Em
tempos de economia da atenção, Renan Santos é mais perigoso que Flávio
Bolsonaro, afirma filósofo
O
bolsonarismo não é um movimento político coeso. Não é nem mesmo um bom nome
para se referir aos eleitores de Jair Bolsonaro ou algum de seus filhos. Na
verdade, pouco tem a ver com Bolsonaro, e sim com várias tendências da extrema
direita que são reunidas na figura do ex-capitão: o homem certo, no lugar
certo, na hora certa. É isso que
argumenta o filósofo Rodrigo Nunes em seu livro “Do transe à vertigem”. O
bolsonarismo é o nome que damos à união de vários elementos diferentes —
militarismo, anti-intelectualismo, empreendedorismo, anticomunismo,
libertarianismo econômico, discurso anticorrupção, conservadorismo social —,
que nem sempre estão de acordo entre si, debaixo da figura de Jair Bolsonaro.
Por
isso, agora que o ex-presidente está preso, a disputa para garantir seu capital
político está cada vez mais complexa. Quem quiser convencer como herdeiro de
Jair, como Flávio Bolsonaro está tentando, vai precisar retomar esse
“equilíbrio” alcançado pelo pai.
LEIA
A ENTREVISTA:
• A primeira edição de “Do transe à
vertigem” foi publicada em 2022, um pouco antes da eleição. Agora, a segunda
edição do livro sai poucos meses antes da eleição de 2026, em que Lula vai
concorrer novamente com um candidato Bolsonaro. Você percebe alguma mudança
importante no bolsonarismo desde que publicou a primeira edição? Flávio
Bolsonaro é um Bolsonaro diferente de seu pai?
Rodrigo
Nunes – Essa é uma das grandes dificuldades do Flávio Bolsonaro: decidir quem
ele vai ser, se ele vai ter uma identidade própria. Isso se aplica a todo mundo
que tenta herdar o capital político de Jair Bolsonaro.
Uma das
coisas que eu insisto no livro é que, apesar de chamarmos esse fenômeno de
extrema direita de bolsonarismo, o nexo entre o indivíduo Jair Bolsonaro e o
fenômeno é relativamente contingente. Ele é a pessoa certa, no lugar certo e na
hora certa para ser o líder político sob o qual se dá a costura de uma série de
tendências sociais que já vinham se aproximando há algum tempo, desde junho de
2013, ou de maneira mais evidente e acelerada a partir da campanha pelo
impeachment [de Dilma Rousseff].
É um
momento marcado por um grande descrédito do PT, causado pela contestação que
tomou as ruas em 2013 e pela conjunção da crise econômica e da Lava Jato, mas
também pelo descrédito de todo o establishment político, que estava envolvido
de alguma maneira na Lava Jato. Essas tendências buscavam alguém, uma
alternativa política, e o Bolsonaro estava lá.
Os
elementos do bolsonarismo – militarismo, anti-intelectualismo, neoliberalismo
de baixo (a identificação com a figura do empreendedor), neoliberalismo de cima
(economia de mercado renovada e radicalizada), anticomunismo, discurso
anticorrupção, conservadorismo social – não são inteiramente consistentes entre
si e não necessariamente dialogam sempre com os mesmos setores. Os setores
diferentes com os quais cada um desses elementos dialoga nem sempre têm
interesses plenamente convergentes.
O
grande desafio para quem vai herdar o capital político de Bolsonaro é
justamente conseguir manter esse equilíbrio que, por muita sorte, ele conseguiu
estabelecer naquele momento entre as diferentes tendências que compõem o
bolsonarismo. É preciso simbolizar o encontro desses elementos que não são
perfeitamente compatíveis entre si.
Você
tinha uma figura como o Tarcísio de Freitas, que era apontada como “o
bolsonarismo mais moderno”, “bolsonarismo de gestor”, que dialogaria melhor com
o mercado financeiro. Por conta desse perfil, ele corria o risco de perder
alguma coisa do bolsonarismo popular. Por outro lado, uma figura como Pablo
Marçal dialogava muito com essa vertente de “neoliberalismo desde baixo”, do
empreendedorismo de si mesmo, mas perdia um pouco da capacidade de diálogo com
o establishment, porque era uma figura muito mais outsider da política.
• Mas e Flávio Bolsonaro?
Esse
tem sido o desafio de Flávio Bolsonaro: ele tentou, por um tempo, se apresentar
como uma figura moderada, mas agora está refazendo o jogo político do pai,
inclusive com uma certa ajuda do governo Trump, de colocar em dúvida a
idoneidade do sistema eleitoral.
As
diferenças que a gente está vendo no bolsonarismo tem a ver com o fato de que
ninguém até aqui conseguiu a mesma alquimia de reunir todos esses elementos em
um mesmo equilíbrio, e Jair Bolsonaro conseguiu essa alquimia muito mais pelas
circunstâncias do que pela capacidade dele. Diferentes agentes estão tentando
abocanhar pelo menos uma parte desses elementos para si, tentando ser
representantes de setores específicos. É aí que entra uma figura como Renan
Santos.
• Por falar em Renan Santos, você escreve
sobre a figura do troll, que entra no debate público de forma irônica, fala
absurdos e acaba trabalhando para naturalizar esses absurdos. Você associa isso
ao bolsonarismo. Hoje, o Renan Santos parece fazer isso o tempo todo. Ele tem
vídeos no Instagram usando IA para emular o estilo dos filmes do Studio Ghibli
apresentando um sonho para o Brasil, mas é um sonho que envolve matar
criminosos. Ele e o partido Missão fazem muita questão de se distanciar do
bolsonarismo. Existe tanta diferença assim?
Tem uma
diferença importante. Se a gente pensar o bolsonarismo não especificamente como
o que foi o governo Bolsonaro e o capital político da família, mas sim o
bolsonarismo como a primeira expressão brasileira de extrema direita global
contemporânea, a gente vai ver que tem uma grande diferença — que me parece uma
diferença para pior — entre um primeiro momento caracterizado por Donald Trump,
Jair Bolsonaro, Boris Johnson, Nigel Farage e Narendra Modi e um segundo
momento de figuras como Pablo Marçal, Renan Santos, o presidente de El Salvador
Nayib Bukele e até, em alguma medida, Javier Milei, que talvez seja uma figura
intermediária entre os dois momentos.
Os
políticos desse primeiro momento são figuras anteriores à colonização da
política pela economia da atenção, mas aprenderam, foram bem assessorados, têm
o faro para entender a direção em que as coisas estão indo. Eles aprenderam a
jogar o jogo da economia da atenção, mas não são nativos do jogo. Kim
Kataguiri, Renan Santos, Nayib Bukele e Pablo Marçal são figuras nativas desse
jogo, que se formam politicamente nesse jogo e dominam ele de forma muito mais
intuitiva e forte.
Eles já
são nativos desse tipo de comunicação, então é muito natural o uso da ironia
como um mecanismo de distanciamento em relação ao próprio discurso. Sempre há
uma dúvida do quanto aquilo é sério ou não. “Eu estou falando sério ou estou
brincando sobre ser ditador?” A gente só vai saber pelos efeitos.
Na
primeira campanha presidencial de Donald Trump, em 2016, o megaempresário do
Vale do Silício Peter Thiel disse que o que a mídia não entende sobre o Trump é
que seus eleitores não o levam literalmente, mas levam a sério, enquanto a
mídia não o leva a sério porque o entende literalmente. Isso é uma observação
profunda.
O
distanciamento do troll em relação ao próprio discurso permite um
distanciamento também para quem recebe esse discurso. Assim, alguém pode
entender que “matar todos os criminosos” não é literal, mas entende que algo
nesse sentido precisa ser feito.
Figuras
como Marçal e Renan Santos são muito mais preocupantes porque já são nativas
desse mundo de economia da atenção e, diferente de Jair e Flávio Bolsonaro,
eles lêem a direção em que as coisas estão indo de maneira muito mais clara e
acelerada: uma junção dos interesses do Vale do Silício, da indústria militar e
da indústria petroleira com o aparato estatal, como está acontecendo no segundo
governo Trump.
• No livro, você argumenta que uma coisa
que complica ainda mais o equilíbrio de forças do bolsonarismo é que Bolsonaro
pai e os filhos, com seu faccionalismo, conexões suspeitas e ataques constantes
a pessoas de fora e até da própria família, como deu para perceber na briga
recente entre Flávio e Michelle Bolsonaro. O bolsonarismo vive numa
instabilidade perene. Isso é um problema ou sempre foi assim, continuará sendo
assim e talvez é daí que vem a força do bolsonarismo?
Se a
gente pensa a polêmica entre Flávio e Michelle Bolsonaro a partir da chave da
colonização da política pela economia da atenção, a gente sai de uma oposição
simplista entre uma ruptura ou uma jogada ensaiada. Na verdade, não importa
mais. O que importa é capturar atenção.
Eu acho
que em muitos sentidos essa é uma briga real. A Michelle sabe que ela consegue
alcançar uma parcela do eleitorado com a qual o bolsonarismo tem dificuldade,
as mulheres. Se ela forçasse uma ruptura, ela levaria uma parcela dos
evangélicos que votaram no Jair e hoje votam nos filhos do Jair. Porém, no fim
das contas, essa briga pode ser útil para todo mundo, porque o que isso faz é
chamar a atenção para os dois e situá-los para seus respectivos públicos.
A briga
está mantendo os dois em evidência, permitindo testar outras mensagens. A
tendência é que isso chegue a uma acomodação: Michelle apoia Flávio e atrai
esse eleitorado de volta para a candidatura, ao mesmo tempo que mantém seu
controle sobre esse eleitorado.
Estamos
vivendo em um momento da história em que essas questões — é verdade ou mentira?
É acidente ou deliberado? — de certa maneira se tornam supérfluas, porque o
importante é estar capturando a atenção das pessoas, capturando mais e de forma
mais eficiente do que seus adversários.
• O final do livro mudou bastante da
primeira para a segunda edição, não em ideia, mas em conteúdo. Em 2022,
estávamos no começo da década de virada para diminuir o uso de combustíveis
fósseis. Em 2026, passamos da metade da década, e parece que o tema mais
urgente do nosso tempo perdeu a urgência que já teve. Como podemos dar à crise
climática a urgência que ela precisa?
A
primeira edição termina dizendo que o grande desafio da década será uma mudança
de matriz energética, de uma matriz baseada nos combustíveis fósseis para uma
matriz baseada em energias renováveis, mas também fazer com que essa transição
energética seja efetivamente uma transição para um outro sistema econômico e
político em nível global.
Só a
transição energética não será suficiente para resolver o problema do
aquecimento global, então o nosso grande desafio será tensionar o movimento na
direção de uma transição para outra coisa que não seja mais o capitalismo e uma
economia baseada na ideia completamente insustentável de crescimento infinito
no interior de um sistema finito como o planeta Terra.
Quatro
anos depois, o diagnóstico evidente é que, passando da metade dessa década, não
demos uma guinada radical para diminuir o uso de combustíveis fósseis. Do ponto
de vista político, andamos para trás, já que está mais difícil de pautar esses
assuntos no debate público.
Pisamos
no acelerador em três pontos. O primeiro deles é que os Estados Unidos
perceberam que perderam a corrida de tecnologia verde para a China. Pensando em
manter sua hegemonia global, uma transição para uma economia verde não
interessa mais aos Estados Unidos, já que essa transição virou um dos
principais elementos de soft power chinês. Por isso, os EUA estão pisando no
acelerador de combustíveis fósseis.
O
segundo é que o grande capital — Vale do Silício, indústria petroleira e de
logística, indústria de segurança — constatou que já era. Saiu uma matéria no
The Guardian há dois anos com uma grande pesquisa com cientistas do IPCC
perguntando se acreditavam que impedir o aquecimento de 1,5 °C ainda era
possível. A imensa maioria diz não. [Só 6% acreditavam que o limite de 1,5 °C
seria respeitado.] Isso é devastador, porque são as pessoas debruçadas sobre as
projeções climáticas que estão dizendo que já era. O grande capital — e a gente
vê isso na fusão entre empresas como a Palantir com o Departamento de Estado
dos Estados Unidos — entendeu que vai haver um mundo onde não há mais mundo
para todo mundo. Mais eventos climáticos extremos, elevação do nível dos mares,
migração e fome em massa: um mundo em que a fronteira entre vida protegida e
vida matável ou morrível vai recuar cada vez mais. O que o grande capital está
fazendo é movendo suas fichas para assegurar que vão estar do lado protegido da
fronteira.
O
terceiro ponto, que segue diretamente deste e que eu identifico num texto sobre
o sequestro de Nicolás Maduro que saiu na Folha de S.Paulo, é que a gente pode
identificar na esfera das relações internacionais, como em muitas outras
esferas, uma passagem da hipocrisia ao cinismo. Antes, os líderes políticos
pelo menos faziam de conta que fariam algo contra o aquecimento global. Hoje,
nem isso fazem. São capazes de fazer piada com o assunto.
Essa é
a grande luta do nosso tempo. Não no sentido de que ela deve ser feita por
exclusão de todas as outras lutas, mas no sentido de que esse é o horizonte
final, e se a gente não resolve o problema da crise climática, todos os
problemas se tornarão maiores — ou, no final das contas, deixarão de ser
problemas, porque a parte não bilionária da humanidade estará extinta.
Qualquer
ação política hoje que não seja compatível com a crise climática não pode ser
levada a sério.
Esse é
o horizonte final para o qual precisamos nos voltar, mas é um horizonte
difícil. A questão ambiental só existe a partir de certo ponto de abstração. É
verdade que muitas pessoas já estão enfrentando inundações e eventos climáticos
extremos, mas essas coisas só são consequências da crise climática se você
relacioná-las a algo maior. O que as pessoas experimentam é a inundação, não a
questão ambiental. Talvez a prova do que estou falando é que em lugares que
foram afetados por inundações violentíssimas, como Porto Alegre ou Valencia, na
Espanha, a extrema direita, que justamente minimiza a questão ambiental, saiu
fortalecida.
Isso
mostra que o desafio da questão ambiental é diferente da questão trabalhista,
por exemplo. O que todos os movimentos preocupados com isso deveriam encampar é
que a questão ambiental não é uma questão separada das outras, mas sim uma
lente absolutamente imprescindível para ler todas as outras questões.
• No livro, você defende que quando há um
foco muito grande numa identidade política fechada, é muito difícil atrair quem
se vê fora dessa identidade. Estamos em ano eleitoral, e a discussão agora é
sobre vencer e convencer as pessoas, e não sobre falar com quem já concorda
conosco em todos os assuntos. Você escreve que o que convence as pessoas não
são identidades fixas, mas sim “ideias que efetivamente façam sentido”. Quais
são algumas dessas ideias que a esquerda poderia defender nessa eleição?
Eu faço
uma oposição entre radicalização programática e radicalização identitária. Uma
coisa é a gente apresentar propostas que estão à altura da radicalidade dos
problemas, propostas que vão fundo o suficiente para atingir a raiz dos
problemas. Outra coisa é a gente radicalizar nossa identidade: vestir mais
vermelho, usar uma linguagem mais adequada e inclusiva e exigir que todo mundo
use essa linguagem, consumir apenas certo tipo de cultura e menosprezar quem
não consome a mesma cultura que nós.
Por
radicalização identitária eu entendo algo muito diferente do que uma parte da
esquerda acusa de identitarismo, que muitas vezes é apenas uma reivindicação
absolutamente legítima de grupos ditos minoritários, como os indígenas, as
mulheres, os negros, as pessoas LGBTQIA+.
A
esquerda em sua definição de almanaque é aquela força política que se colocou
ao lado dos explorados e oprimidos, que defendeu a expansão de direitos. Entra
um raciocínio por metonímia: se você é oprimido e explorado, você deveria ser
de esquerda, você deveria se identificar com essa identidade. É um salto: se
você ocupa tal lugar na sociedade, você precisa ter tal identidade. O problema
é achar que existe essa passagem necessária entre interesse e identidade e, se
a pessoa não faz essa passagem, ela é burra.
Esse é
o grande problema do discurso do pobre de direita: está sempre subentendido que
ele seria burro porque não consegue entender seus interesses. O problema é que
entre interesse e desejo — entre a pessoa ter um interesse objetivo por coisas
que fariam sua vida melhor e desejar essas coisas, essa vida diferente — existe
a questão da identidade, e essa questão é muito mais fluida e menos ancorada
por determinações objetivas.
Se você
entra no jogo político dizendo “a minha identidade é essa, de esquerda, e você,
oprimido, deveria ter a minha identidade, porque se não tiver você é burro”.
Isso não é apenas uma maneira extremamente antipática e burra de fazer
política, como também uma péssima maneira de defender os interesses dos
oprimidos e dos explorados, porque você não convence sequer eles a tomar o seu
lado.
É
essencial aprender a diferenciar identidade de fazer política. Isso não quer
dizer que as pessoas não devam ter suas identidades, mas elas não devem deixar
suas identidades as atrapalharem de fazer política, de se comunicar com aqueles
que ainda não tem essas identidades, mas que seriam aliados e companheiros de
viagem naturais.
• Mas como trazer essas pessoas para o
campo progressista?
O que é
preciso aprender a fazer é mostrar para as pessoas que independente de
quaisquer identidades — se as pessoas são evangélicas, se votaram na direita,
se acreditaram que o Bolsonaro resolveria seus problemas — é possível concordar
que a vida poderia ser melhor.
Uma
grande dificuldade que a gente tem nesse sentido é que o mundo tal como ele é
organizado tende a produzir identificações e desejos que são compatíveis com o
mundo tal como ele é organizado. Um exemplo óbvio: embora a chance de um
motoboy se tornar um empresário bem-sucedido e ter um milhão no banco seja
ínfima, é mais fácil para ele se projetar nessa chance ínfima do que imaginar
que poderia ter uma grande reorganização de todas as coisas que permitiria a
ele viver melhor, menos explorado e mais feliz em outros termos.
A
extrema direita sempre vai levar vantagem nesse ponto, porque ela está dizendo
coisas mais compatíveis com o mundo como ele é — por mais que sejam coisas
horríveis, como “a maré está subindo e não vai ter bote salva-vidas para todo
mundo, então esse é o momento de empurrar pessoas para fora do navio”.
Essa
dificuldade não nos exime de propor coisas novas. Um grande exemplo é a
campanha pelo fim da escala 6×1, a primeira coisa a sair da esquerda em muito
tempo que conseguiu colocar a extrema direita na defensiva. A extrema direita
viu que era muito difícil para eles, ao mesmo tempo, se manterem coerentes com
o que eles defendem e não abrir o jogo para sua base eleitoral e dizer: “olha,
na verdade a gente defende a exploração de vocês”.
Um
outro exemplo é a taxação de grandes fortunas. Tem uma questão que parece que
nunca entra na discussão, que é que restringir a riqueza que está nas mãos de
um pequeno número de pessoas também é restringir o poder que essas pessoas têm
de definir quais são as prioridades da sociedade — algo que hoje elas têm poder
absolutamente desproporcional para definir, por sua capacidade de investimento
e por sua capacidade de intervir na política, alinhando as instituições segundo
seus interesses.
A gente
precisa dizer que tem muita coisa que está muito errada. A gente está
acelerando na direção de um precipício, que só será bom para cada vez menos
pessoas. A gente precisa de uma guinada radical, e precisamos mostrar para as
pessoas o que a gente pode fazer nessa direção. Esse é o nosso desafio hoje.
Fonte:
Por Eduardo Lima, em The Intercept

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