Exame
de curva glicêmica na gravidez: toda gestante precisa fazer? Especialista
explica
Durante
a gravidez, o acompanhamento da glicemia faz parte do
pré-natal e tem um objetivo importante: identificar alterações que podem afetar
a saúde da mãe e do bebê. Entre os exames utilizados nesse processo está a
chamada curva glicêmica, conhecida tecnicamente como teste oral de tolerância à
glicose (TOTG).
Mas
será que toda gestante precisa fazer o exame?
A
recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é que o rastreamento do
diabetes gestacional seja feito de forma universal em gestantes que não tenham
diagnóstico prévio de diabetes, independentemente da presença de fatores de
risco.
Isso
acontece porque o diabetes
gestacional pode
surgir mesmo em mulheres que não apresentam características consideradas de
maior risco e, muitas vezes, não provoca sintomas.
“A
alteração da glicemia é a alteração metabólica mais comum na gestação”, explica
a endocrinologista Denise Franco.
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O exame de curva glicêmica é obrigatório para todas as gestantes?
A
resposta depende do resultado da avaliação feita no início do pré-natal.
A
investigação começa na primeira consulta, geralmente com a solicitação da
glicemia de jejum. Esse resultado pode indicar se a gestante apresenta uma
alteração que já permite estabelecer o diagnóstico ou se será necessário
continuar o rastreamento ao longo da gravidez.
Quando
a glicemia de jejum no início da gestação está abaixo de 92 mg/dL, o resultado
é considerado normal para esse momento. Nessa situação, a gestante deve seguir
para o rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana, quando
é realizado o TOTG de 75 g.
Já uma
glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL no início da gestação é compatível com
diabetes gestacional. Valores iguais ou superiores a 126 mg/dL indicam diabetes
diagnosticado na gestação.
Por
isso, nem toda gestante necessariamente chegará à etapa do exame da curva
glicêmica. Algumas já terão uma alteração identificada nas primeiras consultas
e precisarão iniciar o acompanhamento específico.
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Por que a curva glicêmica é importante?
Uma das
principais razões para realizar o TOTG é que a glicemia de jejum isolada não
consegue identificar todas as alterações do metabolismo da glicose.
Durante
o exame, a gestante ingere uma quantidade padronizada de glicose e tem a
glicemia medida em diferentes momentos. Dessa forma, é possível observar como o
organismo responde à sobrecarga de glicose.
“A
curva glicêmica identifica intolerância à glicose que só se manifesta sob
sobrecarga, algo que a glicemia de jejum isolada frequentemente não capta”,
afirma Denise.
Segundo
a endocrinologista, o exame também permite identificar elevações da glicemia
após a ingestão da glicose, alterações que podem estar relacionadas a
complicações da gestação, como o crescimento excessivo do bebê.
A
identificação do diabetes gestacional permite iniciar o acompanhamento e as
medidas necessárias para manter a glicemia dentro das metas estabelecidas.
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Quando a curva glicêmica é realizada?
Para as
gestantes sem diagnóstico prévio de diabetes e que apresentaram glicemia normal
no início do pré-natal, a recomendação é realizar o TOTG entre a 24ª e a 28ª
semana de gestação.
O exame
é feito com 75 gramas de glicose. Após um período de jejum, é realizada uma
primeira coleta de sangue. Em seguida, a gestante ingere a solução de glicose e
são feitas novas coletas uma e duas horas depois.
A
preparação adequada também é importante para o resultado. A SBD recomenda que,
nos três dias anteriores ao exame, a gestante mantenha uma alimentação sem
restrição de carboidratos ou com pelo menos 150 gramas de carboidratos por dia.
O exame deve ser realizado após oito horas de jejum.
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Quais valores podem indicar diabetes gestacional?
No TOTG
de 75 g, um único resultado do exame acima do ponto de corte já pode confirmar
o diagnóstico de diabetes gestacional.
Os
valores utilizados são:
- Jejum: igual ou
superior a 92 mg/dL;
- 1 hora após a
ingestão: igual
ou superior a 180 mg/dL;
- 2 horas após a
ingestão: igual
ou superior a 153 mg/dL.
É
importante destacar que esses valores fazem parte de uma avaliação médica e
devem ser interpretados considerando o momento da gestação e o histórico da
paciente. Resultados muito elevados podem indicar diabetes diagnosticado na
gestação, e não apenas diabetes gestacional.
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Por que o rastreamento é feito mesmo sem fatores de risco?
O
rastreamento universal é recomendado porque o diabetes gestacional não aparece
somente em mulheres que já apresentam fatores de risco.
Entre
as características associadas a um risco maior estão idade materna avançada,
sobrepeso ou obesidade, histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro
grau, diabetes gestacional em uma gravidez anterior e condições relacionadas à
resistência à insulina, como síndrome dos ovários policísticos.
Também
entram nessa avaliação situações como hipertensão arterial, ganho excessivo de
peso durante a gravidez, crescimento fetal excessivo, polidrâmnio,
pré-eclâmpsia e histórico obstétrico de macrossomia, entre outros fatores.
Ainda
assim, uma mulher sem nenhuma dessas características também pode desenvolver
diabetes gestacional. É justamente por isso que a investigação através do exame
não deve ficar restrita aos chamados grupos de risco.
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Quais são os riscos do diabetes gestacional não identificado?
Quando
não identificado e acompanhado adequadamente, o diabetes gestacional pode
aumentar o risco de complicações para a mãe e o bebê.
Entre
os possíveis desfechos estão a macrossomia, que é o crescimento excessivo do
bebê, distocia de ombro, hipoglicemia neonatal e maior possibilidade de parto
cesáreo.
Para a
gestante, a alteração da glicemia está associada a maior risco de hipertensão e
pré-eclâmpsia, além de representar um sinal de maior risco metabólico no
futuro.
“A
elevação da glicemia durante a gestação permite uma intervenção terapêutica que
reduz significativamente essas complicações”, explica Denise.
Por
isso, identificar o problema não significa apenas dar um nome à alteração. O
diagnóstico permite que a gestante receba orientação e acompanhamento para
controlar a glicemia durante a gravidez.
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Toda gestante com diabetes gestacional precisa usar insulina?
Não.
O
diagnóstico de diabetes gestacional não significa automaticamente que a
gestante precisará utilizar insulina.
De
acordo com Denise, o tratamento inicial envolve terapia nutricional médica e
atividade física. A insulina é indicada quando as metas de glicemia não são
alcançadas apenas com as mudanças no estilo de vida.
A
necessidade ou não de medicamento depende da resposta individual de cada
gestante e deve ser definida pela equipe responsável pelo acompanhamento.
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O que acontece depois do parto?
Em
muitos casos, a alteração da glicemia melhora após o nascimento do bebê. Mesmo
assim, o acompanhamento não deve terminar com o fim da gestação.
Ter
diabetes gestacional aumenta de forma importante o risco de desenvolver
diabetes tipo 2 posteriormente. Por isso, a SBD recomenda que a mulher faça um
novo teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre quatro e 12 semanas após
o parto.
Depois
dessa avaliação, o acompanhamento deve continuar de forma periódica, conforme
os resultados e a orientação médica.
Esse
cuidado é importante porque o diabetes gestacional pode funcionar como um
alerta para a saúde metabólica da mulher nos anos seguintes.
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Em resumo: toda gestante precisa fazer a curva glicêmica?
O que é
recomendado para todas as gestantes sem diagnóstico prévio de diabetes é o
rastreamento do diabetes durante a gravidez.
O exame
e investigação começa no início do pré-natal. Se a glicemia estiver normal
nessa primeira avaliação, o TOTG de 75 g é indicado entre a 24ª e a 28ª semana.
Por
outro lado, se a glicemia inicial já estiver alterada em níveis que permitam
estabelecer o diagnóstico, a gestante não precisa esperar pela curva glicêmica
para começar o acompanhamento.
O ponto
principal é que a ausência de sintomas ou de fatores de risco não elimina a
necessidade de investigação. O diabetes gestacional pode passar despercebido e,
por isso, o rastreamento faz parte do acompanhamento pré-natal.
A
decisão sobre quando realizar o exame e a interpretação dos resultados devem
ser feitas pelo profissional ou pela equipe de saúde que acompanha a gestação.
Fonte:
Um Diabético

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