Com
Flávio, Eduardo e Figueiredo, EUA preparam terreno para não reconhecer eleição
no BR
A
notícia não é boa e deve ser tratada com a maior seriedade – inclusive pelas
autoridades competentes, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). O governo de Donald Trump está preparando uma armação
para questionar a integridade das urnas brasileiras, de maneira coordenada com
Eduardo e Flávio Bolsonaro, e Paulo Figueiredo.
A
estratégia tem dois objetivos: criar desconfiança aqui no Brasil quanto aos
resultados, causando ruído diante da possível derrota de Flávio para Lula; e
criar uma base documental e narrativa para embasar uma recusa dos EUA em
reconhecer o resultado eleitoral.
No
sábado, o jornal Washington Post denunciou que os EUA planejavam enviar dois
oficiais indicados por Trump para Brasília para questionar a integridade das
urnas, encontrando-se com políticos que questionam a integridade eleitoral e
escrevendo um relatório apontando problemas, que não precisaria conter nem um
fio de verdade.
Entre
os enviados por Trump estaria Samuel Samson, de 27 anos, subsecretário-adjunto
de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho,
designado este ano, que tem liderado uma guerra contra a Europa pelo que os
trumpistas vêem como “censura política” e “lawfare” à extrema direita no bloco.
No final de maio, Samson liderou uma comitiva que foi a Londres se encontrar
com manifestantes anti-aborto e grupos “anti-cultura do cancelamento”.
O plano
era virem aqui para criar um fato político. Uma fake news criada desde o
Departamento de Estado.
Os
pedidos de visto foram negados pelo Itamaraty. Mas três eventos nos últimos
dias demonstram que a campanha contra as eleições não vai acabar, e está sendo
coordenada pelo governo Trump junto ao verdadeiro QG da campanha de Flávio
Bolsonaro, que tem sede no Texas e é liderado por Eduardo e Paulo Figueiredo.
Em 16
de julho, Trump foi à TV americana para atacar as urnas eletrônicas nos EUA.
O que
ele disse? “Os americanos foram descaradamente enganados sobre a segurança da
nossa infraestrutura eleitoral, incluindo a segurança das máquinas de votação
eletrônica.”
Acusou
a China de ter acessado dados de eleitores. Em um discurso de 20 minutos, ele
afirmou que relatórios de inteligência suprimidos do público, supostamente,
alertariam sobre “vulnerabilidades chocantes de nossa infraestrutura
eleitoral”. Na democracia mais antiga do continente, chegou a questionar a
habilidade dos EUA de terem “eleições livres e justas”. O objetivo claro era já
preparar um golpe contra as eleições de meio de mandato que acontecem em
novembro, quando ele pode perder o controle da Câmara e do Senado.
Mas o
pronunciamento foi concatenado a uma renovada campanha golpista de Flávio e
Eduardo Bolsonaro, lançada a seguir.
Cinco
dias depois, Flavio reuniu-se com diplomatas em um evento em Brasília e colocou
em dúvida a integridade das urnas eletrônicas, conclamando-os a enviarem
observadores eleitorais. Disse que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma
origem das urnas da empresa Smartmatic e que um relatório da CIA mostra que a
empresa estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas
eleições de 2012. O TSE já afirmou repetidas vezes que não usa urnas da empresa
ou que ela tenha acesso aos seus dados.
Com a
reunião, Flávio repetiu 4 anos depois a reunião de Bolsonaro com diplomatas em
2022, que o tornou inelegível.
Então,
quatro dias depois da fala do irmão, Eduardo Bolsonaro fez uma live escandalosa
junto com Fernando Cerimedo – sim, o marqueteiro argentino que publicou um
vídeo com um suposto “dossiê” afirmando ter havido fraude nas eleições de 2022.
O dossiê foi escrito por Mauro Cid e fazia parte do plano de golpe de Estado,
segundo a PF.
Cerimedo
foi assessor de Milei e o apresentou a Eduardo, tendo pago uma viagem do 03 à
Argentina entre o primeiro e o segundo turno de 2022, como a Pública
revelou.
Na
live, ambos repetiram todas as mentiras da live golpista de 2022, como a
entrada de votos fraudados depois das 5 da tarde, e uma suposta diferença nos
logs entre urnas novas e urnas mais antigas, e que somente o Brasil teria urnas
eletrônicas. Tudo já desmentido pelo TSE.
A
narrativa central criada desde o governo Trump é que, depois do fim da USAID, a
extrema direita tem ganhado todas as eleições no continente. Se a esquerda
ganha, é porque houve fraude.
Sobre
as eleições de 2022, ambos disseram que, juntos, eles “encontraram a fraude”.
Eduardo:
Olha aqui… Não é necessário fraudar 100% das urnas, correto, Cerimedo? Se você
fraudar apenas uma porcentagem delas, já dá para fazer a fraude acontecer e
aquela pessoa que você deseja, seja a vencedora. Correto?
Cerimedo:
Correto. Você necessita de 5% ou 10% das máquinas para trocar o resultado, nada
mais. Lembre-se: a fraude estava nas máquinas, mas, no centro de processamento,
você pode alterar o log. Então, pode disfarçar o que aconteceu. Mas eles não
contavam que nós íamos…
Eduardo:
…Encontrar a fraude.
Durante
a live, Eduardo apresentou slides feitos pela “Revista Timeline”, pertencente
ao blogueiro Allan dos Santos.
Ele
atacou diretamente o TSE. Afirmou que “em regimes autoritários, quem controla
as eleições, controla também os auditores. A centralização tecnológica é
precisamente o vetor da fraude, não a sua blindagem”.
Seguiu:
“O sistema eleitoral digital global carrega uma vulnerabilidade intrínseca, a
capacidade silenciosa de comprometer e fraudar centenas de milhões de registros
sob demanda da autoridade central. Então, meus caros, isso aqui, como é que
você soluciona isso? Se você tiver um voto no papel, você soluciona isso.”
A live
aconteceu depois de Eduardo ter garantido o Green Card americano e estar
seguramente longe da Justiça do Brasil, onde já foi condenado a 4 anos e 3
meses pelo crime de coação no curso do processo.
Com
ele, a narrativa do golpe segue vivíssima e é parte central da campanha do
candidato do PL.
Se
engana quem acha que, com a negativa do visto aos delegados do Departamento de
Estado, os ataques contra nossas eleições irão parar.
Donald
Trump já demonstrou cabalmente que se importa com todas as eleições deste
continente e vai intervir tanto quanto possível, como fez na Argentina, em
Honduras e na Colômbia.
No
Brasil, não vai ser diferente. A visita dos enviados é apenas um dos muitos
esforços que visarão abrir as portas para que os EUA rejeitem o resultado
democrático das urnas e pressionem outros governos da reunião a fazerem o mesmo
– alguém tem alguma dúvida do que fará a Argentina de Milei?
• Embaixada dos EUA acionou líder do PL
para visita que questionaria urnas no Brasil. Por Dyepeson Martins
A
embaixada dos EUA no Brasil entrou em contato com o líder do PL na Câmara dos
Deputados, Sóstenes Cavalcanti (RJ), para que o parlamentar recebesse Riley
Bernes e Samuel Samson, dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA —
órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil. A delegação
teve os vistos negados pelo Consulado Brasileiro em Washington e, conforme
noticiado pelo jornal The Washington Post, planejava se reunir com lideranças
políticas em Brasília para lançar dúvidas sobre a integridade do processo
eleitoral no país.
Sóstenes
confirmou à Agência Pública ter sido acionado por meio da assessoria da
embaixada norte-americana e relatou não ter sido informado sobre o tema da
reunião.
“A
embaixada americana entrou em contato comigo pedindo para receber duas
autoridades do governo americano. Eu disse que receberia com todo prazer. Eu
recebo toda e qualquer autoridade de todos os países do mundo para falar sobre
qualquer assunto, sem nenhum problema”, reforçou o deputado. O parlamentar
também questionou o motivo da negação dos vistos pelo governo. “Nunca soube que
essas autoridades falariam sobre urnas. Mesmo que fosse, é proibido falar sobre
urnas eletrônicas?”.
Segundo
o Itamaraty, a justificativa oficial apresentada pelos americanos para virem ao
país era fazer contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de
expressão. O governo dos Estados Unidos não detalhou os planos de viagem dos
dois funcionários.
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O impasse Daniel Perez
Os
vistos foram negados na semana passada em meio a impasses diplomáticos com os
EUA. Em 1º de junho, o presidente Donald Trump gerou mal-estar no governo
brasileiro ao anunciar — sem antes consultar o Itamaraty, como preconizam as
regras da diplomacia — o deputado republicano da Flórida, Daniel Perez, como
embaixador no Brasil. Além disso, em 15 de julho, o secretário de Estado dos
Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre
diversos produtos brasileiros. Na publicação feita no X (antigo Twitter), Rubio
ainda culpou nominalmente o presidente Lula pela imposição das taxas.
A
resposta brasileira a Rubio, um dos nomes mais influentes do governo americano
e que se autodenomina “anticomunista visceral”, teve um tom mais direto e
contundente do que o adotado após a aplicação da tarifa global de 10%, em 2 de
abril de 2025. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que
as taxas ocorreram porque o Brasil não se “curvou às pretensões desmedidas e às
demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações” com o
governo dos EUA.
Procurado
pela reportagem, o Itamaraty não comentou as razões para a negação dos vistos e
reforçou que, quanto à aprovação ou não do nome de Daniel Perez à embaixada no
Brasil, o processo segue de forma sigilosa.
As
tensões entre os dois países emergem no contexto das intervenções políticas de
Donald Trump na América Latina e das relações com o bolsonarismo, ala mais
representativa do ultraconservadorismo no Brasil. Essas conexões são
estratégicas na corrida eleitoral à Presidência da República, liderada pelo
presidente Lula (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Fonte:
Por Natalia Vianna, da Agencia Pública

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