quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Ronco depois dos 50 não é “coisa da idade”: entenda por que o problema aumenta após a menopausa

Roncar durante a noite costuma ser associado à imagem de um homem de meia-idade, mas o problema está longe de ser exclusivamente masculino. Nas mulheres, o ronco tende a se tornar mais frequente com o avanço da idade, especialmente após a menopausa, e pode ser mais do que um incômodo para quem divide o quarto.

Em alguns casos, o ronco persistente é um dos sinais de alterações respiratórias durante o sono e pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição que interrompe repetidamente a respiração durante a noite e prejudica a qualidade do descanso.“O ronco feminino muitas vezes acaba sendo subestimado. Algumas mulheres acreditam que isso faz parte do envelhecimento ou sentem vergonha de comentar o assunto, mas ele pode ser um importante sinal de alerta para distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono”, explica o otorrinolaringologista Lucas Vaz Padial, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista.

<><> Por que a menopausa pode aumentar o ronco?

As mudanças hormonais estão entre os fatores que ajudam a explicar o aumento do problema nessa fase da vida.Durante a menopausa, ocorre uma redução dos níveis de estrogênio e progesterona. Segundo o especialista, esses hormônios exercem influência sobre a musculatura das vias aéreas superiores e sobre o controle da respiração.Com a queda hormonal, aumenta a tendência ao estreitamento da garganta durante o sono, favorecendo tanto o ronco quanto episódios de apneia.

>>>> Outros fatores também podem contribuir para o problema, como:

•        ganho de peso;

•        envelhecimento;

•        obstrução nasal provocada por rinite;

•        desvio de septo;

•        características anatômicas individuais.

<><> Nem todo ronco significa doença

Uma noite mal dormida, o consumo de bebidas alcoólicas ou até um quadro de gripe podem provocar episódios ocasionais de ronco.O sinal de alerta aparece quando o problema se torna frequente e persistente, principalmente se vier acompanhado de outros sintomas.

“Quando o ronco é constante, vem acompanhado de pausas respiratórias, sono agitado ou despertares frequentes, ele pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição que reduz a oxigenação durante a noite e compromete a qualidade do descanso”, afirma Padial.Nas mulheres, há ainda um sintoma que pode passar despercebido: dor de cabeça ao acordar, que tende a melhorar ao longo do dia.

>>>> Também merecem atenção:

•        pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado;

•        despertares frequentes;

•        sensação de sufocamento durante a noite;

•        cansaço constante;

•        sonolência excessiva durante o dia;

•        irritabilidade;

•        dificuldade de concentração e memória;

•        baixa disposição.

<><> Quando o ronco deixa de ser apenas um incômodo

Quando associado à apneia do sono, o ronco pode representar um problema de saúde que vai muito além do barulho durante a noite. A redução da oxigenação e a fragmentação do sono podem estar associadas a maior risco de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes, além de prejudicar concentração, memória e disposição durante o dia. Por isso, observar o que acontece durante o sono pode ser importante para identificar o problema. “É importante observar também se o parceiro percebe pausas na respiração durante o sono ou se há despertares com sensação de sufocamento. Esses sinais justificam uma avaliação especializada”, orienta o médico.

<><> Vergonha pode atrasar o diagnóstico

Outro obstáculo é a própria percepção que muitas mulheres têm sobre o ronco.Como o sintoma ainda costuma ser associado ao público masculino, algumas acabam encarando o problema como algo normal do envelhecimento ou evitam falar sobre ele por vergonha.Em muitos casos, a busca por atendimento acontece apenas quando aparecem as consequências da má qualidade do sono.

Cansaço constante, dores de cabeça pela manhã, irritabilidade, problemas de memória e falta de disposição podem ser atribuídos à rotina, ao estresse ou à própria idade.

<><> Ronco tem tratamento

A boa notícia é que o ronco pode ser controlado quando a causa é identificada e tratada.

Entre as medidas que podem ajudar estão:

•        manter o peso saudável;

•        praticar atividade física;

•        evitar bebidas alcoólicas próximo ao horário de dormir;

•        tratar problemas que causam obstrução nasal;

•        manter bons hábitos de sono.

Quando necessário, o tratamento pode envolver aparelhos utilizados durante o sono, terapias específicas ou procedimentos cirúrgicos, dependendo da origem do problema.“O mais importante é entender que roncar não deve ser encarado como algo normal. Identificar a origem do problema permite melhorar a qualidade do sono, preservar a saúde e recuperar a qualidade de vida”, conclui Lucas Padial.

 

Fonte: Correio

 

Nenhum comentário: