quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Marco Rubio domina o debate sobre Cuba, mas não convence a maioria dos estadunidenses

Em 28 de julho último, ao divulgar-se uma entrevista de Marco Rubio à Fox News, o secretário de Estado voltou a repetir que Cuba constitui uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos. Seu argumento combinou várias ideias conhecidas: a proximidade da Ilha, suas relações com Rússia e China, os casos históricos de espionagem e uma suposta rede cubana de influência sobre manifestações e organizações políticas estadunidenses.

Rubio resumiu a tese com uma formulação projetada para provocar alarme: «Um Estado falido a 90 milhas de nossas costas, alinhado com adversários dos Estados Unidos, é uma ameaça à nossa segurança nacional». Na mesma conversa, qualificou Cuba como uma «superpotência da influência e da espionagem» e vinculou Havana a manifestações contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, manifestações pró-Palestina e movimentos de solidariedade com governos latino-americanos.

Mas uma coisa é o que afirma o governo de Donald Trump e outra o que realmente consegue implantar como convicção própria entre os públicos estadunidenses.

Isso não significa que 73,9% afirmem expressamente que Cuba não representa nenhum risco.

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Significa algo mais preciso e, para avaliar a eficácia do discurso governamental, mais relevante: quase três de cada quatro mensagens distintas não reproduzem como convicção própria a afirmação central de Rubio.

<><> Uma narrativa mais repetida do que assumida

O resultado muda radicalmente quando, em lugar de contar ideias diferentes, contam-se todas as publicações, inclusive as réplicas, as republicações, as reproduções automáticas, as manchetes reproduzidas e as mensagens quase idênticas.

No volume total, 49,6% das publicações afirmam ou reproduzem que Cuba é uma ameaça; 23,3% rejeitam ou questionam essa caracterização, e 27% permanecem ambíguas. Vista dessa maneira, a narrativa governamental parece ocupar quase a metade das opiniões.

No entanto, ao eliminar as repetições, seu peso cai de 49,6% para 26,1%: perde 23,5 pontos percentuais. A conclusão é difícil de ignorar.

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O discurso de ameaça não domina porque seja formulado de maneira independente por uma maioria de usuários, e sim porque existe um sistema de amplificação governamental e partidário que multiplica a agenda de Marco Rubio por meio de declarações oficiais, congressistas aliados, mídia afim, contas políticas e redes de reprodução coordenada.

Este circuito consegue que umas poucas formulações alcancem uma presença desproporcional no debate público e que o volume aparente da mensagem seja muito superior à diversidade real de opiniões que a respaldam.

No entanto, quando se eliminam as repetições e se observam unicamente as mensagens originais ou as formulações distintas, comprova-se que esta narrativa não é acompanhada majoritariamente pelos públicos estadunidenses. A máquina de amplificação consegue impor o tema e aumentar sua visibilidade, mas não consegue transformá-lo em uma convicção social amplamente compartilhada.

A cota da afirmação de ameaça se multiplica por 1,9 quando se passa das formulações únicas ao volume total. Em troca, as posições críticas e ambíguas perdem visibilidade: sua diversidade real é maior que seu peso aparente nas opiniões.

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Neste caso, a diferença entre ambas as métricas permite observar a arquitetura da divulgação. Declarações de Rubio, mensagens de congressistas da Flórida, manchetes de meios de comunicação afins e contas políticas com grande capacidade de reprodução alimentam cascatas de conteúdo. Uma mesma frase pode aparecer centenas ou milhares de vezes sem representar centenas ou milhares de raciocínios distintos.

<><> Que argumentos convencem os 26,1%?

Entre as formulações originais que consideram Cuba uma ameaça aparecem quatro argumentos principais.

>>> Cuba como plataforma de Rússia e China

O argumento mais frequente não atribui a Cuba uma capacidade militar autônoma para atacar os Estados Unidos. Apresenta-a como uma plataforma territorial utilizada por potências rivais para atividades de inteligência, oitiva de sinais ou eventuais deslocamentos militares. A ameaça cubana deriva, portanto, de suas alianças.

  1.  A proximidade geográfica

A expressão “a 90 milhas” que Marco Rubio repete tenta funcionar como uma prova em si mesma. A proximidade substitui com frequência a explicação de uma capacidade operacional concreta. A mensagem implícita é que qualquer vínculo militar ou tecnológico entre Cuba e um adversário de Washington se torna intolerável por sua localização geográfica.

  1. Os antecedentes de espionagem

Os casos de Ana Belén Montes e Manuel Rocha são utilizados para construir uma continuidade entre operações de inteligência documentadas e a afirmação mais ampla de que Cuba dirige uma rede permanente capaz de penetrar as instituições estadunidenses. O salto discursivo consiste em transferir responsabilidades individuais a uma capacidade geral, atual e onipresente, que é totalmente falsa e ignora deliberadamente que Cuba teve que defender-se durante décadas de ações terroristas dos Estados Unidos. E jamais agrediu esse país.

  1. Os protestos nos EUA como operação estrangeira

A atualização mais recente do relato apresenta manifestações contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, movimentos pró-Palestina e organizações de esquerda como peças de uma rede financiada ou coordenada do exterior. Este marco permite deslocar o debate: o descontentamento deixa de ser interpretado como fenômeno social estadunidense e passa a ser descrito como infiltração cubana.

Fora destes núcleos, o material oferece muito pouca evidência de que o público imagine Cuba como uma potência com capacidade própria para provocar um dano militar significativo aos Estados Unidos. A ameaça é predominantemente relacional: Cuba seria perigosa porque abriga, facilita, conecta ou inspira, segundo o discurso do secretário de Estado.

<><> As vozes que questionam Rubio

A rejeição não procede unicamente de cidadãos comuns nos Estados Unidos ou de organizações de solidariedade. Depois da entrevista do secretário de Estado à Fox News, apareceram fortes críticas entre figuras públicas estadunidenses, antigos funcionários e amplos setores dos públicos digitais.

O ex-assessor adjunto de Segurança Nacional de Barack Obama, Ben Rhodes, respondeu diretamente à nova narrativa: «Isso é simplesmente uma mentira e Rubio sabe disso». Rhodes ironizou também a contradição de apresentar como uma superpotência um país que nem mesmo pode manter aceso seu sistema elétrico em meio a um bloqueio energético e financeiro dos Estados Unidos.

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A observação aponta para o principal problema de credibilidade governamental. A Administração Trump descreve simultaneamente Cuba como um Estado à beira do colapso e como uma potência capaz de dirigir, a partir de Havana, uma extensa rede de espionagem, protestos e influência continental.

Pete Buttigieg, ex-secretário de Transportes dos Estados Unidos, em uma entrevista divulgada em várias plataformas, afirmou sobre Rubio que «moralmente, e politicamente, nunca se recuperará de ter vendido sua alma». Isso mostra que uma parte importante do público não recebe as afirmações de Rubio a partir de uma posição de confiança, e sim da suspeita de que adapta os fatos às necessidades políticas da Administração.

O debate gerado em torno deste vídeo — que não constitui uma pesquisa nem pode ser tratado como uma amostra representativa — concentrou-se precisamente na credibilidade, no oportunismo e na subordinação de Rubio a Trump. Este contexto condiciona a recepção de suas afirmações sobre Cuba.

<><> As pesquisas também mostram a distância

Os resultados da análise de escuta social realizada pelo Observatório de Mídia de Cubadebate coincidem com uma pesquisa nacional da YouGov, realizada entre 25 e 27 de fevereiro de 2026 com 1.094 cidadãos adultos estadunidenses.

Só 19% consideraram que Cuba representava uma ameaça imediata e séria ou uma ameaça relativamente séria. 65% definiram-na como uma ameaça menor ou afirmaram que não constituía nenhuma ameaça.

O mesmo estudo registrou que 61% aprovam a existência de relações diplomáticas com Cuba; 46% desaprovam o bloqueio do fornecimento de petróleo por terceiros países, enquanto 28% aprovam; e 61% opõem-se a um ataque militar estadunidense contra a Ilha.

Outra investigação, publicada em maio de 2026 pelo Institute for Global Affairs, concluiu que uma pluralidade de 47% desaprova as sanções contra Cuba.

Também verificou que uma ampla maioria deseja algum tipo de melhoria nas relações diplomáticas.

<><> Conclusões

A pergunta “Estadunidenses acreditam que Cuba é uma ameaça?” não pode ser respondida contando republicações como se fossem cidadãos nem manchetes reproduzidas como se fossem opiniões independentes.

No material analisado, só 26,1% das formulações originais apoiam claramente a tese governamental. 35,3% a rejeitam ou questionam e 38,6% não adotam uma posição definida.

Em conjunto, 73,9% não expressam uma convicção sólida de que Cuba constitui uma ameaça.

Quando se incluem todas as repetições, a afirmação governamental chega a 49,6% do volume. Essa diferença de 23,5 pontos não demonstra que a opinião pública mudou. Demonstra que o discurso oficial dispõe de uma maior capacidade de reprodução.

A conclusão não é que todos os estadunidenses simpatizem com Cuba, apoiem seu governo ou rejeitem qualquer preocupação de segurança.

A conclusão é mais limitada e verificável: a maioria das vozes diferenciadas não adota por conta própria a caracterização extrema divulgada por Rubio e pela Administração Trump.

O governo conseguiu impor o tema e ocupar uma parte substancial do espaço informativo. Mas ocupar manchetes não equivale a ganhar a opinião.

A narrativa de Cuba como ameaça é mais visível que compartilhada, mais repetida que racionalizada e mais forte como dispositivo de amplificação do que como convicção social autônoma.

¨      Por que Marco Rubio dedica sua carreira a endurecer o bloqueio contra Cuba?

De um escritório no sétimo andar do edifício Harry S. Truman, em Washington, Marco Rubio, secretário de Estado, finge administrar a vida de uma Ilha inteira com a frieza absoluta de alguém que se considera infalível e impune.

Ele não é apenas mais um falcão no belicoso aviário da capital norte-americana; ele é o funcionário eficiente, o relojoeiro meticuloso que ajusta as engrenagens do sofrimento alheio. Não é um burocrata que simplesmente emite ordens; é a mão que aperta os parafusos do estrangulamento econômico, que decreta o genocídio de um povo inteiro.

Ele conhece precisamente as alavancas do poder e o timing da política norte-americana, quer ser presidente e acredita que chegou a sua hora, apoiado pelo lobby pró-Israel e pela máfia anti-cubana de Miami.

Seus laços com o lobby pró-sionista são antigos. Norman Braman, um filantropo judeu de Miami, tem sido o maior doador individual de Rubio; por meio de sua organização Americans for Progress, ele contribuiu com mais de dois milhões de dólares para grupos que apoiaram o político republicano no ciclo eleitoral de 2022.

A Coalizão Judaica Republicana (RJC) chegou a lançar uma campanha publicitária digital de seis dígitos na Flórida em apoio à reeleição de Rubio em 12 de outubro de 2022. Isso para citar apenas alguns exemplos.

Por outro lado, a Fundação Nacional Cubano-Americana (CANF), criada em 1981 por Jorge Mas Canosa, talvez a organização mais influente do exílio radical, é um pilar na carreira de Marco.

Da mesma forma, o US-Cuba Democracy, um comitê de ação política (PAC) criado em 2003 por empresários hostis a Havana, é outro financiador importante de Rubio.

Sem o apoio militante da comunidade de exilados linha-dura, ele não seria ninguém no espectro político dos EUA; em todas as campanhas, a estrutura da CANF, os negócios da família Mas, a mídia contrarrevolucionária e os ativistas exilados funcionaram como um movimento coeso que lhe garante uma base segura e alta participação eleitoral.

Sua identidade política se baseia na defesa de uma linha dura em relação a Cuba, no discurso da «ditadura» e na promessa de nunca normalizar as relações sem uma mudança total de regime.

Lembremos que Al Cárdenas, ex-diretor do Partido Republicano da Flórida e figura histórica do exílio cubano, o “descobriu” quando ele era um jovem advogado, o integrou ao círculo de poder conservador, o apresentou a doadores e pavimentou seu caminho para a presidência da Câmara Estadual e, posteriormente, para o Senado.

Esta lista não estaria completa sem a família Fanjul, Alfonso «Alfy» e José «Pepe», herdeiros de um império açucareiro que teve origem em Cuba antes da Revolução e que, após a expropriação das usinas de açúcar em 1960, reconstruíram sua fortuna na Flórida.

A família não escondeu o desejo de ver suas antigas propriedades na Ilha restauradas, e Rubio fez dessa exigência um ponto central de seu discurso: insistindo que qualquer normalização envolva a compensação pelas propriedades confiscadas, o que beneficiaria diretamente a família Fanjul.

Rubio é a personificação mais completa da aliança entre o lobby anticubano, o poder econômico da comunidade exilada e a direita conservadora. Em troca, ele tem sido o mais fiel servo do bloqueio e da asfixia, fechando qualquer espaço para o entendimento e transformando a política em relação a Cuba em um feudo privado protegido por interesses particulares.

Rubio tem capacidade de decisão, tem orçamento, influência e poder para parar a máquina que ajudou a construir; mas ele escolhe não fazê-lo, escolhe bloquear, escolhe mentir.

¨      Rússia reitera solidariedade a Cuba em evento em homenagem ao centenário de Fidel Castro

Durante a abertura do Primeiro Colóquio Internacional Fidel: Legado e Futuro, em Havana, Cuba, Mikhail Shvydkoi, enviado presidencial especial da Rússia para cooperação cultural internacional, transmitiu duas mensagens do presidente russo, Vladimir Putin, por ocasião do centenário do nascimento de Fidel Castro.

Perante mais de 1.500 delegados, incluindo mais de 900 estrangeiros de 63 países, no Centro de Convenções de Havana, Shvydkoi leu uma primeira carta dedicada ao líder da Revolução, Raúl Castro, na qual reconheceu como a vida de seu irmão, "um grande revolucionário e estadista notável, foi dedicada ao serviço altruísta da pátria".

Da mesma forma, ele afirmou que o nome de Fidel é um símbolo de "liberdade, justiça e patriotismo, tanto para os próprios cubanos quanto para milhões de pessoas em diferentes países do mundo".

Ele lembrou que "na Rússia, honra-se a sagrada memória de Fidel Castro, um amigo fiel e confiável de nosso país, que deu uma imensa contribuição pessoal para a construção das multifacetadas relações de parceria entre Havana e Moscou".

"Tive a sorte de conversar com o irmão dele em diversas ocasiões e guardarei para sempre as melhores lembranças desse homem ilustre. Desejo de todo o coração ao camarada Raúl muita saúde, bem-estar e uma perspectiva positiva", concluiu Shvydkoi, ao ler a carta do presidente russo.

<><> Castro tem muito respeito na Rússia

Da mesma forma, Shvydkoi transmitiu uma mensagem de Putin ao presidente cubano Miguel Díaz-Canel, na qual, além de enviar felicitações pela ocasião do aniversário de Castro, observou que o nome do estadista está intimamente ligado aos eventos mais importantes da história recente da ilha.

"Sob sua liderança, foram alcançados progressos econômicos e sociais extraordinários, e o prestígio de Havana no cenário internacional cresceu significativamente. Na Rússia, Fidel Castro sempre gozou de genuíno respeito", acrescentou.

Ele também reconheceu que o líder revolucionário "deu uma imensa contribuição pessoal ao desenvolvimento de relações amistosas entre nossos países e trabalhou incansavelmente em prol da construção de uma ordem mundial justa e verdadeiramente democrática".

Na mensagem, Putin reiterou também sua longa solidariedade com o povo cubano e desejou a Díaz-Canel, a quem chamou de "meu querido amigo", saúde e sucesso em seu governo.

<><> Salvem a Revolução Cubana

Em seu discurso de abertura, o presidente Díaz-Canel agradeceu aos presentes por superarem as distâncias, as campanhas de desinformação e a pressão dos setores da oposição.

Da mesma forma, ele descreveu a presença dos delegados como um ato de coragem e coerência, "porque visitar Cuba hoje, em meio à intensificação do bloqueio que gera tantas calamidades entre os cubanos, é um gesto inestimável de solidariedade que honra o legado de Fidel Castro".

O presidente afirmou que estudar a dialética de pensamento do herói nacional José Martí e de Fidel é uma necessidade imperativa para aqueles que promovem transformações econômicas e sociais, "que irão deter o processo atroz ao qual a Revolução Cubana está sendo submetida, como parte de uma guerra criminosa que já dura mais de sessenta anos".

"Salvar a Revolução Cubana de uma das maiores ameaças que ela enfrentou nestes 65 anos e de agressões de todos os tipos é o maior desafio da nossa geração, e compartilho da sua visão com um senso de urgência", acrescentou.

A este respeito, o presidente enfatizou que atualmente o governo está empenhado em fortalecer a unidade do povo e romper qualquer cerco que procure sufocar a nação, e reconheceu que a primeira homenagem a Fidel significa manter a resistência e a vontade de não se render ao império mais poderoso do mundo.

 

Fonte: Observatorio de Medios de Cubadebate/Sputnik Brasil

 

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