Os
lucros capitalistas dependem do roubo do nosso futuro
Tivemos
numa era em que riquezas extraordinárias parecem surgir de fontes insondáveis.
Quando a empresa estadunidense Uber abriu seu capital em 2019, o mercado de
ações avaliou-a em US$ 82 bilhões, uma cifra imensa para uma empresa de
transporte por aplicativo com dez anos de existência, que não possuía carros e
nunca havia dado lucro. Para explicar tais eventos, a mídia frequentemente
recorre a metáforas da meteorologia, descrevendo os ganhos dos investidores
como “estratosféricos”. Que outra forma de explicar, por exemplo, como os US$ 5
milhões que o Goldman Sachs investiu na Uber em 2011 agora valem mais de meio
bilhão de dólares, um retorno de mais de 1.000% em oito anos? Comentaristas
mais críticos chamaram o valor da empresa de algo criado “do nada”.
A
origem de tais ganhos inesperados não tem nada a ver com meteorologia. Para
entender essa forma de ganhar dinheiro, precisamos voltar à realidade.
Embora
a Uber seja um caso extremo, seu modo de adquirir riqueza sem mérito é comum.
Ele é uma característica definidora de nossa forma de vida contemporânea, uma
chave para entender como e por que os métodos de enriquecimento e
empobrecimento que chamamos de capitalismo surgiram, e uma pista para
compreender por que agora enfrentamos a catástrofe do colapso climático. A
empresa criou seu valor construindo um meio prático de consumir o futuro.
Métodos
para extrair renda do futuro existem há muito tempo. O mecanismo utilizado pela
Uber, a sociedade anônima, existe em sua forma atual há mais de 150 anos. As
empresas modernas de capital aberto proliferaram no Ocidente no século XIX para
construir ferrovias e outras extensas estruturas, de transformação ambiental,
com alta emissão de carbono e, muitas vezes, imperiais, cuja escala e
durabilidade, geralmente construídas a um alto custo ecológico e humano,
prometiam aos seus acionistas acesso a riquezas futuras não auferidas. A
história das sociedades anônimas remonta a ainda mais tempo, às corporações
comerciais armadas que os mercadores europeus começaram a criar cerca de três
séculos antes para conquistar o comércio mundial, permitindo-lhes colonizar
terras e subjugar ou eliminar povos em todo o planeta.
No
passado, tais métodos de enriquecimento eram geralmente a exceção. As
sociedades anônimas só podiam ser estabelecidas por carta régia ou ato do
Parlamento, sendo que a carta normalmente expirava após um número limitado de
anos. As primeiras corporações colonizadoras levaram a bolhas especulativas e
aos encargos da guerra imperial, estando sujeitas à oposição política,
fechamento, resgate público ou colapso. As antigas redes mercantis da Ásia e da
África que a colonização europeia procurou usurpar, em particular as do mundo
indo-islâmico, impunham limites ao uso de contratos comerciais para a aquisição
de bens futuros não especificados e incertos, sob o argumento de que tais
esquemas especulativos permitiam que uma das partes extraísse lucro indevido da
outra.
Mesmo
assim, o comércio de longa distância em todo o mundo era rotineiramente
realizado a crédito, sendo a distância responsável por um atraso no pagamento
que justificava um preço mais alto — distância e atraso, portanto, funcionando
como a própria fonte de lucro. A prática jurídica islâmica também reconhecia
acordos que permitiam aos comerciantes lucrar com a compra especulativa de
ativos futuros, como o uso generalizado de contratos a termo para adquirir
safras agrícolas a baixo custo antecipadamente, daqueles que eram obrigados a
encontrar fundos para pagar impostos. Mas os contratos futuros dos quais se
extraía excedente eram limitados pela duração do ciclo de cultivo ou pela
extensão de uma rota comercial transregional. Com a expansão colonial do Ocidente,
e especialmente a partir da era imperial do final do século XIX, a corporação
de capital aberto tornou-se um meio de controlar futuros em todos os
continentes e reorganizar meios de subsistência e paisagens em uma escala
imensa.
Hoje,
uma empresa como a Uber opera com métodos um pouco diferentes, mas possui uma
ambição igualmente abrangente. Após sua estreia na bolsa de valores em 2019, a
empresa tomou um empréstimo de US$ 3 bilhões para adquirir a Careem, sediada em
Dubai, em um esforço para monopolizar o mercado de transporte por aplicativo no
Oriente Médio e Norte da África — parte de um plano para dominar os serviços de
transporte em todos os continentes. A expansão geográfica dessas empresas,
tanto no passado quanto no presente, serve como, e ao mesmo tempo oculta, a
fonte da riqueza de seus investidores. O que elas buscam controlar é a
aquisição de receita futura.
Temos
uma linguagem cotidiana para descrever nossa relação econômica com o futuro,
usando termos como preço das ações, taxa de juros, avanço tecnológico e
crescimento econômico. Mas nenhum desses termos explica a origem da renda não
auferida, para mostrar como aqueles que virão depois pagarão a conta. Tampouco
explicam como as vidas no presente são sobrecarregadas por extrações anteriores
do futuro ou como tais relações privatizadas com o futuro, nas quais as formas
de vida de amanhã se tornam ativos comprados e vendidos no presente, contribuem
para a destruição de um futuro coletivo viável. Na verdade, a linguagem das
finanças nos cega para essa relação, persuadindo-nos de que os meios de
subsistência humanos futuros não são a fonte dos ganhos, mas sim seus
beneficiários.
“O
crescimento não é a lógica da modernidade capitalista, mas sim o seu álibi.”
Diante
da crise climática e de outras perturbações antropogênicas ao equilíbrio dos
sistemas terrestres, incluindo a destruição de bacias hidrográficas, o colapso
de habitats, a extinção acelerada de espécies e a contaminação da terra, do
mar, do ar e dos corpos humanos com plásticos sintéticos e biocidas agrícolas —
e cientes da vulnerabilidade extremamente desigual das diferentes comunidades
humanas a essas perturbações — precisamos entender como essa cegueira se
instala. Tendo já ultrapassado os limites seguros e justos para a modificação
humana da Terra, vemos por toda parte um reconhecimento tardio de que a
habitabilidade futura do planeta deve ser levada em consideração hoje.
Assim,
coexistimos com duas formas contraditórias de compreender o futuro no presente:
uma apocalíptica, que reconhece nos desastres e perturbações atuais os sinais
imediatos de uma catástrofe iminente; a outra, um mecanismo de cegueira que
trouxe a calamidade sobre nós, ao conceber o futuro como uma fonte calculável
de riqueza extraordinária, enriquecendo os mais ricos no presente ao impor
dívidas à vasta maioria. Os governos parecem incapazes de levar em conta essa
contradição, enquanto suas ações muitas vezes se mostram impotentes diante dos
agentes que buscam o controle de ativos futuros ou que atuam em seu benefício.
Mesmo que fosse possível superar essas dificuldades, as consequências ainda
pareceriam inviáveis.
O
capitalismo, quaisquer que sejam seus custos, alega ter nos proporcionado
crescimento. Como poderíamos sobreviver em uma temporalidade diferente, na qual
o futuro não fosse definido por um princípio de expansão econômica?
Desde
que organizamos a vida coletiva em torno do princípio do crescimento econômico,
sempre houve esforços para apontar seus limites: que o crescimento é
insustentável, mal mensurado ou acarreta um custo social e ecológico muito
elevado. Essas são críticas importantes, mas há outra maneira de enxergar nossa
relação com o futuro. O crescimento não é a lógica da modernidade capitalista,
mas sim seu álibi.
Valor
acima de tudo
Ocapital
não é algo preservado do passado. Como outros já demonstraram, ele é uma
captura do futuro. Podemos começar a pensar nessa relação com o futuro através
do caso simples da forma como uma empresa moderna de capital aberto adquire
valor. Quando uma empresa abre seu capital na bolsa de valores, as ações
oferecidas para venda representam um direito sobre a propriedade de seus lucros
futuros. Como a receita não está disponível imediatamente, o valor da receita
prospectiva de cada ano é ajustado para baixo, ou “descontado”, para compensar
a demora até que ela seja apresentada. A soma do “valor presente descontado”,
como é chamado, dos anos de lucros futuros, produz a avaliação da empresa.
Voltemos
ao exemplo da Uber. Na época em que a empresa abriu seu capital, a Uber ainda
não havia obtido lucro. A empresa vinha praticando preços abaixo do custo real
das corridas, para eliminar a concorrência. Essas operações subsidiadas geravam
prejuízos de bilhões de dólares anualmente. Para avaliar a empresa, os
analistas financeiros presumiram que a Uber continuaria a se expandir até
alcançar o “domínio do mercado”. Ao eliminar as alternativas, a Uber e sua
única concorrente nos EUA, a Lyft, poderiam continuar a reivindicar uma
porcentagem de cada corrida ganha por seus motoristas, ficando em média com
20%, enquanto usavam seu crescente domínio para limitar a parcela paga aos
motoristas e aumentar o custo para os passageiros. Essas premissas sugeriam que
a Uber deixaria de ter prejuízo seis anos após a abertura de capital e, em dez
anos, estaria obtendo lucros anuais de quase US$ 5 bilhões.
Uma
empresa de capital aberto não oferece apenas um direito sobre lucros futuros. É
um mecanismo para adquirir essa renda prometida no presente. Ao oferecer ações
para venda no mercado de ações, os investidores que detêm a empresa estão
vendendo uma forma de propriedade, a posse hoje de ativos que renderão no
futuro. Esse processo é conhecido como “capitalização” de uma receita futura.
Os lucros inesperados que os acionistas controladores obtêm com a venda não
surgem do nada, mas da solidez política da capitalização — o método de
monetizar e comercializar um direito privado sobre o futuro. O termo “solidez
política” aqui se refere a todas as formas de autoridade, lei, policiamento,
raciocínio econômico e desconsideração de reivindicações por justiça social ou
futuros do planeta das quais depende o valor extraordinário de um direito
futuro.
O lucro
inesperado representa o valor de um ônus imposto aos futuros clientes e
funcionários da empresa, bem como às comunidades e ecossistemas aos quais
pertencem. Os lucros da empresa, e consequentemente os dividendos de seus
acionistas, dependem da manutenção e até mesmo do aumento desse ônus. O valor
da ação, e o dividendo do qual ela depende, tem prioridade sobre qualquer
reivindicação dos trabalhadores por salários mais justos, dos clientes por
preços mais baixos ou das comunidades pela proteção de bens comuns — uma
prioridade que reflete a maior força da empresa em comparação com seus
funcionários, clientes e comunidades. Essa força é o poder indicado pelo termo
enganosamente restrito “domínio de mercado”. O ônus não é um custo necessário
para administrar um negócio, mas uma sobretaxa que a posição dominante da
empresa lhe permite impor. A avaliação de US$ 82 bilhões da Uber representava o
valor presente de tal arranjo de poder. Os motoristas e passageiros da empresa,
e as populações mais amplas afetadas por seu impacto no transporte público e em
outros bens coletivos, pagariam esse valor, ao longo do tempo, com seus
próprios recursos.
“O
lucro inesperado representa o valor de um ônus imposto aos futuros clientes e
funcionários da empresa, bem como às comunidades e ecossistemas aos quais
pertencem.”
A
sociedade anônima é, portanto, um aparato para colonizar o tempo. Ela fornece
um meio de enriquecer um grupo de empresários e financistas no presente,
impondo uma taxa adicional a dezenas de milhões de usuários no futuro. O lucro
inesperado obtido hoje por aqueles que estabelecem os mecanismos de controle e
organizam as linhas de crédito que sustentam o aparato será pago com a renda
daqueles que viverão daqui a meses, anos ou décadas — na verdade, tão longe no
futuro quanto o aparato de captura puder ser estendido.
Além de
enriquecer seus fundadores, as ações de uma empresa também podem ser fonte de
lucro para investidores individuais e fundos de investimento que as compram e
negociam, para aqueles que cobram taxas por essas transações e para aqueles que
especulam com a alta e a queda de seu preço. De fato, à medida que os custos
sobre a renda futura aumentam, mesmo aqueles com uma situação financeira
relativamente boa recorrem a essas formas de captura, contando com fundos de
aposentadoria privados, investimentos imobiliários e outros ativos que se
valorizam para proteger seu padrão de vida. Isso agrava a imposição de custos
sobre o futuro, em particular sobre aqueles que estão cada vez mais
impossibilitados de comprar imóveis ou outros bens.
Nada
nessa captura do futuro é exclusivo da era contemporânea das empresas de
tecnologia, capital de risco e gestoras de ativos. Durante séculos, antes do
surgimento das empresas modernas, existiam meios de endividar as populações,
geralmente por meio de comerciantes que concediam crédito àqueles que
enfrentavam dificuldades repentinas ou estavam sobrecarregados com obrigações
tributárias. Mas os lucros dos comerciantes provinham mais frequentemente da
exploração das diferenças de preços em diferentes regiões geográficas do que do
adiamento temporal do qual depende a capitalização. A escala de endividamento
do futuro é mais recente. Quando o método corporativo moderno de captura de
receitas surgiu no último século e meio, a empresa com acionistas rapidamente
se tornou o que o grande economista norueguês-estadunidense Thorstein Veblen
chamou, em 1923, de “a instituição mestra da vida civilizada”.
Existem
outros métodos de extrair rendas do futuro e de viver sob o peso de encargos
passados. Quando as corporações colonizadoras começaram a provocar guerras
coloniais, os monarcas que as autorizavam recorriam ao crédito dos mesmos
grandes comerciantes para financiar os custos da guerra, criando dívidas
públicas desastrosas. O custo da guerra era pago não com a receita corrente,
como os governantes faziam no passado, mas sim comprometendo a receita
tributária de anos futuros, criando o que ficou conhecido como dívida nacional
— inventando, nesse processo, a “nação” moderna como o órgão responsável por
essa imposição. Títulos do governo e outros tipos de dívida pública tornaram-se
os maiores instrumentos de criação de crédito, transformando o poder da tributação
em um aparato crescente para extração do futuro.
O
militarismo continua sendo um dos principais meios, em muitos países, de forçar
as populações a contraírem dívidas de longo prazo, reduzindo a parcela de
recursos públicos disponíveis para manter a saúde, a educação e outros
benefícios comuns. Em muitas partes do Sul Global, as formas de dívida
nacional, infladas pela dependência de credores internacionais, tanto
recentemente quanto no passado colonial, transformaram repetidamente os países
como um todo em máquinas de endividamento, enriquecendo aqueles que organizam a
oferta de crédito.
Embora
a dívida militar, os empréstimos estrangeiros e os mercados de ações
corporativos imponham custos à população em geral, existem inúmeros mecanismos
para criar encargos sobre indivíduos e famílias específicos. Cerca de uma
década depois de Veblen ter escrito sobre a corporação acionária, surgiu uma
segunda “instituição mestra” para a realização de receitas futuras no presente:
o banco hipotecário e o mercado imobiliário. Pouco utilizadas nos Estados
Unidos, na Grã-Bretanha e em outros lugares antes da década de 1930, as
hipotecas residenciais transformaram a habitação em outro modo amplamente
utilizado de capitalização. Em muitos países do Sul, elas ainda são usadas com
parcimônia hoje em dia, embora, curiosamente, a transformação de terras e
imóveis em ativos financeiros tenha sido alardeada nas últimas décadas como uma
solução mágica para a pobreza global.
O
desenvolvimento especulativo de habitações tem uma história muito mais longa,
especialmente em países como a Inglaterra, onde os terrenos para expansão
urbana eram frequentemente monopolizados por grandes proprietários privados.
Mas as novas habitações eram tipicamente arrendadas ou alugadas, com o
arrendamento do edifício calculado separadamente do arrendamento do terreno e
baseado simplesmente no custo da construção. Os empréstimos hipotecários
(empréstimos garantidos pelo imóvel) não eram amplamente utilizados,
normalmente cobriam menos da metade do valor da casa e geralmente eram pagos em
uma única parcela após alguns anos. A invenção dos empréstimos hipotecários de
longo prazo no Ocidente, nos anos anteriores e posteriores à Segunda Guerra
Mundial, subsidiados com garantias governamentais e pagos em prestações mensais
ao longo de décadas, transformou a habitação em um aparato expandido para a
captação de pagamentos futuros.
Construtoras
especulativas agora podiam vender casas não pelo custo de sua construção
material, mas pelo valor capitalizado da ocupação de uma residência por trinta
anos ou mais. Na segunda metade do século XX, à medida que a habitação se
tornou de longe o maior veículo de capitalização e endividamento no mundo do
Atlântico Norte, entre 75% e mais de 90% do aumento do preço das casas foi
atribuído não ao custo da construção, mas a esse modo de capitalização.
“O
financiamento de automóveis, o cartão de crédito, a educação universitária, as
despesas médicas e muitos outros mecanismos surgiram para converter o curso da
vida humana em cronogramas de pagamento.”
À
medida que o preço da habitação começou a exceder em muito o custo da
construção, os setores imobiliário e de hipotecas cresceram a ponto de
rivalizar com as sociedades anônimas como mecanismos para endividar o futuro e
capturar uma receita prospectiva no presente. Essa valorização abstrata levou
um arquiteto nova-iorquino a descrever um novo edifício como “uma máquina que
faz a terra render”. A ideia de um pagamento pela terra passou a refletir o
fato de que o aumento do custo da habitação aparecia como o valor mais alto do
terreno para construção, embora o valor não viesse de qualquer mudança na
natureza da terra, mas sim dos mecanismos aprimorados para garantir décadas de
aluguéis e pagamentos de hipotecas prospectivos, incluindo os mecanismos de
zoneamento, segregação racial e execução hipotecária. O custo passou a ser
cobrado até mesmo por um imóvel usado, cuja compra do terreno e despesas de
produção já haviam sido pagas muitos anos antes. Os pagamentos passaram a vir
não da terra, mas daqueles que precisavam de um lugar para morar ou trabalhar.
Os
lucros dos bancos e das empresas imobiliárias, portanto, adicionaram um fardo
financeiro extraordinário à renda das pessoas comuns. Nas décadas seguintes,
surgiram o financiamento de automóveis, o cartão de crédito, a educação
universitária, as contas médicas e muitos outros mecanismos para converter o
curso da vida humana em planos de pagamento.
Hoje,
praticamente qualquer acordo de pagamento futuro pode ser capitalizado.
Qualquer ônus garantido sobre o futuro torna-se um ativo passível de ser
agrupado, comercializado e adquirido no presente com desconto, desde ações e
títulos corporativos até dívidas de cartão de crédito, de aluguéis de imóveis a
taxas de infraestrutura, de fornecimento de água e eletricidade a fluxos de
dados, de plataformas de negociação e serviços em nuvem a direitos autorais de
música e composição. Vendido a preço reduzido para investidores e
frequentemente negociado em mercados secundários, o fluxo de pagamento passa a
arcar com o ônus de reembolsar esse adiantamento pelo preço integral, criando
um incremento não auferido que o investidor desfruta como “juros”. O ônus da
capitalização não é simplesmente uma taxa adicionada ao custo de capital ou ao
valor de um ativo. O próprio capital surge por meio desse processo — não como
um ativo acumulado do passado, como geralmente imaginamos, mas como esses
mecanismos de extração do futuro.
Fonte:
Por Timothy Mitchell - Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil

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