Pastora
que denunciou violência sexual e uniu até Janja e Michelle em sua defesa
A
pastora Helena Raquel conseguiu unir apoios que vão da primeira-dama Janja da
Silva à sua antecessora, Michelle Bolsonaro, após realizar uma forte pregação
pelo combate à violência sexual e doméstica nas igrejas evangélicas, durante o
Congresso dos Gideões, em Camboriú (SC).
Usando
como referência o texto bíblico Juízes 19, um violento relato de uma mulher
violentada que fica desamparada, Raquel denunciou a presença de agressores
entre pastores e fiéis e, sobretudo, a cultura de acobertamento dessas
violências dentro das igrejas.
Com 34
anos de experiência como pregadora, ela conta em entrevista à BBC News Brasil
que esse culto foi motivado por um chamado espiritual após receber, ao longo do
tempo, por meio de suas redes sociais, mensagens de mulheres perdidas sobre
como reagir às agressões, que se resignavam em orar por uma melhora do
parceiro.
"A
maior parte eram mulheres que queriam continuar esperando, que queriam um
milagre", disse.
"Eu
não acredito que nenhuma mulher agredida deva ficar unicamente na oração. Desde
a primeira agressão, tem que haver denúncia", reforça.
A
repercussão lhe rendeu projeção nacional e mais de 300 mil novos seguidores no
Instagram, superando a marca de 1,8 milhão. E também gerou reações negativas.
O
pastor Silas Malafaia disse apoiar a orientação da pastora para que mulheres
religiosas denunciem agressores, mas contestou que o problema seja abafado nas
igrejas. Segundo Malafaia, generalizar o problema seria uma "safadeza, no
ano eleitoral, para nos denegrir".
Helena
também sofreu questionamentos por seguir, nas redes sociais, o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Pl-RJ), que
desponta como principal concorrente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) na eleição presidencial.
À BBC
News Brasil, a pastora disse que não pretende usar sua projeção para
influenciar votos na eleição presidencial deste ano. Ela prefere, diz, ser
usada por Deus para influenciar "direita, esquerda e até o centrão".
"Eu
tive uma direção divina, preguei uma palavra, repercutiu maravilhosamente e eu
estou tendo a oportunidade de ampliar minha fala sobre coisas que eu venho
falando há muitos anos e estou aproveitando isso da melhor maneira
possível", reforça.
"Eu
não estou o tempo todo pensando: 'É a direita que falou? É a esquerda que
falou? Isso faz sentido?'. Por isso que eu tenho dificuldade de me resumir
politicamente. Quando me perguntaram assim: 'a senhora é o quê, conservadora?'.
Eu falei: 'eu sou bíblica'", disse ainda.
Por
outro lado, Raquel defende o direito dos evangélicos de estarem na política e
critica quem manda os religiosos "voltarem aos púlpitos".
"Eu
acredito que esse lugar [a política] é muito importante. E me incomoda perceber
que, algumas vezes, querem nos tratar como pessoas de outra categoria".
"Quando
o nazismo se tornou nazismo, começou com discursos pequenos, repetidos, sobre o
desvalor de seres humanos. Como do tipo: 'evangélico não deveria votar'",
compara.
>>>
Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
• No congresso dos Gideões, a senhora
disse que estuda esse texto bíblico há 13 anos, mas que só neste ano veio ao
seu coração fazer essa pregação. Por que agora?
Pastora
Helena Raquel - Esse texto ficou guardado no meu coração como um texto que eu
precisava me aprofundar na leitura, porque ele é pouco pregado, justamente por
sua complexidade, e também pelo peso de crueldade da narrativa do que aconteceu
ali. Esse ano, eu tive o direcionamento de Deus de que eu deveria acelerar um
pouquinho as minhas anotações, porque era ele que eu ia pregar. E foi isso que
fiz.
• Essa mensagem partiu de alguma
experiência pessoal que a impactou?
Pastora
Helena Raquel - Eu sou pastora, esposa de pastor, em uma igreja na Baixada
Fluminense, então, a gente acaba tendo algumas vivências e também ouvindo
histórias, não necessariamente dentro da nossa comunidade. Unido a isso, eu
tenho uma presença bem participativa nas redes. Então, abro caixinhas de
perguntas sempre e apareciam relatos.
No
sentido de violência, a maior parte eram mulheres que queriam continuar
esperando, que queriam um milagre, que já tinham tentado várias vezes, já tinha
dado chances. No sentido de crianças, era normalmente histórias do passado,
onde a menina disse "até hoje não perdoei o meu pai, eu tenho que conviver
com essa pessoa e tal".
Então,
a existência desse drama foi o que me impeliu, a partir da oração, sendo muito
franca, não posso dizer para você que eu pensei tecnicamente. E esses dados,
desses sofrimentos, me incomodaram e me fizeram encorajar pra dizer:
"Igreja, a gente precisa fazer alguma coisa no contexto geral".
E dizer
àquelas mulheres em tempo real: "não fica só orando". Eu não disse:
"não ore nunca mais". Eu disse: "Então, você já orou. Agora pare
e vá denunciar". E sendo muito franca com você, eu não acredito que
nenhuma mulher agredida deve ficar unicamente na oração no ato da primeira
agressão.
Desde a
primeira agressão, tem que haver denúncia. Agora, a partir daí, eu não consigo
legislar se ela não deve perdoar ou alguma coisa desse tipo. Mas o meu
aconselhamento é: denuncie, busque um lugar seguro e não aceite desculpas,
porque dificilmente acontece uma vez só.
• Denúncias de violência sexual existem em
diferentes instituições religiosas. A Igreja Católica enfrenta escândalos de
pedofilia, por exemplo. Por que isso acontece no ambiente religioso?
Pastora
Helena Raquel - Então, eu acredito que não reflete a maioria. Acredito piamente
na boa vontade da maior parte das pessoas que estão ali servindo. E não
acredito nisso apenas com a Igreja Evangélica, acredito também com a Igreja
Católica.
Agora
existem essas infiltrações e acabam ganhando espaço, esses oportunistas, por
causa do lugar de confiança que tem um indivíduo que está em um lugar de
liderança em uma religião. Então, as pessoas pensam: "É confiável, eu
posso deixar o meu filho acompanhá-lo porque estou deixando com o padre. Eu
estou deixando com o pastor. Estou te deixando com um líder de louvor, então
isso não vai acontecer".
Acredito
que o [motivo] número um esteja ligado a esse lugar que inspira na extrema
confiança. E, em segundo lugar, o alcance das religiões em áreas periféricas,
onde, de forma potencial, nós estamos diante de pessoas que já sofrem uma série
de questões em torno da sua própria vida. A Igreja Evangélica chegando, a
Igreja Católica chegando, sacode, ajuda, oportuniza, a mente de pessoas mudam,
mas também, ao haver um indivíduo corrupto, maligno, ele está em um lugar aonde
ele vai tentar se beneficiar de alguma maneira.
A gente
precisa lidar com esse grande problema, sim, precisa fazer alguma coisa contra
isso.
• Sua mensagem recebeu apoio da
primeira-dama Janja e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Como recebeu
esses apoios da esquerda e da direita?
Pastora
Helena Raquel - Eu vejo com muita alegria. Para começar, eu não sou ativista
política. Andaram pesquisando as pessoas que eu posso seguir [nas redes
sociais] por afinidade, ou convivência, e por aí vai... Mas eu não sou
ativista, eu sou pastora, eu sou líder, eu sou mulher. Então, quando eu vejo a
ex-primeira-dama Michelle, que é uma pessoa queridíssima, é uma pessoa com quem
eu já tive algumas pequenas experiências, como por exemplo, no luto da minha
mãe, [ela me] enviar uma coroa de flores, um momento em que a gente está ali
extremamente debilitado, dizendo "poxa, legal" [sobre a minha
pregação], pra mim isso é excelente.
Mas,
quando eu vejo a primeira-dama atual, Janja, fazer isso também, pra mim tem um
valor incrível. Primeiro, pelo alcance dela, pela influência em relação a
outras mulheres, e porque eu percebo que as duas conseguiram compreender que a
questão não é religiosa apenas, é humanitária. E quando a questão é
humanitária, não tem por que a gente avaliar o que o outro disse pelo viés
político. Você precisa avaliar o que o outro disse pela urgência que o tema
tem.
É assim
que eu faço a leitura do mundo. Eu não estou o tempo todo pensando: "É a
direita que falou? É a esquerda que falou? Isso faz sentido?". Por isso
que eu tenho dificuldade de me resumir politicamente. Quando me perguntaram
assim: "a senhora é o quê, conservadora?". Eu falei: "eu sou
bíblica". Então, se em algum momento o que está sendo defendido passa pela
Bíblia, eu digo "ótimo". Se não passa, pode ser até meu pai, eu vou
dizer "tá ruim". É simples.
• A igreja evangélica tem forte presença
na política brasileira. Como vê a relação entre igreja e política?
Pastora
Helena Raquel - Eu acredito que esse lugar é muito importante. E me incomoda
perceber que, algumas vezes, querem nos tratar como pessoas de outra categoria.
"Volte pro púlpito, volte para o seu lugar". É mais ou menos um
discurso que alguns deles criticam quando dizem assim: "lugar de mulher é
na cozinha, lugar de mulher é no tanque". Mas esses que acreditam ser uma
agressão dizer "lugar de mulher é no tanque, na cozinha", que
realmente não é [o lugar da mulher] unicamente, também dizem para nós, pastoras,
para nós líderes: "o lugar de você é na igreja, você não tem que se meter
em política". Então, acredito que, nesse ponto, a Igreja marcar presença é
muito valioso.
A
questão é a Igreja se manter bíblica e não partidária, porque, no momento em
que a gente perde a noção de qual é a nossa principal bandeira, a gente tem
risco de se perder. Então, eu, Helena Raquel, cidadã, tenho voto, pago
impostos, então posso ter opinião política e posso conversar com as pessoas do
meu círculo sobre isso. Agora, se eu, Helena Raquel, defendo cegamente um
partido ou um segmento político, aí eu perco esse lugar de representatividade
de Cristo que a Igreja tem na Terra.
É disso
que eu discordo tanto quanto discordo quando dizem para mim "volta lá para
o púlpito e não vem falar de política aqui não". E olha que eu nem sou
ativista. Eu sou uma pessoa que opina em uma coisa ou outra e, ainda assim,
[ouço falarem] "tô deixando de seguir agora porque eu não sabia que você
também falava de política". Ora, se eu falo até de como faz macarrão na
panela de pressão, por que eu não vou falar sobre assuntos relevantes para a
minha vida e a dos outros?
• A senhora falou que é importante o
evangélico estar na política, mas que não deveria ser partidário. Só que, para
estar na política institucional, tem que estar em partido. Há, por exemplo, uma
bancada evangélica no Congresso. Como vê essa atuação política, que passa por
partidos necessariamente?
Pastora
Helena Raquel - Enquanto membro da Igreja, eu não vejo nenhuma dificuldade em
entender que uma pessoa possa ser eleita, e, inclusive, considero saudável. A
questão é que envolvamos a Igreja em uma questão partidária de "todos nós
aqui obrigatoriamente pensamos da mesma maneira ou defendemos a mesma
pessoa". E hoje nós estamos mergulhados, enquanto Brasil, num tipo de
fanatismo que pode reverberar na Igreja composta de pessoas humanas. E é aí que
eu acho que tem que ter um bom limite.
Para
muita gente, esse limite está claro. Eu conheço igrejas e pastores que, para
eles, é inadmissível coisas que eu até considero possível, como dizer
"olha, [o político] fulano de tal está aqui". Inclusive, na minha
igreja, dependendo do partido político, qualquer pessoa que visite dentro disso
é apresentado. Mas eu conheço igrejas que nem apresentam.
Eu
quero também considerar que [a atuação política dos evangélicos] tem relação
com o discurso que existe hoje e que já vem de muitos anos. Algumas vezes a
Igreja é vista de um jeito que, se ela também não se posicionar de alguma
maneira, tendo a sua representatividade, acaba complicando. Porque, quando o
nazismo se tornou nazismo, começou com discursos pequenos, repetidos, sobre o
desvalor de seres humanos. Como do tipo "evangélico não deveria
votar". Ou ainda: "Os evangélicos são o pior tipo de gente que eu
conheço". Foi mais ou menos isso [que ouvimos] de uma atriz.
Daqui a
pouco alguém começa a matar evangélicos, apedrejar igrejas, estoura
perseguições no sentido comunitário-social... Ainda que o governo não esteja
dizendo para fazer isso, mas, se ele não nos protege dizendo "não fale
assim", indiretamente esse discurso de ódio ganha força.
• Então, considera errada a percepção de
uma certa homogeneidade de visão política na Igreja? Há uma pluralidade de
posicionamentos?
Pastora
Helena Raquel - Eu agora vou dizer empiricamente, não tenho pesquisa: eu
percebo uma identificação bem maior com a direita entre os crentes. Eu não
tenho dados, estou falando de ouvido, até porque eu sou membro de uma igreja no
Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro não é o Brasil todo.
Agora,
no sentido de política em si, aquém da questão plural, existem igrejas que
sequer querem falar sobre o tema. Então, a ideia de que estamos todos nós
enfileirados [de um mesmo lado político]... Não, não, não. Agora, quem está
também tem esse direito como cidadão. Eu não estou em um ato de manifestação
[política] porque não tenho nem jeito pra algumas coisas, eu acho.
Eu
acredito que existem pautas justas que podem levar pessoas a querer se
manifestar de forma correta. Agora, muitas igrejas não querem nem ouvir sobre
nada disso. Sem contar que, na ponta, o que realmente as pessoas querem ouvir é
sobre saúde, é sobre emprego, é sobre transporte, é sobre educação. Nós temos
hoje crentes que fazem viagens de duas horas de ônibus simplesmente para voltar
para casa. Digo crentes, mas óbvio que a população [de forma geral]. Tem
pessoas que estão há meses esperando para fazer um exame médico, e essas dores
gritam e acabam fazendo com que a preocupação primordial de quem está em
sofrimento seja sanar essas dores.
• Na pregação que viralizou, a senhora diz
que, mesmo o Estado sendo laico, coisas incríveis podem acontecer se a igreja
somar forças com o Estado. Como é possível fazer essa união sem ferir o
princípio do Estado laico e em respeito aos que têm outras crenças ou não têm
religião?
Pastora
Helena Raquel - Eu acredito que isso, sobretudo, se dê em questões de medidas
sociais. Até porque ali [nesse momento da pregação] eu começo a falar sobre a
minha filha [adotiva], que chegou na minha vida há nove meses, e aí eu digo:
"Olha, a Igreja chegou onde o Estado não chegou". Mas depois, na
mesma hora, eu tenho a consciência de lembrar que ela estava em um abrigo. E
que esse abrigo, embora tenha uma direção evangélica, tem uma parceria com o
Estado. Tanto que, embora ela não era uma menina evangélica, quando ela foi
acolhida, levaram ela para um abrigo evangélico.
Então,
eu acredito nisso: comunidades, cursos profissionalizantes, saúde, trabalhos de
capelania. Olha o que eu conheço de missionários fazendo coisas fantásticas,
histórias maravilhosas pelo Brasil, de resgate de crianças, de trabalhos com
pessoas em comunidades carentes. Então, eu quis dizer nesse sentido, não pra
que o Estado diga "só os cristãos vão participar" ou para que o
Estado diga "não, isso aqui é um acesso que tem que haver uma confissão
cristã para que você possa...". Não, isso já não deu certo anos atrás, com
a Igreja Católica, a gente não quer voltar pra isso.
O que a
gente quer é contribuir... Por exemplo, existem comunidades no Rio de Janeiro
que, para a polícia entrar, para um carro, de repente, de uma repartição, de um
Ministério de Saúde entrar, é mais difícil, mas a Igreja Católica entra, a
Igreja Evangélica entra, o centro espírita entra. Então, eu acredito que, nesse
sentido, a gente consegue trabalhar juntos.
• A senhora já disse que não descarta ser
candidata no futuro. Poderia explicar melhor seus planos?
Pastora
Helena Raquel - Sabe em que sentido eu não descarto? No sentido de saber que a
minha vida é totalmente de Deus. Eu não tenho nenhum plano. E acredito até que
eu não seja essa pessoa aguerrida para eleições, mas a minha vida está nas mãos
de Deus. Eu não gostaria de dizer "eu nunca serei" e amanhã faltar
com a minha palavra empenhada. Então, eu prefiro dizer: "não sei".
Agora,
uma coisa eu já decidi e já está muito clara para mim: esse ano não [serei
candidata]. Existem teorias da conspiração, inclusive: "ó, ela está
querendo trazer o pessoal da esquerda para votar na direita". E aí dizem
na direita: "ó, cuidado, ela tá indo pra esquerda". Loucura. Eu tive
uma direção divina, preguei uma palavra, repercutiu maravilhosamente e eu estou
tendo a oportunidade de ampliar minha fala sobre coisas que eu venho falando há
muitos anos e estou aproveitando isso da melhor maneira possível. É apenas
isso.
• Pretende se envolver de alguma forma ou
apoiar algum candidato na eleição de 2026?
Pastora
Helena Raquel - Então, até a mensagem [vitalizar], eu tinha pretensão de apoiar
dois cargos: deputado estadual e deputado federal. Estadual, pensando na cidade
onde eu sou pastora. Eu acredito que, se a gente conseguisse ter um deputado
feito pela nossa cidade, ele conseguiria ajudar um pouco mais nossa comunidade,
a Baixada Fluminense em si. E deputado federal, como é uma coisa menos
polarizada, embora extremamente importante, também faria muito sentido pra mim.
Mas,
nesse momento, eu já repenso, porque, se isso de alguma maneira for impedir o
que Deus está fazendo através da minha vida, eu abdico de fazer público meu
voto em prol disso. Agora, se eu perceber que não vai ser danoso à minha
missão, eu não vejo problemas.
Mas
quanto ao que vai ser após isso [a pregação viralizar], realmente, em primeira
mão, [eu penso] assim, agora: "eu, não [vou apoiar candidato], Deus me usa
aqui pra direita, pra esquerda e tem até o centrão, né?". Eu estou aqui
pra ser usada como pastora, pra entregar a palavra e só isso, mais nada.
• Por que a senhora já não queria se
envolver na disputa presidencial antes de viralizar com essa pregação?
Pastora
Helena Raquel - Porque eu acredito que o tom vai ficar pesado. É difícil a
gente falar sobre coisas que parecem hipócritas numa sociedade que está
acostumada com outra linguagem. Mas eu sou uma pessoa que já tem uma presença
de alguns anos na rede, então, em qualquer vídeo meu, você vai perceber o que
estou dizendo: eu não levo jeito pra agressividade. A minha agressividade,
entre aspas, é toda de púlpito, com verdade, pregar a Bíblia, falar "Deus
vai fazer, temos que mudar isso".
Mas,
quando eu percebo que eu vou ter que dizer algumas coisas sobre o outro, que de
alguma maneira vai ter que ser naquele tom mais aguerrido, porque a minha
suspeita é que vão colocar [um tom mais agressivo na campanha] dos dois lados,
eu não me sinto confortável, porque eu não sou essa pessoa.
Então
eu prefiro falar com os membros da nossa igreja, conversar com os nossos
amigos, inclusive ouvir o contraditório. Tem pessoas que estão perto de mim que
não pensam como eu politicamente. E por aí eu vou. Eu sinto que o meu lugar
será mais saudável de ajuda se eu conseguir influenciar profeticamente e não
dizendo "oh, [vote] aqui ou ali".
• O pastor Silas Malafaia disse que a
mensagem da senhora estaria sendo usada para atacar a Igreja em ano eleitoral e
que seria errado generalizar que pastores protegem espancadores de mulheres e
pedófilos. Como recebe essa reação do pastor?
Pastora
Helena Raquel - Eu não me sinto confortável em falar sobre alguém que eu
estimo, que eu respeito. Mas acredito que ele não disse isso sobre a minha
fala. Ele disse sobre o uso desta fala por outras pessoas. Infelizmente,
acontecem apropriações de discurso para generalizar, e a Igreja não pode ser
generalizada, como eu acredito que nenhuma outra religião, nesse aspecto, de
ter entes dentro dela que se comportem de forma errada e criminosa.
• A senhora se considera feminista? E como
vê o movimento feminista?
Pastora
Helena Raquel - Eu não me considero feminista. Acredito que, para eu falar um
pouco melhor sobre esse tema, eu preciso me aprofundar mais. Eu poderia dizer
para você, de modo inicial, aquela resposta mais rápida "não, eu não sou
feminista e isso e aquilo", mas eu procuro ser honesta com as questões.
Eu até
estava me lembrando que adquiri um curso virtual, algum tempo atrás, sobre esse
tema, e eu nunca avancei. A gente ouve, de modo geral, que existem ganhos no
movimento feminista. Eu preciso conhecer mais para de fato poder discorrer
sobre o assunto.
Fonte:
BBC News Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário