Flávio
Bolsonaro, o messias genérico do projeto de poder neopentecostal
No meu
livro, Domínio Teocrático: o Brasil sob o fascismo evangélico, lançado pela
Editora Kotter, eu explico como a igreja evangélica neopentecostal se
transformou na principal base de sustentação do bolsonarismo/fascismo no
Brasil. O que vemos em um vídeo publicado nas redes sociais ilustra e corrobora
a minha análise, além de rebater as críticas de que o fascismo não existe no
meio evangélico.
No
vídeo, Flávio Bolsonaro é conduzido ao altar — teoricamente, o lugar mais
sagrado dentro de uma igreja — para ser apresentado como o novo “messias
político” do neopentecostalismo brasileiro. Aquele que teria sido enviado por
seu pai, Jair Bolsonaro — o messias político que estaria preso injustamente por
tentar salvar a nação — para substituí-lo e governar aqueles que se intitulam
“o povo de Deus” dentro da nossa sociedade.
Entristecido
por não poder visitar Bolsonaro no Dia dos Pais, Flávio chora ao lado do
apóstolo fanfarrão que jura ter nadado por mais de oito horas em mar aberto sem
saber nadar, após o barco em que ele viajava ter virado e apenas ele — o ungido
de Deus — ter conseguido sobreviver para a honra e glória do senhor Pinóquio, o
deus da mentira nos contos infantis.
Toda
essa vigarice político-religiosa que, a cada dia, reina com mais força sob o
sol, graças ao benefício da isenção tributária para empresas da fé, como a
Igreja Mundial do apóstolo Forrest Gump, se torna uma ameaça não apenas à
laicidade do Estado, mas também à soberania do país, uma vez que tais igrejas
neopentecostais foram implementadas no Brasil pelo imperialismo estadunidense,
sob a supervisão da CIA, e com a missão de destruir a Teologia da Libertação,
lançada por um segmento da Igreja Católica, que visava aliar o evangelho de
Cristo à luta por justiça social e redução das desigualdades econômicas.
Até
mesmo dentro do catolicismo esse movimento encontrou resistência, e seus
líderes, como, por exemplo, o Frei Leonardo Boff, foram acusados de serem
comunistas e inimigos da sã doutrina. Uma doutrina que sempre foi sadia para os
mais ricos e adoeceu os mais vulneráveis, fazendo com que eles tivessem apenas
a fé em Deus como esperança.
Aqui
vemos a sutileza da dominação cristã sobre os mais pobres e a origem da
estratégia do projeto de poder político neopentecostal para a sociedade,
lançando a Teologia da Prosperidade para se contrapor à Teologia da Libertação.
Nela, Jesus pode fazer você prosperar, sem que você precise lutar para
transformar a sociedade em um lugar mais justo e menos desigual.
A
salvação eterna, assim como a sua prosperidade e o seu sucesso financeiro, só
dependem de você, do seu esforço e da sua fé. O resto é “discurso comunista” de
quem quer te afastar da vontade de Deus e te levar para o inferno.
Não por
coincidência, a igreja neopentecostal evangélica brasileira é contra as
políticas de inclusão, é contra os programas sociais que beneficiam os mais
pobres, é contra o fim da escala 6×1, é contra os direitos trabalhistas e
previdenciários… Só não é contra os 10% do salário que os fiéis, a grande
maioria composta por pobres e trabalhadores, têm por obrigação entregar todo
mês nas mãos do picareta que empresaria a fé alheia e enriquece com ela.
Para
santificar ainda mais o altar da igreja de Valdemiro Santiago, Eduardo Cunha —
aquele mesmo que armou o golpe contra a presidenta Dilma e que deve ter mais
atividades suspeitas em seu currículo político do que Barrabás tinha em seu
Lattes de punguista na Judeia — surge como um anjo a abençoar a patifaria
ungida que ali se estabelecia.
E Deus?
Esse parece ter desistido de nos alertar com relação aos falsos profetas — se é
que um dia tivemos profetas verdadeiros — que viriam em seu nome para enganar
os incautos.
Parece
que o inferno é neopentecostal.
¨
Lindbergh nega armação contra vice de Flávio Bolsonaro:
“Fake news”
O
deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo no Congresso Nacional,
reagiu nesta terça-feira (11) ao envio, pela Câmara dos Deputados ao Supremo
Tribunal Federal (STF), de um depoimento que aponta como suposta armação a
acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), vice da chapa
de Flávio Bolsonaro (PL).
Lindbergh
afirmou, em publicação no X, que a acusação de ter pago um comerciante para
fabricar uma denúncia contra Gaspar é uma tentativa do campo bolsonarista de
criar uma nova notícia falsa contra ele. “O bolsonarismo tenta criar mais uma
fake news contra mim”, disse o parlamentar.
O
deputado classificou a versão como “história absurda” e sustentou que a
acusação se baseia no relato de uma pessoa que, segundo ele, o persegue
politicamente há anos.
“Uma
mentira construída a partir da palavra de um personagem que já me persegue há
anos, ligado ao mesmo campo político que agora tenta transformar essa história
descabida em prova”, afirmou Lindbergh.
O
petista também disse que continuará enfrentando seus adversários políticos.
Segundo ele, seguirá combatendo a “extrema direita com fatos, provas e a
verdade”.
A
controvérsia remonta a 27 de março, quando Lindbergh e a senadora Soraya
Thronicke (PSB-MS) apresentaram uma notícia de fato contra Alfredo Gaspar. A
acusação apontava que o parlamentar teria cometido estupro contra uma
adolescente e seria pai de uma criança fruto da suposta violência sexual.
No
relatório encaminhado ao STF, a Polícia Legislativa informou ter ouvido o
comerciante Luis Antonio Lopes, de 62 anos, proprietário de um quiosque no
shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em depoimento,
Lopes relatou que o suposto plano envolveria recrutar sua prestadora de
serviços, Marcela Maria Mendes, para conceder entrevistas usando o pseudônimo
“Jailma” e fingindo ser a vítima de estupro atribuída a Gaspar.
• A IA de Bolsonaro, Lula e Cleitinho
desafia a democracia brasileira. Por Régis de Oliveira Júnior
A
democracia brasileira entrou em uma nova fase. As eleições de 2026 são marcadas
pela velocidade com que a inteligência artificial (IA) passou a mudar a
comunicação eleitoral. Ferramentas capazes de reproduzir vozes e criar vídeos
falsos muito reais transformaram as campanhas e desafiam instituições que
tentam adaptar as leis a essa tecnologia.
O caso
da campanha de Flávio Bolsonaro, filiado ao Partido Liberal (PL), tornou-se um
exemplo marcante. Segundo a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, vídeos com
áudio clonado foram exibidos sem autorização no lançamento da campanha de
Flávio em São Paulo (SP) e utilizado clonagem de voz do ex-presidente na
Convenção do governador Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina.
O
episódio colocou o TSE e o STF diante de uma situação nova. Se houve
autorização para o uso da imagem e da voz do ex-presidente, discute-se o
cumprimento das restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se não
houve consentimento, surge a suspeita de infração às normas eleitorais sobre
conteúdos sintéticos. O fato ganha dimensão porque Jair Bolsonaro cumpre
medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.
A
possibilidade de um sistema de IA reproduzir sua imagem e seus gestos amplia o
debate sobre os limites entre representação digital e manifestação pessoal. O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estava no centro de um
questionamento. Uma foto divulgada em convenção ao lado do governador da Bahia,
Jerônimo Rodrigues (PT), na qual aparecia com dez dedos, gerou dúvidas, mas sua
divulgação foi mantida pela cortê.
A
manutenção da imagem pela Justiça provou que nem toda imperfeição visual é
criada por IA. Distinguir erro de processamento e montagem exige análises
técnicas especializadas. Em Minas Gerais, o pré-candidato ao Governo do Estado,
o senador Cleitinho, do Republicanos, usou recursos tecnológicos para confirmar
sua candidatura. O vídeo recriou a imagem e a voz de seu pai e de seu irmão
falecidos.
A
estratégia provocou debates sobre ética e sensibilização do eleitorado. As
campanhas também incorporaram referências da cultura digital, como o uso de
conteúdos inspirados em vídeos virais sobre futebol. Outro caso envolve os
vídeos satíricos do grupo “Os Intocáveis”, formado por apoiadores do
ex-governador e candidato à presidência da República, Romeu Zema (Novo). As
produções reacenderam discussões sobre humor, liberdade de expressão e
propaganda.
A
tecnologia amplia essa zona cinzenta por gerar materiais muito convincentes.
Diante disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou a Resolução nº
23.610/2019 para as Eleições de 2026. As alterações proibiram vídeos
manipulados, exigiram a identificação de conteúdos sintéticos e restringiram
sua divulgação 72 horas antes e 24 horas depois do pleito.
Em
2026, o TSE fortaleceu a fiscalização ao acionar o Centro Integrado de
Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia (CIEDDE), permitindo a
remoção de conteúdos irregulares produzidos por IA em até duas horas.
O
presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a IA pode ser
usada, desde que não prejudique terceiros nem venha a enganar o eleitor. Mesmo
assim, permanece uma brecha na lei. O Projeto de Lei nº 2.338/2023, que cria
regras gerais para a IA, foi aprovado pelo Senado Federal e aguarda análise da
Câmara dos Deputados.
Enquanto
o Congresso não decide, o Judiciário usa resoluções para preencher a lacuna.
Essa atuação do TSE levanta um debate constitucional sobre a separação dos
Poderes. A Constituição Federal garante a liberdade de expressão e o direito à
informação. O artigo 1º estabelece que todo poder emana do povo, enquanto o
artigo 14 protege a legitimidade do voto.
Também
merece atenção a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). O uso de voz e
imagem para treinar sistemas de IA levanta dúvidas sobre consentimento e
responsabilidade. O desafio não ocorre apenas no Brasil. Nos Estados Unidos,
uma ligação falsa atribuída a Joe Biden gerou novas leis estaduais. A União
Europeia criou regras no AI Act, enquanto Coreia do Sul e Índia reforçaram o
combate a conteúdos manipulados.
Nesse
contexto, é essencial valorizar o jornalismo profissional, as agências de
checagem e a educação para as mídias. A tecnologia pode informar, mas também
pode espalhar desinformação. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto e
trará uma grande quantidade de conteúdos virtuais. Caberá às instituições
fiscalizar, às redes sociais agir com responsabilidade e aos cidadãos exercer o
pensamento crítico antes de compartilhar qualquer material.
Fonte:
Por Ricardo Nêggo Tom, em Brasil 247

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