Mamografia
de rastreamento revela desigualdade entre regiões do Brasil
Entre
2015 e 2024, a cobertura da mamografia de rastreamento pelo SUS (Sistema Único
de Saúde) entre mulheres de 50 a 69 anos ficou em apenas 23,7% — menos de um
terço da referência de 70% utilizada como parâmetro de estudo.
Os
dados são do Panorama do Câncer de Mama, levantamento baseado em informações
oficiais do DataSus, e revelam uma realidade preocupante no acesso ao
diagnóstico precoce no Brasil.
Em
entrevista ao Live CNN, a mastologista Juliana Francisco, parceira médica
em campanhas de saúde das mamas, destacou a gravidade do cenário. "O
câncer de mama é um problema de saúde pública mundial",
afirmou.
Segundo
a especialista, dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) projetam
aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama em
mulheres para
o triênio 2026-2028, sendo a principal causa de morte por câncer nessa
população.
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Diagnóstico precoce e a importância da mamografia
Juliana
Francisco ressaltou que o diagnóstico precoce
é a principal chave para aumentar as chances de cura. "Quanto antes
a gente descobre o câncer de mama, chegamos a taxas de cura de até 95%",
explicou.
A
mastologista lembrou que, quando a cobertura mamográfica atinge 70% do
público-alvo, é possível reduzir em 30% a mortalidade por câncer
de mama — meta que o Brasil ainda está muito longe de alcançar.
Em
dezembro do ano passado, houve uma mudança importante na recomendação do SUS: a
idade para início do rastreamento foi reduzida de 50 para 40 anos. A decisão se
baseia em dados nacionais que mostram que 32% dos casos de câncer de mama
em mulheres ocorrem na faixa etária entre 40 e 50 anos.
"A nossa população é um pouco
diferente dos modelos estudados no exterior", observou Juliana Francisco,
justificando a mudança. A recomendação atual é que toda mulher sem
sintomas e sem histórico familiar realize a mamografia uma vez ao ano a
partir dos 40 anos.
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Desigualdades regionais alarmantes
Os
dados do Panorama do Câncer de Mama expõem profundas desigualdades
regionais na cobertura do exame. Roraima apresenta o índice mais baixo, com
apenas 3,5% de cobertura, seguido por Tocantins, com 6,1%, e Rondônia, com
10,5%.
Estados
como Piauí (34%), Bahia (31,5%) e São Paulo (29,8%) apresentam índices maiores,
mas ainda muito abaixo da meta de 70%.
"A
gente não consegue mostrar exatamente uma causa isolada única", ponderou
Juliana Francisco, defendendo a necessidade de uma política integral de cuidado
ao câncer, com linhas de cuidado, protocolos e busca ativa pelas pacientes.
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Desinformação agrava o cenário
Além
das barreiras de acesso, a desinformação representa outro obstáculo grave.
Segundo o índice de conscientização
do
câncer de mama — iniciativa do Instituto Natura, Avon e outros parceiros
—, 86% das mulheres não sabem que podem realizar a mamografia em qualquer
idade se apresentarem algum sintoma ou indicação médica.
Além
disso, 95% desconhecem a lei dos 30 dias, que garante o diagnóstico em até
30 dias a partir da suspeita, e 98% não sabem sobre a lei dos 60 dias, que
assegura o início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico. "Quanto mais tempo a
gente demora para iniciar o tratamento, maior o risco da mulher morrer pelo
câncer de mama",
alertou Juliana Francisco.
A
mastologista defendeu que qualquer profissional de saúde — e não apenas
ginecologistas — deve aproveitar as
consultas de rotina para orientar e solicitar o exame de mamografia.
"Se
ela for a uma consulta com um clínico para tratar uma pressão alta, que ele já
pegue aquela oportunidade e ofereça a mamografia", sugeriu. Para Juliana
Francisco, essa abordagem integrada é essencial para mudar a
realidade das mulheres brasileiras e reduzir a mortalidade pelo câncer de mama
no país.
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Falta de enzima na gravidez pode originar esquizofrenia, diz estudo
Uma
nova pesquisa, conduzida por
cientistas brasileiros, apontam que a inibição de
uma enzima durante o período de formação do cérebro pode estar
ligada ao surgimento da esquizofrenia.
O
estudo investigou a importância da PHGDH (fosfoglicerato desidrogenase), uma
enzima considerada chave para o desenvolvimento do sistema nervoso, para a
interação entre neurônios e astrócitos do cérebro em formação.
Os
resultados do trabalho apontam que a inibição da PHGDH afeta o desenvolvimento
neurológico e
está implicada em distúrbios como a esquizofrenia.
A
pesquisa foi publicada na revista científica Glial Health Research e contou com
a participação da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP
(Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), CNPEM
(Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), IDOR (Instituto D’Or de
Pesquisa e Educação), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e UFSC
(Universidade Federal de Santa Catarina).
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A enzima PHGDH
Os
distúrbios do neurodesenvolvimento estão ligados a deficiências em redes
biológicas complexas. O funcionamento cerebral depende da interação
neurônio-astrócito –
células que trabalham para o funcionamento do cérebro – e o o neurotransmissor
D-serina é
essencial
para
essa comunicação. Por isso, a desregulação dos níveis de D-serina tem sido
relacionada à esquizofrenia.
De
acordo com a USP, o estudo utilizou modelos neurais
humanos desenvolvidos em laboratório para compreender como alterações
metabólicas em período precoce podem afetar o desenvolvimento das conexões
cerebrais e aumentar a
vulnerabilidade a transtornos neuropsiquiátricos.
Estudos
anteriores já haviam mostrado que a PHGDH apresentava alterações em pacientes
com esquizofrenia. Isso levantou a hipótese de que ela poderia desempenhar um
papel importante no desenvolvimento do cérebro e, consequentemente, na doença.Flávio Protásio
Veras, professor da Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais, e
pesquisador da FMRP
De
acordo com Daniel Martins de Souza, um dos pesquisadores do IDOR e professor de
Bioquímica da Unicamp, os cientistas se interessaram em estudar a enzima
ao encontrá-la desregulada no tecido cerebral de pacientes com
esquizofrenia e de células derivadas de pacientes.
“No
início, não tínhamos certeza de que a inibição da PHGDH levaria a alterações
relacionadas a transtornos do neurodesenvolvimento. Nossa ideia era entender
melhor qual era o papel dessa enzima nas fases iniciais da formação do
cérebro”, conta Flávio Veras.
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Processo de estudo
Pesquisadores
usaram células-tronco humanas para criar neuroesferas, miniaturas 3D que
simulam o cérebro em formação, compostas por neurônios e astrócitos (células
que alimentam e protegem os neurônios).
A
enzima PHGDH foi inibida para avaliar como isso afetava o desenvolvimento
dessas células usando diferentes técnicas. Ao bloquear a enzima PHGDH nessas
estruturas, eles observaram:
- Quebra de
suprimento: A falta da enzima reduziu a D-serina e desregulou
substâncias vitais (como lactato e glutamina), que garantem a energia e o
diálogo entre as células cerebrais.
- Neurônios
vulneráveis: Enquanto os astrócitos conseguiram usar caminhos
alternativos para sobreviver, os neurônios sofreram sem esse suporte,
registrando alta morte celular e falhas na produção de proteínas
essenciais. As neuroesferas ficaram menores e com conexões comprometidas.
- Elo com a
esquizofrenia: Essa falha impede a maturação correta dos neurônios e
prejudica os receptores NMDA (estruturas de comunicação diretamente
ligadas à esquizofrenia).
“Foi a
partir desse conjunto de evidências que concluímos que alterações na PHGDH
podem aumentar a vulnerabilidade a problemas do neurodesenvolvimento,
oferecendo uma nova perspectiva para compreender mecanismos relacionados à
doença”, afirma Veras.
Fonte:
CNN Brasil

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