terça-feira, 28 de julho de 2026

Lula critica protecionismo e afirma que Brasil e Coreia defenderam a democracia contra o extremismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira (27), no Palácio da Alvorada, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. O encontro marca a primeira visita de um chefe de Estado sul-coreano ao Brasil em 11 anos e a primeira viagem de Lee Jae-myung ao país. A recepção representou também a última visita internacional que o presidente brasileiro receberá neste ano.

Em declaração à imprensa realizada após a assinatura de atos bilaterais, Lula enfatizou que a aproximação com o país asiático ocorre em um momento crucial de transformações geopolíticas e de ameaças globais às instituições democráticas. Ao ressaltar as origens humildes de ambos os líderes e a trajetória de superação política que compartilham, o presidente Lula pontuou o compromisso mútuo com a ordem constitucional: “Nós dois viemos da pobreza”, lembrou Lula, acrescentando que “ambos soubemos defender as nossas democracias frente aos ataques extremistas”.

Diante do cenário internacional instável, Lula fez uma defesa enfática da diplomacia multilateral e criticou o isolamento comercial promovido por grandes potências. “Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, declarou, acrescentando que “a paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, e sim da cooperação”.

Essa visão estratégica embasa a política externa brasileira de reorientação para o Oriente, segundo Lula. Segundo o presidente, a aproximação promovida durante seu mandato busca conectar o Brasil a um dos principais vetores de expansão econômica global. “A Ásia tornou-se um centro dinâmico da economia mundial”, afirmou. “Para o Brasil, aproximar-se da Ásia significa aproximar-se de uma das regiões que mais impulsiona o crescimento, a inovação e a transformação da economia global”.

O chefe do Executivo destacou a importância central de Seul nas relações internacionais do país: “É nesse contexto que a Coreia ocupa um lugar especial”. Relembrando os avanços alcançados em agendas passadas, Lula declarou: “Em Seul, nos tornamos uma parceria estratégica e hoje estamos construindo uma parceria mais ambiciosa e preparada para responder aos desafios de um mundo em rápida transformação”.

Lula elogiou a rápida modernização do país asiático e os expressivos investimentos sul-coreanos em educação, inovação e capacidade industrial, “que fizeram da Coreia uma referência mundial”, pontuando que “poucos países transformaram sua realidade com tanta rapidez e consistência”.

A aproximação entre os dois países também se reflete no campo sociocultural. O presidente destacou o crescente interesse dos brasileiros pela Coreia do Sul, por sua cultura e gastronomia. Além disso, o reconhecimento da rica herança cultural brasileira ganhou dimensão internacional recente quando a UNESCO, reunida em Busan, na Coreia do Sul, reconheceu o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Teatro da Paz, em Belém (PA), como Patrimônio Mundial Cultural.

Ao constatar as pressões protecionistas no cenário internacional, o presidente Lula reiterou a resiliência da parceria bilateral: “Apesar do ressurgimento do unilateralismo e do protecionismo em todo o mundo, o comércio bilateral entre Coreia e Brasil cresce de forma consistente, alcançando cerca de 11 bilhões de dólares em 2025. É pouco, diante do tamanho da Coreia e do tamanho do Brasil”.

O encontro reafirma, segundo o presidente Lula, a meta de aproximar os setores produtivos e impulsionar novos investimentos da Coreia do Sul no Brasil, fortalecendo a governança global fundamentada no respeito e no diálogo.

<><> Lula cita doramas e 'Guerreiras do K-Pop' em declaração ao lado do presidente da Coreia do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou doramas e o filme "Guerreiras do K-Pop" durante uma declaração ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, que faz uma visita oficial ao Brasil nesta segunda-feira (27).

🎥Os doramas são séries de TV do leste asiático conhecidas por enredos dramáticos e cativantes. Já a animação "Guerreiras do K-Pop" explora a cultura pop e o folclore da Coreia do Sul. No Brasil, ambas as produções conquistaram um público massivo e altamente engajado graças à forte expansão da onda coreana, impulsionada pelas plataformas de streaming.

O petista fez a menção às produções ao comentar a transformação sul-coreana a partir de investimentos em educação, inovação e capacidade industrial, que, na avaliação de Lula, colocaram o país asiático como referência no cenário mundial.

""Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia [...]. Música, gastronomia, doramas coreanos conquistaram os brasileiros, sem falar do enorme sucesso das 'Guerreiras do K-Pop' entre nossas crianças", afirmou Lula.

Acordos na área de educação e cinema e um possível acordo entre Mercosul e Coreia do Sul estiveram na pauta da reunião de do presidente brasileiro Lee Jae-myung.

O petista recebeu o presidente coreano no Palácio da Alvorada em um momento no qual o Brasil busca ampliar mercados para reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos na economia. O encontro com Lee Jae-myung ocorre cerca de cinco meses após Lula viajar ao país asiático.

Em fevereiro, Lula fez sua terceira visita à Coreia – as anteriores ocorreram em 2005 e 2010 nos primeiros mandatos do petista.

A visita deste ano, no entanto, foi a primeira com o status de visita de Estado, reservado a compromissos de maior relevância política, econômica e diplomática entre as nações.

Além de Jae-myung, a primeira-dama da Coreia do Sul também desembarcou no Brasil e deve cumprir uma agenda cultural em São Paulo. Empresários sul-coreanos também estão no Brasil para compromissos com o setor produtivo brasileiro.

<><> Abertura de mercado

No encontro, Lula e o presidente da Coreia assinaram memorandos sobre minerais críticos e terras raras, além de acordos de cooperação sobre cultura, segurança e inteligência artificial.

"Concordamos em fortalecer cooperação estratégica de recursos, no setor de energia, diversificando cadeia de suprimento. Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores de minerais críticos e hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir nossa cooperação em todo ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suplemento desse minerais e por meio desse acordo nós vamos criar uma base estável de oferta e fortalecendo a cooperação mutua de maneira benéfica", afirmou Lee Jae-myung.

Durante discurso, o presidente Lula destacou a parceria entre os dois países e afirmou que Brasil e Coreia "defenderam as democracias frente aos ataques de setores extremistas".

"Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo. A paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, nascem da cooperação. É com esse espírito que Coreia e Brasil caminham lado a lado", disse o petista.

O governo brasileiro também quer ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado sul-coreano, incluindo a abertura de mercado para carne bovina.

Os dois países já possuem cooperação estratégica na área da saúde e têm avançado em novas frentes, como a implementação de tecnologias para hospitais inteligentes, um setor em expansão no país.

•        Lindbergh: o tiro de Flávio Bolsonaro saiu pela culatra

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez duras críticas à atuação da oposição nas controvérsias diplomáticas recentes envolvendo o governo brasileiro e os Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump. Para o parlamentar, a tentativa da família Bolsonaro de instrumentalizar a política externa norte-americana para obter dividendos eleitorais internos não apenas fracassou, mas gerou um efeito reverso diante da opinião pública nacional.

Com base em dados recentes do instituto Datafolha, Lindbergh apontou que 52% dos brasileiros avaliam que as medidas tarifárias impostas por Trump têm como objetivo direto favorecer a agenda política de Flávio Bolsonaro. De acordo com o deputado, o eleitorado percebe com clareza o histórico da crise, que se intensificou no período em que Jair Bolsonaro e seus aliados enfrentavam julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

“O povo não é bobo e eles subestimam a inteligência das pessoas. Toda essa articulação contra o Brasil ganhou força exatamente quando os responsáveis pela tentativa de golpe estavam sendo julgados pela Justiça. Quando Trump anunciou as primeiras tarifas, a própria oposição citou abertamente os processos no STF. A população percebeu de imediato de onde vinha a pressão”, afirmou o parlamentar.

<><> Apoio Popular e a Questão da Soberania

Os números levantados pela pesquisa reforçam a divisão do eleitorado, mas indicam uma vantagem clara para a narrativa soberanista adotada pelo Palácio do Planalto. No debate sobre a resposta governamental às tarifas, 34% dos entrevistados dão razão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 26% alinham-se às posições defendidas por Flávio Bolsonaro.

Para Lindbergh, a diferença reflete o resgate da identidade nacional pelo atual governo:

“O tiro saiu pela culatra. Eles preferiram se associar a Trump e à bandeira norte-americana, enquanto nós conseguimos resgatar o verde e amarelo da bandeira brasileira. A população entende a diferença entre defender o país e defender interesses de grupos específicos no exterior.”

<><> Críticas à Presença de Milei e Questões Eleitorais

Outro ponto central abordado por Lindbergh foi a participação do presidente argentino, Javier Milei, em eventos políticos em solo brasileiro. Altamente rejeitado em seu próprio país — com taxas de reprovação na casa dos 60%, segundo levantamentos citados pelo deputado —, Milei foi criticado por promover ataques verbais que tensionaram as relações diplomáticas bilaterais.

Além do impacto diplomático, o deputado levantou questionamentos jurídicos sobre a presença do mandatário argentino na convenção partidária da oposição, destacando que a legislação brasileira proíbe estritamente a interferência e a participação ativa de estrangeiros em atos de campanha e deliberações partidárias internas.

“Eles trouxeram um presidente estrangeiro extremamente impopular para discursar e atacar as instituições do nosso país. Além de criarem uma crise diplomática desnecessária, burlaram o Código Eleitoral Brasileiro, que veda categoricamente a presença de estrangeiros em convenções. É uma demonstração de total desrespeito às regras do jogo democrático”, ressaltou.

<><> O Cenário Político em Disputa

O embate em torno das tarifas e das alianças internacionais evidencia duas visões contrastantes de política externa e defesa de soberania. Enquanto setores da oposição buscam sustentação na aproximação com lideranças da extrema-direita global, o governo aposta no fortalecimento do mercado interno, na ampliação de parcerias multilaterais e na preservação da autonomia nacional.

Concluindo sua análise, Lindbergh reiterou a confiança no apoio popular às decisões do governo: “Pode continuar se agarrando aos Estados Unidos; enquanto eles dependem de apoio externo, o governo Lula caminha de braços dados com o povo brasileiro. O Brasil pertence aos brasileiros.”

•        Durigan vê ‘forçação de barra’ em supostas previsões de recessão no Brasil em 2027

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que não existe a possibilidade de o Brasil ter uma recessão em 2027, acrescentando que, na realidade, o país poder ver um novo “boom” se a taxa de juros do Banco Central cair.

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Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan disse que falar em recessão em 2027 é exagero e parece tentar forçar a barra em ano eleitoral.

Ao mesmo tempo, Durigan defendeu que o governo debata e apresente medidas de ajuste fiscal, com foco no controle de gastos obrigatórios. De acordo com o ministro, a dívida pública do país está sob controle, apesar de um patamar considerado alto.

Ele acrescentou que o principal fator a impactar o endividamento é o nível da taxa de juros, não os resultados fiscais do governo.

“Defendo que logo em seguida, ainda antes do ano que vem, o governo já apresente os detalhes das medidas. Eu já tenho apresentado, em linhas gerais, o que deve ser uma diminuição de gasto obrigatório, com espaço um pouco maior para que a gente discuta investimentos”, disse.

“A melhor forma de o governo endereçar esse problema é fazendo o ajuste fiscal, corrigindo as contas públicas, buscando eficiência no gasto público”, afirmou.

<><> Tarifaço

Durigan afirmou que deve levar os argumentos do Brasil contra os tarifaços impostos pelo governo Trump ao Brasil ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em provável encontro durante as reuniões do G20 nos Estados Unidos no próximo mês.

Durigan disse ainda que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros são um “completo absurdo”. “Acho que depois da eleição isso se resolve de uma forma ou de outra”, previu.

<><> 'BRB passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo', diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou nesta segunda-feira (27) sobre a crise do Banco de Brasília (BRB) após negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025.

"O BRB tem boas operações, boas carteiras, mas [o banco], basicamente, passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada", disse Durigan em entrevista para a "Rádio Jornal", de Pernambuco.

O ministro classificou a situação como um "crime" e negou que a crise seja um problema da União.

"O BRB é um banco cujo acionista principal é o governo do DF, que dilapidou o patrimônio, seja do DF seja do banco. O DF tem fundos constitucionais para lidar com isso. A União pode ajudar na discussão, trazer o Banco Central", declarou.

Durigan citou ainda o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o socorro de R$ 6,6 bilhões ao BRB, em 29 de maio. A medida autorizou a contratação de uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do DF.

"Agora, o BRB está mostrando para o sistema privado, para o FGC, para os bancos, qual é o caminho de saída e os bancos estão se convencendo ou não de que o BRB tem um plano consistente para receber essa ajuda e se transformar em uma instituição que siga com seriedade."

<><> Crise

O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco.

O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.

O governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.

Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.

•        O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital.

•        Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.

 

Fonte: Brasil 247/g1

 

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