Fifa:
como o mundo futebolístico está dividido sobre Infantino
Até
menos de um mês atrás, a reeleição de Gianni Infantino como presidente da Fifa
em março do ano que vem era dada como certa.
Quase
todos os 210 membros da Fifa apoiavam sua candidatura para um quarto mandato à
frente da entidade que dirige o futebol mundial. Infantino não enfrentava
oposição significativa de nenhum lado.
Mas,
hoje, tudo parece muito diferente. Por duas semanas ele enfrentou ataques
implacáveis ao seu plano, agora abandonado, de vender participações na Copa do
Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.
O mundo
está dividido e precisará decidir se deve manter ou dispensar Infantino.
Para
ilustrar esta divisão, a BBC Sport mapeou a aparente visão de todas as 210
associações nacionais com direito a voto na Fifa — lembrando que o Nepal,
membro n° 211, atualmente está suspenso e não pode votar.
Alguns
países declararam abertamente seu apoio ou oposição ao atual presidente da
Fifa. Outros informaram sua posição ao serem questionados pela BBC Sport e um
terceiro grupo teve sua posição presumida com base nas declarações da
confederação continental de cada país.
Antes,
a eleição de Infantino para um quarto mandato na Fifa parecia ser um passeio,
sem enfrentar oposição. Agora, é possível que ele enfrente dificuldades para
garantir apoio suficiente para se manter no cargo.
Se for
encontrado um candidato de consenso, a próxima eleição da Fifa pode se tornar
um confronto direto.
A
eleição da entidade entre dois candidatos exige maioria simples. Ou seja,
seriam necessários 106 votos para a vitória de um dos postulantes.
Se
houver três ou mais candidatos, um deles precisará receber dois terços dos
votos (140) para vencer no primeiro turno. Se ninguém se sair vencedor, haverá
um segundo turno, para escolher o eleito por maioria simples.
A
Europa conta com 55 votos, a África com 54, a Ásia com 46, a América do Norte
com 35, a Oceania com 11 e a América do Sul, com 10 votos.
Pela
contagem atual, aparentemente, 73 países apoiam Infantino, 124 se opõem e 13
estão indecisos. Mas o quadro é incerto e provavelmente irá se alterar nos
próximos meses.
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Qual é a posição dos países e das confederações?
Diversos
países europeus, incluindo a Inglaterra e o País de Gales, retiraram
formalmente suas cartas de apoio ao presidente da Fifa na eleição do ano que
vem.
Na
segunda-feira (10/8), a reação contra Infantino se intensificou. A Uefa, que
rege o futebol na Europa, a norte-americana Concacaf e a Confederação Asiática
de Futebol (AFC, na sigla em inglês) assinaram uma carta conjunta, acusando a
Fifa e o seu presidente de quebra de confiança "por meio do engano".
Esta
coalizão é significativa. Os três organismos regionais representam, ao todo,
136 associações nacionais.
Mas já
existem membros dissidentes nas confederações. Na Ásia, por exemplo, o Butão,
as Filipinas e os Emirados Árabes Unidos apoiaram Infantino.
O
continente asiático é considerado uma possível região "pêndulo" para
o futuro do atual presidente. Muitas associações ainda não divulgaram suas
posições.
O
México também divergiu da Concacaf e saiu em apoio a Infantino. Os Estados
Unidos e o Canadá manifestaram seu apoio à recente declaração da entidade
continental, mas não afirmaram abertamente sua oposição à manutenção do atual
presidente da Fifa no cargo.
Já a
Confederação de Futebol da Oceania (OFC, na sigla em inglês) declarou ter
iniciado um processo de consulta entre seus membros no dia 30 de julho.
A OFC
ainda não assumiu posição em relação à proposta descartada pela Fifa, o que
deve acontecer nesta quinta-feira (13/8), após a reunião do seu comitê
executivo, nas ilhas Fiji.
Infantino
ainda conta com aliados fiéis, particularmente na África (Caf) e na América do
Sul (Conmebol). Os dois continentes se beneficiaram dos investimentos sem
precedentes realizados desde a sua posse, uma década atrás.
Estes
investimentos poderão ajudá-lo a ganhar votos fundamentais de países da AFC,
Concacaf e OFC. Eles estão muito abaixo na cadeia alimentar do futebol e se
beneficiaram significativamente do programa Fifa Forward, que disponibilizou
bilhões de dólares para investimentos.
Por
fim, a Arábia Saudita ainda não assumiu publicamente sua posição, embora tenha
recebido o direito de promover a Copa do Mundo de 2034, sob o olhar atento de
Infantino.
A
associação saudita de futebol terá suas próprias eleições em agosto e os
resultados poderão definir a posição do país e influenciar a opinião de outras
nações da região.
Por
tudo isso, é impossível garantir que todos os países irão seguir a linha da sua
confederação regional.
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O que acontece agora?
Infantino
não demonstrou desejo de renunciar, mas existe a possibilidade de que seu
mandato termine em breve, se os membros do Conselho da Fifa tentarem forçar sua
renúncia em uma reunião de emergência.
É
possível convocar esta reunião, se 19 dos 37 membros do Conselho estiverem de
acordo. Ela seria realizada em até 15 dias após a convocação.
O
Conselho é composto por nove membros da Uefa, sete da AFC, seis da Caf, cinco
da Concacaf, cinco da Conmebol e três da Oceania. O próprio Infantino e o
secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.
Analisando
esta composição, parece uma hipótese improvável. O que deixa a possibilidade de
que um candidato enfrente Infantino nas eleições de março do ano que vem.
Até
agora, ninguém se candidatou. Mas, se os líderes da Uefa, Concacaf e AFC
realmente quiserem derrubar o atual presidente da Fifa, sua melhor opção
provavelmente é se unirem em torno de um único postulante.
O prazo
para que os candidatos anunciem sua intenção de concorrer termina em novembro.
Historicamente,
outras confederações têm se indignado com o domínio europeu do futebol, suas
competições e o dinheiro envolvido.
Talvez
por isso, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, vem sendo
sistematicamente indicado nas últimas semanas como o mais provável oponente de
Infantino.
O mapa
de votos pode mudar significativamente, dependendo de quem se apresente.
Se o
presidente da AFC, o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, se candidatar, por
exemplo, é possível que ele atraia para si algumas das associações asiáticas
que, atualmente, apoiam Infantino.
No
momento, o quadro global permanece incerto, devido às divisões emergentes
dentro das confederações, à possibilidade de que pessoas importantes se
declarem contra ou a favor de Infantino nos próximos meses e à atual falta de
um candidato claro para desafiar o atual presidente da Fifa.
O que
se sabe ao certo é que Infantino não tem mais um caminho tranquilo rumo ao seu
quarto mandato, se estiver disposto a se manter por mais tempo.
Fonte:
BBC Sport

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