Argentinos
querem se ver livres do presidente insano que veio ao Brasil
Uma
diferença básica e decisiva do confronto entre Lula e Javier Milei. Todas as
pesquisas mostram que o brasileiro deseja reeleger Lula para um quarto mandato.
Na Argentina, em pesquisa que está nesta segunda-feira na capa do jornal
Clarín, a população avisa: 51,5% não querem mais saber de Milei.
Um dado
complementar agrava a situação do fascista e vigarista no poder. O instituto de
consultoria Proyección perguntou aos eleitores se eles desejavam um outro
governo alinhado com o peronismo ou apenas outra alternativa ao atual
governante: 37,8% responderam que se identificam com um governo de peronistas e
apenas 13,7% desejam uma oposição de outra linha política.
O
resumo que Milei tem na sua mesa não precisa da interpretação de assessores ou
analistas políticos. Para 51,5%, hoje ele deveria deixar o governo, e para
48,9% deve permanecer. É um empate técnico, mas pela primeira vez os números se
invertem, com o detalhe da retomada do apoio ao peronismo.
Outro
desdobramento que expõe a situação complicada do homem que veio ao Brasil para
se apresentar como líder da extrema direita latino-americana. Os 48,9% que
desejam que ele permaneça se dividem assim: 20,3% entendem que deve continuar
com a atual política para o país, 19,1% acham que deve mudar a equipe e a
condução do governo e 9,1% não sabem.
Somando
os que desejam mudanças no governo com os que não sabem dizer o que querem, o
índice chega a 28,2%, contra os 20,3% que preferem que tudo continue como está.
Os argentinos perderam a convicção de que Milei seria o mágico disruptivo.
Tem
mais. O voto anti-Milei a qualquer custo é de 40,1%. Esse percentual de
eleitores votaria em qualquer nome, mesmo que não seja o seu preferido, para
impedir mais um governo Milei. E aqui, em menor índice, o voto antiperonista:
37,5% declararam que votariam em qualquer candidato para evitar o retorno do
peronismo ao poder. A rejeição a Milei é maior do que a um nome do peronismo.
Como
vem sendo mostrado aqui no Brasil 247 pela jornalista Marcia Carmo,
correspondente em Buenos Aires, Milei não tem mais o lastro político que já
teve para imaginar-se peregrinando pela América do Sul como a grande figura do
fascismo e de Trump na região.
O
Clarín destaca na capa, ao apresentar a pesquisa do Proyección, que o
sentimento antiperonista, que Milei capitalizou ao se eleger em novembro de
2023, está se diluindo. Enquanto isso, Axel Kicillof, governador peronista da
província de Buenos Aires, aparece em pesquisas recentes como capaz de vencer
Milei em 2027.
A
pesquisa dessa semana tem outros dados que tornam a situação argentina ainda
mais complexa: 42,5% dos eleitores não se identificam com os partidos atuais,
como o Justicialista (do peronismo), o Liberdade Avança (de Milei), o PRO (de
Mauricio Macri) ou a quase pulverizada, mas histórica União Cívica Radical
(UCR).
A
divisão fica assim: 42,5% que se dizem sem partido e se declaram independentes;
25,3% de direita e centro-direita; 18,8% de esquerda e centro-esquerda; e 12,4%
de centro. A pesquisa falha ao não tentar identificar como estaria hoje a
polarização entre os assumidamente peronistas contra os libertários de Milei.
Uma
outra abordagem possível pode levar à seguinte conclusão: na Argentina, como já
apareceu em pesquisas no Brasil, a maioria se define como de direita. Mas lá
essa maioria não seria suficiente hoje para assegurar a continuidade de Milei,
e aqui não impede a tendência à reeleição de Lula.
O povo
argentino finalmente desistiu de Milei por saber que, além de fascista, ele é
um pilantra investigado por ter se integrado a uma organização internacional de
criação de criptomoedas.
Milei
combina a ideologia de um liberalismo exacerbado, que está matando idosos e
crianças, com as vigarices que compartilha com a irmã, Karina, sua secretária
particular. Ela também está sob investigação da polícia e do Ministério Público
pelo caso da criptomoeda $Libra e pela suspeita de recebimento de propinas.
O homem
que veio ao Brasil atacar Lula e Alexandre de Moraes e fazer respiração boca a
boca em Flávio Bolsonaro, na convenção do PL, está tão mal lá quanto o filho
ungido está aqui.
• Jornalista do Clarín afirma que insultos
de Milei ao Brasil não têm paralelo e critica apoio de Tarcísio e Flávio
Bolsonaro
A
jornalista Natasha Niebieskikwiat, especializada em política internacional e
colunista do jornal argentino Clarín, afirmou que a viagem do presidente Javier
Milei a São Paulo para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e
atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um episódio sem
precedentes nas relações entre Brasil e Argentina.
Em
publicação nas redes sociais, a jornalista contestou as tentativas de equiparar
a visita de Milei ao encontro que Lula manteve com a ex-presidente Cristina
Kirchner durante sua prisão domiciliar, em julho de 2025.
Segundo
ela, os dois casos ocorreram em contextos completamente distintos.
“Lula
visitou Cristina quando a Argentina não estava em campanha eleitoral, ela não
era candidata e o encontro aconteceu durante uma viagem oficial para a cúpula
do Mercosul”, observou.
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Itamaraty desaconselhou encontro com Cristina
Natasha
lembra que, na ocasião, o próprio Itamaraty tratou a visita de Lula como uma
atividade privada e chegou a desaconselhá-la, marcando distância institucional
do encontro.
Além
disso, ressalta que o presidente brasileiro manteve discrição durante a viagem.
Já a
passagem de Milei por São Paulo, afirma, teve caráter muito mais oficial. O
presidente argentino foi recebido pelo governador Tarcísio de Freitas com
honras de chefe de Estado, recebeu a Medalha da Ordem do Ipiranga e contou com
a presença de integrantes da diplomacia argentina, entre eles o secretário de
Relações Exteriores, Pablo Quirno, e o cônsul-geral em São Paulo, Luis
Kreckler.
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Milei coleciona intervenções eleitorais
A
jornalista também observa que Milei acumula uma série de intervenções em
processos eleitorais de outros países.
Ela
recorda que o presidente argentino apoiou Donald Trump nos Estados Unidos,
Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e
Abelardo de la Espriella na Colômbia.
Segundo
Natasha, Lula desejava a vitória de Sergio Massa nas eleições argentinas de
2023, mas nunca promoveu ataques públicos contra Milei nem realizou gestos
semelhantes aos do presidente argentino durante campanhas eleitorais.
Ela
acrescenta ainda que campanhas de esquerda e de direita na América do Sul
frequentemente compartilham consultores e estratégias, lembrando que setores
ligados ao PRO e ao partido A Liberdade Avança também recorreram a
especialistas como Fernando Cerimedo e Javier Negre.
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“Brasil joga em outra liga”
Na
avaliação da colunista, Lula ocupa hoje um espaço muito mais relevante na
geopolítica mundial do que Milei.
Ela
observa que o presidente brasileiro mantém interlocução frequente com líderes
como Donald Trump e Xi Jinping, enquanto o Brasil exerce um peso internacional
muito superior ao da Argentina.
“Brasil
joga em outra liga”, resume a jornalista, argumentando que, apesar da
importância econômica da Argentina, o país ocupa posição muito menos central
nas disputas geopolíticas globais.
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Críticas aos insultos de Milei
Natasha
Niebieskikwiat também condena o tom adotado pelo presidente argentino em
relação a Lula.
Ela
lembra que, mesmo durante períodos de forte tensão política, Alberto Fernández
e Jair Bolsonaro nunca chegaram ao nível de agressividade verbal demonstrado
por Milei.
Por
fim, a jornalista manifesta surpresa com a reação da sociedade argentina diante
dos ataques do presidente.
Segundo
ela, causa espanto que parte dos argentinos aceite que seu chefe de Estado
utilize insultos contra o próprio povo e também contra o presidente de um país
vizinho com a importância estratégica, econômica, cultural e afetiva que o
Brasil possui para a Argentina. Ela conclui afirmando que esse comportamento
reflete uma espécie de “Síndrome de Estocolmo” na política argentina.
• Miriam Leitão responsabiliza Tarcísio de
Freitas e Flávio Bolsonaro pelas agressões de Milei ao Brasil
A
jornalista Miriam Leitão afirma, em coluna publicada no jornal O Globo, que a
visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil representou uma grave
ruptura dos protocolos diplomáticos e contou com o respaldo político do
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato do PL à
Presidência, Flávio Bolsonaro.
Segundo
a colunista, Milei desembarcou no Brasil sem comunicar previamente o governo
federal, procedimento considerado básico em viagens internacionais de chefes de
Estado, mesmo quando classificadas como privadas. Em vez de manter uma agenda
institucional, o presidente argentino seguiu diretamente para São Paulo, onde
foi recebido por Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes.
Para
Miriam Leitão, o governador paulista concedeu a Milei tratamento de chefe de
Estado ao recebê-lo com honras oficiais e entregar-lhe a Medalha da Ordem do
Ipiranga, a mais alta condecoração do Estado de São Paulo.
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Discurso contra Lula e Alexandre de Moraes
Após o
encontro com Tarcísio, Milei participou da convenção do PL que oficializou a
candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, fez ataques ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou políticas do governo brasileiro
e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Na
avaliação de Miriam Leitão, o episódio representou uma interferência inédita e
desrespeitosa na política interna brasileira, agravando uma das mais sérias
crises diplomáticas entre Brasil e Argentina das últimas décadas.
A
reação do governo brasileiro ocorreu por meio dos canais diplomáticos. O
Itamaraty chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas
e convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos
sobre a conduta do presidente de seu país.
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Acusações sem provas ampliaram o conflito
A
colunista destaca que, ao retornar à Argentina, Milei elevou ainda mais o tom
ao conceder entrevista ao jornal Clarín, na qual afirmou, sem apresentar
provas, que o governo brasileiro teria financiado uma campanha midiática contra
a Argentina após a conquista da Copa do Mundo.
Segundo
o presidente argentino, 25% dos recursos dessa suposta campanha teriam origem
no Brasil. Miriam Leitão ressalta que a acusação não foi acompanhada de
qualquer evidência e carece de fundamento conhecido.
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Crise atende interesses políticos de Milei
Na
análise da jornalista, mais do que apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro,
Milei procurou utilizar sua passagem pelo Brasil para fortalecer sua imagem
política em meio às dificuldades enfrentadas por seu governo, que registra
elevados índices de desaprovação segundo pesquisas de opinião.
Miriam
Leitão observa ainda que a estratégia pode trazer custos para a própria
Argentina, uma vez que o Brasil é o principal parceiro comercial do país e o
principal destino das exportações industriais argentinas. Para a colunista,
caberá agora à diplomacia dos dois países trabalhar para reconstruir uma
relação que sofreu forte desgaste após os episódios protagonizados por Milei
durante sua visita ao Brasil.
• Ao atacar Lula, Milei “deu um tiro no
próprio pé”, diz imprensa argentina
O
presidente da Argentina, Javier Milei, “extrapolou” todos os limites
diplomáticos possíveis, no entendimento de quem acompanha a relação bilateral.
Foi a primeira vez que um presidente subiu ao palco num país estrangeiro para
atacar o chefe de Estado do território nacional. O Brasil é o principal
parceiro comercial da Argentina, mas desde que assumiu Milei realizou 16
viagens aos Estados Unidos (muitas delas para encontros da extrema-direita e
não para questões de Estado), deixando evidente sua preferência ideológica com
o governo Trump. Milei também já realizou várias viagens à Espanha para
encontros também com a extrema-direita e fez duas visitas à Israel.
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Preocupação
Mas são
suas falas em São Paulo que hoje preocupam políticos opositores, empresários e
formadores de opinião da Argentina.
Os
títulos da imprensa argentina, no domingo e nesta segunda-feira, resumem o tom
de preocupação e de indignação com as declarações de Milei durante o lançamento
da campanha do senador Flávio Bolsonaro à presidência. Os ataques de Milei são
o principal assunto na Argentina. “O chanceler do Brasil criticou Milei
duramente e o ministro da Economia de Lula o chamou de “palhaço”, estampa o
portal do Clarín, de Buenos Aires, nesta segunda-feira.
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“Inaceitável” e “palhaço”
O
ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, definiu a “afronta” de Milei
como “grave e inaceitável”. “O governo argentino precisa explicar por que o
presidente da Argentina veio ao território brasileiro para fazer estas
declarações tão duras, grosseiras e inaceitáveis?”, disse Viera, como reproduz
o Clarín. O jornal argentino inclui ainda em sua matéria declaração do ministro
da Fazenda, Dario Durigan, que chamou Milei de “palhaço”. O Página 12, da
capital argentina, também destacou as declarações de Vieira e de Durigan e
enfatiza que esta é a pior crise entre os dois países – e provocada pelo
presidente argentino.
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Pior crise
Sem
dúvida, é a pior crise diplomática, em tempos democráticos, entre os dois
países. O governo brasileiro convocou o embaixador Júlio Bitelli, de Buenos
Aires, num sinal de repúdio às falas e atitude de Milei. E também convocou o
embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. No dicionário diplomático,
estes são gestos de tensão na relação bilateral. Por enquanto, não se pensa,
porém, na retirada de Bitelli de Buenos Aires, o que significaria o rompimento
das relações entre os dois países.
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“Autoflagelo”
O
colunista do La Nación, de Buenos Aires, Claudio Jacquelin, escreveu, nesta
segunda-feira, que Milei provocou um “autoflagelo” – a ele e ao país. “Milei tem o poder de gerar lesões nele mesmo
e no país. E essa atitude não parece ter fim porque Milei sempre pode se
superar, como ficou evidente no sábado quando iniciou um conflito, sem
precedentes, com o maior país do hemisfério sul e principal sócio comercial da
Argentina”, escreveu Jacquelin.
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A viagem
O
analista Juan Gabriel Tokatlian, do Conversatório Latino-americano e professor
da Universidade Torcuato Di Tella, de Buenos Aires, observou que esta não foi
uma viagem particular de Milei, já que ele estava acompanhado pelo ministro das
Relações Exteriores, Pablo Quirno, e pela secretária geral da Presidência,
Karina Milei, sua irmã.
Fonte:
Por Moisés Mendes, em Brasil 247

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