Lula
critica protecionismo e afirma que Brasil e Coreia defenderam a democracia
contra o extremismo
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira (27), no
Palácio da Alvorada, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. O encontro
marca a primeira visita de um chefe de Estado sul-coreano ao Brasil em 11 anos
e a primeira viagem de Lee Jae-myung ao país. A recepção representou também a
última visita internacional que o presidente brasileiro receberá neste ano.
Em
declaração à imprensa realizada após a assinatura de atos bilaterais, Lula
enfatizou que a aproximação com o país asiático ocorre em um momento crucial de
transformações geopolíticas e de ameaças globais às instituições democráticas.
Ao ressaltar as origens humildes de ambos os líderes e a trajetória de
superação política que compartilham, o presidente Lula pontuou o compromisso
mútuo com a ordem constitucional: “Nós dois viemos da pobreza”, lembrou Lula,
acrescentando que “ambos soubemos defender as nossas democracias frente aos
ataques extremistas”.
Diante
do cenário internacional instável, Lula fez uma defesa enfática da diplomacia
multilateral e criticou o isolamento comercial promovido por grandes potências.
“Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as
nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, declarou, acrescentando que
“a paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, e sim da cooperação”.
Essa
visão estratégica embasa a política externa brasileira de reorientação para o
Oriente, segundo Lula. Segundo o presidente, a aproximação promovida durante
seu mandato busca conectar o Brasil a um dos principais vetores de expansão
econômica global. “A Ásia tornou-se um centro dinâmico da economia mundial”,
afirmou. “Para o Brasil, aproximar-se da Ásia significa aproximar-se de uma das
regiões que mais impulsiona o crescimento, a inovação e a transformação da
economia global”.
O chefe
do Executivo destacou a importância central de Seul nas relações internacionais
do país: “É nesse contexto que a Coreia ocupa um lugar especial”. Relembrando
os avanços alcançados em agendas passadas, Lula declarou: “Em Seul, nos
tornamos uma parceria estratégica e hoje estamos construindo uma parceria mais
ambiciosa e preparada para responder aos desafios de um mundo em rápida
transformação”.
Lula
elogiou a rápida modernização do país asiático e os expressivos investimentos
sul-coreanos em educação, inovação e capacidade industrial, “que fizeram da
Coreia uma referência mundial”, pontuando que “poucos países transformaram sua
realidade com tanta rapidez e consistência”.
A
aproximação entre os dois países também se reflete no campo sociocultural. O
presidente destacou o crescente interesse dos brasileiros pela Coreia do Sul,
por sua cultura e gastronomia. Além disso, o reconhecimento da rica herança
cultural brasileira ganhou dimensão internacional recente quando a UNESCO,
reunida em Busan, na Coreia do Sul, reconheceu o Teatro Amazonas, em Manaus
(AM), e o Teatro da Paz, em Belém (PA), como Patrimônio Mundial Cultural.
Ao
constatar as pressões protecionistas no cenário internacional, o presidente
Lula reiterou a resiliência da parceria bilateral: “Apesar do ressurgimento do
unilateralismo e do protecionismo em todo o mundo, o comércio bilateral entre
Coreia e Brasil cresce de forma consistente, alcançando cerca de 11 bilhões de
dólares em 2025. É pouco, diante do tamanho da Coreia e do tamanho do Brasil”.
O
encontro reafirma, segundo o presidente Lula, a meta de aproximar os setores
produtivos e impulsionar novos investimentos da Coreia do Sul no Brasil,
fortalecendo a governança global fundamentada no respeito e no diálogo.
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Lula cita doramas e 'Guerreiras do K-Pop' em declaração ao lado do presidente
da Coreia do Sul
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou doramas e o filme
"Guerreiras do K-Pop" durante uma declaração ao lado do presidente da
Coreia do Sul, Lee Jae-myung, que faz uma visita oficial ao Brasil nesta
segunda-feira (27).
🎥Os doramas são séries de TV do leste
asiático conhecidas por enredos dramáticos e cativantes. Já a animação
"Guerreiras do K-Pop" explora a cultura pop e o folclore da Coreia do
Sul. No Brasil, ambas as produções conquistaram um público massivo e altamente
engajado graças à forte expansão da onda coreana, impulsionada pelas
plataformas de streaming.
O
petista fez a menção às produções ao comentar a transformação sul-coreana a
partir de investimentos em educação, inovação e capacidade industrial, que, na
avaliação de Lula, colocaram o país asiático como referência no cenário
mundial.
""Os
jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia [...]. Música, gastronomia,
doramas coreanos conquistaram os brasileiros, sem falar do enorme sucesso das
'Guerreiras do K-Pop' entre nossas crianças", afirmou Lula.
Acordos
na área de educação e cinema e um possível acordo entre Mercosul e Coreia do
Sul estiveram na pauta da reunião de do presidente brasileiro Lee Jae-myung.
O
petista recebeu o presidente coreano no Palácio da Alvorada em um momento no
qual o Brasil busca ampliar mercados para reduzir os impactos do tarifaço
imposto pelos Estados Unidos na economia. O encontro com Lee Jae-myung ocorre
cerca de cinco meses após Lula viajar ao país asiático.
Em
fevereiro, Lula fez sua terceira visita à Coreia – as anteriores ocorreram em
2005 e 2010 nos primeiros mandatos do petista.
A
visita deste ano, no entanto, foi a primeira com o status de visita de Estado,
reservado a compromissos de maior relevância política, econômica e diplomática
entre as nações.
Além de
Jae-myung, a primeira-dama da Coreia do Sul também desembarcou no Brasil e deve
cumprir uma agenda cultural em São Paulo. Empresários sul-coreanos também estão
no Brasil para compromissos com o setor produtivo brasileiro.
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Abertura de mercado
No
encontro, Lula e o presidente da Coreia assinaram memorandos sobre minerais
críticos e terras raras, além de acordos de cooperação sobre cultura, segurança
e inteligência artificial.
"Concordamos
em fortalecer cooperação estratégica de recursos, no setor de energia,
diversificando cadeia de suprimento. Como se sabe, o Brasil é um dos principais
detentores de minerais críticos e hoje o presidente Lula e eu concordamos em
expandir nossa cooperação em todo ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia
de suplemento desse minerais e por meio desse acordo nós vamos criar uma base
estável de oferta e fortalecendo a cooperação mutua de maneira benéfica",
afirmou Lee Jae-myung.
Durante
discurso, o presidente Lula destacou a parceria entre os dois países e afirmou
que Brasil e Coreia "defenderam as democracias frente aos ataques de
setores extremistas".
"Seguiremos
construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo
fortalecimento do multilateralismo. A paz e o desenvolvimento não nascem da
imposição, nascem da cooperação. É com esse espírito que Coreia e Brasil
caminham lado a lado", disse o petista.
O
governo brasileiro também quer ampliar o acesso de produtos agropecuários
brasileiros ao mercado sul-coreano, incluindo a abertura de mercado para carne
bovina.
Os dois
países já possuem cooperação estratégica na área da saúde e têm avançado em
novas frentes, como a implementação de tecnologias para hospitais inteligentes,
um setor em expansão no país.
• Lindbergh: o tiro de Flávio Bolsonaro
saiu pela culatra
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez duras críticas à atuação da
oposição nas controvérsias diplomáticas recentes envolvendo o governo
brasileiro e os Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump. Para o
parlamentar, a tentativa da família Bolsonaro de instrumentalizar a política
externa norte-americana para obter dividendos eleitorais internos não apenas
fracassou, mas gerou um efeito reverso diante da opinião pública nacional.
Com
base em dados recentes do instituto Datafolha, Lindbergh apontou que 52% dos
brasileiros avaliam que as medidas tarifárias impostas por Trump têm como
objetivo direto favorecer a agenda política de Flávio Bolsonaro. De acordo com
o deputado, o eleitorado percebe com clareza o histórico da crise, que se
intensificou no período em que Jair Bolsonaro e seus aliados enfrentavam
julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).
“O povo
não é bobo e eles subestimam a inteligência das pessoas. Toda essa articulação
contra o Brasil ganhou força exatamente quando os responsáveis pela tentativa
de golpe estavam sendo julgados pela Justiça. Quando Trump anunciou as
primeiras tarifas, a própria oposição citou abertamente os processos no STF. A
população percebeu de imediato de onde vinha a pressão”, afirmou o parlamentar.
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Apoio Popular e a Questão da Soberania
Os
números levantados pela pesquisa reforçam a divisão do eleitorado, mas indicam
uma vantagem clara para a narrativa soberanista adotada pelo Palácio do
Planalto. No debate sobre a resposta governamental às tarifas, 34% dos
entrevistados dão razão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 26%
alinham-se às posições defendidas por Flávio Bolsonaro.
Para
Lindbergh, a diferença reflete o resgate da identidade nacional pelo atual
governo:
“O tiro
saiu pela culatra. Eles preferiram se associar a Trump e à bandeira
norte-americana, enquanto nós conseguimos resgatar o verde e amarelo da
bandeira brasileira. A população entende a diferença entre defender o país e
defender interesses de grupos específicos no exterior.”
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Críticas à Presença de Milei e Questões Eleitorais
Outro
ponto central abordado por Lindbergh foi a participação do presidente
argentino, Javier Milei, em eventos políticos em solo brasileiro. Altamente
rejeitado em seu próprio país — com taxas de reprovação na casa dos 60%,
segundo levantamentos citados pelo deputado —, Milei foi criticado por promover
ataques verbais que tensionaram as relações diplomáticas bilaterais.
Além do
impacto diplomático, o deputado levantou questionamentos jurídicos sobre a
presença do mandatário argentino na convenção partidária da oposição,
destacando que a legislação brasileira proíbe estritamente a interferência e a
participação ativa de estrangeiros em atos de campanha e deliberações
partidárias internas.
“Eles
trouxeram um presidente estrangeiro extremamente impopular para discursar e
atacar as instituições do nosso país. Além de criarem uma crise diplomática
desnecessária, burlaram o Código Eleitoral Brasileiro, que veda categoricamente
a presença de estrangeiros em convenções. É uma demonstração de total
desrespeito às regras do jogo democrático”, ressaltou.
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O Cenário Político em Disputa
O
embate em torno das tarifas e das alianças internacionais evidencia duas visões
contrastantes de política externa e defesa de soberania. Enquanto setores da
oposição buscam sustentação na aproximação com lideranças da extrema-direita
global, o governo aposta no fortalecimento do mercado interno, na ampliação de
parcerias multilaterais e na preservação da autonomia nacional.
Concluindo
sua análise, Lindbergh reiterou a confiança no apoio popular às decisões do
governo: “Pode continuar se agarrando aos Estados Unidos; enquanto eles
dependem de apoio externo, o governo Lula caminha de braços dados com o povo
brasileiro. O Brasil pertence aos brasileiros.”
• Durigan vê ‘forçação de barra’ em
supostas previsões de recessão no Brasil em 2027
O
ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que não
existe a possibilidade de o Brasil ter uma recessão em 2027, acrescentando que,
na realidade, o país poder ver um novo “boom” se a taxa de juros do Banco
Central cair.
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Em
entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan disse que falar em recessão
em 2027 é exagero e parece tentar forçar a barra em ano eleitoral.
Ao
mesmo tempo, Durigan defendeu que o governo debata e apresente medidas de
ajuste fiscal, com foco no controle de gastos obrigatórios. De acordo com o
ministro, a dívida pública do país está sob controle, apesar de um patamar
considerado alto.
Ele
acrescentou que o principal fator a impactar o endividamento é o nível da taxa
de juros, não os resultados fiscais do governo.
“Defendo
que logo em seguida, ainda antes do ano que vem, o governo já apresente os
detalhes das medidas. Eu já tenho apresentado, em linhas gerais, o que deve ser
uma diminuição de gasto obrigatório, com espaço um pouco maior para que a gente
discuta investimentos”, disse.
“A
melhor forma de o governo endereçar esse problema é fazendo o ajuste fiscal,
corrigindo as contas públicas, buscando eficiência no gasto público”, afirmou.
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Tarifaço
Durigan
afirmou que deve levar os argumentos do Brasil contra os tarifaços impostos
pelo governo Trump ao Brasil ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott
Bessent, em provável encontro durante as reuniões do G20 nos Estados Unidos no
próximo mês.
Durigan
disse ainda que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos
brasileiros são um “completo absurdo”. “Acho que depois da eleição isso se
resolve de uma forma ou de outra”, previu.
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'BRB passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo', diz ministro da
Fazenda
O
ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou nesta segunda-feira (27) sobre a
crise do Banco de Brasília (BRB) após negociações e operações realizadas com o
Banco Master entre 2024 e 2025.
"O
BRB tem boas operações, boas carteiras, mas [o banco], basicamente, passou R$
12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada",
disse Durigan em entrevista para a "Rádio Jornal", de Pernambuco.
O
ministro classificou a situação como um "crime" e negou que a crise
seja um problema da União.
"O
BRB é um banco cujo acionista principal é o governo do DF, que dilapidou o
patrimônio, seja do DF seja do banco. O DF tem fundos constitucionais para
lidar com isso. A União pode ajudar na discussão, trazer o Banco Central",
declarou.
Durigan
citou ainda o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar
o socorro de R$ 6,6 bilhões ao BRB, em 29 de maio. A medida autorizou a
contratação de uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito
(FGC) no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do DF.
"Agora,
o BRB está mostrando para o sistema privado, para o FGC, para os bancos, qual é
o caminho de saída e os bancos estão se convencendo ou não de que o BRB tem um
plano consistente para receber essa ajuda e se transformar em uma instituição
que siga com seriedade."
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Crise
O BRB,
atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações
realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões,
segundo dados do próprio banco.
O BRB
estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB
são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
O
governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte
desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para
os outros R$ 6,6 bilhões.
Uma lei
que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar
o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.
• O governo do DF é o acionista
controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais,
oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do
funcionalismo distrital.
• Por isso, cabe ao Executivo local
garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país –
o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.
Fonte:
Brasil 247/g1

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