Pode
o cristianismo desaparecer?
A
Igreja Católica está no banco dos réus: na opinião de Werbick, é a instituição
eclesiástica, e não a "maldade dos tempos", a principal responsável
por reduzir o cristianismo a uma espécie de lixo a ser descartado. A questão
que dá título ao livro não é concebida por Werbick como uma provocação
puramente retórica. Trata-se de uma questão real, que surge da observação de
uma situação histórica em que o cristianismo, pelo menos em sua forma eclesial
ocidental e especialmente católica, já não parece socialmente aceito,
culturalmente atraente ou institucionalmente crível. Werbick resume esse
cenário na expressão "exaustão eclesial".
Em
alemão, a palavra usada para expressar o conceito de "exaustão" tem
uma etimologia muito forte. De fato, Erschöpfung contém em si o termo
Schöpfung, que significa "criação", enquanto o prefixo Er- é
privativo. Portanto, a exaustão deve ser entendida em seu sentido forte como
uma espécie de "descriação", ou seja, uma condição de inconsistência
radical e falta de sentido. Assim, não se trata apenas de uma certa forma
histórica da Igreja parecer ter consumido sua força e confiabilidade. Trata-se,
sobretudo, de a própria Igreja, enquanto tal, parecer incapaz de imaginar seu
próprio presente e futuro com visão e coragem. O problema, portanto, não é
apenas o declínio da prática religiosa ou a perda de relevância pública, mas um
profundo esvaziamento espiritual, simbólico e institucional do cristianismo,
particularmente em sua configuração católica.
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Os principais temas do texto
Werbick
tenta responder a essa pergunta oferecendo não um argumento teológico
propriamente dito, mas sim, poderíamos quase dizer, um fluxo de consciência,
que muitas vezes também assume a forma de uma meditação autobiográfica; ou, se
preferirmos, uma "confissão" à maneira de Agostinho, elaborada por um
leigo católico de oitenta anos, que dedicou a maior parte de sua vida à
pesquisa acadêmica e ao ensino da teologia. Precisamente por causa desse gênero
literário específico, não pretendo fornecer um resumo simples das várias seções
do livro. Em vez disso, tentarei destacar quatro temas subjacentes que
estruturam o discurso do texto.
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Ativar um processo de purificação
Um
primeiro tema subjacente é a necessidade de ativar um processo de purificação
do cristianismo católico em todos os níveis e em todos os seus elementos
constituintes. Werbick acredita que muito do que, ao longo da história, foi
identificado com a essência do cristianismo deveria, na verdade, ser
considerado uma distorção ou superestrutura dele. O cristianismo, portanto,
precisa ser libertado, aliás, purificado, de formas de ação eclesial que
acabaram subjugando o Evangelho em vez de servi-lo. Dessa perspectiva, a Igreja
institucional, ao longo dos séculos, acabou sendo reduzida a um sistema de
poder que alega possuir a verdade e tende a disciplinar rigidamente seus fiéis.
Nesse contexto, Werbick oferece uma perspectiva original sobre o fenômeno
moderno da crítica religiosa. O Iluminismo e a modernidade são vistos não
apenas como forças destrutivas a serem combatidas por preconceito, mas também
como exemplos de emancipação de uma forma de crença cada vez mais infantil e
controlada. Por essa razão, a crise da Igreja não é interpretada unicamente
como uma catástrofe a ser lamentada e evitada: ela também pode se tornar uma
obra de verdade, permitindo aos fiéis restabelecer uma conexão mais autêntica e
madura com Deus.
A
famosa fórmula de Friedrich Nietzsche, "Deus está morto!", é
reinterpretada por Werbick como uma perda de plausibilidade não tanto por parte
de Deus em si, mas sim por parte de uma certa imagem de Deus, moldada pela
doutrina e pela espiritualidade. Werbick chega a falar de um dramático
"êxodo de Deus de sua Igreja", ou seja, o fato de que a iniciativa e
a presença de Deus se recusam a ser aprisionadas pela problemática forma
institucional que a comunidade eclesial assumiu ao longo dos séculos.
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A reformulação da crença
Aqui
emerge o segundo tema fundamental: uma profunda reformulação da crença. A fé
cristã não deve ser entendida, antes de tudo, como uma adesão externa a um
sistema doutrinário fechado, mas sim como a entrada em um diálogo no qual o
homem se deixa desafiar pela Palavra de Deus e, por meio dessa Palavra,
descobre a sua própria existência como uma resposta pessoal a uma questão
desafiadora. A fé, portanto, não consiste primordialmente na posse tranquila de
certezas formalmente definidas. Em vez disso, o ato de crer em Cristo é a
disposição de embarcar numa jornada promissora, cuja orientação fundamental é o
futuro aberto por Deus através de Jesus Cristo no Espírito. Essas considerações
nos permitem compreender melhor o significado do título do livro: o cristianismo
corre o risco de ser descartado se for identificado com sua estrutura
sociológica e institucional, mas não desaparecerá enquanto houver mulheres e
homens que continuem a se deixar chamar e a se entregar à Palavra de Deus, a
seguir suas vidas com dedicação e esperança, precisamente em virtude dessa
entrega.
O
cristianismo, portanto, não se garante por meio do aparato de uma instituição
que busca o controle total de seus membros. Ao contrário, a experiência cristã
se apresenta primordialmente como um evento de fé. Daqui decorre uma
relativização decisiva das pretensões de autossuficiência eclesiástica:
pertencer à Igreja nunca é o fim, mas a condição para tornar visível e
partilhável a ação de Deus em Cristo e o seu dom da salvação pelo Espírito.
Para citar novamente as palavras de Werbick: "O profeta Jesus de Nazaré
não tinha um modelo alternativo de sociedade pronto, mas falou de como as
coisas seriam se fossem boas, se correspondessem à boa vontade de Deus. Ele
compreendia-se como um semeador e anunciou o Evangelho segundo o qual agora se
pode começar o que conduz ao bem, porque Deus é aliado daqueles que começam o
bem e porque não deixa que os seus começos sejam em vão. Ter fé neste Evangelho
pressupõe uma imensa ingenuidade, a ingenuidade da fé; mas também a
engenhosidade da fé: querer encontrar começos em que o senhorio de Deus possa
começar no nosso mundo humano, tal como é agora".
Neste
nível, emerge a relação entre fé, dúvida e liberdade. Werbick não estigmatiza a
dúvida como um simples defeito da crença, mas a valoriza mais profundamente
como uma condição potencial para o amadurecimento da própria crença. A fé
cristã não elimina a incerteza da existência e não oferece proteção ideológica
total contra o risco. Pelo contrário, a crença autêntica implica expor-se ao
futuro, ao inesperado, às provações.
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A referência central a Jesus Cristo
Aqui
nos conectamos ao terceiro tema subjacente, que ajuda a estruturar o livro de
Werbick: a referência central a Jesus Cristo. O fundamento decisivo da fé é o
testemunho de um Deus que revela sua própria grandeza por meio da humilhação da
Cruz. Esse elemento é crucial, pois impede que a reforma do cristianismo seja
compreendida em um sentido genericamente moralista ou espiritualista. No âmago
da experiência cristã está o paradoxo de um Deus que salva não por meio de seu
poder avassalador, mas por meio da solidariedade, da vulnerabilidade e da
dedicação incondicional. Por essa razão, a renovação da fé não se dá por meio
de um renascimento triunfal da Igreja, mas sim por meio de uma conversão à
forma kenótica, isto é, à dinâmica de humilhação e esvaziamento de si que
caracteriza o Evangelho. Assim, a ideia de salvação também precisa ser
repensada. Segundo Werbick, a salvação consiste em permitir que Deus habite
entre nós, em querer viver com Ele, em abrir espaço para a Sua iniciativa de
renovação.
O
conceito de salvação desloca o foco de estruturas jurídicas ou meramente
cultuais para uma compreensão relacional e comunicativa da fé. A redenção não
é, antes de tudo, um mecanismo sagrado administrado pela instituição
eclesiástica, mas sim a abertura para uma nova forma de comunhão com Deus e
entre os seres humanos.
Werbick
escreve: "Deus se agrada em me ver! Em me ver, eu que falhei tantas vezes,
o fragmento, a ruína, minha beleza, o que eu poderia ter contribuído e como me
perdi. Esta seria a perspectiva da esperança pascal, que ultrapassa
infinitamente nossa preocupação criatural de não sermos apreciados e de
acabarmos em exaustão; que nos reconciliaria com nossa existência humana, que
poderia nos reconciliar com aqueles que negligenciamos, que nos negligenciaram.
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Uma visão renovada da Igreja
O
quarto e último tema subjacente leva-nos a refletir sobre a visão renovada da
Igreja. Werbick propõe uma Igreja participativa, entendida como uma comunhão de
serviço mútuo, na qual Deus se comunica através do Espírito por meio da
partilha de carismas. O significado de sua proposta eclesiológica pode ser
resumido da seguinte forma: menos centralismo disciplinar, mais fraternidade,
mais sinodalidade concreta, mais escuta do Espírito através da pluralidade de
vozes dos fiéis. A crise atual nos obriga a distinguir com mais rigor entre o
Evangelho de Jesus Cristo e sua gestão institucional; precisamente por essa
razão, a própria crise pode se tornar o lugar onde ressurge aquilo que é
verdadeiramente essencial ao cristianismo. Quando a fé se enraíza no poder, na
burocracia, na linguagem autorreferencial e na obsessão pela sobrevivência, ela
perde seu testemunho transparente de Deus. Quando, porém, a fé retorna a ser
uma resposta livre à Palavra de Deus e uma prática eficaz de comunhão, então o
cristianismo pode enfrentar e navegar pelo fim da "civilização
eclesiástica" sem perder sua vitalidade original.
Werbick
certamente não banaliza a crise, não a reduz a um mero deslize, um parêntese a
ser fechado o mais rápido possível; em suma, ele não busca soluções fáceis. Seu
projeto é mais complexo: aceitar que algo, ou muito, do regime passado do
cristianismo deve chegar ao fim, para que algo mais original possa ressurgir.
Para Werbick, o cristianismo certamente pode perder muitas de suas formas
históricas, suas supostas certezas institucionais e suas supostas vantagens
socioculturais. No entanto, não correrá o risco de desaparecer enquanto houver
pelo menos dois ou três que, reunidos em nome de Jesus, mantenham o ato
fundamental da fé: permitir-se ser chamados por Deus através do Espírito de
Cristo e responder incorporando um modo de vida mais evangélico, mais humano,
que, portanto, não seja dominado pela lógica do egocentrismo e da opressão. Em
suma, a proposta de Werbick é importante porque nos obriga a retornar às
questões mais radicais: o que torna o cristianismo crível hoje? Qual é a
relação entre Jesus Cristo e a forma histórica da Igreja? Como a revelação pode
comunicar a verdade sem se tornar uma imposição? Como podemos pensar a fé
eclesial dentro de uma cultura pós-cristã?
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Um foco eclesiológico-pastoral
O livro
de Werbick é interessante porque não se limita a denunciar a crise da Igreja,
mas nos força a questionar que tipo de comunidade cristã pode ser considerada
teologicamente plausível e pastoralmente viável hoje. Como vimos, sua tese
básica é que o atual "esgotamento eclesial" não é um simples acidente
ao longo do caminho, mas sim o resultado do desgaste secular de uma forma de
Igreja que luta para tornar o Evangelho crível para a consciência dos homens e
mulheres de nosso tempo. Do ponto de vista eclesiológico, a maior contribuição
do livro reside no fato de Werbick relativizar decisivamente qualquer
identificação imediata entre o cristianismo professado e a organização
eclesiástica.
A
Igreja não coincide com o Reino de Deus nem com a totalidade da ação de Deus no
mundo; antes, ela é chamada a ser um lugar de testemunho, de busca a Deus e de
acompanhamento na maturação da humanidade. A Igreja é crível quando busca a
Deus junto com homens e mulheres em suas situações de vida concretas, e quando
ousa compartilhar sua caminhada com eles, sem medo de ter que lidar com uma
situação de fragmentação e incerteza. Essa abordagem possui forte relevância
eclesiológica, pois desloca o foco de uma Igreja concebida primordialmente como
uma estrutura de controle, autopreservação e gestão do sagrado, para uma Igreja
entendida como uma comunidade de pesquisa, escuta e solidariedade mútua. Nessa
perspectiva, a credibilidade eclesial não depende primordialmente da eficiência
institucional ou da unidade disciplinar, mas da capacidade de tornar visível
uma forma de existência pessoal e coletiva que demonstre autenticidade no
Evangelho.
Aqui, o
livro também aborda o tema da sinodalidade, que muitas vezes, infelizmente, se
tornou mais uma fórmula sugestiva do que uma experiência real. Contudo, se a
sinodalidade não for reduzida a uma mera técnica organizacional a ser aplicada,
ela poderá, em si mesma, representar um caminho para transformar a maneira de
ser da Igreja na história, na cultura e na sociedade. Envolve uma Igreja que
deve aprender a caminhar com Deus sem temer o desconhecido, encontrando sua
força na fraqueza e na solidariedade com aqueles que se encontram desprovidos
de meios e propósito.
Mais
precisamente, a proposta de Werbick parece favorecer uma eclesiologia de
comunhão não triunfalista. A Igreja não é tanto a entidade abrangente que
possui exclusivamente o mistério de Deus e o transmite aos outros, mas sim o
povo que se deixa preceder por Deus em Cristo e é continuamente reformado pela
iniciativa do Espírito. Este é um ponto muito frutífero, pois corrige um modelo
autorreferencial e defensivo da Igreja, que se tornou cada vez mais estéril e
até insuportável. Em segundo plano, emerge uma eclesiologia mais próxima da
categoria conciliar de "sacramento", entendida em sentido dinâmico:
uma comunidade eclesial que é sinal e instrumento de Cristo, não seu
substituto; uma comunidade que exerce uma mediação real, mas não autorreferencial,
em relação à iniciativa de Deus. A força da proposta reside precisamente aqui:
imaginar e implementar uma Igreja que seja novamente percebida como uma
realidade penúltima, uma comunidade de serviço, mais pobre do que ela mesma e,
portanto, mais transparente ao Evangelho.
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De uma perspectiva pastoral
De uma
perspectiva pastoral, essa percepção é muito promissora. Werbick está
convencido de que a ação eclesial, aqui e agora, não pode mais se basear na
obviedade social da adesão à fé, muito menos na reprodução enfraquecida de
práticas religiosas herdadas do passado. A ação da Igreja é chamada, em vez
disso, a assumir o caráter de um ministério pastoral de escuta, acompanhamento
e discernimento, capaz de estar ao lado das pessoas em meio a experiências cada
vez mais frequentes de distanciamento da comunidade eclesial, dúvida e ausência
de Deus. Werbick insiste precisamente neste aspecto: a experiência da distância
de Deus, da sua invisibilidade, não deve ser censurada a nível pastoral, pois
pode tornar-se um espaço em que ministros ordenados e fiéis leigos são instados
a abandonar uma linguagem excessivamente assertiva e, portanto, a
comprometerem-se a procurar vestígios da presença de Deus de uma forma mais
existencial e partilhada.
Dessa
perspectiva, o livro enfatiza a necessidade urgente de mudar significativamente
a direção da pastoral, que está demasiadamente focada na prática religiosa ou
na participação formal. Se a fé é uma resposta livre a um chamado e não
meramente uma aparência exterior, então a ação pastoral não pode ser reduzida à
administração de obrigações, mas deve se tornar a criação de espaços onde o
Evangelho possa ser percebido como uma palavra de vida confiável.
Pastoralmente, isso traz consigo pelo menos três consequências: maior atenção
às biografias concretas das pessoas que encontramos; uma abordagem menos
defensiva e mais acolhedora; e a disposição de reconhecer que a jornada da fé
muitas vezes passa por situações de ambivalência, feridas e incompletudes, nas quais
pessoas reais se encontram. Há ainda outro aspecto muito relevante em nível
pastoral: a meditação de Werbick opõe-se implacavelmente a qualquer estratégia
de restauração da identidade do ser e do fazer da Igreja.
Em
tempos de exaustão eclesial, a tentação é muitas vezes precisamente a de
endurecer as fronteiras, acentuar a distinção entre "dentro" e
"fora", multiplicar os apelos à obediência e conceber a ação eclesial
como uma firme defesa da fidelidade a tradições agora desgastadas. Werbick
sugere proceder na direção oposta: precisamente quando a Igreja se descobre
como minoria, deve superar a tentação de se refugiar em cidadelas sitiadas e,
em vez disso, buscar todas as formas possíveis de ativar comunidades comunicativas,
que invistam suas energias na construção de realidades comunitárias que
coloquem no centro de sua identidade as muitas formas que a proximidade
evangélica com todos é encorajada a assumir. Contudo, como já observamos, é
precisamente aí que emergem as limitações eclesiológicas do livro. A crítica à
forma institucional da Igreja é convincente e necessária, mas a reflexão
teológica de Werbick parece menos criativa quando se trata de delinear
positivamente o que deveria ser a mediação eclesial, uma mediação capaz de
escapar ao destino do seu próprio esgotamento
Em
outras palavras, o ensaio eclesiológico de Werbick é muito forte na pars
destruens e menos decisivo na pars construens. Ele reitera claramente que a
Igreja não pode mais ser concebida segundo modelos de autossuficiência
hierárquica ou controle das consciências. Menos claro é como elementos
decisivos como ministério, autoridade, membresia, sacramentalidade, disciplina
comunitária e magistério devem ser repensados de maneira teológica e
antropologicamente adequada. De uma perspectiva pastoral, este problema está
longe de ser um detalhe menor: a ação eclesial atenta à escuta e ao
acompanhamento requer também funções eclesiais reconhecíveis, práticas
compartilhadas, formas estáveis de vida em comum e ministérios eficazes. Se
esses aspectos permanecerem em segundo plano, corre-se o risco de a reforma da
ação eclesial perder a consistência institucional e resultar numa criatividade
que pode ser exuberante, mas mal estruturada e, portanto, fadada a não resistir
ao teste do tempo.
Poder-se-ia
dizer, então, que, em nível pastoral, Werbick oferece principalmente um
critério, e não um modelo. O critério é muito claro: qualquer forma de ação e
organização que não torne a Igreja mais evangélica, menos autorreferencial,
mais solidária e mais capaz de buscar a Deus em conjunto com os outros,
inevitavelmente trai sua missão. Contudo, o modelo operacional capaz de
implementar esse critério permanece deliberadamente aberto e indefinido. Isso,
por um lado, é uma vantagem, pois evita soluções fáceis; por outro, deixa sem
solução o problema de como traduzir esse critério em reformas efetivas e
eficientes das comunidades, ministérios e estruturas. Em suma, minha avaliação
geral da contribuição de Werbick é que ela é valiosa, na medida em que desmantela
sem reservas um modelo de Igreja centrado na posse da verdade e no controle das
consciências, para relançar, como alternativa, uma Igreja mais humilde, mais
relacional e mais exposta ao evangelismo. Além disso, de uma perspectiva
pastoral, a meditação de Werbick é estimulante porque nos convida a passar de
uma lógica de manutenção e conservação para uma de movimento e transformação.
Sua limitação reside no fato de que essa saudável provocação, embora poderosa
do ponto de vista da intuição teológica, tem dificuldade em se traduzir em uma
proposta suficientemente detalhada para a reestruturação da forma eclesial em
sua aplicação concreta.
Fonte:
Por Duilio Albarello, no Settimanna News

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