Submissão
e proximidade política: especialistas avaliam diferenças entre fotos de Trump
com Flávio Bolsonaro e Lula
O
presidente Donald Trump é peça importante no tabuleiro eleitoral do Brasil. No
começo do mês, o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o mandatário
norte-americano para discutir interesses de Brasil e Estados Unidos. Na tarde
de terça-feira, 26, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato ao Planalto,
também esteve na Casa Branca e posou ao lado do estadounidense.
Porém,
apesar de ambos os encontros terem acontecidos na Casa Branca, os registros
foram diferentes e transmitem mensagens bem distintas. Na imagem divulgada
por Flávio, ele aparece em pé no Salão Oval, enquanto Trump está sentado atrás
da mesa presidencial.
No
registro do encontro entre Lula e Trump, ambos aparecem em pé, apertando as
mãos, formato mais comum em reuniões entre chefes de Estado. O presidente dos
Estados Unidos, inclusive, apareceu recebendo o brasileiro e posaram
sorridentes para fotos.
De
acordo com o cientista político Valdir Pucci, a foto de Flávio com Trump
transmite uma relação menos horizontal, já que o presidente americano aparece
sentado enquanto o senador está em pé, o que pode sugerir hierarquia ou
submissão.
“A
imagem parece mais o registro de uma visita rápida do que de uma negociação
entre líderes e, por isso, teria menos força simbólica do que a foto entre Lula
e Trump, marcada por aperto de mãos e posição de igualdade”, explicou.
Para
Deividi Lira, analista político e especialista em marketing político, a foto
entre Flávio e Trump foi construída para sinalizar proximidade política, mas
tem alcance limitado fora da base bolsonarista. “A imagem, com Trump sentado e
expressão protocolar, difere do padrão adotado em encontros entre chefes de
Estado.”
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PCC e CV como terroristas
Para os
analistas, a defesa de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o
Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode consolidar a segurança
pública como uma das principais bandeiras de uma eventual campanha presidencial
de Flávio em 2026.
Durante
entrevista coletiva após o encontro, o senador afirmou ter pedido a Trump que
avalie a possibilidade de enquadrar as facções brasileiras como grupos
terroristas, medida que, segundo ele, fortaleceria a cooperação internacional
no combate ao crime organizado.
Segundo
Pucci, a proposta dialoga diretamente com a base bolsonarista e pode fortalecer
a fidelização desse eleitorado. O desafio, porém, é ampliar o alcance da pauta
para além dos apoiadores mais próximos. “O discurso reforça o eleitor que ele
já possui. A dúvida é se isso consegue atingir outros segmentos da sociedade,
principalmente os indecisos”.
Já
Deividi Lira avalia que o encontro com Trump e a defesa da classificação das
facções como terroristas ajudam Flávio a construir a imagem de um candidato
associado ao endurecimento do combate ao crime. “A segurança pública pode ser
um mote para a campanha eleitoral. Ele vai utilizar essa reunião com Trump para
reforçar a narrativa de que é um candidato preocupado com o tema”.
Para
Lira, o assunto ganha relevância porque a segurança pública ainda é considerada
um ponto vulnerável para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT).
Apesar
disso, ambos os especialistas avaliam que o discurso enfrenta limites. Além das
dúvidas sobre efetividade, existe o risco de a aproximação com Trump ser
interpretada por parte do eleitorado como alinhamento excessivo aos Estados
Unidos, e não necessariamente como fortalecimento da soberania brasileira.
Na
avaliação dos analistas, medidas mais rígidas contra o crime organizado tendem
a permanecer no centro da narrativa bolsonarista, mas o impacto eleitoral
dependerá da capacidade de transformar propostas simbólicas em soluções
percebidas como concretas pelos eleitores.
Para
Pucci, a segurança pública deve ocupar espaço central na estratégia eleitoral
da direita nos próximos anos.
“Com
certeza, a segurança pública será um dos grandes motes da oposição nesta
eleição. Hoje, parte dos brasileiros aponta corrupção e outra parte aponta
segurança pública como os principais problemas do país, e a direita já possui
um discurso consolidado nessa área”, afirmou.
Pesquisa
Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 25, mostrou que corrupção, saúde
pública e segurança pública (violência e criminalidade) são considerados,
respectivamente, os principais problemas do Brasil.
Apesar
de avaliarem que a direita leva vantagem no debate sobre segurança, os
especialistas consideram que as conversas entre Vorcaro e Flávio podem
prejudicar o senador em outro tema central: corrupção. Para eles, o caso Banco
Master passou a ser associado a esse debate.
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Trump fez elogios a Lula em conversa com Flávio Bolsonaro
A
jornalista Mariana Sanches, do UOL, revelou que o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente Lula (PT)
diante do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
também comentou reformas na Casa Branca durante encontro no Salão Oval na
terça-feira (26).
Segundo
o relato de Sanches, Trump fez uma avaliação pessoal do presidente brasileiro
mesmo na presença de um aliado do bolsonarismo. Para a jornalista, o episódio
contrasta com a tentativa de transformar a imagem do encontro em um ativo
político-eleitoral. “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser muito velho,
mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão diferente, de uma
pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta. Portanto, Donald Trump fez
elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso que aconteceu”, afirmou
Mariana Sanches.
A
declaração, de acordo com a jornalista, indica que Trump teria feito
comentários positivos sobre Lula em um contexto considerado sensível para
apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). O relato também acrescenta um novo elemento
aos bastidores da conversa, ao mostrar que o presidente norte-americano teria
se afastado da leitura política esperada por seus interlocutores.
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Bajulação de Flávio Bolsonaro a Trump reforça posição de
Lula em defesa da soberania brasileira
Aliados
do presidente Lula (PT) pretendem transformar a reunião do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um novo
elemento da disputa política sobre soberania nacional, em meio à estratégia do
governo de contrastar a postura diplomática do presidente brasileiro com a
movimentação do clã Bolsonaro nos Estados Unidos, relata a Folha de São Paulo.
A
avaliação entre governistas é que o encontro do senador com o presidente
norte-americano pode ser usado para reforçar a posição de Lula em defesa dos
interesses brasileiros, enquanto adversários buscam interlocução externa em
temas sensíveis para o país.
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Recepção a Lula e Flávio deve ser comparada
Integrantes
do PT pretendem explorar a diferença entre a recepção oferecida por Trump a
Lula, no início do mês, e o tratamento dispensado a Flávio Bolsonaro e Eduardo
Bolsonaro nesta terça-feira (26). A leitura entre aliados do presidente é que a
visita oficial de Lula teve sinais políticos mais fortes, como tapete vermelho,
registro de aperto de mãos e declarações positivas de Trump após a conversa.
No caso
de Flávio, a imagem divulgada pelo próprio senador mostrou Trump sentado à
mesa, em uma composição considerada mais fria por governistas. Para
interlocutores do Palácio do Planalto, o episódio tende a mobilizar sobretudo a
base mais fiel ao bolsonarismo, sem alterar de forma relevante o cenário para
Lula.
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Crise na pré-campanha de Flávio
A
viagem ocorre em um momento delicado para Flávio Bolsonaro, que enfrenta
desgaste em sua pré-campanha após revelações sobre sua relação com Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master. O senador negociou cerca de R$ 134 milhões para
o patrocínio de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
Petistas
avaliam que a agenda nos Estados Unidos busca deslocar o foco político do caso,
que teria afetado o desempenho de Flávio nas pesquisas. Levantamento do
Datafolha mostrou Lula com 40% das intenções de voto em uma simulação de
primeiro turno, contra 31% do senador.
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Negociações com os EUA entram na disputa
Auxiliares
do governo também veem risco para Flávio Bolsonaro caso o encontro passe a ser
associado a eventuais dificuldades nas negociações entre Brasil e Estados
Unidos. O senador afirmou ter tratado com Trump de temas já discutidos
oficialmente entre os dois governos, como o tarifaço e o crime organizado.
A
tendência, segundo interlocutores governistas, é que qualquer recuo de Trump no
diálogo com o Brasil seja politicamente vinculado à atuação de Flávio. Nesse
enquadramento, Lula buscaria se apresentar como o líder que defende a soberania
nacional diante de pressões externas.
Nos
últimos meses, o presidente tem associado a família Bolsonaro a uma postura de
subordinação aos Estados Unidos. A visita de Flávio, portanto, deve ser
incorporada ao discurso político do Planalto em um contexto de disputa
eleitoral e de tensão em torno da relação bilateral.
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Divergência sobre facções criminosas
Após a
reunião, Flávio afirmou ter pedido a Donald Trump que classifique o CV (Comando
Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como grupos terroristas. O tema
é visto como ponto de divergência entre os governos brasileiro e americano.
A
posição defendida pelo senador contraria o conceito adotado pela ONU
(Organização das Nações Unidas), que conta com apoio público da diplomacia
brasileira. Lula afirmou que o assunto não foi tratado em sua reunião com
Trump, realizada no último dia 7.
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Ironia entre governistas
Antes
da confirmação pública da reunião, Flávio publicou nas redes sociais um vídeo
dizendo que estava em Washington e que teria uma conversa "muito
bacana". Em seguida, acrescentou: "Daqui a pouquinho vocês vão saber
com quem".
O
senador também afirmou que a embaixada do Brasil nos Estados Unidos não
autorizou que sua fala a jornalistas depois da reunião ocorresse no local.
Entre governistas, a agenda foi recebida com ironia.
Questionado
sobre a visita, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que já bastava
"um da família Bolsonaro" trabalhando contra o Brasil. Nas redes
sociais, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que o encontro
buscava esconder o escândalo e chamou o episódio de "Três patetas com
Trump".
Para
aliados de Lula, a agenda de Flávio na Casa Branca não necessariamente
fortalece sua pré-campanha. A avaliação no entorno do presidente é que o
encontro pode ampliar a exploração política do tema da soberania nacional e
reforçar a estratégia governista de apresentar Lula como defensor dos
interesses do Brasil nas negociações com Washington.
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"Cara de pau", diz Zarattini sobre Flávio
Bolsonaro "preocupado com o combate ao crime no Brasil"
O
deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) criticou, nesta quarta-feira (27), a
postura do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após
encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, e
afirmou que o parlamentar usa o tema da segurança pública como palanque
político.
Em
postagem nas redes sociais, Zarattini reagiu à declaração de Flávio Bolsonaro
de que pediu a Trump que as facções criminosas Primeiro Comando da Capital
(PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações
terroristas.
“A
demagogia do clã Bolsonaro chega a níveis impressionantes. Flávio Bolsonaro vai
aos Estados Unidos posar como alguém preocupado com o combate ao crime
organizado no Brasil. É muita cara de pau”, escreveu o deputado.
Segundo
Zarattini, o senador tenta explorar o medo da população diante da violência
para construir uma imagem de “defensor da segurança”. Para o parlamentar
petista, Flávio Bolsonaro transforma um tema grave em instrumento de disputa
política. “Na prática, ele tenta explorar o medo real da população diante da
violência para construir uma imagem de ‘defensor da segurança’, enquanto
transforma um tema grave em palanque político”, afirmou.
O
deputado também criticou a ausência, segundo ele, de uma proposta efetiva para
enfrentar o crime organizado no país. Zarattini mencionou temas como facções
criminosas, lavagem de dinheiro, corrupção policial e expansão das organizações
criminosas. “Não existe projeto consistente para enfrentar facções criminosas,
lavagem de dinheiro, corrupção policial ou expansão do crime organizado. O
objetivo é outro: manter poder político, mobilizar a própria base e tentar
criar condições para proteger Jair Bolsonaro dos problemas judiciais que
enfrenta”, declarou.
Flávio
Bolsonaro afirmou na terça-feira (26) que viajou aos Estados Unidos após ser
convidado para uma reunião com Trump na Casa Branca. Em coletiva de imprensa
realizada logo após o encontro, o senador disse que tratou com o presidente
norte-americano de temas como segurança pública, tarifas e terras raras.
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Foto de Flávio Bolsonaro com Trump rende enxurrada de
memes nas redes
A foto
que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou ao lado do presidente Donald
Trump, na Casa Branca, inspirou uma enxurrada de memes nas redes sociais.
Na
maior parte das montagens, Flávio é mostrado como alguém subserviente ao
presidente dos Estados Unidos e aparece como se fosse garçom ou entregador de
delivery.
A
percepção é de que o presidenciável do PL fez de tudo para conseguir um rápido
encontro com Trump apenas para obter a foto que vai usar como promoção pessoal,
mesmo sem ter participado de qualquer reunião com o governante estadunidense.
Nos
dois retratos divulgados, Trump não se deu ao trabalho de levantar para
cumprimentar Flávio, o irmão Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo.
Fonte:
Portal Terra/Brasil 247/ICL Notícias



