Quem
será o último a segurar a alça do caixão da candidatura natimorta de Flávio
Corruptus?
Na
política, há um momento em que a principal notícia deixa de ser quem chega para
apoiar uma candidatura e passa a ser quem decide deixá-la. Quando os anúncios
de adesão dão lugar às sucessivas deserções, quando antigos aliados se calam,
quando influenciadores mudam o discurso e veículos de comunicação antes
simpáticos passam a adotar uma postura crítica, o sinal de alerta deixa de ser
circunstancial e passa a indicar um problema político mais profundo.
Foi
essa reflexão que motivou nosso artigo anterior, “Uma candidatura natimorta
para o bem do Brasil”. É apresentada a candidatura de Flávio Bolsonaro, que
enfrentava dificuldades estruturais desde sua origem. Os acontecimentos
posteriores parecem reforçar esse diagnóstico.
Ao
longo dos últimos meses, observa-se um processo de isolamento político que
merece atenção. Parte de antigos aliados passou a adotar uma postura mais
cautelosa; algumas lideranças da direita deixaram de tratar a candidatura como
inevitável; influenciadores que antes reproduziam automaticamente o discurso
bolsonarista passaram a fazer ressalvas públicas ou simplesmente reduziram o
entusiasmo. Em política, o silêncio também comunica.
O apoio
de Jair Bolsonaro a Flávio concentra boa parte do eleitorado mais fiel ao
ex-presidente. Isso dificulta o surgimento de outros nomes competitivos no
mesmo campo político, mas também impede que a direita amplie seu alcance para
além do núcleo mais identificado com o bolsonarismo. O resultado é um cenário
de fragmentação e indefinição.
Nesse
contexto, cresce o debate sobre os rumos do eleitorado conservador. Permanecer
fiel à candidatura? Buscar alternativas? Ou simplesmente abandonar a disputa
por meio da abstenção, do voto branco ou do voto nulo? Essas possibilidades
passaram a integrar o debate político justamente porque o cenário deixou de ser
de consenso dentro da própria direita.
Também
chama atenção o comportamento de setores da imprensa e de influenciadores
digitais que, durante anos, atuaram como importantes amplificadores do
bolsonarismo. Em diferentes graus, muitos passaram a adotar um tom mais crítico
ou a se distanciar da candidatura. As razões variam: divergências estratégicas,
avaliação eleitoral, mudanças no contexto político ou simples cálculo de
sobrevivência. Independentemente da motivação, o movimento merece ser
observado.
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O isolamento começa em casa
Uma
candidatura começa a perder força quando deixa de ser criticada apenas pelos
adversários e passa a enfrentar resistência entre aqueles que, até pouco tempo
atrás, eram seus principais aliados. É justamente esse movimento que se observa
em torno de Flávio Bolsonaro.
Silas
Malafaia, um dos mais influentes líderes evangélicos do bolsonarismo e um dos
principais articuladores da direita conservadora nos últimos anos, longe de
endossar automaticamente a candidatura de Flávio, reagiu publicamente com
críticas duras à forma como ela foi lançada. Classificou a estratégia como
“amadora”, afirmou que “isso não é negócio de família”, disse que a direita
“não pode aceitar imposições” e chegou a defender que um projeto liderado por
Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro compondo a chapa, teria maior
viabilidade eleitoral. Também declarou não enxergar em Flávio a “musculatura
política” necessária para vencer uma eleição presidencial.
A
crítica ganha peso justamente porque parte de alguém que esteve entre os
principais sustentáculos políticos e religiosos de Jair Bolsonaro. Quando uma
liderança dessa dimensão passa a questionar publicamente a estratégia do
próprio grupo político, a mensagem é clara: o consenso interno deixou de
existir.
As
divergências também apareceram dentro do próprio núcleo bolsonarista.
Reportagens registraram incômodo entre aliados da pré-campanha com a condução
de crises políticas recentes, apontando falta de coordenação e erros de
articulação. Em vez da imagem de unidade que costuma marcar campanhas
competitivas, passaram a surgir sinais públicos de desconforto entre pessoas
próximas ao projeto político.
Nem
mesmo Michelle Bolsonaro escapou das especulações sobre os rumos da direita. Em
diferentes momentos, seu nome foi apontado por aliados como alternativa para
compor uma chapa com Tarcísio de Freitas, refletindo a percepção de que outros
nomes poderiam apresentar maior capacidade de ampliar alianças e dialogar para
além do eleitorado bolsonarista tradicional. Embora Michelle tenha manifestado
apoio público a Flávio, as discussões em torno de seu papel e de possíveis
composições alternativas evidenciaram as tensões existentes no campo
conservador.
A
imprensa também passou a registrar esse processo de desgaste. Veículos como
Folha de S.Paulo, CartaCapital, Jovem Pan, Brasil de Fato e outros dedicaram
espaço não apenas à pré-candidatura, mas sobretudo às divergências internas na
direita, ao questionamento de sua viabilidade eleitoral e às disputas pelo
comando do campo conservador. Ainda que cada veículo adote uma linha editorial
distinta, o fato de todos tratarem o isolamento político como notícia demonstra
que o debate deixou de ser uma percepção restrita aos adversários e passou a
fazer parte da própria agenda pública.
Isolado
e sem alianças, Flávio Bolsonaro vê articulação com o centrão ruir, e PL admite
“tragédia”. Na política, derrotas raramente começam nas urnas. Elas costumam
começar quando os aliados deixam de demonstrar convicção, quando as lideranças
passam a defender alternativas e quando a unidade dá lugar à disputa interna.
• É um apelo: não seja vencido pela
covardia, Flávio Bolsonaro. Por Moisés Mendes
A
pesquisa Nexus/BTG desta semana montou Ronaldo Caiado num cavalo branco e
anunciou que o goiano pode até empatar com Lula num segundo turno. Lula teria
45% e Caiado ficaria com 43%. Mas essas pesquisas estranhas não querem assustar
Lula. A intenção é acossar Flávio Bolsonaro e o entorno vacilante que ainda o
apoia.
A
pesquisa Nexus arranjou números que pedem pressa ao processo de destruição da
candidatura do filho ungido, com a reafirmação exagerada de um dado que vem
sendo insinuado: é possível que, nesse momento, outro nome qualquer seja tão ou
mais competitivo do que Flávio.
Mas
Caiado só existirá como alternativa se Flávio cair fora. Pelas regras
eleitorais, o prazo para que um candidato diga se fica ou sai é 5 de agosto.
Flávio pode continuar depois dessa data e renunciar mais adiante, desde que 20
dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Se,
depois de confirmado em convenção, com a bênção de Milei, Flávio desistir antes
de 5 de agosto, será terrível para a extrema direita. Se decidir continuar e
renunciar no prazo de 20 dias antes da eleição, será trágico.
Com sua
desistência, a família seria implodida como núcleo do bolsonarismo, e não
necessariamente o próprio bolsonarismo como acolhedor do ultraconservadorismo
extremista e dos agregados da velha direita. Seria o fim do plano de apresentar
Flávio, Eduardo e Carluxo como herdeiros legítimos do pai.
A
destruição da estrutura familiar seria a morte do próprio Jair Bolsonaro como
mito orientador do que ele criou a partir da eleição de 2018 e manteve até
agora, mesmo derrotado na eleição de 2022 e também após o golpe fracassado.
Mas não
significaria o fim do bolsonarismo, de Michelle e tampouco de Jair Renan, o
filho renegado pelos outros três. A implosão do núcleo dos três filhos que se
consideram herdeiros significaria a ascensão de Michelle, já então como
senadora por Brasília, e de Jair Renan como deputado federal por Santa
Catarina. Fora da família, Tarcísio de Freitas se veria livre das amarras dos
filhos ciumentos.
Flávio
pode saltar fora até 5 de agosto e optar pela tentativa de reeleição ao Senado
pelo Rio. Mas, depois disso, se desistir, não poderá ser candidato a mais nada,
ou seja, seu vacilo vai até 5 de agosto.
Flávio
não pode se acovardar, em nome de mais um fato já histórico envolvido nessa
eleição. É agora que os filhos terão de provar que têm condições de herdar as
ideias, as bases, as crueldades e todas as formas de violência política
herdadas do pai.
Flávio
precisa enfrentar Lula, sem medo do cavalo branco de Caiado, da Globo, do
centrão, do agro pop e da Faria Lima. Seu irmão Eduardo não desistiria. Trump,
Milei e seus amigos do fascismo mundial ficariam desolados e envergonhados.
Grandes
adversários, mesmo os inimigos da democracia, não podem oferecer a seus
oponentes a chance de vitórias pífias. Flávio ainda é, pelo que representa por
imposição do pai, um inimigo a ser respeitado.
Lula
precisa derrotá-lo, Flávio Bolsonaro. Como fez ao sair do cárcere político e
enfrentar e vencer seu pai. Só assim poderá cumprir seu quarto mandato e se
despedir da política. Não permita, Flávio Bolsonaro, que Lula vença um Caiado
qualquer.
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Carlos Jordy resolve atacar Moraes e o PT após caso de vídeo gerado por IA
envolvendo a família Bolsonaro
O
deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) resolveu atacar o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (29), pela rede
social X, e, mesmo sem apresentar provas, acusou o magistrado de fazer uma
“parceria com o PT” para transformar “o STF em uma espécie de tribunal
eleitoral paralelo ao assumir um caso que caberia exclusivamente à Justiça
Eleitoral”.
“No
episódio envolvendo o vídeo com IA exibido na convenção de Flávio Bolsonaro,
ele cria uma armadilha e passa a atuar em uma esfera que não lhe compete”,
escreveu Jordy.
O
parlamentar bolsonarista fez referência à decisão anunciada pelo ministro
Alexandre de Moraes, que determinou que Jair Bolsonaro preste esclarecimentos
sobre o vídeo gerado com inteligência artificial (IA), no qual o ex-mandatário
declara apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O PT
abriu duas frentes no Judiciário. Uma delas foi apresentada ao Supremo. A outra
é analisada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o ministro Kassio Nunes
Marques será o relator da ação apresentada pela equipe jurídica do Partido dos
Trabalhadores. O magistrado do TSE também ocupa uma cadeira no STF, para a qual
foi indicado em 2020 por Jair Bolsonaro.
Ataques
ao Poder Judiciário são uma tática da extrema direita brasileira, inspirada nos
Estados Unidos e nas ideias do ex-estrategista do presidente estadunidense
Donald Trump, do Partido Republicano. Conforme denunciam lideranças do campo
progressista na América Latina, essa forma de atuação política tem como
objetivo promover um golpe de Estado.
No
Brasil, ministros do STF condenaram Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão no
julgamento da trama golpista. Moraes foi relator da apuração que resultou na
condenação de outras 28 pessoas. Em outra frente, a Corte condenou mais de 1,4
mil pessoas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de
Jair Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).
Em
novembro de 2022, o TSE multou o PL, partido da extrema direita brasileira, em
R$ 22,9 milhões. A decisão foi anunciada após a legenda questionar a
confiabilidade das urnas eletrônicas.
Nos
EUA, a extrema direita também apoiou tentativas de ruptura institucional.
Apoiadores de Trump invadiram o Capitólio e acusaram o sistema eleitoral de ser
fraudulento durante manifestações golpistas em janeiro de 2021, depois que ele
perdeu a eleição para Joe Biden, do Partido Democrata.
Fonte:
Por Fancisco Calmon, em Brasil 247

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