Empoderado
por emendas, Congresso se engaja menos com presidenciáveis
O
Congresso Nacional chega às eleições de 2026 menos dependente do próximo
presidente para assegurar recursos às bases de deputados e senadores.
Ao
longo dos últimos anos, o Legislativo ampliou o volume de emendas
parlamentares. Ao mesmo tempo, partidos importantes do Centrão passaram a
demonstrar menos interesse em se vincular nacionalmente aos candidatos ao
Palácio do Planalto.
Historicamente,
apoiar um candidato competitivo à Presidência também significava tentar se
aproximar antecipadamente de quem poderia controlar o Orçamento nos quatro anos
seguintes.
Com o
crescimento das emendas impositivas, deputados e senadores passaram a ter uma
parcela maior de recursos cuja execução não depende da mesma forma de uma
decisão política do governo da época.
No
Orçamento de 2026, as emendas parlamentares tiveram uma dotação inicial de R$
49,9 bilhões. Desse valor, R$ 26,56 bilhões correspondem a emendas individuais
e de bancadas estaduais, que têm execução obrigatória. Outros R$ 12,1 bilhões
foram reservados às emendas de comissão, que não são impositivas.
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O que as emendas mudaram
As
emendas individuais se tornaram obrigatórias por uma emenda constitucional de
2015. Isso significa que o governo não pode deixar de executar uma emenda
porque o deputado está na oposição ou se recusa a votar com o Planalto.
Em
2026, o Congresso avançou mais um passo. A Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) estabeleceu prazo para que o Executivo pagasse parte das emendas
impositivas. A regra determina que o governo considere, até o fim do primeiro
semestre, o pagamento de 65% de determinadas emendas individuais e de bancada.
A medida foi uma reivindicação antiga dos parlamentares e foi acertada entre
Congresso e governo.
Na
prática, o parlamentar ganhou mais previsibilidade para dizer a um prefeito ou
governador que determinado recurso chegará à sua base. É justamente aí que as
emendas se conectam com a eleição presidencial.
Quanto
mais um deputado consegue levar dinheiro para seu estado por meio de
instrumentos próprios do Congresso, menor é a necessidade de apostar
antecipadamente no candidato à Presidência apenas para se aproximar do futuro
governo e conseguir acessar o Orçamento.
Ainda
assim, o presidente continua no controle de ministérios, cargos, programas
federais, investimentos e grande parte das despesas discricionárias. Também
continua precisando formar maioria para governar.
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Partidos preferem eleger bancadas
Esse
fortalecimento se dá justamente em uma eleição em que partidos importantes do
Centrão reduziram o envolvimento nacional com os presidenciáveis.
Partidos
com bancadas grandes no Congresso, como União Brasil, PP, MDB e Republicanos,
adotaram neutralidade e não apoiarão nenhum nome ao Palácio do Planalto. Até
mesmo o PSD, que tem Ronaldo Caiado como candidato, liberou os diretórios
estaduais para apoiar outros presidenciáveis.
A
lógica para esses partidos é que, em vez de apostar agora em quem será o
próximo presidente, a prioridade torna-se eleger o maior número possível de
deputados e senadores e chegar forte a 2027.
Se Lula
vencer, precisará de votos no Congresso. Se Flávio vencer, também. E o mesmo
vale para qualquer outro candidato que chegar ao Palácio do Planalto.
Uma
bancada numerosa dá aos partidos poder para negociar presidências de comissões,
relatorias, cargos, ministérios, espaço na agenda legislativa e participação na
base do novo governo. Esses mesmos parlamentares também controlam dezenas de
bilhões de reais em emendas ao Orçamento.
A
neutralidade, portanto, tem um custo menor do que teria em um Congresso mais
dependente do Executivo. O partido pode evitar uma aposta presidencial,
concentrar recursos na eleição dos próprios parlamentares e, encerrada a
disputa, negociar com quem tiver sido escolhido pelo eleitor.
As
emendas, porém, não são a única explicação para esse comportamento. Disputas
regionais e divergências ideológicas também pesam.
• Campanha ‘Boto fé no voto’ reúne
religiosos em Brasília para debater desinformação nas eleições de 2026
Organizações
religiosas e entidades da sociedade civil lançaram em Brasília uma campanha
nacional para enfrentar a desinformação durante as eleições de 2026. Batizada
de “Boto Fé no Voto”, a iniciativa pretende incentivar o voto consciente e
promover o compromisso com a verdade nas eleições deste ano.
A
campanha será apresentada às 19h, na Catedral Anglicana de Brasília, durante
uma roda de conversa sobre os desafios da comunicação, da democracia e da
religião em um cenário marcado pela proliferação das ‘fake news’.
Com o
lema “Eu escolho a verdade”, a campanha convida igrejas, comunidades de fé,
organizações da sociedade civil, educadores, comunicadores e toda a população a
refletirem sobre o papel da informação de qualidade na construção de uma
democracia participativa e na defesa dos direitos humanos.
Segundo
os organizadores, a iniciativa parte do entendimento de que as comunidades de
fé podem desempenhar um papel importante na circulação de informações
confiáveis e no fortalecimento da democracia. Ao longo do processo eleitoral de
2026, a iniciativa promoverá rodas de diálogo, atividades de formação e
produzirá materiais educativos, vídeos, podcasts, cards e outros conteúdos
digitais para auxiliar a população a identificar conteúdos desinformados e
incentivar escolhas baseadas em fontes confiáveis.
O
lançamento da campanha será realizado às 19h da quinta-feira (30), na Catedral
Anglicana de Brasília, localizada na EQS 309/310, Lote A1, na Asa Sul. O evento
terá formato de roda de conversa e reunirá a pesquisadora Magali Cunha, a
comunicadora e pastora Luciana Pettersen e a jornalista e escritora Nilza
Valéria, coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, para
debater os desafios da comunicação, da fé e da democracia.
• Congresso volta do recesso com pauta
travada por embates eleitorais
O
Congresso Nacional retoma os trabalhos nesta segunda-feira (10), após uma
semana a mais de recesso. Com a proximidade das eleições, Câmara e Senado terão
sessões concentradas em apenas duas semanas entre agosto e outubro, o que deve
dificultar acordos para a votação de projetos considerados prioritários por
diferentes grupos políticos.
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Câmara
Na
Câmara dos Deputados, os líderes partidários se reúnem na terça-feira (11) para
definir a pauta da semana. Entre os projetos com possibilidade de votação está
a proposta que permite usar receitas extras do petróleo para reduzir impostos
sobre combustíveis. Segundo a relatora, deputada Marussa Boldrin
(Republicanos-GO), há um acordo encaminhado para que o texto seja analisado
nesta semana.
Projetos
de maior apelo ideológico, porém, enfrentam dificuldades para avançar. É o caso
do projeto que combate a misoginia, defendido por partidos progressistas, e da
proposta que aumenta o limite de faturamento anual dos Microempreendedores
Individuais (MEI), de interesse da direita. Até o momento, não houve acordo
para os relatórios das duas matérias.
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Senado
No
Senado, a pauta já foi definida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre
(União-AP). Na terça-feira, estão previstos projetos que criam o Programa de
Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e fundos para o
Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública da União.
Na
quarta-feira (12), os senadores devem analisar a criação do Estatuto do
Aprendiz, que estabelece regras para a aprendizagem profissional de jovens e
pessoas com deficiência. Também está prevista a análise do projeto que cria o
Estatuto da Vítima.
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Projetos sem acordo
Algumas
das principais propostas de interesse do governo Lula não devem ser votadas
durante as semanas de esforço concentrado. Entre elas estão a renegociação das
dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos, a PEC que prevê o
fim da escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e a PEC da
Segurança.
A
renegociação das dívidas rurais depende de um acordo entre o governo e a Frente
Parlamentar Agropecuária (FPA). A intenção é elaborar uma medida provisória e
descartar o projeto aprovado pelo Senado.
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Medidas provisórias
Câmara
e Senado também terão de analisar medidas provisórias próximas do prazo de
validade. Uma delas cria linhas de crédito para exportadores abrangidos pelo
Plano Brasil Soberano e precisa ser votada até 26 de agosto.
Outra
MP amplia o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) para financiar caminhões
e ônibus sustentáveis e perde a validade em 27 de agosto. Já a medida que criou
o novo Desenrola Brasil vence em 31 de agosto e ainda não teve a comissão mista
instalada.
Em
setembro, também expira a medida provisória que acabou com a cobrança da
chamada “taxa das blusinhas”, imposto de 20% sobre compras internacionais de
até US$ 50 feitas por meio do programa Remessa Conforme.
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Vetos presidenciais
O
Congresso ainda tem uma pauta com 100 vetos presidenciais e 23 projetos a serem
deliberados. Apesar disso, lideranças do governo consideram improvável a
realização de uma sessão conjunta durante o período eleitoral.
A
expectativa é que uma nova sessão do Congresso ocorra apenas após o segundo
turno das eleições, em novembro. Entre os vetos pendentes estão pontos da
regulamentação da reforma tributária, regras sobre ressarcimento de descontos
indevidos no INSS, mudanças na legislação de reservas legais e incentivos
fiscais para games brasileiros independentes.
Segundo
Alcolumbre, a falta de acordo entre os líderes durante o primeiro semestre
inviabilizou a realização das sessões.
• Kassio reunirá ministros e pautará
julgamento que vai decidir se TSE libera deepfake na campanha
O TSE
(Tribunal Superior Eleitoral) julga daqui a uma semana a ação movida pelo PT
questionando o vídeo que reproduziu em deepfake o ex-presidente Jair Bolsonaro,
exibido na convenção do PL. O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, vai se
reunir com os demais ministros da corte na quarta-feira (12) para debater o
caso e deve pautar o julgamento para a semana de 17 de agosto.
A
decisão é considerada uma das mais importantes da eleição deste ano, porque vai
determinar a legalidade do uso nas campanhas eleitorais de vídeos e áudios que
imitam, por meio de inteligência artificial, uma pessoa.
O
artigo 9C da resolução de propaganda do TSE deste ano proíbe o uso do deepfake,
para prejudicar ou favorecer candidatura, mesmo mediante autorização da pessoa
reproduzida no vídeo.
No
entanto, o ministro Kassio havia indicado que poderia defender a liberação do
uso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, indagado sobre o caso, ele
afirmou que usar IA para fazer campanha “é lícito, o que não pode é usar para
prejudicar alguém”. O ministro André Mendonça iria na mesma linha.
Mas,
segundo relatos, Kassio estaria agora pesando se uma liberação de deepfakes “do
bem” poderia ter implicações graves, como excesso de judicialização.
O vídeo
é visto como uma tentativa da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) de testar os
limites do conteúdo com IA que poderá usar na campanha.
Em sua
resposta à ação movida pelo PT, a advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia
Bucchianeri, afirma que o deepfake se caracterizaria por “manipulação de fatos,
fotos, vídeos e falas reais, a partir da mistura entre realidade e tecnologia,
com falseamento profundo e inescapável induzimento em erro”.
Seguindo
esse raciocínio, na ausência de intuito de enganar o eleitor, uma vez que o
vídeo tinha tarjas e anúncios especificando se tratar de IA, a peça com
Bolsonaro não configuraria deepfake .
O vídeo
exibido na convenção no último dia 25 trazia a imagem de Bolsonaro com um fundo
branco. O ex-presidente se dirige ao público: “Isso que vocês estão vendo aqui
não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com
inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado”.
Segundo
Bucchianeri, o deepfake que apresenta Bolsonaro dizendo ter escolhido Flávio
para substituí-lo nada mais seria do que uma versão mais tecnológica do apoio
do presidente Lula a Fernando Haddad em 2018, quando atual presidente estava
preso e impossibilitado de concorrer. Na época, Haddad usava máscaras de papel
com o rosto do presidente Lula e a campanha tinha o mote “Agora Lula é Haddad”.
Os
ministros vão se debruçar sobre o caso nesta semana para determinar, entre
outras coisas, o que exatamente seria um deepfake eleitoral.
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Cortes e vídeos e “deepfake do bem”
Há a
preocupação de que uma liberação caso a caso poderia gerar um excesso de
judicialização, com os ministros do TSE tendo de julgar se cada deepfake é ou
não “do bem”.
Outra
consideração são os cortes de vídeos. Embora o vídeo de Bolsonaro tenha aviso
de que se trata de imagens de IA e não do ex-presidente, na dinâmica das redes
sociais, o que circula são cortes dos vídeos em aplicativos de mensagens, que
não necessariamente incluem os rótulos de IA.
Na
visão do ministro, é importante ter uma decisão que faça uma sinalização geral
norteando as decisões sobre deepfakes, para que não haja judicialização
excessiva.
Dentro
da corte, 3 dos 7 ministros se opõem à autorização do deepfake Floriano
Azevedo Marques, Estela Aranha e Ricardo Villas Boas Cueva. Os ministros
acreditam que a resolução é clara na proibição
e acham que uma liberação pode “abrir a porteira”.
Um dos
ministros receia que possa haver uma “surpresa de outubro”, com algum deepfake
proveniente de conta falsa viralizando que exija uma decisão muito ágil para
tentar impedir danos irreversíveis ao equilíbrio eleitoral. Outro temor é que,
em caso de liberação, o PL faça uma campanha baseada em um Bolsonaro digital
concorrendo como avatar do filho Flávio.
Para o
advogado eleitoral Alberto Rollo, o vídeo deepfake de Bolsonaro não é ilegal
porque não foi veiculado durante a campanha eleitoral, que só começa em 16 de
agosto. Rollo também acredita que a peça, por ter sido exibida em um evento
fechado do partido, a convenção do PL, não teria o intuito de influenciar
eleitores.
No
entanto, o artigo 3C da resolução do TSE determina que as regras de uso de
tecnologia digital se aplicam ao “período que não seja o de campanha
eleitoral”.
O vídeo
de Bolsonaro, embora exibido em evento fechado, foi transmitido ao vivo e
permanece no canal oficial de Flávio Bolsonaro no YouTube.
Para o
advogado eleitoral Fernando Neisser, a decisão do TSE é uma das mais relevantes
da campanha eleitoral, porque vai delimitar o uso que as campanhas poderão
fazer da IA. “É importante lembrar que ainda não se sabe quais impactos essa
tecnologia pode ter sobre a decisão dos eleitores”, diz Neisser, professor de
direito eleitoral da FGV.
Fonte:
Metrópoles/ICL Notícias

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