Miliciano mais procurado do Rio se entrega à Polícia Federal
A PF (Polícia Federal) prendeu na tarde de domingo
(24.dez.2023) o miliciano mais procurado do Estado do Rio de Janeiro, segundo a
corporação. Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, se entregou à
polícia na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro.
Zinho tem 12 mandados de prisão, atuava na zona
Oeste da capital e estava foragido desde 2018. A prisão se deu depois de
negociações entre “os patronos” do miliciano com a PF e a Secretaria de
Segurança do Estado. O preso foi conduzido ao IML (Instituto Médico Legal) e,
depois, encaminhado ao sistema prisional.
Em nota, o governador do Rio, Cláudio de Castro
(PL-RJ), afirmou que a prisão é uma vitória das polícias, do plano de segurança
e da sociedade. “A desarticulação desses grupos criminosos com prisões,
apreensões e bloqueio financeiro e a detenção desse mafioso provam que estamos
no caminho certo”.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça,
Ricardo Cappelli, também deu parabéns ao trabalho dos policiais federais em
publicação em seu perfil no X (ex-Twitter). “Parabéns à Polícia Federal! É
trabalho, trabalho e trabalho”, postou.
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Busca em endereços de deputada quebrou 'eixo de
poder' e levou Zinho a se entregar
Foragido desde 2018, o chefe da maior milícia do
estado do Rio de Janeiro, Luiz
Antônio da Silva Braga, o Zinho, passou anos despistando autoridades a
partir de uma grande estrutura de crime. Mas o cenário mudou e ele, que passou
tantos anos fugindo, decidiu se entregar à Polícia Federal.
O que levou o miliciano a fazer isso? O que pesou
na decisão e na estratégia da defesa?
Dois investigadores ouvidos disseram que o
ponto de virada foi a operação que fez buscas na casa da deputada
estadual Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha, do PSD.
Ela é
considerada braço político da milícia de Zinho e era chamada de
"madrinha" pelos milicianos. A parlamentar e uma assessora tiveram
15 encontros com Zinho em 2021, segundo a Polícia Federal e o Ministério
Público do Rio. O contador
dele trocava mensagens com a deputada.
Esse cenário todo, segundo investigadores, levou
Zinho a se entregar. Por quê? Porque chegar à deputada é chegar a todo o
esquema. Segundo um investigador, a narcomilícia e a política são um
"bloco de poder": "Quando você atinge um eixo, você atinge o
outro".
Um segundo investigador disse que "Zinho
estava com medo, afinal o sobrinho dele foi morto, o que desencadeou os
incêndios nos ônibus", e sabia que os policiais iriam chegar a mais informações da
milícia. Inevitavelmente, chegariam ao próprio Zinho.
O miliciano se entregou no fim da tarde deste
domingo (24), após uma negociação entre a Polícia Federal e a defesa dele. Ele
era alvo de 12 mandados de prisão.
Após se apresentar à PF, Zinho foi
transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu,
na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
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'Operação de guerra' para transferir Zinho contou com 50 policiais
A defesa de Luiz Antônio da Silva Braga, conhecido
como Zinho, procurou a Secretaria Estadual de Segurança Pública aproximadamente
uma semana atrás, solicitando um canal de comunicação com a Polícia Federal
(PF) para negociar a rendição do líder da maior milícia do Rio de Janeiro.
Conforme informações da TV Globo, menos de 10
pessoas estavam cientes dessas negociações, e, após Zinho se entregar à PF, a
Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) realizou uma
"operação de guerra" para transferir o miliciano de Benfica, na
Zona Norte da cidade, para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino,
conhecida como Bangu 1 -- presídio de segurança máxima.
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Comboio e transferência
Um comboio com pelo menos 50 homens do Grupamento
de Intervenção Tática (GIT), do Serviço de Operações Especiais (SOE) e da
Divisão de Busca e Recaptura (Recap), todos da Seap, foi mobilizado para levar
Zinho da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do
Rio, para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino, conhecida como Bangu 1,
de segurança máxima, na Zona Oeste.
O processo de fichamento e o traslado entre as duas
prisões — em um trajeto de 35 km — durou pouco mais de 1 hora. Agentes da PF
deixaram Zinho em Benfica pouco antes das 23h. À meia-noite, o miliciano já
estava em Bangu 1.
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Isolado em Bangu 1
Zinho está isolado em uma cela de 5 m² e, num
primeiro momento, não terá direito a banho de sol.
A cama é de alvenaria, inteiriça à parede, com um colchão.
A mesma estrutura dá numa pequena cômoda onde são servidas as refeições. O
criminoso está na galeria reservada a milicianos.
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Cinco anos foragido
Foragido desde 2018, Zinho tinha 12 mandados de
prisão em aberto e, após negociações, se
apresentou na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro.
Nos últimos meses, a PF realizou várias operações
para prender o miliciano — a última delas foi a Operação
Dinastia 2, no último dia 19, que teve 5 presos e a apreensão de 4
armas, além de R$ 3 mil em espécie e celulares, computadores e outros aparelhos
eletrônicos.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça,
Ricardo Cappelli, comemorou a prisão por meio do X (antigo Twitter).
"Parabéns à Polícia Federal! É trabalho, trabalho e trabalho", disse
na publicação.
O g1 tentou entrar em contato com a
defesa de Zinho, mas até a noite deste domingo (24) ainda não obteve resposta.
Na última nota enviada, no contexto
da Operação Dinastia 2, no último dia 19, a defesa negou que Zinho seja o chefe
da milícia e cita uma suposta “total anemia probatória” contra ele. Entretanto,
segundo notas da Polícia Federal, a prisão de Zinho neste domingo se deu após
negociações entre da defesa com a PF e a Secretaria de Segurança do Rio.
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Zinho era “braço financeiro” de milícia no Rio, diz
secretário de Segurança
O secretário de segurança pública do Rio de
Janeiro, Victor Santos, falou à CNN nesta segunda-feira (25) sobre a
importância da prisão de
Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, miliciano mais procurado do estado.
“Mais uma vez reforçamos a recriação da secretaria
no sentido de integrar e coordenar as forças de segurança. O resultado foi
esse: essa coordenação entre as forças viabilizou a prisão do Zinho ontem, que
era o braço financeiro das milícias e foi uma grande perda pra organização
criminosa”, comentou Santos.
>> Trabalho integrado culmino na prisão, diz
secretário
Victor Santos atribuiu a prisão de Zinho ao
trabalho integrado entre a Polícia Civil fluminense e a Polícia Federal.
“Um trabalho feito pelas inteligências do Rio e da
PF, que já tinham informação da intenção do Zinho de se entregar. Com isso a
gente conseguiu se aproximar, com uma integração das forças, e conseguiu
negociar durante toda a semana como se daria essa entrega”, disse Santos.
Questionado sobre Zinho ser o criminoso mais
procurado do estado, Santos respondeu que “todo chefe de organização criminosa
é um inimigo do Estado”.
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Prisão de Zinho é “resultado do trabalho sério e
planejado” das forças de segurança, diz Flávio Dino
O ministro da Justiça e Segurança Pública do
Brasil, Flávio Dino, comentou a prisão de Zinho, o miliciano mais procurado do
Rio de Janeiro, neste domingo (24).
“Registro mais um importante resultado do trabalho
sério e planejado que está sendo executado no Rio de Janeiro e em outros
estados, no combate às facções criminosas”, escreveu Dino em suas redes
sociais, pontuando o fato de que Zinho estava foragido há cinco anos.
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Capelli afirma que 'Zinho tem muito a dizer' e
possui 'conexões poderosas'
O Secretário-Executivo do Ministério da Justiça e
Segurança Pública, Ricardo Capelli, afirmou que Zinho, chefe da maior milícia
do Rio de Janeiro que
se entregou neste domingo (24) à Polícia Federal ,
tem muito a dizer, e que esperam que o criminoso colabore.
"Ele tem muito a dizer. Nenhuma milícia
consegue se estabelecer e dominar um território de cerca de 1/3 da cidade
do RIo
de Janeiro sem conexões poderosas. A prisão do Zinho não é um fim, é
parte de um processo que está em curso. Não se encerra investigações com a
prisão dele."
A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i no
início da tarde desta segunda-feira (25). Capelli afirmou que prender os
líderes de organizações criminosas é importante, mas é preciso ir além:
"Claro que prender os líderes é importante,
mas isso não encerra o desmonte da organização criminosa. Para encerrar, a
organização criminosa tem que desvendar todo o mecanismo de financiamento, de
opressão, de apoio, de sustentação. Toda a estrutura mafiosa dessas milícias que
precisa ser desmontada para o bem do Rio de Janeiro, para o bem do
Brasil", pontuou.
Capelli disse que Zinho não se entregou "de
bom grado", pois sabia que corria risco de vida. "Ele percebeu que a
melhor alternativa para preservar a vida dele era se entregar à Polícia Federal",
afirmou o secretário do Ministério da Justiça.
Capelli afirmou ainda que o trabalho está
começando, e que inclui investigar o dinheiro movimentado pelas organizações
criminosas, através do trabalho do Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (COAF). A milícia movimenta, segundo Capelli, bilhões de reais.
"Esses bilhões não circulam em malas",
disse ele.
Ø Quem é Zinho,
o líder da maior milícia do Rio
Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, se entregou
à Polícia Federal na tarde deste domingo (24). Chefe da
maior milícia no estado do Rio de
Janeiro, o "Bonde do Zinho", ele estava foragido desde 2018 e acumulava 12 mandados de prisão
em aberto, sendo o criminoso mais procurado pelas forças de segurança
fluminense.
Zinho se apresentou na Delegacia de Repressão a
Drogas e do Grupo de Investigações Sensíveis e Facções Criminosas, na sede da
Superintendência Regional da PF. De acordo com a PF, a prisão foi formalizada
após negociações "entre os patronos do miliciano com a instituição e a
Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro".
O miliciano foi encaminhado ao Instituto
Médico Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito, e em seguida, ao presídio
José Frederico Marques, no centro do Rio de Janeiro (RJ). Ainda no domingo, ele
foi transferido para a Penitenciária Laércio da Costa Pelegrino – conhecida
como Bangu I – de segurança máxima, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
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Quem é Zinho
Em junho de 2021, o ex-líder da milícia, Wellington
da Silva Braga, o Ecko,
foi morto em confronto com a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a
Propriedade Imaterial (DRCPIm). Sua morte representou a ascensão de outro irmão seu, o atual comandante do
grupo, o Zinho.
Então responsável pela contabilidade da operação,
ele lavava o dinheiro originado de atividades na Baixada Fluminense como:
proibição do tráfico; segurança armada; fornecimento de botijão de gás, luz e
serviço de transporte alternativo; e prestação de serviço de televisão a cabo e
internet.
Em 2021, um edifício em construção pela milícia foi
interditado pela polícia. O diretor do Departamento-Geral de Polícia
Especializada (DGPE), Felipe Curi, revelou detalhes sobre os serviços de
construção civil do "Bonde do Zinho": "Inclusive, com algumas
famílias morando, e essa construção tinha cada imóvel sendo comercializado por
R$ 120 mil".
Com a morte de Ecko, Zinho assumiu o comando da
milícia e declarou guerra ao miliciano Danilo Dias, o Tandera, que havia se aliado aos milicianos da Zona Norte
do Rio após desavenças e rompimento com o "Bonde do Zinho".
Em agosto de 2018, a Polícia Civil do Rio agiu em um mandado de prisão contra Zinho em
um sítio no Espírito Santo, porém o miliciano conseguiu fugir pela mata. O
celular dele foi apreendido pelos policiais, no entanto.
A Polícia Civil apreendeu a mansão de Zinho na
Barra da Tijuca, avaliada em R$ 1,7 milhão, em janeiro de 2019. O Núcleo de
Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro da instituição ainda
apreendeu outras três propriedades do miliciano: duas em nome de Tandera, chefe
da milícia em Seropédica e Nova Iguaçu; e uma casa de um policial em Campo
Grande.
A última tentativa frustrada de prisão de Zinho
ocorreu em 23 de outubro, quando a Polícia Civil do Rio assassinou Matheus da Silva Rezende –
o Faustão, segundo na hierarquia do comando da milícia. O grupo
paramilitar queimou cerca de 35 ônibus, um trem e instaurou
um clima de guerra na Zona Oeste.
Os ataques se concentraram nos bairros sob controle
da milícia, como Campo Grande, Inhoaíba e Santa Cruz, e áreas que já estiveram
em domínio ou estão em disputa, a exemplo de Jacarepaguá e Recreio dos
Bandeirantes. Foram incendiados 20 ônibus municipais, 10 veículos de turismo e
fretamento, e 5 BRTs, além do trem da SuperVia.
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Ação contra deputada colaborou na prisão
Nos últimos meses, a Polícia Federal deflagrou uma
série de operações para capturar o miliciano. A última, denominada Operação Batismo, foi deflagrada no dia 18 de dezembro e resultou
no afastamento da deputada Lúcia Helena Pinto de Barros (PSD), conhecida como
Lucinha, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A Operação Batismo é um a fase seguinte da Operação Dinastia, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de
2022, com a finalidade de prender Zinho e outros 22 aliados pelos crimes em
conflitos entre organizações criminosas, a partir de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo a apuração policial, Lucinha seria o braço
político da milícia "Bonde do Zinho". Entre os oito mandados de busca
e apreensão expedidos pela Justiça contra a parlamentar, estão o gabinete da
deputada na Alerj e na sua casa, em Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio.
De acordo com as investigações, a deputada Lucinha
estaria associada com o alto escalão do Bonde do Zinho. Os indiciamentos do
MPRJ e da PF apontam que a parlamentar é suspeita de interferência na segurança
pública do Rio para a soltura de milicianos presos em flagrante.
Em 2017, a Operação Pandora da Polícia Federal
descobriu que a milícia pagava R$ 40 mil por mês pelo vazamento de informações
privilegiadas da Secretaria de Segurança Pública, de modo a facilitar as
atividades do grupo sem a presença das forças policiais.
A apuração também indica que Lucinha ajudou no
vazamento de informações de operações policiais com o objetivo de capturar
milicianos e tentou alterar o comando do batalhão da Polícia Militar em Santa
Cruz, região sob controle do Bonde do Zinho.
O Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou seu afastamento do
cargo público por suspeita de envolvimento com milícia. O Ministério
Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ainda proibiu Lucinha de
frequentar as duas sedes da Alerj: o Palácio Tiradentes e a nova sede,
apelidada de Alerjão.
Fonte: Poder 360/g1/Terra/CNN Brasil/Fórum

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