O
homem do fim do mundo
Em uma
comunidade de certo país, os moradores viviam relativamente tranquilos.
Orgulhavam-se de sua produção diversificada, o que lhes permitia vender e
comprar com facilidade. Havia ali um ambiente de normalidade e, quando aparecia
um problema, a negociação era a base para eles encontrarem soluções.
Num
determinado dia, chega um forasteiro ao local. Era o comerciante Donaldo.
Possuidor de grande vaidade, ele se exaltava como um profissional astuto. Dizia
que havia alcançado bons resultados nos negócios por mérito próprio, sem
receber herança da família. Nas primeiras conversas, acreditava que havia
conquistado os moradores, pelo menos a maioria deles. Aproveitou, então, o
ensejo para instalar um supermercado, negócio ainda não conhecido pelos
moradores. À primeira vista, a iniciativa foi bem-recebida, pois se pensava que
o comércio local iria expandir-se como nunca.
O tempo
foi passando e algumas pessoas, de pensamento mais crítico, desconfiaram de que
Donaldo visava defender os seus interesses. Deixando o supermercado de lado,
começou a construir uma torre, até então inexistente na comunidade. Inaugurou
casas de jogos de azar e se aventurou a vender e alugar imóveis. Por não ter
recursos suficientes, beneficiava-se de isenção fiscal, prevista em lei, mas
pouco conhecida pelos cidadãos locais.
Donaldo
foi abrindo outros negócios. Não obstante, causava insatisfação em alguns
setores, por não pagar devidamente os salários dos trabalhadores, muitos dos
quais chegaram a entrar na Justiça. Até que ele decidiu concorrer a prefeito e,
não se sabe exatamente como, obteve a maioria dos votos.
Essa
história representa, em boa medida, a trajetória do presidente estadunidense
Donald Trump. Eleito duas vezes para a Presidência (2016 e 2024), vem adotando,
desde sua posse em janeiro de 2025, sanções contra outros países e tem violado
o direito internacional. Ele promete mudanças para “tornar a América novamente
grande”, mesmo com ações deploráveis e descabidas.
Internamente,
já desarticulou agências públicas de interesse nacional, aboliu vultosos
recursos para a pesquisa e a ciência, demitiu milhares de funcionários
públicos. Em relação ao comércio internacional, vem impondo o tarifaço (aumento
abrupto e generalizado de taxas e tarifas de importação), gerando elevados
prejuízos a diversos países, incluindo o Brasil.
Sua
conduta está mais próxima à de um comerciante desleal na concorrência do que à
de uma autoridade que zela pelo interesse público e respeita as instituições.
Tem, por isso, voltado atrás em diversas medidas alardeadas. Até o momento, o
Congresso e setores da sociedade civil não conseguiram impor os limites
necessários ao presidente. A título de exemplo, Trump não consultou os
congressistas antes de declarar guerra ao Irã. O Judiciário, pelo menos, tem
conseguido que ele cumpra algumas leis.
A
verdade é que Donald Trump não tem se importado com a desordem que vem causando
no meio internacional. Parece interessar-lhe exercer o poder de forma
autoritária e tornar o seu país mais poderoso, à revelia de todos os outros.
Fonte:
Por Ana Maria Oliveira, em Brasil 247

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