segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Por que olhar apenas o "colesterol ruim" nem sempre é suficiente

Durante muitos anos, a conversa sobre colesterol parecia simples: bastava olhar o resultado do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, para decidir se estava tudo bem ou se era preciso iniciar tratamento.

Hoje sabemos que essa avaliação é muito mais complexa. Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo valor de LDL e, ainda assim, ter riscos completamente diferentes de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Isso acontece porque o colesterol é apenas uma das peças que compõem o quebra-cabeça da saúde cardiovascular.

A cardiologia entrou na era da prevenção personalizada, em que o objetivo não é tratar apenas um número, mas entender o risco real de cada indivíduo.

<><> O colesterol continua importante, mas não conta toda a história

O LDL permanece como um dos principais responsáveis pela formação das placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose. Quanto maior a exposição ao colesterol elevado ao longo da vida, maior tende a ser o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Entretanto, outros fatores influenciam diretamente essa evolução. Idade, pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar de infarto precoce, doença renal crônica e estilo de vida podem aumentar ou reduzir esse risco, mesmo quando o colesterol apresenta valores semelhantes entre duas pessoas.

É justamente por isso que a decisão de iniciar ou intensificar um tratamento nunca deve ser baseada apenas em um exame isolado.

<><> A prevenção está cada vez mais individualizada

Nos últimos anos, a cardiologia passou a incorporar novas ferramentas para refinar a avaliação de risco em pacientes selecionados.

Entre elas estão a lipoproteína(a), uma partícula cuja concentração é determinada principalmente pela genética e que pode aumentar o risco cardiovascular mesmo em pessoas com colesterol aparentemente controlado.

Outro exame é a apolipoproteína B (ApoB), que estima a quantidade de partículas potencialmente capazes de penetrar na parede das artérias e participar da formação das placas de aterosclerose.

Já o escore de cálcio coronariano, obtido por tomografia computadorizada, permite identificar a presença de calcificações nas artérias do coração antes mesmo do aparecimento de sintomas.

Esses exames não fazem parte do check-up de rotina de toda a população. Eles são indicados em situações específicas, quando existe dúvida sobre o risco cardiovascular ou necessidade de definir estratégias mais individualizadas de prevenção.

<><> Quanto antes agir, maior é o benefício

Um dos conceitos mais importantes da cardiologia atual é o de carga acumulada de colesterol. Isso significa que o organismo sofre os efeitos do colesterol elevado ao longo de décadas, muitas vezes sem provocar qualquer sintoma.

Quando o infarto ou o AVC acontecem, a aterosclerose geralmente já vem se desenvolvendo silenciosamente há muitos anos.

Por isso, identificar precocemente pessoas com maior risco permite iniciar mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento medicamentoso antes que as artérias sofram danos mais importantes.

Quanto mais cedo o colesterol é controlado em quem realmente precisa, maior tende a ser a redução do risco cardiovascular ao longo da vida.

<><> O futuro da prevenção não é igual para todos

A medicina está deixando para trás a ideia de que todos os pacientes devem receber exatamente a mesma abordagem.

Hoje, o objetivo é compreender o perfil de risco de cada pessoa e decidir quais exames, metas e tratamentos fazem sentido para aquela realidade.

Alguns pacientes precisarão apenas reforçar hábitos saudáveis. Outros se beneficiarão de medicamentos para reduzir o colesterol. Em grupos específicos, exames complementares ajudarão a definir se é necessário intensificar a prevenção.

Essa é a principal mudança da cardiologia moderna: tratar pessoas, e não apenas resultados de laboratório.

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, a mensagem mais importante é que o colesterol continua sendo um grande vilão das doenças cardiovasculares, mas a prevenção eficaz depende de uma avaliação muito mais ampla, individualizada e baseada em evidências.

¨      Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda

Produtos frequentemente consumidos por quem pratica atividade física diariamente podem ter alto teor de sódio, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares.

O consumo excessivo do mineral é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. E alimentos vendidos como "fitness", "diet", "zero açúcar" e "light" podem ter na composição sódio em excesso escondido.

“Esses produtos podem conter mais sódio porque, ao reduzir açúcar ou gordura, a indústria alimentícia muitas vezes aumenta o sódio para manter sabor, textura e conservação", explica o cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Marcio Sousa.

Alguns dos produtos que têm proposta de serem mais saudáveis, mas que podem concentrar aditivos perigosos são: whey protein, barras proteicas e snacks fitness, pães integrais industrializados, queijos magros, biscoitos de arroz, molhos prontos “funcionais”, isotônicos e águas saborizadas e refrigerantes zero ou diet e light.

As bebidas para quem busca mais energia contém uma mistura de sódio, altas doses de cafeína e outros estimulantes, que pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, favorecendo arritmias. O médico alerta que o consumo deve ser esporádico para preservar o coração.

<><> Nomenclatura pode ser enganosa

"Zero açúcar não significa zero risco", reforça o especialista, que explica como esses nomes serem associados à saúde pode mascarar pontos de atenção. "Isso cria a impressão de alimento ‘mais leve’, quando, na prática, a carga de sódio pode ser maior do que a esperada. Ler o rótulo é essencial”, explica o cardiologista.

Além do sódio, podem fazer parte da composição conservantes e realçadores de sabor. Por isso, a ideia de que alimentos fitness ou zero açúcar são, por si só, benéficos para a saúde pode ser enganosa pelas altas doses de sódio, adoçantes e aditivos.

O nutricionista Thyago Nishino reforça que os alimentos não substituem refeições completas. "Muitas pessoas conseguem alcançar suas necessidades nutricionais apenas com alimentação equilibrada. É importante evitar exageros e não transformar suplementos e industrializados na base da alimentação. O ideal é priorizar comida de verdade no dia a dia, como frutas, legumes, proteínas naturais e grãos."

<><> O que observar no rótulo do produto?

Naquela tabela de informações impressa nas embalagens, estão informações importantes de serem consultadas. Marcio Sousa diz que optar por versões com menos de 140 mg de sódio por porção pode ajudar a reduzir a carga total consumida ao longo do dia.

Valores acima de 400 miligramas por porção de 100 gramas já merecem atenção e são considerados como alimentos ricos em sódio pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Outro ponto fundamental é analisar a lista de ingredientes e identificar termos como glutamato, bicarbonato, fosfato e conservadores, que indicam fontes de sódio oculto.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: