O
que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo
O
candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi entrevistado na sexta-feira (28) pela Globo.
Conduzida
pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, a
entrevista faz parte de uma série realizada com presidenciáveis. É a primeira
vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio do Planalto são exibidas após
o "Jornal Nacional", e não durante o
telejornal.
A
emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto
divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por
sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
######
A equipe do Fato ou Fake checou as
principais declarações de Flávio Bolsonaro. Leia:
<><>
"[...] a prestação de contas [do filme ‘Dark horse’, cinebiografia
de Jair Bolsonaro, pai de Flávio] foi
feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São
Paulo, por exigência minha, antes dos 30 dias. Inclusive, vi na própria
imprensa, foi publicado no site do g1, a prestação de contas estava
acontecendo."
>>>>>>
A declaração é #FAKE: Veja por quê:
- Em 13 de maio, o
site The Intercept revelou um áudio enviado por Flávio
Bolsonaro ao a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para pedir dinheiro
para financiar o filme "Dark horse", cinebiografia do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61
milhões aos produtores do filme.
- Seis dias
depois, o senador e candidato à Presidência afirmou, em entrevista
coletiva: "Solicitei à produtora do filme que apresente, dentro de um
prazo de 30 dias, um relatório detalhado sobre a utilização e o destino
dos recursos empregados na produção do longa-metragem".
- Em 15 de junho,
o g1 publicou uma reportagem relatando
que a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go UP
Entertainment, responsável por “Dark horse”, apresentou um laudo alegando que
o longa-metragem teria custado R$ 75,1 milhões, sendo que R$
54 milhões foram gastos no exterior, e R$ 20,9 milhões, no Brasil.
- Esse documento,
anexado a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investiga
Karina (leia detalhes abaixo), não tem informações sobre a
origem dos recursos, notas fiscais, recibos que comprovem os gastos do
valor repassado por Vorcaro ou comprovante de transferência bancária.
- Contratado pelos
próprios advogados da empresária, o perito que assina o laudo afirmou ter
elaborado a avaliação por meio de contratos, planilhas financeiras e
extratos. Além disso, admitiu não ter acessado o fundo
americano Havengate, apontado como o destinatário das transferências
feitas por Vorcaro. A Polícia Federal (PF) considera a análise do caminho
do dinheiro fundamental para entender a origem e o destino desses valores.
- O relatório foi
anexado a um inquérito da Polícia Civil de SP
envolvendo uma ONG de Karina Fereira. O alvo é um contrato de R$ 108
milhões para a instalação de pontos de wi-fi na periferia da capital
paulista, firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence à
empresária e fica no mesmo endereço da Go UP Entertainment. A investigação
apura se o dinheiro originalmente destinado à instalação de pontos de
wi-fi foi usado na produção de "Dark horse".
- Além disso, uma
investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) apura os repasses de Vorcaro
para a produção do filme. O caso está sob relatoria do ministro
André Mendonça.
<><>
"É um patrocínio [dinheiro repassado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro]
para um filme privado [‘Dark horse’] sobre o meu pai [Jair Bolsonaro]."
>>>>>>
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Em entrevista à GloboNews em 14 de maio, Flávio Bolsonaro
afirmou que recursos pagos por Daniel Vorcaro para bancar o filme
"Dark horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, foram para um
fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado do deputado federal
cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador. O dono do Banco
Master chegou a dar R$ 61 milhões.
- Em 23 de julho,
o ministro André Mendonça, o STF, autorizou a abertura de um
inquérito para investigar essas transferências de Vorcaro.
- A PF apura se
parte desse dinheiro acabou sendo usada para bancar a estadia de Eduardo
em território americano. O dinheiro chegou a um fundo responsável pelo
financiamento do filme, nos EUA, por meio de uma empresa que já era
suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master, a Entre
Investimentos e Participações.
- Os investigdores
também buscam saber se o valor foi depositado em troca de algum favor
prestado por Flávio Bolsonaro ou por seu grupo político.
- Como informou
o blog de Andréia Sadi no g1 neste
sábado (29), a PF apura suspeitas de corrupção
passiva e lavagem de dinheiro nos negócios envolvendo Flávio
Bolsonaro e o filme. A investigação é saber se houve vantagem indevida
envolvendo um agente público (um senador) e um agente privado (um
ex-banqueiro).
- O artigo 317 do
Código Penal descreve o ato de "solicitar ou receber, para si ou para
outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida".
- Os
investigadores querem saber se houve entrega de dinheiro, qual era a
origem dos recursos, quem participou da transação, como o dinheiro
circulou e qual foi o destino final.
- A investigação
também considera relevante o fato de que Vorcaro não queria aparecer como
patrocinador de “Dark horse.
<><>
“Essa homenagem foi feita há mais de 20 anos, se não me engano, no momento em
que ele [Adriano Magalhães da Nóbrega] era um policial reconhecido, eu conhecia
ele dentro do Bope [Batalhão de Elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro]. [Ele]
não tinha feito absolutamente nada de errado, não tinha nada contra ele nesta
época. Quando ele estava preso, acusado de homicídio, é porque na época tinha
uma política dizendo o seguinte: ‘olha, primeiro a gente pune o policial, e
depois ele explica se ele é inocente ou não’. Ele estava sendo falsamente
acusado de ter cometido homicídio, e, na verdade, foi uma troca de tiros com
traficantes. Depois, ficou comprovado que ele tinha trocado tiros com este
traficante, e ele foi absolvido.”
>>>>>>
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Em outubro de
2003, na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio
Bolsonaro fez a primeira homenagem ao então tenente Adriano da Nóbrega. Em
uma moção de louvor, ele destacou que o militar desenvolvia sua função com
"dedicação" e "brilhantismo".
- Em junho de
2005, o deputado fez nova homenagem a Adriano, com a Medalha Tiradentes, a
mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O
homenageado não compareceu à sessão, porque estava preso, acusado de
homicídio (leia mais abaixo).
- Em outubro de
2005, quatro dias depois que Adriano foi condenado pelo homicídio em júri
popular, o então deputado federal Jair Bolsonaro, pai de Flávio, fez um
discurso na Câmara dos Deputados em defesa de Adriano da Nóbrega.
Bolsonaro contou que compareceu ao julgamento do PM – segundo ele, um
"brilhante oficial".
- O jornal “O
Globo” teve acesso aos processos em que o ex-capitão Bope foi réu. A
defesa chegou a afirmar que ele agiu para revidar um ataque a tiros e que
Leandro dos Santos Silva era traficante e portava uma pistola. No entanto,
essa versão não foi comprovada nos autos.
- Leandro era
guardador de carros registrado na CET-Rio e foi assassinado em 27 de
novembro de 2003. Adriano da Nóbrega foi preso em janeiro de 2004 e
condenado em outubro de 2005 pelo júri em primeira instância a 19 anos de
prisão, mas ele recorreu. A sentença foi anulada, e o réu foi absolvido em
um novo julgamento, em janeiro de 2007, não sob a alegação de legítima
defesa – como seria o caso de uma troca de tiros – mas pela conclusão de
que não foi possível confirmar a participação dele no homicídio.
- Apontado como
chefe do grupo de assassinos profissionais Escritório do Crime e de uma
milícia no Rio, Nóbrega foi morto em um confronto com policiais em 2020,
na Bahia.
- Uma reportagem
publicada por "O Globo" em 2021 relatou, dois dias após a morte
de Adriano, a uma irmã dele, Tatiana Magalhães da Nóbrega, afirmou em um telefonema que
"o jogo do bicho pagou a absolvição dele". Ela não
especificou se esse suposto pagamento seria referente ao caso envolvendo o
guardador de carros ou o atentado, em setembro de 2008, contra o
pecuarista Rogério Mesquita, inimigo de bicheiros.
<><>
“Na época ele era um policial exemplar que estava sendo preso, que estava preso
injustamente. Foi quando eu conheci os familiares dele, a mãe, principalmente,
que participava de movimentos de defesa, né? De de esposas [...] esposas e mulheres
de militares e policiais perseguidos injustamente. Então, ela liderava o
movimento, como sempre foi minha bandeira defesa dos policiais, dos bons
policiais, eu achei por trazer ela pra trabalhar comigo e ela fazia essa. Eu
vou, eu vou te responder. E ela fazia essa intermediação, né? Das, das demandas
das famílias de policiais militares com o meu gabinete. Trabalhava direitinho,
sem problema nenhum. E só que mais uma vez, uma pessoa que estava presa
injustamente. Ele foi absolvido depois dessa acusação pela qual ele estava
preso, Renata."
>>>>>>
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- A esposa de
Adriano da Nóbrega, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, foi nomeada
para o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj) em agosto de 2007, no segundo mandato dele como deputado
estadual. Na época, ele já havia sido preso por homicídio em 2004 e
condenado em 2005. A sentença foi anulada, e Nóbrega acabou sendo
absolvido em janeiro de 2007.
- Em setembro de
2008, Adriano da Nóbrega voltou a ser preso, por um atentado ao pecuarista
Rogério Mesquita, inimigo de bicheiros.
- Em novembro do
ano seguinte, a Polícia Militar do Rio de Janeiro abriu sindicância por
suspeita de envolvimento do policial com o jogo do bicho. Em dezembro de
2011, ele foi preso na Operação Tempestade do Deserto, que investigava o
atentado contra o pecuarista.
- Em agosto de
2012, foi posto em liberdade pela Justiça. Em 2014, acabou absolvido no
caso.
- Nóbrega consta
do inquérito sobre o assassinato do contraventor José Luiz de Barros
Lopes, o Zé Personal, genro e herdeiro do espólio do também contraventor
Waldemir Paes Garcia, o Maninho, ex-presidente do Salgueiro.
- O crime foi
cometido em setembro de 2011. Cerca de cinco meses antes, o policial
militar conciliava o trabalho na corporação com o cargo de chefe da
segurança dos pontos de jogo do bicho e máquinas caça-níquel de Zé
Personal, até ser demitido da função. As investigações não avançaram, e
ele nunca respondeu pelo crime. No entanto, foi expulso da PM, em dezembro
de 2013, após responder a um conselho de justificação por ligação com o
jogo do bicho.
- Em 2015, a mãe
de Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, ingressou na Alerj,
quando trabalhou para o Partido Progressistas (PP). No ano seguinte,
passou para o gabinete de Flávio Bolsonaro, à época deputado estadual pelo
próprio PP.
- Em 14 de
novembro de 2018, foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de
Janeiro a exoneração de Raimunda e de Danielle, então ex-esposa de Adriano
da Nóbrega. A saída ocorreu após o surgimento de denúncias de
"rachadinhas" no gabinete de Flávio Bolsonaro. O caso foi
arquivado em 2021 após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).
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"Inclusive, eu pedia muito que houvesse a [Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito] CPMI do Banco Master. Eu já assinei a CPMI."
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A declaração é #FATO: Veja por quê:
- Desde o começo
do escândalo envolvendo o Banco Master, o Congresso recebeu sete pedidos
diferentes para criar comissões destinadas a investigar o caso. Uma na
Câmara dos Deputados, de autoria do deputado federal Rodrigo Rollemberg
(PSB-DF), três no Senado Federal, por parlamentares da base e da oposição,
e outros três pedidos para comissões mistas, no Congresso Nacional.
- O senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), assinou duas propostas. Uma criada pelo deputado
federal Carlos Jordy (PL-RJ), em 3 de fevereiro, três meses de terem sido
tornados públicos os áudios com conversas entre o candidato à Presidência
e Vorcaro. E outra, proposta pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), assinada
em 15 de maio, dois dias depois de mensagens do senador pedindo dinheiro
ao ex-banqueiro terem sido reveladas.
- Em ambos os
casos, as assinaturas de apoio foram para pedidos de investigação do caso
pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em conjunto.
<><>
"É um PIX, que foi ali criado no governo do presidente Bolsonaro."
>>>>>>
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- A portaria do
Banco Central 97.909, que instituiu o grupo de trabalho para desenvolver
uma ferramenta interbancária de pagamento instantâneo (à época, sem o nome
de PIX) foi publicada em 3 de maio de 2018, quando Michel Temer era o
presidente. Jair Bolsonaro tomou posse meses depois, em 1º de janeiro
de 2019.
- O comunicado
32.927, divulgado pelo BC em 21 de dezembro de 2018, informou que uma
reunião realizada na véspera havia aprovado os requisitos fundamentais
para o ecossistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
- Em 3 de agosto
de 2022, o Fato ou Fake publicou a
seguinte checagem: É #FAKE que Bolsonaro foi o
criador do PIX.
Questionada na ocasião, a assessoria de imprensa do BC enviou uma nota
dizendo: "O PIX foi desenvolvido pelo BC ao longo de um processo
evolutivo. As especificações, o desenvolvimento do sistema e a construção
da marca se deram entre 2019 e 2020, culminando com seu lançamento em
novembro de 2020. A agenda evolutiva do PIX é permanente e prevê o
lançamento de diversas novas funcionalidades, a serem entregues nos vários
anos à frente".
- Já Sindicato
Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) afirmou que o sistema
de pagamento instantâneo foi criado e implementado pelos analistas e
técnicos, servidores concursados do BC.
- O PIX começou a funcionar em 16 de
novembro de 2020,
durante o governo Bolsonaro. Mas, já a partir de 5 de outubro daquele ano,
era possível fazer o cadastramento das chaves. Questionado naquela mesma
data por um apoiador sobre o sistema, o então presidente respondeu:
"Tem um documento aí, da turma do Tarcísio [de Freitas, então
ministro de Infraestrutura] esta semana que vai praticamente
desregulamentar, desburocratizar tudo sobre aviação civil aí, carteira de
habilitação para piloto".
- Ao perceber que
Bolsonaro não havia entendido a referência, o apoiador disse: "Esse é
do Banco Central, para pagamentos". O presidente, então, respondeu:
"Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o Roberto
Campos Neto [então presidente do BC]".
<><>
“O único representante público, o único agente público brasileiro que foi para
os Estados Unidos defender o
Brasil [do tarifaço imposto pelo governo americano] foi Flávio Bolsonaro. O
governo do Lula não mandou umzinho para fazer a defesa no momento adequado lá
fora.”
>>>>>>
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- Em 2 de abril de
2025, Donald Trump anunciou tarifas adicionais de 10% sobre
as importações de produtos brasileiros. Em 6 de agosto, entrou em vigor uma sobretaxa
adicional de
40%, assinada no mês anterior, elevando o
total para 50%. Apesar disso, o governo americano decidiu deixar quase 700
itens sem a cobrança extra.
- Em 6 de outubro,
Lula e Trump conversaram por telefone durante
cerca de 30 minutos, e o presidente brasileiro pediu ao americano para
revogar o tarifaço.
- Em 16 de
outubro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se na Casa Branca com o
secretário de Estado americano, Marco Rubio. "Reiterei a posição
brasileira, transmitida diretamente pelo presidente Lula ao presidente
Trump na semana passada, sobre a necessidade de reversão das medidas
adotadas pelo governo norte-americano desde julho".
- Em 20 de
novembro, os Estados Unidos anunciaram a retirada da tarifa de 40% de
alguns produtos brasileiros, como carne bovina e café, totalizando
mais de 200 itens.
- Em 7 de maio de
2026, Lula esteve pessoalmente nos Estados Unidos para uma reunião com Trump na Casa Branca. Após o
encontro, o americano escreveu em uma rede
social:
“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito
dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio
e, especificamente, tarifas”.
- Lula estava acompanhado das seguintes
autoridades:
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; Dario Durigan, ministro da
Fazenda; Márcio Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; e Wellington
César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.
- Em 26 de maio de
2026 foi a vez de Flávio Bolsonaro se reunir com Trump na da Casa
Branca.
Participaram desse encontro o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), irmão de Flávio, e o youtuber Paulo Figueiredo.
- Já em 7 de
julho, Flávio Bolsonaro discursou em uma das audiências
públicas nos
Estados Unidos promovida pelo Escritório do Representante de Comércio
americano (USTR, na sigla em inglês). A audiência era aberta a
interessados que se inscreverem, caso do senador e candidato ganhou o
espaço para falar no a presidente, que teve atuação independente e sem
relação com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
- Já o governo
federal não enviou representantes para falar pelo Executivo nas
audiências. A embaixada brasileira em
Washington optou por mandar representantes na
condição de observadores. O entendimento do governo foi o de que aquele
espaço, de audiências públicas, não era o adequado para negociação
real, preferindo conversas técnicas.
- O entendimento
do governo brasileiro é que este espaço, das audiências públicas, não é o
adequado para negociação real, e sim, as conversas técnicas e de alto
nível que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os
próximos dias.
- Em 24 de julho,
o governo Trump aplicou um novo tarifaço, agora de 12,5%, sobre produtos
brasileiros.
<><>
"Foram mais de 32 milhões de pessoas que não foram votar nas eleições de
2022, e ela foi decidida por algo próximo de 2 milhões de votos."
>>>>>>A
declaração é #FATO. Veja por quê:
- Nas eleições
presidenciais de 2022, 32,7 milhões de brasileiros deixaram de votar no
primeiro turno, segundo dados disponíveis no site do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). O nível de abstenção, de 20,9%, foi o mais
alto desde as eleições de 1998, quando 21,5% do eleitorado não votou.
- Já no segundo
turno, 32,2 milhões de eleitores não
compareceram às urnas, o que representa 20,59% da população apta a votar,
o menor percentual desde 2006. Foi a primeira vez que a abstenção no
segundo turno foi menor do que a do primeiro turno.
- No 2º turno,
Lula teve 60,345.999 votos, enquanto Jair Bolsonaro (PL), 58.206.354). A
diferença foi de 2.139.654.
<><>
"Organização criminosa armada? Que organização? As pessoas que estavam
naquele 8 de janeiro não se conheciam. Nunca se viram na vida."
>>>>>>
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- Investigações da
Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e acórdãos
do Supremo Tribunal Federal (STF) demonstraram que os detidos e condenados
pelo 8 de Janeiro se organizaram previamente em caravanas rumo à capital
federal, conviveram por cerca de dois meses no acampamento do
Quartel-Geral do Exército em Brasília e mantêm, em alguns casos, laços de
parentesco diretos. Entre os crimes imputados, estão organização
criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado,
dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
- Uma reportagem
publicada no g1 na época
relatou que havia articulações por radicais
em aplicativos de mensagem, como o Telegram e o WhatsApp, nos dias
prévios ao 8 de Janeiro para convocar e organizar caravanas em diferentes
estados com destino à capital federal. Uma fase da Operação Lesa Pátria da
PF, deflagrada em agosto de 2023, cumpriu 16 mandados de busca e apreensão
e dez de prisão contra integrantes de um grupo de organizadores dos atos,
que se referiam ao 8 de Janeiro como "Festa da Selma". Segundo
relatório da PF obtido pelo g1, o termo era
"utilizado para convidar e organizar transporte para as invasões,
além de compartilhar coordenadas e instruções detalhadas para a invasão
aos prédios públicos".
- Os
investigadores apontaram ainda que as mensagens recomendavam "não
levar idosos e crianças, se preparar para enfrentar a polícia" e
defendiam "termos como guerra, ocupar o Congresso e derrubar o
governo constituído".
- Desde o
resultado do 2º turno da eleição de 2022, que confirmou a derrota do
ex-presidente Jair Bolsonaro, até os fatos do 8 de Janeiro, começaram a se
reunir em um acampamento montado em frente ao Quartel-Geral do Exército,
no Setor Militar Urbano de Brasília. Cenas acompanhadas pela TV Globo ao
longo de 2 meses mostraram participantes em momentos de reza coletiva,
interagindo em eventos para arrecadar dinheiro e comendo churrasco em
tendas de alimentação gratuita.
Fonte:
g1

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