Ultradireita
importa de Israel vigilância, inteligência e treinamento para reforçar
repressão na América Latina
Segundo
os níveis de Guerra e Devastação vão se tornando mais urgentes para o
capitalismo degenerativo, obrigam o Poder Sionista Mundial (PSM) a tornar-se
mais visível, mais feroz, menos dissimulado. Isso significa que vai deixando
também menos margem para o jogo político capitalista da alternância, ao mesmo
tempo que sua brutalidade político-militar se faz cada vez mais exigente. A
consequente imposição de regimes alinhados com os instigadores capitalistas
desta nova fase de Barbárie pode constatar-se claramente nos processos de
ultradireitização da América e da Europa, onde o sionismo global avança
posições e exige cada vez mais reconhecimento e vassalagem. Ainda que não sejam
os únicos lugares onde isso sucede, como veremos.
Comecemos
pelo caso americano. Segundo foram ocorrendo os golpes de Estado
eleitorais,
os diferentes países vão sendo governados menos indiretamente pelos Estados
Unidos e pelo Poder Sionista Mundial nele empotrado, para passar na
prática a ser tutelados por eles, mediante governos réplicas da ultradireita
estadunidense que sustenta Trump, impostos em processos eleitorais que
padeceram a mais descarada ingerência imperial-sionista desde o princípio e que
foram fraudulentos também em seus resultados. Como consequência disso, e não
por acaso, o Chile do ultradireitista José Antonio Kast restabeleceu
sua presença diplomática nisso que chamam de “Israel” (na realidade, uma base
político-militar do Império Ocidental, que ocupa a Palestina – à frente a
designaremos como “ente sionista”, “ente ocupante” ou similares-) neste mês de
agosto de 2026, enviando novamente um embaixador depois de ter retirado a
representação depois do 7 de outubro de 2023.
Honduras, assim como o Chile,
depois de seu golpe eleitoral particular (sem nem mesmo apresentação de atas
eleitorais), reativou sua representação diplomática com a entidade ocupante da
Palestina naquele mesmo mês.
Na
Colômbia, o novo governo ultra surgido
de outro golpe de Estado
eleitoral,
toma como sua primeira decisão internacional o restabelecimento pleno de
relações diplomáticas com o ente sionista, incluindo a nomeação de
embaixadores, eliminação de vistos e a transferência da embaixada colombiana a
Jerusalém. Além disso, a Colômbia reconhece a soberania israelense sobre os
Altos do Golan. O mesmo ocorre na Bolívia. Depois da ruptura de relações com o
ente sionista que decretada pelo Movimento ao Socialismo, a primeira decisão de
caráter internacional tomada pela decalcomania de Trump no país depois do êxito
no assédio econômico-eleitoral, Rodrigo Paz, é… restabelecer
relações com a entidade ocupante da Palestina!, com toda uma série de acordos
técnico-militares, comerciais e de infraestrutura aquífera. Que casualidade,
não?
No
Paraguai, em maio de 2018, o presidente Horacio Cartes (da ala mais ultra do
Partido Colorado) decidiu transferir a embaixada paraguaia de Tel Aviv para
Jerusalém, tornando o Paraguai o terceiro país do mundo a fazê-lo, depois dos
EUA e… nada menos que a Guatemala. De fato, a Guatemala aparece como um caso
excepcionalmente estável de apoio incondicional ao ente sionista, mais ainda
que os de Costa Rica e El Salvador, que a seguem de perto. Tem cooperação
agrícola e militar com o ente sionista desde os anos 60. Foi o primeiro país do
mundo a abrir embaixada em Jerusalém em 1959 (fechada depois). Em 2018 foi o
segundo país a transferir (de novo) sua embaixada para Jerusalém, atrás dos
EUA. Mantém esta posição pró-sionista até hoje, seja de que “cor” for o
governo, inclusive com o presidente que tantos suspiros de esquerdas conseguiu,
Bernardo Arévalo. Tudo isso apesar da documentada colaboração sionista em
matanças da população indígena guatemalteca, quando o ente sionista colaborava
com a ditadura militar em sua guerra suja. É que a férula sionista nesta
formação estatal é das mais férreas.
Mas
continuando com o Paraguai, em setembro de 2018 o novo presidente Mario Abdo
Benítez (também do Partido Colorado, mas de outra facção) reverteu a decisão e
devolveu a embaixada a Tel Aviv (o ente sionista que ocupa a Palestina fechou
sua embaixada em Assunção como protesto). Em 2023, quando assume depois de
outro “curioso” processo eleitoral fraudulento, Santiago Peña, igualmente do
Partido Colorado (a ditadura do capital é o que tem, apenas dissimula já que
deixa cada vez menos margem para a variedade política), o governo paraguaio
anuncia sua intenção de voltar a abrir a embaixada em Jerusalém e entre 2024 e
2026 intensifica a cooperação com o ente sionista em segurança, tecnologia e
diplomacia.
Outro
tanto sucede com o Peru, depois de seus sucessivos golpes de Estado, primeiro
contra o presidente eleito Pedro Castillo, depois para depor a golpista e mais
tarde para impor fraudulentamente a filha ultra do ditador Fujimori: os níveis de
aproximação com o ente sionista disparam e a cooperação “contra a delinquência
organizada transnacional” e a cibersegurança, são alguns dos resultados mais
visíveis disso. E já sabemos o que isso significa tendo em conta que o ente
sionista ocupante da Palestina apoiou sempre programas de “contrainsurgência”,
antiguerrilhas, em Nossa América. “Programas” que incluem até hoje guerra suja,
formação mercenária, paramilitar e de “inteligência”, treinamento de corpos
especiais, apoio tecnológico, etc., com o resultado de contínuos massacres no
continente, sequestros, inumeráveis torturas, desaparecimentos, falsos
positivos e toda a série de monstruosidades alheias a quaisquer considerações
aos direitos humanos. Dentro da “guerra suja” há que contar também com o
narcotráfico e as redes delinquentes de todo tipo usadas para a
desestabilização de governos, a barbarização das sociedades e a determinação
dos processos eleitorais.
Como
queira que o sionismo seja uma forma particular de fascismo, que passa mais
desapercebida fora da Palestina por sua ação até agora mais “subterrânea”, mas
igualmente assassina, tudo isso não é senão resultado de sua “colaboração” com
as ditaduras e “ditabrandas” americanas e seus corpos mais repressivos. E se
não que o digam à réplica equatoriana de Trump, Daniel Noboa, que protagoniza uma
das guinadas políticos mais fortes, estabelecendo uma férrea aliança de
segurança (2023–2026) com o ente sionista. Depois da declaração de “conflito
armado interno” em 2024 e da escalada de violência que suas políticas provocam
no país, protocola uma cooperação militar e policial, com compra de drones,
sistemas de vigilância e tecnologia de reconhecimento; acerta com o ente
sionista o treinamento de unidades especiais equatorianas, assim como o
fortalecimento da inteligência contra o crime organizado e o narcotráfico (os
mesmos que são introduzidos no país por USA e o PSM). O posicionamento
diplomático do Equador adota uma posição cada vez mais próxima a ente sionista
nos fóruns internacionais.
Mas
obviamente, ninguém como Javier Milei para
exemplificar a submissão ao Poder Sionista Mundial. Desde sua posse em dezembro
de 2023, Milei impulsiona um alinhamento explícito e incondicional do governo
argentino com o ente sionista, rompendo a tradição argentina de equilíbrio
diplomático. Milei viaja duas vezes à Palestina ocupada em menos de dois anos,
reunindo-se com os genocidas Herzog e Netanyahu, dá um respaldo político total
ao ente ocupante em fóruns internacionais e estabelece uma agenda de segurança
e… sim antissemitismo! Com isso de novo a sequência se repete: cooperação
tecnológica, inovação, manejo da água, agrotecnologia, saúde, IA… Em abril
deste ano de 2026 se dá a institucionalização deste vínculo, os Isaac Accords,
um marco estratégico inspirado nos Acordos de Abraão. O conteúdo dos Acordos de
Isaac não pode surpreender-nos: marco de segurança coordenada contra
terrorismo, contra o antissemitismo, o narcotráfico e “a influência iraniana”
(!?); cooperação em inteligência artificial (supercomputação, deslocamento
civil, investigação conjunta); conectividade aérea direta, que se traduz em que
El Al anuncia voos Tel Aviv–Buenos Aires para dezembro de 2026.
Além de
tudo isso não se pode deixar de considerar a lenta mas persistente ocupação
sionista da Patagônia, com a permanente incursão e estabelecimento de
colonos-soldados sionistas ali, assim como a crescente presença de empresas
israelenses (que chegaram a despertar as especulações sobre um “segundo Israel”
ou Plano Andino -que incluiria também a Patagônia chilena-). Seja como for, o
que está constatado é que os Acordos de Isaac colocam a Argentina como sócio
central do ente sionista no hemisfério ocidental. Tudo isso e apesar de que a
empresa israelense Navitas Petroleum, associada a uma firma
britânica, planeja perfurações petroleiras perto das Ilhas Malvinas. Ser
vassalo de tantos amos é o que tem, que se riam de ti quando queiram.
Enquanto
as políticas de todos estes regimes brutais estrangulam as condições de vida de
suas próprias populações, com a conseguinte expulsão de milhões e milhões de
seres humanos de suas fronteiras (para “agravar o problema migratório”, segundo
suas contrapartes capitalistas nas formações sociais de destino), seus
movimentos com relação ao ente sionista respondem milimetricamente às
instruções dos Estados Unidos e do PSM empotrado no hegêmona imperial (para
mais detalhe sobre a expansão e profundidade da implantação do sionismo em
Nossa América, pode consultar-se O expansionismo
sionista na América Latina e no Caribe | Al Maeadeen Espanhol). Em troca, quem
empreendeu processos de emancipação social e libertação nacional teve claro
desde o princípio a importância de romper com um ente que pratica o genocídio e
o apartheid sistemático de um povo. Assim, o governo sandinista da Nicarágua
rompeu relações com o ente sionista (que, claro está, não deixou de apoiar a
ditadura de Somoza e a “Contra” organizada por Washington) em 1982. Não voltou
a restabelecer relações com a entidade ocupante da Palestina. Mantém-se na
reduzida categoria de países que romperam e não restabeleceram.
Teremos
o exemplo de Cuba sempre presente. Na cúpula do Movimento de Países Não
Alinhados em Argel, anunciou za ruptura diplomática com o ente sionista. Em
outubro de 1973 – Guerra do Yom Kippur- Cuba enviou tropas (cerca de 3.000
soldados) e equipamento militar para apoiar a Síria contra o ente sionista. Desde
então, não existem relações diplomáticas oficiais com esta entidade ocupante e
Cuba tornou-se um de seus críticos mais severos em fóruns internacionais.
Apoiou abertamente a OLP e movimentos palestinos, incluindo treinamento militar
em acampamentos do Líbano. Em 1975, Cuba promoveu no Movimento dos Não
Alinhados um documento para expulsar “Israel” da ONU (que não prosperou pela
tão irada como impudica pressão exercida pelos EUA).
Este
mesmo processo de ruptura de relações com o ente sionista e apoio incondicional
à Palestina, foi a política seguida por Hugo Chávez e o bolivarianismo
venezuelano. Por isso dói tanto, e ao mesmo tempo é sinal inequívoco de entrega
de soberania, a penetração sionista na Venezuela tutelada hoje pelos EUA,
depois de 17 anos sem relações. O governo entreguista acaba de concordar
em restabelecer serviços consulares e
avançar para a normalização diplomática, além de dar carta branca à presença
sionista no país e a seus interesses. Mas prestemos atenção no seguinte quadro
de sociedades que empreenderam o processo de emancipação e o que aconteceu
quando o mesmo acabou ou se estagnou. A correlação separação-aproximação com o
sionismo é um indicador infalível da maior ou menor força e avanço de um
processo revolucionário.
E a
África do Sul pós apartheid? Pois incrivelmente, como a Namíbia, manteve sempre
relações com o mesmo ente sionista que tinha sustentado com todas as suas
forças o apartheid sul africano (e a colonização da Namíbia), o que é uma
amostra contundente da falta de processo emancipador real que viveu esta
formação sócio-estatal depois do apartheid. Mas mantém hoje uma atitude muito
“beligerante” nos fóruns internacionais contra o regime sionista, inclusive
levando-o à Corte Internacional de Justiça por genocídio. Ah! E uma
consideração a levar em conta. Entre os países que nunca reconheceram o ente
ocupante da Palestina estão Iraque, Síria, Líbia, Iêmen e Líbano. Suponho que
não é preciso chamar muito a atenção sobre a sorte que lhes coube. Talvez seja
também de interesse precisar que Líbia e Egito estão entre as três formações
estatais (a outra foi a Arábia Saudita) que pressionaram a Organização para a
Unidade Africana (OUA) a instar seus governos integrantes a romper relações com
o ente sionista.
Da
Libia rebelde já conhecemos o destino em mãos da OTAN. A triste história do
Egito depois da reversão de seu processo de emancipação nacional, desembocando
na sangrenta ditadura atual de al-Sisi e suas submissas relações com os EUA e o
ente ocupante da Palestina, também. Da monarquia feudal saudita só se pode
dizer que hoje está na cabeça dos Estados árabes sionistas (junto a quase todos
os da península arábica mais a Jordânia). Argélia, singularidade
árabe-africana, sendo outra das formações sociais que nunca reconheceram o ente
sionista, está ameaçada e se mantém em alerta, mas segundo os Estados Unidos
estáa armando intensamente o Marrocos, como em seguida veremos.
Hoje
o Irã, que desconheceu o ente sionista
depois da revolução, é o país que exemplifica no mundo a resistência contra a
expansão sionista na Ásia, como indicamos em outras
ocasiões. O resultado disso também está diante de nossos olhos, em curso. A
Coreia do Norte, por sua vez, é a exceção no mundo não islâmico, pois não
somente nunca reconheceu o ente sionista, como até agora tem impedido com êxito
qualquer infiltração de sua “inteligência” e demais aparatos de domínio,
incluídos, claro, os do Poder Sionista Mundial e o Eixe Anglo saxão que estão
por trás doente. Algo que não tem muitos parangones.
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Esquerda-direita do sistema e relação com o sionismo
As
chaves “direita”-“esquerda” do sistema podem trazer nuances à relação com o
ente sionista, mas não são concludentes para manter ou não relações. O Poder
Sionista Mundial é demasiadamente poderoso para que as esquerdas do Sistema
ousem importuná-lo seriamente. Daremos três exemplos europeus que confirmam
isso. Na Europa, a Grécia representa o caso mais interessante por guinada
histórica. Até os anos 90 do século passado esta formação estatal era pró‑Palestina
e mantinha distância do ente sionista. Desde 2010 produz-se uma guinada
estratégica em direção ao ente por razões energéticas (gás do Mediterrâneo). O
governo de esquerda do Sistema, de Seriza, manteve cooperação com o ente
sionista apesar de sua retórica pró‑Palestina. Os governos de direita forte
(Nova Democracia), não fariam senão reforçar essa aliança.
O Reino
da Espanha, por sua vez, manteve uma flutuação moderada segundo os governos,
com mudanças de tom e votação em fóruns internacionais, mas mantendo sempre
colaboração técnico-militar, comercial e diplomática com o ente sionista, sob
os distintos gabinetes. A Alemanha, pelo contrário, representa o caso mais
estável e menos flutuante de toda Europa, com um apoio estrutural ao ente
sionista desde 1949. As mudanças eleitorais não alteram em absoluto a política
exterior fundamental que supostamente a Alemanha se atribui de “responsabilidade
histórica” com o povo judeu. O que quer dizer na prática que o
processo empreendido de genocídio judeu ali, hoje continua com o apoio ao
genocídio palestino (já iniciado com o acordo de Havara). A Alemanha, portanto,
sempre do lado mais obscuro da História. Obviamente, em qualquer caso, na
subordinada Europa prima sempre a alienação à OTAN, claro, que é como dizer às
instruções que os Estados Unidos deem a respeito.
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Uma nova volta da torquês. O triângulo EUA-ente sionista-Marrocos
A
crescente importância estratégica do Marrocos para os Estados
Unidos devido aos reiterados curtos-circuitos nos
Estreitos de Ormuz e Bab Al-Mandeb, faz com que os EUA e o sionismo global
estejam armando até os dentes uma formação estatal não da OTAN, no flanco sul
desta organização terrorista, em detrimento sobretudo de uma formação estatal
da OTAN, o Reino da Espanha. O que não deixa em muito brilhante situação em seu
conjunto os subordinados europeus da Otan e tem risco de marcar possíveis
futuras linhas de fratura ou de debilidade da própria OTAN europeia.
Desde
2020, com os Acordos de Abraão, consolidou-se um intercâmbio geopolítico:
Marrocos normalizou relações com a entidade sionista, EUA reconheceu a
soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, e o ente sionista,
como base estratégica dos EUA, apoia a ocupação marroquina do Saara Ocidental,
seu não reconhecimento da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e sua
guerra contra ela. Desta sucessão de fatos se depreende que de agora em diante
as formações estatais que se alinhem com o ente sionista (e mais ao fundo, com
EUA e o PSM) têm que alinhar-se também com o Marrocos. Ou o que é o mesmo, há
um efeito de arrasto diplomático: aproximação ao ente sionista → aproximação
à satrapia de Marrocos → apoio ao plano de soberania marroquina sobre
o Saara Ocidental.
No caso
europeu todos os países, apesar da bomba relógio que isso representa para eles,
vão se alinhando servilmente a esta concatenação de fatos impostos, repetindo
ao pé da letra as mesmas frases (consignas) “diplomáticas” para tanto. Na
América, o usurpador novo presidente da Colômbia reconhece a soberania
marroquina sobre o Saara Ocidental assim que restabeleceu relações com o ente
sionista. O mesmo fez seu homólogo hondurenho em tudo (inclusive na usurpação):
apoio diplomático ao Marrocos em fóruns multilaterais (votos favoráveis ao
plano de autonomia). Do mesmo modo, o Equador de Noboa adota a fórmula
“diplomática” que Rabat exige (e EUA dita) como sinal de apoio a sua ocupação
do território saharaui: “solução política realista, pragmática e duradoura sob
os auspícios da ONU”. Isto é, na prática, apoio ao plano marroquino. A
Guatemala leva a cabo um apoio diplomático ao Marrocos em fóruns multilaterais
(votos favoráveis ao plano de autonomia). Não fez um reconhecimento formal
pleno, mas sua votação é sistematicamente pró-marroquina. No Paraguai, o
governo mostra um crescente alinhamento com o Marrocos, especialmente em fóruns
multilaterais.
Os
últimos governos ilegítimos do Peru mantêm uma cooperação em segurança, água,
agricultura e tecnologia com a satrapia marroquina; e declarações oficiais
apoiam a “integridade territorial do Marrocos”, mostrando-se como um dos
aliados mais consistentes do Marrocos na América do Sul. É claro que, com a
guinada diplomática do governo do ultradireitista Milei, a Argentina adota uma
postura mais favorável ao Marrocos em fóruns multilaterais. Declarações da
Chancelaria descrevem, copiando mais uma vez as palavras de Washington — como
já vimos que fizeram os lacaios europeus —, o plano marroquino como “base séria
e crível” para uma solução. Desde 2025, a Argentina participa de iniciativas
econômicas e de segurança com o Marrocos, reforçando sua já mencionada submissão
ao Poder Sionista Mundial. Estes são apenas alguns exemplos da América e da
Europa.
Na Ásia
mais oriental — e no Pacífico próximo a ela —, não vamos falar das Filipinas,
da Coreia ocupada, do Japão ou da Austrália, que são neocolônias militares dos
Estados Unidos (e, portanto, seguem à risca seus desígnios pró-sionistas), mas
diremos que não deixa em uma situação muito honrosa — e, sim, lança sérias
dúvidas sobre o internacionalismo de seus pretensos processos de transição
socialista. O fato de que a China atual tenha manifestado seu apoio diplomático
ao Marrocos na ONU em várias ocasiões; que o Vietnã tenha demonstrado, desde
2023, uma aproximação diplomática com o Marrocos com visitas de alto nível e
acordos comerciais —, apoiando na ONU “soluções políticas negociadas” —
linguagem que o Marrocos sempre interpreta como favorável —, e que evite
sistematicamente apoiar a RASD.
O Laos,
por sua vez, também vem se inclinando desde 2023 para uma postura mais próxima
do Marrocos, chegando inclusive a votar resoluções favoráveis a esse regime
despótico. A exceção, mais uma vez, é a Coreia do Norte, que mantém sua posição
pró-Argélia e pró-RASD, dentro de sua linha de relação estratégica com
movimentos de libertação nacional.
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África: o continente onde o vínculo entre o ente sionista e o Marrocos é mais
visível
É aqui
que o padrão aparece com mais clareza, por três razões. O Marrocos busca apoios
africanos para legitimar sua posição sobre o Saara Ocidental. O ente sionista
ampliou sua presença diplomática e tecnológica na África desde 2010. Os EUA
pressionam para consolidar alianças triangulares e ter uma base sólida para o
deslocamento da China e da Rússia do continente. Então, a República Democrática
do Congo (RDC, precisamente um país assediado por forças paramilitares
organizadas por Ruanda e pelo ente sionista com os EUA como padrinhos, além de
chantageado pelos Estados Unidos precisamente às custas dessa guerra
permanente), não apenas leva a cabo uma cooperação crescente com o ente
ocupante da Palestina, como também dá todo o seu apoio diplomático ao Marrocos
na UA (União Africana) e na ONU. A Costa do Marfim também dá seu apoio
sistemático ao Marrocos nas votações africanas.
O
Senegal mantém uma cooperação com o ente sionista em agricultura e tecnologia,
razão pela qual também apoia o plano de autonomia marroquino em várias
resoluções, embora não mantenha um reconhecimento explícito. O Togo é um dos
países africanos mais próximos do ente sionista. Daí que suas votações sejam
sempre pró-Marrocos na UA. O mesmo caso que Gana. Ruanda, que se tornou uma
base militar operacional dos EUA e de seu ente sionista, com ampla cooperação
militar e tecnológica e uma guerra suja paramilitar desencadeada na região —
muito especialmente na RDC —, mantém um consequente alinhamento diplomático com
o Marrocos na UA. Camarões manteve uma relação histórica com o ente sionista.
Suas votações são favoráveis ao Marrocos em todas as resoluções africanas. A
Guiné Equatorial está experimentando uma crescente aproximação com o ente
sionista, o que significa que suas posições são também favoráveis ao Marrocos
nos fóruns africanos.
E assim
sucessivamente… vai se manifestando o avanço sionista.
Até
aqui, o breve panorama da ignomínia humana que prevalece hoje no mundo: um ente
político-militar pode perpetrar abertamente o genocídio de um povo (ver Anexo)
com o aplauso de quase todo o restante do planeta. Não podemos esquecer aqui, a
esse respeito, as palavras com as quais terminávamos um artigo anterior:
Manter
relações com o ente sionista não pode ser outra coisa senão cumplicidade com
seu genocídio. Não obstante, a histórica interpenetração sionista com os
regimes mais brutais, mantida na atualidade sob o novo plano de
ultradireitização mundial dos Estados Unidos, com a consequente destruição das
condições de vida e de quaisquer condições humanas de dignidade, não pode levar
senão a uma crescente resistência e a lutas populares, muitas das quais
necessariamente terão de ser também antissionistas (e antifascistas em geral),
assim como são e serão anti-imperialistas.
Fonte:
Por Andrés Piqueras, no Observatório da Crise - Tradução: Ana Corbisier, para
Diálogos do Sul Global

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