terça-feira, 28 de julho de 2026

Ministro diz que Brasil está muito melhor que a Argentina e chama Milei de ‘palhaço’

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira apresenta indicadores melhores que os da Argentina e criticou duramente o presidente argentino, Javier Milei, que esteve no Brasil no fim de semana para participar de um ato político do PL. Durigan deu a declaração em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.

Ao comentar a presença de Milei no país e as falas do mandatário argentino sobre o Brasil, o ministro chamou o presidente da Argentina de “palhaço” e comparou os indicadores econômicos dos dois países.

“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirmou Durigan.

O ministro também defendeu que o Brasil atravessa um momento econômico mais sólido, citando a queda do risco país, o baixo desemprego, a inflação em patamar reduzido, resultados recordes na balança comercial, uma safra expressiva e a diminuição do desmatamento.

Milei esteve no Brasil para participar, no sábado (25), do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O senador do PL é apontado como adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.

Na entrevista, Durigan também buscou afastar avaliações alarmistas sobre a economia brasileira. “Não dá pra entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse”, declarou.

Apesar da defesa dos indicadores nacionais, o ministro reconheceu que ainda há problemas a serem enfrentados, especialmente no campo dos juros. “Não estou dizendo que está tudo resolvido. Juros [altos] que afetam todo mundo, agricultores, família, empresas. Eu tenho que pagar juros altos pra rolar a dívida, me incomoda muito”, disse.

A fala de Durigan ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Argentina após a passagem de Milei pelo país. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimundi, para prestar esclarecimentos sobre o comportamento do presidente argentino em território brasileiro.

•        Jornais argentinos destacam fala de Durigan chamando Milei de 'palhaço'

A declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de "palhaço", repercutiu nesta segunda-feira (27) na imprensa argentina.

Dois dos prinicipais jornais em circulação no país, o Clarín e La Nación destacaram a resposta do ministro aos ataques feitos por Milei durante o evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), no último fim de semana. As publicações descreveram o episódio como mais um capítulo da crise diplomática entre Brasil e Argentina.

Durigan afirmou, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, que a economia brasileira está em situação melhor que a argentina.

"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", disse o ministro.

Depois da repercussão da fala, o titular do ministério afirmou à GloboNews que a declaração foi feita por iniciativa própria e não representa uma posição oficial do governo. Segundo ele, a derisão de resposta surgiu porque as críticas de Milei foram direcionadas à sua pasta, diretamente.

"Não tem o menor cabimento um presidente de outro país vir aqui, sem comunicação oficial, xingar as autoridades, criticar a política econômica, fazendo dancinha. Não dava pra não responder", afirmou

Durante a convenção partidária do Partido Liberal (PL), o presidente argentino chamou Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão" e "presidiário", atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes e fez críticas ao governo brasileiro.

<><> O que publicou o Clarín

O Clarín destacou que os ataques de Milei aumentaram a tensão entre Brasil e Argentina.

O jornal deu ênfase ao fato de que o governo brasileiro chamou o embaixador em Buenos Aires para consultas e reproduziu a reação do chanceler Mauro Vieira. Segundo o ministro das Relações Exteriores, as declarações de Milei foram "graves e inaceitáveis".

Vieira classificou os ataques como uma interferência em assuntos internos do Brasil. Segundo ele, as falas atingiram o governo, as instituições, o Congresso, o povo brasileiro e o próprio presidente da República.

<><> O que publicou o La Nación

O La Nación deu destaque à comparação feita por Durigan entre as economias dos dois países e destacou que o chefe da pasta reconheceu problemas na economia brasileira, como os juros altos.

A reportagem relembrou a visita de Milei a São Paulo e seu discurso em defesa de Flávio Bolsonaro e destacou os desdobramentos diplomáticos do episódio. A matéria acrescenta que integrantes do governo argentino descartaram um pedido oficial de desculpas pelas declarações de Milei.

•        Integrantes do governo criticam reações dos ministros Durigan e Boulos a falas de Milei

Sob reserva, integrantes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Palácio do Planalto criticaram as declarações dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) direcionadas ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Segundo um diplomata diretamente envolvido na reação oficial do governo, as declarações não seguiram a linha previamente acordada entre o Itamaraty e o Palácio do Planalto.

A avaliação é que esses ministros poderiam fazer críticas a Milei, principalmente Dario Durigan, para destacar a diferença da posição econômica entre Brasil e Argentina. Mas não deveriam adotar palavras na mesma linha do argentino.

Durigan explicou que se sentiu na obrigação de responder porque Milei fez críticas à economia brasileira.

A linha que o governo deveria usar foi definida na nota intitulada “Agressões do presidente da Argentina em território brasileiro”, na qual o Itamaraty não adjetivou Javier Milei, mas disse que o presidente argentino emitiu “impropérios” ao se referir ao presidente Lula como “presidiário” e ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”.

Em reação a essas declarações, Dario Durigan, por exemplo, disse que Milei é um “palhaço”. Guilherme Boulos, por sua vez, disse que o presidente argentino é uma “caricatura patética” e um “puxa-saco” do presidente Donald Trump.

Para auxiliares diretos do presidente Lula, essas declarações “baixaram o nível”.

"Acho desnecessário baixar o nível”, resumiu um interlocutor do Palácio do Planalto.

•        Caiado critica visita de Milei ao Brasil e diz que eleição deve ser decidida pelos brasileiros

Candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) esteve nesta segunda-feira (27) em Bebedouro (SP) e criticou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, que participou em evento do PL, em São Paulo (SP), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

No último sábado (25), Milei fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “lixo careca”.

“Uma eleição é decidida no seu país, é inadmissível ingerência de qualquer outro país na sua campanha eleitoral, até porque faz parte da liturgia de um presidente da República saber se ausentar das discussões de outros países. Isso é respeito com o povo que realmente está lá decidindo a sua condição e definindo quem é o seu candidato ou quem deve ser eleito no país”, disse Caiado.

As ofensas contra Moraes aconteceram depois que o ministro negou o pedido de Milei para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Visitas com finalidade "político-eleitoral" estão suspensas até o final das eleições por determinação do ministro.

Segundo Caiado, a participação de líderes estrangeiros na disputa eleitoral brasileira representa uma interferência indevida no processo democrático do país.

O candidato considera que a atitude do presidente argentino foi “deplorável” e não contribui para o debate sobre os problemas enfrentados pela população.

“Essa grosseria não consumiu nada. Pelo contrário, foi uma atitude deplorável de alguém que acha que pode se dirigir a qualquer pessoa no nosso país da maneira como foi colocado. Isso não acrescenta”, afirmou.

<><> Polarização e política externa

Caiado também criticou o clima de polarização política e disse que tanto o governo Lula quanto os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro recorrem a provocações que desviam o foco dos temas de interesse da população.

“Fica o Lula agredindo o Trump, falando da dentadura dele, falando da grosseria dele, provocando o Trump, e fica o Flávio trazendo pessoas que vêm aqui agredir o processo político eleitoral. Então, independente de que lado seja, nós não podemos admitir essa ingerência externa. Nós brasileiros saberemos definir e decidir o próximo presidente da República.”

O candidato do PSD também criticou a condução da política externa brasileira. Segundo ele, o Itamaraty perdeu protagonismo e precisa voltar a exercer um papel técnico e institucional.

“O Itamaraty brasileiro hoje virou uma esculhambação, um braço do PT. Sempre foi uma referência para o Brasil, com chanceleres que construíram seu nome em grandes momentos da vida mundial”, declarou.

Nesta feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou a economia brasileira à argentina e classificou o presidente do país vizinho como "palhaço". A declaração foi dada à "Rádio Jornal", de Pernambuco.

Segundo o ministro, o risco-país brasileiro está melhor do que o argentino, o Brasil está com mínima de desemprego, de inflação, e recordes na balança comercial, assim como safra expressiva e desmatamento em queda.

"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou o ministro da Fazenda.

Após a declaração, Durigan falou à GloboNews e afirmou que a declaração dele foi feita de forma autônoma, e não representa uma posição do governo.

Segundo Caiado, as disputas entre Lula e Bolsonaro alimentam a radicalização política e afastam o debate das demandas da população.

“Foi lamentável o que nós vimos nesses dias. Lamentável por parte dos dois candidatos, porque um se alimenta da radicalização contra o outro e desvia do debate dos assuntos que são de interesse da população brasileira”, disse.

•        Completamente desequilibrado, Milei acusa Brasil de financiar campanha anti-Argentina e amplia crise diplomática

A crise diplomática entre Brasil e Argentina ganhou novo capítulo depois que Javier Milei acusou, sem apresentar provas, o governo brasileiro de financiar uma suposta “campanha anti-Argentina”. A declaração foi dada em entrevista a uma rádio argentina no domingo (26), um dia após o presidente argentino participar, em São Paulo, da convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Milei afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria bancado “25% dos recursos” usados na suposta ofensiva contra o país vizinho. O argentino também atribuiu participação ao governo do México, comandado por Claudia Sheinbaum, e ao Partido Democrata dos Estados Unidos, adversário político de Donald Trump, aliado de Milei.

“Quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina foi o Brasil. Uns 25% dos recursos (financeiros) saíram do governo do Brasil”, acusou Milei, sem apresentar provas.

A fala elevou a tensão entre os dois países no momento em que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O gesto é considerado uma demonstração formal de descontentamento e indica a gravidade da crise nas relações bilaterais.

Após o encontro entre Vieira e Bitelli, nesta segunda-feira (27), o governo brasileiro deve definir os próximos passos da resposta diplomática. O presidente Lula também poderá receber o embaixador, o que ampliaria o peso político do gesto.

“O objetivo é deixar claro o nosso desacordo. A reunião vai depender da agenda do ministro. Não há prazo para o retorno do embaixador brasileiro à Argentina”, afirmou à RFI uma fonte do Itamaraty próxima aos dois.

Em nota, o Itamaraty classificou como inédita a sequência de ataques feitos por Milei em território brasileiro.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.

No sábado (25), durante a convenção do PL, Milei atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e chamou o presidente Lula de “presidiário”. No ato, o argentino se referiu a Moraes como “lixo careca”.

Na entrevista concedida no domingo (26), Milei tentou justificar sua participação no evento bolsonarista como uma resposta ao que ele atribui ao PT e ao governo Lula na eleição argentina de 2023. O presidente argentino disse que assessores brasileiros teriam atuado na campanha de Sergio Massa, candidato governista derrotado por ele no segundo turno.

“E depois vêm falar de interferência, quando eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex-presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (Cristina Kirchner)”, disse Milei.

Lula visitou Cristina Kirchner há cerca de um ano, quando a Argentina não estava em período eleitoral. A visita ocorreu depois da Cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, com autorização da Justiça argentina.

Milei também relacionou a suposta campanha contra a Argentina à Copa do Mundo de 2026. A seleção argentina disputou a final contra a Espanha, mas perdeu para o país europeu. O presidente argentino não apresentou elementos que sustentassem a acusação de que governos estrangeiros teriam financiado uma ofensiva contra seu país durante a competição.

Na mesma entrevista, Milei afirmou que a Argentina estaria sendo atacada por ter se tornado, segundo ele, uma referência internacional para setores conservadores e liberais.

“A Argentina está sendo um farol de liberdade. Por isso, todo o ataque e a campanha contra nós. Porque somos o farol do Ocidente, porque estamos pondo em xeque as políticas desses ladrões”, declarou.

O presidente argentino também atacou governos de esquerda da região, aos quais se referiu como “esquerdistas de m…”.

 

Fonte: Brasil 247/g1

 

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