O
cigarro pode custar uma perna: doença vascular que começa antes da dor
Quando
se fala em cigarro, a maioria das pessoas pensa imediatamente em câncer de
pulmão, enfisema ou infarto. Poucos imaginam que o tabagismo também pode
comprometer gravemente a circulação das pernas e, em casos avançados, levar até
mesmo à amputação de um membro.
Essa é
a realidade da doença arterial periférica, uma condição que costuma evoluir
lentamente, muitas vezes sem provocar sintomas nas fases iniciais. Quando
aparecem os primeiros sinais, o estreitamento das artérias já pode estar
comprometendo significativamente o fluxo de sangue para os membros inferiores.
No Dia
Nacional de Combate ao Fumo, vale lembrar que proteger os pulmões é apenas uma
das razões para abandonar o cigarro. As artérias também agradecem.
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O cigarro agride as artérias todos os dias
Cada
cigarro libera milhares de substâncias químicas capazes de lesar a parede
interna dos vasos sanguíneos.
Com o
passar dos anos, esse processo favorece a formação de placas de gordura nas
artérias, fenômeno conhecido como aterosclerose. Ao mesmo tempo, a nicotina
provoca contração dos vasos e reduz a oferta de oxigênio aos tecidos.
O
resultado é uma circulação progressivamente mais comprometida, especialmente
nas pernas, onde o sangue precisa percorrer longas distâncias para irrigar
músculos, pele e pés.
Não por
acaso, o tabagismo é considerado um dos principais fatores de risco para a
doença arterial periférica, ao lado do diabetes, da hipertensão, do colesterol
elevado e do envelhecimento.
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A dor ao caminhar costuma ser o primeiro alerta
O
sintoma mais característico da doença arterial periférica é a chamada
claudicação intermitente.
A
pessoa começa a sentir dor, peso, queimação ou cansaço nas panturrilhas, nas
coxas ou nos glúteos ao caminhar, o que acaba forçando a pessoa a interromper a
caminhada. Depois de alguns minutos de descanso, o desconforto desaparece e a
pessoa retorna a andar, mas após uma certa distância a dor retorna e o ciclo se
repete.
Como
essa dor melhora rapidamente, muitos pacientes acreditam que se trata apenas de
cansaço ou de um problema muscular.
Com a
progressão da doença, porém, podem surgir sinais mais preocupantes, como pés
frios, mudança na coloração da pele, perda de pelos nas pernas, unhas com
crescimento lento, feridas que não cicatrizam e dor mesmo durante o repouso.
Nessa
fase, existe risco de perda do tecido por falta de circulação, aumentando a
possibilidade de amputação.
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Nenhum tratamento supera parar de fumar
A
cirurgia vascular dispõe hoje de diferentes recursos para tratar a doença
arterial periférica.
Dependendo
do caso, podem ser utilizados medicamentos, programas supervisionados de
caminhada, angioplastias com balão e stent ou cirurgias de revascularização
para restabelecer o fluxo sanguíneo.
Esses
tratamentos melhoram os sintomas e podem salvar membros em situações graves.
Entretanto,
existe uma medida que continua sendo mais importante do que qualquer
procedimento: abandonar o cigarro.
Parar
de fumar reduz a velocidade de progressão da aterosclerose, diminui o risco de
novas obstruções, melhora os resultados das cirurgias vasculares e reduz
significativamente a chance de amputações e de eventos cardiovasculares, como
infarto e AVC.
Nenhum
stent consegue neutralizar os danos provocados pela continuidade do tabagismo.
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O melhor momento para proteger suas artérias é antes da dor
A
doença arterial periférica costuma dar sinais apenas quando o comprometimento
da circulação já é importante.
Por
isso, fumantes e ex-fumantes, especialmente aqueles que também têm diabetes,
hipertensão ou colesterol elevado, devem estar atentos aos sintomas e manter
acompanhamento médico regular.
Quanto
mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlar
sua evolução, preservar a circulação e evitar complicações.
Parar
de fumar continua sendo a decisão mais eficaz para proteger não apenas os
pulmões e o coração, mas também as artérias que mantêm as pernas vivas e
funcionantes.
• Fumar e malhar em seguida elimina os
efeitos nocivos causados pelo cigarro? Veja o que dizem os especialistas
Apesar
de contribuírem para a sensação de prazer e bem-estar, os exercícios físicos
não minimizam os danos causados pelo tabagismo à saúde dos fumantes.
O
alerta foi feito pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) neste sábado (29),
durante o lançamento da campanha “Atividade física e saúde: treinar não combina
com fumar”, em referência ao Dia Nacional de Combate ao Fumo.
A
campanha busca mobilizar a população sobre os riscos provocados pelo consumo de
produtos derivados do tabaco. No Brasil, cerca de 477 pessoas morrem
diariamente em decorrência de problemas relacionados ao tabagismo.
Segundo
o Instituto, a nicotina provoca a contração dos vasos sanguíneos e reduz o
fluxo de sangue para músculos e órgãos, além de contribuir para processos
inflamatórios. Tudo isso contribui diretamente para o aumento das Doenças
Crônicas Não Transmissíveis, como o câncer de pulmão.
Os
exercícios podem ser utilizados para auxiliar no processo de quem deseja parar
de fumar, já que eles liberam substâncias envolvidas na sensação de prazer que
ajudam a reduzir os sintomas da abstinência. Apesar disso, o tabagismo provoca
alterações no organismo que a prática de atividade física não consegue apagar.
“Todos
os ganhos serão perdidos por conta dos prejuízos que esses produtos [derivados
do tabaco] trazem”, afirmou Vera Borges, psicóloga e especialista no tratamento
do tabagismo.
A
campanha também alerta para a experimentação por meio dos dispositivos
eletrônicos para fumar (DEFs) e de outros derivados do tabaco pelo público mais
jovem. Segundo o instituto, esses produtos não são menos prejudiciais que o
cigarro comum.
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Quero parar de fumar. O que devo fazer?
O SUS
(Sistema Único de Saúde) oferece tratamento gratuito para o tabagismo.
Os
pacientes podem procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) próxima. O site
oficial do INCA pode ser consultado e mostra os locais disponíveis em cada
região.
Fonte:
CNN Brasil

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