Tarifaço
dos EUA pressiona PL das big techs, mas governo mantém defesa da soberania, diz
mídia
O
governo Lula rejeita a pressão de congressistas dos EUA contra o PL dos
mercados digitais e mantém a defesa da regulação das big techs, mesmo em meio
ao tarifaço de Trump, tratando o tema como questão de soberania digital e
evitando acelerar o projeto para não ampliar tensões comerciais.
De
acordo com um portal de notícias de grande circulação no país, o governo de
Luiz Inácio Lula da Silva acompanha a pressão de congressistas republicanos
sobre o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na
sigla em inglês), mas descarta recuar no projeto que regula mercados digitais
no país.
Segundo
a apuração, mesmo em meio ao tarifaço imposto por Donald Trump, auxiliares do
governo brasileiro afirmam que a proposta reflete uma necessidade interna de
ordenar o setor e não será moldada por interesses dos Estados Unidos.
A
ofensiva ganhou força após 20 congressistas norte-americanos enviarem uma carta
ao chefe do USTR pedindo ação contra o Brasil pelo avanço do PL 4675/2025. O
texto amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
para enfrentar práticas anticoncorrenciais de grandes empresas de tecnologia,
aproximando o país de modelos regulatórios adotados na Europa.
Assessores
presidenciais disseram à mídia que a pressão não altera a posição do governo.
Para eles, o lobby das big techs não pode se sobrepor ao objetivo de fortalecer
a concorrência e a transparência no ambiente digital brasileiro. Nos
bastidores, integrantes do Planalto comparam a postura das empresas à
estratégia agressiva dos EUA na disputa tarifária.
Para
esses interlocutores, tanto o USTR quanto as gigantes de tecnologia têm
apresentado demandas consideradas excessivas, dificultando qualquer meio-termo
nas negociações. A carta dos congressistas não surpreendeu o governo, que já
havia sido alvo de críticas norte-americanas durante a investigação da Seção
301 — ocasião em que o Pix foi citado como suposta prática desleal.
No
Planalto, o debate é tratado como parte de uma agenda de "soberania
digital", que inclui regulação de plataformas, infraestrutura nacional de
dados, computação em nuvem e inteligência artificial (IA). O governo, porém,
evita acelerar o projeto de lei em meio ao clima de tensão comercial para não
abrir uma nova frente de conflito com empresas norte-americanas.
A
tramitação depende sobretudo do presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos), e do relator Aliel Machado (PV-PR).
O Poder
Executivo tem acompanhado o ritmo do Congresso sem pressionar pela votação,
embora representantes da Fazenda, da Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República (Secom) e do Cade tenham buscado ampliar apoio entre
lideranças antes do recesso legislativo. O calendário eleitoral, admitem
auxiliares à mídia, reduz as chances de avanço antes de outubro.
O
projeto prevê a criação da Superintendência Especial de Mercados Digitais no
Cade, responsável por designar empresas de relevância sistêmica e impor
obrigações específicas, como medidas de transparência e limites a práticas
consideradas abusivas. Entretanto, os republicanos afirmam que o texto replica
a legislação europeia e penaliza plataformas norte-americanas.
Empresas
de tecnologia reagiram ao parecer de Machado. O Conselho Digital, que reúne
Amazon, Google, Meta (empresa proibida na Rússia por extremismo), OpenAI,
TikTok e outras, critica a possibilidade de intervenção em algoritmos e fluxos
de dados, além da ampliação dos poderes do Cade. Para a entidade, o texto cria
insegurança jurídica e pode afetar todo o ecossistema digital, incluindo
startups e pequenos negócios.
ENTENDA
O CASO:
O
projeto de lei (PL) 4.675/2025, que busca estabelecer a “Lei de Mercados Digitais” no Brasil, entrou
no radar de deputados republicanos dos
Estados Unidos. Em carta enviada à Casa Branca, eles solicitaram que o governo
de Donald Trump avalie a tramitação da proposta e trate o tema com prioridade
nas negociações comerciais entre os dois países.
Em uma
carta enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos
(USTR, por sua sigla em inglês) os parlamentares avaliaram que a proposta
brasileira impõe restrições às big techs norte-americanas que atuam no Brasil.
No
documento, os congressistas defendem que o tema seja incorporado às negociações
comerciais entre Brasil e Estados Unidos e sugerem que Washington considere
medidas caso a proposta avance sem alterações.
De
acordo com os parlamentares, a proposta brasileira segue uma trajetória
regulatória semelhante à adotada pela União Europeia e afirma que as novas
exigências podem afetar o modelo de negócios das big techs, pois supostamente
reduziria a competitividade dessas empresas em mercados internacionais.
O
projeto também cria a Superintendência Especial de Relevância Sistêmica, Livre
Concorrência e Defesa do Consumidor em Mercados Digitais, vinculada ao Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão que será responsável na
definição de quais plataformas serão enquadradas como de relevância sistêmica,
fiscalizar sua atuação, requisitar informações, realizar investigações,
promover audiências públicas e aplicar sanções administrativas em casos de
descumprimento da legislação.
Além
disso, o texto estabelece que o comando da superintendência será exercido por
um dirigente indicado pelo presidente da República, cuja nomeação dependerá de
aprovação do Senado Federal. O mandato previsto é de dois anos, com
possibilidade de uma única recondução.
<><>
Trump se irrita com UE
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende abrir uma
investigação contra a União Europeia e avaliar a adoção de novas tarifas
comerciais. A medida, segundo ele, é uma resposta às multas aplicadas pelo
bloco europeu a grandes empresas de tecnologia norte-americanas, que
classificou como “ilegais” e “discriminatórias”.
Em
publicação na plataforma Truth Social, Trump acusou a União Europeia de
explorar empresas dos Estados Unidos por meio de sanções e regulamentações que,
em sua visão, prejudicam as companhias americanas.
A
manifestação ocorreu após a Comissão Europeia aplicar ao Google uma multa de
890 milhões de euros (US$ 1,01 bilhão ou R$ 5,09 bilhões), sob a alegação de
que a empresa abusou de sua posição dominante no mercado de buscas para
restringir a concorrência.
• 'Ninguém nos derrotará com mentiras',
diz Lula à mídia norte-americana
O
Brasil acusa que novas tarifas dos EUA têm motivação política e ameaçam a
parceria bilateral entre Brasília e Washington. O governo afirma que Trump
ignorou negociações e impôs taxas de até 37,5%, "um erro estratégico"
que encarece produtos norte-americanos, reduz exportações e fragiliza cadeias
de suprimentos.
Segundo
uma coluna de opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à mídia
norte-americana, ele descreve sua "surpresa" ao ver, há um ano, uma
carta de Donald Trump impondo tarifa de 50% sobre produtos brasileiros,
documento que mencionava o ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de
golpe de Estado) e deixava "explícita a motivação política" da
medida.
O
presidente afirma no texto ter dito repetidamente a Trump que "não
precisamos compartilhar a mesma visão de mundo" para manter uma relação
benéfica entre as duas maiores democracias das Américas.
De
acordo com o texto, negociações bilaterais e decisões da Suprema Corte dos EUA
desmontaram a versão inicial das tarifas, mas o governo norte-americano voltou
a impor novas taxas entre 12,5% e 37,5%.
Lula
disse que isso ocorreu "ignorando dezenas de reuniões" e documentos
entregues pessoalmente ao presidente norte-americano. A plataforma independente
de monitoramento de políticas comerciais Alerta Global de Comércio teria
estimado que Brasil e Turquia se tornaram os países mais tarifados pelos EUA
depois da China.
O
presidente brasileiro argumentou que as tarifas são "injustas" e um
"erro estratégico", pois prejudicariam a economia norte-americana e
setores que dependem de insumos brasileiros. Citou que alimentos, calçados,
móveis e autopeças ficarão mais caros nos EUA. Ele também afirmou que as
exportações brasileiras ao país caíram ao menor nível desde 1997, enquanto o
comércio com Europa e China cresceu.
A médio
prazo, as tarifas devem "perturbar cadeias de suprimentos profundamente
integradas", levando empresas brasileiras a substituir fornecedores
norte-americanos, afirmou o presidente. Para ele, isso revela "grande
inconsistência" entre o discurso estratégico dos EUA e suas políticas para
o Hemisfério Ocidental. A região, afirmou, "não precisa de porta-aviões
nem de tarifas punitivas", mas de parceiros previsíveis.
Ele
defendeu que iniciativas de investimento, comércio e combate ao crime
organizado são o caminho para enfrentar os desafios regionais e criticou
"empreendimentos neocoloniais", lembrando que, apesar do histórico de
intervenções dos EUA, houve momentos de cooperação, citando a Política da Boa
Vizinhança de Roosevelt (1933-1945) e a inclusão de países latino-americanos no
G20 por George W. Bush (2001-2009).
Lula
afirmou ainda que a única guerra necessária no hemisfério é contra "fome,
pobreza e desigualdade", usando como armas "investimento, tecnologia
e comércio justo". Disse que tentativas de impor restrições ideológicas à
parceria bilateral "não prevalecerão" e criticou declarações recentes
de autoridades norte-americanas: "Ninguém nos derrotará com
mentiras".
Por
fim, ele rebateu alegações de Trump sobre o Brasil, dizendo que são
"infundadas". Defendeu a regulação de plataformas digitais, afirmou
que o Pix "não discrimina empresas norte-americanas" e destacou
avanços no combate ao desmatamento desde 2023.
O
presidente concluiu que o Brasil respeita a soberania alheia e exige
reciprocidade: "O destino do Brasil cabe somente aos brasileiros
determinarem — sem interferência estrangeira ou subserviência".
• Lula diz que tem mecanismos de
reciprocidade para lidar com tarifas de Trump
O
presidente Lula (PT) afirmou, em artigo publicado neste domingo (26) no jornal
The Washington Post, que as tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil são “um
erro estratégico” e que conta com mecanismos para garantir a reciprocidade.
“Além
de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicarão a
economia dos Estados Unidos e a parceria entre os Estados Unidos e o Brasil.
Vários setores industriais americanos dependem de insumos brasileiros.
Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e muitos outros produtos
ficarão mais caros para os consumidores americanos”, disse Lula na publicação.
Os EUA
decidiram aplicar uma tarifa de 12,5% ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de
Comércio, em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos
feitos com o uso de trabalho forçado.
A
sobretaxa foi anunciada na quinta-feira (23) e se soma aos 25% já impostos em
outra investigação envolvendo produtos brasileiros. A decisão culmina em uma
taxa acumulada de 37,5% para diversos setores e produtos.
“No
médio prazo, essas tarifas interromperão cadeias de suprimentos que atualmente
estão profundamente integradas, e empresas brasileiras substituirão seus
fornecedores americanos por parceiros de outras regiões”, disse Lula no artigo.
O
presidente afirmou que as exportações brasileiras para os Estados Unidos
atingiram o nível mais baixo desde 1997. “Comparando os primeiros seis meses de
2025 e 2026, o comércio bilateral com os Estados Unidos diminuiu 12,8%,
enquanto o comércio do Brasil com a União Europeia cresceu 6,1% e seu comércio
com a China aumentou 15,9%.”
Lula
citou dados do Global Trade Alert, organização independente sediada na Suíça
que estimou que Brasil e Turquia são os segundos países mais tarifados pelos
Estados Unidos, atrás apenas da China. “Isso apesar do superávit dos Estados
Unidos com o Brasil no comércio bilateral de bens e serviços, que totalizou US$
428 bilhões ao longo de 15 anos consecutivos”, disse.
Lula
afirmou que o anúncio das novas tarifas desconsiderou “dezenas de reuniões”
entre as equipes de Brasil e EUA, além de “sólidos argumentos técnicos e
documentos que entreguei pessoalmente ao presidente Trump”.
“Isso
diz muito sobre a inconsistência entre os interesses que os Estados Unidos
proclamam em sua estratégia de segurança nacional e as políticas que adotam em
relação ao hemisfério ocidental”, disse o petista.
“A
América Latina e o Caribe não precisam nem de porta-aviões patrulhando suas
águas nem de tarifas punitivas. O que nos falta são parceiros confiáveis e
previsíveis. Em um momento em que os Estados Unidos estão fechando seu mercado,
outros países surgiram como alternativas, oferecendo uma agenda positiva capaz
de promover o desenvolvimento econômico e social”, acrescentou.
Lula
declarou que as alegações de Trump para justificar as tarifas contra o Brasil
são infundadas.
“A
liberdade de expressão não é um passe livre para atividades criminosas nas
plataformas de redes sociais —não abriremos mão de proteger nossas famílias e
nossas crianças da ganância de um punhado de oligarcas da tecnologia.”
O
presidente brasileiro também defendeu o Pix. “Nosso sistema de pagamentos, o
Pix, não discrimina empresas americanas e é uma referência internacional em
infraestrutura pública digital.”
Lula
disse estar convencido de que “unir esforços em torno de iniciativas concretas
envolvendo investimentos, comércio e o combate ao crime organizado é o caminho
para superar os males que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”.
“Respeitamos
a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que sabem
respeitar a nossa. A reciprocidade é o fundamento de toda relação entre nações,
e temos os mecanismos apropriados para garanti-la”, afirmou.
“Estamos
prontos para continuar mantendo um diálogo aberto e construtivo, como exige a
relação entre dois países como Brasil e Estados Unidos. Mas o destino do Brasil
cabe apenas aos brasileiros determinar —sem interferência estrangeira nem
subserviência”, declarou.
Fonte:
Sputnik Brasil/Opera Mundi/ICL Notícias

Nenhum comentário:
Postar um comentário