Entenda o tamanho do poder militar do Hamas e de
Israel
A cada dia que
avança o conflito entre Israel e o Hamas surgem novas cenas de mortes e
destruição de estruturas inteiras na Faixa de Gaza. Para dimensionar o poderio
militar dos dois lados do conflito, a coluna e a repórter Karen Lemos
entrevistaram o professor professor Bernardo Wahl, que dá aulas
na disciplina Segurança e Defesa da Pós-Graduação de Política e Relações
Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
(FESPSP) e no bacharelado de Relações Internacionais do Centro
Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU-SP).
Ele destacou que o Hamas,
grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza, tem menos estrutura física
(como abrigos para civis, defesa civil) e poder militar do que Israel.
Assim, o grupo se vale de táticas de guerrilha. Já os israelenses, contam
com equipamentos e apoio dos Estados Unidos. "A Força Aérea Israelense é
particularmente poderosa e conta com aeronaves norte-americanas de ponta",
contou.
O retrato da análise
do professor, sobre a falta de estrutura que os palestinos convivem, foi
relatado nesta reportagem com Hasan Rabee. Ele é palestino naturalizado
brasileiro e está em Gaza desde o começo do mês e não consegue deixar o local
devido ao fechamento das fronteiras. Ele foi visitar parentes antes da escalada
dos conflitos, no dia 7 de outubro, quando o Hamas promoveu a morte de mais de
1 mil israelenses e fez ao menos 200 reféns. A guerra já deixou, ao menos, 6
mil mortos.
>>>> Veja a
seguir os principais trechos da entrevista feita por escrito: na noite desta
segunda, 23.
·
Qual a estrutura bélica e
estrutura militar que a Faixa de Gaza tem para enfrentar Israel?
Bernardo Wahl: O Hamas é
uma organização militante fundada em 1987, controlando a Faixa de Gaza desde
2007. Alguns atores políticos o veem como um grupo terrorista, enquanto outros
o percebem como uma força de resistência a Israel. A ala militar do Hamas, as
Brigadas Izz al-Din al-Qassam, é responsável por conduzir operações militares e
ataques contra Israel.
A estratégia militar do
Hamas é caracterizada por uma combinação de táticas de guerrilha, guerra assimétrica
e uso de recursos locais para resistir a Israel e buscar seus objetivos
políticos na Faixa de Gaza.
# Túneis Subterrâneos:
uma das características distintivas da estratégia do Hamas é a construção de
uma extensa rede de túneis subterrâneos em Gaza. Esses túneis têm múltiplos
propósitos, incluindo o contrabando de armas e suprimentos, a mobilidade tática
e o uso como bunkers e esconderijos durante conflitos. Eles representam uma
parte fundamental da estratégia defensiva do Hamas.
# Foguetes, Mísseis,
entre outros: o Hamas mantém uma variedade de foguetes e mísseis, que são
lançados em direção a Israel. Essas armas são usadas tanto como uma tática de
dissuasão quanto para atacar alvos israelenses em resposta a ações militares.
Ademais, o Hamas também possui metralhadoras, fuzis do tipo Ak-47, granadas,
drones, paragliders, escavadeiras, etc.
# Guerrilha Urbana:
quando confrontado com incursões terrestres israelenses em áreas urbanas, o
Hamas emprega táticas de guerrilha urbana. Isso envolve o uso de edifícios e
áreas urbanas para emboscadas e confrontos, tornando a progressão das forças
israelenses mais difícil.
# Propaganda e Guerra de
Informação: o Hamas usa uma estratégia de propaganda para ganhar apoio político
e popular, tanto na Faixa de Gaza quanto internacionalmente. Eles buscam
influenciar a opinião pública ao destacar a resistência palestina e moldar a
narrativa do conflito.
# Redes de Inteligência
Local: o Hamas mantém redes de informantes locais para coletar informações
sobre as atividades israelenses na fronteira e dentro de Gaza. Isso lhes
permite antecipar operações israelenses e se preparar de acordo.
# Adaptação Estratégica:
o Hamas é conhecido por adaptar suas estratégias à medida que o conflito se
desenrola. Eles buscam oportunidades táticas e exploram as fraquezas da parte
israelense.
·
Como é o sistema de
proteção e defesa na Faixa de Gaza durante ataques aéreos?
Existe uma grande
diferença nas capacidades de defesa civil israelenses e palestinas. Israel
investiu significativamente em sua infraestrutura de defesa civil, incluindo
sistemas de alerta precoce, abrigos antiaéreos e o sistema Domo de Ferro, a fim
de proteger seus cidadãos de ataques com foguetes.
Em contraste, a Faixa de
Gaza não possui recursos semelhantes para proteção, e seus residentes
frequentemente dependem de chamadas telefônicas ou mensagens de texto
esporádicas das Forças Armadas de Israel para serem alertados sobre ataques
iminentes. A diferença na defesa civil entre Israel e Gaza é atribuída, em
grande parte, ao bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, que restringe o
acesso a recursos e materiais para a construção de sistemas de defesa civil.
A falta de defesas em
Gaza deixa seus civis em uma posição vulnerável, vivendo sob constante temor
durante períodos de conflito. Enquanto Israel construiu uma extensa rede de
abrigos e sistemas avançados de detecção e interceptação de foguetes, Gaza
enfrenta uma situação oposta, com escassez de recursos e um bloqueio que limita
severamente a capacidade de desenvolver defesas eficazes. Essa discrepância
ressalta as desigualdades no impacto dos conflitos na região, colocando a
população de Gaza em uma situação de grande vulnerabilidade.
·
Os palestinos têm onde se
abrigar, como bunkers ou abrigos? Os diversos túneis que existem em Gaza podem
servir como abrigo, por exemplo?
Não há abrigos antiaéreos
civis na Faixa de Gaza. Esta região enfrenta uma situação precária em termos de
defesa civil, com falta de proteção e recursos. Os palestinos em Gaza dependem
de ligações telefônicas ou mensagens de texto do exército israelense para
alertá-los sobre ataques iminentes, uma vez que não possuem sistemas de sirenes
ou abrigos antiaéreos. A falta de defesa civil afeta não apenas os civis, mas
também trabalhadores humanitários e médicos internacionais que recebem avisos
esporádicos e momentâneos dos contra-ataques israelenses.
A situação é agravada
pelos cortes de energia, que tornam ainda mais difícil receber alertas. Gaza
não possui sistemas de defesa civil comparáveis aos de Israel, devido em grande
parte ao bloqueio imposto à região, que restringe o acesso a recursos e
materiais para construção de sistemas de defesa civil. A falta de defesa deixa
os palestinos em Gaza vivendo em constante temor, sem entender por que suas
casas são atacadas e sem os meios para se proteger.
·
Há sirenes para alertar
ataques e sistema antimíssil como em Israel?
A Faixa de Gaza não tem
um sistema de defesa civil semelhante ao sistema de sirenes e ao sistema
antimíssil Domo de Ferro usado em Israel. A infraestrutura de defesa civil em
Gaza é limitada, e os palestinos na Faixa de Gaza dependem, em grande parte, de
alertas por telefone ou mensagens de texto do exército israelense para serem
informados sobre ataques iminentes.
·
Como podemos dimensionar
o tamanho da força militar de Israel e do Hamas? É possível?
Israel e o Hamas possuem
capacidades e estratégias militares muito diferentes.
<<< Israel:
# Tecnologia Militar
Avançada:
- Israel mantém uma das
forças militares mais tecnologicamente avançadas do mundo. Possui equipamentos
modernos, incluindo navios, tanques, helicópteros de ataque e uma grande frota
de drones. A Força Aérea Israelense é particularmente poderosa e conta com
aeronaves norte-americanas de ponta.
# Mobilização de
Reservistas:
- Israel possui um sistema
robusto de reservistas, permitindo convocar um grande número de cidadãos para o
serviço militar, aumentando sua força total de tropas quando necessário.
Apoio Econômico e
Externo:
- Israel desfruta de
apoio financeiro substancial para seus empreendimentos militares, com um
orçamento de defesa considerável. Os Estados Unidos são um grande contribuinte,
fornecendo bilhões de dólares em ajuda militar anualmente.
# Dissuasão e Defesa:
- A estratégia militar de
Israel concentra-se em manter uma força de dissuasão poderosa e uma postura
defensiva sólida. O objetivo é proteger seus cidadãos e território e dissuadir
possíveis adversários.
# Ataques Precisos:
- Israel frequentemente
utiliza ataques aéreos de precisão e operações direcionadas para eliminar ameaças
específicas, buscando minimizar danos colaterais.
<<<< Hamas:
# Guerra Assimétrica:
- O Hamas se especializa
em guerra assimétrica, o que inclui táticas de guerrilha, ataques com foguetes
e estratégias não convencionais para combater um adversário tecnologicamente
superior, como Israel.
# Túneis e Foguetes:
- O Hamas desenvolveu uma
intrincada rede de túneis sob a Faixa de Gaza, que serve como meio de
deslocamento de combatentes e lançamento de ataques surpresa. Além disso, eles
acumularam um grande número de foguetes, tanto fabricados localmente quanto
fornecidos por outros países, incluindo foguetes de longo alcance.
# Guerra Urbana:
- Operando em áreas
densamente povoadas, o Hamas utiliza táticas de guerra urbana para tornar
difícil o envolvimento das Forças de Defesa de Israel sem causar baixas civis.
# Apoio Financeiro:
- O Hamas obtém
financiamento de diversas fontes, incluindo criptomoedas e redes globais
envolvendo organizações de caridade. Essas fontes podem ser menos transparentes
do que o apoio estatal tradicional.
# Infraestrutura Militar
Limitada:
- Em comparação com
Israel, o Hamas possui uma infraestrutura militar convencional mais limitada,
mas depende de táticas assimétricas, como ataques relâmpago e estratégias de
esquiva.
Em resumo, Israel possui
um exército altamente avançado, enquanto o Hamas se baseia em táticas de
guerrilha e guerra assimétrica dentro das limitações de um ambiente urbano
densamente povoado. Suas estratégias refletem a grande disparidade de recursos
e capacidades entre as duas partes.
Ø Sem aviso ou abrigo: por que palestinos não
conseguem se proteger dos ataques de Israel na Faixa de Gaza
A realidade da população
em Gaza sob ataque constante de Israel é de “terror”, foi assim que me
descreveu o palestino naturalizado brasileiro, Hasan Rabee, para contar como é
sua rotina sob bombas.
Hasan está com sua
família em Khan Younis, cidade ao Sul de Gaza, onde convive com bombardeios
diários e próximos a sua casa. Ele relatou que ao contrário das cidades de
Israel, onde a população é avisada por sirenes sobre a ameaça de mísseis e há
bunkers (abrigos subterrâneos) para se protegerem, em Khan Younis os palestinos
descobrem que há bombardeios quando sentem os tremores das explosões.
"Não existe nenhum
sistema, não tem bunker, não tem abrigo. Não tem nada. Se cair uma bomba ou
você estará no hospital ou no cemitério. Não existe nenhum sistema como em
Israel. Israel tem a melhor tecnologia e armamento do mundo. Aqui o que que
tem? O armamento deles [Hamas] é um lixo, não tem preparação [para defesa da
população]", disse em mensagem de áudio enviada à coluna nesta
segunda-feira, 23.
Em Israel, além do
sistema de bunkers e sirenes, há o “domo de ferro”, um sistema antimíssil que
monitora e bloqueia até 90% dos ataques inimigos, segundo informações do
Exército de Israel. Quando o radar do sistema identifica uma
ameaça, projeta a trajetória desse míssil inimigo e lança um foguete para
colidir contra o artefato ainda no ar, evitando que atinja o solo.
Escolas, prédios e
hospitais foram atingidos por bombardeios de Israel. O número de mortes apenas
em Gaza chega a 5,7 mil, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Somado aos
cerca de 1 mil mortos pelo Hamas, em 7 de outubro, total de vítimas fatais
supera os 6,7 mil. Um hospital em Gaza foi atingido por uma explosão, na
última semana. Há uma disputa de versões entre os dois lados do conflito sobre
a autoria da bomba. A Organização das Nações Unidas (ONU) investigará o caso.
“Todo mundo fica em choque e louco, correndo.
Minha filha fica chorando. Não tem abrigo e lugar seguro. Você fala de um país
com tecnologia de primeiro mundo e no outro lugar quase não tem armamento, um
armamento que não funciona para nada”, contou Hasan.
Além da falta de água,
medicamentos e alimentos, a comunicação também é ruim. Os palestinos convivem
sem sinal de internet, energia elétrica para carregarem as baterias de
celulares e aparelhos eletrônicos.
O relato de Rabee sobre a
falta de abrigos e preparo para proteção dos palestinos foi corroborado
pelo professor de Segurança e Defesa da Pós-Graduação lato sensu Política
e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São
Paulo (FESPSP), Bernardo Wahl. Em entrevista à coluna e à repórter Karen
Lemos, ele destacou também que Gaza possui diversas fragilidades estruturais,
como a falta de um sistema de defesa civil, devido em grande parte ao
bloqueio imposto à região.
"A infraestrutura de
defesa civil em Gaza é limitada, e os palestinos na Faixa de Gaza dependem, em
grande parte, de alertas por telefone ou mensagens de texto do exército
israelense para serem informados sobre ataques iminentes", analisou Wahl.
A escalada do conflito
aconteceu após homens do Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza,
atacar Israel, deixando ao menos 1 mil mortos, em 7 de outubro. A incursão do
grupo matou civis e destruiu casas, cerca de 200 pessoas, entre crianças,
mulheres e idosos, foram levados durante o ataque de Israel para Gaza, onde são
mantidos reféns.
Ainda que o ataque do
Hamas tenha surpreendido as forças de Defesa israelenses e provocado a maior
destruição e vítimas dos últimos 70 anos, o poderia militar de Israel, com
apoio dos Estados Unidos, é superior ao do Hamas, que recebe suporte do Irã.
Israel cogita inundar túneis do Hamas antes da operação
terrestre na Faixa de Gaza
Informação foi dada pelo
jornalista americano Seymour Hersh, que acrescentou que a medida indicaria que
Israel está disposto a descartar o resgate de reféns que seguem na Faixa de
Gaza.
Israel está estudando a
possibilidade de inundar o sistema de túneis do Hamas, que ligam a Faixa de
Gaza ao território israelense, antes de iniciar sua operação terrestre na Faixa
de Gaza, disse o jornalista investigativo norte-americano Seymour Hersh, nesta
terça-feira (23), em sua coluna no Substack, citando fontes familiarizadas com
o assunto.
"Um funcionário
americano bem informado me disse que o governo israelense está considerando
inundar o vasto sistema de túneis do Hamas antes de enviar suas tropas [para a
operação terrestre na Faixa de Gaza], muitas das quais tiveram apenas algumas
semanas de treino nas manobras e coordenação necessárias para a invasão",
escreveu Hersh.
O jornalista disse que
Israel está em processo de transformar a cidade de Gaza em escombros, através
de bombardeios constantes, e também está planejando iniciar a invasão terrestre
em breve.
Inundar os túneis poderia
significar que Israel está pronto para "descartar o resgate dos reféns
ainda em perigo", destacou Hersh.
"Onde estão os
estimados mais de 200 reféns é uma questão em aberto. Israel está apenas
falando sobre o fim do regime do Hamas, e o Hamas até agora libertou quatro
reféns."
Mais cedo, o vice-diretor
geral de Diplomacia Pública de Israel, Emmanuel Nahshon, disse que Israel está
atrasando o início da invasão terrestre em Gaza devido a possíveis armadilhas
mortais.
Segundo Nahshon, os
militares israelenses estão levando tempo para implementar a incursão, pois
precisam de preparar os seus soldados para esta situação única.
Fonte: Terra/Sputnik
Brasil

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