Ronco
depois dos 50 não é “coisa da idade”: entenda por que o problema aumenta após a
menopausa
Roncar
durante a noite costuma ser associado à imagem de um homem de meia-idade, mas o
problema está longe de ser exclusivamente masculino. Nas mulheres, o ronco
tende a se tornar mais frequente com o avanço da idade, especialmente após a
menopausa, e pode ser mais do que um incômodo para quem divide o quarto.
Em
alguns casos, o ronco persistente é um dos sinais de alterações respiratórias
durante o sono e pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição que
interrompe repetidamente a respiração durante a noite e prejudica a qualidade
do descanso.“O ronco feminino muitas vezes acaba sendo subestimado. Algumas
mulheres acreditam que isso faz parte do envelhecimento ou sentem vergonha de
comentar o assunto, mas ele pode ser um importante sinal de alerta para
distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono”, explica o
otorrinolaringologista Lucas Vaz Padial, especialista em distúrbios do sono do
Hospital Paulista.
<><>
Por que a menopausa pode aumentar o ronco?
As
mudanças hormonais estão entre os fatores que ajudam a explicar o aumento do
problema nessa fase da vida.Durante a menopausa, ocorre uma redução dos níveis
de estrogênio e progesterona. Segundo o especialista, esses hormônios exercem
influência sobre a musculatura das vias aéreas superiores e sobre o controle da
respiração.Com a queda hormonal, aumenta a tendência ao estreitamento da
garganta durante o sono, favorecendo tanto o ronco quanto episódios de apneia.
>>>>
Outros fatores também podem contribuir para o problema, como:
• ganho de peso;
• envelhecimento;
• obstrução nasal provocada por rinite;
• desvio de septo;
• características anatômicas individuais.
<><>
Nem todo ronco significa doença
Uma
noite mal dormida, o consumo de bebidas alcoólicas ou até um quadro de gripe
podem provocar episódios ocasionais de ronco.O sinal de alerta aparece quando o
problema se torna frequente e persistente, principalmente se vier acompanhado
de outros sintomas.
“Quando
o ronco é constante, vem acompanhado de pausas respiratórias, sono agitado ou
despertares frequentes, ele pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição
que reduz a oxigenação durante a noite e compromete a qualidade do descanso”,
afirma Padial.Nas mulheres, há ainda um sintoma que pode passar despercebido:
dor de cabeça ao acordar, que tende a melhorar ao longo do dia.
>>>>
Também merecem atenção:
• pausas na respiração percebidas por quem
dorme ao lado;
• despertares frequentes;
• sensação de sufocamento durante a noite;
• cansaço constante;
• sonolência excessiva durante o dia;
• irritabilidade;
• dificuldade de concentração e memória;
• baixa disposição.
<><>
Quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo
Quando
associado à apneia do sono, o ronco pode representar um problema de saúde que
vai muito além do barulho durante a noite. A redução da oxigenação e a
fragmentação do sono podem estar associadas a maior risco de hipertensão
arterial, doenças cardiovasculares e diabetes, além de prejudicar concentração,
memória e disposição durante o dia. Por isso, observar o que acontece durante o
sono pode ser importante para identificar o problema. “É importante observar
também se o parceiro percebe pausas na respiração durante o sono ou se há
despertares com sensação de sufocamento. Esses sinais justificam uma avaliação
especializada”, orienta o médico.
<><>
Vergonha pode atrasar o diagnóstico
Outro
obstáculo é a própria percepção que muitas mulheres têm sobre o ronco.Como o
sintoma ainda costuma ser associado ao público masculino, algumas acabam
encarando o problema como algo normal do envelhecimento ou evitam falar sobre
ele por vergonha.Em muitos casos, a busca por atendimento acontece apenas
quando aparecem as consequências da má qualidade do sono.
Cansaço
constante, dores de cabeça pela manhã, irritabilidade, problemas de memória e
falta de disposição podem ser atribuídos à rotina, ao estresse ou à própria
idade.
<><>
Ronco tem tratamento
A boa
notícia é que o ronco pode ser controlado quando a causa é identificada e
tratada.
Entre
as medidas que podem ajudar estão:
• manter o peso saudável;
• praticar atividade física;
• evitar bebidas alcoólicas próximo ao
horário de dormir;
• tratar problemas que causam obstrução
nasal;
• manter bons hábitos de sono.
Quando
necessário, o tratamento pode envolver aparelhos utilizados durante o sono,
terapias específicas ou procedimentos cirúrgicos, dependendo da origem do
problema.“O mais importante é entender que roncar não deve ser encarado como
algo normal. Identificar a origem do problema permite melhorar a qualidade do
sono, preservar a saúde e recuperar a qualidade de vida”, conclui Lucas Padial.
Fonte:
Correio

Nenhum comentário:
Postar um comentário