Bahia
não tem eleição descasada entre governador e senador desde 1962
A
correlação entre os votos para governador e senador criou um intervalo de 64
anos sem uma eleição descasada na Bahia. Desde o início das eleições diretas
para o governo estadual, em 1947, o eleitorado baiano elegeu 23 senadores, mas
apenas dois deles venceram em uma composição diferente da chapa do governador
eleito.
A
última e única vez em que houve divergência na composição da chapa majoritária
ocorreu em 1962 quando Antônio Lomanto Júnior foi eleito governador após
enfrentar Waldir Pires. Na disputa pelo Senado, porém, os dois candidatos
apoiados por Waldir — Josaphat Marinho e Antônio Balbino — foram eleitos,
superando os nomes ligados a Lomanto, Dantas Júnior e Lima Teixeira.
governador
e ex-senador, Antônio Balbino - Foto: Reprodução | Arquivo Nacional
De
acordo com o levantamento realizado pelo portal A TARDE, o episódio de 1962 é,
portanto, o único registro em que o eleitorado baiano escolheu um governador e
senadores vinculados a uma força política adversária.
<><>
Não exatamente aliados
A
eleição daquele ano teve uma configuração particular. Lomanto Júnior foi eleito
para o governo da Bahia, enquanto Josaphat Marinho e Antônio Balbino
conquistaram as duas vagas disponíveis para o Senado.
Embora
Josaphat e Waldir tenham feito campanha juntos naquele pleito, os dois não eram
filiados ao mesmo partido. O próprio Josaphat explicou a situação em entrevista
ao Globo em 1986, quando voltou a disputar o governo baiano contra Waldir
Pires.
Questionado
sobre como dois socialistas e antigos aliados haviam chegado à disputa pelo
governo apoiados por forças políticas opostas, Josaphat afirmou que os dois
nunca haviam militado no mesmo partido e que a aliança de 1962 havia ocorrido
em torno de uma “composição partidária”.
A
trajetória política dos dois também ajuda a explicar a distância entre aquela
aliança e a disputa de 1986. Josaphat havia ocupado cargos no governo Juracy
Magalhães e presidido o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) durante o governo
de Jânio Quadros. Em 1986, deixou o PSB e ingressou no PFL após convite de
Antônio Carlos Magalhães, tornando-se o candidato apoiado pelo grupo carlista
contra Waldir Pires.
<><>
Depois de 1962
A
partir da redemocratização, a coincidência entre as forças vencedoras do
governo e do Senado voltou a se repetir nas eleições baianas. Em 1982, primeira
eleição direta em 20 anos, João Durval foi eleito governador pelo PDS, enquanto
Luiz Viana Filho conquistou a vaga para o Senado pelo mesmo partido.
Quatro
anos depois, Waldir Pires (PMDB) venceu a eleição para o governo, e Ruy Bacelar
e Jutahy Magalhães, também do PMDB, foram eleitos senadores. Em 1990, Antônio
Carlos Magalhães (PFL) venceu para governador e Josaphat Marinho, que havia
migrado para o mesmo partido, foi eleito senador.
A mesma
lógica se repetiu nas eleições seguintes. Em 1994, Paulo Souto venceu para
governador e ACM e Waldeck Ornelas foram eleitos senadores pelo PFL. Em 1998,
César Borges ganhou o governo e Paulo Souto conquistou uma vaga no Senado,
ambos pelo PFL.
Em
2002, Souto e César Borges "inveteram" os cargos. O primeiro voltou a
se eleger para o Governo do Estado, sendo acompanhado pela sua chapa ao Senado,
o próprio César Borges e ACM, todos pelo PFL.
<><>
Era petista mantém padrão
A
mudança de grupo político no comando do Estado, em 2006, não rompeu o padrão,
mas ampliou a importância das coligações ao eleger senadores e governadores de
partidos diferentes. Jaques Wagner (PT) foi eleito governador, enquanto João
Durval (PDT), apoiado por Wagner, conquistou uma das vagas para o Senado.
Em
2010, Wagner foi reeleito e os senadores eleitos foram Walter Pinheiro (PT) e
Lídice da Mata (PSB), ambos integrantes da base que sustentava a candidatura
governista. Em 2014, Rui Costa (PT) venceu para governador e Otto Alencar (PSD)
foi eleito senador.
A
exceção ocorre agora em 2026, com o lançamento da chapa “puro-sangue” petista.
A composição é formada pelo governador Jerônimo Rodrigues em busca da
reeleição, além de Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos ao Senado.
<><>
Quase quebras
Em
2018, quando Rui Costa buscava a reeleição, sua chapa era composta por Jaques
Wagner (PT) e Angelo Coronel — à época pelo PSD — para o Senado. O pessedista
apareceu atrás nas pesquisas do então candidato Irmão Lázaro (PSC). Contudo,
Coronel se elegeu com 32,97% dos votos válidos, enquanto o postulante do PSC
alcançou 15,37%.
Outro
caso em que o tabu ficou em risco foi em 2022. Era prevista uma eleição
tranquila para Otto Alencar para o Senado, mas o cenário era indefinido para
seu aliado Jerônimo Rodrigues (PT) para a disputa contra ACM Neto (União) pelo
Governo do Estado. Todavia, apesar do embate difícil, o petista acabou eleito
no segundo turno, junto com Otto para o Senado.
<><>
Em discussão
Com a
eleição de 2026 se aproximando, a composição das chapas majoritárias volta a
colocar em evidência o histórico eleitoral baiano. Desde 1962, o eleitorado do
Estado não escolhe um governador de uma força política e, simultaneamente, um
senador de uma composição adversária.
O
histórico recente mostra que as disputas pelo governo e pelo Senado foram
marcadas pela formação de chapas majoritárias amplas, nas quais os candidatos
às diferentes posições caminharam juntos na campanha.
Em
2026, Jerônimo foi na contramão ao lançar Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado.
Contudo, no campo da oposição, ACM Neto compõe a chapa majoritária com Angelo
Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) na disputa pela Casa Alta.
Fonte:
A Tarde

Nenhum comentário:
Postar um comentário