

 

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