Articulista
do La Nación vê pior crise diplomática entre Argentina e Brasil em pelo menos
meio século
O
jornalista Claudio Jacquelin, articulista do jornal argentino La Nación,
afirmou que o presidente Javier Milei desencadeou “a pior crise entre a
Argentina e seu principal parceiro comercial em pelo menos meio século” ao
atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Supremo Tribunal Federal e as
instituições brasileiras durante sua visita a São Paulo. Em artigo publicado
neste domingo (26), Jacquelin sustenta que o próprio presidente argentino
provocou um conflito diplomático sem precedentes com o Brasil, principal
destino das exportações industriais argentinas.
Segundo
o articulista, a viagem de Milei ao Brasil para apoiar a candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro marcou uma escalada inédita nas tensões entre
os dois países. Para Jacquelin, o presidente argentino abriu “um conflito sem
precedentes com o maior país do hemisfério sul e principal sócio comercial da
Argentina”, agravando um relacionamento que já vinha sofrendo sucessivos
desgastes desde o início de seu governo.
O
jornalista destaca que há um consenso entre diplomatas, especialistas em
relações internacionais e ex-funcionários dos dois países de que a atual crise
representa a mais grave deterioração das relações bilaterais nas últimas
décadas. O episódio levou o governo brasileiro a convocar o embaixador
argentino em Brasília e a chamar para consultas o embaixador brasileiro em
Buenos Aires, uma medida considerada excepcional na tradição diplomática entre
os dois vizinhos.
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Ataques ampliaram a crise
Jacquelin
observa que, em vez de reduzir a tensão, Milei ampliou o conflito ao voltar a
atacar o governo brasileiro em entrevistas concedidas após sua visita. O
presidente argentino chegou a acusar, sem apresentar provas, o governo Lula de
financiar uma suposta “campanha antiargentina”, além de repetir acusações
contra o presidente brasileiro relacionadas à eleição argentina de 2023.
O
articulista ressalta que, mesmo entre aliados do governo argentino, houve
críticas à condução da política externa. O ex-presidente Mauricio Macri teria
classificado a situação como resultado da ausência de relações diplomáticas
consistentes, enquanto especialistas advertiram que os ataques serão
interpretados por Brasília como política oficial do Estado argentino, e não
como um simples excesso verbal de Milei.
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“Gerente de Trump”
Um dos
trechos de maior impacto do artigo relata a avaliação de integrantes do
Itamaraty sobre a postura de Milei. Segundo fontes brasileiras ouvidas por
Jacquelin, o presidente argentino teria atuado como um “gerente de Trump”, ao
reproduzir a estratégia do presidente norte-americano de pressionar o Brasil
por meio de ataques políticos e comerciais.
Ainda
de acordo com o texto, autoridades brasileiras consideram que Milei não apenas
insultou Lula, mas também ofendeu dois dos três Poderes da República e se
associou aos ataques contra a democracia brasileira após a tentativa de golpe
de 8 de janeiro de 2023.
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Brasil acumulou gestos de apoio à Argentina
O
articulista lembra ainda que, apesar das divergências entre os governos, o
Brasil adotou diversas iniciativas em favor da Argentina nos últimos anos.
Entre elas, a representação diplomática argentina na Venezuela após a expulsão
dos diplomatas de Buenos Aires pelo governo Nicolás Maduro e a atuação
brasileira como amicus curiae no processo envolvendo a expropriação da YPF,
contribuindo para evitar uma condenação bilionária contra a Argentina.
Para
Jacquelin, esses antecedentes tornam ainda mais incompreensível a postura de
Milei e ampliam a reação em Brasília. O governo brasileiro considera que, além
da falta de diálogo, houve ausência de reciprocidade e de reconhecimento pelos
gestos feitos em favor da Argentina.
O
artigo conclui que não há, até o momento, qualquer sinal de disposição do
governo Milei para reparar os danos causados à relação bilateral. Na avaliação
do articulista do La Nación, consolidou-se a pior crise diplomática entre
Argentina e Brasil em pelo menos cinquenta anos, justamente entre dois países
cuja integração econômica é considerada estratégica para o Mercosul e para a
estabilidade da América do Sul.
• Diplomata classifica ataques de Milei a
Lula como o “maior vexame da história diplomática” entre Brasil e Argentina
O
jornalista argentino Mariano Obarrio divulgou uma avaliação atribuída, em
caráter reservado, a um diplomata argentino que classificou os ataques do
presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
durante visita ao Brasil como “o maior vexame na história diplomática” entre os
dois países. A publicação ganhou repercussão no mesmo dia em que o governo
brasileiro reagiu oficialmente às declarações do mandatário argentino.
Segundo
a publicação de Obarrio, o diplomata considera que a conduta de Milei
representa um episódio sem precedentes na relação bilateral entre Brasil e
Argentina, parceiros históricos e fundadores do Mercosul. O relato foi
divulgado em meio à decisão do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira,
de convocar o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar
esclarecimentos formais sobre as declarações feitas pelo presidente argentino
durante a convenção nacional do PL, em São Paulo.
Na
mensagem reproduzida por Obarrio, o diplomata afirma: “Os insultos desbocados
de Milei a Lula em território brasileiro de hoje constituem o maior vexame na
história diplomática entre ambos os países vizinhos, co-fundadores do
Mercosul.”
O
relato prossegue destacando o caráter excepcional da crise diplomática. “Que,
sem mediar uma guerra ou sequer um conflito fronteiriço menor, um presidente em
exercício cruze a fronteira para um país irmão e insulte como um demente o
chefe de Estado e o cabeça do poder judiciário de seu principal sócio comercial
só pode ser explicado pela loucura pessoal do agressor.”
Ainda
segundo a publicação, o diplomata argentino considera que o episódio não
encontra paralelo na história recente da política externa do país. “Nunca antes
se viu uma ação tão bizarra e vergonhosa para a diplomacia argentina como esta,
em especial para nosso embaixador em Brasília.”
Na
avaliação reproduzida por Obarrio, as consequências do episódio deverão
permanecer como um marco negativo nas relações entre os dois países. “Hoje é um
dia horrível para a política externa da Argentina. Esses fatos serão lembrados
nos livros de história latino-americana como uma página negra e calamitosa para
a integração regional.”
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Ataques durante convenção do PL
As
declarações que desencadearam a crise ocorreram durante a convenção nacional do
PL, realizada no sábado (25), em São Paulo, quando Milei participou do evento
para declarar apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à
Presidência da República.
Em seu
discurso, o presidente argentino voltou a se referir a Lula como “presidiário”
e criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impediu sua visita ao
ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei
também afirmou que a Justiça brasileira não lhe permitiu visitar Bolsonaro,
comparando a decisão às visitas recebidas por Lula durante o período em que
esteve preso em Curitiba. Ao comentar Moraes, utilizou a expressão “lixo
careca”, em declarações interpretadas pelo governo brasileiro como uma afronta
ao Judiciário e às instituições democráticas.
Durante
o mesmo evento, Milei manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à
Presidência e afirmou que a eleição brasileira faria parte de um movimento de
mudança política na América Latina em direção a governos alinhados a políticas
econômicas liberais.
• "Vergonha alheia", diz
governador de Buenos Aires sobre fala de Milei
As
declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção
nacional do PL, em São Paulo, continuam provocando reações políticas. Neste
domingo (26/7), o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof,
classificou como "vergonha alheia" o discurso de Milei, que atacou o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Em
publicação nas redes sociais, o governador portenho afirmou ter acompanhado
"com constrangimento" as declarações do presidente argentino e disse
que Milei "ofendeu e insultou o governo brasileiro, seu presidente e toda
uma nação". Ele ainda frisou que "da província de Buenos Aires,
reafirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e está comprometida com a
integração regional".
Kicillof
também informou que telefonou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro
Vieira, para transmitir que, em sua avaliação, "Milei não representa o
sentimento do povo argentino". Kicillof afirmou ainda que o Brasil é o
principal parceiro comercial da Argentina e alertou para os impactos das
declarações de Milei sobre a relação bilateral.
"Com
essas provocações, Milei coloca em risco investimentos, exportações, milhares
de empregos e os interesses da Argentina — tudo isso para apoiar um candidato a
mando de Trump. A relação com o Brasil exige responsabilidade, não
provocação", afirmou.
As
críticas foram uma reação ao discurso feito por Milei durante a convenção do
Partido Liberal (PL), realizada no sábado (25/6), em São Paulo. O presidente
argentino participou do evento que oficializou a candidatura do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Na
ocasião, Milei fez ataques ao governo brasileiro, criticou o socialismo,
exaltou a chamada "onda azul" na América do Sul e chamou o presidente
Lula de "ladrão", "presidiário" e "lixo
socialista". O argentino também atacou o ministro Alexandre de Moraes, a
quem se referiu como "lixo careca", após ser impedido de visitar o
ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao comentar a decisão judicial que impediu a
visita, Milei afirmou que a medida seria "mais uma clara demonstração da
injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis".
As
declarações agravaram a tensão diplomática entre os dois países. O Itamaraty
convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para
consultas. Bitelli deve se reunir nesta segunda-feira (27/7) com o ministro das
Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Brasília, para discutir os desdobramentos
da crise.
O
presidente do STF, ministro Edson Fachin, também reagiu às declarações de
Milei. Em nota, afirmou que o Supremo "deplora manifestações incompatíveis
com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados" e
classificou as ofensas dirigidas a Alexandre de Moraes como uma
"referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita
em solo brasileiro".
• Brasil x Argentina: O que significa a
convocação do embaixador depois de agressões de Milei. Por Marcia Carmo
O
embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, embarca nesta madrugada de
segunda-feira para Brasília após ter sido convocado pelo governo brasileiro. A
decisão de ‘convocar’ o embaixador é um gesto diplomático de insatisfação e,
neste caso, de repúdio contra as declarações do presidente argentino Javier
Milei. Na véspera, no sábado, durante a convenção do PL e do lançamento da
candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou o presidente Lula
de ‘presidiário’ e o ministro Alexandre de Moraes de ‘lixo careca’.
As
agressões foram definidas como ‘afronta’ e ‘patéticas’ nos bastidores do
governo brasileiro. Milei costuma usar ofensas em seus discursos no terreno
doméstico contra opositores, economistas e jornalistas. Mas a diferença agora é
que a relação fria entre os dois governos e a ausência de diálogo entre os dois
presidentes escalou para um nível de maior tensão depois do discurso de Milei
em São Paulo. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e a China
o segundo. A politica externa de Milei baseada em ideologia tem como foco
principal, no entanto, a relação com o governo Trump. Mas nos últimos dias ele
tinha tomado a decisão de ser o líder da extrema-direita na América do Sul,
começando com o discurso ao lado de Flávio Bolsonaro, antes de viajar para as
posse de Keiko Fujimori, nesta terça-feira, no Peru, é de Abelardo de la
Espriella, no dia sete de agosto, na Colômbia.
As suas
falas em São Paulo não agradaram a direita tradicional da região que não
pretende romper ou estressar a relação com o governo brasileiro. Mas o que
significa quando o governo do Brasil convoca o embaixador, como no caso de
Bitelli? É um recado para deixar claro a repulsa ao ato (neste caso) de Milei.
Por enquanto, ele se apresentará em Brasília e, no momento, é pouco provável
que deixe o posto – o que ocorre em rompimentos de relação diplomática entre os
países. O Brasil fez questão, porém, de assim avisar ao presidente argentino
que a relação ficou ainda mais distante e a possibilidade de diálogo ainda mais
descartada. Este é, sem dúvida, o pior momento da relação bilateral em tempos
democráticos.
• Deputada argentina explica a diferença
entre o estadista Lula e o repugnante Javier Milei
A
deputada argentina Lorena Pokoik publicou uma dura manifestação nas redes
sociais em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em forte crítica ao
presidente argentino Javier Milei. Em resposta aos ataques dirigidos por Milei
a Lula, a parlamentar afirmou que o líder brasileiro construiu um legado
histórico que jamais poderá ser igualado pelo atual mandatário argentino.
Segundo
Pokoik, antes de atacar Lula, Milei precisaria realizar algo que, em sua
avaliação, nunca conseguirá: “deixar um legado ao seu povo”. A deputada
contrapôs a trajetória política do presidente brasileiro à do chefe de Estado
argentino, destacando o papel de Lula na redução da pobreza, no fortalecimento
do Brasil e na integração latino-americana.
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Trajetória de Lula é destacada
Na
publicação, Pokoik recorda que Lula “surgiu do povo e do movimento operário”,
foi eleito presidente da República por três vezes e promoveu profundas
transformações sociais no Brasil.
Ela
ressalta que os governos de Lula retiraram milhões de brasileiros da pobreza,
projetaram o Brasil como um ator de peso na política internacional e
impulsionaram a integração regional, com o objetivo de construir uma “Pátria
Grande mais unida, soberana e independente”.
A
deputada também relembra o período em que Lula foi preso, enfatizando que suas
condenações foram posteriormente anuladas pela Justiça brasileira, permitindo
que recuperasse seus direitos políticos e retornasse à Presidência por meio do
voto popular.
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Críticas a Milei
Ao
comparar os dois presidentes, Pokoik afirma que Milei está promovendo um
processo de destruição das conquistas sociais na Argentina.
Segundo
ela, o governo argentino estaria desmontando políticas que garantem trabalho,
dignidade, direitos e esperança à população — justamente os pilares que, em sua
visão, marcaram os governos de Lula no Brasil.
A
parlamentar também acusa Milei de agir como “marionete de poderes externos que
buscam se apropriar da nossa soberania”, reforçando a crítica de que sua
administração favoreceria interesses estrangeiros em detrimento dos interesses
nacionais.
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“Essa é a diferença”
A
mensagem termina sintetizando o contraste estabelecido pela deputada entre os
dois líderes.
“Essa é
a diferença entre um presidente que deixa um enorme legado histórico e você,
que apenas está de passagem para destruir a Argentina como marionete de poderes
externos que buscam se apropriar da nossa soberania”, escreveu Lorena Pokoik.
Fonte:
Brasil 247

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