quinta-feira, 7 de novembro de 2024

OMS lista 17 vírus e bactérias prioritários para desenvolvimento de vacinas

Um novo estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) lista 17 patógenos (bactérias, vírus, fungos e protozoários), e que regularmente causam doenças, como “prioridades máximas” para o desenvolvimento de novas vacinas. O trabalho foi publicado na revista médica eBioMedicine, na última terça-feira (5).

A pesquisa é o primeiro esforço global da OMS para priorizar sistematicamente patógenos endêmicos com base em critérios que incluíam carga regional de doenças, risco de resistência antimicrobiana e impacto socioeconômico. Entre as prioridades, estão o vírus do HIV, malária e tuberculose — doenças que, coletivamente, tiram quase 2,5 milhões de vida anualmente, segundo a entidade.

A OMS também lista agentes como o estreptococo do grupo A e a Klebsiella pneumoniae como principais prioridades de controle de doenças em todas as regiões. Esses agentes causam condições como faringite, amigdalite, escarlatina, febre reumática e síndrome do choque tóxico, além de pneumonia e meningite, e estão entre os patógenos que estão cada vez mais resistentes aos antimicrobianos.

“Muitas vezes, decisões globais sobre novas vacinas foram motivadas somente pelo retorno do investimento, em vez do número de vidas que poderiam ser salvas nas comunidades mais vulneráveis”, disse Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS, em comunicado.

“Este estudo usa ampla experiência e dados regionais para avaliar vacinas que não apenas reduziriam significativamente doenças que impactam muito as comunidades hoje, mas também reduziriam os custos médicos que as famílias e os sistemas de saúde enfrentam.”

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No estudo, a OMS pede, ainda, que especialistas internacionais identifiquem fatores que são mais importantes ao decidir quais vacinas devem ser introduzidas e utilizadas. A análise dessas preferências, combinada com dados regionais para cada patógeno, resultou nos 10 principais patógenos prioritários para cada região da OMS.

As listas regionais foram então consolidadas para formar a lista global, resultando em 17 patógenos endêmicos prioritários para os quais novas vacinas precisam ser pesquisadas, desenvolvidas e utilizadas.

<><> Quais são os agentes listados pela OMS?

Os agentes listados pela OMS possuem vacinas em diferentes estágios de desenvolvimento. Entre os patógenos cuja pesquisa de vacina é necessária, estão:

•        Estreptococo do grupo A

•        Vírus da hepatite C

•        HIV-1

•        Klebsiella pneumoniae

Entre os patógenos para os quais as vacinas precisam ser mais desenvolvidas, estão:

•        Citomegalovírus

•        Vírus da gripe (vacina de ampla proteção)

•        Espécies de Leishmania

•        Salmonella não tifoide

•        Norovírus

•        Plasmodium falciparum (malária)

•        Espécies de Shigella

•        Staphylococcus aureus

Por fim, entre os agentes para os quais as vacinas estão próximas de uma aprovação regulatória, recomendação ou introdução, estão:

•        Vírus da dengue

•        Estreptococo do grupo B

•        E. coli patogênica extra-intestinal

•        Mycobacterium tuberculose

•        Vírus sincicial respiratório (VSR)

A lista da OMS de patógenos prioritários para o desenvolvimento de vacinas apoia a meta de Agenda de Imunização 2030, que visa garantir que todos, em todas as regiões, possam se beneficiar de vacinas que ofereçam proteção de doenças graves.

 

•        Bactéria pode ajudar a controlar mosquitos da dengue, diz estudo

Uma nova descoberta sobre a bactéria Asaia pode ajudar em esquemas de controle ao Aedes aegypti, o mosquito da dengue. A pesquisa, realizada pelas universidades de Exeter, na inglaterra e Wageningen, na Holanda, buscou compreender o comportamento do microrganismo no desenvolvimento das larvas do mosquito. Ela foi publicada na revista científica Journal of Applied Microbiology na segunda-feira (4).

Segundo os pesquisadores, a descoberta é importante pois melhora esquemas atuais de controle do mosquito. A bactéria Asaia, quando entrou em contato com as larvas do Aedes aegypt, acelerou seu desenvolvimento em um dia. Naturalmente, os germes demoram cerca de 10 dias para estarem na forma final.

Programas de combate a doenças criam e liberam mosquitos machos que não picam e que são estéreis ou impedem a transmissão de doenças. Estes programas de liberação em massa podem ser mais eficazes do que uma pulverização generalizada de inseticidas, pois tais insetos desenvolveram resistência a muitos produtos químicos comumente empregados. O desenvolvimento em massa dos mosquitos com o auxílio da Asaia pode ser um “impulso valioso”.

“Sabemos que todas as espécies, incluindo os humanos, dependem de um ‘microbioma’ – uma mistura complexa de microrganismos que vivem dentro do corpo”, explicou Ben Raymond, professor do Centro de Ecologia e Conservação do Campus Penryn da Universidade de Exeter, na Cornualha, em comunicado à imprensa. “Sabemos que as larvas do mosquito Aedes aegypti não conseguem se desenvolver sem um microbioma, e nosso estudo mostra que duas espécies de Asaia podem desempenhar um papel benéfico nele.”

No estudo, a bactéria Asaia foi adicionada à água onde as larvas do mosquito se desenvolveram. O mecanismo para isso ainda não é claro. Suspeita-se que essas bactérias tenham proporcionado benefícios nutricionais diretos à elas.

 

•        Resistência a antibióticos poderá matar mais de 39 milhões até 2050, diz estudo

Mais de 39 milhões de mortes por infecções resistentes a antibióticos são estimadas até 2050, segundo análise global publicada na segunda-feira (16) na renomada revista científica The Lancet. O estudo do Projeto Global Research on Antimicrobial Resistance (GRAM) é o primeiro a se aprofundar sobre os impactos globais da resistência antimicrobiana na saúde.

A análise mostra que mais de um milhão de pessoas morreram devido à resistência a antibióticos em todo o mundo entre 1990 e 2021. No período, as mortes relacionadas à condição entre crianças menores de cinco anos diminuíram em 50%, enquanto aquelas entre pessoas com 70 anos ou mais aumentaram em mais de 80%.

O estudo também faz uma previsão futura, indicando que as mortes diretamente causadas por resistência antimicrobiana aumentarão de forma constante nas próximas décadas, crescendo em quase 70% até 2050 em comparação a 2022, impactando principalmente os idosos. Além disso, no mesmo período, as mortes nas quais as bactérias resistentes a antibióticos desempenham um papel (ou seja, as mortes indiretas) poderão aumentar em quase 75%, de 4,71 milhões para 8,22 milhões por ano.

As descobertas destacam a necessidade de intervenções que incorporem prevenção de infecções, vacinação, minimização do uso inapropriado de antibióticos e pesquisa de novos antibióticos para mitigar o número de mortes causadas pela resistência antimicrobiana previsto para 2050.

“Os medicamentos antimicrobianos são um dos pilares da assistência médica moderna, e o aumento da resistência a eles é uma grande causa de preocupação. Essas descobertas destacam que a RAM tem sido uma ameaça global significativa à saúde por décadas e que essa ameaça está crescendo. Entender como as tendências nas mortes por RAM [resistência antimicrobiana] mudaram ao longo do tempo e como elas provavelmente mudarão no futuro é vital para tomar decisões informadas para salvar vidas”, afirma o autor do estudo, Mohsen Naghavi, líder da equipe de pesquisa de RAM no Institute of Health Metrics (IHME), Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em comunicado à imprensa.

O estudo produziu estimativas para 22 patógenos, 84 combinações patógeno-medicamento e 11 síndromes infecciosas, incluindo meningite, infecções da corrente sanguínea e outras infecções. As estimativas foram baseadas em 520 milhões de registros individuais de uma ampla gama de fontes, incluindo dados hospitalares, registros de óbitos e dados de uso de antibióticos.

Uma modelagem estatística foi usada para produzir estimativas de mortes diretamente por resistência a antibióticos e aquelas nas quais a condição desempenhou um papel. Com base nas tendências históricas calculadas, os autores estimaram os impactos globais e regionais prováveis da RAM na saúde de 2022 a 2050.

Também foram produzidas estimativas para cenários nos quais a qualidade da assistência médica e o acesso a antibióticos melhoram no futuro e o desenvolvimento de medicamentos tem como alvo bactérias gram-negativas.

<><> O que é resistência antimicrobiana?

A resistência antimicrobiana acontece quando bactérias, vírus, fungos e parasitas deixam de responder aos medicamentos, tornando as pessoas mais doentes e aumentando o risco de propagação de doenças e de morte.

No caso das bactérias, esse fenômeno é conhecido como resistência a antibióticos e os microrganismos que apresentam essa resistência são chamados de “superbactérias“.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência é motivada, na maioria, pelo uso indevido e excessivo de antibióticos por parte dos pacientes.

Até o momento, nenhum estudo tinha avaliado as tendências históricas da resistência antimicrobiana, nem havia feito previsões detalhadas dos impactos globais futuros. Em 2022, um primeiro estudo revelou que as mortes globais relacionadas a bactérias resistentes a antibióticos em 2019 foram maiores do que os óbitos por HIV/Aids ou malária, levando diretamente a 1,2 milhão de mortes e contribuindo para outros 4,95 milhões de óbitos.

<><> Tendências globais

As descobertas revelam que mais de um milhão de vidas foram perdidas por ano entre 1990 e 2021 como resultado direto da resistência antimicrobiana. Em 1990, houve 1,06 milhão de mortes diretamente devido à resistência a antibióticos de um total mais amplo de 4,78 milhões de mortes associadas. Em 2021, a RAM levou diretamente a 1,14 milhão de mortes e foi associada a um total mais amplo de 4,71 milhões de mortes.

Em 2021, houve uma redução nas mortes por RAM em comparação a 2019 (1,27 milhão de mortes diretas por RAM; 4,95 milhões de mortes associadas), devido a reduções na carga de infecções respiratórias não relacionadas à Covid-19. Isso, provavelmente, está relacionado às ações de distanciamento social e outras medidas de proteção adotadas durante a pandemia. A análise da equipe sugere que esse declínio nas mortes por RAM foi apenas temporário.

Ao longo das três décadas, as tendências nas mortes por resistência antimicrobiana passaram por mudanças significativas relacionadas à idade. As mortes entre crianças menores de cinco anos diminuíram em mais de 50% – redução de 59,8% nas mortes diretas por RAM, de 488 mil para 193 mil mortes; redução de 62,9% nas mortes ligadas à RAM, de 2,29 milhões para 840 mil mortes. Isso pode estar relacionado a melhorias na entrega de medidas de prevenção e controle de infecções, como vacinação, entre bebês e crianças pequenas.

No mesmo período, as mortes por RAM entre adultos com 70 anos ou mais aumentaram em mais de 80% — aumento de 89,7% nas mortes diretas por RAM, 519 mil em 2021; aumento de 81,4% nas mortes relacionadas à RAM, 2,16 milhões em 2021. Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao rápido envelhecimento da população e à maior vulnerabilidade dos idosos à infecção.

As regiões onde houve maior aumento nas mortes diretamente causadas pela resistência antimicrobiana, segundo o estudo, foram a África Subsaariana Ocidental, América Latina Tropical, América do Norte de alta renda, Sudeste Asiático e sul da Ásia. De acordo com a análise, as mortes anuais aumentaram em mais de 10 mil entre 1990 e 2021 nesses locais.

Entre os patógenos com maior importância crítica, ou seja, que representam um maior risco de morte, no estudo estão seis dos sete patógenos classificados pela OMS como os mais difíceis de tratar. É o caso da S. aureus resistente a meticilina, cujas mortes aumentaram globalmente de 57.200, em 1990, para 130 mil, em 2021.

Entre as bactérias gram-negativas – algumas das mais resistentes a medicamentos antimicrobianos – a resistência aos carbapenêmicos aumentou mais do que qualquer outro tipo de antibiótico, passando de 127 mil, em 1990 para 216 mil, em 2021.

<><> Projeções futuras da resistência a antibióticos

Os autores estimam que as mortes por resistência antimicrobiana aumentarão de forma constante nas próximas décadas com base nas tendências atuais. Segundo o estudo, são 1,91 milhão de mortes anuais diretamente relacionadas à RAM projetadas até 2050 — um aumento de 67,5% em relação aos 1,14 milhões de mortes em 2021.

Até meados do século, a RAM também deverá desempenhar um papel em 8,22 milhões de mortes mais amplas – um aumento de 74,5% em relação aos 4,71 milhões de mortes associadas em 2021. No total, entre 2025 e 2050, estima-se que a resistência a antibióticos levará diretamente a mais de 39 milhões de mortes e estará associada a 169 milhões de mortes indiretas pela condição.

As tendências de redução nas mortes entre crianças menores de cinco anos serão mantidas, segundo o estudo, caindo pela metade em 2050 em comparação a 2022 — queda de 49,6%, de 204.000 para 103.000 mortes. No entanto, outras faixas etárias serão acometidas pelo aumento nos óbitos decorrentes da RAM, principalmente entre idosos acima dos 70 anos — aumento de 146% até 2050, de 512.353 para 1.259.409. De acordo com a análise, o maior aumento nessa faixa etária ocorrerá nos países de alta renda.

De maneira geral, mortes futuras por resistência antimicrobiana serão mais altas no Sul da Ásia, segundo o estudo, o que inclui países como Índia, Paquistão e Bangladesh — total de 11,8 milhões de mortes diretas previstas entre 2025 e 2050. As mortes pela condição também serão altas em outras partes do sul e leste da Ásia e da África Subsaariana.

Por fim, o estudo sugere que melhorar o tratamento geral de infecções e o acesso a antibióticos pode evitar 92 milhões de mortes entre 2025 e 2050. Os maiores benefícios seriam no sul da Ásia, África subsaariana e partes do sudeste da Ásia, leste da Ásia e Oceania, com 31,7 milhões, 25,2 milhões e 18,7 milhões de mortes evitadas, respectivamente.

Em um cenário em que novos antibióticos direcionados a bactérias gram-negativas foram desenvolvidos, no estudo, as estimativas indicam que 11,08 milhões de mortes atribuíveis à resistência antimicrobiana poderiam ser evitadas globalmente no mesmo período.

“Houve um progresso real no combate à RAM, principalmente entre crianças pequenas, mas nossas descobertas indicam que mais deve ser feito para proteger as pessoas dessa crescente ameaça global à saúde. Até 2050, infecções resistentes podem estar envolvidas em cerca de 8 milhões de mortes a cada ano, seja como causa direta de morte ou como fator contribuinte”, afirma Stein Emil Vollset, do Instituto Norueguês de Saúde Pública e professor afiliado do IHME.

“Para evitar que isso se torne uma realidade mortal, precisamos urgentemente de novas estratégias para diminuir o risco de infecções graves por meio de vacinas, novos medicamentos, melhor assistência médica, melhor acesso aos antibióticos existentes e orientação sobre como usá-los de forma mais eficaz”, completa.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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