Por
que olhar apenas o "colesterol ruim" nem sempre é suficiente
Durante
muitos anos, a conversa sobre colesterol parecia simples: bastava olhar o
resultado do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, para decidir se estava tudo
bem ou se era preciso iniciar tratamento.
Hoje
sabemos que essa avaliação é muito mais complexa. Duas pessoas podem apresentar
exatamente o mesmo valor de LDL e, ainda assim, ter riscos completamente
diferentes de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Isso
acontece porque o colesterol é apenas uma das peças que compõem o quebra-cabeça
da saúde cardiovascular.
A
cardiologia entrou na era da prevenção personalizada, em que o objetivo não é
tratar apenas um número, mas entender o risco real de cada indivíduo.
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O colesterol continua importante, mas não conta toda a história
O LDL
permanece como um dos principais responsáveis pela formação das placas de
gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose. Quanto maior a
exposição ao colesterol elevado ao longo da vida, maior tende a ser o risco de
desenvolver doenças cardiovasculares.
Entretanto,
outros fatores influenciam diretamente essa evolução. Idade, pressão alta,
diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar
de infarto precoce,
doença renal crônica e estilo de vida podem aumentar ou reduzir esse risco,
mesmo quando o colesterol apresenta valores semelhantes entre duas pessoas.
É
justamente por isso que a decisão de iniciar ou intensificar um tratamento
nunca deve ser baseada apenas em um exame isolado.
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A prevenção está cada vez mais individualizada
Nos
últimos anos, a cardiologia passou a incorporar novas ferramentas para refinar
a avaliação de risco em pacientes selecionados.
Entre
elas estão a lipoproteína(a), uma partícula cuja concentração é determinada
principalmente pela genética e que pode aumentar o risco cardiovascular mesmo
em pessoas com colesterol aparentemente controlado.
Outro
exame é a apolipoproteína B (ApoB), que estima a quantidade de partículas
potencialmente capazes de penetrar na parede das artérias e participar da
formação das placas de aterosclerose.
Já o
escore de cálcio coronariano, obtido por tomografia computadorizada, permite
identificar a presença de calcificações nas artérias do coração antes mesmo do
aparecimento de sintomas.
Esses
exames não fazem parte do check-up de rotina de toda a população. Eles são
indicados em situações específicas, quando existe dúvida sobre o risco
cardiovascular ou necessidade de definir estratégias mais individualizadas de
prevenção.
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Quanto antes agir, maior é o benefício
Um dos
conceitos mais importantes da cardiologia atual é o de carga acumulada de
colesterol. Isso significa que o organismo sofre os efeitos do colesterol
elevado ao longo de décadas, muitas vezes sem provocar qualquer sintoma.
Quando o infarto ou o AVC acontecem, a
aterosclerose geralmente já vem se desenvolvendo silenciosamente há muitos
anos.
Por
isso, identificar precocemente pessoas com maior risco permite iniciar mudanças no estilo
de vida e,
quando necessário, tratamento medicamentoso antes que as artérias sofram danos
mais importantes.
Quanto
mais cedo o colesterol é controlado em quem realmente precisa, maior tende a
ser a redução do risco cardiovascular ao longo da vida.
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O futuro da prevenção não é igual para todos
A
medicina está deixando para trás a ideia de que todos os pacientes devem
receber exatamente a mesma abordagem.
Hoje, o
objetivo é compreender o perfil de risco de cada pessoa e decidir quais exames,
metas e tratamentos fazem sentido para aquela realidade.
Alguns
pacientes precisarão apenas reforçar hábitos
saudáveis.
Outros se beneficiarão de medicamentos para reduzir o colesterol. Em grupos
específicos, exames complementares ajudarão a definir se é necessário
intensificar a prevenção.
Essa é
a principal mudança da cardiologia moderna: tratar pessoas, e não apenas
resultados de laboratório.
No Dia
Nacional de Combate ao Colesterol, a mensagem mais importante é que o
colesterol continua sendo um grande vilão das doenças cardiovasculares, mas a
prevenção eficaz depende de uma avaliação muito mais ampla, individualizada e
baseada em evidências.
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Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em
excesso; entenda
Produtos
frequentemente consumidos por quem pratica atividade física diariamente podem
ter alto teor de sódio, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares.
O
consumo excessivo do mineral é um dos principais fatores de risco para doenças
cardiovasculares. E alimentos vendidos
como "fitness", "diet", "zero açúcar" e
"light" podem ter na composição sódio em excesso
escondido.
“Esses
produtos podem conter mais sódio porque, ao reduzir açúcar ou gordura, a
indústria alimentícia muitas vezes aumenta o sódio para manter
sabor, textura e conservação", explica o cardiologista do Instituto Dante
Pazzanese de Cardiologia, Marcio Sousa.
Alguns
dos produtos que têm proposta de serem mais saudáveis, mas que podem concentrar
aditivos perigosos são: whey protein, barras proteicas e snacks fitness, pães
integrais industrializados, queijos magros, biscoitos de arroz, molhos prontos
“funcionais”, isotônicos e águas saborizadas e refrigerantes zero ou diet e
light.
As
bebidas para quem busca mais energia contém uma mistura de sódio, altas doses
de cafeína e outros estimulantes, que pode elevar a pressão arterial e a
frequência cardíaca, favorecendo arritmias. O médico alerta que o consumo
deve ser esporádico para preservar o coração.
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Nomenclatura pode ser enganosa
"Zero
açúcar não significa zero risco", reforça o especialista, que explica como
esses nomes serem associados à saúde pode mascarar pontos de atenção.
"Isso cria a impressão de alimento ‘mais leve’, quando, na prática,
a carga de sódio pode
ser maior do que a esperada. Ler o rótulo é essencial”, explica o
cardiologista.
Além do
sódio, podem fazer parte da composição conservantes e realçadores de sabor. Por
isso, a ideia de que alimentos fitness ou zero açúcar são, por si só, benéficos
para a saúde pode ser enganosa pelas altas doses de sódio, adoçantes e
aditivos.
O
nutricionista Thyago Nishino reforça que os alimentos não substituem refeições
completas. "Muitas
pessoas conseguem alcançar suas necessidades nutricionais apenas com alimentação
equilibrada.
É importante evitar exageros e não transformar suplementos e industrializados
na base da alimentação. O ideal é priorizar comida de verdade no dia a
dia, como frutas, legumes, proteínas naturais e grãos."
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O que observar no rótulo do produto?
Naquela
tabela de informações impressa nas embalagens, estão informações importantes de
serem consultadas. Marcio Sousa diz que optar por versões com menos de 140 mg
de sódio por porção pode ajudar a reduzir a carga total consumida ao longo do
dia.
Valores
acima de 400 miligramas por porção de 100 gramas já merecem atenção e são
considerados como alimentos ricos em sódio pelo Idec (Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor). Outro ponto fundamental é analisar a lista de
ingredientes e identificar termos como glutamato, bicarbonato, fosfato e
conservadores, que indicam fontes de sódio oculto.
Fonte:
CNN Brasil

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