Moraes
deixa Jair e Flávio Bolsonaro sem saída: ou pai volta para cadeia ou filho fica
inelegível
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocou Jair e
Flávio Bolsonaro diante de um impasse jurídico que pode atingir tanto a
liberdade do ex-presidente quanto a candidatura do senador ao Palácio do
Planalto.
Em
despacho publicado nesta terça-feira (28), Moraes deu 48 horas para que a
defesa de Jair Bolsonaro esclareça se ele autorizou o uso de sua imagem e de
sua voz em um vídeo produzido por inteligência artificial e exibido durante a
convenção nacional do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio
Bolsonaro.
O
despacho estabelece duas hipóteses e deixa claro que ambas podem trazer
consequências graves para a família Bolsonaro. Se Jair admitir que concordou
com o vídeo, poderá ser acusado de violar novamente as condições da prisão
domiciliar e voltar ao regime fechado. Caso negue, Flávio Bolsonaro e o PL
poderão responder por desrespeito à ordem judicial e pelo uso eleitoral de uma
possível deepfake.
Neste
segundo cenário, o próprio despacho aponta que a conduta pode configurar uso
indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político e econômico. Uma
eventual condenação na Justiça Eleitoral pode resultar na cassação do registro
ou do mandato e na inelegibilidade dos envolvidos.
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Se autorizou, Bolsonaro pode voltar ao regime fechado
O vídeo
foi exibido no sábado (25), na Arena Pacaembu, em São Paulo, durante o evento
que lançou oficialmente Flávio Bolsonaro como candidato do PL à presidência da
República. Na gravação, uma reprodução digital de Jair Bolsonaro afirma estar
“preso e calado”, ataca a decisão judicial e pede apoio à candidatura do filho.
Jair
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses e está em prisão domiciliar
humanitária. Entre as restrições impostas pelo STF está a proibição de divulgar
manifestações de caráter político-eleitoral, direta ou indiretamente, inclusive
por meio de terceiros e independentemente do meio utilizado.
No
despacho, Moraes ressalta que todas as medidas cautelares continuam
integralmente em vigor. Segundo o ministro, uma eventual concordância de
Bolsonaro com o vídeo representaria uma “nova e grave transgressão” à decisão
judicial, ocorrida poucos dias depois de outra punição.
Nesse
caso, a autorização para a utilização da imagem e da voz do ex-presidente
poderia ser interpretada como uma tentativa de participar da campanha eleitoral
por intermédio de uma representação digital.
Moraes
afirma que a violação poderia provocar a “imediata reavaliação” do benefício
concedido e resultar na reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime
fechado.
A
advertência ganha peso porque Bolsonaro já foi punido recentemente por utilizar
o filho como intermediário político. Depois que Flávio divulgou uma carta
escrita pelo pai, Moraes considerou que houve descumprimento das restrições e
proibiu o senador de visitar o ex-presidente por 90 dias.
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Se negar autorização, problema passa para Flávio e o PL
A
segunda hipótese apresentada pelo ministro pode produzir consequências diretas
para a campanha presidencial do PL.
Caso
Jair Bolsonaro negue ter autorizado o vídeo, Moraes afirma que Flávio Bolsonaro
e o partido poderão ter desrespeitado a ordem judicial ao utilizar a imagem e a
voz do ex-presidente para realizar uma manifestação político-eleitoral.
Além
disso, a conduta poderá ser enquadrada como deepfake, prática expressamente
proibida pelas normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O
artigo 9º-C da resolução do TSE sobre propaganda eleitoral proíbe o uso de
conteúdo sintético em áudio ou vídeo para favorecer ou prejudicar uma
candidatura quando houver criação, substituição ou alteração da imagem ou da
voz de uma pessoa. A vedação vale “ainda que mediante autorização”.
Isso
significa que a simples identificação do material como produzido por
inteligência artificial não elimina necessariamente a irregularidade. Uma coisa
é utilizar recursos de IA com a devida rotulagem; outra é criar uma versão
artificial de uma pessoa real para transmitir uma manifestação de apoio
eleitoral.
No
entendimento exposto por Moraes, se a imagem tiver sido usada sem o
consentimento de Jair Bolsonaro, o vídeo poderá ter transmitido artificialmente
ao eleitorado a impressão de que o ex-presidente participa da campanha, apesar
de estar com os direitos políticos suspensos e submetido a uma ordem que impede
manifestações eleitorais.
O caso
poderia, portanto, ser investigado como desinformação eleitoral produzida por
meio de conteúdo sintético manipulado.
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Abuso eleitoral pode levar à inelegibilidade
Moraes
também destacou que as regras aprovadas para as eleições de 2026 endureceram o
combate ao uso irregular da inteligência artificial.
Segundo
o despacho, a utilização dessas tecnologias para divulgar conteúdo eleitoral
irregular pode configurar uso indevido dos meios de comunicação social e,
dependendo das circunstâncias, evidenciar abuso do poder político e econômico.
A
legislação estabelece que, caso uma ação por abuso seja julgada procedente, a
Justiça Eleitoral poderá declarar a inelegibilidade do responsável e daqueles
que tenham contribuído para a prática, além de cassar o registro ou o diploma
do candidato beneficiado. A sanção de inelegibilidade pode alcançar as eleições
realizadas nos oito anos seguintes ao pleito em que ocorreu o abuso.
A
negativa de Jair Bolsonaro, portanto, não tornaria Flávio automaticamente
inelegível. Seriam necessárias investigação, apresentação de provas, direito de
defesa e uma decisão da Justiça Eleitoral.
Mas o
despacho de Moraes abre explicitamente esse caminho ao relacionar o vídeo à
possível prática de abuso eleitoral e uso indevido dos meios de comunicação. As
normas do TSE também preveem que o descumprimento da proibição às deepfakes
pode acarretar cassação do registro ou do mandato.
Para
reforçar seu entendimento, Moraes citou um julgamento do TSE de maio de 2026.
Na ocasião, foi mantida uma multa de R$ 15 mil contra um candidato a prefeito
de Fortaleza que divulgou no TikTok um vídeo manipulado por inteligência
artificial, criando a falsa impressão de que personalidades públicas
internacionais apoiavam sua candidatura.
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Despacho fecha as duas rotas do bolsonarismo
O
significado político e jurídico da decisão está justamente na forma como Moraes
fechou as duas possíveis linhas de defesa.
Se Jair
Bolsonaro disser que autorizou o vídeo, admite que concordou com uma
manifestação eleitoral feita em seu nome e corre o risco de perder a prisão
domiciliar.
Se
disser que não autorizou, transfere para Flávio Bolsonaro e para o PL a
responsabilidade pela criação de uma manifestação política artificial,
atribuída a uma pessoa impedida judicialmente de participar da campanha.
A
situação também cria um conflito entre pai e filho. Para tentar preservar a
prisão domiciliar, Jair terá de negar participação em uma das principais peças
utilizadas no lançamento da candidatura de Flávio. Ao fazer isso, poderá
fornecer o elemento necessário para aprofundar uma investigação eleitoral
contra o senador e o partido.
O PT já
acionou o STF e o TSE contra o vídeo. O partido sustenta que o conteúdo pode
representar propaganda eleitoral irregular, desrespeito às restrições impostas
ao ex-presidente e tentativa de utilizar inteligência artificial para contornar
uma decisão judicial.
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Advogado de Bolsonaro culpa campanha de Flávio por vídeo criado por IA, que
pode ter candidatura cassada
A
decisão de Alexandre de Moraes, que deu prazo de 48 horas para que a defesa de
Jair Bolsonaro (PL) explique se ele autorizou o uso de sua imagem e de sua voz
em um vídeo produzido por inteligência artificial exibido na convenção do PL
que oficializou a candidatura do filho, Flávio Bolsonaro (PL), na disputa à
Presidência está causando mais uma crise familiar no clã do ex-presidente.
O
despacho estabelece duas hipóteses e deixa claro que ambas podem trazer
consequências graves para a família Bolsonaro. Se Jair admitir que concordou
com o vídeo, poderá ser acusado de violar novamente as condições da prisão
domiciliar e voltar ao regime fechado. Caso negue, Flávio Bolsonaro e o PL
poderão responder por desrespeito à ordem judicial e pelo uso eleitoral de uma
possível deepfake.
No
entanto, o pai tende a empurrar o caso para o colo do filho para evitar o
retorno à Papudinha, anexo do complexo prisional de Brasília, onde já foi
encarcerado.
Em
publicação na rede X no fim da noite desta terça-feira (28), o advogado João
Henrique de Freitas, que faz a defesa do ex-presidente, sinaliza que deve
eximir Bolsonaro da responsabilidade pelo filho e colocar o caso no colo de
Flávio Bolsonaro.
“O
ministro Alexandre deu 48h para a defesa esclarecer se o Presidente Jair
Bolsonaro ‘autorizou’ o uso de sua imagem e voz em vídeo de IA para a Convenção
do PL”, escreve na rede X.
“Como
poderia, se na prisão domiciliar ele está proibido de falar com dirigentes
partidários? A decisão parte de uma premissa que a própria Justiça criou ser
impossível”, emenda Freitas.
Proibido
até mesmo de falar com Flávio Bolsonaro após burlar as medidas restritivas com
a recente carta lida e divulgada pelo filho, o ex-presidente se exime da culpa
pelo vídeo, dizendo que não pode sequer “falar com dirigentes partidários”.
Caso
siga essa linha nas explicações a Moraes, a defesa de Bolsonaro jogará o caso
para os advogados de Flávio, que terão que explicar o uso do vídeo sob o risco
da Justiça Eleitoral cassar o registro da candidatura.
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Entenda o caso
O vídeo
foi exibido no sábado (25), na Arena Pacaembu, em São Paulo, durante o evento
que lançou oficialmente Flávio Bolsonaro como candidato do PL à presidência da
República. Na gravação, uma reprodução digital de Jair Bolsonaro afirma estar
“preso e calado”, ataca a decisão judicial e pede apoio à candidatura do filho.
Jair
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses e está em prisão domiciliar
humanitária. Entre as restrições impostas pelo STF está a proibição de divulgar
manifestações de caráter político-eleitoral, direta ou indiretamente, inclusive
por meio de terceiros e independentemente do meio utilizado.
No
despacho, Moraes ressalta que todas as medidas cautelares continuam
integralmente em vigor. Segundo o ministro, uma eventual concordância de
Bolsonaro com o vídeo representaria uma “nova e grave transgressão” à decisão
judicial, ocorrida poucos dias depois de outra punição.
Nesse
caso, a autorização para a utilização da imagem e da voz do ex-presidente
poderia ser interpretada como uma tentativa de participar da campanha eleitoral
por intermédio de uma representação digital.
Moraes
afirma que a violação poderia provocar a “imediata reavaliação” do benefício
concedido e resultar na reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime
fechado.
A
advertência ganha peso porque Bolsonaro já foi punido recentemente por utilizar
o filho como intermediário político. Depois que Flávio divulgou uma carta
escrita pelo pai, Moraes considerou que houve descumprimento das restrições e
proibiu o senador de visitar o ex-presidente por 90 dias.
• Defesa diz a Moraes que Bolsonaro não
autorizou uso de vídeo gerado por IA
A
defesa de Jair Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF
(Supremo Tribunal Federal), nesta quarta-feira (29), que o ex-presidente não
autorizou o uso de sua imagem para um vídeo produzido por IA (inteligência
artificial) e que foi reproduzido durante convenção do PL no último sábado
(25), ocasião em que o partido oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à
Presidência nas eleições deste ano.
Em
petição apresentada à Suprema Corte, os advogados do ex-presidente esclarecem,
porém, que ele não se opõe à produção do conteúdo por seus familiares.
O
magistrado havia solicitado que a defesa de Bolsonaro se manifestasse sobre o
conteúdo divulgado no evento do PL.
“Inicialmente,
cumpre consignar que o peticionário não autorizou a utilização de sua imagem e
voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial”,
destacou a defesa.
Os
advogados lembram que Bolsonaro não poderia autorizar o vídeo, uma vez que ele
se encontra “com o direito de visitas suspenso pelo prazo de trinta dias,
enquanto seu filho Flávio Bolsonaro permanece impedido de visitá-lo”.
A
defesa destaca, porém, que, antes da imposição de medidas cautelares, “seus
filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade
político-partidária,
reproduzindo
fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais
manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer
oposição”
por parte de Bolsonaro.
“Essa
circunstância decorre da natural relação de confiança existente entre pai e
filhos e da própria natureza pública da imagem do peticionário”, afirmou a
defesa.
• Flávio diz ao TSE que vídeo de IA com
Bolsonaro é legal e não engana o eleitorado
Advogados
da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defenderam junto ao TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) o uso de um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) feito por
inteligência artificial e exibido na convenção eleitoral de seu partido,
realizada no sábado (25), sob o argumento de que a gravação não pretendeu
enganar o público ou espalhar conteúdo falso.
O
documento assinado pela ex-ministra e advogada Maia Claudia Bucchianeri
responde a uma representação por propaganda eleitoral antecipada e uso
irregular de inteligência artificial contra o PL e Flávio Bolsonaro apresentada
pela Federação Brasil da Esperança, da qual o PT faz parte, no domingo (26).
Os
denunciantes pedem, preventivamente, que o trecho da transmissão seja removido
das redes e não possa mais ser divulgado. No julgamento do mérito da ação,
solicitam que a Justiça reconheça que o vídeo é ilícito e aplique multa de R$
30 mil para cada publicação e por representado.
Na
ação, os partidos dizem que o vídeo com o avatar sintético de Bolsonaro
apresenta “inequívoco conteúdo eleitoral” e que a IA foi utilizada para
potencializar “o impacto emocional da mensagem”, o que lhe conferiu “elevado
poder de persuasão”. De acordo com a federação, a veiculação do conteúdo
“macula a paridade de armas”, o que justificaria a ação da Justiça Eleitoral.
Após
sorteio, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, se tornou o relator da
ação, cabendo a ele a decisão inicial sobre a regularidade da conduta. O
ministro poderá enviar automaticamente a decisão ao plenário para validação, ou
fazê-lo apenas se houver apresentação de recurso.
Ao
jornal O Estado de S. Paulo Kassio Nunes Marques disse, depois da convenção e
antes de ser sorteado relator, que “usar IA para fazer campanha é lícito, mas
não pode usar para prejudicar alguém”. Como o TSE ainda avaliaria o caso,
afirmou que não comentaria o caso específico.
O vídeo
exibido na convenção tem 46 segundos e traz a imagem de Bolsonaro com um fundo
branco. O ex-presidente se dirige ao público: “Isso que vocês estão vendo aqui
não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com
inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma
decisão injusta e arbitrária, baseada em algo que eu nunca fiz”.
“Por
isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me
substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem
futuro, e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, termina.
A
defesa de Flávio argumenta que, apesar de a resolução do TSE proibir deep fake
na propaganda eleitoral, o vídeo de Bolsonaro não se trata disso porque não
tinha a intenção de enganar o público e nem continha mensagem ofensiva.
“A deep
fake tem a enganosidade como mote, reveste-se de intuito ofensivo e tem por
padrão introduzir ou manipular digitalmente registros reais, aprofundando o
induzimento em erro. […] O público foi avisado de que não se tratava de
presença física, transmissão ao vivo ou gravação autêntica de Jair Bolsonaro”,
diz a peça da defesa.
Para os
advogados eleitorais de Flávio, a proibição de conteúdo artificial pelo TSE se
aplicaria somente a mensagens que foram manipuladas para espalhar fatos
inverídicos ou descontextualizados que tenham potencial de desequilibrar a
disputa, como determina a legislação eleitoral.
“O
avatar reclamado nada mais é do que a versão moderna e tecnológica daquilo que
sempre foi usado em eventos partidários e eleitorais como bonecos de papel,
imagens em cartazes e até em máscaras, camisas, com mensagens de apoio”, diz a
defesa.
Bucchianeri
e os demais integrantes da defesa também contestam que o vídeo se trataria de
propaganda antecipada, veiculada antes do início da campanha, em 16 de agosto.
Os advogados dizem que a gravação foi exibida somente no evento
intrapartidário, uma convenção do PL fechada a apoiadores, filiados e
delegados, e não trouxe pedido explícito de voto.
“A
propaganda ‘para dentro’, ‘intrapartidária’, realizada nas convenções
partidárias ou nos 15 dias que a antecedem é lícita e faz parte do próprio
estágio político de definição de candidaturas”, diz a peça.
A peça
também traz exemplos de posts de apoiadores de Lula (PT) que usam inteligência
artificial e de propagandas do PT, da eleição de 2018, em que o atual
presidente indica Fernando Haddad (PT) como seu candidato substituto para
argumentar que transferência de capital político não é algo ilegal.
Fonte:
Fórum/ICL Notícias

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