Cerimedo
e sócio, Damián Merlo, assessoraram Bolsonaro, diz site argentino
Preso
na Bolívia acusado de ser o mandante da tentativa de assassinato da ex, a
advogada Nádia Beller, o argentino Fernando Cerimedo, personagem central de uma
rede transnacional de comunicação política da extrema direita latino-americana,
não atuava sozinho no Brasil. Seu sócio nos Estados Unidos, Damián Merlo
Debernardi, também teria assessorado Jair Bolsonaro (PL), segundo reportagem
publicada pelo site argentino Página/12 neste sábado (29). Os dois aparecem
ligados ainda às campanhas de Javier Milei, na Argentina, e de Rodrigo Paz, na
Bolívia, além de trabalhos relacionados a outros nomes da direita regional.
Cerimedo
e Merlo não aparecem apenas como produtores de propaganda eleitoral, mas como
parte de uma estrutura que envolve comunicação, lobby e acesso a instituições
políticas dos EUA. O jornal argentino afirma que os dois assessoraram Jair
Bolsonaro, Javier Milei, Nayib Bukele e Rodrigo Paz, entre outros líderes da
direita latino-americana.
Os dois
aparecem ligados a campanhas de Milei e Paz, além de outros nomes da direita
regional, por meio de empresas na Argentina e nos EUA que atuam em comunicação
política e articulação com círculos de poder em Washington.
Argentino-estadunidense
e proprietário da consultoria Latin America Advisory Group (LAAG), Merlo
aparece em registros apresentados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos
sob a legislação conhecida como FARA, que obriga o registro de determinadas atividades
realizadas em nome de interesses estrangeiros.
Segundo
documentos analisados por reportagens sobre a estrutura, Merlo foi contratado
em 2023 pela NUMEN, empresa ligada a Cerimedo, para prestar serviços de
relações públicas e articulação com o Congresso, a imprensa e centros de
estudos em favor da campanha presidencial de Milei.
A
revelação joga luz sobre uma estrutura que vai muito além do conhecido papel de
Cerimedo como estrategista digital. A partir de empresas instaladas na
Argentina e nos Estados Unidos, o grupo passou a atuar em campanhas eleitorais,
comunicação política e articulação com círculos de poder em Washington.
E há um
dado financeiro que chama atenção: em seu primeiro depoimento formal às
autoridades bolivianas, obtido pelo jornal argentino La Nación, Cerimedo
afirmou ter acumulado cerca de US$ 1 milhão por mês em 2025 e em 2026, com
atividades realizadas fora da Bolívia. Ele disse atuar como consultor político
em diferentes países e possuir empresas na Argentina e nos Estados Unidos.
Na
segunda-feira (24), reportagem da Fórum mostrou que Damián Merlo, sócio de
Cerimedo, pode explicar os milhões de dólares de Daniel Vorcaro ao clã
Bolsonaro depoistados no fundo Havengate, nos EUA.
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O sócio que abriu as portas de Washington
A
reportagem de Gustavo Veiga no Página/12 apresenta Damián Merlo Debernardi como
o homem que ajudou a abrir para Cerimedo as portas de Washington.
Argentino-estadunidense
e proprietário da empresa Latin America Advisory Group (LAAG), Merlo aparece em
registros apresentados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos sob a
legislação conhecida como FARA, que obriga o registro de determinadas atividades
realizadas em nome de interesses estrangeiros.
Segundo
documentos analisados por reportagens sobre a estrutura, Merlo foi contratado
em 2023 pela NUMEN, empresa ligada a Cerimedo, para realizar serviços de
relações públicas e contatos com Congresso, imprensa e centros de estudos em
favor da campanha presidencial de Milei.
É
justamente nesse ponto que a história ganha dimensão internacional.
Cerimedo
e Merlo não aparecem apenas como profissionais contratados para produzir peças
de propaganda eleitoral. A estrutura descrita pelos documentos envolve
comunicação, lobby, relações públicas e acesso a instituições políticas dos
Estados Unidos.
O
Página/12 afirma que os dois assessoraram Jair Bolsonaro, Javier Milei, Nayib
Bukele e Rodrigo Paz, entre outros líderes da direita latino-americana.
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A conexão com Bolsonaro
A
relação de Cerimedo com o bolsonarismo não é nova. Em 2022, o argentino ganhou
projeção no Brasil ao participar de uma transmissão nas redes sociais na qual
apresentou alegações falsas sobre as urnas eletrônicas e tentou colocar em
dúvida a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro.
Cerimedo
também manteve relação próxima com Eduardo Bolsonaro. Uma fotografia publicada
pelo La Nación mostra os dois juntos durante uma visita do filho do
ex-presidente à Argentina. O próprio Eduardo já afirmou publicamente que
Cerimedo havia “ajudado o Brasil”.
A
novidade agora é a dimensão da relação: segundo o Página/12, Merlo Debernardi
também assessorou Jair Bolsonaro.
Ou
seja, o que aparece é uma dupla de estrategistas com atuação internacional e
trânsito entre diferentes grupos da direita radical latino-americana.
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US$ 1 milhão por mês
O dado
financeiro foi revelado em uma declaração prestada por Cerimedo às autoridades
bolivianas durante uma investigação sobre seu patrimônio. Questionado sobre sua
renda mensal em 2025, respondeu que recebia aproximadamente US$ 1 milhão por
mês com atividades fora da Bolívia.
Para
2026, afirmou que o valor era semelhante, embora tenha feito a ressalva de que
se tratava de uma média considerando o período do ano e os rendimentos de suas
empresas no exterior.
Cerimedo
declarou possuir a empresa Numen Group nos Estados Unidos e uma empresa de
publicidade na Argentina, com cerca de 35 funcionários, duas unidades e 12
clientes. Também citou uma academia de tecnologia, uma produtora audiovisual e
outras empresas. Não informou, contudo, os nomes de seus clientes.
O valor
informado é uma declaração do próprio Cerimedo, e não uma comprovação
independente de que ele tenha efetivamente recebido US$ 1 milhão todos os
meses. Ainda assim, a cifra é relevante porque ajuda a dimensionar o tamanho do
negócio que ele próprio descreve às autoridades.
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O dinheiro, as empresas e a política
A
declaração de Cerimedo ocorreu no contexto de uma investigação boliviana sobre
suposto enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.
Segundo
o La Nación, o argentino afirmou possuir contas bancárias na Argentina e nos
Estados Unidos e disse que seus bens estavam registrados em seu próprio nome.
Ele também declarou que sua atuação na Bolívia incluía serviços de “comunicação
digital” para Rodrigo Paz durante a campanha eleitoral de 2025.
Há,
porém, contradições interessantes em seu depoimento. Questionado sobre quem
coordenava suas atividades na Bolívia, Cerimedo respondeu que era ele próprio.
Perguntado sobre seu principal contato dentro do entorno de Paz, respondeu: o
próprio presidente.
Ao
mesmo tempo, quando questionado sobre quem lhe fornecia informações para
realizar suas atividades e quem financiava seu trabalho, respondeu que ninguém.
Cerimedo também disse não se lembrar de quem o havia colocado em contato com
Paz e afirmou que não havia contrato escrito para seus serviços durante a
campanha.
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A máquina digital
A
atuação da dupla também passa pelo terreno da comunicação digital. Reportagens
baseadas em documentos e registros nos Estados Unidos descrevem uma estrutura
empresarial articulada entre Miami e Washington. A NUMEN Advisors LLC,
constituída na Flórida em 2023, aparece como uma das peças dessa arquitetura,
ao lado de plataformas de comunicação como La Derecha Diario e UHN Plus.
No caso
de Merlo, registros do FARA documentam atividades junto a escritórios do
Congresso americano e contatos com integrantes do governo e de centros de
influência política em Washington.
A
estrutura também passou a chamar atenção na Bolívia depois que autoridades
encontraram uma espécie de “faazenda de bots” em um imóvel relacionado a
Cerimedo. A suspeita é de que equipamentos e contas fossem utilizados para
gerar interações em massa e interferir artificialmente no debate político nas
redes sociais.
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Da eleição brasileira à rede latino-americana
A
trajetória de Cerimedo ajuda a compreender como a extrema direita
latino-americana passou a compartilhar não apenas discursos e bandeiras, mas
também profissionais, empresas, métodos e estruturas digitais.
Brasil,
Argentina, Bolívia e outros países passaram a fazer parte de um mesmo circuito
de consultores e operadores políticos.
No caso
brasileiro, Cerimedo ganhou notoriedade ao atuar na ofensiva contra o sistema
eleitoral durante a campanha de 2022. Depois, sua trajetória avançou para a
Argentina de Milei e, mais recentemente, para a Bolívia de Rodrigo Paz.
Agora,
a reportagem do Página/12 acrescenta uma peça importante a esse quebra-cabeça:
seu sócio Damián Merlo também teria trabalhado para Jair Bolsonaro.
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De Bukele ao MAGA
O nome
de Merlo ganhou ainda mais relevância com a ascensão de Nayib Bukele, ícone da
ultradireita, em El Salvador. Documentos do governo salvadorenho registrados no
FARA mostram que a Latin America Advisory Group, de Merlo, prestou serviços de
assessoria de assuntos governamentais à Presidência de El Salvador. Um contrato
de extensão referente a 2022 estabeleceu pagamentos de até US$ 390 mil, em seis
parcelas de US$ 65 mil. O documento é assinado por Merlo e pela Presidência
salvadorenha.
A
relação com Bukele é descrita também pela revista The New Yorker. Em reportagem
publicada no último dia 18 de agosto, o jornalista Daniel Castro identifica
Merlo como um lobista argentino-americano que trabalha para figuras políticas
latino-americanas de direita e que atuou como assessor de política externa de
Bukele. Segundo o próprio Merlo, ele conheceu o salvadorenho quando ainda era
prefeito de San Salvador e trabalhou com ele desde a campanha presidencial de
2019.
Merlo
diz ter ajudado a organizar entrevistas de Bukele, inclusive uma conversa com o
mesmo Tucker Carlson em 2024, que ultrapassou 7 milhões de visualizações no
YouTube. Ele também afirma ter passado a noite com Bukele preparando seu
discurso para a Assembleia Geral da ONU de 2019, ocasião em que o presidente
salvadorenho fez a famosa selfie no púlpito. Segundo Merlo, o próprio Bukele
dirigia pessoalmente boa parte da produção de seu conteúdo.
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O clã Bolsonaro
Em
2022, Cerimedo ganhou notoriedade no Brasil ao participar de uma transmissão
nas redes sociais na qual apresentou alegações falsas sobre as urnas
eletrônicas e tentou colocar em dúvida a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva
sobre Jair Bolsonaro.
A New
Yorker situa a visita de Flávio Bolsonaro ao CECOT, a gigantesca prisão
construída por Bukele, dentro de um movimento mais amplo de exportação do
modelo salvadorenho para a direita latino-americana. A conexão é relevante
porque o próprio Merlo é apresentado como um dos operadores da projeção
internacional de Bukele e da aproximação do presidente salvadorenho com o MAGA
e a Casa Branca.
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O modelo de Bukele e Flávio Bolsonaro
A New
Yorker coloca a visita de Flávio Bolsonaro ao CECOT, a gigantesca prisão
construída por Bukele, dentro de um movimento maior de exportação do modelo
salvadorenho para a direita latino-americana.
A
reportagem afirma que o presídio e a militarização da segurança pública em El
Salvador deixaram de ser apenas instrumentos de propaganda de Bukele e passaram
a funcionar como um “playbook” eleitoral. Flávio Bolsonaro aparece entre os
políticos que adotaram essa estratégia e, segundo o texto, fez uma peregrinação
ao CECOT em 2025.
A
conexão é relevante porque o próprio Merlo é apresentado pelo New Yorker como
um dos operadores da projeção internacional de Bukele e da aproximação do
presidente salvadorenho com o MAGA e a Casa Branca.
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Cerimedo está preso na Bolívia
Cerimedo
está em prisão preventiva na Bolívia no âmbito de uma investigação sobre um
ataque a tiros contra sua ex-companheira, a advogada e analista política Nadia
Beller. Ele nega envolvimento no atentado.
As
autoridades bolivianas também abriram investigações por suposto enriquecimento
ilícito e lavagem de dinheiro e passaram a apurar possíveis vínculos com o
tráfico de drogas. As acusações ainda estão sob investigação e não representam
condenação.
Em uma
mensagem divulgada por seus advogados, Cerimedo negou ter tido autorização para
representar Rodrigo Paz ou sua família e afirmou que seu papel como colaborador
não lhe dava poder para tomar decisões em nome do governo.
A
carta, porém, não responde à questão que começa a emergir da própria
documentação: qual era exatamente o tamanho da estrutura política e empresarial
construída por Cerimedo e seus sócios para atuar nas campanhas da direita
latino-americana?
A cifra
de US$ 1 milhão mensais declarada pelo próprio argentino, a sociedade com Merlo
Debernardi e os registros de atuação política nos Estados Unidos ajudam a
colocar essa pergunta no centro da investigação.
Fonte:
Fórum/Opera Mundi

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