quarta-feira, 27 de maio de 2026

Brasil ativa plano de contingência contra o Ebola

O Ministério da Saúde ativou o Plano de Contigência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais na tentativa manter a crise do Ebola afastada do Brasil.

Embora o país nunca tenha registrado um caso da doença, o governo acendeu o alerta em razão do surto que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) já atinge dez países da África Subsaariana.

Até 21 de maio, foram relatados 746 casos suspeitos e 220 óbitos na República Democrática do Congo, o país que se tornou epicentro da cepa Bundibugyo do vírus, de acordo com a OMS.

O plano do Ministério da Saúde prevê a intensificação da vigilância sobre pessoas que viajaram a países como a República Democrática do Congo, com o objetivo de identificar casos suspeitos, isolar pacientes e monitorar suas redes de contato.

O plano prevê que, para casos suspeitos, mesmo mediante um teste negativo, uma segunda coleta de amostra de sangue de ver ser realizada 48 horas após a primeira, para nova análise.

O documento, cuja última edição data de 2024, não prevê o fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou ao comércio. O Brasil não tem voos diretos à região afetada pelo surto, o que tende a reduzir a circulação de pessoas infectadas e a possibilidade de contágio.

A declaração da OMS de uma emergência de saúde pública de interesse internacional não significa que estamos nos estágios iniciais de uma pandemia ao estilo Covid. O risco que o Ebola representa fora da África Oriental, segundo especialistas em saúde pública, é mínimo.

O surto vitimou três voluntários brasileiros da Cruz Vermelha, mas apresenta baixo risco de transmissão, visto que o Brasil não tem o vetor natural de transmissão (os chimpanzés), que no país só existem em ambientes controlados como zoológicos.

<><> O que é Ebola e quais são os sintomas?

Ebola é uma doença rara, mas mortal, causada por um vírus. Ele infecta animais (geralmente morcegos frugívoros), mas surtos entre humanos podem surgir quando se come ou se manuseia animais infectados.

Os sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer e começam como se fosse uma gripe, com febre, dor de cabeça e cansaço. Depois, surgem vómitos e diarreia, podendo levar à falência de órgãos. Alguns pacientes desenvolvem hemorragias internas e externas.

O vírus se espalha de uma pessoa para outra pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.

<><> Por que esse surto é diferente? Existe vacina?

Esse surto é causado pela espécie Bundibugyo de Ebola, que não era vista há mais de uma década e causou apenas dois surtos anteriores, quando matou cerca de um terço dos infectados.

Essa espécie está causando desafios. Exames de sangue iniciais em pacientes com suspeita de infecção tiveram resultados negativos, pois os testes só funcionam com as cepas mais comuns.

Não há vacina aprovada para o Bundibugyo, mas versões experimentais estão em desenvolvimento. É possível que uma vacina para outra espécie do vírus, chamada Zaire, ofereça alguma proteção.

Também não há medicamentos desenvolvidos que tenham como alvo o Bundibugyo, tornando o tratamento mais difícil.

Uma complicação adicional é que o surto está ocorrendo em uma zona de conflito, com cerca de 250 mil pessoas deslocadas de suas casas e uma travessia frequente de fronteiras.

•        Enfermeira a caminho do epicentro do surto de ebola alerta para riscos

O atual surto de ebola está causando enormes desafios para as organizações de ajuda médica e humanitária, afirma Kate White, que é gerente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Reino Unido.

Três voluntários da Cruz Vermelha que morreram no início deste mês estavam entre as primeiras vítimas conhecidas do surto de ebola na República Democrática do Congo e provavelmente se contaminaram enquanto lidavam com corpos.

Acredita-se que o surto pode ter sido responsável por mais de 200 mortes e mais de 850 casos.

White, que voou de Manchester para o Congo no domingo (24/05) como parte de um esforço internacional de ajuda, disse que "isso realmente reforça a necessidade de garantir que tenhamos todas as medidas de proteção em vigor".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse recentemente que a doença pode estar se espalhando mais rápido do que se pensava originalmente e declarou emergência de saúde pública de interesse internacional.

Não há vacina para o vírus, embora imunizantes experimentais estejam em desenvolvimento. Também não há medicamentos direcionados contra o vírus, o que torna a doença mais difícil de tratar.

White já trabalhou em epidemias anteriores de ebola na África. Ela acrescentou estar também preocupada com o impacto do fechamento do espaço aéreo no transporte de profissionais de saúde e recursos para as áreas afetadas.

"O volume do que precisamos levar agora é enorme."

Melhorias na capacidade de confirmar casos são necessárias "em todas as áreas geográficas afetadas, porque não queremos pessoas retidas em centros de tratamento se não estiverem infectadas", disse.

"Queremos poder dar alta a elas assim que se recuperarem para que possam voltar às suas famílias — e ainda não estamos nesse ponto."

<><> O que é o Ebola e quais são os sintomas?

O ebola é uma doença rara, mas mortífera. O vírus normalmente infecta animais, mas surtos entre humanos às vezes podem começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.

Demora de dois a 21 dias para que os sintomas apareçam. Eles surgem repentinamente e começam como a gripe ou a malária: com febre, dor de cabeça e cansaço.

Conforme a doença progride, vômitos e diarreia se desenvolvem e podem levar à falência de órgãos. Alguns pacientes, mas não todos, desenvolvem hemorragias internas e externas.

O vírus se espalha de uma pessoa para outra pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.

Os surtos de ebola costumavam ser pequenos e confinados em áreas rurais remotas. No entanto, a urbanização está empurrando populações maiores para mais perto desses reservatórios naturais de ebola e aumentando o risco de transmissão.

O surto mais recente é desafiador porque envolve uma espécie rara de ebola para a qual não existe vacina, e o epicentro está em uma área afetada por conflitos.

"Este [surto] já estava em curso por um período considerável antes de ser detectado, o que significa que não compreendemos plenamente as cadeias de transmissão", acrescentou White.

“Quando não entendemos isso completamente, fica muito mais difícil controlá-lo.”

 

Fonte: BBC News Brasil

 

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