Carlos
Bocuhy: O Brasil da crise climática urbana
O mundo
finalmente começa a compreender que a crise climática não será decidida apenas
nos campos de petróleo, nas florestas ou nas conferências internacionais.
Ela
será decidida também nas cidades, no concreto, no aço, no vidro, nos
loteamentos, nos condomínios e nas periferias urbanas que avançam diariamente
sobre os territórios naturais.
O
alerta publicado recentemente pelo jornal francês Le Monde expõe uma realidade
desconfortável: o setor da construção civil tornou-se um dos principais
epicentros da emergência climática planetária. À medida que a área urbanizada
continua a aumentar no mundo todo, um relatório lamenta a desaceleração na
descarbonização da construção.
Os
números impressionam. A construção representa entre 11% e 13% do PIB mundial,
emprega quase um em cada dez trabalhadores e responde por 37% das emissões
globais de gases de efeito estufa, além de consumir mais da metade das
matérias-primas extraídas no planeta.
Em
2024, a área urbanizada mundial cresceu 1,7%, o equivalente a duas vezes a área
de Delhi, quatro vezes a de Berlim ou Nova York. A expansão urbana global
tornou-se uma gigantesca máquina de transformação ecológica da Terra.
O
Brasil ocupa posição paradoxal dentro desse cenário. Possui uma das matrizes
elétricas relativamente mais limpas do mundo, abundância de recursos naturais e
enorme potencial para liderar modelos de construção tropical sustentável.
Entretanto, continua reproduzindo um modelo urbano profundamente dependente de
concreto, siderurgia, impermeabilização do solo, expansão periférica
desordenada e destruição ambiental silenciosa.
Nossa
urbanização foi acelerada, desigual e climaticamente irresponsável. Em poucas
décadas, o país deixou de ser rural para se tornar majoritariamente urbano. Mas
as cidades brasileiras cresceram sem incorporar critérios ecológicos
estruturantes.
O
resultado é visível: rios canalizados, mananciais ocupados, encostas
vulneráveis, periferias sem infraestrutura adequada e um parque imobiliário
energeticamente ineficiente.
O
concreto transformou-se no símbolo físico desse modelo. A produção de cimento,
altamente emissora de carbono, depende de processos industriais intensivos em
energia e mineração. O aço, a cerâmica, a extração de areia e brita e o
transporte rodoviário ampliam ainda mais a pegada ambiental do setor.
Enquanto
isso, a verticalização urbana frequentemente ignora princípios bioclimáticos
elementares. Copiam-se modelos arquitetônicos inadequados ao clima tropical:
fachadas de vidro, baixa ventilação natural e crescente dependência de
ar-condicionado.
O
paradoxo é evidente. O Brasil poderia ser uma potência mundial em arquitetura
climática. Dispõe de tradição de adaptação ao calor, potencial para
bioarquitetura, madeira engenheirada, bambu estrutural, captação de água,
energia solar e soluções térmicas naturais. Porém, o país optou historicamente
por um urbanismo de consumo rápido do território.
A
diferença em relação à Europa torna-se cada vez mais significativa. A União
Europeia já avança para regulamentações que exigem edifícios de “zero emissão”,
análise obrigatória do ciclo de vida dos materiais e limites de carbono
incorporado nas construções. A França, com a regulamentação RE2020, tornou-se
referência internacional ao incorporar critérios climáticos profundos ao setor
da construção.
No
Brasil, entretanto, ainda prevalece uma governança fragmentada e insuficiente.
Existem iniciativas importantes – como certificações ambientais, normas de
eficiência energética e programas de etiquetagem –, mas permanecem restritas a
nichos do mercado imobiliário corporativo e de alto padrão.
A
construção popular continua baseada, em grande parte, em padrões antigos,
improvisação urbana e informalidade.
Mais
grave ainda é o fato de que o país enfrenta simultaneamente uma crise social e
climática urbana. O déficit habitacional, a ocupação de áreas de risco, a
precariedade do saneamento e a vulnerabilidade das periferias ampliam os
efeitos das mudanças climáticas. Ondas de calor, enchentes e deslizamentos
deixam de ser acidentes isolados e passam a integrar a rotina das cidades
brasileiras.
Nesse
contexto, a construção civil deixa de ser apenas um setor econômico. Ela se
transforma em questão estratégica de sobrevivência coletiva.
O
problema é que o Brasil ainda parece aprisionado a uma lógica de curto prazo.
Em vez de fortalecer regras ambientais urbanas, grande parte da pressão
política e econômica busca flexibilizar licenciamentos, acelerar ocupações e
reduzir exigências ambientais em nome da expansão imobiliária e da velocidade
do crescimento econômico.
Trata-se
de uma contradição perigosa. Enquanto o mundo começa a reconhecer que a crise
climática exige planejamento territorial rigoroso, o país frequentemente
continua tratando áreas verdes como “vazios urbanos”, rios como obstáculos à
urbanização e mananciais como reserva fundiária para expansão imobiliária.
Essa
lógica conecta-se diretamente ao desmonte mais amplo da governança ambiental
observado nos últimos anos: enfraquecimento institucional, simplificação
excessiva de procedimentos, descontinuidade de políticas públicas e
subestimação sistemática dos riscos climáticos.
Em
muitos casos, o próprio planejamento urbano passou a operar sob uma espécie de
agnotologia climática – a produção deliberada da ignorância sobre os impactos
futuros.
A
consequência é que o Brasil avança para uma urbanização climaticamente
vulnerável justamente no momento em que os eventos extremos se intensificam. O
país que abriga alguns dos maiores patrimônios ecológicos do planeta começa a
construir cidades incapazes de coexistir com seu próprio ambiente natural.
Ainda
há tempo para mudar esse percurso. O Brasil possui condições técnicas e
energéticas favoráveis para liderar uma nova geração de cidades adaptadas ao
clima. Isso exigiria, porém, planejamento de longo prazo, regulamentação clara,
incentivo a materiais de baixo carbono, retrofitização de edifícios,
requalificação urbana, proteção rigorosa de mananciais e incorporação
definitiva da variável climática ao planejamento territorial.
A
questão central é que o futuro climático não será decidido apenas nas COPs ou
nos tratados internacionais. Ele será definido também na forma como cada país
escolhe construir suas cidades. E o Brasil, neste momento, ainda parece
construir parte significativa do seu próprio colapso ambiental.
• Raquel Rolnik defende reconexão das
cidades com a natureza
Uma das
principais referências no campo do planejamento urbano no Brasil, a arquiteta
Raquel Rolnik alertou, durante evento promovido pelo Ministério Público na
última sexta-feira, que o modelo de produção de cidades no país foi
transformado em mercadoria política e eleitoral. Durante sua palestra, ela
afirmou que o planejamento segue não atendendo a toda a população de centros
urbanos e defendeu uma reformulação no modo de se produzir as cidades,
retomando a conexão com a natureza em meio à crise climática. “É isso ou
acabou”, advertiu.
Professora
da USP, ex-relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o
Direito à Moradia Adequada e pesquisadora, Rolnik palestrou no Seminário
Direito à Cidade e Sustentabilidade Urbano-Ambiental, do MP. Durante sua fala,
ela chamou a atenção para a contaminação política na forma de se pensar as
cidades, envolvendo extremos econômicos. “A produção de cidade, num pedaço
enorme de cidade, virou a grande mercadoria política do nosso sistema político
e eleitoral”, afirmou. “E isso tem um nome: modo centrão de governar”.
Se,
para a parte mais pobre da cidade – que, segundo ela, vive de modo ambíguo
quanto ao pertencimento à cidade no que tange a acessos e direitos –, a
exclusão é a regra, para o mercado imobiliário a relação se estabelece por meio
de favorecimentos em incorporações. “A base do centrão é deixar a maior parte
da população excluída, sem direitos, para depois negociar. Por escola,
pavimentação”, exemplificou. “Quem não tem dinheiro, precisa receber dádiva, e
dádivas são favores, que são pagos indefinidamente. Isso vale também para o
setor empresarial”, afirmou.
Antes
da palestra, Rolnik visitou cidades afetadas pela enchente no Vale do Taquari e
Canoas. Destacou que a reconstrução não deverá ser igual entre lugares
diferentes e deve ouvir as populações. Desta forma, é uma política que poderá
ser feita de maneira diferente ao que vinha ocorrendo: “Um desastre como esse,
em várias escalas e dimensões, é uma oportunidade para pensar criticamente
coisas que estão estabelecidas. Tanto conceitos, como métodos de fazer
cidades”.
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O risco como justificativa para remoções
No
entanto, em meio ao cenário de reconstruções, a pesquisadora alertou sobre as
situações que a condição de “áreas de risco” podem causar, em especial para
populações já historicamente vulneráveis. “No nosso modelo de cidade, falar em
área de risco, significa promover processo de despossessão, e isso não é algo
banal.” Também fez a relação entre a ideia atual de risco com o de “higiene”,
utilizado no início do século passado em nome de modernizações para as cidades.
“O risco oferece, na economia política da cidade, a justificativa para a
remoção”, explicou. Para ela, então, o mecanismo pode ser um operador do
racismo ambiental.
Raquel
Rolnik criticou o modelo brasileiro hegemônico de produção de cidades,
“colonizado” e importado da Europa, além de ser exemplo de negação à natureza,
segundo ela. “O princípio de ocupação urbana é extrativista, que coloca a
natureza para nos servir”, declarou. “Numa lógica que, a melhor forma de
ocupação na cidade – e é isso que está orientando hoje os planos diretores – é
o uso mais rentável para o capital investido neste lugar”, complementou.
Para
ela, o modelo não apenas é falho, como danoso: “É exatamente este modelo que
foi o responsável pelo aquecimento global, que está sendo um dos responsáveis
pela concentração de chuvas no Rio Grande do Sul, que está nos matando. É um
modelo tóxico, que tem uma incidência no clima e não tem futuro”, disse, antes
de provocar: “O que nós vamos fazer? Mais do mesmo? Mesma pavimentação, mesmo
modelo, mesmos prédios, só que fora das áreas de risco?”, questionou a
pesquisadora, defendendo uma forma mais coletiva de se projetar o futuro, a
partir dos locais. Sua fala encontra eco nas críticas feitas pela diretora da
Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, em relação à reconstrução do
estado promovida pelo poder público. “Chega de pensamento único”, cobrou
Rolnik. “É uma utopia, mas se a gente não construir e ficar vislumbrando esta
utopia, o que nos resta?”
• Crise energética, fertilizantes verdes e
a soberania nacional. Por Renata Albuquerque Ribeiro
O
presidente Lula voltou a defender a ampliação da produção nacional de
fertilizantes, recolocando o tema no centro do debate sobre soberania
produtiva, política industrial e segurança econômica. Em visita às fábricas da
Petrobras na semana passada, Lula reafirmou a importância estratégica do setor
justamente em um momento de agravamento das tensões energéticas internacionais
e de preocupação crescente com os estoques globais de insumos agrícolas.
A
discussão também ganhou novo impulso no Congresso, com a tramitação de medidas
relacionadas aos setores de combustíveis e de fertilizantes e a inclusão do
tema na recém-aprovada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
(PNMCE), com o objetivo de equiparar os fertilizantes aos minerais críticos e,
assim, facilitar a concessão de incentivos ao setor. Além disso, esta semana o
Profert, Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, está sendo
analisado pela Casa, com o objetivo de reduzir a dependência externa de adubos.
O projeto prevê a desoneração do gás fóssil e incentivos tributários para
fortalecer a produção nacional do setor.
Essas
ações buscam fortalecer o setor de fertilizantes no Brasil, já que o país nunca
desenvolveu uma estratégia nacional consistente e de longo prazo para reduzir
sua dependência externa de fertilizantes. Trata-se de uma fragilidade conhecida
há décadas e que, apesar de alertas recorrentes, segue sem resposta
proporcional à sua importância econômica e geopolítica.
O tema
é particularmente sensível porque o Brasil é uma potência agroexportadora
profundamente dependente de insumos importados. Mais de 80% dos fertilizantes
consumidos no país vêm do exterior, o que torna o agronegócio brasileiro
altamente vulnerável a crises internacionais, à volatilidade cambial e a
choques geopolíticos.
A
guerra na Ucrânia evidenciou dramaticamente essa vulnerabilidade. A interrupção
de cadeias logísticas, a escalada dos preços do gás e as sanções contra grandes
produtores de fertilizantes expuseram a fragilidade dos países dependentes de
importações. Agora, com o agravamento das tensões no Oriente Médio e os riscos
associados ao fornecimento energético global, a preocupação retorna com ainda
mais intensidade. Fertilizantes nitrogenados dependem hoje fortemente do gás
para sua produção, o que significa que crises energéticas se transformam
rapidamente em crises agrícolas e inflacionárias.
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Brasil tenta desenvolver estratégia para fertilizantes desde os anos 1970
Essa
dependência histórica não surgiu por acaso. Desde os anos 1970, diferentes
governos brasileiros buscaram ampliar a produção doméstica de fertilizantes,
mas sem implementar um plano de longo prazo. Houve investimentos estatais,
participação da Petrobras e tentativas de construir uma política nacional para
o setor, haja vista o lançamento de políticas públicas como o 1º Programa
Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola, de 1974, e o 2º Plano Nacional
de Fertilizantes, de 1987.
No
entanto, a partir dos anos 2000, muitos projetos foram interrompidos,
descontinuados ou perderam prioridade diante de ciclos econômicos e de mudanças
políticas. Entre 2016 e 2022, o governo federal, sob os então presidentes
Michel Temer e Jair Bolsonaro, fechou quatro fábricas de fertilizantes no
Brasil. O resultado foi a consolidação de um modelo em que o Brasil exporta
commodities agrícolas em larga escala, mas importa grande parte dos insumos
estratégicos necessários para produzi-las.
Esta
situação levou ao desenvolvimento do Plano Nacional de Fertilizantes 2050,
aprovado em 2022, que, apesar da importância e da forte articulação do
agronegócio no Congresso Nacional e em outras posições políticas do Executivo,
não apresentou grandes avanços.
Esse
paradoxo revela uma lacuna importante no planejamento nacional. O país
construiu uma agricultura altamente competitiva, mas não desenvolveu plenamente
a base industrial necessária para garantir autonomia em setores críticos.
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Fertilizantes verdes como alternativa viável
Nesse
contexto, avançar com fertilizantes verdes deixa de ser apenas uma agenda
ambiental e torna-se uma estratégia econômica, industrial, geopolítica e de
segurança. Fertilizantes verdes, especialmente aqueles produzidos a partir de
hidrogênio verde e amônia verde, podem reduzir significativamente a dependência
do gás fóssil e abrir novas oportunidades industriais para o país.
O
Brasil possui vantagens competitivas importantes nessa transição. A matriz
elétrica relativamente limpa, a abundância de recursos renováveis e o potencial
de expansão da energia solar e eólica criam condições favoráveis à produção de
hidrogênio verde em larga escala. Isso poderia permitir ao país construir uma
nova cadeia produtiva industrial associada à descarbonização global.
Além
disso, já há sinais concretos de viabilidade econômica e tecnológica dessa
opção. Projetos de fertilizantes verdes começam a surgir no Brasil e em outros
países da América do Sul, o que indica que o mercado está em formação. Um dos
casos mais emblemáticos é o do Paraguai, que planeja utilizar a energia da
hidrelétrica de Itaipu para produzir fertilizantes verdes, sem depender de gás.
No
Brasil, iniciativas privadas também avançam em soluções alternativas. Projetos
de fertilizantes verdes buscam justamente romper a dependência estrutural do
gás importado, apontando para modelos produtivos mais resilientes e menos
expostos à volatilidade internacional.
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Bioinsumos e biofertilizantes avançam
Outro
elemento importante neste debate é o avanço dos bioinsumos e dos fertilizantes
biológicos. O setor tem crescido rapidamente no país, impulsionado por inovação
tecnológica, investimentos públicos e pelo aumento da demanda agrícola por
soluções mais sustentáveis. O BNDES anunciou recentemente um novo ciclo de
investimentos de R$ 40 milhões voltado à produção de bioinsumos.
Atualmente,
os bioinsumos já são apontados como uma “revolução gigantesca” na agricultura
brasileira, combinando ganhos ambientais, produtividade e redução da
dependência de insumos importados. O crescimento da produção em 2026 e o avanço
da regulamentação da Lei de Bioinsumos mostram que o setor já deixou de ser
marginal e passou a integrar uma nova fronteira de desenvolvimento agrícola e
industrial. Vencedora do World Food Prize, considerado o “Nobel da
Agricultura”, a pesquisadora da Embrapa, Maria Ângela Hungria, aponta que os
bioinsumos podem substituir até metade dos fertilizantes químicos usados no
Brasil, gerando economia de cerca de R$ 140 bilhões por safra.
As
experiências ligadas à agricultura familiar e a movimentos sociais também
mostram caminhos possíveis. Cooperativas vinculadas ao Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra têm investido em modelos agroecológicos e
soluções biológicas para reduzir custos e ampliar a autonomia produtiva. Embora
em escala ainda limitada, essas iniciativas ajudam a demonstrar que a transição
para fertilizantes mais sustentáveis pode combinar inovação, desenvolvimento
regional e inclusão produtiva. O Movimenta conta, ainda, com iniciativas de
cooperação sul-sul, a exemplo do projeto de produção de fertilizantes no Sul do
Brasil, que conta com o apoio da China.
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Movimentos atuais negligenciam a indústria verde
Apesar
destes exemplos, os movimentos políticos recentes têm mostrado a organização do
tema em torno do impulso aos fertilizantes nitrogenados e dos incentivos aos
combustíveis fósseis. No caso da Petrobras, a projeção é que a empresa produza
35% da demanda de fertilizantes nitrogenados no Brasil em 2028, mas essa
projeção vem acompanhada da ampliação da produção de gás fóssil.
No
plano internacional, os países vêm ampliando as discussões sobre cooperação
tecnológica e produtiva em fertilizantes, especialmente no âmbito dos BRICS,
mas sem especificar o uso e/ou a produção sustentáveis dos insumos.
Enquanto
isso, dados recentes do Instituto E+ de Transição Energética mostram que, no
Brasil, o custo de produção de fertilizantes nitrogenados a partir de
matérias-primas renováveis já está próximo ao da produção nacional a partir de
gás.
O
Brasil, portanto, enfrenta uma escolha estratégica. Pode continuar operando sob
um modelo de dependência estrutural de insumos importados, permanentemente
vulnerável a crises internacionais, ou transformar a agenda de fertilizantes
verdes em um eixo de uma nova política industrial verde. Isso exigirá
coordenação entre a política energética, o planejamento industrial, o
financiamento público, a inovação tecnológica e o desenvolvimento regional.
No
plano internacional, a construção de cadeias industriais verdes pode abrir
novas possibilidades de cooperação Sul-Sul em áreas como hidrogênio verde,
amônia verde e biofertilizantes, reduzindo a dependência de mercados
tradicionais concentrados em poucos fornecedores globais.
Em um
cenário global marcado por fragmentação geopolítica, insegurança energética e
disputa tecnológica, construir uma estratégia nacional para o setor significa
proteger a agricultura brasileira e fortalecer a soberania alimentar e a
indústria nacional. Não se trata de agenda ambiental, nem de medida paliativa
para minimizar riscos. Trata-se da nova revolução verde no campo. E o Brasil
pode liderar esta agenda no futuro.
Fonte:
IHU/Matinal

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