quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A sociedade secreta fundada por alemão enterrado na Faculdade de Direito da USP

Em forma de um pequeno obelisco, o túmulo é um monumento inusitado em um pátio interno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, centro de São Paulo. A lápide revela a identidade: Júlio Frank, como se tornou conhecido no Brasil o intelectual alemão Johann Julius Gottfried Ludwig Frank.

Nascido em 1808, ele migrou para o Brasil em 1828. Erudito, começou a ganhar a vida dando aulas particulares em repúblicas estudantis da capital paulista e acabou se tornando professor na Faculdade de Direito. Em 1834, foi nomeado professor de História, Filosofia e Geografia do curso anexo da instituição, que funcionava como escola preparatória.

Mas o que anos mais tarde lhe renderia o direito de ser sepultado com destaque no interior do prédio universitário viria de uma sociedade secreta que Frank fundou: a Burschenschaft Paulista, mais conhecida como Bucha.

<><> Um personagem misterioso

Conforme definiu o jornalista Afonso Schmidt (1890-1964) no livro A Sombra de Júlio Frank, o alemão era admirado e ignorado na mesma medida.

"Apesar das diversas pesquisas e análises publicadas, resta ainda certo mistério a respeito de Júlio Frank, especialmente sobre o motivo de sua vinda ao Brasil pelos idos de 1828", diz o historiador Luís Soares de Camargo, diretor do Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

Frank é de Gotha, na Turíngia, um estado no centro-leste da Alemanha. Diferentemente do que está gravado na sua lápide, ele não nasceu em 1809, mas em 1808, conforme foi descoberto quase cem anos depois de sua morte, em pesquisa realizada nos registros de sua cidade natal por Schmidt.

Seus pais eram um encadernador e a filha do encadernador oficial da corte, o que permite pressupor que sua infância foi rodeada de livros.

Na juventude, frequentou a Universidade de Gottingen, na Baixa Saxônia, região central da Alemanha. Era aluno de destaque em Filosofia, Letras, História e Matemática. No entanto, após envolver-se em brigas e imergir-se em dívidas, acabou expulso da instituição. Estava pronto para fugir.

<><> Destino: Brasil

Cruzar o Atlântico naquele tempo era uma aposta improvável. Imigrar para o Brasil era como brincar de roleta russa: era possível sobreviver, mas também era possível dar muito errado, escreveu Schmidt.

A viagem do Júlio Frank não foi fácil. Sentiu enjoo durante dias no navio e, assim que melhorou, teve de começar a fazer duros trabalhos de faxina impostos pelo capitão — ele trocou a passagem por trabalho no navio.

Mal chegou ao Rio de Janeiro e soube de uma caravana que iria para São Paulo, a cavalo, em uma viagem de cerca de um mês. Passou pela capital paulista e prosseguiu até Sorocaba, no interior.

Aos poucos, sua vocação para professor passou a chamar a atenção da elite sorocabana. Frank começou a dar aulas particulares para filhos de fazendeiros, preparando-os para o ingresso na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, fundada em 1827 na capital.

Com seu conhecimento e sua personalidade, cativou os alunos, de modo que, três meses depois, quando os estudantes se preparavam para ir a São Paulo prestar os exames do então curso anexo à Faculdade de Direito, "alguém observou que, dessa maneira, iam perder o professor", diz Schmidt. "Depois de cada um deles conversar com os pais, chegaram a uma conclusão: levar consigo o mestre."

<><> São Paulo

Naquele finzinho de anos 1820, São Paulo era uma cidade de 11 mil habitantes e 300 estudantes universitários.

Frank e seus pupilos logo se ajeitaram em uma república estudantil. O formato era semelhante ao que hoje existe. Aquele que tinha como melhor comprovar renda alugava um imóvel, garantindo o pagamento ao proprietário, mas todas as despesas eram dividas entre os moradores.

Frank vinha na companhia de estudantes sorocabanos, quase todos de famílias ricas, e a sua chegada já era esperada, narra o biógrafo. Prosseguiu fazendo o que sabia: dava aulas particulares aos estudantes, não só de sua república, mas de outros também.

"Apresentando uma sólida formação e um conhecimento ímpar em línguas, História e Geografia, ele logo se destacou entre os intelectuais da pacata São Paulo", conta o historiador.

"Num curto espaço de tempo, transformou-se num dos mais prestigiados professores da faculdade, tanto pela sua preocupação com o ensino, quanto pelo seu interesse em auxiliar os estudantes menos favorecidos."

Algum tempo depois de chegar, ouviu uma conversa de um grupo de estudantes. Estavam preocupados com o fato de que muitos alunos não conseguiam manter-se longe dos pais. Os custos com aluguel, comida e livros eram altos para algumas famílias.

"Na Alemanha, como em muitos países da Europa, a assistência ao estudante pobre está mais ou menos assegurada pelos próprios colegas", disse Frank. "Nas universidades, temos associações de estudantes, a que chamamos de Burschenschaften."

Ninguém entendeu nada.

"Burschenschaften", ele repetiu.

"São associações que datam de tempos muito afastados e dispõem de um código moral e uma espécie de ritual que, em rigor, servem para atrair pelo esoterismo os rapazes das escolas, mas cujo intuito principal é este: formar uma caixa e assistir aos que necessitem de auxílio."

Em português, seria algo como "fraternidade ou confraria dos camaradas". Ou, como prefere o historiador Paulo Rezzutti, "sociedade de camaradas".

"Foi o contato com os alunos que influenciou a formação da Burschenschaften. Embasada por ideais liberais e antiabsolutistas, a Bucha, como ficou conhecida em sua adaptação ao português, auxiliava estudantes sem recursos mas com potencial e vontade de estudar", diz Rezzuti à BBC.

As contribuições eram dadas pelos mais abastados, conforme as possibilidades de cada um. Segundo Frank, a sociedade precisava ser secreta para não causar constrangimentos aos beneficiados.

<><> A Bucha

Oficialmente, a Bucha foi fundada em 4 de julho de 1830, com professores, alunos e pessoas importantes da sociedade como associadas. Coube ao alemão organizar seus estatutos e seu código moral.

"A não ser meia dúzia de membros, os demais ignoravam os fins, aliás louváveis, dessa instituição", escreve Schmidt. "O número de sócios logo elevou-se a mais de 200. As mensalidades e joias ficaram a critério dos doadores."

O historiador Luís Soares de Camargo lembra que a sociedade, embora primasse o cunho filantrópico, também servia para propagar "o ideal liberal e republicano". "A necessidade de ser secreta impunha-se naquele momento porque tanto os estudantes agraciados quanto os doadores exigiam sigilo", ele relata.

"Outro motivo era a atuação política, algo que demandava muito cuidado tendo em vista o recente assassinato do jornalista italiano Líbero Badaró, vítima de um atentado no centro de São Paulo em 1830, aos 32 anos, por suas posições políticas."

"A Bucha permaneceu como sociedade secreta até as primeiras décadas do século 20, quando, então, deixou de existir", afirma Camargo.

<><> Influência

A Bucha tinha uma estrutura própria, dividida em graus hierárquicos. Um braço funcionava dentro do Largo São Francisco: os alunos eram divididos em Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos. Fora da academia, os já formados tinham outros graus: eram os Chefes Supremos e constituíam o Conselho dos Divinos.

De acordo com Paulo Rezzutti, a Bucha foi ampliando seu poder quando começou a ultrapassar as fronteiras da Faculdade de Direito. "A medida que iam se formando, os ex-alunos buscavam colocações para os que estavam terminando o curso", diz ele.

"O ideal inicial também foi sendo modificado: no início, a organização era liberal, abolicionista e republicana. Mas, conforme os ardores juvenis iam se arrefecendo, passou a contar com membros conservadores, escravocratas e monarquistas."

Para entrar para o clube, era preciso convite. Os membros tinham de fazer um juramento.

Aproveitando-se do fato de estar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, logo a Bucha passou a ter seus adeptos nos postos mais importantes do país. "Acredita-se que, durante a República Velha, período entre 1889 e 1930, não havia ministro, juiz ou candidato à Presidência da República que fosse indicado sem deliberação do Conselho dos Divinos", diz o historiador.

Em depoimento publicado pelo Jornal da Tarde em 1977, o jornalista e político Carlos Lacerda (1914-77) comentou sobre a importância política da Bucha.

"O fenômeno não tem nada demais, é o mesmo que ocorre com a maçonaria. Uma sociedade secreta em que os sujeitos confiavam nos companheiros, vamos falar assim 'da mesma classe', que passam pelas faculdades, futuras elites dirigentes. Um dia, um sobe e chama o outro para ser governador, secretário, ministro e assim por diante", afirmou.

No livro Os Bacharéis na Política - A Política dos Bacharéis, o cientista político Teotonio Simões afirma que, de todos os presidentes da República Velha, apenas Epitácio Pessoa (1865-1942) não foi membro da Bucha.

Todo ano um evento acontecia na Faculdade de Direito: a Festa da Chave. Como o líder estudantil da Bucha era sempre um aluno do último ano, a formatura coincidia com a passagem de bastão a um mais novo.

Esse líder era chamado de chaveiro, daí o nome da solenidade. "Durante a República Velha, a Festa da Chave contava com a presença do presidente do País, autoridades do Estado, prefeito, ministros e juízes", diz Rezzutti.

O historiador conta uma passagem que se tornou anedótica. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), um delegado de polícia estranhou a movimentação no Jardim da Luz. A Bucha se reunia no subsolo do prédio hoje ocupado pela Pinacoteca do Estado.

"Pensando tratar-se de espiões, o delegado invadiu o encontro, dando voz de prisão a um grupo fantasiado, que usava capas de cavaleiro com insígnias coloridas em forma de coração e espadas", relata.

Um dos presentes à reunião era Altino Arantes (1876-1965), então governador de São Paulo. Washington Luís (1869-1957), ainda prefeito de São Paulo, também estava lá. Ambos tiveram de explicar ao delegado o que acontecia ali. "O delegado foi iniciado na organização para preservar seu segredo", diz Rezzutti.

Os integrantes da Bucha foram fundamentais para a criação da Liga Nacionalista de São Paulo, grupo organizado em 1916. "Entre outras coisas, pregavam a melhoria e a ampliação da instrução pública no Brasil", explica o historiador. "Ajudaram a montar hospitais e a cuidar das viúvas e órfãos durante a epidemia de gripe espanhola, em 1918."

Mas a Liga significaria o fim da Bucha. Após a Revolução Tenentista de 1924, o presidente Artur Bernardes (1875-1955) proibiu o funcionamento da organização — decretando, por extensão, o fim do clube criado por Júlio Frank.

<><> Teorias da conspiração

O mistério que ainda envolve a vida de Júlio Frank, bem como a natureza secreta de sua instituição, alimenta teorias e histórias.

Em História Secreta do Brasil, o controverso e polêmico intelectual Gustavo Barroso (1888-1959) defendeu que Júlio Frank seria um heterônimo de Karl Ludwig Sand (1795-1820), estudante da Universidade de Jena, na Turíngia, integrante da Burschenschaft de lá.

Oficialmente, Sand foi decapitado em 20 de maio de 1820, condenado pelo assassinato do dramaturgo August von Kotzebue (1761-1819).

"As últimas testemunhas falaram de Júlio Frank como de um homem singular, aparecido em São Paulo ali por 1830, calando avaramente tudo quanto se referia ao seu passado", escreve Barroso.

No livro Bilder aus Brasilien, o jornalista Carlos von Koseritz (1830-1890) apresenta outra teoria: Frank seria um príncipe alemão, desterrado e ilegítimo.

Considerando que o registro localizado na igreja Sankt Margarethen, em Gotha, aponta para o casamento de seus pais apenas um mês antes de seu nascimento, há quem suspeite que seus pais oficiais tenham o adotado para limpar a barra de alguma princesa. E, por isso, ele seria protegido de Adam Weishaupt (1748-1830), professor da Universidade de Ingolstadt, na Bavária, fundador da Ordem dos Perfeitos, os Illuminati.

Seja como for, seu túmulo é ornamentado com a figura do mocho, ou coruja de minerva, distintivo das lojas maçônicas frequentadas pelos "iluminados" bávaros.

<><> Morte

Frank não presenciou o auge da instituição. Ele morreu precocemente em 1841, aos 32 anos, vítima de pneumonia.

Foi por ter nascido em família protestante, a despeito de não ser praticante de nenhuma religião, que a ele acabou sendo destinado um inusitado túmulo dentro da Faculdade de Direito.

"Na época não existiam cemitérios públicos na cidade. Os sepultamentos eram realizados no interior das igrejas católicas ou em pequenos cemitérios anexos", pontua o historiador Camargo.

"A cidade contava também com o Cemitério dos Aflitos [no bairro da Liberdade], muito desprestigiado, posto que destinado aos condenados pela Justiça, aos escravos ou aos extremamente pobres. Vale lembrar que este cemitério também era administrado pela Igreja Católica", acrescenta o historiador. "Todos sabiam que o protestante Júlio Frank não seria aceito em nenhuma igreja. Já o enterro no Cemitério dos Aflitos seria muito humilhante."

Como ressalta Camargo, destino assim não seria cabível para um "eminente professor da Faculdade de Direito, com largo círculo de amigos entre alunos e professores".

Houve protesto de seus alunos. Uma alternativa foi pensada, então. Coube ao conselheiro José Maria de Avellar Brotero (1798-1873), político e jurista, fazer uma solicitação especial ao bispo de São Paulo, Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade (1767-1847). "Então surgiu a ideia por todos aceita: Júlio Frank seria sepultado no pátio da Faculdade. E assim foi feito", relata Camargo.

O túmulo de Júlio Frank, no interior da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, é patrimônio histórico tombado em São Paulo.

 

Fonte: BBC News Brasil

 

'Escova progressiva brasileira acabou com minha saúde'

Uma ex-cabeleireira britânica afirma ter ficado com dificuldades respiratórias e incapacitada para o trabalho após anos realizando tratamentos de escova progressiva brasileira.

Louisa Curtis, de 55 anos, moradora de Milton Keynes, na Inglaterra, disse que sofreu queimaduras no sistema respiratório devido aos gases de formaldeído liberados durante o processo de alisamento de cabelo de suas clientes há muitos anos.

Ela não sabia por que sua saúde estava se deteriorando — mas disse que seu médico recentemente relacionou seus sintomas de longa data a esses tratamentos.

"Minha saúde está em um estado inacreditável. Vivo com dores constantes; tenho dificuldades de locomoção e mal consigo subir escadas", disse ela.

Os tratamentos de escova progressiva brasileira, que envolvem a aplicação de uma fórmula de queratina nos cabelos, são amplamente utilizados para reduzir o aspecto arrepiado do cabelo e fortalecer os fios.

A técnica de alisamento capilar tem esse nome porque foi criada no Brasil.

Curtis foi hospitalizada com dificuldades para respirar após realizar um tratamento de alisamento capilar em março.

Ela disse que a equipe médica informou que ela havia sofrido queimaduras no sistema respiratório causadas pela exposição ao gás.

A descoberta finalmente lhe deu uma explicação para anos de problemas de saúde sem causa aparente.

"Ao olhar para trás, percebo que comecei a apresentar sintomas que afetaram todos os aspectos da minha vida pouco tempo depois de passar a realizar esses tratamentos [regularmente, em 2008]", afirmou Curtis.

Entre os sintomas, estavam dores de cabeça, dificuldades respiratórias, dor no peito, fadiga crônica, erupções cutâneas, crescimento ósseo na cabeça, inchaço nas articulações, dor nas articulações, problemas de memória, irritação nos olhos e graves problemas de mobilidade.

Ela afirma ter passado por diversas avaliações e exames médicos, mas que, até março, ninguém havia conseguido explicar plenamente por que sua saúde havia se deteriorado.

O governo do Reino Unido introduziu exigências de rotulagem mais rigorosas para produtos cosméticos que contêm conservantes liberadores de formaldeído.

As mudanças tinham como objetivo reforçar a proteção dos consumidores, especialmente daqueles que já apresentam sensibilidade ao formaldeído.

O formaldeído foi proibido como ingrediente cosmético por uma legislação da União Europeia publicada em 2019.

A medida se aplicava tanto à União Europeia quanto ao Reino Unido.

No entanto, alguns conservantes que liberam pequenas quantidades da substância química ainda são permitidos sob certas condições.

Mudanças recentes nas regras reduziram significativamente o limite a partir do qual a presença de formaldeído deve ser informada no rótulo: de 0,05% (500 partes por milhão) para 0,001% (10 partes por milhão) de formaldeído livre no produto final.

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UK Health Security Agency) aconselha que o público em geral pode ser exposto ao formaldeído por meio do contato com produtos de consumo que contenham a substância.

O órgão afirma que a exposição a baixos níveis decorrente do uso correto desses produtos não deve causar efeitos adversos à saúde.

A Associação de Cosméticos, Artigos de Higiene Pessoal e Perfumaria declarou: "A segurança dos produtos e de seus ingredientes está no centro da legislação sobre cosméticos.

"A lei garante que os produtos cosméticos sejam fabricados em um ambiente higiênico e bem controlado, e que não estejam sujeitos à contaminação microbiana prejudicial."

"Ela restringe os ingredientes que podem ser utilizados e proíbe ingredientes perigosos."

 

Fonte: BBC News

 

Terras raras e pragmatismo estratégico: o fim da neutralidade ingênua?

Algumas rupturas nos deixam em alerta, interrompendo a progressão constante da vida diária, acelerando abruptamente e, com frequência, em direção à catástrofe. Foi o que aconteceu nas últimas semanas em mais um episódio desta vertigem moderna: o uso, mais uma vez, pelo governo dos EUA, do pretexto de “segurança nacional” para restaurar uma política unilateral de sanções e barreiras comerciais. Embora seu objetivo inicial vise a supremacia tecnológica da China, os estilhaços desta granada diplomática caem invariavelmente sobre países da periferia e nações emergentes, a América Latina. Um Brasil encurralado, no contexto de um conflito pelo fornecimento exclusivo de minerais críticos e, ao mesmo tempo, de infraestrutura de telecomunicações de próxima geração (5G e 6G) e o sucesso do sistema de pagamentos Pix, percebe o ultimato que desmascara quaisquer ilusões remanescentes sobre a neutralidade do comércio mundial de forma tão clara quanto a luz do dia.

E o indivíduo que ainda fantasia com o doce idílio do mercado liberal globalizado está sonhando com um mundo que deixou de existir (ou existiu em forma de simulacro) desde que os sistemas de produção mundiais se tornaram sistemas de conversão em armas de chantagem. Esta é uma fantasia ingênua. Acontece que a ideia de que o comércio irrestrito geraria espontaneamente a convergência de interesses necessária para apaziguar a rivalidade entre grandes potências, uma ideia sobre o “comércio suave” internacional de Montesquieu no século XVIII, que os formuladores de políticas de Washington desenterraram nos anos 90, foi sepultada, sem chance de reavivamento, no cemitério das utopias liberais. O que testemunhamos no cenário internacional é o choque do capital geopolítico com a integração pacífica e a reconciliação dos povos.

O estudioso, para compreender os fundamentos deste século XXI, não é um teórico da economia, mas o cientista político americano Henry Farrell e o cientista político israelense Abraham Newman. A dupla foi responsável por cunhar o conceito de “interdependência armada”. Sua premissa é tão simples quanto aterrorizante: a Globalização não levou à criação de uma rede de ligações descentralizada ou simétrica, mas a um ponto de concentração, repleto de pontos de estrangulamento. É precisamente aqui que dados, recursos energéticos, tecnologias de ponta e fluxos de capital são trocados. “Quem controla os gargalos”, observam os dois em seu renomado ensaio, “pode observar, ameaçar ou paralisar rivais”. Estas são hoje as artérias cruciais de um novo século, do sistema de pagamentos SWIFT aos cabos de fibra óptica submarinos, à fabricação de chips em Taiwan e ao monopólio sobre o processamento de terras raras.

A pretensão de um governo brasileiro que pode gerir suas relações através de seu torpor diplomático e de um simples apelo romântico ao “direito internacional”, que é coisa de samba, coloca o país no caminho da catástrofe. Falo com desconforto intelectual, pois eu mesmo, vale a pena mencionar, acreditei em boa medida no multilateralismo institucional pós-Guerra Fria. A realidade é que, quando a Casa Branca exerce pressão sobre o Brasil para impedir os investimentos da empresa chinesa de telecomunicações Huawei para nossas redes 5G e futuras 6G ou quando o Departamento de Estado ameaça com sanções se o Brasil mantiver seus laços econômicos com Moscou sobre o fornecimento de fertilizantes para a agroindústria brasileira, não se trata de defender a democracia vis-à-vis o autoritarismo, mas de uma aplicação flagrante do conhecido teorema do realismo ofensivo nas relações internacionais. Em um contexto global desprovido de uma autoridade superior (anarquia), os estados, e especificamente as grandes potências, se esforçam para dominar seus vizinhos e aumentar seu poder individual em relação ao resto do mundo, dando pouca importância aos danos colaterais infligidos a outros países menores.

No que diz respeito aos principais dados do comércio exterior brasileiro, não nos surpreende que os fatos sejam urgentes. Como mostram os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), consolidados a partir das importações e exportações nacionais, a China continua sendo de longe nosso maior parceiro comercial, recebendo cerca de 30% de todas as nossas exportações, em grande parte soja, minério de ferro e petróleo bruto. Atrás dela vêm os EUA como o segundo maior, mas com uma diferença substancial: eles levam produtos manufaturados de maior valor e respondem por mais do que seu peso devido na matriz de investimento direto do Brasil e no financiamento do nosso mercado de capitais. De um ponto de vista puramente estatístico, confrontar uma dessas potências, romper relações com elas, é o tipo de suicídio econômico programado.

No entanto, a reação da elite empresarial e da mídia corporativa doméstica a este cenário mostra uma surpreendente falta de base histórica. Existe um segmento no debate público brasileiro que defende veementemente que o Brasil mantenha um alinhamento automático com as potências ocidentais, como se ainda fosse 1947 e o mundo estivesse às vésperas do Plano Marshall e da Doutrina Truman. Eles sustentam, com todo o fervor de cruzados moralistas recém-convertidos, que o Brasil é “um dos países do mundo livre” e, por esta razão, deve capitular, sem hesitação, aos ditames de Washington sobre o bloqueio de semicondutores e a reserva do mercado para minerais estratégicos. Essa é uma vassalagem voluntária que confunde pertencimento cultural com subserviência geoestratégica. Esses analistas esquecem que, nas grandes potências, aliados que não possuem o poder militar ou industrial necessário não são parceiros estrategicamente valiosos, mas apenas dependências fracas condenadas ao esquecimento.

Devemos primeiro olhar no espelho sobre nossa própria dotação de minerais e indústrias. O Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de lítio, nióbio, níquel e terras raras – todos insumos vitais para a transição energética, veículos elétricos e a (eterna) futura indústria militar. De acordo com relatórios de mapeamento recentemente divulgados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), o potencial do subsolo brasileiro no Vale do Jequitinhonha e em várias regiões de mineração do Centro-Oeste do Brasil está prestes a mudar dramaticamente a dinâmica da oferta global nas próximas décadas. Conceder acesso preferencial ou exclusivo a essas reservas em troca de um tapinha nas costas em cúpulas internacionais ou de vagos acordos de livre comércio com contrapartes não confiáveis constituiria uma traição ao país e um ato criminoso contra o futuro nacional.

A verdadeira questão em jogo, portanto, não é tanto se o Brasil deve se alinhar com Pequim ou Washington, mas como pode recusar tal escolha binária sem se condenar a um isolamento evitável. A diplomacia da “equidistância pragmática”, como elegantemente elaborada por San Tiago Dantas na década de 1960 e reconfirmada no governo brasileiro, necessita urgentemente de uma genuína atualização ideológica. A equidistância não deve mais significar inação bovina ou ingenuidade para ocultar de si mesmo as reais ameaças apresentadas pelas potências concorrentes. Em uma era de interdependência sob forças armadas, o neutralismo só tem influência quando violar tal postura resulta caro para a potência ofensora.

Isso significa algo que chamo de “pragmatismo estratégico”. Em vez de permanecer passivo e equidistante, o Brasil deve praticar o “Não-Alinhamento Ativo” baseado na sua forma de realizar comércio focada na construção de sua própria capacidade. Se os EUA querem preservar o acesso exclusivo aos nossos minerais raros, que se comprometam a transferir tecnologia em larga escala, financiar o desenvolvimento de plantas de processamento mineral e fábricas localizadas no Brasil, em vez de condenar o Brasil ao destino eterno de fornecedor de matéria-prima para a grande potência. Se a China quer assegurar a estabilidade do fornecimento de alimentos e energia que necessita para seus propósitos econômicos, que invista na melhoria da logística ferroviária brasileira e no financiamento da indústria farmacêutica e de microeletrônica.

Ninguém acusaria o país que mais tempo passa pontificando sobre o anti-imperialismo contra o Ocidente de manter sua subserviência financeira com os bancos estatais de Pequim. O Sul Global, esse mosaico geopolítico de lugares tão variados como o complexo democrático da Índia e as autocracias do Golfo, só importa nos assuntos internacionais na medida em que é capaz de formar alianças temáticas e mudar seus alinhamentos políticos conforme necessário. Não pode haver inteligência diplomática para o século XXI baseada em lealdade inabalável ao Bloco Oriental, apenas na flexibilidade de várias formas de cooperação: forjar laços com os BRICS para transformar a arquitetura financeira internacional, incluindo o estabelecimento de meios de pagamento com moedas locais, enquanto simultaneamente forma parcerias com a UE em questões sociais e ambientais e se engaja com os EUA na preservação dos princípios de cibersegurança.

No entanto, ninguém deve ignorar os desafios internos desta agenda de política externa. O pragmatismo estratégico nos assuntos externos não pode sobreviver sem um projeto de desenvolvimento nacional que o apoie. Uma nação não pode manter uma política externa “ativa e altiva” – como diz Celso Amorim – na arena global quando permite que a desindustrialização chegue a um ponto sem retorno, destrói suas universidades públicas e enfraquece suas Forças Armadas, que são relegadas a orçamentos miseráveis e a distorções orçamentárias ao longo de décadas, tornando-as assim instrumentos subservientes de tutela doméstica. Defender a soberania começa na indústria, no laboratório de pesquisa e no estaleiro naval, não no palanque de algum encontro político.

Como o grande Celso Furtado escreveu em seus escritos sobre o subdesenvolvimento, a maior dependência não vem como uma imposição externa, mas como um ato de elites locais dispostas a se tornarem parceiros em empreendimentos estrangeiros em vez de assumir os riscos que levariam à construção de uma nação autônoma. Embora o atual período geopolítico seja temível, é também uma abertura sem precedentes na história. À medida que o mundo unipolar cede e o novo arranjo multipolar se arma até os dentes, o espaço de manobra para as economias intermediárias aumenta, a menos que sejam covardes intelectuais e simplórios políticos incapazes de operar em um espaço que exige pragmatismo implacável.

Não pode haver a crença ingênua de que a turbulência da política internacional contornará nossas costas sem nos impor definições estruturais. Pensar assim é de um nível de ingenuidade que a história não tolera gentilmente. O Brasil não pode ser um mero espectador no grande banquete dos impérios. O neutralismo ingênuo não é mais uma opção. A menos que o Brasil aprenda a usar seus ricos recursos, grande população e vasto território como fontes de poder para a barganha soberana, ele estará condenado mais uma vez ao papel nefasto de um ator coadjuvante nos dramas de outros povos. E o tempo para tomar esta decisão se esvai tão rapidamente quanto as profundas mudanças que ocorrem na dinâmica global. A hora é agora!

 

Fonte: Por Gustavo Guerreiro, em Brasil 247

 

Política ocidental contra a Rússia pode desencadear uma guerra em grande escala, diz jornalista

O rumo atual do Ocidente contra a Rússia está à beira do desastre, porque qualquer passo em falso pode desencadear uma guerra em grande escala, de acordo com o político e jornalista britânico Jim Ferguson.

"Estarão alguns líderes ocidentais dispostos a exercer deliberadamente uma pressão crescente sobre o presidente Vladimir Putin, esperando uma resposta suficientemente dura da Rússia que supostamente justificaria um envolvimento muito maior da OTAN no conflito na Ucrânia? Porque, uma vez ultrapassado este limiar, será extremamente difícil controlar futuras ações. Um erro de cálculo. Uma resposta desproporcional. Uma decisão que não pode ser desfeita", escreveu ele na rede social X.

Segundo o político, o mundo "não pode se dar ao luxo de ir por esse caminho".

O Kremlin enfatizou que Moscou não ameaça ninguém, mas não deixará sem atenção as ações potencialmente perigosas aos seus interesses.

<><> Rússia seguirá atacando a Ucrânia até atingir seus objetivos da operação militar, diz especialista

A Ucrânia não deve esperar pela pressão para parar até que a Rússia tenha alcançado os objetivos da operação militar especial, disse o diplomata britânico aposentado Alastair Crooke no YouTube.

"A Rússia está atingindo duramente a Ucrânia. Ela destruiu os portos ao redor de Odessa. Como resultado, a Ucrânia tornou-se um Estado remanescente sem acesso ao mar, com a Rússia destruindo muitos dos seus navios. […] Acho que estamos entrando em um período de forte escalada no conflito. […] Acho que a Rússia continuará pressionando até alcançar seus objetivos", observou.

Ao mesmo tempo, Crooke advertiu que a Ucrânia não deveria contar com o fornecimento de mísseis interceptadores para sistemas Patriot.

"Os EUA afirmaram que simplesmente vão tirar munições de todos os lugares do mundo onde houver, removerão quaisquer meios antiaéreos para transferi-los e proteger Israel. […] A Ucrânia certamente não receberá nada", enfatizou o especialista.

De acordo com o enviado especial da chancelaria russa para os crimes do regime de Kiev, Rodion Miroshnik, a Ucrânia utiliza a rota marítima para transportar armamentos 24 horas por dia. Nos últimos três anos, por exemplo, cerca de 8.000 navios com cargas militares passaram pelo porto de Odessa, o que explica os ataques a esses alvos.

O Ministério da Defesa russo já ressaltou diversas vezes que o Exército da Rússia ataca a infraestrutura com o objetivo de reduzir o potencial militar e econômico do inimigo. Nesse contexto, os soldados utilizam drones e armas de alta precisão e longo alcance, capazes de destruir qualquer alvo em Kiev ou em qualquer parte do território ucraniano.

¨      Rússia avança por reagir mais rápido do que a OTAN no conflito na Ucrânia, diz especialista

O fluxo bilionário de apoio ocidental para o regime de Zelensky esbarra em um gargalo crítico: o dinheiro empenhado não se traduz em vitórias nos campos de batalha. Além disso, todo esforço bélico recorrentemente culmina na escassez de armas e munições, enquanto Moscou segue avançando, o que expõe uma contradição entre Kiev e seus aliados.

Neste cenário complexo, Ricardo Cabral, editor do canal Geopolítica & História Militar e coautor do livro 'Guerra na Ucrânia: análises e perspectivas', apontou, em entrevista à Sputnik Brasil, que a Rússia tem demonstrado maior agilidade em responder aos desafios militares do confronto do que a própria OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), força que atua como principal apoio estratégico das tropas ucranianas.

"Acredito que a curva de aprendizagem da OTAN seja do mesmo nível que a russa. Mas a diferença é o tempo de resposta. A Rússia responde mais rápido aos desafios do que a OTAN, que é uma estrutura burocrática que precisa conversar com muita gente. Enquanto a Rússia tem um Estado-maior [centralizado]. E na guerra moderna, o tempo é fundamental", disse.

O especialista também questiona a qualidade dos drones ucranianos, que, apesar de contar com tecnologia europeia, são produzidos de forma improvisada e ficam vulneráveis a serem abatidos.

"Uma fábrica convencional [de drones], o russo vai lá e a destrói com muita facilidade e é um alvo fácil de ser atingido. Mas quando se segmenta a produção, colocando em conjuntos habitacionais e faz a coisa particionada, a qualidade do equipamento não é a mesma. Por isso, que a Rússia também consegue um alto índice de eficiência em derrubar drones", comenta.

<><> Presença de mercenários é um ponto fraco para Kiev

Outro ponto levantado por Cabral é que o elevado número de mercenários estrangeiros na Ucrânia, embora reforce as fileiras em termos quantitativos, não se traduz em um ganho qualitativo. Isso ocorre porque esses combatentes, carecerem de uma preparação tática adequada.

"Quanto ao mercenário, [o filósofo Nicolau] Maquiavel, no século XV, já tinha discutido sobre a qualidade das forças mercenárias, [com] a falta de compromisso e motivações completamente diferentes. Eu diria outros [problemas como a falta de] experiência de combate. Além disso, o treinamento é muito exíguo, duas semanas, se tanto, para depois ir para o campo de batalha", destaca.

O pesquisador também relembra que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) chegou a enviar alguns de seus membros para a Ucrânia, o que reforça a falta de compromisso dos mercenários com a causa.

"Muita gente [recrutada pela Ucrânia] que sai daqui do Rio de Janeiro, isso já é uma coisa conhecida, são traficantes do Comando Vermelho que saem para ter experiência de guerra, com o compromisso de que vão ficar lá pouco tempo, mas depois vão embora", observa.

<><> Ucrânia desfalca o orçamento dos militares europeus

Para o analista internacional, as sucessivas derrotas das forças ucranianas não apenas deixam Zelensky e seu círculo próximo em uma posição delicada perante a Europa, que vem investindo massivamente no conflito, como também impactam diretamente o investimento que poderia ser utilizado na modernização dos próprios exércitos europeus.

"Neste ano, a Ucrânia está muito pior [em comparação aos anos anteriores do conflito] e não é por falta de recurso, pois para ela não falta, mas falta para o Bundeswehr, o exército alemão e para as Forças Armadas inglesas e francesas", conclui.

Em um confronto militar de larga escala, um investimento financeiro robusto não é garantia de vitória. Ambientes de alta hostilidade exigem, acima de tudo, consistência logística, planejamento estratégico e capacidade contínua de inovação tática para conter o adversário. Diante disso, o expressivo aporte econômico empenhado por países ocidentais tem se mostrado insuficiente para reverter o curso atual do conflito russo-ucraniano.

<><> Professor explica como a assistência militar da OTAN deixou a Ucrânia em apuros

Por causa dos suprimentos militares dos países da OTAN, a Ucrânia acabou em um grande apuro, disse o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts Theodore Postol em um canal do YouTube.

"Trump e a OTAN deram aos ucranianos todos esses recursos, [...] mas agora isso se voltou contra eles. […] Os russos […] poderiam atacar algumas instalações nos Estados Bálticos ou na Alemanha, onde drones são produzidos e de onde a carga é enviada. […] Mas eles fizeram-no de forma muito mais inteligente. Porque Putin e os seus colegas são inteligentes. […] Para punir esses caras pelo que fazem, [...] eles trancaram Odessa", observou o especialista.

De acordo com Postol, o bloqueio dos portos do mar Negro foi um golpe devastador para a economia ucraniana.

"Agora os ucranianos estão realmente em apuros, porque não têm acesso a nenhuma rota marítima. E os danos para a Ucrânia que já são enormes – e aumentarão”, acrescentou ele.

De acordo com o enviado especial da chancelaria russa para os crimes do regime de Kiev, Rodion Miroshnik, a Ucrânia utiliza a via marítima para transportar armamentos 24 horas por dia. Nos últimos três anos, por exemplo, cerca de 8.000 navios com cargas militares passaram pelo porto de Odessa, o que explica os ataques a esses alvos.

O Ministério da Defesa russo já ressaltou diversas vezes que o Exército da Rússia ataca a infraestrutura com o objetivo de reduzir o potencial militar e econômico do inimigo. Nesse contexto, os soldados utilizam drones e armas de alta precisão e longo alcance, capazes de destruir qualquer alvo em Kiev ou em qualquer parte do território ucraniano.

¨      Corrupção na Ucrânia preocupa transferência de tecnologia bélica dos EUA para Kiev

O tenente-coronel aposentado do Exército dos Estados Unidos, Earl Rasmussen, afirmou à Sputnik que os fabricantes do sistema de mísseis Patriot, Lockheed Martin e Raytheon, têm razão em se preocupar com o roubo e a transferência de sua propriedade intelectual para terceiros fora da Ucrânia, caso Kiev obtenha a licença para construir o sistema.

"A Ucrânia é definitivamente o país mais corrupto da Europa e talvez um dos mais corruptos do mundo", disse Rasmussen, ressaltando que o conhecimento sobre como construir componentes de sistemas pode acabar nas mãos não só da Rússia ou da China, mas também de "desonestos" e "grupos terroristas".

Isso se aplica não apenas aos Patriots, mas também a "outros sistemas e desenvolvimentos futuros".

Segundo Rasmussen, o governo dos EUA poderia, em última instância, tentar forçar os fabricantes de armas a compartilhar as tecnologias, mas eles têm "muita influência e poder de barganha nessa área". Se o Congresso se opuser a eles, "provavelmente o caso ficaria parado nos tribunais por muitos e muitos anos, e os membros do Congresso sofreriam, potencialmente, em suas doações de campanha", completou.

No domingo (9), um jornal dos EUA, citando fontes, publicou que a Raytheon e a Lockheed Martin estão preocupadas com a transferência da tecnologia Patriot para Kiev, em parte devido a preocupações com roubo de propriedade intelectual e transferência de tecnologia, e também porque temem que a Ucrânia possa, de alguma forma, fazer engenharia reversa da tecnologia e desenvolver uma versão mais barata.

<><> Ucrânia não será capaz de aumentar o recrutamento de novos soldados para seu Exército, diz analista

O regime de Kiev não será capaz de aumentar o alistamento de novos recrutas no Exército da Ucrânia, disse o ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA) Larry Johnson no canal Deep Dive, no YouTube.

"Segundo informações, na Ucrânia foi anunciado que eles tentariam recrutar 40 mil recrutas por mês [em vez de 30 mil]. […] Mas normalmente um recruta tem 13 semanas de treinamento básico. E eles não têm 13 semanas de treinamento básico. Eles ainda terão sorte se lhes derem três dias. Aqui está o seu uniforme, aqui está a sua arma – boa sorte, vá lá! E simplesmente colocar corpos vivos na frente não é uma solução", observou ele.

Ao mesmo tempo, Johnson expressou dúvidas que o regime de Kiev conseguiria aumentar seu recrutamento de conscritos.

"O problema com o recrutamento na Ucrânia é que ele não segue o esquema usual quando você se alista para o serviço militar. Neste caso, eles [recrutas] não são alistados, são capturados na rua. […] A frente leste neste conflito é tão atraente quanto era na Segunda Guerra Mundial. Ninguém queria ir para a frente oriental. Muito letal, muito brutal. E não há quaisquer perspectivas de aumentar o número de pessoas", acrescentou o especialista.

O regime de Kiev enfrenta regularmente uma escassez de pessoal no seu Exército, e ações violentas do pessoal dos centros de recrutamento levam a escândalos e protestos.

¨      Presidente da Sérvia acusa países da UE de travarem guerra híbrida contra a Rússia

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou neste domingo (9) países da União Europeia (UE) que fornecem armas à Ucrânia e impõem sanções contra a Rússia de travarem uma guerra híbrida contra Moscou.

"Vocês [europeus] estavam armando a Ucrânia, impondo sanções à Rússia e, ao mesmo tempo, oferecendo apoio financeiro a Kiev. O que é isso, senão uma guerra híbrida contra a Rússia?", afirmou Vucic durante entrevista a um podcast.

A declaração foi feita ao comentar as medidas adotadas por países da UE em relação ao conflito na Ucrânia e à Rússia.

Anteriormente, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, afirmou à rádio Komsomolskaya Pravda que o Ocidente havia desencadeado uma guerra híbrida artificialmente criada contra a Rússia, tendo o conflito na Ucrânia como seu "teatro quente".

Além disso, o vice-chanceler alegou que o reforço do potencial nuclear por parte do Reino Unido e da França gera uma corrida armamentista nuclear e contraria os objetivos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Segundo o diplomata, as novas abordagens doutrinárias da França lembram, em muitos aspectos, o modelo de "dissuasão nuclear estendida" adotado por Washington na região Ásia-Pacífico, além de postularem abertamente planos de atuar como "apoio às missões nucleares conjuntas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)".

"Tais medidas se encaixam no padrão geral de atividades militar-nucleares provocativas dos países da OTAN, direcionadas contra nosso país. O Reino Unido já havia anunciado anteriormente o aumento de suas capacidades nucleares, também sob slogans antirrussos. Isso, por si só, leva a uma escalada da corrida armamentista, o que não apenas é incompatível com os objetivos do TNP, como também contradiz diretamente suas obrigações", declarou.

Grushko acrescentou que as autoridades francesas apresentam a situação como se a atualização de sua doutrina de "dissuasão nuclear avançada", que inclui o abandono da transparência sobre o número de ogivas nucleares e a possibilidade de sua implantação em territórios de outros países da UE e da OTAN, reforçasse a segurança da França e de seus aliados.

<><> OTAN está testando inteligência artificial para drones no território da Ucrânia

Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) começaram a testar uma rede neural artificial militar para drones de ataque do Exército ucraniano no território da Ucrânia, disse à Sputnik o vice-diretor de produção de detectores de drones Ten (Sombra) Dmitry Sadovnik.

"A Ucrânia é um polígono. A OTAN está reunindo um enorme conjunto de dados. Agora estamos vendo o primeiro estágio de implementação de algoritmos, treinados com esses dados, em processos de tomada de decisão. O conjunto de dados é, evidentemente, montado por padrões de reação, resposta, estrutura e velocidade de tomada de decisão. A aplicação de IA é evidenciada pelo uso de drones de ataque Hornet com sistema de visão computacional e rastreamento automático de alvos", disse ele.

Segundo Sadovnik, o início do uso prático de algoritmos de inteligência artificial também é indicado pelo uso da plataforma Brave1 Dataroom, criada em conjunto com a empresa americana Palantir para treinar e testar modelos militares de IA baseados em dados reais do campo de batalha.

Em fevereiro, Sadovnik disse à agência que os países da OTAN estão usando o conflito na Ucrânia para treinar sua própria rede neural artificial militar, que pode controlar drones de ataque sem um operador.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

Setores da soja e da mineração dominam candidaturas ao Senado no Mato Grosso

OS PRINCIPAIS nomes entre os dez anunciados nas convenções partidárias para a disputa das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado repartem-se entre a direita bolsonarista e a base do governo Lula. Mas, independentemente do lado, chegam à eleição amparados pelo setor da soja ou do ouro — ou pelos dois.

O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) lidera as pesquisas e traz a mineração na família, com sociedades em empresas do ramo. A mineradora do filho, Minerbras, já foi autuada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por uso irregular de mercúrio.

Já o senador Carlos Fávaro (PSD), candidato mais bem posicionado no campo lulista, presidiu a Aprosoja, uma das principais associações de produtores de soja do país. Ex-ministro da Agricultura na atual gestão petista, tornou-se o ruralista de confiança do Planalto.

No meio do pelotão, o deputado federal José Medeiros (PL) apresentou projetos para abrir áreas protegidas à mineração. A deputada estadual Janaína Riva (MDB), por sua vez, aparece como sócia de uma holding da qual participa uma mineradora de metais preciosos.

O ex-governador Pedro Taques (PSB) leva na suplência Carlos Ernesto Augustin, o Teti, fundador da Petrovina Sementes e da Aprosoja-MT, a associação de sojeiros do estado. Já Antônio Galvan (Avante), que também presidiu a Aprosoja, foi um dos dirigentes associados à aproximação da entidade com o bolsonarismo e teve como bandeira o combate à chamada “Moratória da Soja”.

Esvaziado no início deste ano, o acordo proibia a compra de grãos produzidos em áreas da Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. Estudos mostram que a Moratória derrubou a fatia de soja vinda de desmatamento direto de cerca de 30% para perto de 1%.

Os eleitos terão mandato de oito anos e decidirão sobre licenciamento ambiental, regularização fundiária, mineração em terras indígenas e regras para agrotóxicos, além de votar as indicações para a diretoria da ANM (Agência Nacional de Mineração).

<><> Infrações ambientais são ‘símbolo de enfrentamento à fiscalização’, diz analista

As convenções partidárias, encerradas na última quarta-feira (5), desenharam três blocos. O primeiro é formado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, e reúne Mauro Mendes e Margareth Buzetti (Republicanos), enquanto Galvan corre por fora no mesmo grupo.

Já o palanque de Wellington Fagundes (PL) ao governo reúne Janaína e Medeiros. O PL, no entanto, liberou seus filiados a pedir votos apenas para Medeiros.

Por fim, a frente de Natasha Slhessarenko (PSD) ao governo do estado, ligada a Lula, fechou com Fávaro e Taques.

Em 2022, Bolsonaro venceu Lula no Mato Grosso por 65% a 35%, e o PT não elegeu nem um dos 142 prefeitos em 2024. Diante do fracasso recente, não há uma candidatura própria da esquerda ao Senado.

Na pesquisa MT Dados, feita entre 15 e 21 de julho, Mauro tinha 46%; Janaína, 29%; Medeiros, 20%; Taques e Fávaro, 15% cada; e Galvan, 7%. A lista ainda incluía nomes que deixaram a disputa e não media Buzetti.

Para o analista político João Edisom de Souza, a hegemonia conservadora está ancorada nas prefeituras, no Legislativo e nos setores que financiam as campanhas. Ele estima que mais de 80% dos prefeitos sejam produtores ou próximos de grandes empresários do agronegócio. “Eles têm o domínio das prefeituras e de grande parte do Legislativo, que financiam e indicam”, afirma.

Souza relaciona o panorama político do estado à colonização intensificada por migrantes do Sul do Brasil, em sua maioria brancos, conservadores e religiosos. “Isso reflete nos processos ideológicos e políticos”, diz. Mesmo dividido entre diferentes grupos, o agronegócio conserva o centro do poder estadual.

Mato Grosso reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal. Para a safra 2025/2026, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária estimou produção recorde de 51,56 milhões de toneladas de soja em 13 milhões de hectares. Em 2025, o estado respondeu por perto de 30% das exportações brasileiras do grão.

Lavoura, mineração industrial e garimpo têm escalas e impactos distintos, ressalta Herman Oliveira, secretário-executivo do Formad (Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso). O ponto comum, segundo ele, é a pressão sobre territórios, comunidades e instituições públicas.

Para Oliveira, autuações ambientais podem ser apresentadas pelos infratores como símbolos de enfrentamento à fiscalização. “Há um discurso de se apresentar herói para boa parcela do eleitorado”, afirma. Assim, violações perdem custo político e tendem a ficar fora da campanha e do noticiário local.

<><> Mauro Mendes sancionou lei que retira incentivos fiscais de signatárias da Moratória da Soja

Em novembro de 2025, o então governador do estado Mauro Mendes sancionou na Expominério, feira de exposições e negócios, uma lei que cria selos para empresas com boas práticas e anunciou R$ 30 milhões para pesquisas destinadas a substituir o mercúrio na extração de ouro. “Precisamos valorizar quem trabalha certo”, disse.

Cinco meses antes, o Ibama havia lavrado dois autos contra a Minerbras, mineradora de Luís Antônio Taveira Mendes, filho do hoje candidato a senador. As multas somam R$ 4,52 milhões. Os fiscais registraram mistura de ouro com mercúrio em desacordo com a licença, além de depósito de 1,195 quilo do metal sem comprovação de origem.

O uso irregular do mercúrio é especialmente grave porque o metal se espalha pelo ar e pela água, acumula-se em peixes e pode comprometer o sistema nervoso, os rins e o desenvolvimento de bebês.

Na época da autuação, a Minerbras contestou as autuações e afirmou que o material foi encontrado em área de terceiro, a mais de um quilômetro de suas instalações. O julgamento administrativo dos autos ainda não foi concluído.

Procurada, a assessoria da campanha de Mauro Mendes não se posicionou.

Mendes foi prefeito de Cuiabá e governador de 2019 a março de 2026. Declarou patrimônio de R$ 108,9 milhões na última eleição. Também é sócio de uma empresa que tem como representante legal Valdinei Mauro de Souza, o Nei Garimpeiro, empresário conhecido da mineração no Mato Grosso e no Pará e já investigado pela Polícia Federal por usar irregularmente mercúrio. Em matéria publicada na semana passada pela Repórter Brasil, Nei Garimpeiro negou as irregularidades.

Seu filho Luís Antônio preside a Sollo Mineração e é o único sócio da Minerbras, que teve quatro permissões de lavra garimpeira prorrogadas pela ANM até 2029.

Como governador, Mendes sancionou em 2024 a lei que retira incentivos fiscais de empresas participantes da Moratória da Soja. Em janeiro de 2026, diante do risco de perder benefícios, as principais tradings deixaram o acordo, que acabou esvaziado.

<><> José Medeiros criticou Ibama por destruir máquinas em garimpos ilegais

Em maio de 2018, o então senador José Medeiros usou a tribuna da casa para atacar a destruição de equipamentos apreendidos em garimpos ilegais pelo Ibama. Defendeu que as máquinas fossem entregues às prefeituras, disse que as operações ocorriam “ao arrepio da lei” e acusou os fiscais de cometer “barbáries”.

A inutilização dos equipamentos, no entanto, está amparada pelo Decreto 6.514/2008, quando transporte e guarda de bens forem inviáveis, ou quando representarem risco ao meio ambiente ou aos agentes.

Ex-policial rodoviário federal, Medeiros tenta voltar ao Senado depois de dois mandatos como deputado federal.

O PL 571/2022, de sua autoria, prioriza a extração de minerais considerados de interesse para a soberania nacional, inclusive em unidades de conservação, terras indígenas e propriedades privadas. O PL 1.570/2023, também assinado por Medeiros, propõe regulamentar mineração, petróleo, gás e hidrelétricas em terras indígenas.

Seu primeiro suplente é Odílio Balbinotti Filho, presidente do Grupo Atto e produtor de sementes de soja. Em 2022, doou R$ 600 mil para Bolsonaro e R$ 500 mil para Medeiros. Segundo o candidato, Balbinotti foi indicado para a suplência por Bolsonaro. O segundo suplente, Velbster Birtche, administra a Bom G Agropecuária e teve 13 requerimentos de lavra garimpeira indeferidos pela ANM em junho.

Procurada, a assessoria da campanha de Medeiros não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

<><> Janaína Riva tem participação em holding de mineração

A candidata do MDB ao Senado também se aproximou das reivindicações do setor mineral. Em entrevista a uma rádio do interior, criticou a demora na regularização de pequenos garimpeiros, defendeu uma força-tarefa para acelerar licenciamentos e questionou a destruição de máquinas que poderiam ser removidas.

No terceiro mandato de deputada estadual, Janaína preside o MDB e foi a parlamentar mais votada do estado em 2018 e 2022. É filha de José Geraldo Riva, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, condenado por corrupção e desvio de recursos em outubro de 2024.

Janaína declarou ao TSE possuir 20% da Enernew Participações. A holding tem entre os sócios integrantes da família e a Vitória Mineradora, que atua com metais preciosos. Um irmão da candidata administra outra mineradora, voltada ao manganês e a metais preciosos.

Questionada, a assessoria da campanha de Riva não respondeu os questionamentos enviados pela Repórter Brasil.

<><> Fávaro e Taques: candidatos do agro além da base tradicional

Filho de agricultores, Carlos Fávaro cresceu como produtor em Mato Grosso, presidiu a Aprosoja, foi vice de Pedro Taques e chegou ao Senado em 2020, por meio de uma eleição suplementar. Em 2022, apoiou Lula e virou ministro da Agricultura.

Como ministro, criticou a Moratória da Soja e disse que as tradings haviam se tornado “mais legais do que a lei”. Também defendeu a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que ampliou a Licença por Adesão e Compromisso e criou dispensas para determinadas atividades agropecuárias.

Antes de ocupar a chefia do ministério, relatou o PL 510/2021, chamado por organizações socioambientais de “PL da Grilagem”. O texto amplia as ocupações de terras da União passíveis de regularização e o uso de autodeclaração sem vistoria prévia.  Seu primeiro suplente, Alexandre Schenkel, presidiu a associação nacional dos produtores de algodão e cultiva soja, algodão e milho.

Procurada, a campanha de Fávaro afirmou que produção agrícola e preservação ambiental não são incompatíveis. “O Brasil é uma potência global na produção de soja, algodão e milho e não precisa desmatar mais nenhum milímetro de terra para manter ou ampliar o que já produz”, disse. Segundo a campanha, o próprio produtor depende de clima estável, chuvas regulares e solo saudável e, por isso, “é o primeiro interessado em um meio ambiente preservado”.

Na mesma aliança está Pedro Taques, ex-procurador da República, senador e governador. Seu primeiro suplente é Teti, fundador da Petrovina Sementes e da Aprosoja-MT. A segunda suplente é Guelda Andrade (PT). A campanha afirma que a composição busca reunir “trajetórias complementares” entre o agronegócio e as pautas sociais.

Informou ainda que Taques defende o Código Florestal como referência para a produção rural e diz que a Moratória da Soja deve ser discutida entre produtores, empresas e poder público, respeitando tanto a legislação quanto os acordos privados. Também afirma defender um licenciamento ambiental mais eficiente, sem redução da proteção, e uma regularização fundiária com segurança jurídica e preservação das áreas protegidas.

Sobre mineração em terras indígenas, diz que qualquer autorização deve respeitar a Constituição e os direitos dos povos indígenas. Em relação aos garimpos, diferencia a atividade legal da ilegal e defende reforçar a fiscalização contra crimes ambientais e exploração clandestina.

<><> Galvan foi investigado por envolvimento em atos antidemocráticos

Outro sojeiro conhecido na disputa eleitoral é Antônio Galvan, candidato do Avante, que presidiu a Aprosoja de Mato Grosso e a entidade nacional do sojeiros. Nas eleições de 2022, recebeu 337 mil votos para o Senado e terminou em segundo lugar. Foi um dos principais adversários da Moratória da Soja. Em 2019, disse a Bolsonaro que o acordo criava reserva de mercado e contrariava a legislação brasileira.

Galvan já foi autuado por desmatamento sem autorização, armazenamento irregular de combustível e estruturas de pulverização sem licença. Também foi condenado com outros produtores por plantar soja durante o vazio sanitário, período em que o cultivo é proibido para conter a ferrugem asiática, como mostrou a Repórter Brasil.

À frente do Movimento Brasil Verde e Amarelo, foi apontado pela Abin como um dos articuladores dos protestos contra o resultado eleitoral de 2022. A CPMI do 8 de Janeiro chegou a recomendar seu indiciamento por crimes como associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A recomendação da CPMI, porém, não resultou em denúncia pública da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Galvan por esses crimes.

Em outra investigação, um inquérito aberto em 2021 a pedido da PGR para apurar a organização e o financiamento dos atos antidemocráticos de 7 de Setembro daquele ano resultou, em 2024, em seu indiciamento pela Polícia Federal por incitação ao crime e associação criminosa. O inquérito foi encaminhado à PGR, e não há informação pública sobre eventual denúncia contra Galvan nesse processo, que tramita sob sigilo.

 

Fonte: Repórter Brasil