Cronologia
de ataques a tiros em escolas do Brasil
O
ataque a tiros que matou duas funcionárias de uma escola em Rio Branco nesta
terça-feira (06/05) segue outros episódios semelhantes no Brasil. No caso mais
recente, um estudante de 13 anos invadiu armado uma instituição de ensino na
capital do Acre.
Ele
atirou contra quatro pessoas, incluindo três funcionárias e um aluno. Morreram
a auxiliar administrativa Raquel Sales Feitosa e a inspetora Alzenir Pereira da
Silva, conforme identificou a imprensa brasileira. Os dois feridos, um adulto e
uma criança, foram levados ao hospital.
O
adolescente usou uma pistola calibre 380 do padrasto, um advogado que deixava a
arma em casa. Em nota, o governo do Acre disse que o autor do ataque foi
colocado sob custódia do Estado e o padrasto, detido. As aulas em todas as
escolas da rede estadual de ensino foram suspensas por três dias.
Com
armas brancas ou de fogo, ataques contra escolas brasileiras – em grande parte
perpetrados por alunos e ex-alunos – começaram a ser registrados no Brasil em
2002. Eles se tornariam mais frequentes a partir de 2019, tendo já acontecido
nas cinco regiões do país ao longo de duas décadas, indicou em 2023 um
levantamento do Instituto Sou de Paz. Apenas de janeiro de 2022 a maio de 2023,
foram registrados 12 casos, o mesmo que em todo o período entre 2002 e 2021.
No pano
de fundo de várias destas tragédias, estão histórias de bullying contra
adolescentes que, mais tarde, violentariam as próprias comunidades escolares.
Relembre alguns ataques que marcaram o Brasil:
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Heliópolis, 2024
Um
aluno de 14 anos matou três colegas de classe e tirou a própria vida em
Heliópolis, no norte da Bahia. O jovem levantou-se da carteira durante uma aula
e atirou contra duas meninas e um menino, todos de 15 anos.
A
motivação do crime não ficou clara. Segundo a imprensa local, testemunhas
relataram que o jovem sacou a arma e atirou a esmo, sem um alvo específico. Não
haveria relação de inimizade entre as vítimas e o autor do ataque.
O pai
do adolescente confessou ser o dono do revólver calibre 38 utilizado no crime.
A escola ficou 12 dias fechada, e o governo da Bahia decretou luto oficial de
três dias.
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Cambé, 2023
Dois
estudantes do Colégio Estadual Professora Helena Kolody, no município de Cambé,
do Paraná, foram mortos a tiros depois que um ex-aluno entrou armado na
instituição.
O autor
do ataque teria entrado na escola alegando que solicitaria o seu histórico
escolar. À polícia, ele afirmou que o seu objetivo era atacar jovens para
retaliar "aquele sofrimento" e mágoa que guardava do tempo em que
estudou no colégio. Ele não tinha vínculo com as vítimas.
O mesmo
atirador já havia efetuado um ataque com faca em outra escola. A polícia foi
acionada, mas ele fugiu.
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Aracruz, 2022
Quatro
pessoas morreram e 12 ficaram feridas em duas escolas de uma mesma rua
localizada em Aracruz, no Espírito Santo. Os mortos incluíram três professores
e uma estudante. Outras cinco foram internadas.
Armado
com uma pistola semiautomática e um revólver, um ex-aluno de 16 anos atacou as
instituições após dois anos de planejamento. Ele levava uma suástica num colete
à prova de balas. O carro da família do autor do ataque foi usado no ataque,
com a placa ocultada.
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Barreiras, 2022
Um
adolescente de 14 anos assassinou a tiros uma estudante cadeirante no Colégio
Municipal Eurides Sant’Anna, em Barreiras, na Bahia. Aluno da mesma escola, o
autor do ataque trajava roupas pretas, capuz e óculos escuros, portando um
revólver e duas armas brancas. A vítima, Geane da Silva, foi também agredida
com golpes de arma branca. Ela tinha 19 anos e morreu na própria escola. Por
sua vez, o autor do ataque foi alvo de um tiro e colocado sob custódia do
Estado.
À
época, a polícia afirmou que ele mantinha contato com um jovem de 18 anos que,
no mês anterior, também invadira armado a própria escola, dessa vez em Vitória,
no Espírito Santo.
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Suzano, 2019
Dois
ex-alunos abriram fogo dentro da Escola Estadual Raul Brasil, no município
paulista de Suzano, matando sete pessoas. As vítimas incluíram cinco alunos,
que eram adolescentes, e duas funcionárias.
Os
autores do crime, de 17 e 25 anos, se suicidaram em seguida. Os dois antes
mataram o tio do mais novo, que era proprietário de uma agência de locação de
veículos, de onde roubaram um automóvel antes do ataque.
Viria à
tona, na esteira da tragédia, que o atirador de 17 anos fora alvo de bullying
na mesma escola. A sua mãe, que expressou choque ao descobrir pela imprensa do
ataque, citou esta como possível motivação do filho.
Os
autores teriam planejado o ataque por cerca de um ano, supostamente inspirados
pelo massacre de Columbine, nos Estados Unidos, no qual dois alunos mataram 13
pessoas em 1999.
As
pessoas que forneceram as armas de fogo chegaram a ser presas, condenadas e
cumpriram penas de quatro anos, convertidas em prestação de serviços à
comunidade.
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Medianeira, 2018
Em
setembro do ano passado, um adolescente de 15 anos abriu fogo contra colegas de
classe no Colégio Estadual João Manoel Mondrone, na cidade de Medianeira, no
oeste do Paraná. Não houve mortos, mas dois estudantes, de 15 e 18 anos,
ficaram feridos. O atirador, que foi acobertado por outro colega também de 15
anos, disse à polícia que sofria bullying na escola. O ataque teria sido
planejado por dois meses.
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Goiânia, 2017
O
Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, na capital
de Goiás, foi palco de um ataque em outubro de 2017. Um aluno de 14 anos atirou
contra colegas dentro de uma sala de aula, matando dois meninos de 12 e 13 anos
e ferindo outros quatro, antes de ser impedido por alunos e professores quando
tentava recarregar a arma.
O
atirador é filho de policiais militares e usou uma pistola da mãe para cometer
o ataque. Ele alegou que o crime foi motivado por ser vítima de bullying de
colegas.
<><> João Pessoa, 2012
Um
adolescente de 16 anos feriu a tiros três alunas dentro da Escola Estadual
Enéas Carvalho, em Santa Rita, na região metropolitana de João Pessoa, na
Paraíba, em abril de 2012. Foram efetuados seis disparos com um revólver
calibre 38.
Em
depoimento à polícia, o atirador disse que seu objetivo era acertar um outro
estudante de 15 anos com o qual havia discutido duas vezes, mas acabou
atingindo as alunas, de 17 anos, que estavam próximas ao garoto. Elas tiveram
alta nos dias seguintes ao crime.
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São Caetano do Sul, 2011
Em
setembro de 2011, um aluno de 10 anos atirou em uma professora e depois se
matou na Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do
Sul, na Grande São Paulo. A docente de 38 anos sobreviveu aos disparos.
Cerca
de 25 alunos estavam na sala de aula no momento do crime. Após atingir a
professora, ele deixou a classe e disparou contra a própria cabeça, morrendo
mais tarde no hospital. O menino era filho de um guarda civil municipal e usou
um revólver calibre 38 que pertencia ao pai.
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Realengo, 2011
Em
abril de 2011, um rapaz de 25 anos abriu fogo contra alunos em salas de aula
lotadas na Escola Municipal Tasso de Silveira, no bairro de Realengo, na zona
oeste do Rio de Janeiro, em um dos massacres mais sangrentos em instituições de
ensino do Brasil.
Ao
todo, 12 estudantes morreram e 13 ficaram feridos, todos com idades entre 12 e
14 anos. O autor do ataque, Wellington Menezes de Oliveira, foi atingido por um
policial e cometeu suicídio. Ele usou dois revólveres, que recarregou várias
vezes, e tinha muita munição.
O
atirador era ex-aluno da escola e, em anotações encontradas em sua casa, havia
escrito que o massacre foi motivado por humilhações que enfrentou enquanto
estudava.
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Taiúva, 2003
A
Escola Estadual Coronel Benedito Ortiz, na cidade de Taiúva, no interior de São
Paulo, foi alvo de um ataque a tiros em janeiro de 2003, também cometido por um
ex-aluno.
Edmar
Aparecido Freitas, de 18 anos, abriu fogo contra alunos e funcionários e se
matou em seguida. Ele usava um revólver calibre 38, com o qual fez 15 disparos.
As investigações apontaram que o crime foi motivado por bullying.
Além do
atirador, ninguém mais morreu, mas oito pessoas ficaram feridas, sendo cinco
alunos, o caseiro, a zeladora e uma professora da escola. Atingido por um tiro
na coluna, um dos estudantes ficou paraplégico.
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Salvador, 2002
Um
aluno de 17 anos matou a tiros duas colegas, ambas de 15 anos, dentro da sala
de aula do colégio Sigma, uma escola particular em Salvador. O crime ocorreu em
outubro de 2002. Ele foi preso em flagrante ainda dentro da escola.
Filho
de um perito policial, o atirador usava um revólver calibre 38 que pertencia ao
pai, segundo apontaram as investigações na época. Colegas relataram que o
garoto havia prometido vingança às duas vítimas, após desentendimentos durante
uma gincana.
Fonte:
DW Brasil

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