quinta-feira, 30 de julho de 2026

Quem será o último a segurar a alça do caixão da candidatura natimorta de Flávio Corruptus?

Na política, há um momento em que a principal notícia deixa de ser quem chega para apoiar uma candidatura e passa a ser quem decide deixá-la. Quando os anúncios de adesão dão lugar às sucessivas deserções, quando antigos aliados se calam, quando influenciadores mudam o discurso e veículos de comunicação antes simpáticos passam a adotar uma postura crítica, o sinal de alerta deixa de ser circunstancial e passa a indicar um problema político mais profundo.

Foi essa reflexão que motivou nosso artigo anterior, “Uma candidatura natimorta para o bem do Brasil”. É apresentada a candidatura de Flávio Bolsonaro, que enfrentava dificuldades estruturais desde sua origem. Os acontecimentos posteriores parecem reforçar esse diagnóstico.

Ao longo dos últimos meses, observa-se um processo de isolamento político que merece atenção. Parte de antigos aliados passou a adotar uma postura mais cautelosa; algumas lideranças da direita deixaram de tratar a candidatura como inevitável; influenciadores que antes reproduziam automaticamente o discurso bolsonarista passaram a fazer ressalvas públicas ou simplesmente reduziram o entusiasmo. Em política, o silêncio também comunica.

O apoio de Jair Bolsonaro a Flávio concentra boa parte do eleitorado mais fiel ao ex-presidente. Isso dificulta o surgimento de outros nomes competitivos no mesmo campo político, mas também impede que a direita amplie seu alcance para além do núcleo mais identificado com o bolsonarismo. O resultado é um cenário de fragmentação e indefinição.

Nesse contexto, cresce o debate sobre os rumos do eleitorado conservador. Permanecer fiel à candidatura? Buscar alternativas? Ou simplesmente abandonar a disputa por meio da abstenção, do voto branco ou do voto nulo? Essas possibilidades passaram a integrar o debate político justamente porque o cenário deixou de ser de consenso dentro da própria direita.

Também chama atenção o comportamento de setores da imprensa e de influenciadores digitais que, durante anos, atuaram como importantes amplificadores do bolsonarismo. Em diferentes graus, muitos passaram a adotar um tom mais crítico ou a se distanciar da candidatura. As razões variam: divergências estratégicas, avaliação eleitoral, mudanças no contexto político ou simples cálculo de sobrevivência. Independentemente da motivação, o movimento merece ser observado.

<><> O isolamento começa em casa

Uma candidatura começa a perder força quando deixa de ser criticada apenas pelos adversários e passa a enfrentar resistência entre aqueles que, até pouco tempo atrás, eram seus principais aliados. É justamente esse movimento que se observa em torno de Flávio Bolsonaro.

Silas Malafaia, um dos mais influentes líderes evangélicos do bolsonarismo e um dos principais articuladores da direita conservadora nos últimos anos, longe de endossar automaticamente a candidatura de Flávio, reagiu publicamente com críticas duras à forma como ela foi lançada. Classificou a estratégia como “amadora”, afirmou que “isso não é negócio de família”, disse que a direita “não pode aceitar imposições” e chegou a defender que um projeto liderado por Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro compondo a chapa, teria maior viabilidade eleitoral. Também declarou não enxergar em Flávio a “musculatura política” necessária para vencer uma eleição presidencial.

A crítica ganha peso justamente porque parte de alguém que esteve entre os principais sustentáculos políticos e religiosos de Jair Bolsonaro. Quando uma liderança dessa dimensão passa a questionar publicamente a estratégia do próprio grupo político, a mensagem é clara: o consenso interno deixou de existir.

As divergências também apareceram dentro do próprio núcleo bolsonarista. Reportagens registraram incômodo entre aliados da pré-campanha com a condução de crises políticas recentes, apontando falta de coordenação e erros de articulação. Em vez da imagem de unidade que costuma marcar campanhas competitivas, passaram a surgir sinais públicos de desconforto entre pessoas próximas ao projeto político.

Nem mesmo Michelle Bolsonaro escapou das especulações sobre os rumos da direita. Em diferentes momentos, seu nome foi apontado por aliados como alternativa para compor uma chapa com Tarcísio de Freitas, refletindo a percepção de que outros nomes poderiam apresentar maior capacidade de ampliar alianças e dialogar para além do eleitorado bolsonarista tradicional. Embora Michelle tenha manifestado apoio público a Flávio, as discussões em torno de seu papel e de possíveis composições alternativas evidenciaram as tensões existentes no campo conservador.

A imprensa também passou a registrar esse processo de desgaste. Veículos como Folha de S.Paulo, CartaCapital, Jovem Pan, Brasil de Fato e outros dedicaram espaço não apenas à pré-candidatura, mas sobretudo às divergências internas na direita, ao questionamento de sua viabilidade eleitoral e às disputas pelo comando do campo conservador. Ainda que cada veículo adote uma linha editorial distinta, o fato de todos tratarem o isolamento político como notícia demonstra que o debate deixou de ser uma percepção restrita aos adversários e passou a fazer parte da própria agenda pública.

Isolado e sem alianças, Flávio Bolsonaro vê articulação com o centrão ruir, e PL admite “tragédia”. Na política, derrotas raramente começam nas urnas. Elas costumam começar quando os aliados deixam de demonstrar convicção, quando as lideranças passam a defender alternativas e quando a unidade dá lugar à disputa interna.

•        É um apelo: não seja vencido pela covardia, Flávio Bolsonaro. Por Moisés Mendes

A pesquisa Nexus/BTG desta semana montou Ronaldo Caiado num cavalo branco e anunciou que o goiano pode até empatar com Lula num segundo turno. Lula teria 45% e Caiado ficaria com 43%. Mas essas pesquisas estranhas não querem assustar Lula. A intenção é acossar Flávio Bolsonaro e o entorno vacilante que ainda o apoia.

A pesquisa Nexus arranjou números que pedem pressa ao processo de destruição da candidatura do filho ungido, com a reafirmação exagerada de um dado que vem sendo insinuado: é possível que, nesse momento, outro nome qualquer seja tão ou mais competitivo do que Flávio.

Mas Caiado só existirá como alternativa se Flávio cair fora. Pelas regras eleitorais, o prazo para que um candidato diga se fica ou sai é 5 de agosto. Flávio pode continuar depois dessa data e renunciar mais adiante, desde que 20 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Se, depois de confirmado em convenção, com a bênção de Milei, Flávio desistir antes de 5 de agosto, será terrível para a extrema direita. Se decidir continuar e renunciar no prazo de 20 dias antes da eleição, será trágico.

Com sua desistência, a família seria implodida como núcleo do bolsonarismo, e não necessariamente o próprio bolsonarismo como acolhedor do ultraconservadorismo extremista e dos agregados da velha direita. Seria o fim do plano de apresentar Flávio, Eduardo e Carluxo como herdeiros legítimos do pai.

A destruição da estrutura familiar seria a morte do próprio Jair Bolsonaro como mito orientador do que ele criou a partir da eleição de 2018 e manteve até agora, mesmo derrotado na eleição de 2022 e também após o golpe fracassado.

Mas não significaria o fim do bolsonarismo, de Michelle e tampouco de Jair Renan, o filho renegado pelos outros três. A implosão do núcleo dos três filhos que se consideram herdeiros significaria a ascensão de Michelle, já então como senadora por Brasília, e de Jair Renan como deputado federal por Santa Catarina. Fora da família, Tarcísio de Freitas se veria livre das amarras dos filhos ciumentos.

Flávio pode saltar fora até 5 de agosto e optar pela tentativa de reeleição ao Senado pelo Rio. Mas, depois disso, se desistir, não poderá ser candidato a mais nada, ou seja, seu vacilo vai até 5 de agosto.

Flávio não pode se acovardar, em nome de mais um fato já histórico envolvido nessa eleição. É agora que os filhos terão de provar que têm condições de herdar as ideias, as bases, as crueldades e todas as formas de violência política herdadas do pai.

Flávio precisa enfrentar Lula, sem medo do cavalo branco de Caiado, da Globo, do centrão, do agro pop e da Faria Lima. Seu irmão Eduardo não desistiria. Trump, Milei e seus amigos do fascismo mundial ficariam desolados e envergonhados.

Grandes adversários, mesmo os inimigos da democracia, não podem oferecer a seus oponentes a chance de vitórias pífias. Flávio ainda é, pelo que representa por imposição do pai, um inimigo a ser respeitado.

Lula precisa derrotá-lo, Flávio Bolsonaro. Como fez ao sair do cárcere político e enfrentar e vencer seu pai. Só assim poderá cumprir seu quarto mandato e se despedir da política. Não permita, Flávio Bolsonaro, que Lula vença um Caiado qualquer.

<><> Carlos Jordy resolve atacar Moraes e o PT após caso de vídeo gerado por IA envolvendo a família Bolsonaro

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) resolveu atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (29), pela rede social X, e, mesmo sem apresentar provas, acusou o magistrado de fazer uma “parceria com o PT” para transformar “o STF em uma espécie de tribunal eleitoral paralelo ao assumir um caso que caberia exclusivamente à Justiça Eleitoral”.

“No episódio envolvendo o vídeo com IA exibido na convenção de Flávio Bolsonaro, ele cria uma armadilha e passa a atuar em uma esfera que não lhe compete”, escreveu Jordy.

O parlamentar bolsonarista fez referência à decisão anunciada pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou que Jair Bolsonaro preste esclarecimentos sobre o vídeo gerado com inteligência artificial (IA), no qual o ex-mandatário declara apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O PT abriu duas frentes no Judiciário. Uma delas foi apresentada ao Supremo. A outra é analisada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o ministro Kassio Nunes Marques será o relator da ação apresentada pela equipe jurídica do Partido dos Trabalhadores. O magistrado do TSE também ocupa uma cadeira no STF, para a qual foi indicado em 2020 por Jair Bolsonaro.

Ataques ao Poder Judiciário são uma tática da extrema direita brasileira, inspirada nos Estados Unidos e nas ideias do ex-estrategista do presidente estadunidense Donald Trump, do Partido Republicano. Conforme denunciam lideranças do campo progressista na América Latina, essa forma de atuação política tem como objetivo promover um golpe de Estado.

No Brasil, ministros do STF condenaram Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão no julgamento da trama golpista. Moraes foi relator da apuração que resultou na condenação de outras 28 pessoas. Em outra frente, a Corte condenou mais de 1,4 mil pessoas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

Em novembro de 2022, o TSE multou o PL, partido da extrema direita brasileira, em R$ 22,9 milhões. A decisão foi anunciada após a legenda questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas.

Nos EUA, a extrema direita também apoiou tentativas de ruptura institucional. Apoiadores de Trump invadiram o Capitólio e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento durante manifestações golpistas em janeiro de 2021, depois que ele perdeu a eleição para Joe Biden, do Partido Democrata.

 

Fonte: Por Fancisco Calmon, em Brasil 247

 

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