terça-feira, 26 de maio de 2026

Mário Sabino: O Dark Horse é um asno com DNA dos Bolsonaro

O Dark Horse é um Dark Donkey, um asno com DNA dos Bolsonaro.

Como é que Flávio pôde acreditar que poderia ser lançado candidato à presidência da República com tamanho rabo preso ao meliante da vez, perpetrador da maior fraude financeira da história brasileira?

Ele achou mesmo que não viriam à tona o seu áudio para Daniel Vorcaro, a visita dele ao sujeito, em São Paulo, as mensagens trocadas entre o suposto banqueiro e o suposto ator Mario Frias?

Agora, Flávio diz que “não tem nada a esconder”, frase que, na boca do rapaz, significa um grande problema.

A imprensa está seguindo o dinheiro, como deve ser. Tem-se a história desse policial militar, André Porciúncula, suposto dono de uma casa no Texas, comprada por meio de um trust administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Advogado que, ora veja só, administra também o fundo Havengate, no qual foi despejada parte dos R$ 61 milhões desembolsados por Vorcaro para a produção de Dark Horse.

A casa fica em Arlington, perto de Dallas, na mesma região onde mora Eduardo Bolsonaro, em endereço que permanece desconhecido, de onde a suspeita de que Porciúncula, ex-policial militar sem patrimônio declarado suficiente para a aquisição da casa, seria apenas o dono de fachada de um imóvel que, na verdade, pertenceria a Eduardo.

Em outra ponta, o suposto ator Mario Frias, que interpreta atualmente o papel de deputado federal, é investigado pelo ubíquo STF por suspeita de ter repassado dinheiro de emendas parlamentares, R$ 2 milhões, a uma ONG ligada à produção de Dark Horse.

Todas as triangulações espertas conhecidas até o momento, e mais ações patrióticas devem vir à tona, são de uma sofisticação comparável à das rachadinhas, que os Bolsonaro também acreditavam que permaneceriam invisíveis à imprensa e aos adversários políticos.

O pai de todos, Jair, poderia ter um laivo de espírito público e tirar o seu cavalinho da chuva. Quer dizer, o seu asninho. Talvez ele não veja isso como favor a si próprio, mas seria um enorme serviço à metade do país que prefere que Lula não seja reeleito.

•        O “irmão Vorcaro” de Flávio derruba o disfarce de “Bolsonaro bonzinho”? Por Carlos Wagner

A lida diária da reportagem nos ensina que na política nada é definitivo até que seja contado o último voto na urna. Portanto, é precipitado estimar o tamanho dos estragos, ou benefícios, que trarão para a candidatura a presidente da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45 anos, o seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, 42 anos, que está preso preventivamente pelo escândalo do Banco Master, uma fraude financeira que causou um prejuízo de R$ 50 bilhões aos clientes e ao sistema bancário nacional. Flávio substitui, na corrida presidencial, o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos, que cumpre pena de 27 anos de cadeia por ter se envolvido em uma tentativa de golpe de estado. A história vem sendo acompanhada online pelos noticiários diários da imprensa e não “vou chover no molhado”. Vamos conversar sobre o aprofundamento no racha político entre os seguidores do ex-presidente que poderá beneficiar a direita democrática, como foram apelidados pela imprensa os militantes e parlamentares que, por oportunismo, aderiram ao bolsonarismo e agora não conseguem sair de lá.

Mas antes vamos contextualizar a nossa conversa. Segundo matéria publicada no site The Intercept Brasil, bolsonaristas pediram para Vorcaro R$ 134 milhões para financiar, nos Estados Unidos, a produção do filme Dark Horse, o Azarão, que conta a trajetória política recente do ex-presidente Bolsonaro. Na ocasião, o então banqueiro teria dividido o montante em parcelas, cujo número é desconhecido. No primeiro semestre de 2025, ele depositou R$ 61 milhões e então interrompeu o pagamento. Vieram a público as gravações das conversas de Flávio cobrando as parcelas atrasadas – há uma abundância de matérias na internet. O valor da produção do filme foi considerado muito acima da realidade de mercado. A Polícia Federal (PF) segue as pegadas deixadas pelos R$ 61 milhões. A história envolve mais um dos filhos do ex-presidente, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), 41 anos, que se autoexilou nos Estados Unidos. Terminada a contextualização, vamos conversar. Antes das eleições presidenciais que elegeram Bolsonaro, em 2018, havia uma polarização política entre o PT e o PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Atualmente com 94 anos, FHC presidiu o país por dois mandatos (1995 a 2003). A direita democrática se abrigava no PSDB, no MDB e no Centrão, como é chamado o bloco de partidos que, independentemente de quem for o presidente da República, troca cargos e influência no governo por apoio no Congresso. Entre 2014 a 2021 o Brasil foi sacudido pela Operação Lava Jato, em que a Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF) revelaram um grande esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes. A história da Lava Jato é complexa e cheia de problemas amplamente documentados e disponíveis na internet, em filmes, livros, documentários e muitas reportagens. Nesse ambiente, nas eleições presidenciais de 2018 a candidatura de Bolsonaro, até então um discreto deputado federal pelo Rio de Janeiro, que parecia não ter a mínima chance, “ganhou tração” e ele se elegeu presidente do Brasil. Daí vem a inspiração para o nome do filme, Azarão. A direita democrática viu na situação uma chance de continuar relevante e aderiu de corpo e alma ao bolsonarismo. Quebrou a cara. O presidente eleito não era o “idiota” que todos pensavam. Muito pelo contrário. Enquadrou todos nas suas práticas políticas autoritárias e transformou a direita democrática em um “puxadinho” do bolsonarismo.

Oauge do governo Bolsonaro foi em 2019. Na época, as lideranças políticas e os militantes da direita democrática eram simplesmente ignorados pelo círculo pessoal do presidente. Lembro-me de ter conversado longamente com alguns deles. A decadência do governo começou em 26 de fevereiro de 2020. Naquele dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia de Covid-19, uma severa infecção respiratória, contagiosa e letal, causada por um vírus desconhecido, para a qual não havia remédios nem vacinas. O titular do Ministério da Saúde era o médico Luiz Henrique Mandetta, 61 anos, um político nascido no berço do PMDB. Bateu de frente com o presidente quando tentou seguir as orientações da OMS para o enfrentamento a doença. Bolsonaro era negacionista em relação à letalidade e o poder de contágio do vírus. Mandetta foi demitido em abril de 2020. Foi um período tenso no Brasil. A população vivia trancada dentro de casa, torcendo e rezando para não ser a próxima vítima do vírus. Lembro-me que Bolsonaro fazia tudo que estava ao seu alcance para boicotar as medidas de prevenção da OMS. A tensão passou quando foram desenvolvidos os tratamentos e as vacinas para a Covid. Toda a história é contada nas 1,6 mil páginas do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, a CPI da Covid, que atualmente está sendo analisado pela PF a pedido do ministro Flávio Dino, 58 anos, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas eleições presidenciais de 2022, a direita democrática tentou “vender” para a opinião pública a necessidade de uma terceira via para acabar com a polarização política entre Bolsonaro e Lula. Não teve sucesso. O primeiro turno para presidente foi disputado por 10 candidatos. Passaram para o segundo turno Bolsonaro e Lula, que ganhou as eleições. Em 2026, o representante da direita democrática era o governador gaúcho Eduardo Leite, 41 anos, que migrou do PSDB para o PSD para disputar com outros dois postulantes a indicação do partido para concorrer a presidente da República. Perdeu a indicação para o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, 76 anos, que até agora não decolou nas pesquisas. Aqui é o seguinte: o racha entre bolsonaristas começou quando o ex-presidente perdeu as eleições em 2022 e se abraçou com os chamados “bolsonaristas raiz”, um grupo de radicais da extrema direita. Esse grupo sempre cresce nos momentos de crise, como é o atual da candidatura de Flávio. Seu envolvimento com Vorcaro e o escândalo do Banco Master preocupa especialmente os parlamentares que em 2022 se elegeram na carona do prestígio de Bolsonaro e agora concorrem à reeleição. Eles já não contarão com a presença nos palanques do ex-presidente, que está preso. Para complicar, terão que explicar aos eleitores por que Flávio chama Vorcaro de “meu irmão”.

Para finalizar a nossa conversa. Até se tornar pública a história de Dark Horse, o Azarão, o filme de R$ 134 milhões que estava sendo financiado pelo ex-banqueiro Vorcaro, a candidatura do senador Flávio estava voando em “céu de brigadeiro”. Sequer informou aos eleitores o seu plano de governo. Só era conhecida a sua intenção de propor ao Congresso um projeto de anistia ampla, geral e irrestrita para o seu pai e os envolvidos na tentativa de golpe de estado. Perante os eleitores, a sua grande preocupação era fixar a imagem de que era um “Bolsonaro bonzinho, respeitador das instituições e incentivador das vacinas”. É um disfarce que o senador usa para atrair os votos dos eleitores de fora da bolha bolsonarista, que são os votos que vão eleger o próximo presidente? Qual o tamanho do rasgo que o rolo com Vorcaro provocou no disfarce?

•        Cardozo diz que candidatura de Flávio Bolsonaro “foi atingida no coração” após escândalo financeiro

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo afirmou que a eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro sofreu um duro golpe após as denúncias envolvendo supostos repasses financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e à produção de um filme associado à família Bolsonaro. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Cardozo classificou o caso como “escandaloso”, apontou possíveis implicações criminais e disse que a crise pode provocar uma implosão política na extrema direita brasileira.

Segundo Cardozo, o episódio já começou a produzir efeitos eleitorais negativos e tende a se agravar com o avanço das investigações. “A candidatura de Flávio Bolsonaro já foi atingida no coração antes mesmo da largada”, declarou.

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Para o ex-ministro, as contradições públicas apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Vorcaro agravaram a situação política e jurídica do senador. Cardozo lembrou que o parlamentar negou inicialmente qualquer proximidade com o banqueiro, mas posteriormente admitiu encontros e tratativas financeiras relacionadas à produção cinematográfica.

“Ele mente sucessivamente tentando encobrir uma realidade”, afirmou Cardozo. “Isso caracteriza, a meu ver, falta de decoro parlamentar. Tem que ser cassado sob pena de o Parlamento se colocar numa situação ridícula perante a opinião pública.”

Durante a entrevista, Cardozo comparou o caso ao processo que levou à cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, acusado de mentir em depoimento parlamentar sobre contas no exterior. Embora tenha reconhecido diferenças formais entre os episódios, o ex-ministro afirmou que o impacto político e ético seria semelhante.

Outro ponto destacado foi a suspeita sobre a origem e a destinação dos recursos utilizados na produção do filme associado ao clã Bolsonaro. Segundo Cardozo, há indícios de que verbas públicas e recursos oriundos de operações financeiras suspeitas tenham sido utilizados de forma irregular.

“O que é esse filme que exigia tanto dinheiro? Isso parece muito mais uma estrutura de arrecadação de recursos do que uma produção cinematográfica”, afirmou.

Ele também questionou a utilização de emendas parlamentares para financiar uma produção supostamente vinculada aos Estados Unidos. Segundo o ex-ministro, o caso pode envolver crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

“É uma situação gravíssima que envolve parlamentares, envolve recursos públicos e pode exigir bloqueio de contas, de bens e até da bilheteria do filme para ressarcimento dos danos”, declarou.

Cardozo ainda afirmou que a Polícia Federal deve aprofundar as investigações internacionais para rastrear o caminho do dinheiro movimentado entre Brasil e Estados Unidos. Na avaliação dele, as apurações estão apenas começando.

“Muita água ainda vai rolar. E tenho a sensação de que muita gente pode morrer afogada nesse processo”, disse.

O ex-ministro também comentou os impactos políticos do caso dentro da própria direita brasileira. Segundo ele, setores conservadores já começam a discutir alternativas eleitorais diante do desgaste de Flávio Bolsonaro.

“Ele está tomando ataques de todos os cantos da direita. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros nomes já aparecem como alternativas”, afirmou.

Cardozo ironizou ainda a presença do senador Sergio Moro ao lado de Flávio Bolsonaro durante coletiva de imprensa sobre o caso. Segundo ele, a expressão do ex-juiz demonstrava desconforto diante da dimensão das denúncias.

“A expressão do Moro era histórica. Parecia alguém percebendo que o barco estava afundando”, comentou.

Ao longo da entrevista, o ex-ministro também criticou vazamentos seletivos de investigações, embora tenha defendido o avanço rigoroso das apurações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Para ele, o país precisa garantir o devido processo legal, mas sem abrir espaço para a impunidade.

“Não devemos pacificar nada às custas da Constituição. O que aconteceu precisa ser investigado e punido dentro do Estado de Direito”, afirmou.

Cardozo também comentou a discussão no Supremo Tribunal Federal sobre projetos relacionados aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo ele, eventuais mudanças legislativas que reduzam penas ou beneficiem envolvidos podem ser consideradas inconstitucionais.

“O Supremo precisa decidir de acordo com a Constituição, não com pressões políticas”, declarou.

Apesar do tom irônico em alguns momentos da entrevista, Cardozo insistiu que o caso representa uma crise séria para o bolsonarismo.

“É um escândalo de proporções enormes. E a impressão é que estamos apenas no começo”, concluiu.

•        Michelle evita comentar escândalo Flávio-Vorcaro e diz que sua prioridade é cuidar de Jair Bolsonaro

Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que não está acompanhando a crise envolvendo a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a ex-primeira-dama disse que sua prioridade é acompanhar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

"Não estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido", declarou Michelle ao ser questionada sobre o desgaste político enfrentado por Flávio após a divulgação de sua relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Mais tarde, ao deixar um evento, a ex-primeira-dama voltou a evitar comentários sobre o caso. "O Flávio, você tem que perguntar para ele", afirmou.

Michelle reduziu sua atuação política desde que Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar. A ex-primeira-dama tem concentrado parte da rotina no acompanhamento do ex-mandatário e, de acordo com aliados, também reclama de sobrecarga.

Nos bastidores do Partido Liberal, integrantes do bolsonarismo e partidos do centrão passaram a discutir alternativas diante das dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio até outubro. Nesse cenário, o nome de Michelle foi citado como possibilidade para a disputa presidencial. Apesar disso, dirigentes do partido ainda não cogitam substituir o senador.

A ex-primeira-dama deve disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, mas a definição sobre a candidatura deve ocorrer nos próximos meses.

<><> Crise na pré-campanha

O desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou força após revelação do site The Intercept Brasil de que o senador pediu recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro teria destinado R$ 61 milhões ao projeto.

Desde então, Flávio busca conter os impactos políticos do caso e enfrenta questionamentos entre aliados. Nesta terça-feira (19), o senador relatou a deputados e senadores do PL que visitou Vorcaro em sua mansão, em São Paulo, após a primeira prisão do empresário, ocorrida no fim de 2025.

Ao justificar a relação com o então banqueiro, Flávio afirmou que Vorcaro "circulava em todas as rodas em Brasília" e que era uma "pessoa acima de qualquer suspeita" no período das negociações para o financiamento do longa-metragem.

A Polícia Federal também investiga a suspeita de que parte dos recursos repassados por Vorcaro tenha sido utilizada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam as acusações.

Segundo a apuração, os recursos destinados ao filme partiram da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, e chegaram a um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Aliados relatam ainda que Michelle tem evitado participar de discussões internas sobre a crise de Flávio. A ex-primeira-dama também não teria se engajado integralmente na campanha do senador, em meio a atritos políticos entre ela e os filhos de Bolsonaro relacionados à disputa pelo espólio eleitoral do ex-mandatário.

 

Fonte: Metrópoles/Observatório da Imprensa/Brasil 247

 

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