Mário
Sabino: O Dark Horse é um asno com DNA dos Bolsonaro
O Dark
Horse é um Dark Donkey, um asno com DNA dos Bolsonaro.
Como é
que Flávio pôde acreditar que poderia ser lançado candidato à presidência da
República com tamanho rabo preso ao meliante da vez, perpetrador da maior
fraude financeira da história brasileira?
Ele
achou mesmo que não viriam à tona o seu áudio para Daniel Vorcaro, a visita
dele ao sujeito, em São Paulo, as mensagens trocadas entre o suposto banqueiro
e o suposto ator Mario Frias?
Agora,
Flávio diz que “não tem nada a esconder”, frase que, na boca do rapaz,
significa um grande problema.
A
imprensa está seguindo o dinheiro, como deve ser. Tem-se a história desse
policial militar, André Porciúncula, suposto dono de uma casa no Texas,
comprada por meio de um trust administrado pelo advogado de imigração de
Eduardo Bolsonaro. Advogado que, ora veja só, administra também o fundo
Havengate, no qual foi despejada parte dos R$ 61 milhões desembolsados por
Vorcaro para a produção de Dark Horse.
A casa
fica em Arlington, perto de Dallas, na mesma região onde mora Eduardo
Bolsonaro, em endereço que permanece desconhecido, de onde a suspeita de que
Porciúncula, ex-policial militar sem patrimônio declarado suficiente para a
aquisição da casa, seria apenas o dono de fachada de um imóvel que, na verdade,
pertenceria a Eduardo.
Em
outra ponta, o suposto ator Mario Frias, que interpreta atualmente o papel de
deputado federal, é investigado pelo ubíquo STF por suspeita de ter repassado
dinheiro de emendas parlamentares, R$ 2 milhões, a uma ONG ligada à produção de
Dark Horse.
Todas
as triangulações espertas conhecidas até o momento, e mais ações patrióticas
devem vir à tona, são de uma sofisticação comparável à das rachadinhas, que os
Bolsonaro também acreditavam que permaneceriam invisíveis à imprensa e aos
adversários políticos.
O pai
de todos, Jair, poderia ter um laivo de espírito público e tirar o seu
cavalinho da chuva. Quer dizer, o seu asninho. Talvez ele não veja isso como
favor a si próprio, mas seria um enorme serviço à metade do país que prefere
que Lula não seja reeleito.
• O “irmão Vorcaro” de Flávio derruba o
disfarce de “Bolsonaro bonzinho”? Por Carlos Wagner
A lida
diária da reportagem nos ensina que na política nada é definitivo até que seja
contado o último voto na urna. Portanto, é precipitado estimar o tamanho dos
estragos, ou benefícios, que trarão para a candidatura a presidente da
República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45 anos, o seu envolvimento com
o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, 42 anos, que está preso preventivamente pelo
escândalo do Banco Master, uma fraude financeira que causou um prejuízo de R$
50 bilhões aos clientes e ao sistema bancário nacional. Flávio substitui, na
corrida presidencial, o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70 anos, que
cumpre pena de 27 anos de cadeia por ter se envolvido em uma tentativa de golpe
de estado. A história vem sendo acompanhada online pelos noticiários diários da
imprensa e não “vou chover no molhado”. Vamos conversar sobre o aprofundamento
no racha político entre os seguidores do ex-presidente que poderá beneficiar a
direita democrática, como foram apelidados pela imprensa os militantes e parlamentares
que, por oportunismo, aderiram ao bolsonarismo e agora não conseguem sair de
lá.
Mas
antes vamos contextualizar a nossa conversa. Segundo matéria publicada no site
The Intercept Brasil, bolsonaristas pediram para Vorcaro R$ 134 milhões para
financiar, nos Estados Unidos, a produção do filme Dark Horse, o Azarão, que
conta a trajetória política recente do ex-presidente Bolsonaro. Na ocasião, o
então banqueiro teria dividido o montante em parcelas, cujo número é
desconhecido. No primeiro semestre de 2025, ele depositou R$ 61 milhões e então
interrompeu o pagamento. Vieram a público as gravações das conversas de Flávio
cobrando as parcelas atrasadas – há uma abundância de matérias na internet. O
valor da produção do filme foi considerado muito acima da realidade de mercado.
A Polícia Federal (PF) segue as pegadas deixadas pelos R$ 61 milhões. A
história envolve mais um dos filhos do ex-presidente, o ex-deputado federal
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), 41 anos, que se autoexilou nos Estados Unidos.
Terminada a contextualização, vamos conversar. Antes das eleições presidenciais
que elegeram Bolsonaro, em 2018, havia uma polarização política entre o PT e o
PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Atualmente com 94 anos, FHC
presidiu o país por dois mandatos (1995 a 2003). A direita democrática se
abrigava no PSDB, no MDB e no Centrão, como é chamado o bloco de partidos que,
independentemente de quem for o presidente da República, troca cargos e
influência no governo por apoio no Congresso. Entre 2014 a 2021 o Brasil foi
sacudido pela Operação Lava Jato, em que a Polícia Federal e Ministério Público
Federal (MPF) revelaram um grande esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e
outros crimes. A história da Lava Jato é complexa e cheia de problemas
amplamente documentados e disponíveis na internet, em filmes, livros,
documentários e muitas reportagens. Nesse ambiente, nas eleições presidenciais
de 2018 a candidatura de Bolsonaro, até então um discreto deputado federal pelo
Rio de Janeiro, que parecia não ter a mínima chance, “ganhou tração” e ele se
elegeu presidente do Brasil. Daí vem a inspiração para o nome do filme, Azarão.
A direita democrática viu na situação uma chance de continuar relevante e
aderiu de corpo e alma ao bolsonarismo. Quebrou a cara. O presidente eleito não
era o “idiota” que todos pensavam. Muito pelo contrário. Enquadrou todos nas
suas práticas políticas autoritárias e transformou a direita democrática em um
“puxadinho” do bolsonarismo.
Oauge
do governo Bolsonaro foi em 2019. Na época, as lideranças políticas e os
militantes da direita democrática eram simplesmente ignorados pelo círculo
pessoal do presidente. Lembro-me de ter conversado longamente com alguns deles.
A decadência do governo começou em 26 de fevereiro de 2020. Naquele dia, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia de Covid-19, uma severa
infecção respiratória, contagiosa e letal, causada por um vírus desconhecido,
para a qual não havia remédios nem vacinas. O titular do Ministério da Saúde
era o médico Luiz Henrique Mandetta, 61 anos, um político nascido no berço do
PMDB. Bateu de frente com o presidente quando tentou seguir as orientações da
OMS para o enfrentamento a doença. Bolsonaro era negacionista em relação à
letalidade e o poder de contágio do vírus. Mandetta foi demitido em abril de
2020. Foi um período tenso no Brasil. A população vivia trancada dentro de
casa, torcendo e rezando para não ser a próxima vítima do vírus. Lembro-me que
Bolsonaro fazia tudo que estava ao seu alcance para boicotar as medidas de
prevenção da OMS. A tensão passou quando foram desenvolvidos os tratamentos e
as vacinas para a Covid. Toda a história é contada nas 1,6 mil páginas do
relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, a CPI da Covid,
que atualmente está sendo analisado pela PF a pedido do ministro Flávio Dino,
58 anos, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas eleições presidenciais de 2022,
a direita democrática tentou “vender” para a opinião pública a necessidade de
uma terceira via para acabar com a polarização política entre Bolsonaro e Lula.
Não teve sucesso. O primeiro turno para presidente foi disputado por 10
candidatos. Passaram para o segundo turno Bolsonaro e Lula, que ganhou as
eleições. Em 2026, o representante da direita democrática era o governador
gaúcho Eduardo Leite, 41 anos, que migrou do PSDB para o PSD para disputar com
outros dois postulantes a indicação do partido para concorrer a presidente da
República. Perdeu a indicação para o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, 76
anos, que até agora não decolou nas pesquisas. Aqui é o seguinte: o racha entre
bolsonaristas começou quando o ex-presidente perdeu as eleições em 2022 e se
abraçou com os chamados “bolsonaristas raiz”, um grupo de radicais da extrema
direita. Esse grupo sempre cresce nos momentos de crise, como é o atual da
candidatura de Flávio. Seu envolvimento com Vorcaro e o escândalo do Banco
Master preocupa especialmente os parlamentares que em 2022 se elegeram na
carona do prestígio de Bolsonaro e agora concorrem à reeleição. Eles já não
contarão com a presença nos palanques do ex-presidente, que está preso. Para
complicar, terão que explicar aos eleitores por que Flávio chama Vorcaro de
“meu irmão”.
Para
finalizar a nossa conversa. Até se tornar pública a história de Dark Horse, o
Azarão, o filme de R$ 134 milhões que estava sendo financiado pelo ex-banqueiro
Vorcaro, a candidatura do senador Flávio estava voando em “céu de brigadeiro”.
Sequer informou aos eleitores o seu plano de governo. Só era conhecida a sua
intenção de propor ao Congresso um projeto de anistia ampla, geral e irrestrita
para o seu pai e os envolvidos na tentativa de golpe de estado. Perante os
eleitores, a sua grande preocupação era fixar a imagem de que era um “Bolsonaro
bonzinho, respeitador das instituições e incentivador das vacinas”. É um
disfarce que o senador usa para atrair os votos dos eleitores de fora da bolha
bolsonarista, que são os votos que vão eleger o próximo presidente? Qual o
tamanho do rasgo que o rolo com Vorcaro provocou no disfarce?
• Cardozo diz que candidatura de Flávio
Bolsonaro “foi atingida no coração” após escândalo financeiro
O
ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo afirmou que a eventual candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro sofreu um duro golpe após as denúncias
envolvendo supostos repasses financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e
à produção de um filme associado à família Bolsonaro. Em entrevista ao programa
Boa Noite 247, Cardozo classificou o caso como “escandaloso”, apontou possíveis
implicações criminais e disse que a crise pode provocar uma implosão política
na extrema direita brasileira.
Segundo
Cardozo, o episódio já começou a produzir efeitos eleitorais negativos e tende
a se agravar com o avanço das investigações. “A candidatura de Flávio Bolsonaro
já foi atingida no coração antes mesmo da largada”, declarou.
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Para o
ex-ministro, as contradições públicas apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre
sua relação com Vorcaro agravaram a situação política e jurídica do senador.
Cardozo lembrou que o parlamentar negou inicialmente qualquer proximidade com o
banqueiro, mas posteriormente admitiu encontros e tratativas financeiras
relacionadas à produção cinematográfica.
“Ele
mente sucessivamente tentando encobrir uma realidade”, afirmou Cardozo. “Isso
caracteriza, a meu ver, falta de decoro parlamentar. Tem que ser cassado sob
pena de o Parlamento se colocar numa situação ridícula perante a opinião
pública.”
Durante
a entrevista, Cardozo comparou o caso ao processo que levou à cassação do
ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, acusado de mentir em depoimento
parlamentar sobre contas no exterior. Embora tenha reconhecido diferenças
formais entre os episódios, o ex-ministro afirmou que o impacto político e
ético seria semelhante.
Outro
ponto destacado foi a suspeita sobre a origem e a destinação dos recursos
utilizados na produção do filme associado ao clã Bolsonaro. Segundo Cardozo, há
indícios de que verbas públicas e recursos oriundos de operações financeiras
suspeitas tenham sido utilizados de forma irregular.
“O que
é esse filme que exigia tanto dinheiro? Isso parece muito mais uma estrutura de
arrecadação de recursos do que uma produção cinematográfica”, afirmou.
Ele
também questionou a utilização de emendas parlamentares para financiar uma
produção supostamente vinculada aos Estados Unidos. Segundo o ex-ministro, o
caso pode envolver crimes financeiros, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
“É uma
situação gravíssima que envolve parlamentares, envolve recursos públicos e pode
exigir bloqueio de contas, de bens e até da bilheteria do filme para
ressarcimento dos danos”, declarou.
Cardozo
ainda afirmou que a Polícia Federal deve aprofundar as investigações
internacionais para rastrear o caminho do dinheiro movimentado entre Brasil e
Estados Unidos. Na avaliação dele, as apurações estão apenas começando.
“Muita
água ainda vai rolar. E tenho a sensação de que muita gente pode morrer afogada
nesse processo”, disse.
O
ex-ministro também comentou os impactos políticos do caso dentro da própria
direita brasileira. Segundo ele, setores conservadores já começam a discutir
alternativas eleitorais diante do desgaste de Flávio Bolsonaro.
“Ele
está tomando ataques de todos os cantos da direita. Ronaldo Caiado, Romeu Zema
e outros nomes já aparecem como alternativas”, afirmou.
Cardozo
ironizou ainda a presença do senador Sergio Moro ao lado de Flávio Bolsonaro
durante coletiva de imprensa sobre o caso. Segundo ele, a expressão do ex-juiz
demonstrava desconforto diante da dimensão das denúncias.
“A
expressão do Moro era histórica. Parecia alguém percebendo que o barco estava
afundando”, comentou.
Ao
longo da entrevista, o ex-ministro também criticou vazamentos seletivos de
investigações, embora tenha defendido o avanço rigoroso das apurações pela
Polícia Federal e pelo Ministério Público. Para ele, o país precisa garantir o
devido processo legal, mas sem abrir espaço para a impunidade.
“Não
devemos pacificar nada às custas da Constituição. O que aconteceu precisa ser
investigado e punido dentro do Estado de Direito”, afirmou.
Cardozo
também comentou a discussão no Supremo Tribunal Federal sobre projetos
relacionados aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Segundo ele,
eventuais mudanças legislativas que reduzam penas ou beneficiem envolvidos
podem ser consideradas inconstitucionais.
“O
Supremo precisa decidir de acordo com a Constituição, não com pressões
políticas”, declarou.
Apesar
do tom irônico em alguns momentos da entrevista, Cardozo insistiu que o caso
representa uma crise séria para o bolsonarismo.
“É um
escândalo de proporções enormes. E a impressão é que estamos apenas no começo”,
concluiu.
• Michelle evita comentar escândalo
Flávio-Vorcaro e diz que sua prioridade é cuidar de Jair Bolsonaro
Michelle
Bolsonaro (PL) afirmou que não está acompanhando a crise envolvendo a
pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao
jornal Folha de São Paulo, a ex-primeira-dama disse que sua prioridade é
acompanhar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após condenação
por tentativa de golpe de Estado.
"Não
estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido", declarou
Michelle ao ser questionada sobre o desgaste político enfrentado por Flávio
após a divulgação de sua relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco
Master. Mais tarde, ao deixar um evento, a ex-primeira-dama voltou a evitar
comentários sobre o caso. "O Flávio, você tem que perguntar para
ele", afirmou.
Michelle
reduziu sua atuação política desde que Bolsonaro passou a cumprir prisão
domiciliar. A ex-primeira-dama tem concentrado parte da rotina no
acompanhamento do ex-mandatário e, de acordo com aliados, também reclama de
sobrecarga.
Nos
bastidores do Partido Liberal, integrantes do bolsonarismo e partidos do
centrão passaram a discutir alternativas diante das dúvidas sobre a viabilidade
eleitoral de Flávio até outubro. Nesse cenário, o nome de Michelle foi citado
como possibilidade para a disputa presidencial. Apesar disso, dirigentes do
partido ainda não cogitam substituir o senador.
A
ex-primeira-dama deve disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, mas a
definição sobre a candidatura deve ocorrer nos próximos meses.
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Crise na pré-campanha
O
desgaste da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou força após revelação do
site The Intercept Brasil de que o senador pediu recursos a Daniel Vorcaro para
financiar o filme "Dark Horse", produção sobre Jair Bolsonaro. O
ex-banqueiro teria destinado R$ 61 milhões ao projeto.
Desde
então, Flávio busca conter os impactos políticos do caso e enfrenta
questionamentos entre aliados. Nesta terça-feira (19), o senador relatou a
deputados e senadores do PL que visitou Vorcaro em sua mansão, em São Paulo,
após a primeira prisão do empresário, ocorrida no fim de 2025.
Ao
justificar a relação com o então banqueiro, Flávio afirmou que Vorcaro
"circulava em todas as rodas em Brasília" e que era uma "pessoa
acima de qualquer suspeita" no período das negociações para o
financiamento do longa-metragem.
A
Polícia Federal também investiga a suspeita de que parte dos recursos
repassados por Vorcaro tenha sido utilizada para custear despesas do
ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde
fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam as acusações.
Segundo
a apuração, os recursos destinados ao filme partiram da empresa Entre
Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, e chegaram a um fundo sediado
no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Aliados
relatam ainda que Michelle tem evitado participar de discussões internas sobre
a crise de Flávio. A ex-primeira-dama também não teria se engajado
integralmente na campanha do senador, em meio a atritos políticos entre ela e
os filhos de Bolsonaro relacionados à disputa pelo espólio eleitoral do
ex-mandatário.
Fonte:
Metrópoles/Observatório da Imprensa/Brasil 247

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