sábado, 31 de agosto de 2024

Hugo Souza: Musk passando para lembrar, de novo, que o próximo golpe terá apoio externo

Em abril, quando falou pela primeira vez em descumprir determinações judiciais contra o X assinadas pelo “ditador”, mesmo que o ex-Twitter fosse derrubado no Brasil, era Elon Musk passando para lembrar que na próxima tentativa de golpe de Estado no país haverá o apoio externo que faltou em 2022 e no 8 de janeiro de 2023.

“Princípios importam mais que lucros”, tuitou Elon Musk, quatro meses atrás. Era uma maneira “libertária” de Musk dizer que, sim, ele está disposto a rasgar uma fração, uma fraçãozinha de nada, da sua fortuna de US$ 250 bilhões para atirar o mundo à loucura, à impostura, ao fascismo.

Na esteira daquelas escaramuças, em junho, o deputado bolsonarista Coronel Meira (PL-PE) requereu ao Ministério da Defesa informações sobre os contratos das Forças Armadas com a Starlink, a internet via satélite de Musk, e sobre uma eventual suspensão das atividades da Starlink no Brasil.

Coronel Meira é o deputado que propôs a criação da efeméride “Dia dos Presos Políticos”, que seria no dia 9 de janeiro, para homenagear os golpistas presos na frente do QG no Exército, em Brasília, na manhã seguinte ao 8/1.

Nesta quinta-feira, 29, com o bloqueio das contas da Starlink no país, determinado por Alexandre de Moraes, Coronel Meira divulgou o conteúdo da resposta da Defesa. Segundo a pasta, comandada pelo civil de quatro estrelas José Múcio Monteiro, dependem hoje da Starlink as comunicações da Marinha do Brasil e o patrulhamento de fronteiras.

“Moraes está colocando em risco a segurança nacional”, gritou o Coronel Meira.

Nas últimas horas, clientes da Starlink no Brasil estão recebendo uma carta na qual a empresa promete “defender seus direitos protegidos por sua Constituição”. Lembra a carta “às instituições e ao povo brasileiro”, com a qual em novembro de 2022 os comandantes militares prometeram proteção às “demandas legais e legítimas”, “nos termos da Constituição”, de quem estava acampado, pedindo golpe, na frente dos quartéis.

Ainda ontem, no governo Bolsonaro, Musk e milicos comiam filé com risoto de parmesão no hotel Fasano Boa Vista na companhia de Dias Toffoli.

Naquela altura, o brigadeiro Baptista Junior, hoje tido como herói da pátria por supostamente não embarcar no golpe do bolsonarismo militar, o brigadeiro Baptista Junior, dizíamos, circulava sorridente com Musk na base de Alcântara, para arregaçar Alcântara para a SpaceX. Na época, a FAB chegou a publicar um clássico do entreguismo intitulado “Janela brasileira para o espaço é apresentada ao empresário Elon Musk”.

Fotos da época mostram o bilionário que tem a força de países exibindo pendurada no pescoço a Ordem do Mérito da Defesa, concedida a quem, entre outras glórias, “tenha procedido de maneira relevante na manutenção da integridade da Nação Brasileira sob ameaça de grave risco”. Deve usá-la até hoje, como fetiche, para espalhar pelo mundo que no Brasil vigora uma “ditadura”.

Nisso, e com Trump fungando de novo o cangote da correlação internacional de forças, Alexandre de Moraes achou uma boa ideia intimar Elon Musk via… X, marcando Musk, inaugurando o X, de Musk, como forma de comunicação de atos processuais, assim, como quem dá golpes de facão em pés de maconha no Paraguai.

 

•        'Não restava alternativa do ponto de vista jurídico', avalia jurista sobre banimento do X/Twitter no Brasil

A plataforma X (antigo Twitter) vai sair do ar em todo o Brasil, depois de uma ordem de banimento da rede, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O magistrado tomou a decisão após a empresa se negar a instituir um representante legal no país. Na quarta-feira (28), Moraes havida dado 24 horas para a rede social atender essa determinação. O prazo venceu às 20h07 de quinta-feira (29).

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi notificada para cortar a rede em todo território nacional e cabe a ela executar a decisão. Já as lojas de aplicativos terão cinco dias para deixar de oferecer o aplicativo da plataforma X.

Para o professor, sociólogo e especialista em mídias digitais Sérgio Amadeu, não há que se falar em censura, já que se trata do descumprimento de ordem judicial baseada na legislação brasileira. Além disso, ele afirma que a inação do Supremo diante do caso poderia abrir um precedente perigoso para o marco jurídico do Brasil.   

"Elon Musk não quer cumprir ordens judiciais. As ordens eram específicas sobre perfis criminosos e conteúdos, só que ele não quer cumprir. Então, o que o STF fez foi aplicar o ritual do Marco Civil da Internet", disse o professor ao Brasil de Fato. "Agora, se o STF aceita que uma empresa não cumpra ordens judiciais, a pergunta é: por que você tem que cumprir?", questionou.  

Amadeu destaca que o empresário sul-africano promoveu transformações na rede X para servir aos interesses da extrema direita mundial, e considerou a decisão de Morais uma resposta à altura.  

"O que ele fez foi nitidamente dizer: eu não cumpro ordens judiciais do Poder Judiciário brasileiro. E aí, não tem outra saída porque, senão, o Poder Judiciário fica deslegitimado. Então tem de bloquear os IPs e todas as formas de acesso ao Twitter, para que a República democrática seja protegida contra um playboy que acha que o Brasil é uma 'república de bananas'", defende.  

A advogada e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) Tânia Maria de Oliveira concorda que não restava alternativa ao Poder Judiciário brasileiro, diante das sucessivas insubordinações do empresário e seu grupo de empresas ao ordenamento jurídico do Brasil. "A decisão é perfeita, não tem muito o que pensar. Ele [Elon Musk] deixou de cumprir decisão judicial que já havia sido dada lá atrás para suspender perfis que estão investigação policial, por participação criminosa de diversas pessoas, inclusive ameaça concreta contra delegado federais. (...) Não restava alternativa do ponto de vista jurídico, a não ser o juiz realmente suspender a rede", considera.

Na mesma linha, o juiz de direito Rubens Casara afirma que se trata de um "ato judicial que expressa a soberania do Brasil", pelo que considera uma decisão acertada, diante do descumprimento das decisões judiciais. No entanto, criticou a imposição de multa de R$ 50 mil diária a empresas ou indivíduos que utilizem ferramentas como VPNs e outros sistemas de navegação privada para acessar o X enquanto estiver banido. "A decisão me parece equivocada ao fixar, fora das hipóteses legais, multa para as pessoas que tentem o acesso à rede X por 'subterfúgios tecnológicos'", avalia.

<><> Liberdade de expressão

O advogado Thiago Barison avalia que a decisão de Moraes é uma medida dura, de limitação da liberdade de expressão e "estreitamento do pluralismo". No entanto, ele alerta que o "todo pluralismo é restrito", a depender das condições sociais em que ele se dá. 

"Todo pluralismo é restrito, ele tem limites. Nesta quadra da história, ele vem se restringindo cada vez mais. O capitalismo vende a ilusão de que na democracia liberal o pluralismo é irrestrito.  É uma ilusão porque encobre o poder dos grandes grupos capitalistas que controlam os meios de expressão", pondera. 

Apesar disso, Barison considera que a medida é necessária, já que o STF tem sido, com todos seus limites, um muro de contenção sobre o avanço do neofascismo no Brasil. "É preciso fechar os canais pelos quais o neofascismo se alimenta da base popular. Então nós temos que apoiar essas medidas", defende. 

Nesse sentido, o advogado destaca a dupla moral da mídia hegemônica ao tratar as determinações da Justiça brasileira, e decisões similares tomadas em países não alinhados com os Estados Unidos. 

"Quando esse tipo de coisa acontece na Rússia, na Venezuela, na China, em qualquer país que não seja alinhado do imperialismo estadunidense, isso é tratado da mesma forma como os bolsonaristas tratam, dizendo que é um regime ditatorial. Veja que nada disso leva a mídia a tratar o Brasil como regime. Não, é uma ação do Judiciário, há separação de poderes. Então primeiro é preciso demarcar o que a coisa é na realidade e distinguir da ideologia liberal", propõe. 

<><> Musk, um insubordinado

Na decisão desta sexta-feira, o ministro Alexandre de Morais destaca os "reiterados, conscientes e voluntários descumprimentos das ordens judiciais e inadimplemento das multas diárias aplicadas, além da tentativa de não se submeter ao ordenamento jurídico e Poder Judiciário brasileiros, para instituir um ambiente de total impunidade e ‘terra sem lei’ nas redes sociais brasileiras, inclusive durante as eleições municipais de 2024".

O ministro ainda afirma que a empresa X Brasil foi instrumentalizada por grupos extremistas e milícias digitais, "com massiva divulgação de discursos nazistas, racistas, fascistas, de ódio, antidemocráticos", e novamente cita o contexto das eleições deste ano. 

Moraes menciona ainda as mensagens publicadas pelo bilionário Elon Musk, em que declarava não se submeter às decisões judiciais brasileiras. Também destacou que o empresário anunciou a extinção da subsidiária brasileira, "com a flagrante finalidade de ocultar-se do ordenamento jurídico brasileiro e das decisões do Poder Judiciário.

<><> Reportagem do Brasil de Fato é citada em decisão

Em um trecho da decisão de Moraes, o ministro cita reportagem do Brasil de Fato sobre a entrada da Starlink no Brasil, marcada por irregularidades. A empresa também é de propriedade de Elon Musk. "Em março, após pedido de acesso a documentos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o site Brasil de Fato colocou uma troca de mensagens entre representantes do Ministério das Comunicações e a SpaceX, indicando uma pressão da empresa para agilizar a autorização do serviço no País pela Anatel. No sistema eletrônico da agência, os dois últimos processos relativos à Starlink estão censurados como 'acesso restrito'", escreveu o ministro.

A reportagem destacava ainda a relação entre a revenda de sinais de internet da Starlink para a compra de ouro e cassiterita extraídos ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. 

<><> Moraes impõe multa de R$ 50 mil por dia a quem usar VPN para acessar a plataforma X

Na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que determina à Anatel que bloqueie a rede social X em um prazo de 24 horas, devido ao descumprimento de ordens anteriores relacionadas aos atos golpistas, o magistrado ordenou a aplicação de uma multa diária de 50 mil reais a pessoas naturais e jurídicas que utilizem a tecnologia de Rede Virtual Privada (VPN, na sigla em inglês) para seguir utilizando a plataforma.

VPN é um serviço que cria uma conexão segura e criptografada entre seu dispositivo e a internet, ocultando seu endereço IP e permitindo que você navegue anonimamente ou acesse conteúdos restritos geograficamente.

"A APLICAÇÃO DE MULTA DIÁRIA de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) às pessoas naturais e jurídicas que incorrerem em condutas no sentido de utilização de subterfúgios tecnológicos para continuidade das comunicações ocorridas pelo 'X', tal como o uso de VPN (‘virtual private network’), sem prejuízo das demais sanções civis e criminais, na forma da lei", diz trecho da decisão.

Mais cedo nesta sexta, o ministro Moraes determinou a "suspensão imediata, completa e integral" da plataforma social X, do bilionário de extrema-direita Elon Musk, no Brasil. A decisão aponta que a Anatel deve tomar as providências para retirar a plataforma do ar em até 24 horas.

Na decisão, que vem após o X se recusar a indicar um representante legal no país sob ameaça de suspensão, Moraes cita a intenção da plataforma de criar um ambiente de "terra sem lei" antes das eleições municipais.

A decisão também determina que empresas como Apple e Google "insiram obstáculos tecnológicos" de forma a inviabilizar o download de VPNs, que serviriam para burlar a legislação e criar um atalho para o acesso ao X. Além disso, a decisão intima Musk diretamente.

 

•        O caso Musk x Moraes inaugura uma nova era. Por Luís Nassif

Há muito tempo os estados nacionais – incluindo OCDE e outros organismos – manifestam desconforto com o poder excessivo das redes sociais. E, principalmente, sua transnacionalidade, que as fazem imunes a qualquer controle dos estados nacionais.

Na França, Emmanuel Macron decretou a prisão do dono do Telegram. Ele já havia afrontado autoridades brasileiras em eleições passadas.

Agora, tem-se uma crise que atinge o X, antigo Twitter, que é a primeira afronta escancarada às leis de um país.

Elon Musk utiliza, sem subterfúgios, o X para pregação política da ultradireita, atropelando princípios básicos de controle. Ao enfrentar as determinações do STF, ele está afrontando o país. Parece que não fica claro ao viralatismo da mídia nacional. Mesmo depois do 8 de janeiro mostrar a importância extrema de se respeitar a última palavra, do STF.

Pegam um jurista aqui, outro ali, e montam manchetes no coletivo: os juristas. Aí vão atrás de Marco Aurélio de Mello, aquele que, quando ainda Ministro do STF, aceitou uma página de O Globo para pressionar o Ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão, em um simples caso de embargos infringentes.

Tem-se, então, uma questão que não se pode tergiversar: a determinação para que o X mantenha uma representação no país, para responder legalmente às determinações da justiça brasileira.

A partir daí, há as consequências a serem trabalhadas, a redução de danos. O X representa o investimento de milhões de seguidores, que montaram sua rede de disseminação das suas notícias, e armazenaram seus conteúdos ao longo de mais de uma década.

Como tratar esse material? Simplesmente o X fecha a operação brasileira e mantém em seus bancos de dados todos os perfis e mensagens dos brasileiros?

A questão essencial é essa. Pode um empresário tresloucado, de repente, afrontar as leis de um país, e trazer prejuízo a milhões de usuários de seus serviços?

Tecnologicamente, há maneiras de impedir esse roubo. Nosso colaborador, que assina JKGH Secure, e é do ramo de tecnologia, demonstrou a maneira fácil de trabalhar a questão do conteúdo. É possível autorizar os DNS’s BR a apontar os domínios do X para portal/serviço controlado por empresa BR (como a Globo) clonando o conteúdo do X com os filtros da lei BR p/ o BR não sofrer com interrupção.

DNS (Domain Name System) é um sistema de nomenclatura hierárquico que traduz nomes de domínio em endereços IP numéricos, que são a linguagem que os computadores utilizam para se comunicar na internet. É como um catálogo telefônico da internet, onde você procura um nome e ele te dá o número (endereço IP) para ligar

O ponto central é outro: como definir a propriedade do conteúdo e os ativos acumulados pelos nacionais (investindo na construção de seus seguidores) em casos dessa natureza?

É um tema que vai ser discutido em todos os fóruns internacionais. E, aí, merecendo um cobertura jornalístico digna do nome.

Aliás, seria bom, de vez em quando, consultar a imprensa séria para entender a lógica de Musk. Segundo The Guardian, na Índia, com um governo de direita, o X bloqueou contas de opositores ao regime,

O que os gênios da viralatice teriam a dizer?

 

Fonte: Jornal GGN/Brasil de Fato

 

Tecno-Apocalipse: teses para a Era das Redes Sociais

Em 1959, Günther Anders fez um discurso na Freie Universität Berlin que foi posteriormente publicado como “Teses para a Era Atômica”, no qual ele analisou o impacto apocalíptico da bomba nuclear na política. As reflexões abaixo, inspiradas por esse texto, abordam algumas das consequências da ascensão das plataformas sociais desde 2008 no mesmo âmbito. Enquanto as plataformas de trabalho são amplamente analisadas e criticadas pela precarização do trabalho que produzem, as plataformas sociais permanecem, apesar do reconhecimento generalizado de seus efeitos nocivos para a sociedade, o grande consenso do realismo capitalista atual, para usar a expressão de Mark Fisher. O objetivo aqui não é comparar as redes sociais ou as plataformas com a bomba atômica de forma literal, mas reconhecer seu efeito profundo e, até agora, irreversível na política.

Essas teses, embora teóricas, provêm de uma realidade muito empírica e fatual. Quando Jair Bolsonaro venceu as eleições de 2018 no Brasil com uma campanha de mídia social muito bem-sucedida, e os escândalos da Cambridge Analytica vieram à tona, o Brasil tornou-se um case de estudos global no que se refere à ascensão da extrema direita, um laboratório para o que chamo de “neofascismo de plataforma”, uma tendência imbutida nas novas tecnologias digitais e fomentada por nossas práticas cotidianas. Isso gerou uma espécie de apocalipse tecnológico, que, embora não seja advindo de uma bomba, pode, no entanto, produzir genocídios, como aconteceu no Brasil durante a pandemia da covid-19, em Mianmar em 2017 e na Índia sob o governo de Narendra Modi.

•        Neofascismo de Plataforma: uma condição mundial

A crise de 2008 remodelou de vez nosso mundo digital, dando origem a uma nova era de capitalismo monopolista. Intelectuais como Yanis Varoufakis, Cédric Durand e Jodi Dean chegam até mesmo a apontar para uma mudança no nosso modo de produção atual (isto é, uma mudança na organização social e econômica) do capitalismo para o “tecnofeudalismo”. A digitalização e a plataformização não são apenas um novo “modelo de negócios”, como pregam o Vale do Silício e suas variantes ao redor do mundo, mas sim um novo cercamento dos mercados (até mesmo o mercado de trabalho), de modo que a privatização desses mercados aniquila o princípio de competição inerente a eles. Mas não são apenas os mercados que são cercados, mas também nossas formas primárias de sociabilidade, cultura, educação, comunicação, e, mais importante, a política. A nova infraestrutura digital tornou-se a principal forma de organização política da direita. Desde o boom das redes sociais, governos de direita se proliferaram em todo o mundo em uma escala nunca vista antes. Esse aparato não apenas conectou grupos que antes eram apenas marginais, mas constitui a base de uma direita internacional globalizada neofascista. Mesmo defendendo o nacionalismo na maioria dos países, eles compõem o movimento social mais importante (em termos eleitorais) sem fronteiras de nosso tempo. Altamente organizados pelas versões locais de um novo partido de massas digital que atua através de uma máquina de propaganda pervasiva e ostensiva, esse movimento lucra amplamente com a lógica algorítmica que compõe as redes sociais e transforma a linguagem política atual na linguagem da publicidade na qual se amparam essas plataformas. Como argumenta Cathy O’Neil, os algoritmos tornaram-se as novas armas de destruição em massa. Como a destruição de Hiroshima tornou-se algo que pode ocorrer em qualquer lugar do mundo após o advento da bomba atômica, o neofascismo político do Brasil, dos Estados Unidos e da Índia torna-se uma possibilidade muito provável para outras democracias no mundo após a ascensão das redes sociais. O neofascismo de plataforma é uma condição mundial.

•        Não Redes Sociais na Situação Política, mas Situação Política nas Redes Sociais

As redes sociais não são um instrumento; são um conjunto de monopólios. Nunca na história, a proposta de Marshall McLuhan de que “o meio é a mensagem”  foi tão verdadeira. Assim como a bomba atômica não é uma possibilidade de paz, mas sua própria impossibilidade, as redes sociais não são uma possibilidade de ampliar a democracia, mas um de seus principais fatores destrutivos. Os alegados efeitos progressistas que elas podem ter na política são de longe superados por sua capacidade de erosão democrática. As redes sociais não são apenas “tecnologia pura”. É uma tecnologia inserida dentro de uma lógica de plataforma que dita a forma da nossa sociabilidade atual, mesmo que sejamos levados a acreditar que produzimos seu conteúdo. Embora isso pareça absolutamente plausível, é enganoso dizer que as redes sociais existem em nossa situação política. Esta afirmação deve ser invertida para se tornar verdadeira, como diz Anders sobre a bomba atômica. Como a situação política hoje é altamente determinada e definida pela existência das redes sociais – que cercam a esfera pública e o debate político, nossas formas de interação e subjetivação, a forma como nos informamos (especialmente as gerações mais jovens, como vemos agora com a campanha bem-sucedida da AfD no Tik Tok), e a maneira como fazemos política – é preciso reconhecer que as ações e desenvolvimentos políticos de nossa era estão ocorrendo dentro de uma situação de redes sociais, de plataformas sociais, não o contrário. O problema não é apenas o Twitter ou Elon Musk, mas a situação em si. Apesar dos efeitos catastróficos que essas plataformas têm causado, há uma espécie de consenso tecnológico que impede qualquer tipo de crítica. Apesar de todas as posições neofascistas de Elon Musk, ninguém discute o boicote de uma rede como o X – o maior sucesso dessas empresas foi vender o seu negócio como liberdade de expressão. Não há acordo sequer sobre sua regulação em círculos de esquerda. Como argumentei aqui antes, o aparato de plataforma atual realizou o sonho erótico do anarcocapitalismo. Uma das principais características do capitalismo digital é eliminar a função mediadora do Estado e das instituições estatais em múltiplas esferas. As criptomoedas eliminam o papel das regulamentações financeiras estaduais, as plataformas de trabalho contornam as legislações trabalhistas e as redes sociais dispensam qualquer e todo controle democrático sobre o debate político. A chamada tecnologia mais avançada de nossa era não é nada mais que um Velho Oeste digital, um conto de Mahagonny, onde a política é feita pelos mais fortes, mais rápidos e mais poderosos, e onde os perdedores são mais uma vez os subalternos, os povos autóctones, a paisagem natural.

•        Não instrumento, mas inimigo: In e out-groups

Embora propagandeiem que ultrapassam qualquer fronteira, as redes sociais produzem mais divisões sociais e políticas do que qualquer outra tecnologia anterior a elas, pois não são apenas uma tecnologia, mas um monopólio digitalmente controlado de nossas formas de política. Em suas “Teses,” Günther Anders afirmou que a bomba atômica de alguma forma desconectou a violência e o ódio, transformando a guerra em um assunto impessoal. Segundo ele, “como os alvos do ódio artificialmente fabricado e o alvo dos ataques militares serão totalmente diferentes, a mentalidade da guerra se tornará realmente esquizofrênica.” As redes sociais assumiram o papel de reorganizar o ódio (as comunidades incel, os movimentos digitais neofascistas, as organizações pró-armas e pró-guerra), reconectando as vítimas do ódio com o ataque militar ou paramilitar a elas. As campanhas digitais que incitam o genocídio na Palestina, são só um dos muitos exemplos disso. O ódio nas redes sociais é a face atual da era atômica. Sua lógica algorítmica se encaixa na dinâmica fascista de “in-groups e out-groups” como uma luva. Isso impede que a sociedade como um todo perceba que, com a bomba atômica e a crise climática, “qualquer distinção entre perto e longe, vizinhos e estrangeiros, tornou-se inválida” e que estamos vinculados não apenas nesta, mas também nas próximas gerações à ameaça de destruição na qual nossa existência está enquadrada.

•        Gatilhos, cliques e engajamento como substitutos da ação

De acordo com Anders, a possibilidade de acionar uma bomba e não assistir aos seus efeitos, a separação no tempo e no espaço de uma ação e suas consequências, é a versão hiper-pós-moderna do assassinato disfarçado de trabalho ou cumprimento do dever no fascismo. Por trás da ideia de “seguir ordens”, novamente, segundo Anders, esconde-se a isenção do trabalhador de responsabilidade por seus próprios atos, dos quais “simplesmente não pode ser culpado”. Clicar é como apertar o botão de uma bomba. Se o ambiente virtual pode de fato dar a sensação de participação política a pessoas de outra forma excluídas da política, ele também separa a ação e a sua consequência no espaço e no tempo. Apertar um botão e pressionar uma tecla são atividades semelhantes agravadas pelo fato de que, no segundo caso, o caráter virtual da ação faz parecer que suas consequências não são verdadeiras. Isso é válido tanto para o indivíduo isolado que repassa uma fake news, como para as fazendas de cliques usadas para disseminar notícias falsas e eleger governos de extrema direita, bem como para a formação de “in-groups” que atacam mulheres, pessoas racializadas, LGBTQIA+ e estrangeiros a ponto de provocar feminicídios, queercídios e até genocídios. O que antes significava ser politicamente crítico e envolvido, isto é, engajado, agora é uma expressão que designa nossa participação em um aparato que é político até o cerne, mas cuja política é coberta por um véu tecnológico. As redes sociais substituem a ação por um engajamento que impede qualquer ação real enquanto, ao mesmo tempo, produzem uma forma de política que parece desaparecer no espaço temporal que separa os cliques e as suas consequências finais. Como Anders afirmou sobre a bomba atômica, “esta, então, é nossa situação absurda: no exato momento em que nos tornamos capazes da ação mais monstruosa, a destruição do mundo, as ‘ações’ parecem ter desaparecido. Como a mera existência de nossos produtos já prova ser ação, a pergunta trivial de como devemos usar nossos produtos para ação é quase fraudulenta, pois a pergunta obscurece o fato de que os produtos, por sua mera existência, já agiram”. Em 2024, metade das interações na internet será por e com bots. Nosso futuro deve ser decidido por isso?*

•        Scrolling time e a luta antiapocalíptica

Enquanto a mudança climática reforça o Endzeit e faz de nosso presente a última era em muitos sentidos, o tempo que passamos rolando os feeds nos aprisiona na temporalidade vazia das plataformas das redes sociais, tornando-nos cada vez mais incapazes de perceber o que produzimos como sociedade, de ouvir o que Anders chamou de “a voz muda de nossos produtos.” A era da informação se torna a era da ignorância, e nossa situação como “utópicos invertidos”, isto é, incapazes de ver o que já fizemos, é combinada com a perda de nossa capacidade de imaginar o que poderíamos fazer. Para escapar desta situação, devemos primeiro nos perguntar, sem medo da resposta: existe alguma possibilidade de emancipação dentro deste aparato e situação? Ser antiapocalíptico, como afirmava Anders, é cultivar a capacidade de temer as consequências das nossas ações passadas e presentes para as gerações futuras. Conter o avanço desse aparato sobre a sociedade, especialmente no Brasil dos próximos anos, é uma tarefa mais que necessária para barrar a extrema direita que continua firme e forte nessas redes e para conceber uma política que seja algo mais que mercadoria e publicidade.

 

Fonte: Por Bruna Della Torre, no Blog da Boitempo

 

O papel da escrita à mão e o futuro do Ensino

As crianças devem aprender a escrever com as próprias mãos na escola? O caráter autoevidente de nossa resposta tornou-se uma questão genuína em uma era de telas onipresentes e digitação contínua. A escrita à mão corre o risco de se tornar uma habilidade obsoleta, associada ao romantismo mofado do escritor “autêntico” ou à lenta reflexão do intelectual. Para os alunos e uma parcela cada vez maior de professores, a escrita à mão parece uma imposição conservadora dos mais velhos sobre os mais jovens, como aprender a usar uma régua de cálculo na era da calculadora digital.

A questão nos faz refletir sobre os próprios objetivos da educação. Ela serve para preparar as crianças para o mundo e seu “modo de existência com uso intensivo de telas” ou para tentar oferecer algo melhor, arriscando sermos hipócritas quanto à nossa própria incapacidade de produzir esse mundo possível? A escrita à mão é um símbolo da confluência dos ideais de alfabetização em massa e individualidade – a ampla disponibilidade do meio da autoexpressão, de certa forma liberada da padronização dos tipos. A palavra escrita à mão no papel oferece uma imagem da resiliência do mundo frente à sua desmaterialização no mundo digital, a fantasia de um traço autêntico contra a ameaça constante e crescente de que o que lemos na tela seja estritamente uma fabulação das máquinas.

A escrita à mão oferece a libertação da tela, mas exige uma disciplina que os alunos dificilmente percebem como uma libertação. O penoso processo de aprender a formar letras é considerado por alguns, como o psicólogo Ronald Kellogg, que adota o termo homo symbolificus do romancista Walker Percy, como uma espécie de berço da civilização. Como muitos de seus inconvenientes, a escrita à mão é constitutiva das sociedades humanas administradas e, no entanto, como Michael Tomasello nos lembra, ela está longe de ser natural. Em outras palavras, as crianças não adquirem espontaneamente a escrita da mesma forma que assimilam a linguagem falada de seu ambiente. A escrita à mão, portanto, é uma submissão às regras de legibilidade semelhante à submissão dos instintos às exigências da sociabilidade. Seu papel fundamental na educação é um produto da modernidade.

No entanto, conforme relatado em um estudo amplamente citado, os professores têm sido relutantes em impor a “instrução formal sobre escrita”, preferindo a exploração conduzida pelas próprias crianças para estimular “o interesse das crianças pela escrita”. Em seu ensaio de 1965 “The Decline of Handwriting” (O declínio da escrita à mão), E. A. Enstrom sugere que essa relutância começou já na década de 1930. Ele admite que “a rigidez severa não tem lugar na escola e deveria ter sido eliminada sem luto. Entretanto, a permissividade total é igualmente difícil de defender”. Contudo, como os professores não estão dispostos a impor algo às crianças, sem o surgimento espontâneo, essa relutância coloca em risco a própria capacidade de aprendizado das crianças. Aprender o quê? E para que fim? Tanto os professores quanto os alunos percebem a crescente distância entre o ensino da escritas e seus propósitos.

•                                            Traçando uma linha

A escrita à mão, assim como a negação ou a proteção das telas, passou a simbolizar algo não declarado: a obediência da criança a uma tarefa que muitos adultos não realizam rotineiramente. Como escreve Madeleine Heffernan, “a escrita à mão está passando por uma espécie de crise de identidade, e não são apenas os alunos, que cresceram digitando e enviando mensagens de texto, que estão questionando sua relevância”. O aprendizado com a escrita à mão, de acordo com um estudo, ocorre em média apenas 30 minutos por semana. Se quisermos que as crianças em idade escolar aprendam a escrever à mão, devemos refletir se o desejo de que elas tenham essa fuga do mundo digital não implica em nossa desesperada resignação a ele. Ao ensinarmos a escrita à mão, mas raramente a praticarmos, corroemos a própria justificativa para fazê-lo.

Os alunos, convidados a fazer um desenho sobre “o que a escrita significava para eles”, retrataram “a si mesmos em uma sala de aula, recebendo ordens para escrever à mão, pensando que estavam entediados, que aquilo não fazia sentido e que não queriam fazê-lo”. A ansiedade em relação à habilidade de escrever à mão aumentou com a constatação de que os alunos não estão preparados e não têm a disposição necessária para concluir uma prova escrita. No entanto, o regime de testes estandardizados dificilmente é uma justificativa profunda para impor o aprendizado pela escrita. Angus Holland relata que uma escola em Sydney oferece “treinamento fora do horário escolar sobre postura, fortalecimento das mãos e mobilidade” a fim de preparar os alunos para as provas. Os acadêmicos insistem que “os alunos devem se envolver na tarefa, e não escrever com o único objetivo de atender às exigências do professor”. Isso sugere que os alunos não confiam na exigência do professor.

Algo mudou na relação entre as gerações. Os jovens, com razão, olham com desconfiança para a incompetência cínica das respostas do mundo adulto aos problemas que ele mesmo criou. Hannah Arendt, ao diagnosticar “A Crise da Educação”, descreveu como “os educadores aqui se posicionam em relação aos jovens como representantes de um mundo pelo qual eles deverão se responsabilizar, embora eles próprios não o tenham criado, e mesmo que possam, secreta ou abertamente, desejar que ele fosse diferente do que é”. É um hábito comum, embora maligno, impormos aos professores a responsabilidade de consertar os males do mundo por meio da massa maleável de crianças.

As crianças, entretanto, não são uma massa maleável e incorporam, desde o momento do nascimento, o mundo como nós, adultos, o criamos. Para Arendt, há partes desse mundo que reservamos para a proteção da infância na criança, e há partes que designamos para a introdução da criança no mundo e do mundo na criança, sendo elas coisas frágeis. Essa última parte é a escola – um microcosmo da sociedade com alguns cantos arredondados e bordas suavizadas. No entanto, a fantasia de que se trata de um espaço isolado das corrupções do mundo é um desserviço à necessidade da criança de descobrir seu lugar e sua orientação no mundo, e nega até que ponto a responsabilidade por nosso mundo recai sobre nós, para que vivamos e o melhoremos para essas crianças.

•                                         Desenhando um círculo

Uma crise de justificação, sugere Arendt, “que arranque as fachadas e elimine os preconceitos”, também nos permite “explorar e investigar o que quer que tenha sido desnudado da essência da questão”. Uma crise testa nossas razões, eliminando o que é dado como certo pela tradição ou pelo senso comum. Para Arendt, “o desaparecimento dos preconceitos significa simplesmente que perdemos as respostas nas quais normalmente confiamos sem sequer perceber que originalmente eram respostas a perguntas”. Enquanto os críticos conservadores tendem a catastrofizar e normalmente endossam uma reação sustentada em novas versões de velhas justificativas, Arendt adverte que uma “crise se torna um desastre somente quando respondemos a ela com julgamentos pré-formados, ou seja, com preconceitos”.

De acordo com Enstrom, os professores das décadas de 1920 e 30 “se rebelaram contra métodos arbitrários” de ensino de escrita. Ele admite que eles  “provavelmente se justificavam, embora as práticas de sala de aula, que evoluíram de anos de experiência de ensino bem-sucedida, fossem suficientemente sólidas para que as crianças aprendessem a escrever rápido e corretamente. Muitas práticas, como exercícios de repetição, foram, sem dúvida, usadas sem uma compreensão clara de sua finalidade.”

A necessidade de justificativa explícita corroeu uma prática cujos méritos implícitos haviam sido construídos durante um longo período. A autoridade do método não vinha do conhecimento de sua justificativa ou propósito, mas de seu sucesso. No entanto, à medida que a sociedade mudou, a concepção de sucesso mudou junto com ela, levando os professores a questionar a base de seu currículo.

Os estudiosos insistem que, em geral, as habilidades de escrita estão associadas a “vários aspectos do desempenho acadêmico” e a atributos como “habilidades visuais e motoras”. A escrita à mão pode, portanto, contribuir indiretamente para uma ampla gama de resultados desejáveis. Por outro lado, pode ser simplesmente um sintoma de uma boa educação, na qual ela é ensinada de forma eficaz junto com todo o resto. A ligação entre a escrita à mão e um buquê de outras “habilidades” desagregadas – ou, mais comumente, funções cognitivas – tende a fragmentar o aluno em partes mecanicamente manipuláveis, cada uma delas lubrificada por métodos educacionais inovadores. Esse modelo é adequado para órgãos como a Comissão de Produtividade, com seu fetiche por medidas e resultados quantificáveis. Mas, assim como a perspectiva que transforma mentes em cérebros, esse modelo está desvinculado de uma concepção mais ampla do aluno como membro de nosso mundo compartilhado.

Além disso, ela não serve como justificativa, porque trata a habilidade como qualquer peça mecânica que pode ser substituída se você encontrar outra que desempenhe a mesma função. Precisa de habilidades motoras finas? Tente pintar, praticar esportes ou caligrafia. Essas justificativas neuropsicológicas parcimoniosas ignoram o papel que a escrita, e a escrita à mão, desempenha – ou não desempenha – em nosso mundo social, de uma forma que torna óbvio que caligrafia e escrita à mão não são a mesma coisa. Os efeitos medidos pela pesquisa neuropsicológica são, de qualquer forma, vagos ou sugestivos, na melhor das hipóteses. Como diz Laura Dinehart, relacionando a escrita à mão e comportamento: “Em sua forma mais básica, a escrita à mão é o exercício de controle motor fino, e diz-se que as atividades motoras finas estimulam o córtex pré-frontal, uma área do cérebro que abriga elementos de autorregulação e função executiva”.

Outros estudos associam a escrita à mão a “associações multissensoriais” que envolvem “planejamento motor, habilidades de controle e produção e sincronização motora”. Propondo que “a escrita não é um ato que ocorre apenas no ambiente externo observável”, mas que “envolve uma interação de processos internos e externos”, esses estudos cada vez mais carregam o aluno com metáforas mecânicas e computacionais. O ideal do ensino da escrita à mão, muitos concordam, é atingir a automaticidade. Isso significa que a habilidade se torna integrada – uma segunda natureza. Isso também significa, às vezes, que perdemos de vista o motivo pelo qual algo nos foi ensinado. Nossa facilidade com a caneta se torna tão natural que nos esquecemos de que essa habilidade nos foi imposta. A escrita à mão restringe a liberdade da mão, forçando-a a entrar em linhas predeterminadas. Um professor comenta: Você nunca sabe o que é um ‘A’ a menos que o tenha desenhado fisicamente”.

E, no entanto, considerando o ideal de automaticidade, poderíamos facilmente afirmar que você nunca saberá o que é um “A” até que perca qualquer noção do que significa aprender a desenhá-lo. O objetivo de aprender a escrever, assim como o de aprender a andar, é esquecer como fazê-lo ao fazê-lo. Isso tem a vantagem de liberar o que é importante para o aprendizado. Com isso, há a vantagem de liberar o que os psicólogos chamam de “processos cognitivos de alto nível, como a geração de ideias ou a seleção de vocabulário”. Mas isso faz parecer que escrever é algo distinto do que é escrito. Entretanto, como qualquer escritor experiente pode confirmar, o ato de escrever é parte do que produz o vocabulário. O ato de escrever não é o ato de fazer marcas em uma página combinado com o processo cognitivo de selecionar palavras. Escrever é um tipo de pensamento.

Aprender a escrever, entretanto, continua sendo uma fórmula inabalável. O traçado deselegante de linhas em círculos, a conformidade da mão não com a vontade, mas com a exigência do professor, são necessários para produzir uma escrita legível. Até mesmo as curvas graciosas da letra cursiva, ensinadas aos alunos australianos desde a década de 1850, baseiam-se em tipografias Copperplate, aplicadas a partir de modelos impressos do século XVIII. Psicólogos e estudiosos da educação podem inventar métodos e justificativas cuja novidade frenética os torna rapidamente obsoletos, mas é mais provável que nosso desejo de ensinar a escrita esteja relacionado a ideais mais antigos, que evocam a liberdade da página aberta, sem formatação e lenta, longe das distrações da cultura das telas que nos cerca.

•                                        Progresso contra o futuro

Nosso desejo de que a educação melhore constantemente nos leva a tentativas fatais de produzir o novo à força, fazendo-nos tropeçar no presente ao tentar reivindicar nossa relevância no futuro. Também tem a tendência de enfraquecer o senso comum, substituindo métodos antigos simplesmente porque são antigos. A cascata de “inovações” metodológicas, finas como papel, tende a enterrar o objetivo final da educação. Como adverte Arendt, “sob a influência da psicologia moderna e dos princípios do pragmatismo, a pedagogia se transformou em uma ciência do ensino em geral, de tal forma que se emancipou totalmente do material real a ser ensinado”.

A escrita à mão complica nossas suposições sobre o progresso educacional: uma prática antiga, quase arcaica, que é revestida de justificativas progressivistas ansiosas que têm mais a ver com cérebros do que com alunos como pessoas. Essas justificativas progressivistas fecham o círculo do futuro, envolvendo-o nas próprias autossatisfações do presente. O progressivista educacional está preso na armadilha de usar métodos cada vez mais novos para defender o status quo, embora o progresso tenha minado tanto o status quo quanto os métodos. Nenhum tipo de justificativa pode compensar a alteração de nosso modo de vida.

A educação consiste, em parte, na transmissão do passado para o futuro. O mundo adulto convida novos membros a se juntarem a ele e também se abre para a transformação. Confundir essas tarefas – o convite ao antigo e a abertura para o novo – significa, no entanto, que “preparar uma nova geração para um novo mundo só pode significar que se deseja arrancar das mãos dos recém-chegados sua própria chance de ter o novo”. Junto com o professor autoritário, Arendt era igualmente cética em relação ao professor permissivo que abdicava da responsabilidade de apresentar a criança ao mundo adulto. O ceticismo de Arendt em relação aos modelos progressistas de educação é que eles tomam como certo – de fato, tomam das mãos das crianças – a forma e a natureza do progresso.

A escrita à mão é apenas um sinal visível da crise de nossas práticas educacionais. A circularidade complicada de nossas justificativas sugere que podemos estar confusos sobre o que imaginamos que a educação está transmitindo do mundo adulto para as crianças. Nossa ambivalência é palpável nas contradições que deixamos espalhadas como escombros de métodos educacionais rapidamente esquecidos. Para afirmar esse processo de transmissão, e permitir que as crianças se esforcem para sair de suas inevitáveis restrições, precisamos, de certa forma, afirmar nosso mundo e suas formas.

 

Fonte: Por Scott Robinson, na Revista Ópera

 

'Bilionário arrogante': 5 conflitos de Elon Musk no exterior

O embate entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não foi o único caso em que o dono da rede social X entrou em conflito com autoridades de outros países.

No caso mais recente, Musk foi chamado de "bilionário arrogante" pelo premiê da Austrália pela relutância da sua rede social em tirar do ar por completo imagens de um esfaqueamento em uma igreja.

As polêmicas envolvendo o bilionário e suas empresas fizeram o jornal New York Times escrever, em outubro de 2022, antes da conclusão da compra do Twitter, que Musk emergia como "um ator novo e caótico no palco da política global".

"Embora muitos executivos bilionários gostem de tuitar a sua opinião sobre assuntos mundiais, nenhum deles chega perto da influência e da capacidade de Musk de causar problemas", disse a reportagem.

No Brasil, o embate entre Musk e a Justiça brasileira ganhou contornos mais dramáticos depois que Alexandre de Moraes intimou o dono do X a indicar em 24h quem é o representante legal da empresa no Brasil. Caso a ordem não seja cumprida, é prevista "pena de imediata suspensão" da mídia social.

A intimação, assinada por Moraes, foi postada pela conta do STF na própria rede social X (antigo Twitter), em resposta a uma postagem da equipe de relações governamentais internacionais da empresa, a Global Government Affairs.

A seguir, relembre cinco dos principais conflitos envolvendo Musk e suas empresas, nos quais ele se manifestou sobre assuntos como o conflito Israel-Hamas e a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

•     1. Austrália: acusação de censura após Justiça ordenar remoção de vídeos

O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese chamou Elon Musk de “bilionário arrogante” após um tribunal do país ordenar na segunda-feira (22/4) que a rede social X impedisse a circulação de vídeos do ataque a uma igreja em Sydney na semana passada.

A rede social disse que cumpriria a decisão, sinalizando de que haveria uma contestação legal à medida, mas Musk usou um meme para acusar o governo australiano de censura.

Nesta terça-feira (23), Albanese disse à emissora ABC News que Musk “pensa que está acima da lei, mas também acima da decência comum”.

Na semana passada, a comissária de segurança eletrônica da Austrália, Julie Inman Grant, ameaçou o X e outras empresas de mídia social com pesadas multas se não removessem os vídeos do esfaqueamento na igreja, classificado como um ataque terrorista pela polícia local.

O X argumentou que a ordem "não está dentro do escopo da lei australiana".

Grant conseguiu uma liminar contra a rede social sob o argumento que o X estava permitindo que usuários fora da Austrália continuassem acessando as imagens.

“Acho extraordinário que o X tenha optado por não obedecer e esteja tentando se defender”, disse Albanese em uma entrevista coletiva.

Em uma série de postagens, Musk escreveu: “Gostaria de aproveitar um momento para agradecer ao primeiro-ministro por informar o público que esta plataforma é a única verdadeira”.

Anteriormente, ele também criticou pessoalmente a comissária de segurança eletrônica, descrevendo-a como a "comissária da censura australiana".

Albanese defendeu Grant, dizendo que ela estava protegendo os australianos.

“A mídia social precisa ter responsabilidade social. Musk está demonstrando não ter nenhuma”, disse ele.

O X terá 24 horas para cumprir a decisão da Justiça de segunda-feira, com nova audiência sobre o assunto prevista para os próximos dias.

• 2. União Europeia: investigação do X e crítica à suspensão de contas de jornalistas

A União Europeia (UE) anunciou em 2023 uma investigação da rede social X, de Musk, para apurar suposta propagação de conteúdos terroristas e violentos, além de discurso de ódio, após o ataque do Hamas a Israel.

Na ocasião, o X disse ter removido centenas de contas afiliadas ao Hamas da plataforma.

Em dezembro daquele ano, a União Europeia formalizou que suspeita que o X tenha violado as suas regras em áreas que incluem o combate ao conteúdo ilegal e à desinformação.

O comissário digital da UE, Thierry Breton, expôs as supostas infrações em uma postagem na rede social. Breton disse que o X também era suspeito de violar suas obrigações de transparência.

Na ocasião, a empresa disse que estava "cooperando com o processo regulatório" e afirmou que é "importante que este processo permaneça livre de influência política e siga a lei".

Em outro episódio, Musk foi criticado pela União Europeia, pelas Nações Unidas, além de governos, por ter banido contas de jornalistas na rede social.

Na ocasião, a subsecretária-geral da ONU, Melissa Fleming, disse que "a liberdade da mídia não é um brinquedo".

"Uma imprensa livre é a pedra angular das sociedades democráticas e uma ferramenta fundamental na luta contra a desinformação prejudicial", disse ela.

A comissária da UE, Vera Jourova, ameaçou a rede social com sanções sob a nova Lei Europeia de Serviços Digitais, que, segundo ela, exige "o respeito da liberdade de imprensa e dos direitos fundamentais".

•                               3. Ucrânia e o 'plano de paz' de Musk

Outra postagem de Musk o colocou no meio de uma discussão sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Em outubro de 2022, ele usou o Twitter para sugerir um "plano de paz" para o conflito, em formato de enquete, que indignou autoridades ucranianas.

A tradução da enquete é a seguinte:

"Paz Ucrânia-Rússia:

-Refazer eleições de regiões anexadas sob supervisão da ONU; a Rússia sai se essa for a vontade do povo.

-Crimeia formalmente parte da Rússia, como tem sido desde 1783 (até o erro de Khrushchev).

-Abastecimento de água à Crimeia assegurado.

-A Ucrânia permanece neutra."

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criou sua própria enquete no Twitter, na qual perguntava aos seguidores: "Qual @elonmusk você gosta mais?"

As opções: "Aquele que apoia a Ucrânia" e "Aquele que apoia a Rússia".

A enquete de Musk veio depois de ele ter postado uma imagem fazendo referência ao presidente ucraniano, em formato de meme, com a mensagem: "Quando já se passaram cinco minutos e você não pediu um bilhão de dólares em ajuda".

•                               4. Delaware (EUA) e a guerra de Musk

Em uma polêmica mais recente, Elon Musk está em pé de guerra com o Estado americano de Delaware.

"Nunca registre sua empresa no Estado de Delaware", escreveu o bilionário americano em mensagem no X, em 30 de janeiro.

Duas de suas empresas, Neuralink e SpaceX, anunciaram que não teriam mais sede fiscal no Estado americano.

Em meados de fevereiro, soube-se que a Neuralink – que trabalha para conectar cérebros humanos a computadores – registraria seu endereço legal em Nevada (onde X, outra empresa de Musk, já tem sede), e a empresa aeroespacial SpaceX, no Texas.

Resta saber o que acontecerá com a Tesla, motivo pelo qual Musk quer cortar qualquer vínculo com Delaware.

No fim de janeiro, uma juíza de Delaware anulou o pacote salarial que Musk receberia da empresa, de US$ 56 bilhões, o maior pagamento concedido a um CEO de uma empresa de capital aberto na história.

A decisão veio após uma ação judicial movida por acionistas que consideraram o pagamento excessivo. A juíza concordou com eles.

Foi a partir daí que Musk iniciou sua campanha para convencer outras empresas a não estabelecerem domicílio legal no Estado.

Uma batalha difícil, no entanto, pois o Estado há décadas é considerado bastante atraente pelo setor empresarial.

Mais de 60% das empresas que compõem o índice Fortune 500, que inclui as 500 maiores empresas americanas, estão registradas em Delaware. Estamos falando de gigantes como Google, Amazon, Facebook, LinkedIn, Visa, MasterCard ou Walmart, entre muitos outras.

E mais de 1,6 milhão de empresas de todo o planeta têm sede legal no Estado.

•                        5. Bolívia: 'Daremos golpe em quem quisermos'

Em um episódio anterior à compra do Twitter, Musk usou a rede social, em 2020, para criticar um pacote de estímulo do governo dos Estados Unidos no contexto da pandemia de coronavírus.

Ele dizia que o pacote não atendia aos "melhores interesses do povo".

Em seguida, um perfil respondeu a Musk que não se tratava de "melhor interesse do povo" o governo dos EUA "organizar um golpe contra Evo Morales" para Musk "obter o lítio" (material usado na fabricação de baterias na Tesla) da Bolívia.

Morales havia renunciado em 2019, em meio a uma mobilização social que, somada ao motim de grande parte dos policiais bolivianos e ao pedido de renúncia feito pelas Forças Armadas, acabou por destituí-lo do poder.

Musk, então, respondeu, em ano eleitoral na Bolívia: "Nós daremos golpe em quem quisermos. Lide com isso".

 

•                          Musk ataca Moraes "tirano" e Lula "cachorro"

O bilionário Elon Musk voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua rede social, o dono da rede social, antigo Twitter, lançou uma série de ataques contra Moraes, chamando-o de "tirano" e "criminoso", e se referiu a Lula como o "cão de estimação" do ministro. O tirano, Alexandre, é ditador do Brasil. Lula é seu cachorrinho”, postou Musk.

Os ataques foram feitos após o ministro ordenar, nesta quinta-feira (29), o congelamento das contas e bens da da Starlink, uma das empresas de Musk, no Brasil, para garantir o pagamento de multas impostas ao X pelo descumprimento de ordens judiciais que determinavam a suspensão de perfis que disseminava fake news, discurso de ódio e ataques às instituições. do X, que descumpriu ordens judiciais. Em outra postagem, Musk se referiu a Moraes como “um criminoso declarado da pior espécie, disfarçado de juiz”.

Elon Musk optou por fechar o escritório da X no Brasil após discordar das multas aplicadas pelo STF e das ordens de remoção de perfis e conteúdos da rede social que violam o Estado Democrático de Direito, disseminam fake news e discurso de ódio, além de descumprirem a legislação brasileira. A ordem do magistrado faz menção a disposição prevista no Marco Civil da Internet em que diz ser cabível a suspensão temporária das atividades daqueles que, entre outros atos, não respeitarem a legislação brasileira e o sigilo das comunicações privadas e dos registros.

Desde que determinou a suspensão dos perfis extremistas, Moraes vem exigindo que Musk nomeie um representante legal para atuar oficialmente em nome da plataforma no Brasil, o que não vem sendo cumprido. Nesta quarta-feira (18), o ministro deu prazo de 24 horas para que um novo representante legal da rede social X no Brasil fosse nomeado, sob pena de suspensão das atividades da plataforma no país.

A decisão determinava que Musk fosse intimado por meio eletrônico para indicar o representante legal "sob pena de imediata suspensão das atividades da rede social 'X' (antigo Twitter) até que as ordens judiciais sejam efetivamente cumpridas e as multas diárias quitadas".

<><> Musk desafia ordem de Moraes e diz que juiz do STF será preso um dia

Elon Musk desacata a Justiça brasileira e afirma que o ministro da Suprema Corte Brasileira será preso um dia. Musk exibiu em sua rede social imagem simulando o juiz atrás das grades.

Foi desta maneira que o empresário reagiu à ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes emitida nesta quarta-feira (18) para nomear em 24 horas o novo representante legal no Brasil de sua rede social X, sob pena de suspensão das atividades da plataforma no país.

A decisão determina que Musk seja intimado por meio eletrônico para que indique o representante legal "sob pena de imediata suspensão das atividades da rede social 'X' (antigo Twitter) até que as ordens judiciais sejam efetivamente cumpridas e as multas diárias quitadas".

A ordem do magistrado faz menção a disposição prevista no Marco Civil da Internet em que diz ser cabível a suspensão temporária das atividades daqueles que, entre outros atos, não respeitarem a legislação brasileira e o sigilo das comunicações privadas e dos registros.

Musk tem desafiado ordens judiciais de Moraes -- de quem já pediu o impeachment --, revelado o conteúdo de decisões de investigações e descumprido determinações do Supremo.

O bilionário, que recentemente anunciou que iria encerrar as atividades do escritório da rede social no Brasil, é investigado em inquérito no STF pelos crimes de obstrução à Justiça, organização criminosa e incitação ao crime.

 

•                           Eduardo Bolsonaro pede retaliação ao Brasil

Antes Elon Musk fazer chacota e ameaças diante da decisão judicial sobre a Rede X no Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou o bloqueio das contas da empresa Starlink, que também pertence ao bilionário, no país.

A decisão de Moraes é do dia 18 de agosto e visa garantir que o "grupo econômico de fato” sob comando de Musk faça o pagamento das multas aplicadas pela Justiça brasileira à rede X.

Segundo Valdo Cruz, em seu blog no portal G1, "os dirigentes da Starlink no Brasil já foram notificados e intimados a responder também pelos valores devidos à Justiça brasileira pelo X".

Na rede X, que pode sair do ar caso Musk não indique um representante até a noite desta quinta-feira (29), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou como "inacreditável o que está ocorrendo" e defendeu retaliação dos EUA ao Brasil.

"É simplesmente inacreditável o que está ocorrendo! A Venezuela deve ter mais segurança jurídica do que o Brasil. Vamos ver até onde vai essa gracinha, caso Donald Trump chegue à presidência dos EUA e adote reciprocidade", escreveu.

"Vai ser lindo ver grande figuras nacionais que sustentam esta piada passarem a falar verdadeiramente de 'democracia' e 'liberdade' - mas para fazer o certo e não mais esse teatrinho das instituições", emendou.

<><> Chacota e ameaças

Em uma série de publicações na madrugada, Elon Musk fez chacota sobre a decisão de Alexandre de Moraes e ameaçou o ministro do Supremo, em um misto de ira e desdém com a sentença.

Por volta da 1h, o bilionário publicou uma foto de um homem calvo atrás das grades em um comentário no perfil do STF que divulgou a sentença e fez ameaça marcando o perfil do ministro.

"Um dia, @Alexandre, essa foto sua na prisão será real. Marque minhas palavras", disparou o bilionários, simpatizando da ultradireita bolsonarista no Brasil e que incita golpes de Estado mundo afora para defender seus interesses econômicos.

Em seguida, Musk iniciou a chacota, incitando ultradireitistas contra o ministro. "Você gosta do meu papel higiênico?", indagou o bilionário junto a uma imagem em que aparece o nome "Alexandre" em um rolo de papel.

Os ataques e ironias entraram madrugada adentro. Por volta da 1h40, Musk publicou um memme dizendo que Moraes seria como o filho de Lord Voldemort, vilão da séria Harry Potter, com Lorde Sith, que faz parte do clã que se opõe aos Jedi no universo fictício de Star Wars.

"Grok 'Gere uma imagem como se Voldemort e um Lorde Sith tivessem um filho e ele se tornasse um juiz no Brasil'. É estranho!", escreveu com o meme de Moraes.

<><> Nikolas Ferreira se desespera com suspensão do X, antigo Twitter, no Brasil

Como se sabe, a rede social X, o antigo Twitter, pode ser suspensa pela Justiça brasileira, pois o dono da plataforma, Elon Musk, decidiu não obedecer às determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), que obriga a empresa a apresentar um representante em solo nacional.

Diante de tal cenário, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que é um assíduo usuário do X e admirador de Elon Musk, entrou em desespero e se vitimizou em seu perfil nas redes sociais.

Como forma de chamar atenção, Nikolas Ferreira pediu para Elon Musk tomar cuidado ao dizer que "o presidente Lula é o cachorro de estimação de Moraes", pois ele está sendo processado por ter chamado o mandatário de "ladrão" durante evento na ONU. Além disso, o parlamentar afirmou que o Brasil vive uma "democracia socialista", o que é falso.

"Cuidado ao chamar Lula de cachorrinho de colo, Elon Musk. Fui investigado e querem me calar e me multar porque eu disse que ele é um corrupto que deveria estar preso na sede das Nações Unidas. Esta é a 'democracia' socialista", escreveu o deputado.

 

Fonte: BBC News Brasil/Brasil 247/Fórum