segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Ultradireita importa de Israel vigilância, inteligência e treinamento para reforçar repressão na América Latina

Segundo os níveis de Guerra e Devastação vão se tornando mais urgentes para o capitalismo degenerativo, obrigam o Poder Sionista Mundial (PSM) a tornar-se mais visível, mais feroz, menos dissimulado. Isso significa que vai deixando também menos margem para o jogo político capitalista da alternância, ao mesmo tempo que sua brutalidade político-militar se faz cada vez mais exigente. A consequente imposição de regimes alinhados com os instigadores capitalistas desta nova fase de Barbárie pode constatar-se claramente nos processos de ultradireitização da América e da Europa, onde o sionismo global avança posições e exige cada vez mais reconhecimento e vassalagem. Ainda que não sejam os únicos lugares onde isso sucede, como veremos.

Comecemos pelo caso americano. Segundo foram ocorrendo os golpes de Estado eleitorais, os diferentes países vão sendo governados menos indiretamente pelos Estados Unidos e pelo Poder Sionista Mundial nele empotrado, para passar na prática a ser tutelados por eles, mediante governos réplicas da ultradireita estadunidense que sustenta Trump, impostos em processos eleitorais que padeceram a mais descarada ingerência imperial-sionista desde o princípio e que foram fraudulentos também em seus resultados. Como consequência disso, e não por acaso, o Chile do ultradireitista José Antonio Kast restabeleceu sua presença diplomática nisso que chamam de “Israel” (na realidade, uma base político-militar do Império Ocidental, que ocupa a Palestina – à frente a designaremos como “ente sionista”, “ente ocupante” ou similares-) neste mês de agosto de 2026, enviando novamente um embaixador depois de ter retirado a representação depois do 7 de outubro de 2023.

Honduras, assim como o Chile, depois de seu golpe eleitoral particular (sem nem mesmo apresentação de atas eleitorais), reativou sua representação diplomática com a entidade ocupante da Palestina naquele mesmo mês.

Na Colômbia, o novo governo ultra surgido de outro golpe de Estado eleitoral, toma como sua primeira decisão internacional o restabelecimento pleno de relações diplomáticas com o ente sionista, incluindo a nomeação de embaixadores, eliminação de vistos e a transferência da embaixada colombiana a Jerusalém. Além disso, a Colômbia reconhece a soberania israelense sobre os Altos do Golan. O mesmo ocorre na Bolívia. Depois da ruptura de relações com o ente sionista que decretada pelo Movimento ao Socialismo, a primeira decisão de caráter internacional tomada pela decalcomania de Trump no país depois do êxito no assédio econômico-eleitoral, Rodrigo Paz, é… restabelecer relações com a entidade ocupante da Palestina!, com toda uma série de acordos técnico-militares, comerciais e de infraestrutura aquífera. Que casualidade, não?

No Paraguai, em maio de 2018, o presidente Horacio Cartes (da ala mais ultra do Partido Colorado) decidiu transferir a embaixada paraguaia de Tel Aviv para Jerusalém, tornando o Paraguai o terceiro país do mundo a fazê-lo, depois dos EUA e… nada menos que a Guatemala. De fato, a Guatemala aparece como um caso excepcionalmente estável de apoio incondicional ao ente sionista, mais ainda que os de Costa Rica e El Salvador, que a seguem de perto. Tem cooperação agrícola e militar com o ente sionista desde os anos 60. Foi o primeiro país do mundo a abrir embaixada em Jerusalém em 1959 (fechada depois). Em 2018 foi o segundo país a transferir (de novo) sua embaixada para Jerusalém, atrás dos EUA. Mantém esta posição pró-sionista até hoje, seja de que “cor” for o governo, inclusive com o presidente que tantos suspiros de esquerdas conseguiu, Bernardo Arévalo. Tudo isso apesar da documentada colaboração sionista em matanças da população indígena guatemalteca, quando o ente sionista colaborava com a ditadura militar em sua guerra suja. É que a férula sionista nesta formação estatal é das mais férreas.

Mas continuando com o Paraguai, em setembro de 2018 o novo presidente Mario Abdo Benítez (também do Partido Colorado, mas de outra facção) reverteu a decisão e devolveu a embaixada a Tel Aviv (o ente sionista que ocupa a Palestina fechou sua embaixada em Assunção como protesto). Em 2023, quando assume depois de outro “curioso” processo eleitoral fraudulento, Santiago Peña, igualmente do Partido Colorado (a ditadura do capital é o que tem, apenas dissimula já que deixa cada vez menos margem para a variedade política), o governo paraguaio anuncia sua intenção de voltar a abrir a embaixada em Jerusalém e entre 2024 e 2026 intensifica a cooperação com o ente sionista em segurança, tecnologia e diplomacia.

Outro tanto sucede com o Peru, depois de seus sucessivos golpes de Estado, primeiro contra o presidente eleito Pedro Castillo, depois para depor a golpista e mais tarde para impor fraudulentamente a filha ultra do ditador Fujimori: os níveis de aproximação com o ente sionista disparam e a cooperação “contra a delinquência organizada transnacional” e a cibersegurança, são alguns dos resultados mais visíveis disso. E já sabemos o que isso significa tendo em conta que o ente sionista ocupante da Palestina apoiou sempre programas de “contrainsurgência”, antiguerrilhas, em Nossa América. “Programas” que incluem até hoje guerra suja, formação mercenária, paramilitar e de “inteligência”, treinamento de corpos especiais, apoio tecnológico, etc., com o resultado de contínuos massacres no continente, sequestros, inumeráveis torturas, desaparecimentos, falsos positivos e toda a série de monstruosidades alheias a quaisquer considerações aos direitos humanos. Dentro da “guerra suja” há que contar também com o narcotráfico e as redes delinquentes de todo tipo usadas para a desestabilização de governos, a barbarização das sociedades e a determinação dos processos eleitorais.

Como queira que o sionismo seja uma forma particular de fascismo, que passa mais desapercebida fora da Palestina por sua ação até agora mais “subterrânea”, mas igualmente assassina, tudo isso não é senão resultado de sua “colaboração” com as ditaduras e “ditabrandas” americanas e seus corpos mais repressivos. E se não que o digam à réplica equatoriana de Trump, Daniel Noboa, que protagoniza uma das guinadas políticos mais fortes, estabelecendo uma férrea aliança de segurança (2023–2026) com o ente sionista. Depois da declaração de “conflito armado interno” em 2024 e da escalada de violência que suas políticas provocam no país, protocola uma cooperação militar e policial, com compra de drones, sistemas de vigilância e tecnologia de reconhecimento; acerta com o ente sionista o treinamento de unidades especiais equatorianas, assim como o fortalecimento da inteligência contra o crime organizado e o narcotráfico (os mesmos que são introduzidos no país por USA e o PSM). O posicionamento diplomático do Equador adota uma posição cada vez mais próxima a ente sionista nos fóruns internacionais.

Mas obviamente, ninguém como Javier Milei para exemplificar a submissão ao Poder Sionista Mundial. Desde sua posse em dezembro de 2023, Milei impulsiona um alinhamento explícito e incondicional do governo argentino com o ente sionista, rompendo a tradição argentina de equilíbrio diplomático. Milei viaja duas vezes à Palestina ocupada em menos de dois anos, reunindo-se com os genocidas Herzog e Netanyahu, dá um respaldo político total ao ente ocupante em fóruns internacionais e estabelece uma agenda de segurança e… sim antissemitismo! Com isso de novo a sequência se repete: cooperação tecnológica, inovação, manejo da água, agrotecnologia, saúde, IA… Em abril deste ano de 2026 se dá a institucionalização deste vínculo, os Isaac Accords, um marco estratégico inspirado nos Acordos de Abraão. O conteúdo dos Acordos de Isaac não pode surpreender-nos: marco de segurança coordenada contra terrorismo, contra o antissemitismo, o narcotráfico e “a influência iraniana” (!?); cooperação em inteligência artificial (supercomputação, deslocamento civil, investigação conjunta); conectividade aérea direta, que se traduz em que El Al anuncia voos Tel Aviv–Buenos Aires para dezembro de 2026.

Além de tudo isso não se pode deixar de considerar a lenta mas persistente ocupação sionista da Patagônia, com a permanente incursão e estabelecimento de colonos-soldados sionistas ali, assim como a crescente presença de empresas israelenses (que chegaram a despertar as especulações sobre um “segundo Israel” ou Plano Andino -que incluiria também a Patagônia chilena-). Seja como for, o que está constatado é que os Acordos de Isaac colocam a Argentina como sócio central do ente sionista no hemisfério ocidental. Tudo isso e apesar de que a empresa israelense Navitas Petroleum, associada a uma firma britânica, planeja perfurações petroleiras perto das Ilhas Malvinas. Ser vassalo de tantos amos é o que tem, que se riam de ti quando queiram.

Enquanto as políticas de todos estes regimes brutais estrangulam as condições de vida de suas próprias populações, com a conseguinte expulsão de milhões e milhões de seres humanos de suas fronteiras (para “agravar o problema migratório”, segundo suas contrapartes capitalistas nas formações sociais de destino), seus movimentos com relação ao ente sionista respondem milimetricamente às instruções dos Estados Unidos e do PSM empotrado no hegêmona imperial (para mais detalhe sobre a expansão e profundidade da implantação do sionismo em Nossa América, pode consultar-se O expansionismo sionista na América Latina e no Caribe | Al Maeadeen Espanhol). Em troca, quem empreendeu processos de emancipação social e libertação nacional teve claro desde o princípio a importância de romper com um ente que pratica o genocídio e o apartheid sistemático de um povo. Assim, o governo sandinista da Nicarágua rompeu relações com o ente sionista (que, claro está, não deixou de apoiar a ditadura de Somoza e a “Contra” organizada por Washington) em 1982. Não voltou a restabelecer relações com a entidade ocupante da Palestina. Mantém-se na reduzida categoria de países que romperam e não restabeleceram.

Teremos o exemplo de Cuba sempre presente. Na cúpula do Movimento de Países Não Alinhados em Argel, anunciou za ruptura diplomática com o ente sionista. Em outubro de 1973 – Guerra do Yom Kippur- Cuba enviou tropas (cerca de 3.000 soldados) e equipamento militar para apoiar a Síria contra o ente sionista. Desde então, não existem relações diplomáticas oficiais com esta entidade ocupante e Cuba tornou-se um de seus críticos mais severos em fóruns internacionais. Apoiou abertamente a OLP e movimentos palestinos, incluindo treinamento militar em acampamentos do Líbano. Em 1975, Cuba promoveu no Movimento dos Não Alinhados um documento para expulsar “Israel” da ONU (que não prosperou pela tão irada como impudica pressão exercida pelos EUA).

Este mesmo processo de ruptura de relações com o ente sionista e apoio incondicional à Palestina, foi a política seguida por Hugo Chávez e o bolivarianismo venezuelano. Por isso dói tanto, e ao mesmo tempo é sinal inequívoco de entrega de soberania, a penetração sionista na Venezuela tutelada hoje pelos EUA, depois de 17 anos sem relações. O governo entreguista acaba de concordar em restabelecer serviços consulares e avançar para a normalização diplomática, além de dar carta branca à presença sionista no país e a seus interesses. Mas prestemos atenção no seguinte quadro de sociedades que empreenderam o processo de emancipação e o que aconteceu quando o mesmo acabou ou se estagnou. A correlação separação-aproximação com o sionismo é um indicador infalível da maior ou menor força e avanço de um processo revolucionário.

E a África do Sul pós apartheid? Pois incrivelmente, como a Namíbia, manteve sempre relações com o mesmo ente sionista que tinha sustentado com todas as suas forças o apartheid sul africano (e a colonização da Namíbia), o que é uma amostra contundente da falta de processo emancipador real que viveu esta formação sócio-estatal depois do apartheid. Mas mantém hoje uma atitude muito “beligerante” nos fóruns internacionais contra o regime sionista, inclusive levando-o à Corte Internacional de Justiça por genocídio. Ah! E uma consideração a levar em conta. Entre os países que nunca reconheceram o ente ocupante da Palestina estão Iraque, Síria, Líbia, Iêmen e Líbano. Suponho que não é preciso chamar muito a atenção sobre a sorte que lhes coube. Talvez seja também de interesse precisar que Líbia e Egito estão entre as três formações estatais (a outra foi a Arábia Saudita) que pressionaram a Organização para a Unidade Africana (OUA) a instar seus governos integrantes a romper relações com o ente sionista.

Da Libia rebelde já conhecemos o destino em mãos da OTAN. A triste história do Egito depois da reversão de seu processo de emancipação nacional, desembocando na sangrenta ditadura atual de al-Sisi e suas submissas relações com os EUA e o ente ocupante da Palestina, também. Da monarquia feudal saudita só se pode dizer que hoje está na cabeça dos Estados árabes sionistas (junto a quase todos os da península arábica mais a Jordânia). Argélia, singularidade árabe-africana, sendo outra das formações sociais que nunca reconheceram o ente sionista, está ameaçada e se mantém em alerta, mas segundo os Estados Unidos estáa armando intensamente o Marrocos, como em seguida veremos.

Hoje o Irã, que desconheceu o ente sionista depois da revolução, é o país que exemplifica no mundo a resistência contra a expansão sionista na Ásia, como indicamos em outras ocasiões. O resultado disso também está diante de nossos olhos, em curso. A Coreia do Norte, por sua vez, é a exceção no mundo não islâmico, pois não somente nunca reconheceu o ente sionista, como até agora tem impedido com êxito qualquer infiltração de sua “inteligência” e demais aparatos de domínio, incluídos, claro, os do Poder Sionista Mundial e o Eixe Anglo saxão que estão por trás doente. Algo que não tem muitos parangones.

<><> Esquerda-direita do sistema e relação com o sionismo

As chaves “direita”-“esquerda” do sistema podem trazer nuances à relação com o ente sionista, mas não são concludentes para manter ou não relações. O Poder Sionista Mundial é demasiadamente poderoso para que as esquerdas do Sistema ousem importuná-lo seriamente. Daremos três exemplos europeus que confirmam isso. Na Europa, a Grécia representa o caso mais interessante por guinada histórica. Até os anos 90 do século passado esta formação estatal era pró‑Palestina e mantinha distância do ente sionista. Desde 2010 produz-se uma guinada estratégica em direção ao ente por razões energéticas (gás do Mediterrâneo). O governo de esquerda do Sistema, de Seriza, manteve cooperação com o ente sionista apesar de sua retórica pró‑Palestina. Os governos de direita forte (Nova Democracia), não fariam senão reforçar essa aliança.

O Reino da Espanha, por sua vez, manteve uma flutuação moderada segundo os governos, com mudanças de tom e votação em fóruns internacionais, mas mantendo sempre colaboração técnico-militar, comercial e diplomática com o ente sionista, sob os distintos gabinetes. A Alemanha, pelo contrário, representa o caso mais estável e menos flutuante de toda Europa, com um apoio estrutural ao ente sionista desde 1949. As mudanças eleitorais não alteram em absoluto a política exterior fundamental que supostamente a Alemanha se atribui de “responsabilidade histórica” com o povo judeu. O que quer dizer na prática que o processo empreendido de genocídio judeu ali, hoje  continua com o apoio ao genocídio palestino (já iniciado com o acordo de Havara). A Alemanha, portanto, sempre do lado mais obscuro da História. Obviamente, em qualquer caso, na subordinada Europa prima sempre a alienação à OTAN, claro, que é como dizer às instruções que os Estados Unidos deem a respeito.

<><> Uma nova volta da torquês. O triângulo EUA-ente sionista-Marrocos

A crescente importância estratégica do Marrocos para os Estados Unidos devido aos reiterados curtos-circuitos nos Estreitos de Ormuz e Bab Al-Mandeb, faz com que os EUA e o sionismo global estejam armando até os dentes uma formação estatal não da OTAN, no flanco sul desta organização terrorista, em detrimento sobretudo de uma formação estatal da OTAN, o Reino da Espanha. O que não deixa em muito brilhante situação em seu conjunto os subordinados europeus da Otan e tem risco de marcar possíveis futuras linhas de fratura ou de debilidade da própria OTAN europeia.

Desde 2020, com os Acordos de Abraão, consolidou-se um intercâmbio geopolítico: Marrocos normalizou relações com a entidade sionista, EUA reconheceu a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, e o ente sionista, como base estratégica dos EUA, apoia a ocupação marroquina do Saara Ocidental, seu não reconhecimento da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e sua guerra contra ela. Desta sucessão de fatos se depreende que de agora em diante as formações estatais que se alinhem com o ente sionista (e mais ao fundo, com EUA e o PSM) têm que alinhar-se também com o Marrocos. Ou o que é o mesmo, há um efeito de arrasto diplomático: aproximação ao ente sionista aproximação à satrapia de Marrocos apoio ao plano de soberania marroquina sobre o Saara Ocidental.

No caso europeu todos os países, apesar da bomba relógio que isso representa para eles, vão se alinhando servilmente a esta concatenação de fatos impostos, repetindo ao pé da letra as mesmas frases (consignas) “diplomáticas” para tanto. Na América, o usurpador novo presidente da Colômbia reconhece a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental assim que restabeleceu relações com o ente sionista. O mesmo fez seu homólogo hondurenho em tudo (inclusive na usurpação): apoio diplomático ao Marrocos em fóruns multilaterais (votos favoráveis ao plano de autonomia). Do mesmo modo, o Equador de Noboa adota a fórmula “diplomática” que Rabat exige (e EUA dita) como sinal de apoio a sua ocupação do território saharaui: “solução política realista, pragmática e duradoura sob os auspícios da ONU”. Isto é, na prática, apoio ao plano marroquino. A Guatemala leva a cabo um apoio diplomático ao Marrocos em fóruns multilaterais (votos favoráveis ao plano de autonomia). Não fez um reconhecimento formal pleno, mas sua votação é sistematicamente pró-marroquina. No Paraguai, o governo mostra um crescente alinhamento com o Marrocos, especialmente em fóruns multilaterais.

Os últimos governos ilegítimos do Peru mantêm uma cooperação em segurança, água, agricultura e tecnologia com a satrapia marroquina; e declarações oficiais apoiam a “integridade territorial do Marrocos”, mostrando-se como um dos aliados mais consistentes do Marrocos na América do Sul. É claro que, com a guinada diplomática do governo do ultradireitista Milei, a Argentina adota uma postura mais favorável ao Marrocos em fóruns multilaterais. Declarações da Chancelaria descrevem, copiando mais uma vez as palavras de Washington — como já vimos que fizeram os lacaios europeus —, o plano marroquino como “base séria e crível” para uma solução. Desde 2025, a Argentina participa de iniciativas econômicas e de segurança com o Marrocos, reforçando sua já mencionada submissão ao Poder Sionista Mundial. Estes são apenas alguns exemplos da América e da Europa.

Na Ásia mais oriental — e no Pacífico próximo a ela —, não vamos falar das Filipinas, da Coreia ocupada, do Japão ou da Austrália, que são neocolônias militares dos Estados Unidos (e, portanto, seguem à risca seus desígnios pró-sionistas), mas diremos que não deixa em uma situação muito honrosa — e, sim, lança sérias dúvidas sobre o internacionalismo de seus pretensos processos de transição socialista. O fato de que a China atual tenha manifestado seu apoio diplomático ao Marrocos na ONU em várias ocasiões; que o Vietnã tenha demonstrado, desde 2023, uma aproximação diplomática com o Marrocos com visitas de alto nível e acordos comerciais —, apoiando na ONU “soluções políticas negociadas” — linguagem que o Marrocos sempre interpreta como favorável —, e que evite sistematicamente apoiar a RASD.

O Laos, por sua vez, também vem se inclinando desde 2023 para uma postura mais próxima do Marrocos, chegando inclusive a votar resoluções favoráveis a esse regime despótico. A exceção, mais uma vez, é a Coreia do Norte, que mantém sua posição pró-Argélia e pró-RASD, dentro de sua linha de relação estratégica com movimentos de libertação nacional.

<><> África: o continente onde o vínculo entre o ente sionista e o Marrocos é mais visível

É aqui que o padrão aparece com mais clareza, por três razões. O Marrocos busca apoios africanos para legitimar sua posição sobre o Saara Ocidental. O ente sionista ampliou sua presença diplomática e tecnológica na África desde 2010. Os EUA pressionam para consolidar alianças triangulares e ter uma base sólida para o deslocamento da China e da Rússia do continente. Então, a República Democrática do Congo (RDC, precisamente um país assediado por forças paramilitares organizadas por Ruanda e pelo ente sionista com os EUA como padrinhos, além de chantageado pelos Estados Unidos precisamente às custas dessa guerra permanente), não apenas leva a cabo uma cooperação crescente com o ente ocupante da Palestina, como também dá todo o seu apoio diplomático ao Marrocos na UA (União Africana) e na ONU. A Costa do Marfim também dá seu apoio sistemático ao Marrocos nas votações africanas.

O Senegal mantém uma cooperação com o ente sionista em agricultura e tecnologia, razão pela qual também apoia o plano de autonomia marroquino em várias resoluções, embora não mantenha um reconhecimento explícito. O Togo é um dos países africanos mais próximos do ente sionista. Daí que suas votações sejam sempre pró-Marrocos na UA. O mesmo caso que Gana. Ruanda, que se tornou uma base militar operacional dos EUA e de seu ente sionista, com ampla cooperação militar e tecnológica e uma guerra suja paramilitar desencadeada na região — muito especialmente na RDC —, mantém um consequente alinhamento diplomático com o Marrocos na UA. Camarões manteve uma relação histórica com o ente sionista. Suas votações são favoráveis ao Marrocos em todas as resoluções africanas. A Guiné Equatorial está experimentando uma crescente aproximação com o ente sionista, o que significa que suas posições são também favoráveis ao Marrocos nos fóruns africanos.

E assim sucessivamente… vai se manifestando o avanço sionista.

Até aqui, o breve panorama da ignomínia humana que prevalece hoje no mundo: um ente político-militar pode perpetrar abertamente o genocídio de um povo (ver Anexo) com o aplauso de quase todo o restante do planeta. Não podemos esquecer aqui, a esse respeito, as palavras com as quais terminávamos um artigo anterior:

Manter relações com o ente sionista não pode ser outra coisa senão cumplicidade com seu genocídio. Não obstante, a histórica interpenetração sionista com os regimes mais brutais, mantida na atualidade sob o novo plano de ultradireitização mundial dos Estados Unidos, com a consequente destruição das condições de vida e de quaisquer condições humanas de dignidade, não pode levar senão a uma crescente resistência e a lutas populares, muitas das quais necessariamente terão de ser também antissionistas (e antifascistas em geral), assim como são e serão anti-imperialistas.

 

Fonte: Por Andrés Piqueras, no Observatório da Crise - Tradução: Ana Corbisier, para Diálogos do Sul Global

 

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