Brasil ativa plano de
contingência contra o Ebola
O
Ministério da Saúde ativou o Plano de Contigência Nacional para Febres
Hemorrágicas Virais na tentativa manter a crise do Ebola afastada do Brasil.
Embora
o país nunca tenha registrado um caso da doença, o governo acendeu o alerta em
razão do surto que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) já atinge dez
países da África Subsaariana.
Até 21
de maio, foram relatados 746 casos suspeitos e 220 óbitos na República
Democrática do Congo, o país que se tornou epicentro da cepa Bundibugyo do
vírus, de acordo com a OMS.
O plano
do Ministério da Saúde prevê a intensificação da vigilância sobre pessoas que
viajaram a países como a República Democrática do Congo, com o objetivo de
identificar casos suspeitos, isolar pacientes e monitorar suas redes de
contato.
O plano
prevê que, para casos suspeitos, mesmo mediante um teste negativo, uma segunda
coleta de amostra de sangue de ver ser realizada 48 horas após a primeira, para
nova análise.
O
documento, cuja última edição data de 2024, não prevê o fechamento de
fronteiras nem restrições a viagens ou ao comércio. O Brasil não tem voos
diretos à região afetada pelo surto, o que tende a reduzir a circulação de
pessoas infectadas e a possibilidade de contágio.
A
declaração da OMS de uma emergência de saúde pública de interesse internacional
não significa que estamos nos estágios iniciais de uma pandemia ao estilo
Covid. O risco que o Ebola representa fora da África Oriental, segundo
especialistas em saúde pública, é mínimo.
O surto
vitimou três voluntários brasileiros da Cruz Vermelha, mas apresenta baixo
risco de transmissão, visto que o Brasil não tem o vetor natural de transmissão
(os chimpanzés), que no país só existem em ambientes controlados como
zoológicos.
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O que é Ebola e quais são os sintomas?
Ebola é
uma doença rara, mas mortal, causada por um vírus. Ele infecta animais
(geralmente morcegos frugívoros), mas surtos entre humanos podem surgir quando
se come ou se manuseia animais infectados.
Os
sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer e começam como se fosse uma
gripe, com febre, dor de cabeça e cansaço. Depois, surgem vómitos e diarreia,
podendo levar à falência de órgãos. Alguns pacientes desenvolvem hemorragias
internas e externas.
O vírus
se espalha de uma pessoa para outra pelo contato com fluidos corporais
infectados, como sangue ou vômito.
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Por que esse surto é diferente? Existe vacina?
Esse
surto é causado pela espécie Bundibugyo de Ebola, que não era vista há mais de
uma década e causou apenas dois surtos anteriores, quando matou cerca de um
terço dos infectados.
Essa
espécie está causando desafios. Exames de sangue iniciais em pacientes com
suspeita de infecção tiveram resultados negativos, pois os testes só funcionam
com as cepas mais comuns.
Não há
vacina aprovada para o Bundibugyo, mas versões experimentais estão em
desenvolvimento. É possível que uma vacina para outra espécie do vírus, chamada
Zaire, ofereça alguma proteção.
Também
não há medicamentos desenvolvidos que tenham como alvo o Bundibugyo, tornando o
tratamento mais difícil.
Uma
complicação adicional é que o surto está ocorrendo em uma zona de conflito, com
cerca de 250 mil pessoas deslocadas de suas casas e uma travessia frequente de
fronteiras.
• Enfermeira a caminho do epicentro do
surto de ebola alerta para riscos
O atual
surto de ebola está causando enormes desafios para as organizações de ajuda
médica e humanitária, afirma Kate White, que é gerente da organização Médicos
Sem Fronteiras (MSF) no Reino Unido.
Três
voluntários da Cruz Vermelha que morreram no início deste mês estavam entre as
primeiras vítimas conhecidas do surto de ebola na República Democrática do
Congo e provavelmente se contaminaram enquanto lidavam com corpos.
Acredita-se
que o surto pode ter sido responsável por mais de 200 mortes e mais de 850
casos.
White,
que voou de Manchester para o Congo no domingo (24/05) como parte de um esforço
internacional de ajuda, disse que "isso realmente reforça a necessidade de
garantir que tenhamos todas as medidas de proteção em vigor".
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) disse recentemente que a doença pode estar
se espalhando mais rápido do que se pensava originalmente e declarou emergência
de saúde pública de interesse internacional.
Não há
vacina para o vírus, embora imunizantes experimentais estejam em
desenvolvimento. Também não há medicamentos direcionados contra o vírus, o que
torna a doença mais difícil de tratar.
White
já trabalhou em epidemias anteriores de ebola na África. Ela acrescentou estar
também preocupada com o impacto do fechamento do espaço aéreo no transporte de
profissionais de saúde e recursos para as áreas afetadas.
"O
volume do que precisamos levar agora é enorme."
Melhorias
na capacidade de confirmar casos são necessárias "em todas as áreas
geográficas afetadas, porque não queremos pessoas retidas em centros de
tratamento se não estiverem infectadas", disse.
"Queremos
poder dar alta a elas assim que se recuperarem para que possam voltar às suas
famílias — e ainda não estamos nesse ponto."
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O que é o Ebola e quais são os sintomas?
O ebola
é uma doença rara, mas mortífera. O vírus normalmente infecta animais, mas
surtos entre humanos às vezes podem começar quando as pessoas comem ou
manuseiam animais infectados.
Demora
de dois a 21 dias para que os sintomas apareçam. Eles surgem repentinamente e
começam como a gripe ou a malária: com febre, dor de cabeça e cansaço.
Conforme
a doença progride, vômitos e diarreia se desenvolvem e podem levar à falência
de órgãos. Alguns pacientes, mas não todos, desenvolvem hemorragias internas e
externas.
O vírus
se espalha de uma pessoa para outra pelo contato com fluidos corporais
infectados, como sangue ou vômito.
Os
surtos de ebola costumavam ser pequenos e confinados em áreas rurais remotas.
No entanto, a urbanização está empurrando populações maiores para mais perto
desses reservatórios naturais de ebola e aumentando o risco de transmissão.
O surto
mais recente é desafiador porque envolve uma espécie rara de ebola para a qual
não existe vacina, e o epicentro está em uma área afetada por conflitos.
"Este
[surto] já estava em curso por um período considerável antes de ser detectado,
o que significa que não compreendemos plenamente as cadeias de
transmissão", acrescentou White.
“Quando
não entendemos isso completamente, fica muito mais difícil controlá-lo.”
Fonte:
BBC News Brasil

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