segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O cigarro pode custar uma perna: doença vascular que começa antes da dor

Quando se fala em cigarro, a maioria das pessoas pensa imediatamente em câncer de pulmão, enfisema ou infarto. Poucos imaginam que o tabagismo também pode comprometer gravemente a circulação das pernas e, em casos avançados, levar até mesmo à amputação de um membro.

Essa é a realidade da doença arterial periférica, uma condição que costuma evoluir lentamente, muitas vezes sem provocar sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem os primeiros sinais, o estreitamento das artérias já pode estar comprometendo significativamente o fluxo de sangue para os membros inferiores.

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, vale lembrar que proteger os pulmões é apenas uma das razões para abandonar o cigarro. As artérias também agradecem.

<><> O cigarro agride as artérias todos os dias

Cada cigarro libera milhares de substâncias químicas capazes de lesar a parede interna dos vasos sanguíneos.

Com o passar dos anos, esse processo favorece a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno conhecido como aterosclerose. Ao mesmo tempo, a nicotina provoca contração dos vasos e reduz a oferta de oxigênio aos tecidos.

O resultado é uma circulação progressivamente mais comprometida, especialmente nas pernas, onde o sangue precisa percorrer longas distâncias para irrigar músculos, pele e pés.

Não por acaso, o tabagismo é considerado um dos principais fatores de risco para a doença arterial periférica, ao lado do diabetes, da hipertensão, do colesterol elevado e do envelhecimento.

<><> A dor ao caminhar costuma ser o primeiro alerta

O sintoma mais característico da doença arterial periférica é a chamada claudicação intermitente.

A pessoa começa a sentir dor, peso, queimação ou cansaço nas panturrilhas, nas coxas ou nos glúteos ao caminhar, o que acaba forçando a pessoa a interromper a caminhada. Depois de alguns minutos de descanso, o desconforto desaparece e a pessoa retorna a andar, mas após uma certa distância a dor retorna e o ciclo se repete.

Como essa dor melhora rapidamente, muitos pacientes acreditam que se trata apenas de cansaço ou de um problema muscular.

Com a progressão da doença, porém, podem surgir sinais mais preocupantes, como pés frios, mudança na coloração da pele, perda de pelos nas pernas, unhas com crescimento lento, feridas que não cicatrizam e dor mesmo durante o repouso.

Nessa fase, existe risco de perda do tecido por falta de circulação, aumentando a possibilidade de amputação.

<><> Nenhum tratamento supera parar de fumar

A cirurgia vascular dispõe hoje de diferentes recursos para tratar a doença arterial periférica.

Dependendo do caso, podem ser utilizados medicamentos, programas supervisionados de caminhada, angioplastias com balão e stent ou cirurgias de revascularização para restabelecer o fluxo sanguíneo.

Esses tratamentos melhoram os sintomas e podem salvar membros em situações graves.

Entretanto, existe uma medida que continua sendo mais importante do que qualquer procedimento: abandonar o cigarro.

Parar de fumar reduz a velocidade de progressão da aterosclerose, diminui o risco de novas obstruções, melhora os resultados das cirurgias vasculares e reduz significativamente a chance de amputações e de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.

Nenhum stent consegue neutralizar os danos provocados pela continuidade do tabagismo.

<><> O melhor momento para proteger suas artérias é antes da dor

A doença arterial periférica costuma dar sinais apenas quando o comprometimento da circulação já é importante.

Por isso, fumantes e ex-fumantes, especialmente aqueles que também têm diabetes, hipertensão ou colesterol elevado, devem estar atentos aos sintomas e manter acompanhamento médico regular.

Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlar sua evolução, preservar a circulação e evitar complicações.

Parar de fumar continua sendo a decisão mais eficaz para proteger não apenas os pulmões e o coração, mas também as artérias que mantêm as pernas vivas e funcionantes.

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Apesar de contribuírem para a sensação de prazer e bem-estar, os exercícios físicos não minimizam os danos causados pelo tabagismo à saúde dos fumantes.

O alerta foi feito pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) neste sábado (29), durante o lançamento da campanha “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”, em referência ao Dia Nacional de Combate ao Fumo.

A campanha busca mobilizar a população sobre os riscos provocados pelo consumo de produtos derivados do tabaco. No Brasil, cerca de 477 pessoas morrem diariamente em decorrência de problemas relacionados ao tabagismo.

Segundo o Instituto, a nicotina provoca a contração dos vasos sanguíneos e reduz o fluxo de sangue para músculos e órgãos, além de contribuir para processos inflamatórios. Tudo isso contribui diretamente para o aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como o câncer de pulmão.

Os exercícios podem ser utilizados para auxiliar no processo de quem deseja parar de fumar, já que eles liberam substâncias envolvidas na sensação de prazer que ajudam a reduzir os sintomas da abstinência. Apesar disso, o tabagismo provoca alterações no organismo que a prática de atividade física não consegue apagar.

“Todos os ganhos serão perdidos por conta dos prejuízos que esses produtos [derivados do tabaco] trazem”, afirmou Vera Borges, psicóloga e especialista no tratamento do tabagismo.

A campanha também alerta para a experimentação por meio dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) e de outros derivados do tabaco pelo público mais jovem. Segundo o instituto, esses produtos não são menos prejudiciais que o cigarro comum.

<><> Quero parar de fumar. O que devo fazer?

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento gratuito para o tabagismo.

Os pacientes podem procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) próxima. O site oficial do INCA pode ser consultado e mostra os locais disponíveis em cada região.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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